BLOG LITERÁRIO DO FILEMON
domingo, 28 de junho de 2026
COISAS DE AMOR - FILEMON MARTINS
COISAS DE AMOR
sábado, 27 de junho de 2026
TROVAS DE MÁRIO BARRETO FRANÇA
TROVAS DE MÁRIO
BARRETO FRANÇA
Não olhe tanto o
futuro
nem no passado se ausente,
porquanto o melhor seguro
é ser útil no presente!
Não é nem será
fraqueza,
de um erro se arrepender.
Sempre demonstra nobreza
quem vence o seu próprio ser.
O circo é cópia
discreta
do mundo, em glória e fracasso:
- Sofre no risco do atleta,
mente no rir do palhaço.
Raras são as criaturas
de julgamento sereno,
pois quando estão nas alturas
veem todo mundo pequeno.
O CAÇADOR DO SILÊNCIO - JOSÉ FELDMAN
O CAÇADOR DO SILÊNCIO
"Salaam’aleikum" (Que a
paz esteja convosco), meus ouvintes de alma atenta. O silêncio que agora nos
envolve é o tapete sobre o qual esta história vai caminhar. Eu, Mustafá, vi
muitos homens tentarem roubar ouro e poder, mas apenas um teve a ousadia de
roubar o que pertence aos desertos profundos.
Em Nishapur, vivia um poeta
chamado Faruq. Seus versos eram belos, mas a cidade era barulhenta — o martelar
dos ferreiros, o grito dos mercadores e as intrigas dos palácios sufocavam sua
inspiração.
— "Ya Allah" (Ó Deus),
clamava ele, "como posso ouvir a música das esferas se o mundo não para de
gritar?".
Consumido por um desejo ardente,
Faruq viajou até o coração do deserto, onde dizem que o silêncio é tão espesso
que se pode cortá-lo com uma adaga.
Lá, ele encontrou um
"dervixe" (monge sufi) que meditava sobre uma duna que nunca se
movia.
— "Ensina-me a capturar o
silêncio", pediu Faruq.
O ancião entregou-lhe um frasco
de cristal vazio e disse:
— "O
silêncio não se captura com as mãos, mas com a ausência do 'ana' (eu/ego). Se
fores capaz de passar sete dias sem pensar em ti mesmo, o silêncio entrará no
frasco."
Faruq lutou. No sétimo dia, ele
esqueceu seu nome, sua fome e sua fama. O frasco brilhou com uma luz opala. Ele
o arrolhou e voltou para a cidade.
"Alhamdulillah"
(Louvado seja Deus), ele conseguira!
Ao abrir o frasco em sua casa, o
silêncio derramou-se como um rio invisível. Subitamente, todo o barulho de
Nishapur cessou ao redor de sua morada.
Mas houve um preço: as pessoas
não conseguiam mais se entender, os pássaros esqueceram o canto e até o vento
parou de soprar. Faruq percebeu que, ao roubar o silêncio para si, ele roubara
a alma do mundo.
Arrependido, ele subiu ao
minarete mais alto e quebrou o frasco. O silêncio espalhou-se, mas desta vez
ele não abafou os sons; ele tornou-se a pausa entre as notas, o espaço entre as
palavras que permite que a fala tenha sentido.
"Shukran", murmurou o
poeta, entendendo que o silêncio não é a ausência de som, mas a presença da
paz.
Desde aquele dia, Faruq escreveu
seus melhores poemas, pois aprendeu que o segredo não é fugir do barulho, mas
carregar o deserto dentro do peito.
“As-salaam'aleikum” (Que a paz de Deus esteja com vocês). Que o silêncio de vocês seja sempre um refúgio, e nunca uma prisão.
(FONTE "ECOS DO DESERTO", DE JOSÉ FELDMAN)
RUGAS - DOMINGOS SOUSA
RUGAS
Domingos Sousa
Tenho rugas no rosto e cada ruga
tem para mim um preço especial;
das lágrimas que o tempo dá e enxuga,
são os sulcos deixados por sinal...
São testemunhas mudas dessa fuga,
fuga da vida, a fuga mais real,
iguais a um parasita que algo suga,
levando a mocidade ao seu final.
São os anos, os dias, os momentos,
a vida amargurada, a dor sentida
e vigílias das noites de tormentos!
Também o são - o espelho me mostrou -
na face descorada e envelhecida,
as pegadas do tempo que passou...
(LIVRO "ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL - 1980" - 2º VOLUME, PÁGINA 131)
sexta-feira, 26 de junho de 2026
TARDE DE INTERROGAÇÕES - FILEMON MARTINS
quinta-feira, 25 de junho de 2026
PRECE DE UM PEREGRINO - FREI CARLOS MESTERS
PRECE DE UM PEREGRINO
Frei Carlos Mesters
“Senhor Deus, andei pela vida à tua procura.
Perguntei pelo teu nome e pelo teu endereço. Quero saber o lugar onde moras.
Quero te encontrar e conversar contigo. Mas, deram-me tantos nomes e endereços
teus, que fiquei perdido. Meu Deus, onde moras?
Uns me indicavam
grandes templos e igrejas. Eles diziam: “O nome dele é Deus supremo!” Fui lá,
mas não te encontrei. Só encontrei pedras bonitas e pessoas satisfeitas que
diziam saber tudo a teu respeito. Não consegui acreditar nelas, por mais que eu
quisesse. Meu coração me dizia: “Deus não é assim!” Pois eles só queriam ensinar
estas coisas e colocar suas ideias na minha cabeça, como se eu fosse ignorante
de tudo. No meio deles não encontrei a justiça nem o amor.
Outros me indicavam os
grupos rebeldes que vivem na sombra. Eles diziam: “O nome dele é Deus vingador
e justiceiro!” Fui lá, mas fiquei na dúvida. Encontrei gente boa, mas não
encontrei a humildade. Eles também só queriam ensinar coisas e colocar as suas
ideias na minha cabeça, como se eu fosse ignorante de tudo! Não encontrei neles
a liberdade de que eles tanto falam.
Continuei andando à
procura da tua morada, da tua presença. Cansado e suado de tanto andar, parei na
casa de um pobre. Ele estava sentado na calçada, em frente ao seu barraco.
Aproveitei a brisa do fim do dia. Perguntei a ele pelo teu endereço e pelo teu
nome. E ele me disse: “Meu amigo, perdoa a minha ignorância. Eu me chamo
Severino. Não sei informar nada. Mas, entre aqui e descanse um pouco. Você tem
o aspecto de quem anda cansado. Enquanto estiver comigo, esta casa é sua!” Entrei e estou lá até hoje, meu Deus!
Não sei se tu moras na
casa de Severino. Ele me diz que não te conhece. Mas, junto dele, encontrei a
paz e a humildade, a partilha e o perdão, a solidariedade e a luta pela
justiça, encontrei a plena liberdade.
Responda à minha pergunta, Deus. É na casa deste
pobre que tu te escondes? Só pode ser! Pois, ele não se apresenta como
professor e já me ensinou tanto! Ele não tem nada e me deu tudo o que eu
precisava! Ele se diz ignorante, mas sabe muito mais do que eu! Ele é fraco e
sem forças, mas, até hoje, ninguém conseguiu derrotá-lo na luta pela justiça!
Vive cheio de sofrimento, mas nunca encontrei tanta alegria! Vive lutando e só
comunica a paz! Se esta não for a tua morada, Senhor, eu já não sei mais onde
te procurar. Aqui eu encontro e recebo o que procurava. E aqui eu fico com
gratidão, até que me indiques um endereço melhor. Só espero que, um dia, me
reveles o teu nome.
AMÉM!
QUEM FOI OLEGÁRIO MARIANO? - MÁRIO RIBEIRO MARTINS
PROBLEMAS E MAIS PROBLEMAS - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS
PROBLEMAS E MAIS PROBLEMAS
Resultados na política e na economia
mostram o país dando passos para trás. Será que falta competência para resolver
os problemas?
O Brasil apresenta um cenário sombrio. Não dá para
esconder, pois os brasileiros sentem que há problemas em todas as áreas. Parece
mesmo que os nossos políticos estão se acostumando com a corrupção. Acostumar.
Será esse o objetivo dos políticos? Cremos que a maior parte deles não tem esse
objetivo.
Todos
os brasileiros, de norte a sul, percebem que a corrupção é um monstro que
mostra as unhas, é teimosa e está presente em órgãos governamentais e até nas
empresas. A corrupção está presente também em muitos Estados e Municípios. A
corrupção envergonha a nossa nação.
A corrupção é um
grande problema, porém tem solução.
Acabar com as brechas nas leis, moralizar a política e punição rigorosa
para os corruptos declarados pela justiça. O povo não aguenta tanta corrupção.
Vemos que o cidadão de bem é quem mais sofre com os efeitos maléficos da
corrupção reinante. O dinheiro dos impostos some no bueiro da corrupção e os
brasileiros classe média e os mais pobres, sem querer, são os que pagam a
conta.
Muitos perguntam: e o
governo o que faz? Será que o governo toma as devidas providências? O governo
realiza fiscalização rigorosa nas empresas e pune a sonegação e as falhas com
multas pesadas. Mas, o que faz nos órgãos governamentais? Não faz muito anos,
ouvi numa entrevista a conversa de um empresário que dizia: A corrupção no
Brasil é fácil de resolver. Basta ter políticos patriotas e honestos.
Sem passar muitas
páginas do livro chamado Brasil, todos percebem e sentem no bolso que a
economia brasileira apresenta um cenário bem adverso. Parece que nos últimos
anos tornou-se algo comum e rotineiro fazer aventuras com as decisões para
corrigir os rumos da economia. Mas as aventuras e malabarismos só fazem a coisa
piorar. Juros altos, muitas taxas e impostos elevados, governo gastando muito,
tudo isso empurra a inflação para cima. O Brasil cobra impostos muito altos,
abusivos.
Há desemprego forte e
dando sinais informando que por enquanto não vai ceder. Jornais informam que
empresas em crise com produção encalhada tomaram a decisão de pedir baixa e
fecharam as portas. Isso significa desemprego. Nas cidades grandes e pequenas há
muitas lojas fechadas, isso significa desemprego. O déficit fiscal é uma bomba
que não deixa a economia brasileira andar para frente.
A Bíblia Sagrada
mostra soluções para todos os casos. Na carta que o apóstolo Paulo escreveu aos
filipenses, no cap. 2 e versículo 15, ele afirmou, deixando escrito o seguinte:
“Que sejais irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus inculpáveis no meio de
uma geração corrupta e perversa...”
Saul Ribeiro dos Santos
Contador e economista aposentado.
Natural de Ipupiara – BA.
quarta-feira, 24 de junho de 2026
O FIM DO MUNDO - JOSÉ FELDMAN
O FIM DO MUNDO
"Salaam’aleikum" (Que a
paz esteja convosco), buscadores do horizonte. Preparem o coração, pois esta
história atravessa dunas que nenhum mapa ousa registrar. Eu sou Mustafá, o
peregrino, e hoje lhes conto sobre a busca de um homem que não se contentava
com o que os olhos podiam ver.
"Bismillah" (Em nome de
Deus), partamos para além das fronteiras.
Havia um homem chamado Ziad, um
"musafir" (viajante) incansável. Ele já havia visto as pirâmides do
Egito e os jardins suspensos, mas uma pergunta o consumia: "Onde termina o
mundo?".
Ele acreditava que, no fim de
tudo, encontraria uma muralha de cristal ou o próprio jardim do éden.
Ziad despediu-se de sua família
com um "fi amanillah" (Fique com a proteção de Deus) e caminhou para
o leste. Ele cruzou rios impetuosos e montanhas que tocavam o céu.
Em cada aldeia, perguntava: —
"Falta muito para o fim?".
Os anciãos sorriam e diziam: —
"Maktub" (Está escrito), "o fim está onde o coração
descansa".
Ziad não entendia. Ele caminhou
por quarenta anos. Seus cabelos tornaram-se brancos como a neve do Líbano e
suas sandálias foram trocadas cem vezes. Um dia, exausto, ele chegou à beira de
um oceano infinito, onde o sol mergulhava em águas douradas.
— "Ya Allah" (Ó Deus),
gritou ele, "finalmente cheguei ao fim do mundo!"
Ali, ele encontrou um eremita que
vivia em uma caverna.
— "Shukran" por me
receber, disse Ziad, "concluí minha jornada".
O eremita, rindo suavemente,
apontou para o mar.
— "Vês aquele horizonte? Se
navegares até lá, encontrarás outra terra. E se caminhares por essa terra,
voltarás exatamente ao lugar de onde partiste. O mundo é um círculo, meu filho.
Ele não tem fim, pois a criação de Deus é infinita em sua perfeição."
Ziad caiu de joelhos.
"Alhamdulillah"
(louvado seja Deus), murmurou.
Ele percebeu que passara a vida
fugindo do aqui para buscar o "Lá", sem notar que a beleza estava em
cada grão de areia que pisara. O "fim do mundo" era, na verdade, o
momento em que ele parasse de procurar fora o que já possuía dentro: a paz.
Ziad voltou para sua casa, não
mais como um buscador, mas como um sábio. Ele ensinou que a vida não é uma
linha reta até um abismo, mas uma dança em torno do que é sagrado.
"Shukran" por
caminharem comigo nesta narrativa. “As-salaam'aleikum” (Que a paz de Deus
esteja com vocês).
MEU BARCO CORAÇÃO - SUELLY CORRÊA GOMES
MEU BARCO CORAÇÃO
Suelly Corrêa Gomes
Armei meu coração como um navio
proa altiva, velame tão bonito,
dei-lhe o rumo dos mares do infinito
para aceitar o sol, o vento e o frio.
E saiu a vogar, perdendo o grito
das gaivotas no ar, em pleno estio!
Ficou atrás o porto e o calmo rio
iam à frente o sonho e o mito.
Meu coração sonhava com luares,
com lindas ilhas onde o amor repique
seus sinos, em glorioso festival.
Não contava porém, incertos mares.
Teve destino igual do Titanic
naufragou na viagem inaugural!
(LIVRO "TU NA DISTÂNCIA", PÁGINA 71)
VIVA, SÃO JOÃO! - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES
Viva, São João!
PERFIL BIOGRÁFICO DE ADÃO FRANCISCO MARTINS - TEXTO DE MÁRIO RIBEIRO MARTINS
ADÃO FRANCISCO MARTINS (Que havia nascido em 21.05.1915, em Ipupiara, e estava com 23 anos de idade), foi SECRETÁRIO MUNICIPAL, conforme documentos escritos e publicados, na mão do autor destas notas, entre os quais, o “ORÇAMENTO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE BROTAS DE MACAÚBAS, PARA O EXERCÍCIO DE 1939”(DECRETO-LEI 63, de 5.7.1938), impresso na LIVRARIA CATILINA, de Romualdo Santos-Livreiro Editor-Rua Portugal, 20, Salvador, Bahia, onde se lê: Prefeito Municipal-Nestor Rodrigues Coelho. Secretário Municipal-Adão Francisco Martins.
Filho de Gasparino Francisco Martins e Jovina Ribeiro Martins, neto do Coronel Isidório Ribeiro dos Santos, meu pai, Adão Francisco Martins, enquanto trabalhava na roça, aprendeu a ler com os antigos professores, “JOÃO CAPOTE” e “JOÃO PAPAGAIO”. Mas, seu principal professor foi Arthur Ribeiro Sobrinho, pai do primeiro médico de Brasília, Dr. Isaque Ribeiro Barreto.
Em 1934, com 19 anos de idade, na cidade de Brotas de Macaúbas, foi nomeado Tabelião de Notas e Agente de Estatística. Casou-se em Brumado, hoje Ibitunane, em 29.10.1937, com Francolina Ribeiro Martins, tornando-se comerciante de Diamantes, em sociedade com Adelino Alves de Almeida.
Em 1946, foi nomeado Prefeito de Brotas de Macaúbas, logo após a gestão do Prefeito Nestor Rodrigues Coelho, que se estendeu de 1934 a 1945, momento em que o Capitão Nestor Coelho permaneceu como Presidente do Diretório Municipal de Brotas e se elegeu Deputado Estadual, a partir de 1946. Nestor Coelho faleceu em Salvador, Bahia, em 26.12.1953, na condição de Deputado Estadual, tendo sido sepultado no Mausoléu da família, em Barra do Mendes.
Nomeado Adão Francisco Martins, Prefeito de Brotas de Macaúbas, em 1946, pelo Interventor Federal na Bahia(1946-1947), General Cândido Caldas, permaneceu no cargo de Prefeito, até abril de 1947, quando, terminada a “interventoria” na Bahia, o Governo Estadual foi passado para o Governador eleito pelo povo, Otávio Mangabeira e realizadas as eleições municipais.
Em 03.05.1950, Adão Francisco Martins, mudou-se para Morpará, às margens do Rio São Francisco, onde fundou a “Loja Primavera”, de tecidos, além de ter sido Vereador. No mesmo ano, vinculou-se à Loja Maçônica HARMONIA E AMOR, de Juazeiro, pertencente à GRANDE LOJA DO ESTADO DA BAHIA.
Em abril de 1957, retornou à sua terra natal, Ipupiara, como comerciante de tecidos e como Pregador Evangélico, vinculado ao Protestantismo Batista. Contribuiu, escrevendo discursos e redigindo documentos. Como político, continuou na sua luta pela emancipação política de Ipupiara, que se tornou município independente de Brotas, em 09.08.1958, ao lado do Chefe Político da região, Coronel Arthur Ribeiro.
Após ter fundado a Igreja Batista de Ipupiara, FALECEU REPENTINAMENTE, com parada cardíaca, no dia 07.01.1970, com 55 anos, depois de ter feito um Sermão Evangélico, na Praça Principal da cidade, deixando 5 filhos homens e 3 mulheres.
METADE - SUELLY CORRÊA GOMES
METADE
Suelly Corrêa Gomes
Ensina-me, Senhor, pois vivo incalma
como fosse viver só de metade.
Metade o coração. Metade a alma.
Somente inteira a dor desta saudade.
Em todo o visto o meu anseio invade
em sua lembrança o seu olhar de calma.
Dividir a alegria ou a ansiedade
qualquer sucesso que esta luta empalma.
Viver metade é dor tão angustiante,
é procurar no escuro inutilmente,
é tropeçar sem ter um ombro amigo.
É não ter nada no buscar constante,
é carregar a vida indiferente
e isso não sei, meu Deus, e nem consigo!
(LIVRO "TU NA DISTÂNCIA", PÁGINA 108)













