quinta-feira, 25 de junho de 2026

PRECE DE UM PEREGRINO - FREI CARLOS MESTERS

 




PRECE DE UM PEREGRINO

Frei Carlos Mesters

 

      “Senhor Deus, andei pela vida à tua procura. Perguntei pelo teu nome e pelo teu endereço. Quero saber o lugar onde moras. Quero te encontrar e conversar contigo. Mas, deram-me tantos nomes e endereços teus, que fiquei perdido. Meu Deus, onde moras?

   Uns me indicavam grandes templos e igrejas. Eles diziam: “O nome dele é Deus supremo!” Fui lá, mas não te encontrei. Só encontrei pedras bonitas e pessoas satisfeitas que diziam saber tudo a teu respeito. Não consegui acreditar nelas, por mais que eu quisesse. Meu coração me dizia: “Deus não é assim!” Pois eles só queriam ensinar estas coisas e colocar suas ideias na minha cabeça, como se eu fosse ignorante de tudo. No meio deles não encontrei a justiça nem o amor.

   Outros me indicavam os grupos rebeldes que vivem na sombra. Eles diziam: “O nome dele é Deus vingador e justiceiro!” Fui lá, mas fiquei na dúvida. Encontrei gente boa, mas não encontrei a humildade. Eles também só queriam ensinar coisas e colocar as suas ideias na minha cabeça, como se eu fosse ignorante de tudo! Não encontrei neles a liberdade de que eles tanto falam.

    Continuei andando à procura da tua morada, da tua presença. Cansado e suado de tanto andar, parei na casa de um pobre. Ele estava sentado na calçada, em frente ao seu barraco. Aproveitei a brisa do fim do dia. Perguntei a ele pelo teu endereço e pelo teu nome. E ele me disse: “Meu amigo, perdoa a minha ignorância. Eu me chamo Severino. Não sei informar nada. Mas, entre aqui e descanse um pouco. Você tem o aspecto de quem anda cansado. Enquanto estiver comigo, esta casa é sua!”  Entrei e estou lá até hoje, meu Deus!

    Não sei se tu moras na casa de Severino. Ele me diz que não te conhece. Mas, junto dele, encontrei a paz e a humildade, a partilha e o perdão, a solidariedade e a luta pela justiça, encontrei a plena liberdade.

Responda à minha pergunta, Deus. É na casa deste pobre que tu te escondes? Só pode ser! Pois, ele não se apresenta como professor e já me ensinou tanto! Ele não tem nada e me deu tudo o que eu precisava! Ele se diz ignorante, mas sabe muito mais do que eu! Ele é fraco e sem forças, mas, até hoje, ninguém conseguiu derrotá-lo na luta pela justiça! Vive cheio de sofrimento, mas nunca encontrei tanta alegria! Vive lutando e só comunica a paz! Se esta não for a tua morada, Senhor, eu já não sei mais onde te procurar. Aqui eu encontro e recebo o que procurava. E aqui eu fico com gratidão, até que me indiques um endereço melhor. Só espero que, um dia, me reveles o teu nome.

 

                      AMÉM!   


QUEM FOI OLEGÁRIO MARIANO? - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 







QUEM FOI OLEGÁRIO MARIANO?

Mário Ribeiro Martins *





OLEGÁRIO MARIANO (Olegário Mariano Carneiro da Cunha), de Recife, Pernambuco, 24.03.1889, escreveu, entre outros, ÂNGELUS (Poesia-1911), EVANGELHO DA SOMBRA E DO SILENCIO (Poesia-1912), ÚLTIMAS CIGARRAS (Poesia-1915), ÁGUA CORRENTE (Poesia-1918), CIDADE MARAVILHOSA (Poesia-1930), O ENAMORADO DA VIDA (Poesia-1937), QUANDO VEM BAIXANDO O CREPÚSCULO (1944), sem dados biográficos completos nos livros e sem qualquer outra informação ao alcance da pesquisa, via textos editados. Filho de José Mariano Carneiro da Cunha e de Olegária Carneiro da Cunha. Seu pai foi Deputado Geral no Império e Constituinte em 1891, além de proprietário de Cartório. Após o inicio dos estudos primários em sua terra natal, deslocou-se para outros centros, onde também estudou. Transferiu-se para o Rio de Janeiro, em 1897, com 8 anos de idade. Estudou no Colégio Pestalozzi e no Colégio Pio Americano. Frequentou a roda literária de Olavo Bilac, Guimarães Passos, Emílio de Meneses, Coelho Neto, Martins Fontes e outros. Estreou na vida literária aos 22 anos com o volume ANGELUS, em 1911. Matriculou-se na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, mas não concluiu o curso, preferindo trabalhar com o seu pai no Cartório. Ainda em 1911, casou-se com Maria Clara Sabóia de Albuquerque, com quem foi para a Europa, permanecendo um ano. Representou o Brasil, em 1918, como secretário de embaixada à Bolívia, na Missão Melo Franco. Em 1926, com 37 anos de idade, recebeu o titulo de PRINCIPE DOS POETAS BRASILEIROS, sucedendo a Alberto de Oliveira. Após a Revolução de 1930, recebeu do Presidente Getúlio Vargas, um Cartório de Registro de Imóveis, no Rio de Janeiro. Em maio de 1933, elegeu-se Deputado à Assembleia Nacional Constituinte, tendo sido sempre reeleito até o advento do Estado Novo, em 1937, que acabou com o legislativo. Em concurso promovido pela revista FON-FON, em 1938, Olegário Mariano foi eleito, pelos intelectuais de todo o Brasil, PRÍNCIPE DOS POETAS BRASILEIROS. Foi ministro plenipotenciário nos Centenários de Portugal, em 1940. Delegado da Academia Brasileira na Conferência Interacadêmica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945. Em 1953, com 64 anos de idade, tornou-se Embaixador do Brasil em Portugal, o que trouxe muita celeuma, por não ser da carreira diplomática. De volta ao Brasil, em 1954, foi nomeado Inspetor Federal do Ensino Secundário, bem como Censor Teatral. Foi letrista na música popular brasileira. Membro da Academia das Ciências de Lisboa, da qual recebeu o prêmio PALMA DE OURO. Exerceu o cargo de oficial do 4º Ofício de Registro de Imóveis, no Rio de Janeiro, tendo sido antes tabelião de Notas. Além da obra poética iniciada em livro em 1911 e enfeixada nos dois volumes de TODA UMA VIDA DE POESIA (1957), publicados pela José Olympio, Olegário Mariano publicou durante anos, nas revistas CARETA e PARA TODOS, sob o pseudônimo de João da Avenida, uma seção de crônicas mundanas em versos humorísticos, mais tarde reunidas em dois livros: Bataclan e Vida Caixa de brinquedos. Poeta, político e diplomata. Faleceu no Rio de Janeiro, em 28.11.1958, com 69 anos de idade. Terceiro ocupante da Cadeira 21, eleito em 23.12.1926, na sucessão de Mário de Alencar e recebido pelo Acadêmico Gustavo Barroso em 20.04.1927. Recebeu o Acadêmico Guilherme de Almeida. Sua Cadeira 21, na Academia Brasileira de Letras tem como Patrono Joaquim Serra, Fundador José do Patrocínio, sendo também ocupada por Mario de Alencar, Olegário Mariano, Álvaro Moreyra, Adonias Filho, Dias Gomes, Roberto Campos e Paulo Coelho. Muito bem estudado no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE POETAS PERNAMBUCANOS (1993), de Lamartine Morais. Pouco analisado na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001. Com sua importância, é grandemente estudado no DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO (2001), da Fundação Getúlio Vargas e é convenientemente referido, em todas as enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc. É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br







* MÁRIO RIBEIRO MARTINS - ERA PROCURADOR DE JUSTIÇA E ESCRITOR.

PROBLEMAS E MAIS PROBLEMAS - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

PROBLEMAS E MAIS PROBLEMAS

 

Resultados na política e na economia mostram o país dando passos para trás. Será que falta competência para resolver os problemas?

                      

     O Brasil apresenta um cenário sombrio. Não dá para esconder, pois os brasileiros sentem que há problemas em todas as áreas. Parece mesmo que os nossos políticos estão se acostumando com a corrupção. Acostumar. Será esse o objetivo dos políticos? Cremos que a maior parte deles não tem esse objetivo.

     Todos os brasileiros, de norte a sul, percebem que a corrupção é um monstro que mostra as unhas, é teimosa e está presente em órgãos governamentais e até nas empresas. A corrupção está presente também em muitos Estados e Municípios. A corrupção envergonha a nossa nação.

A corrupção é um grande problema, porém tem solução.  Acabar com as brechas nas leis, moralizar a política e punição rigorosa para os corruptos declarados pela justiça. O povo não aguenta tanta corrupção. Vemos que o cidadão de bem é quem mais sofre com os efeitos maléficos da corrupção reinante. O dinheiro dos impostos some no bueiro da corrupção e os brasileiros classe média e os mais pobres, sem querer, são os que pagam a conta.

Muitos perguntam: e o governo o que faz? Será que o governo toma as devidas providências? O governo realiza fiscalização rigorosa nas empresas e pune a sonegação e as falhas com multas pesadas. Mas, o que faz nos órgãos governamentais? Não faz muito anos, ouvi numa entrevista a conversa de um empresário que dizia: A corrupção no Brasil é fácil de resolver. Basta ter políticos patriotas e honestos.

Sem passar muitas páginas do livro chamado Brasil, todos percebem e sentem no bolso que a economia brasileira apresenta um cenário bem adverso. Parece que nos últimos anos tornou-se algo comum e rotineiro fazer aventuras com as decisões para corrigir os rumos da economia. Mas as aventuras e malabarismos só fazem a coisa piorar. Juros altos, muitas taxas e impostos elevados, governo gastando muito, tudo isso empurra a inflação para cima. O Brasil cobra impostos muito altos, abusivos.

Há desemprego forte e dando sinais informando que por enquanto não vai ceder. Jornais informam que empresas em crise com produção encalhada tomaram a decisão de pedir baixa e fecharam as portas. Isso significa desemprego. Nas cidades grandes e pequenas há muitas lojas fechadas, isso significa desemprego. O déficit fiscal é uma bomba que não deixa a economia brasileira andar para frente.

A Bíblia Sagrada mostra soluções para todos os casos. Na carta que o apóstolo Paulo escreveu aos filipenses, no cap. 2 e versículo 15, ele afirmou, deixando escrito o seguinte: “Que sejais irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrupta e perversa...”





                     

Saul Ribeiro dos Santos

Contador e economista aposentado.

Natural de Ipupiara – BA.

📧 saul.ribeiro1945@gmail.com

 

 


quarta-feira, 24 de junho de 2026

O FIM DO MUNDO - JOSÉ FELDMAN

 





O FIM DO MUNDO


José Feldman

  

"Salaam’aleikum" (Que a paz esteja convosco), buscadores do horizonte. Preparem o coração, pois esta história atravessa dunas que nenhum mapa ousa registrar. Eu sou Mustafá, o peregrino, e hoje lhes conto sobre a busca de um homem que não se contentava com o que os olhos podiam ver.

 

"Bismillah" (Em nome de Deus), partamos para além das fronteiras.

 

Havia um homem chamado Ziad, um "musafir" (viajante) incansável. Ele já havia visto as pirâmides do Egito e os jardins suspensos, mas uma pergunta o consumia: "Onde termina o mundo?". 

 

Ele acreditava que, no fim de tudo, encontraria uma muralha de cristal ou o próprio jardim do éden.

 

Ziad despediu-se de sua família com um "fi amanillah" (Fique com a proteção de Deus) e caminhou para o leste. Ele cruzou rios impetuosos e montanhas que tocavam o céu. 

 

Em cada aldeia, perguntava: — "Falta muito para o fim?". 

 

Os anciãos sorriam e diziam: — "Maktub" (Está escrito), "o fim está onde o coração descansa".

 

Ziad não entendia. Ele caminhou por quarenta anos. Seus cabelos tornaram-se brancos como a neve do Líbano e suas sandálias foram trocadas cem vezes. Um dia, exausto, ele chegou à beira de um oceano infinito, onde o sol mergulhava em águas douradas. 

 

— "Ya Allah" (Ó Deus), gritou ele, "finalmente cheguei ao fim do mundo!"

 

Ali, ele encontrou um eremita que vivia em uma caverna. 

 

 

— "Shukran" por me receber, disse Ziad, "concluí minha jornada".

 

O eremita, rindo suavemente, apontou para o mar. 

 

— "Vês aquele horizonte? Se navegares até lá, encontrarás outra terra. E se caminhares por essa terra, voltarás exatamente ao lugar de onde partiste. O mundo é um círculo, meu filho. Ele não tem fim, pois a criação de Deus é infinita em sua perfeição."

 

Ziad caiu de joelhos. 

 

"Alhamdulillah" (louvado seja Deus), murmurou. 

 

Ele percebeu que passara a vida fugindo do aqui para buscar o "Lá", sem notar que a beleza estava em cada grão de areia que pisara. O "fim do mundo" era, na verdade, o momento em que ele parasse de procurar fora o que já possuía dentro: a paz.

 

Ziad voltou para sua casa, não mais como um buscador, mas como um sábio. Ele ensinou que a vida não é uma linha reta até um abismo, mas uma dança em torno do que é sagrado.

 

"Shukran" por caminharem comigo nesta narrativa. “As-salaam'aleikum” (Que a paz de Deus esteja com vocês).


MEU BARCO CORAÇÃO - SUELLY CORRÊA GOMES

 

 



MEU BARCO CORAÇÃO

Suelly Corrêa Gomes


Armei meu coração como um navio

proa altiva, velame tão bonito,

dei-lhe o rumo dos mares do infinito

para aceitar o sol, o vento e o frio.


E saiu a vogar, perdendo o grito

das gaivotas no ar, em pleno estio!

Ficou atrás o porto e o calmo rio

iam à frente o sonho e o mito.


Meu coração sonhava com luares,

com lindas ilhas onde o amor repique

seus sinos, em glorioso festival.


Não contava porém, incertos mares.

Teve destino igual do Titanic

naufragou na viagem inaugural!



(LIVRO "TU NA DISTÂNCIA", PÁGINA 71) 

VIVA, SÃO JOÃO! - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES

 




Viva,  São João!

               Antônio Carlos Côrtes

Ainda que  frio
Que causa calafrio
Em forma de desafio.
É preciso muito brio.
Pois gela coração
Euclides da Cunha lecionou:
" Sertanejo é antes de tudo
Um forte"
Certo, mas não conheceu
O sul Rio-grandense
Herói dos Pampas
Não há quem aguente
Fora do banho quente
Só graspa
Cachaça em guampa
Chimarrão
Puchero que enrasca
Pedindo um solzão
Tchau
Vou fugir daqui
Galopando meu azulão
Fui. 




* ANTÔNIO CARLOS CÔRTES - DA ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS.

PERFIL BIOGRÁFICO DE ADÃO FRANCISCO MARTINS - TEXTO DE MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 




PERFIL BIOGRÁFICO DE ADÃO 

FRANCISCO MARTINS

(TEXTO ELABORADO PELO SEU

TERCEIRO FILHO, DR. MÁRIO RIBEIRO 

MARTINS, PROCURADOR DE JUSTIÇA 

DO ESTADO DE GOIÁS).




ADÃO FRANCISCO MARTINS (Que havia nascido em 21.05.1915, em Ipupiara, e estava com 23 anos de idade), foi SECRETÁRIO MUNICIPAL, conforme documentos escritos e publicados, na mão do autor destas notas, entre os quais, o “ORÇAMENTO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE BROTAS DE MACAÚBAS, PARA O EXERCÍCIO DE 1939”(DECRETO-LEI 63, de 5.7.1938), impresso na LIVRARIA CATILINA, de Romualdo Santos-Livreiro Editor-Rua Portugal, 20, Salvador, Bahia, onde se lê: Prefeito Municipal-Nestor Rodrigues Coelho. Secretário Municipal-Adão Francisco Martins.
Filho de Gasparino Francisco Martins e Jovina Ribeiro Martins, neto do Coronel Isidório Ribeiro dos Santos, meu pai, Adão Francisco Martins, enquanto trabalhava na roça, aprendeu a ler com os antigos professores, “JOÃO CAPOTE” e “JOÃO PAPAGAIO”. Mas, seu principal professor foi Arthur Ribeiro Sobrinho, pai do primeiro médico de Brasília, Dr. Isaque Ribeiro Barreto.
Em 1934, com 19 anos de idade, na cidade de Brotas de Macaúbas, foi nomeado Tabelião de Notas e Agente de Estatística. Casou-se em Brumado, hoje Ibitunane, em 29.10.1937, com Francolina Ribeiro Martins, tornando-se comerciante de Diamantes, em sociedade com Adelino Alves de Almeida.
Em 1946, foi nomeado Prefeito de Brotas de Macaúbas, logo após a gestão do Prefeito Nestor Rodrigues Coelho, que se estendeu de 1934 a 1945, momento em que o Capitão Nestor Coelho permaneceu como Presidente do Diretório Municipal de Brotas e se elegeu Deputado Estadual, a partir de 1946. Nestor Coelho faleceu em Salvador, Bahia, em 26.12.1953, na condição de Deputado Estadual, tendo sido sepultado no Mausoléu da família, em Barra do Mendes.
Nomeado Adão Francisco Martins, Prefeito de Brotas de Macaúbas, em 1946, pelo Interventor Federal na Bahia(1946-1947), General Cândido Caldas, permaneceu no cargo de Prefeito, até abril de 1947, quando, terminada a “interventoria” na Bahia, o Governo Estadual foi passado para o Governador eleito pelo povo, Otávio Mangabeira e realizadas as eleições municipais.
Como Prefeito nomeado de Brotas, meu pai Adão Francisco Martins, construiu entre 1946 e 1947, a ponte de madeira, ainda hoje existente nos povoados de “Mourão” e “Santa Rosa”, debaixo da qual não passa mais hoje nem um pingo de água, onde outrora fora um pequeno rio.
Mas, para que meu pai tomasse posse como Prefeito Municipal de Brotas, não foi fácil. Aliás, foi João da Cruz Cunha que reuniu cerca de 60 cavaleiros para garantir a posse do meu pai Adão Francisco Martins, como Prefeito de Brotas de Macaúbas, na presença do Juiz de Direito da Comarca, Dr. Sebastião, genro do Coronel João Arcanjo Ribeiro, em 1946, quando meu pai foi nomeado Prefeito, pelo Interventor Federal na Bahia, General Cândido Caldas. É que a população de Brotas, sede do município, não admitia que o prefeito nomeado viesse do JORDÃO, um dos Distritos.
Em 03.05.1950, Adão Francisco Martins, mudou-se para Morpará, às margens do Rio São Francisco, onde fundou a “Loja Primavera”, de tecidos, além de ter sido Vereador. No mesmo ano, vinculou-se à Loja Maçônica HARMONIA E AMOR, de Juazeiro, pertencente à GRANDE LOJA DO ESTADO DA BAHIA.
Em abril de 1957, retornou à sua terra natal, Ipupiara, como comerciante de tecidos e como Pregador Evangélico, vinculado ao Protestantismo Batista. Contribuiu, escrevendo discursos e redigindo documentos. Como político, continuou na sua luta pela emancipação política de Ipupiara, que se tornou município independente de Brotas, em 09.08.1958, ao lado do Chefe Político da região, Coronel Arthur Ribeiro.
Colecionou e leu obras famosas, entre as quais, a “HISTÓRIA UNIVERSAL”, de César Cantu, com mais de 32 volumes, hoje em poder deste autor. Entre outros escritos, destaca-se a “HISTÓRIA DOS BATISTAS NO SERTÃO BAIANO”, trabalho que, no entanto, permaneceu inédito.
Após ter fundado a Igreja Batista de Ipupiara, FALECEU REPENTINAMENTE, com parada cardíaca, no dia 07.01.1970, com 55 anos, depois de ter feito um Sermão Evangélico, na Praça Principal da cidade, deixando 5 filhos homens e 3 mulheres.


Sobre ele escreveu Filemon Martins:

“Ele era bom; amigo verdadeiro, /a todos demonstrava o mesmo amor./Em vida foi exemplo brasileiro/no sofrimento atroz, na própria dor. Amante do saber, humilde obreiro, /da Esperança e do Bem foi pregador. /Viveu para servir ao companheiro/e em tudo quanto fez, foi professor. /Ele morreu; toda a cidade chora, /não há mais alegria como outrora, /só existe a tristeza e o dissabor.../E o céu pra recebê-lo foi-se abrindo, /porquanto ele morreu, morreu sorrindo, /e sorrindo partiu para o Senhor”!

METADE - SUELLY CORRÊA GOMES

 




METADE

Suelly Corrêa Gomes


Ensina-me, Senhor, pois vivo incalma

como fosse viver só de metade.

Metade o coração. Metade a alma.

Somente inteira a dor desta saudade.


Em todo o visto o meu anseio invade

em sua lembrança o seu olhar de calma.

Dividir a alegria ou a ansiedade

qualquer sucesso que esta luta empalma.


Viver metade é dor tão angustiante,

é procurar no escuro inutilmente,

é tropeçar sem ter um ombro amigo.


É não ter nada no buscar constante,

é carregar a vida indiferente

e isso não sei, meu Deus, e nem consigo!



(LIVRO "TU NA DISTÂNCIA", PÁGINA 108)

terça-feira, 23 de junho de 2026

TROVAS BRASILEIRAS

 







                        TROVAS BRASILEIRAS


 

Fecho os olhos... Sou cativo

da saudade que me escolta

e teima em me dar motivo

para crer na sua volta.

MAURÍCIO CAVALHEIRO – PINDA – SP

 

Morreu pregado na cruz

um homem bom, de verdade.

Esse homem era Jesus,

que nunca teve maldade.

ANA MARIA NASCIMENTO – ARAÇOIABA – CE

 

Direi ao sol, ao se pôr,

quando da minha partida:

nem sombra foste do amor

que iluminou minha vida!

LOTHAR BAZANELLA – SÃO PAULO

 

Se eu não fosse trovador

minha dor tinha que ser

inspiração do fervor

que trova no meu sofrer.

MARCOS MEDEIROS – LAGOA NOVA - RN

UM DIA NA DIVISÃO DE PRECATÓRIOS DO TRF 3ª REGIÃO - FILEMON MARTINS

 



UM DIA NA DIVISÃO DE


PRECATÓRIOS DO TRIBUNAL 

REGIONAL 

FEDERAL - 3ª REGIÃO


Filemon Martins * 



  • O precatório, (PRC) sempre autuado na cor verde, e em ordem cronológica de entrada, estava lá na prateleira aguardando sua vez. Havia muitos outros ali e todos os dias chegavam pilhas de processos ao Tribunal. Mas, aquele precatório ali, na prateleira fria, era o mais antigo.
  • De repente, um outro mais novo, encostado nele, perguntou: - “o que aconteceu com você, que ainda continua por aqui?” – “Ah, meu amigo, respondeu o precatório antigo, o analista descobriu que me faltavam peças exigidas pelo artigo 355 do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal. Depois, veio a Instrução Normativa nº 10, com algumas alterações, mas não teve jeito, fui recusado e aqui estou. Não entrei neste orçamento, que pagaria no próximo exercício a partir de janeiro. Agora, diz a Lei, só em julho vindouro terei nova chance. Tomara que essas falhas sejam sanadas e não apareça outra Instrução Normativa para atrapalhar minha entrada em outra fila de espera”.
  • Enquanto isso, no balcão de atendimento da Divisão, o cidadão chegou e foi logo bradando: - “quero receber meu precatório”. E repetia, em voz alta: “quero o meu dinheiro, quero o meu precatório”! Solícito, o funcionário pediu os dados à parte para verificar em que pé estava aquele processo. Consultando o computador, o sistema informava que já havia sido pago. Essa informação foi transmitida ao cidadão interessado, que bradava: “mas, como? É impossível, eu não recebi nada”. Nesta altura, a Diretora foi chamada.
  • Como é sabido, em todo processo, as partes nomeiam seus advogados, assegurando-lhes, através de procuração, o direito de recorrer, assinar, confessar, firmar compromissos ou acordos, receber e dar quitação, entre outros poderes. Não havia dúvidas, o advogado já recebera aquele valor. Difícil era fazer o cidadão entender aquele procedimento. Não raras vezes o advogado (alguns são especialistas em contar estórias) não repassava a verba da parte.
  • Depois de muitos conflitos assim, o Tribunal Regional Federal – 3ª Região passou a intimar, além do advogado, as partes interessadas para o pagamento do precatório.
  • Posteriormente, criou-se a Requisição de Pequeno Valor (RPV), (60 salários mínimos) para pagamento até 60 dias. A Resolução nº 117, de 22 de agosto de 2002, consolidou a regulamentação vigente sobre os procedimentos a serem adotados, em razão de sentença transitada em julgado. Neste caso de RPV, quando disponível o numerário, o Presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região determinará a transferência do valor para conta remunerada da Instituição Bancária Depositária, à ordem do Juízo da execução, que tomará as providências cabíveis.
  • Hoje, com o avanço da tecnologia, os precatórios entram no Tribunal Regional Federal, via on-line e a papelada, parece, foi extinta. É o Judiciário Federal se modernizando... para atender melhor o cidadão.



  • * Funcionário aposentado do TRF – 3ª Região

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O TAPETE DO DESTINO - JOSÉ FELDMAN

 





O TAPETE DO DESTINO

José Feldman

  

"Salaam’aleikum" (Que a paz esteja convosco), almas curiosas. Aproximem-se, pois o fio que vou tecer agora é feito de astúcia e de uma coragem que nem as tempestades de areia podem apagar. Eu sou Mustafá, o peregrino, e hoje lhes contarei como a mente de uma mulher pode ser mais afiada que a espada de um mameluco.

 

"Bismillah" (Em nome de Deus), comecemos a urdir esta trama.

 

Nas montanhas do Atlas, vivia uma jovem chamada Layla, famosa por seus tapetes que pareciam capturar as cores do pôr do sol. 

 

Um dia, um adivinho sombrio passou por sua aldeia e, ao olhar para a palma de sua mão, sentenciou: "Maktub (Está escrito): Antes que a próxima lua cheia se ponha, a pobreza baterá à sua porta e levará sua última gota de esperança."

 

Layla sentiu o frio do medo, mas não se curvou. 

 

— "Ya Rabb" (Ó Senhor), pensou ela, "se o destino é um tecido, eu sou aquela que segura a agulha."

 

Ela não parou de trabalhar. Em vez de lamentar, Layla começou a tecer um tapete diferente de tudo o que já fora visto. Era um tapete de "Kohl" (Negro profundo), mas com fios de seda que brilhavam como prata sob a luz da lua. Nele, ela não desenhou flores ou figuras geométricas, mas sim o mapa das estrelas e os segredos do vento.

 

Quando a lua cheia chegou, o Destino, personificado na figura de um cobrador implacável enviado por um mercador ganancioso, bateu à sua porta. 

 

— "Vim levar seus teares e sua casa por dívidas que seu pai deixou", disse o homem com voz de pedra.

 

Layla, com um sorriso calmo, disse: 

 

— "Ahlan wa Sahlan" (Seja bem-vindo). "Antes de levar tudo, peço que avalie esta peça única. É o Tapete do Tempo. Dizem que quem pisa sobre ele pode ver o futuro, mas apenas se o seu coração for puro."

 

O mercador, movido pela ganância e pela curiosidade, pisou no tapete. Layla, com sua habilidade de tecelã, havia criado uma ilusão de ótica com os fios de prata; ao se mover sobre eles, o mercador sentiu como se o chão estivesse desaparecendo sob seus pés, revelando um abismo de estrelas. Assustado e acreditando estar diante de uma magia poderosa que punia os gananciosos, ele caiu de joelhos.

 

— "Perdoe-me!" gritou o homem. “Perdão! Fique com tudo, apenas me deixe sair deste feitiço!"

 

Layla permitiu que ele fugisse. Ela não havia mudado o que estava escrito nas estrelas, mas mudou a forma como o mundo a via. A pobreza nunca entrou naquela casa, pois sua fama de "Sábia dos Tapetes" atraiu viajantes de todo o "Magrebe" (Ocidente Árabe), que pagavam fortunas para ouvir seus conselhos enquanto ela tecia.

 

"Alhamdulillah" (Louvado seja Deus), pois a inteligência é o presente mais precioso dado aos mortais. O destino pode escrever a primeira linha, mas somos nós que terminamos a estrofe.

 

Obrigado por me ouvirem sob este manto de estrelas. “Assalaam'aleikum” (Que a paz de Deus esteja com vocês). 



(FONTE "ECOS DO DESERTO, DE JOSÉ FELDMAN)

 


TROVAS DE VÁRIOS AUTORES

 






TROVAS DE DIVERSOS AUTORES



Esperança é aquele brio
com que a magia da vida
mantém aceso o pavio
sobre a cera derretida...

            Antonio de Oliveira- Rio Claro/SP

Vão-se as agruras da lida
e tudo tem mais valia
sempre que a vida é envolvida
nos braços da poesia!

            Antonio Juraci Siqueira- Belém/PA

Eu trago minha alma aflita,
bem vês ciúme em meu rosto;
o mal é seres bonita
e os outros terem bom gosto!

            Aparício Fernandes- Acari/RN (1934 – 1996) Rio de Janeiro/RJ

No palco do meu viver,
com a mente distraída,
eu sou ator sem saber
neste teatro de vida.

            Ari Santos de Campos