domingo, 30 de julho de 2023
NA PRAIA
TROVAS DA FAMÍLIA RIBEIRO MARTINS
Vejamos algumas trovas dessa talentosa família Ribeiro Martins:
Levanto cedo, não nego,
ando pescando a poesia,
na minha rede carrego
todo o mar de fantasia.
FILEMON MARTINS
Vejo a prova fulgurante
de um Poder, que não tem fim,
numa estrela - bem distante,
na vida - dentro de mim.
CARLOS RIBEIRO ROCHA
Com os olhos fitos no chão,
você só vê a tristeza.
Levante a cabeça, irmão,
e contemple a natureza!
MÁRIO RIBEIRO MARTINS
Escolha um solo fecundo,
prepare-o com muito ardor,
e com fervor mais profundo
plante a semente do Amor!
JERRY FILHO
Não sei por que, ó saudade,
tu vens de tão longe assim,
roubar a felicidade
que mora dentro de mim!
LAURENTINA DOS SANTOS NOVAIS
Nesta vida transitória,
nada vejo de valor,
pois, daqui, a falsa glória
murcha e finda como a flor!
JEREMIAS RIBEIRO DOS SANTOS
Amigos, guardem de cor
e viverão satisfeitos:
nossa vitória maior
é vencer nossos defeitos.
SAMUEL PIRES RIBEIRO
Fragmento da publicação de Maria Thereza Cavalheiro, em sua coluna jornal O RADAR, de Apucarana-PR.
sábado, 29 de julho de 2023
NOSTALGIA
(FOTO DA INTERNET)
NOSTALGIA
JOSÉ OUVERNEY
Desmaia a tarde e a sorrateira brisa,
varanda a dentro, lépida e frugal,
a beliscar meu peito sem camisa
vai desenhando um gesto sensual.
Em lenta despedida o sol desliza,
jorrando sangue sobre o bambual,
e a lua acende a lâmpada, indecisa,
tremeluzindo sobre o meu quintal.
Um pouco mais de espera e surge a noite:
a casa, de repente, tão vazia,
desperta a minha lúdica ansiedade;
e o beliscar da brisa vira açoite,
notadamente quando a nostalgia
bate no peito, e acorda esta saudade!...
(DO SITE FALANDO DE TROVA)
CRISE DE REALIDADE (ENSAIO LITERÁRIO)
CRISE DE REALIDADE (ensaio literário)
Maria José Zanini Tauil
Cortei em pedacinhos a fantasia, (isso é coisa de poeta) mas não tive coragem de jogá-los fora. Um dia, acordamos e percebemos que aquela roupa, (fantasia) já não nos serve, como se, num curto espaço de descanso, a alma se dilatasse, sem caber no antigo espaço, onde tão bem se acomodava. Estou nas palavras, mas ainda prefiro as entrelinhas. O que sei dizer de mim é quase nada, perto do ser que em mim se oculta e que sangra para dentro, como hemorragia interna.
Sinto-me cansada de assumir o que não quero. Ir embora é um processo que acontece aos poucos; acho que já nasci partindo. Estou sofrida, por isso é natural que palavras nasçam, jamais agressivas... indignadas somente.
Parece-me piegas descrever minhas angústias. Afetos desordenados são um retrocesso, pois o amor não é inteligente. Refletir é o mesmo que erguer casas, pois quanto mais conheço o vocabulário humano, percebo o quanto é difícil chegar ao íntimo do outro sem pesar, sem ser incômodo.
Sinto-me também inadequada. Escrever é uma ventura perigosa, pois o coração registra e se revela. Uma escrita nem sempre consegue alcançar, veda espaços para que o sentimento não fuja ou se perca no caminho.
Ah! Palavra! Segura o significado do vivido, desafia o tempo, engana a cronologia... mas a vida vivida, só encontra abrigo ali: na casa da palavra.
Se mal edificada, o outro intui, pressupõe conforme sua conveniência. Ela, (a palavra) pode ser motivo de alargar distâncias, no mergulho do mistério dos significados.
Só que a minha palavra é pedido de socorro, minha edificação literária é torta e nela descanso minhas inquietações, hospedo minhas tristezas. Essa edificação tem teto, que protege minha nudez e é onde escondo minhas indigências. Mostro mais naquilo que oculto do que naquilo que revelo, pois no avesso da minha negação, está a minha afirmação.
Não sou terapeuta e você não é paciente. Confidencio pressas e ansiedades, tempos idos de minhas procuras, quando o coração desejava, mas não saboreava desejos. Sofrer de juventude é destino e de senilidade também, se a alcançamos. Lamentar perdas faz parte da vida e a realidade pode ser cruel, pois o diamante brilha bem mais na vitrine.
Num mundo de especulações, não quero mais o cansaço do argumento, discussões improdutivas, buscar inutilmente o lustre que o ego carece, pois as intenções humanas nem sempre conseguem ser decifradas e isso não se aprende com escolaridade.
Sinto o vento da simplicidade soprar em mim e ele me pede calma, serenidade. Resolvi obedecer. Sonhos juvenis perdem o viço, o que causava gozo, deixa de causar. A viagem de retorno pode ser fascinante... e ao mesmo tempo, dolorosa. Felicidade não é lógica, quebrar regras, que nem sempre conhecemos, pode gerar a dor que só o amor pode causar e isso ainda me assombra, pois as teorias todas chegam às minhas páginas reais. Mergulho na questão e concluo que a desilusão amorosa só tem razão de existir onde houver uma história de amor.
Para mim, você foi a pessoa mais linda que no meu caminho cruzou. Parecia personagem de literatura universal: inteligência, sensibilidade, luz derramada nas minhas sombras; claridade que ainda me envolve e me arrebata.
Se nascemos um para o outro? Isso me parecia parte do nosso destino final, mas eis a realidade: a estrutura do edifício está ruindo; o amor fragmentou-se. Levarei, porém, até o último suspiro, essa minha indagação: seria necessário o amor machucar tanto?
20/04/14 - Domingo de Páscoa, Campos do Jordão - SP MJZTauil
CONTO DA VIDA
ESTRANHO MUNDO - MIGUEL EDUARDO GONÇALVES
FUNDÃO - MIGUEL EDUARDO GONÇALVES (IN MEMORIAM)
(FONTE: www.usinadeletras.com)
DIALOGANDO COM DEUS
DIALOGANDO COM DEUS
Odir Milanez da Cunha (1935/2017)
_ Talvez a Vós até pareça leve
mas é pesada, ó Pai, a minha cruz!
_ Quem ao peso que dei clamar se atreve,
se o mesmo peso eu dei para Jesus?
_ Sou um pobre poeta, que Te escreve
em meio à escuridão, temendo a luz!
_ Mas ao poeta o pranto não prescreve,
o sofrimento é a seiva que o seduz.
_ Ele não louva o próprio isolamento,
não procura da vida o adverso
para fazer do verso o seu lamento?
_ Mas o amor, meu Pai, me foi perverso!
Roubou-me a paz, a alma, o pensamento,
e nunca mais me pude avir ao verso!
ROSAS
sexta-feira, 28 de julho de 2023
SONETO DE FAGUNDES VARELLA
(FOTO DA INTERNET)
SONETO
Fagundes Varella (1841/1875)
Desponta a estrela d’alva, a noite morre.
Pulam no mato alígeros cantores,
E doce a brisa no arraial das flores
Lânguidas queixas murmurando corre.
Volúvel tribo a solidão percorre
Das borboletas de brilhantes cores;
Soluça o arroio; diz a rola amores
Nas verdes balsas donde o orvalho escorre.
Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma
Às carícias da aurora, ao céu risonho,
Ao flóreo bafo que o Sertão perfuma!
Porém minha alma triste e sem um sonho
Repete olhando o prado, o rio, a espuma:
- Oh! Mundo encantador, tu és medonho!
(Do Informativo do Centro de Ação Literária de Campos do Jordão, página 2).
SONETO DE ARVERS - TRADUÇÃO DE GUILHERME DE ALMEIDA
(FOTO DA INTERNET)
NOTA DO BLOG: OUTRO DIA PUBLIQUEI O SONETO DE ARVERS COM TRADUÇÃO DE J. G. DE ARAÚJO JORGE. HOJE PUBLICO A TRADUÇÃO DE GUILHERME DE ALMEIDA.
SONETO DE ARVERS
Tradução de Guilherme de Almeida:
Tenho n'alma um segredo e um mistério na vida:
Um amor que nasceu, eterno, num momento.
É sem remédio a dor; trago-a, pois, escondida,
E aquela que a causou nem sabe o meu tormento.
Por ela hei de passar, sombra inapercebida,
Sempre a seu lado, mas num triste isolamento,
E chegarei ao fim da existência esquecida
Sem nada ousar pedir e sem um só lamento.
E ela, que entanto Deus fez terna e complacente,
Há de, por seu caminho, ir surda e indiferente
Ao murmúrio de amor que sempre a seguirá.
A um austero dever piedosamente presa,
Ela dirá lendo estes versos, com certeza:
"Que mulher será esta?" E não compreenderá.
SEU PENSAMENTO
RENOVAÇÃO


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