segunda-feira, 23 de março de 2026

TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


Viver sozinho é sofrer,

que solidão também mata.

Mas amar é um prazer

e uma eterna serenata.



Ouço a noite às escondidas

estes sons de violão:

lembranças de duas vidas

vivendo a mesma paixão.


Não me fascina, na vida,

poder ou fama alcançar,

que a vitória merecida

é pelo Amor triunfar! 


Saudade é o cantar tristonho

do canário, no Sertão.

É sentir que o nosso sonho

não passou de uma ilusão.



TROVAS DE JESSÉ NASCIMENTO

 




TROVAS DE JESSÉ NASCIMENTO


Assim como o rio corre,

a vida se vai passando...

É o nosso amor que já morre

e nós que vamos ficando...


Vive a criança o presente,

o futuro - a mocidade.

Já o velho sorridente,

vive o passado e a saudade.


Lamentar-se o fim da vida

pouco a pouco se aproxima...

Por que? Não foi tua lida,

belo livro - obra prima?


Verdade... Sinceridade...

Tudo mera fantasia!

Paz, amor, honestidade,

isso existe hoje em dia?


(LIVRO "COLETÂNEA 1983 - CONTOS E POESIAS" - GLAN-GRÊMIO LITERÁRIO DE AUTORES NOVOS, PÁGINAS 87/88)


domingo, 22 de março de 2026

TROVAS EM FAMILIA - MARIA THEREZA CAVALHEIRO

 




 

TROVAS EM FAMÍLIA

MARIA THEREZA CAVALHEIRO

 

 

      FILEMON Francisco MARTINS (na foto com a filha Keise, em dia de lançamento), poeta, contista, biógrafo, ecologista, pesquisador, preocupa-se também em divulgar seus irmãos de ofício, em artigos pela imprensa, pela Internet, no  seu blogliterariofilemon.blogspot.com.  E o faz mais ainda após sua aposentadoria do Tribunal Federal da Terceira Região, onde ingressou por concurso público. Trabalhou também na Empresa Folha da Manhã S/A. É fotógrafo amador e tem um “hobby”: coleciona relógios de parede. Fez o curso de Administração de Empresas.

Nascido em Ipupiara-BA, em 17.1.1950, reside em São Paulo desde 1969, atualmente na bucólica cidade litorânea de Itanhaém. O mar está presente em muitos de seus expressivos versos, os últimos publicados em “Anseios do Coração”, de 2011, que pode ser encontrado nas Livrarias Asabeça, Cultura, Martins Fontes, Da Vila, Leger e  outras na Capital paulista, e em Itanhaém na Livraria Jut’z Som. Pode também ser adquirido com o Autor, pelo e-mail filemon.martins@hotmail.com

Nesse livro, que é o segundo do Poeta - o primeiro foi “Flores do meu Jardim” - , além de bem elaborados sonetos, há também poemas livres e trovas - belas trovas!, sob os mais variados temas, incluindo “escadas”.

Filemon F. Martins, filho de Adão Francisco Martins e de Francolina Ribeiro Martins, teve, na vida literária, profunda influência de seu tio, o poeta e contista Carlos Ribeiro Rocha, assim como dos igualmente conhecidos escritores Mário Barreto França e Gióia Júnior.

Filemon é de uma família dotada com o dom da inspiração. O tio Carlos Ribeiro Rocha (4.11.1923 - 27.11.2011) deixou vários livros, como: ”Harpa Sertaneja”, “Pingos de Mim”, “Meditações”, “Coroa de Sonetos”, “28 Sons” e outros. Foi fundador do Ginásio Diamantino e professor. Exerceu a função de Coletor Federal.

Seu irmão, MÁRIO RIBEIRO MARTINS (7.8.1943), membro e fundador de vários sodalícios, pastor evangélico e pregador, é renomado biógrafo. Seu “Dicionário Bibliográfico do Brasil”, na Internet, traz mais de 40 mil biografias de escritores. Tem numerosos livros publicados, dos quais o último se intitula “Razão do meu Viver e outras Amenidades”. Junto com o mano, Filemon lançou um “Dicionário Genealógico da Família Ribeiro Martins”. Mário é Professor universitário e Procurador da Justiça do Estado de Goiás.

JEREMIAS RIBEIRO FILHO, um dos primos, que se assina JERRY FILHO (21.12.1950), é também cordelista e professor. Publicou “Centelhas do Além”, com poemas, sonetos e trovas.

A prima LAURENTINA DOS SANTOS NOVAIS (4.2.1953), poeta e professora, é autora do hino dedicado ao Centro Educacional de Ipupiara, intitulado “Luz no Sertão”.

JEREMIAS RIBEIRO DOS SANTOS (30.9.1926 - 30.4.1999), que se assinava também JERRY SANTOS, era pai de Jerry Filho e de Laurentina; irmão de Carlos Ribeiro Rocha.

SAMUEL PIRES RIBEIRO (23.11.1961), outro primo de Filemon, além de poeta, é músico e cantor.

Filemon F. Martins é casado com Celene Jinkings Martins; são seus filhos Keise, Maíse, Edilson, Allan e Gílson. O casal tem 11 netos e 6 bisnetos.

Vejamos algumas trovas dessa talentosa família:

 

Acordo cedo, não nego,

ando pescando a poesia,

na minha rede carrego

todo o mar de fantasia.

FILEMON MARTINS

 

Vejo a prova fulgurante

de um Poder, que não tem fim,

numa estrela - bem distante,

na vida - dentro de mim.

CARLOS RIBEIRO ROCHA

 

Com os olhos fitos no chão,

você só vê a tristeza.

Levante a cabeça, irmão,

e contemple a natureza!

MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 

Escolha um solo fecundo,

prepare-o com muito ardor,

e com fervor mais profundo

plante a semente do Amor!

JERRY FILHO

 

Não sei por que, ó saudade,

tu vens de tão longe assim,

roubar a felicidade

que mora dentro de mim!

LAURENTINA DOS SANTOS NOVAIS

 

Nesta vida transitória,

nada vejo de valor,

pois, daqui a falsa glória

murcha e finda como a flor!

JEREMIAS RIBEIRO DOS SANTOS

 

Amigos, guardem de cor

e viverão satisfeitos:

nossa vitória maior

é vencer nossos defeitos.

SAMUEL PIRES RIBEIRO


NOTA DO BLOG: Depois, o poeta lançou os livros: "FAGULHAS", "SONETOS & TROVAS", "HISTÓRIAS QUE SÓ AGORA EU CONTO", "CAMINHOS DO JORDÃO DA BAHIA", "COTIDIANO DA VIDA, HISTÓRIAS E VERDADES" e "DE TUDO UM POUCO contos, crônicas, ensaios, poemas, sonetos e outras coisas mais".

 


EXPECTATIVA - EUGENIO DE FREITAS

 



EXPECTATIVA
                   Eugenio de Freitas (São Luís 
– MA)

Na ideia de que a vida continua
após deixarmos o terrestre plano,
encontro alívio para a mágoa crua
de estar à míngua de calor humano.

Sozinho, em meio à multidão na rua,
não desconheço o progressivo dano,
de um povo indiferente à sorte sua,
embora intitulado soberano.

Enfrento a luta e meu cantar prossigo,
enclausurado involuntariamente,
da alheia compreensão ao desabrigo.

Mas sei que humilde, em minha paz de crente,
desintegrado o corpo num jazigo,
então minha alma vibrará contente.

(ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL – 
1982, página 156, 1º volume)

TROVAS DO HUMBERTO DEL MAESTRO

 




TROVAS DO HUMBERTO DEL MAESTRO


Fim da vida um leve arranjo;

de pecado estou deserto.
..
Não me julgo ainda um anjo,

mas estou chegando perto.


Meu mundo é só de esperança,

que em outro não sei viver...

Sou poeta, sempre criança,

que é pecado envelhecer.


Quem me dera ser menino,

voltar a ser o que era.
..
Me diz ao longe o destino:

- É bom sonhar primavera.


A noite perde-se em calma.

Chove e é madrugada agora.

Parece até que a minha alma

cai em soluços, lá fora.


TENTATIVA - HUMBERTO DEL MAESTRO

 



TENTATIVA
HUMBERTO DEL MAESTRO *


Perdi o jeito de escrever soneto,
foi-se-me embora a antiga habilidade,
porém não ponho agravo em minha idade,
que surge como graça ao amuleto.

Vez por outra, um esboço ainda cometo,
mas confesso, com toda honestidade,
que dos confins, zangada, a eternidade
atesta: seu limite é um “sexteto”.

Malho daqui, dali e nada vem.
Parece até que minha inspiração
sacode e apita mais que um velho trem.

E chego desolado à conclusão
que nesse escatológico vaivém,
só apelando para um palavrão.



(DO LIVRO QUADRA E TERCETOS ESQUECIDOS – POEMAS DOLOROSOS
E SONETOS, PÁGINA 202)


*FOCALIZADO EM MEU LIVRO 

"FAGULHAS".

sábado, 21 de março de 2026

QUANDO O OUTONO CHEGA... - FILEMON MARTINS

 




QUANDO O OUTONO CHEGA...                                                       Filemon Martins 

                                    

Fim de verão. O outono está aí com seu fascínio. A natureza faz o seu espetáculo. Uma nova paisagem de outono. Folhas e flores voam ao sabor dos ventos. Quase sempre, folhas, flores, frutos e borboletas misturam as cores da terra e do céu. Move-se, nesse cenário, um sentimento agridoce que faz da minha alma um tabernáculo.

De graça a natureza cria e recria paisagens, desafiando a dureza dos corações humanos que não encontram tempo para apreciar a beleza da vida e os encantos da terra. Meu coração é uma catedral abandonada, onde a solidão desfila todos os dias, todas as horas e todas as noites. Inspira-me versos. Fico impregnado de saudade. Se o céu é azul, doce é o meu pensar. Meu coração não fala, mas sente com emoção, com devoção. É a estação outonal.

Sou um passageiro da terra num trem desgovernado que não consigo parar. Para rever um rosto que se foi. Estou consciente: - são coisas do coração. Inexplicáveis. Inconcebíveis. Não há como parar a condução. A viagem continua até a última estação. Fico debruçado na janela do tempo que passa veloz e contemplo a imensidão do Universo. Descubro que o meu olhar é triste. Vejo-me por dentro e agora me sinto um passageiro do “TITANIC” à deriva no mar de sonhos. Navego com o coração. Descubro decepções em cada porto da vida.

Às vezes, imagino que estou voltando. - Mas, por onde já andei? Não sei. Mas sei que sinto dor, sinto saudade. Essa dor que desafia os avanços da Medicina. As teses da Física. No coração há um sopro de um Deus que ninguém explica, mas que existe. Que movimenta todo o Universo. Mas até quando? Mistério insondável.

Assim como as folhas, flores, frutos e borboletas, nada é permanente. Tudo se transforma, já dizia Lavoisier. Também o ser humano, com suas limitações e imperfeições. Contudo, Cristo é eterno. Detenho-me diante da ternura do Nazareno. Esbarro no mistério da vida. Da vida que passa tão rapidamente. No mistério da fé. Quisera ter o dom da fé. Será que me perdi nas indagações que fiz? Nas respostas que não tive? Enfim, são emoções outonais. Ou melhor, ANSEIOS DO CORAÇÃO.













 

A DECISÃO DO CEL. ARTUR RIBEIRO DOS SANTOS - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

 

A DECISÃO DO CORONEL

ARTUR RIBEIRO DOS SANTOS

 

Foi nomeado e recebeu a patente do 298° Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional. Participou e comandou combates na região da Chapada Diamantina.

 



A história registra e mostra os fatos informando que do final do século XIX para o início do século XX o Brasil passou por profundas mudanças na política, na administração pública e na economia. Muitos líderes políticos estavam insatisfeitos com o regime de Monarquia e com os objetivos de D. Pedro II. A partir de 1887 o regime Monárquico mostrou fraqueza e motivou a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889. As mudanças são normais e necessárias aos países em desenvolvimento.

As mudanças políticas se deram por vários fatores, mas principalmente pelos fatos que culminaram com a Proclamação da República. As transformações na administração pública foram introduzidas ao longo de anos em função dos princípios do regime republicano.

As transformações na economia foram frutos advindos da República, que proporcionou aumento do comércio do Brasil com outros países. Os resultados foram:  aumento da área plantada com lavouras de café, cacau, cana-de-açúcar, algodão e outras lavouras. Tudo isso fez a produção aumentar e a produtividade melhorou, mas com o passar dos anos foram surgindo outros problemas. Para ajudar no controle, o governo imperial criou a Guarda Nacional. Em muitas partes da então Lavras Diamantinas estava produzindo ouro e principalmente diamantes e assim precisava de controle por parte do Governo Central. Na região foram investidos com a patente de coronel muitos homens de posses, prestígio e dispostos a lutar a serviço do governo federal. 

Pois bem. Foi nesta região e neste contexto político regional e nacional que no dia 14/03/1888, na fazenda Mata do Evaristo, nasceu Artur Ribeiro dos Santos, filho de Evaristo e Maria Ribeiro dos Santos (muito conhecida na região como vó Maria), bisavós do autor destas notas. 

Era uma família grande, pois o casal teve nove filhos, todos se casaram e prosperaram. Com o casamento dos filhos a família do senhor Evaristo foi se expandindo e chegando aos netos, bisnetos etc., de forma que só o desenho de uma árvore genealógica poderia mostrar as ramificações. Foram surgindo homens e mulheres importantes pela graduação universitária e formação profissional. Muitos seguiram o ramo da medicina, da engenharia, do direito, carreira militar e outras. Estes homens e mulheres descendentes do casal Evaristo e Maria Ribeiro dos Santos se espalharam pelos estados do Brasil e Distrito Federal, sendo bons cidadãos e sendo úteis ao governo e a toda a sociedade brasileira. 

Naquela época o sertão da Bahia seguia quase que abandonado por parte dos governos federal e estadual. Por falta de escolas Artur Ribeiro dos Santos não terminou o curso primário (ou fundamental, como hoje é chamado). Contudo, desde cedo demonstrou ser um líder nato. Foi um verdadeiro autodidata, um orador que sabia despertar a atenção dos ouvintes. Ainda bem jovem, com 19 anos de idade, foi nomeado pelo presidente Afonso Pena, como Tenente Mestre do 298° Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional. Mais tarde recebeu a patente de Coronel da Guarda Nacional. 

Em 1913 Artur Ribeiro dos Santos casou-se com Solina Amorim Barreto. O casal não teve filhos, mas foram muitos os filhos adotivos acolhidos pelo casal. Dias depois do casamento o casal foi morar no povoado de São Tomé (hoje pertencente ao Município de Barra do Mendes). Poucos meses depois foi morar em Tiririca do Bode (atual Ibipeba), Xique-Xique e Barra do Rio Grande (atual Barra). 

Não demorou muito e o casal migrou para a região da Chapada Diamantina, nas montanhas rochosas, na parte central da Bahia. Morou em Brumado, hoje Ibitunane (Município de Gentio do Ouro), onde moravam muitos dos seus parentes. Artur Ribeiro foi um político influente na região.

O casal saiu de Brumado por volta de 1920 e resolveu definitivamente fixar residência em Jordão (atual Ipupiara), na época pertencente ao Município de Brotas de Macaúbas. Em 1920 Artur Ribeiro dos Santos aceitou a mensagem do evangelho, sendo batizado nas águas do Rio Grande, unindo-se à Igreja Batista. 

Em Ipupiara, Artur Ribeiro foi durante muitos anos um forte comerciante de tecidos e aviamentos. Foi presidente do diretório municipal do PSD. Poucos anos depois filiou-se à UDN. O coronelismo foi extinto após 1930 pelo presidente Getúlio Vargas. Mas os coronéis continuaram por muitos anos tendo prestígio e o respeito da população. Artur Ribeiro foi por vários períodos, eleito vereador. Foi prefeito do Município de Brotas de Macaúbas nos anos de 1945 e 1946. Ele mantinha forte amizade com Juracy Magalhães, que foi um nome forte na política da Bahia. Foi interventor Federal e mais tarde governador do Estado. Foi ministro das relações exteriores do Brasil e negociou a construção da Barragem de Itaipu. 

A grande decisão. Como bom político que era, Artur Ribeiro tomou a decisão de conversar com líderes políticos em Salvador e trabalhar para a emancipação política de Ipupiara. Em 1956 foram intensificados os esforços no sentido da emancipação política. O ano de 1958 foi decisivo para a vitória.    Por força da Lei n° 1.015/58 de 14 de agosto de 1958 foi aprovada a emancipação política e administrativa de Ipupiara. A festa foi grande! Mas Artur Ribeiro dos Santos não trabalhou só. A história registra os nomes de Adão Martins, Arlindo Almeida, Osvaldo Leite, Edvaldo Sodré, João da Cruz, Noel Ribeiro e muitos outros. Na ocasião da assinatura da Lei da emancipação ele falou com Juracy Magalhães sobre os limites do Município. A resposta foi a seguinte:  Coronel Artur, não vamos demorar e trataremos da expansão dos limites do território. Parece que deixou o tema em aberto para futura discussão. 

 



Saul Ribeiro dos Santos 

Cont. e economista aposentado 

Natural de Ipupiara – BA.

E-mail: saul.ribeiro1945@gmail.com


sexta-feira, 20 de março de 2026

O SORRISO E O OLHAR - CARMO VASCONCELOS

 





O SORRISO E O OLHAR 
Carmo Vasconcelos

Só comparável à luz de um sorriso
é o brilho de um olhar que nos trespassa,
e que nossa alma, com fulgor, devassa
como um farol de abrigo assaz preciso.

Para que pouse em mim teu meigo olhar,
de tudo faço, até finjo a mendiga,
pra que, iludida, a sorte não desdiga
a dádiva de nele me abrigar.

E aos pés dessa pousada que idealizo,
em ternos versos, eu prostro-me e rezo
p'la esmola desse olhar cálido e aceso.

Só quando aberta a franja dos teus cílios,
olhos nos meus, se fazem os concílios,
e irrompe de meus lábios o sorriso!

FONTE: AVBAP

CORES DO TEMPO - ELVIRA DRUMMOND

 



Recebi da professora, escritora, poetisa, pianista Elvira Drummond, de Fortaleza, Ceará, o livro de sua fértil lavra "OS ESCOLHIDOS - VERSOS DIVERSOS," com 168 páginas de pura poesia. Uma coleção de exímios sonetos e trovas premiadas em concursos nacionais.  




CORES DO TEMPO

Elvira Drummond


O tempo amarelou o meu sorriso,

esmaeceu o tom vivo e vibrante

da antiga cirandinha (já distante),

timbrando o alvorecer de que preciso...


O tempo grisalhou, sem dar aviso,

o meu cabelo mel - cor deslumbrante -

e agora exibe prata... em qual instante,

acinzentou meu mundo, de improviso?


O tempo desgastou a antiga foto,

tornando o meu passado mais remoto...

(Um modo de anular a minha história?)


Ah, tempo! Seu poder não chega a tanto...

Meu trunfo está no eterno e doce canto,

cantando, avivo as cores da memória!


(LIVRO "OS ESCOLHIDOS versos diversos", página 37)

CORAGEM PARA VIVER - FILEMON MARTINS

 




CORAGEM PARA VIVER 
Filemon Martins

 

É preciso coragem para avançar, 
não ao farol vermelho da vida, 
mas lutar obstinadamente 
por um Mundo Melhor, 
mais Justo e mais Humano, 
onde a mão da Justiça e do Direito 
defenda o cidadão, defenda o bem comum. 

É preciso coragem para vencer 
obstáculos e reveses, 
vicissitudes que a vida, 
muitas vezes, 
impiedosamente nos impõe. 

É preciso determinação para avançar 
dentro da noite e enfrentar adversidades. 
Mesmo lento, 
sofrendo o açoite do vento 
continuar caminhando e seguindo 
para vencer as tempestades. 

É preciso coragem para viver 
sem alarde, sem temor e sem correr, 
porque depois da curva, 
depois do túnel escuro e assustador, 
virá um TEMPO DE BONANÇA, 
TEMPO DE ESPERANÇA, 
TEMPO DE LUZ, 
TEMPO DE VIDA, 
TEMPO DE AMOR!