segunda-feira, 13 de abril de 2026

COTIDIANO - FILEMON MARTINS

 



COTIDIANO
Filemon Martins

(SOBRE A RUA SÃO BENTO E LEMBRANDO O TEMPO EM QUE TRABALHEI NO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL - 3ª REGIÃO)
                                                    


Amanheci em estado de graça. O dia estava claro, maravilhoso e convidativo. Queria sair por aí pensando a esmo. Mas tinha que ir trabalhar. Saí num corre-corre, como, aliás, faço todos os dias. Antes de chegar à Repartição, precisava quitar uma prestação num magazine da cidade. Rua São Bento, Centro de São Paulo. Dez horas da manhã. O burburinho era enorme. Gente que vai, gente que vem. Rostos alegres, tristes e estranhos se confundiam na multidão. Ando apressado. No bolso, uma pequena carteira com alguns trocados e fichas de telefone. Mesmo com pressa, observo o semblante das pessoas que passam: alguns preocupados, carrancudos e outros, leves e descontraídos.
Meus pés me levam à frente. Os camelôs tomam conta do calçadão da rua com suas quinquilharias. As lojas oferecem seus produtos. Vitrinas enfeitadas deslumbram os clientes. Passo pelo magazine e pago a prestação. Estou de volta. Agora rumo ao trabalho. De repente, por trás de mim, sinto um empurrão e alguém enfia a mão no meu bolso. Num relâmpago rasga a minha calça e leva meus trocados. Vi apenas que era um garoto. E o larápio rapidamente desapareceu na multidão. Alguns papéis se espalharam pelo chão.
Recuperei-me do susto e recolhi minhas anotações. E prossegui pensando naquele garoto. Na vida miserável que leva ali na rua. E continuei pensando nele. E quantos estão assim perdidos? Abandonados pelos descaminhos da vida. Pela família. Pela sociedade. Pelo desgoverno do próprio governo. Mas o trabalho me espera. Por que será assim? Deixo minhas reflexões para depois. Esqueço, por alguns instantes, meus pensamentos. E chego ao Tribunal. Para mais um dia de trabalho. Rua São Francisco, onde o Precatório me espera, diga-se, com muito trabalho.


Obs.: Depois o Tribunal Regional Federal mudou de endereço: Av. Paulista, 1842, mas eu continuei trabalhando na Divisão de Precatórios, Feitos da Presidência, até a minha aposentadoria.

TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

 



TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA
(DO ACERVO DE FILEMON MARTINS)


Enquanto faço uma prece
à luz dos cabelos brancos,
trova amiga, vem, floresce
dá vida nesses barrancos...

Dois terços de um livro amargo
a gente, na vida, escreve...
É o mundo - comprido e largo,
e a vida – romance breve!

Meu coração é tear
onde mil quadrinhas teço
com os fios do verbo amar,
- o meu mais caro adereço!

PREVISÕES E ILUSÕES - JOSÉ FELDMAN

 



PREVISÕES E ILUSÕES

José Feldman


TROVA DE ARTHUR THOMAZ


O profeta idealiza

o futuro, em previsões...

E o poeta o finaliza

colorindo-o de ilusões...





O profeta idealiza o futuro, erguendo-se como uma figura solene em meio ao tumulto do presente. Em uma pequena aldeia, ele caminhava pelas ruas de paralelepípedos, suas vestes longas esvoaçando ao vento. Os aldeões paravam para ouvi-lo, atraídos por suas palavras que pareciam trazer uma luz nas trevas da incerteza. Suas previsões eram como faróis em noites tempestuosas, guiando-os através das tormentas da vida.

“Um dia”, ele proclamava com a voz firme, “as colheitas serão fartas, e a paz reinará entre nós. A era da prosperidade está por vir, bastando que nos unamos em fé e determinação.” 

As palavras do profeta, repletas de esperança e otimismo, ecoavam por toda a aldeia, e, por um momento, acendiam a chama da expectativa nos corações dos ouvintes. Ele era um visionário, um sonhador que via além do horizonte, onde a realidade se confundia com a fantasia.

Mas, em meio a essa atmosfera de esperança, existia outro personagem, um poeta que observava tudo com um olhar perspicaz. Ele estava sempre à sombra das árvores, com um caderno em mãos, onde registrava não apenas as previsões do profeta, mas também as nuances da vida que se desenrolavam ao seu redor. O poeta via a beleza nas pequenas coisas, mas também sentia o peso das dores e desilusões que permeavam a existência dos aldeões.

Enquanto o profeta falava de um futuro glorioso, o poeta ouvia e refletia. Ele sabia que as previsões eram apenas isso: previsões. Não se tratava apenas de um futuro idealizado; era necessário colorir essas palavras com a realidade das emoções humanas. A esperança, sem questionamentos, poderia ser uma armadilha, e ele desejava que as pessoas não se deixassem levar apenas pelas promessas.

Certa manhã, após uma longa noite de reflexão, o poeta decidiu que era hora de compartilhar sua visão. Ele subiu a uma pequena colina, onde o profeta costumava pregar, e começou a recitar seus versos. 

“O futuro, caro povo, não é apenas o que se sonha, mas também o que se vive. As ilusões podem ser lindas, mas são as verdades que nos moldam.” 

Suas palavras dançavam no ar, misturando-se ao vento que passava.

Os aldeões, inicialmente confusos, começaram a ouvir com atenção. O poeta falava sobre a fragilidade da esperança e a beleza das cicatrizes que cada um carrega em sua alma. 

“Em cada sorriso escondido, há uma lágrima que não foi enxugada. Em cada sonho realizado, uma renúncia ficou para trás.” 

Ele coloria o futuro não apenas com a paleta da esperança, mas também com as sombras da realidade.

O profeta, que até então ouvira em silêncio, sentiu-se incomodado. Ele acreditava que seu papel era inspirar e elevar os espíritos, enquanto o poeta parecia querer puxar as pessoas de volta para o chão. 

“Mas o que é a vida sem sonhos?”, questionou o profeta. “Como podemos viver sem acreditar em um futuro melhor?”

O poeta olhou nos olhos do profeta e respondeu: 

“Os sonhos são essenciais, mas não devem nos cegar. O futuro é construído sobre as bases do presente. Precisamos reconhecer nossas dores, nossas falhas, para que possamos realmente transformar o que está por vir.” 

Havia uma tensão no ar, uma batalha de ideias entre o idealismo do profeta e o pragmatismo do poeta.

Os aldeões, fascinados pela troca,

começaram a refletir sobre suas

próprias vidas. Era verdade que o

profeta trazia esperança, mas

também era verdade que o poeta

oferecia uma visão mais completa.

As ilusões que o poeta coloria não

eram meras escapadas; eram uma

forma de abraçar a complexidade da

vida.

Com o passar dos dias, a aldeia começou a mudar. As pessoas começaram a falar mais, a compartilhar suas histórias, seus medos e suas esperanças. O profeta e o poeta, ao invés de se oporem, começaram a trabalhar juntos. 

O profeta falava sobre o futuro e a importância de sonhar, enquanto o poeta trazia as verdades do presente, colorindo os sonhos com a realidade das experiências vividas.

Juntos, eles formaram uma aliança poderosa. O profeta idealizava, mas agora com a consciência das lutas que os aldeões enfrentavam. E o poeta finalizava, não apenas com ilusões, mas com a rica tapeçaria de emoções que compunham a vida de cada um. As previsões do profeta agora estavam entrelaçadas com as verdades do poeta, criando uma narrativa mais profunda e rica.

A aldeia floresceu, não apenas em termos de prosperidade material, mas em conexões humanas. As pessoas aprenderam a sonhar, a esperar pelo futuro, mas também a viver intensamente o presente. O futuro não era apenas um destino a ser alcançado, mas uma jornada a ser apreciada, cheia de cores, sombras e nuances.

E assim, sob a luz do sol poente, o profeta e o poeta caminhavam lado a lado, reconhecendo que, juntos, poderiam iluminar não apenas o horizonte, mas também os corações da aldeia. O futuro, agora, não era apenas uma promessa, mas uma tela em branco, onde cada um poderia pintar sua própria história, entrelaçando sonhos e realidades em uma dança harmoniosa.

 

           

           


A VOZ DO SILÊNCIO - ELVIRA DRUMMOND

 




A VOZ DO SILÊNCIO

Elvira Drummond


Silêncio, qual palavra emudecida,

traz cores variadas... ramalhete

de mil palavras-flores que o verbete,

à luz do amor, me faz esclarecida.


Silêncio, qual pincel que pinta a vida,

bem pode navalhar - um estilete -

e assim também, no avesso, em acolhida,

tocar no tom de um doce clarinete...


Silêncio, qual magia, tem mil faces

vestidas de rumores e entrelaces

que vibram na mudez dos sonhos meus...


Parece que o silêncio, cristalino,

é dádiva dos céus... é tão divino,

que escuto, no silêncio, a voz de Deus!



(LIVRO "OS ESCOLHIDOS versos diversos", página 45)                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

domingo, 12 de abril de 2026

MÁSCARAS DA VIDA - JOSÉ FELDMAN

 



MÁSCARAS DA VIDA

José Feldman


TROVA DE RENATO ALVES


Fiz da vida um carnaval,

mas terminei num impasse:

A máscara do irreal

grudou-se na minha face!




Fiz da vida um Carnaval, onde cada dia era uma nova festa, uma celebração vibrante de cores e sons. Desde pequeno, sempre encontrei na música e na dança um refúgio, uma forma de esquecer as dores e as frustrações do cotidiano. As ruas da cidade se tornavam meu palco, e eu, um artista em busca de aplausos e sorrisos. As fantasias que usava não eram apenas trajes, mas armaduras que me protegiam da realidade. Cada máscara que eu colocava me permitia ser quem quisesse, longe das amarras do eu cotidiano.

Naquele Carnaval, tudo era permitido. Sorrir, dançar, amar sem medo. As pessoas se entregavam à euforia, e eu, em meio a essa alegria, me sentia invencível. As cores se misturavam, as risadas ecoavam e a música envolvia tudo como um abraço caloroso. Mas, à medida que os dias passavam, percebi que havia algo mais profundo escondido atrás da festa. A realidade, como um espectro, pairava à espreita, esperando o momento certo para se revelar.

O que começou como uma celebração transformou-se em um labirinto de ilusões. A cada desfile de Carnaval, percebia que as risadas se tornavam mais distantes, os olhares mais vazios. As pessoas, antes tão vibrantes, pareciam presas em suas próprias fantasias, vivendo uma vida que não era a sua. Eu também me vi preso nesse ciclo. A alegria que antes me preenchia começou a se transformar em uma máscara pesada, grudada em meu rosto como um lembrete constante de que a vida estava se tornando uma encenação.

Certa noite, enquanto as luzes do Carnaval brilhavam intensamente, eu me afastei da multidão. O som da música se tornava um ruído ensurdecedor, e a dança, uma repetição mecânica de movimentos. Sentei-me à beira de um lago, onde a água refletia as estrelas como pequenos diamantes no céu. Olhei para meu reflexo e percebi a verdade que eu havia ignorado. A máscara do irreal não era apenas um adorno; tornara-se parte de mim, uma segunda pele que ocultava quem eu realmente era.

A realidade começou a se infiltrar em meus pensamentos. O que eu havia construído em torno de mim era uma fantasia que me afastava de uma vida autêntica. A busca incessante por aprovação e aplausos me deixava em um impasse, preso entre a necessidade de ser visto e o desejo de ser verdadeiro. O Carnaval, que deveria ser um momento de libertação, transformou-se em uma prisão de ilusões.

Naquela noite à beira do lago, decidi que era hora de desmascarar a verdade. O primeiro passo foi enfrentar a dor que eu havia ignorado por tanto tempo. As memórias de perdas, de desilusões, de momentos em que a vida não foi uma festa. Enfrentei cada uma delas, uma a uma, permitindo que a tristeza e a vulnerabilidade emergissem. Com lágrimas nos olhos, percebi que era essa autenticidade que me tornava humano, que me conectava aos outros de forma genuína.

Na manhã seguinte, acordei com o sol filtrando-se pelas janelas. O Carnaval ainda pulsava lá fora, mas eu estava disposto a participar dele de uma maneira diferente. Não como um espectador, mas como alguém que escolhe dançar ao ritmo de sua própria música. Comecei a me despir das máscaras que havia usado por tanto tempo, uma a uma. Cada peça que caía ao chão era um peso a menos, uma libertação da expectativa que havia me aprisionado.

Ao longo dos dias que se seguiram, a vida continuou a ser um Carnaval, mas agora eu participava dele de forma autêntica. Aprendi a rir sem medo, a dançar sem vergonha e a amar sem reservas. A máscara do irreal, que antes grudara-se em meu rosto, agora era apenas uma lembrança de um tempo em que eu não sabia quem era. Eu me permiti ser vulnerável, e essa vulnerabilidade me trouxe uma força inesperada.

As pessoas ao meu redor começaram a notar a mudança. O brilho em meus olhos não era mais uma ilusão, mas a chama de alguém que havia encontrado seu verdadeiro eu. As conexões se tornaram mais profundas, as risadas mais sinceras. Eu não precisava mais da aprovação alheia; a alegria que eu buscava estava dentro de mim, e a vida se transformou em uma celebração genuína.

O Carnaval se tornou uma metáfora da vida. Aprendi que, mesmo nas festas mais vibrantes, é essencial estar em contato com a realidade, com a dor e com a alegria que a vida traz. A máscara do irreal, que um dia me aprisionou, agora estava guardada como um símbolo de uma jornada de autodescoberta. E assim, enquanto a vida continuava a ser um Carnaval, eu dançava livre, com o coração leve, pronto para enfrentar o que quer que viesse, sempre fiel à verdade do meu ser.

 

 

           

 


TROVAS SOBRE O LIVRO

 



TROVAS SOBRE O LIVRO


Enquanto o homem tiver
um livro aberto na mão,
esteja onde estiver,
não vai sentir solidão.

JOÃO MANUEL SIMÕES

Sem coroa e sem espada,
sem reger, sem fazer lei,
no mundo da criançada
nosso Lobato foi rei!

ISABEL CHOULBY SANTOS

Se queres ter um amigo,
não o abandones na estante,
que o livro estará contigo
cada dia, cada instante!

FILEMON MARTINS


(COLUNA O RADAR, DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO)




DESTRUIÇÃO - FILEMON MARTINS

 





DESTRUIÇÃO 

Filemon Martins



Ainda ontem se ouvia lá na serra 
a juriti cantar saudosa e triste, 
mas hoje devastada toda a terra 
nenhuma juriti, sequer, existe...
 

Quem manda é o lucro que provém da guerra, 
o mundo cambaleia e mal resiste 
lutando pela vida que se emperra 
numa ganância infame que persiste.
 

A Humanidade inteira está perdida, 
a esperança acabou, está vencida, 
pois cada dia surge um golpe novo.
 

E muitos que se dizem ser senhores, 
não passam de ladrões e usurpadores 
surrupiando o pão do nosso povo! 

O BEIJA FLOR - FILEMON MARTINS

 





                                  O BEIJA-FLOR

Filemon Martins

                        

Levanto cedo e veja quem me espera,

um lindo beija-flor beijando a rosa.

Não para de adejar, ai quem me dera

sugar também aquela flor mimosa.

 

Quantas flores o beija-flor paquera

e baila no ar buscando a flor ditosa

e se exibe num voo que acelera

à procura da flor, a mais viçosa.

 

De flor em flor consegue seu intento,

mesmo voando em luta contra o vento

para beijar, feliz, mais uma  flor...

 

Também o bardo – beija-flor certeiro,

de verso em verso vai buscar faceiro

dentro do peito uma canção de amor.

 

sábado, 11 de abril de 2026

TROVA DE ALFREDO DE CASTRO

 



TROVA DE ALFREDO DE CASTRO


Ninguém sabe, nesta lida,

onde a surpresa é mais forte:

se nos mistérios da vida

ou nos segredos da morte!

 

AS DOBRAS DO TEMPO - EUGÊNIO DE SÁ

 



AS DOBRAS DO TEMPO

Eugénio de Sá

 

 

Verga-se-nos a vontade, a energia

A alguns momentos que o tempo suspende

O amor e a morte exercem tal magia

Que o tempo para, e a eles se rende.

 

 

Somos obra de Deus e a Ele se deve

- Como o exemplo que nos deu Jesus –

Que o nosso tempo seja intenso e breve

Feliz às vezes, outras uma cruz.

 

 

É o destino que todos carregamos

Neste deambular por que passamos

Qual asserção a que há que aquiescer;

 

 

Experimentando venturas, se amamos

Ou sofrendo atrozmente, se matamos

As mil razões que temos pra viver.

 

(FONTE AVBAP)

TROVADORES DA UBT DE ANGRA DOS REIS, QUE JÁ PARTIRAM

 



TROVADORES DA UBT DE ANGRA DOS REIS, QUE ESTÃO NO PLANO SUPERIOR


A vida aqui neste mundo

é como um véu de fumaça

que só demora um segundo

enquanto o vento não passa.

SEBASTIÃO ISIDRO DE ARAÚJO


Ao redor do altar da vida,

despidos ranços e lodos,

se o gesto for de acolhida,

mais irmãos seremos todos.

SEVERINO BELLÓ


Permanecem na memória,

fatos da vida vividos:

parte da nossa história,

os caminhos percorridos.

ÉRICO DA FONSECA


Carrego recordações

lembranças da caminhada;

guardei minhas aflições

durante minha jornada.

MARIA JOSÉ MOREIRA DIAS


Colorida é nossa vida,

cheia de muita esperança,

história muito vivida,

plena de amor e lembrança.

LÉLIA MIGUEL MOREIRA DE LIMA


(LIVRO - "BEM-VINDO - ÀS TROVAS"!)

TROVAS BRASILEIRAS

 



TROVAS BRASILEIRAS


É muito triste a pobreza...

Alguém, soluçando, diz;

bem mais triste, com certeza,

é ser pobre e... infeliz!...

A. ISAIAS RAMIRES


O canário não cantava

entretanto, o vendedor,

a quem comprou explicava:

- "não canta, é compositor!"

CESAR TORRACA


Ame sempre a Natureza

ela é pródiga, segura;

só não vê sua beleza,

quem vive na desventura.

JACY GOMES DE ALMEIDA


Delirando em noite escura,

coração quanto padece!

E a tristeza não perdura

quando a dor se torna em prece.

NEWTON PIMENTA

LITERATURA & ARTE - HUMBERTO DEL MAESTRO

 



Recebi do escritor Humberto Del Maestro, LITERATURA & ARTE, ANO XXXII, JANEIRO DE 2026, Nº 2194, com algumas informações e comentários, entre outros: - "Caríssimo poeta e escritor Filemon Martins, de Vila Paranaguá (SP), recebi seu novo livro intitulado "De Tudo Um Pouco", onde o passado vive brincando, como criancinha, no momento presente. Li quase tudo, dando preferência aos contos e sonetos (pelejar pelo soneto perfeito) que muito me agradam. Você me enviou um livro justamente no momento em que estou ultimando a editoração de meu derradeiro trabalho nas letras. Já são 65 e eu não preciso comprovar mais meu desempenho, neste campo, em minha santa terra, porque, à exceção de romance, deixei um pouco do restante em cada obra que publiquei. É o meu livro dos 80. Isso não quer dizer que deixarei de me exprimir nas letras, mas chega de publicação em livros.

E quanto ao seu livro, quem dera recebesse sempre um presente tão rico e belo como este. Parabéns e feliz ano novo de 2026".


Abaixo, um RONDEL, de Humberto Del Maestro, constante do seu próximo livro no prelo:


As aves cantam na mata,

Em sinfonia que anima,

Como bela serenata

Que anseio na minha rima.


A bênção da lua em prata

Vem aos poucos lá de cima.

As aves cantam na mata,

Em sinfonia que anima.


Surge a noite, uma beata

Que do céu nos aproxima.

Espanta treva em cascata

Permitindo, num bom clima,

A bênção da lua em prata.