domingo, 17 de maio de 2026

QUEM FOI GUTEMBERG NERY GUARABIRA? - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 




QUEM FOI GUTEMBERG NERY GUARABYRA?

Mário Ribeiro Martins (07/08/1943 a 18/03/2016)

 

GUTEMBERG NERY GUARABYRA, Carioca, do Rio de Janeiro, 1915. Pastor da Igreja Batista da Barra do Rio Grande, na Bahia, às margens do Rio São Francisco, como Missionário da Junta de Missões Nacionais, da Convenção Batista Brasileira, por volta de 1940.

Em 1943, com 28 anos de idade, Gutemberg Guarabira foi Pastor da Igreja Evangélica Batista em União, no Estado do Piauí. Esta Igreja que tinha sido organizada em 01.11.1922, foi transferida do Brejo da Serra, interior da Bahia, para o Sul do Piauí ou seja vila de União.

Em 05 de junho de 1949, já com 34 anos de idade: É fundada uma Congregação Batista, na cidade de Xique-Xique, Estado da Bahia. A instituição surge sob a liderança do Pastor Gutemberg Nery Guarabira, missionário da Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira. A Igreja Batista de Barra é a patrocinadora do evento.

Em 1956, a Igreja Batista de União se transferiu, de novo, de União para Lagoa de Dentro, hoje cidade de Avelino Lopes. Gutemberg Guarabira foi o primeiro Presidente da Convenção Batista Sertaneja, em 1949, eleito no Acampamento Batista, realizado em Corrente, Piaui.

Ele, no entanto, permanecia como Pastor da Igreja Batista da Barra, às margens do Rio São Francisco.
Durante muitos anos Gutemberg Nery Guarabyra foi Pastor de várias outras Igrejas às margens do Rio São Francisco. Em 14.01.1957, em Bom Jesus da Lapa, Bahia, presidiu o Concilio que consagrou o Pastor Pedro Pereira Nascimento ao Ministério da Palavra, conforme se lê: O Concílio Consagratório foi composto dos pastores: Gutemberg Nery Guarabira, que foi o presidente do Concílio. O Pr. José Brito Barros, Pr. Jonas Borges da Luz, Pr. Sebastião Portilho, Pr. Davi Gomes, e os diáconos - Benvenuto Ribeiro, que serviu como secretário da ata do Concílio e Artur Ribeiro, vindo de Ipupiara.
Quando o conheci, pessoalmente, em 1959, na cidade de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, ele já não mais pertencia ao quadro da Junta de Missões Nacionais, bem como tinha deixado o pastorado efetivo e era apenas membro da Igreja Batista da Lapa.

Exercia a Advocacia, como um dos melhores Advogados Rábulas de Bom Jesus da Lapa. Quando saí da Lapa, em 1962, para estudar no Colégio Americano Batista do Recife, ainda o deixei na cidade, como excelente Advogado.
Não consegui melhores informações sobre Gutemberg Guarabyra, embora tivesse solicitado por e-mail ao seu próprio filho, o músico Guarabyra Filho, mas ele é mencionado no livro HISTORIA DOS BATISTAS NO PIAUI (Juerp-2003), de Itamar Sousa Brito.

Seu filho Gutemberg Nery Guarabyra Filho, nasceu na cidade da Barra, Bahia, em 20.11.1947, exatamente quando seu pai era Pastor da Igreja Batista da Barra. Conforme alguns autores, Guarabyra Filho teria nascido em Bom Jesus da Lapa, o que não é verdade. Ele apenas passou boa parte de sua adolescência em Bom Jesus da Lapa, cantando inclusive, no Coral da Igreja Batista da Lapa.

Guarabyra Filho mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1966, com 19 anos de idade e depois de trabalhar como boy num escritório de contabilidade, terminou sendo um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, formando em 1973 a dupla SÁ E GUARABIRA que se imortalizou com o sucesso SOBRADINHO, referência à barragem de Sobradinho no Rio São Francisco que fez o sertão virar mar.

Guarabira Filho publicou o livro de ficção O OUTRO LADO DO MUNDO. É bem estudado na ENCICLOPÉDIA DA MÚSICA BRASILEIRA(1998), de Marcos Antonio Marcondes.

Apesar de sua importância, Gutemberg Nery Guarabyra - o pai - não é estudado no livro HISTÓRIA DOS BATISTAS NO BRASIL (Juerp-2001), de José dos Reis Pereira, não é mencionado no DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO (2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.

É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br ou www.mariomartins.com.br e ainda no livro MISSIONÁRIOS AMERICANOS E ALGUMAS FIGURAS DO BRASIL EVANGÉLICO (Goiânia, Kelps, 2008), páginas 198/200.

ENTREVISTA A SELMO VASCONCELLOS

 






FILEMON FRANCISCO MARTINS – Ipupiara, BA.

ENTREVISTA Nº 725 – 25 de março de 2025.

BIOGRAFIA
FILEMON FRANCISCO MARTINS, de Ipupiara, Bahia, 17.01.1950, escreveu, entre outros, “FLORES DO MEU JARDIM” (Poemas-1ª edição - 1997-Opção2), “DICIONÁRIO GENEALÓGICO DA FAMÍLIA RIBEIRO MARTINS” (Editora Kelps-2007) em coautoria com MÁRIO RIBEIRO MARTINS. “DICIONÁRIO GENEALÓGICO DA FAMÍLIA RIBEIRO MARTINS” (Editora Kelps-2007) em coautoria com MÁRIO RIBEIRO MARTINS. “ANSEIOS DO CORAÇÃO” (Poemas, sonetos e trovas-2011-Scortecci), “FAGULHAS” (Miscelânea, 2013, Scortecci). “SONETOS & TROVAS” (Câmara Brasileira de Jovens Escritores, RJ-2014), a 2ª edição de ¨FLORES DO MEU JARDIM¨ (Poemas, 2016, Scortecci), “HISTÓRIAS QUE SÓ AGORA EU CONTO” (All Print Editora, 2018). “CAMINHOS DO JORDÃO DA BAHIA” (RG EDITORES, 2022), “COTIDIANO DA VIDA, HISTÓRIAS E VERDADES” (Romance, 2024, RG EDITORES. Filho de Adão Francisco Martins e Francolina Ribeiro Martins.
Após os estudos primários em sua terra natal, estudou também em Morpará, na Bahia. Mudou-se para São Paulo, passando a estudar em lugares diferentes. Prestou serviços à Empresa Folha da Manhã S.A, bem como à Prefeitura Municipal de São Paulo. Cursou Administração de Empresas, na Faculdade de Administração e Ciências Econômicas “Santana”, em São Paulo.
Por Concurso Público, tornou-se funcionário do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, lotado na Subsecretaria de Feitos da Presidência – UFEP, onde se aposentou.
Escritor, Ensaísta, Pesquisador, Contista, Cronista e Poeta. É casado com Celene do Socorro Silva Jinkings Martins.
Membro Titular – Cadeira 43, patrono Olavo Bilac, da CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS.
Membro Correspondente:

Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, Anápolis – Goiás
The International Academy of Letters of England, (London, England)
Academia de Letras de Ipaussu, SP
Academia Internacional de Ciências Humanísticas e outras entidades literárias filiadas à Federação das Entidades Culturais Fronteiristas de Uruguaiana, RS

Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia
Instituto Cultural do Vale Caririense, em Juazeiro do Norte, Ceará
Filiado ao Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD)

Fui membro da União Brasileira de Trovadores – Seção São Paulo, na gestão do trovador Izo Goldman e do Movimento Poético Nacional – SP, na gestão do poeta Dr. Silva Barreto.
Obs.: Minha mudança de residência para a periferia de São Paulo, na época, não me permitiu continuar.
Cursos extracurriculares: Introdução à Informática, Linguagem Cobol, Word for Windows 2.0 - Módulo 1, Word for Windows 2.0 - Módulo 2, 5 S,
Relações no Trabalho TWI - Senai; Mala Direta, Proposta Orçamentária no Tribunal e Financeira no Serviço, Gestão pela Qualidade Total, Processamento de Feitos na Terceira Região, Direito Tributário.

Administro o BLOG LITERÁRIO DO FILEMON

ENTREVISTA
Selmo Vasconcellos – Quais as suas outras atividades, além de escrever?
Filemon F. Martins – De início devo informar que sou um privilegiado: tenho uma numerosa família, eram 5 filhos, agora são 4, porque perdemos um para a Covid-19 em 2020. Tenho 11 netos e 4 bisnetos. Inativo do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, administro o Blog Literário do Filemon, leio muito, gosto de divulgar trabalhos de outros autores, companheiros de ideal e gosto de fotografar, como passatempo.
Selmo Vasconcellos – Quando a Literatura se fez presente pela primeira vez em sua vida?

Filemon F. Martins – Aos 16, 17 anos, ainda no colégio, no interior da Bahia, comecei a escrever meus primeiros versos. Meu pai era um autodidata exemplar, comprava, lia e
colecionava muitos livros, entre outros: Livros de Monteiro Lobato, como Reinações de Narizinho, Picapau Amarelo, Urupês; A Revista Cruzeiro, a Bíblia, O Peregrino, de John Bunyan, A História Universal, com 32 volumes, de Cesare Cantu. Meu pai possuía em casa, uma máquina de escrever Remington e nela datilografei meus primeiros versos. E tive o incentivo do tio poeta Carlos Ribeiro Rocha, autor de vários livros, como “HARPA SERTANEJA”, “PINGOS DE MIM”, “28 SONS”, entre outros, de saudosa memória.
Selmo Vasconcellos – Quantos e quais os seus livros publicados?
Filemon F. Martins – 8 livros escritos e publicados: “FLORES DO MEU JARDIM”, 1997, Editora Opção2, “DICIONÁRIO GENEALÓGICO DA FAMÍLIA RIBEIRO MARTINS”, 2007, em coautoria com Mário Ribeiro Martins, Editora Kelps, Goiânia, “ANSEIOS DO CORAÇÃO”, 2011, Editora Scortecci, SP, “FAGULHAS”, 2013, Editora Scortecci, SP, “SONETOS & TROVAS” 2014, Câmara Brasileira de Jovens Escritores, RJ, “HISTÓRIAS QUE SÓ AGORA EU CONTO”, 2018, AllPrint Editora, SP, “CAMINHOS DO JORDÃO DA BAHIA”, 2022, RG EDITORES, SP e “O COTIDIANO DA VIDA, HISTÓRIAS E VERDADES”, 2024, RG EDITORES, SP.
Selmo Vasconcellos – Como funciona o processo de sua criação literária e de onde você tira tanto oxigênio para escrever?
Filemon F. Martins – Gosto de escrever em silêncio ou com uma música bem suave, observando o panorama atual do Brasil e do mundo. Leio muito e anoto qualquer ideia, frase ou pensamento que me ocorre. Entendo que escrever faz parte de minha vida e ficaria frustrado se não pudesse escrever todos os dias.
Selmo Vasconcellos – O que você gosta de ler e quem faz sua cabeça no mundo literário?
Filemon F. Martins – Na época do colégio, lia muito os clássicos portugueses e brasileiros. Aqui no Brasil li muito Rui Barbosa, Carneiro Ribeiro, Machado de Assis, José de Alencar, Castro Alves, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, Monteiro Lobato, Adélia Prado, Lygia Fagundes Telles, Manuel Bandeira, Rachel de Queiroz, Mário de Andrade e me encantei com “Fogo Morto”, de José Lins do Rego.

Selmo Vasconcellos – A nível de Brasil, a mulher tem ocupado a contento, seu espaço dentro da Cultura?
Filemon F. Martins – A meu ver, houve uma mudança para melhor neste sentido. Temos grandes escritoras, atrizes e poetisas. Não gosto da palavra poeta para mulheres, então reafirmo temos grandes poetisas no cenário brasileiro, como Cecília Meireles, Adélia Prado, Carolina Ramos, Maria Thereza Cavalheiro, Cora Coralina e outras mais novas.

Selmo Vasconcellos – Quais as dificuldades encontradas pelo escritor quando ele deseja trazer à tona o seu primeiro trabalho?

Filemon F. Martins – A criação de um livro requer muito trabalho, tempo, disciplina, revisões, uma boa história e depois de tudo, uma editora que respeite o autor, e existe a barreira dos custos elevados para a publicação da obra. A distribuição apresenta muitas dificuldades, porque tudo tem que ser pago, propaganda do livro, entrevistas com o autor, se não houver dinheiro, o livro empaca.

Selmo Vasconcellos – Eventos como Feiras Literárias e Bienais dos Livros, resolvem em parte a carência que o Brasil tem no campo da Literatura?
Filemon F. Martins – De certa forma, sim. Mas, parece-me que Feiras e Bienais de Livros se preocupam mais com os lucros e não com o incentivo à leitura, que deveria nortear esses eventos e as exposições.
Selmo Vasconcellos – A Política e a Cultura são forças Antagônicas?
Filemon F. Martins – Na teoria, não. Mas na prática pode-se observar que entra e sai governo, e o problema continua. Há um disfarce proposital dos que administram o país, para não resolver a contento essa questão. Quanto mais o povo for iletrado, maiores são as chances de manipulação das massas. Desde que me entendi como gente, há promessas de erradicação do analfabetismo no Brasil. No entanto, constata-se exatamente o contrário. As verbas vão sumindo pelo ralo da corrupção e a solução dos problemas educacionais e culturais vão ficando para depois.

Selmo Vasconcellos – O que falta para melhorar a Cultura no Brasil?
Filemon F. Martins – Investimentos na área cultural com seriedade, honestidade e competência. Convenhamos que essas virtudes estão cada vez mais escassas na administração do Brasil de modo geral.
Selmo Vasconcellos – Quais as mensagens de incentivo você daria para os novos escritores?
Filemon F. Martins – Ler muito e escrever sempre. Não é necessário, de início, atentar para a gramática. Escreva e espere um pouco, depois volte ao texto e faça as correções possíveis. Não tenha tanta pressa. Lembrem-se do velho ditado: “A pressa é inimiga da perfeição”.

SÓ?
Filemon Martins

Só? Não! Nunca estou só!
Nunca estive só,
pois aprendi a olhar para o alto.
Prefiro ver o cume das montanhas,
o horizonte longínquo, azul, que se expande
e os arranha céus da cidade grande.

Nunca estive só,
porque contemplo a Natureza exuberante
se expandindo em cores,
com flores e perfumes inebriantes,
deixando o mundo mais encantador.

Nunca estou só,
porque sei contemplar as aves
que ruflam suas asas rumo ao infinito
em busca de inspirações
para entoar suas canções.

Não estou só,
porque a noite esplêndida e bela
toda estrelada estende seu manto de beleza
e ilumina as ruas do céu,
enquanto as nuvens passeiam com leveza
no firmamento em fino véu.

Nunca estou só...
Porque meu coração vive com a poesia
e fica maior ainda quando, embevecido,
contempla a obra do Criador.
E do cume da montanha posso ver a paisagem,
os rios que serpenteiam as serras verdejantes,
vencendo obstáculos e seguindo seus cursos.
Posso ver a imensidão do Universo,
desvendar mistérios até então insondáveis.

...Assim, nunca estou só...

****

REVISITANDO A INFÂNCIA
Filemon Martins

Refaço, de memória, a longa estrada,
caminhos que trilhei desde menino.
De manhã cedo, ainda na alvorada,
eu preparava a terra, meu destino.

Tempos depois, aposentei a enxada,
para estudar, no chão diamantino.
A vida era feliz lá na Chapada,
quando brilhava a luz do sol, a pino...

Tudo passou, bem sei, tão de repente,
meu coração, parece, anda descrente
e o sentimento, quantas vezes, trunca...

Hoje, guardo no peito, com cuidado,
lembranças que marcaram meu passado
e uma saudade que não passa nunca...

TROVAS DO FILEMON

Quase sempre fico mudo
quando a razão perde a cor.
Calar, às vezes, diz tudo
para um bom entendedor.

A brisa passa e sussurra
uma canção de bonança,
e a praia, envolta em ternura,
lembra um lençol de esperança.

Já não tenho mais vaidade,
e nem sei o que é prazer,
e a minha alma, de saudade,
vai morrendo sem te ver.

Vejo o mar azul e calmo,
ouço o sussurro do vento
que passa cantando um salmo
às nuvens no firmamento.

sábado, 16 de maio de 2026

TROVA DO FILEMON

 



TROVA DO FILEMON


Se queres ter um Amigo

que não fala, pois é mudo,

o Livro é luz que bendigo,

que calado, fala tudo.


ESPERA EM DEUS - JOSÉ BRITTO BARROS (IN MEMORIAM)

 



ESPERA EM DEUS

José Britto Barros – (In memoriam)

 

A vida humana é igual jornada extensa

Plena de lutas – milenar sentença

Que os homens cumprem: nobres e plebeus.

E para em tal viagem seres forte

Não creias tu em tão falada sorte,

Peleja com firmeza – espera em Deus!

 

Quando a borrasca em seu fragor gigante

Não mais quiser deixar seguir avante

O barco heroico dos anelos teus,

Quando tais ondas de desgosto ou tédio

Te fizerem pensar não ter remédio,

Não desanimes, mas espera em Deus!

 

Quando a fornalha se acender e em dores

Te vires sempre, e se afligido fores

Por sofrimentos tristes, giganteus,

Oh! Lembra que o fogo às vezes purifica,

Finda a guerrilha a alma há de ser rica,

Não te maldigas, mas espera em Deus!

 

Quando o edifício esplendoroso e lindo

Que em teu lidar viveres construindo

Vires ruir nos alicerces seus,

Oh! Não se findem teus prazeres todos!

Batalha e vence, suplantando engodos,

Não te perturbes, mas espera em Deus!

 

Quando as desditas e os cruéis pesares,

Desilusões e apertos que passares

Te forem quais gigantes filisteus

E te sentires fraco e solitário,

Lembra o Jesus sozinho do Calvário,

Nunca lamentes, mas espera em Deus!

 

Quando a morte afinal chegar-te perto

E te sentires como num deserto

Tal como outrora viram-se os Hebreus,

Ainda aí existe uma esperança:

A fé que tens, mesmo pequena, lança

Só em Cristo Jesus, espera em Deus!

LENDO O JORNAL - ARACI BARRETO

 




LENDO O JORNAL

ARACI BARRETO



A roda do tempo, rodando

O tempo da vida, seguindo

O corpo no espaço, girando

A alma sem calma, subindo

O som do silêncio, alarmando

A força do mal, avançando

O ente na vida, vivendo

A vontade de viver, morrendo

O sol no rosto, aquecendo

A mente assustada, rezando

A chuva bem fina, molhando

O pó, sem querer, sufocando

As mãos ansiosas, pedindo

A dor caprichosa, aumentando

A fé no horizonte, surgindo

A noite sem lua, assustando

O povo na terra, sofrendo

O mundo rodando, caindo, sumindo...


(POSTAL CLUBE-ANTOLOGIA 14, PÁGINA 18)

TROVAS DO FILEMON

 



TROVAS DO FILEMON

 

O tempo – é santo remédio
para os males da paixão:
- cicatriza a mágoa e o tédio
dando paz ao coração.

 

Gaivotas passam voando,
o céu azul é um lençol;
casais na praia se amando
sob os olhares do sol.

 

Ouço o barulho das águas

que se batem nos rochedos,

vão levando minhas mágoas,

vão sepultando segredos!

CONSEQUÊNCIA - FILEMON MARTINS

 




CONSEQUÊNCIA

Filemon Martins

       

 

Brigamos sem motivo. Era Setembro,

o campo estava verde e havia flores.

O céu cheio de estrelas, eu me lembro,

e recordo  também dos dissabores.

 

Bem alto ela me disse: - “não sou membro

desta família que me trouxe dores.

Quero partir, não fico outro dezembro,

quero ter, pelo mundo, outros amores”.

 

E partiu... Nada fiz, fiquei calado,

o silêncio, por certo, dá um jeito

e não carece de nenhum cuidado...

 

O tempo vai passando e quando a vejo,

ela disfarça a dor que vai no peito,

e eu finjo que não sinto mais desejo.

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

CASA DOS MEUS AVÓS PATERNOS - FILEMON MARTINS

 


        (FOTO RESTAURADA POR MARCOS MARCOS COM RECURSOS DA IA)



CASA DOS MEUS AVÓS (PATERNOS)

Filemon Martins

 

 

E não é que a vida já me fez avô (onze netos) e bisavô (seis bisnetos), graças a Deus, mas hoje acordei com saudades da minha infância, que o tempo levou para longe.

Revejo a foto da casa do meu avô Gasparino Francisco Martins e da minha avô Jovina Ribeiro Martins. A memória traz com indizível clareza o tempo que passamos férias lá ou que vivíamos na casa. Primeiro, morávamos em Morpará, cidade próxima. Depois, meu pai mudou-se definitivamente para Ipupiara. Uma casa grande, à moda antiga no interior da Bahia. A casa estava edificada no centro da Praça Getúlio Vargas, na época, a principal da cidade de Ipupiara. Havia três portas, duas do comércio e uma da entrada da casa. Três janelas na frente. Estendia-se até ao fundo da outra rua. Com sala, muitos quartos, cozinha e dispensa, além de outros cômodos para guardar mercadorias. Não havia luxo, tudo com a simplicidade das coisas da roça. Rústico, mas, de uma ternura infinda, onde todos os membros da família eram felizes.  

O quintal era uma maravilha, um pomar com diversas frutas, como carambola, manga, pinha, goiaba, laranja, mamão, romã, tamarindo, laranja cravo, entre outras, que atraíam pássaros de várias espécies, onde fazíamos a festa, com brincadeiras de moleque e comendo frutas colhidas ali mesmo nas árvores frutíferas.

Ali residiram meus avós, GASPARINO FRANCISCO MARTINS E JOVINA RIBEIRO MARTINS, com os filhos, ADÃO FRANCISCO MARTINS (meu pai), LAURENTINA RIBEIRO MARTINS, OSCARINO FRANCISCO MARTINS, GUIOMAR RIBEIRO MARTINS, MIRIAM RIBEIRO MARTINS E ESTER RIBEIRO MARTINS.

Todos se casaram e tiveram filhos. Alguns permaneceram na cidade, outros foram morar em cidades e estados diferentes, como Adão Martins que se transferiu para Morpará, na Bahia; Oscarino casou-se e foi residir em Corrente, Piauí; Guiomar Ribeiro se mudou com o esposo Jeremias, para São Paulo, capital e Ester Ribeiro casou-se com o Pastor Pedro Pereira do Nascimento, transferindo-se para outra cidade.

Alguns filhos permaneceram em Ipupiara e com o passar do tempo, quase todos voltaram à terra natal, inclusive meu pai, que, durante alguns anos, residiu em Morpará, como comerciante, proprietário da loja A PRIMAVERA. O município de Morpará está localizado às margens do rio São Francisco, próximo às cidades de Barra, Xique-Xique, Gentio do Ouro, Ipupiara, Brotas de Macaúbas, Ibotirama e Oliveira dos Brejinhos.

Muitos netos e netas transitaram pela casa do meu avô Gasparino, também chamado de “ioiô Doutor”. Entre outros, Adão Martins Filho, Eunice Ribeiro Martins, Mário Ribeiro Martins, Marli Ribeiro Martins, Nina Ribeiro Martins, Filemon Martins, Gutemberg Ribeiro Martins, Manoel Martins Neto, Jeremias Ribeiro Filho, Gasparino Martins Neto, Laurentina Martins Santos, Carlos Alberto Ribeiro Santos, Mário Ribeiro Santos, David Ribeiro Santos, Jônatas Ribeiro Santos, Rubens Ribeiro Santos, Guiomar Martins Santos e Jovina Martins Neta.

Como comerciante, meu avô comprava mercadorias da época, como rapadura, feijão, farinha, milho, sal, açúcar, café, querosene, que vinham embalados em sacos, fardos, latas, além de sabonetes, creme dental (pasta de dente, era assim chamada) e guardava em estoque nos cômodos da casa, previamente preparado. Região agrícola, ele comprava e vendia ferramentas, como facão, machado, foice, pá, picareta, enxada, alavanca, entre outras.

Hoje, a casa não existe mais. Foi demolida e deu lugar a um sobrado pertencente a outra família.

Mas em nossa memória, ela continua intacta, como aparece na foto acima.

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O AMOR II - FILEMON MARTINS

 




O AMOR II

Filemon Martins



Como a planta que nasce no quintal,

se bem cuidada cresce e fica linda.
Também o amor que nasce natural
pode crescer, viver, florir, ainda.


É preciso, porém, que o amor normal
seja cuidado com ternura infinda.
O verdadeiro amor não tem rival,
a beleza do corpo é que se finda.


Quando o amor se revela por inteiro,
o carinho renasce e vem primeiro
ornando a vida e sobrepondo a dor.


E juntos seguem pela vida afora
vivendo intensamente a nova aurora
iluminados pela luz do amor.

NAVEGANTE - DELASNIEVE DASPET

 


  NAVEGANTE

Delasnieve Daspet
 
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Minha mente navega.
A favor dos ventos alísios
Na lua cheia.
.
A água salpicava suas espumas.
E, lá do alto, resplandecia
Como raios despregados do luar.
.
Essa beleza me embriaga.
Esqueço-me de tudo.
Sou, absolutamente, livre.
.
Me sinto tão completa.
Dissolvida nas águas.
Sou espuma e ritmo.
.
Sou a luz.
Integrei-me, sem passado, sem porvir,
Na paz do universo.
.
Delasnieve Daspet
.
(FONTE AVBAP)