sexta-feira, 19 de junho de 2026

CARLOS RIBEIRO ROCHA E SUA POESIA - FILEMON MARTINS

 





CARLOS RIBEIRO ROCHA

E SUA POESIA


Filemon Martins *



Um dos mais notáveis poetas do Brasil. Nascido na cidade de Ipupiara, Bahia, próximo à Chapada Diamantina, Carlos Ribeiro Rocha é no dizer do sociólogo e crítico literário, Mário Ribeiro Martins, “o poeta da natureza, para quem a oportunidade não sorriu, mas cuja poesia é um sorriso eterno.”

Autodidata, o poeta baiano, com o apoio da comunidade, fundou em Santo Inácio, o Ginásio Diamantino (CNEC), do qual foi professor de Português durante dois anos seguidos. No início de sua carreira também fora professor municipal e particular em Ibitunane, Ibipeba e Ipupiara.

Por concurso público, tornou-se Coletor Federal, tendo residido em Santo Inácio, Xique-Xique, Itamaraju e Salvador, mas foi no interior da Bahia, onde teceu a maioria dos seus versos.

Cronista, sonetista e trovador fluente, aprendeu com a natureza e com os livros, sem frequentar, contudo, as salas de um Colégio, como ele mesmo afirma em suas trovas:

“Colégio sem endereço/é o que me fez bacharel.../Nas trovas que sempre teço/é que brilha o meu anel.” “Sem Colégio, encontro tudo/ no livro da Natureza, / e como não tive estudo, / sou ave no visgo presa.” “O nome do meu Colégio? /Ninguém suas letras soma:/Nunca tive o privilégio/de receber um diploma.”

Carlos Ribeiro Rocha escreve com o coração, porque sua lavra poética é uma fonte inesgotável que continua jorrando tanto no soneto, quanto no trovismo. O poeta, pesquisador, cronista e trovador já editou alguns livros, entre outros: “HARPA SERTANEJA”, “PINGOS DE MIM”, “MEDITAÇÕES, LIÇÕES”, “CAFÉ REQUENTADO”, “28 SONS” e “COROA DE SONETOS”. Mas possui diversos livros inéditos, contendo poemas, crônicas, sonetos e trovas.

Humberto Del Maestro, poeta e intelectual do Espírito Santo, prefaciando “MEDITAÇÕES, LIÇÕES”, afirma: “ o vate e trovador das terras de Rui Barbosa e Castro Alves foi além das expectativas, criando instantes maravilhosos, mágicos não apenas em versos com linguagem clássica, ritmados, quando deu asas à sua inspiração elástica e farta, mas construindo momentos de grande profundidade, na poesia livre.”

Já o professor e escritor Osmar Barbosa, do Colégio Estadual de Nova Friburgo, RJ, diz: “Vê-se que você é inspirado poeta, pois, quem talha sonetos como “Cigarras e Formigas”, “Velha Mangueira”, “Borboletas” etc., tem a poesia na alma, a arte nas veias.”
O poeta não se prendeu a formas e a nenhuma corrente literária, por isso sua poesia é gostosa de ser lida, é harmônica e livre, como ele mesmo diz:

“Não sou parnasiano, não pertenço/a escola alguma da arte modernista, /porquanto escrevo como sinto e penso... Se anel não tenho, mesmo de ametista, / nas maravilhas desse livro imenso/ hei de encontrar a glória da conquista.”

Sensível aos problemas brasileiros, especialmente do trabalhador simples e desvalido do Nordeste, empunha sua pena e diz: “Pega da enxada – seu fuzil sagrado, e as ervas más fulmina do roçado, cantando sempre a chula da vitória. Eu te amo, lavrador abandonado... Se não podes por mim ser amparado, quero, ao menos, contar a tua história!”

Não esqueceu, porém, das crianças abandonadas: “Cheirando cola, sem comida, sem escola, sem um barraco ao menos como lar, dá pena ver meninos a cumprir duros destinos, só aprendendo a roubar!... Faz vergonha aos Presidentes ver meninos nas vielas, com as bocas cheias de dentes e sem nada nas panelas...”

Com um toque de mestre, ele fala dos garimpeiros: “Ousado e firme, o garimpeiro busca,/no seio virginal do solo amado,/ a gema rara, que deslumbra e ofusca,/apagando as agruras do passado... Aquela joia pondo sobre a palma, /o altivo garimpeiro sente na alma/a brisa da ventura, tão serena! Também o bardo, com valor e calma, / um verso vai buscar no fundo da alma, /coberto ainda de saudade e pena!”

Em correspondência ao autor destas linhas, o poeta numa deferência que me honra, encaminha alguns trabalhos abrangendo temas políticos, filosóficos, sociológicos etc. Eis alguns exemplos: “Político sabichão promete a cada eleitor, a casa, saúde e pão, qual um “santo” protetor.” “Se o povo cai na conversa, vai eleito, faz a festa, e aí a coisa é diversa, não realiza o que presta.”
Em OBSERVAÇÕES, CONCLUSÕES, escreveu: “Olhando nossas matas e cerrados, nossas caatingas, descubro, vejo florescências de Poder, cachos de Sabedoria... E assim, este humilde sertanejo vai tecendo a poesia e confessando que Deus está criando noite e dia. Levantando mais os olhos, vejo estrelas lá no Espaço, que aos olhos causam cansaço, mas, trazem reflexões e conclusões acertadas. Com razão e sapiência afirmou o Cristo: - “ Na casa de meu pai há muitas moradas” – e, pouca gente consegue entender isto!”

Seus sonetos são belos e perfeitos, à moda de Olavo Bilac e entre outros, transcrevo AMAR SEMPRE, belíssimo soneto que o poeta teceu a partir de uma trova minha: “No mundo do desamor ao poeta, nada importa, se na saudade e na dor, a inspiração o conforta.”

Eis o soneto:

“No mundo de sequestros, males, dores, / da humanidade foge o sentimento/maior de fraternismo, e só horrores/a criar o ambiente mais nojento! Confrade amigo, no lugar que fores, / semeia, sem mostrar constrangimento, / o amor que faz brotar somente flores, / que a todos leva só contentamento. Amar sempre, o Evangelho assim exorta, / porque do bem o amor é larga porta/a nos mostrar futuro promissor. O mundo de egoísmo e desamor, /ao poeta, em verdade, nada importa, /porque a inspiração é que o conforta.”

Muito mais se poderia dizer da poesia de Carlos Ribeiro Rocha, que, não obstante ter participado do Anuário de Poetas do Brasil, Rio de Janeiro, organizado pelo saudoso APARÍCIO FERNANDES, em 1978, volume 1, página 105 e 1979, volume 4, página 63, infelizmente só é conhecido na Bahia e nos meios alternativos, onde goza de prestígio e do merecido respeito, mas seu nome consta no DICIONÁRIO BIO BIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, do escritor Mário Ribeiro Martins, no site usinadeletras.com.br em ENSAIOS ou no www.mariomartins.com.br.

Sua poesia, seu trabalho e seu nome, com certeza, estarão incrustados no panorama da Literatura Brasileira.

 

* DA CONFRARIA BRASILEIRA DE         LETRAS


A FORÇA DO AMOR - JOSÉ FELDMAN

 




A FORÇA DO AMOR

José Feldman

 

 

"Salam’Aleikum" (Que a paz esteja convosco), meus perseverantes amigos. As estrelas já caminham para o repouso, mas antes que a luz do sol apague as nossas lanternas, eu, Mustafá, o peregrino, lhes darei este presente: uma história onde o amor provou ser a magia mais poderosa que existe sobre a face da terra. "Bismillah" (Em nome de Deus), deixem que o voo desta narrativa comece. Em um reino entre as dunas e o mar, um jovem Príncipe chamado Khalid casou-se com a bela Amira. "Alhamdulillah" (Louvado seja Deus), dizia o povo, pois nunca se viu par tão perfeito. No entanto, o que ninguém sabia era que uma bruxa invejosa, despeitada por não ter sido convidada para o banquete de noivado, lançara sobre a jovem um feitiço cruel. Na noite de núpcias, quando a lua subiu ao zênite, Amira sentiu seus ossos tornarem-se leves e seus braços cobrirem-se de penas. Antes que Khalid entrasse no quarto, ela transformou-se em um falcão real e partiu pela janela, ganhando o céu noturno. Noite após noite, o Príncipe entrava no leito e encontrava apenas o vazio e uma única pena dourada sobre o travesseiro. — "Ya Allah" (Ó Deus), clamava ele, "onde se esconde a minha amada quando as sombras caem?". O desespero começou a consumir sua alma, e muitos diziam que o Príncipe estava perdendo o juízo, pois ele passava as noites em claro, vigiando as torres do castelo. Certa madrugada, Khalid fingiu dormir. Sob a luz pálida de uma lamparina de azeite, ele viu o indizível: a sua doce Amira, com os olhos cheios de lágrimas, contorcer-se enquanto o encanto a transformava em ave. Num bater de asas frenético, o falcão pousou no parapeito da janela, pronto para ganhar a escuridão. Num ímpeto, Khalid correu e, em vez de tentar capturá-la ou feri-la, caiu de joelhos diante da ave. — "Ya Habibi" (Meu amor), exclamou ele com a voz embargada, "não fuja mais de mim! Não importa se tens pele de seda ou penas de rapina, se tens voz de mulher ou o grito dos céus. O que eu amo habita no teu coração, e ele é minha morada. Se fores humana, serei teu marido; se fores falcão, serei teu ninho e teu céu. Tu moras em mim, para além de qualquer forma!" Ao ouvir essas palavras de entrega total, o impossível aconteceu. O amor puro de Khalid agiu como um fogo que consumiu a maldição. Uma luz ofuscante preencheu o quarto e, onde antes estava o falcão, surgiu Amira, chorando de alegria, agora humana para sempre. — "Shukran" (Obrigado), sussurrou ela, "pois só um amor que aceita o impossível poderia quebrar o que a maldade teceu". "Maktub" (Está escrito): a verdadeira beleza não está no que os olhos veem, mas no que o coração reconhece. — “As-salaam'aleikum” (Que a paz de Deus esteja com vocês), meus caros. Que vossos amores sejam tão fortes quanto o voo de um falcão e tão firmes quanto as pedras de Bagdá.



(FONTE: ECOS DO DESERTO, JOSÉ FELDMAN)


A CAMINHADA - FILEMON MARTINS

 





A CAMINHADA

Filemon Martins

 

Recordo, com prazer, a caminhada

e amigos que ganhei estrada afora.

Quantas vezes fiquei na encruzilhada

tentando achar a luz de nova aurora.

 

Passei manhãs ao som da passarada,

cavando a terra e pondo sem demora

a semente na terra abençoada,

enquanto a enxada tine a voz sonora.

 

Depois, parti. Tornei-me um peregrino

e a saudade marcou o meu destino

deixando-me profunda cicatriz...

 

Hoje, não deixo mágoas nem gemidos,

apenas flores  -  versos coloridos,

e a sensação de ser muito feliz!

 


quinta-feira, 18 de junho de 2026

A PROCURA DA FELICIDADE - JOSÉ FELDMAN

 




A PROCURA DA FELICIDADE

José Feldman

  

"Salaam’Aleikum" (Que a paz esteja convosco), meus diletos ouvintes. Vejo que a chama da curiosidade ainda brilha em vossos olhos! Pois bem, ajustem seus turbantes e prestem atenção, pois esta história é um bálsamo para as almas inquietas. Eu sou Mustafá, o peregrino, e lhes contarei sobre o Sultão que possuía tudo, menos o que realmente importa.

 "Bismillah" (Em nome de Deus), entremos no palácio da reflexão.

 Havia outrora, na magnífica cidade de Damasco, um Sultão chamado Harun, cujas riquezas eram tão vastas que seus tesoureiros perdiam o fôlego apenas tentando contá-las. Seus jardins tinham fontes de água de rosas e suas mesas transbordavam com as iguarias mais raras de "AlMashriq" (O Oriente). No entanto, Harun vivia com o semblante fechado. Nada lhe dava prazer. 

 — "Ya Allah" (Ó Deus), suspirava ele, "tenho o mundo aos meus pés e, ainda assim, meu coração é um deserto seco."

 Sentindo-se definhar, o Sultão convocou os sábios mais renomados. Após muitos debates, um velho "Hakim" (Médico/Sábio) aproximou-se e disse: 

 — "Majestade, o vosso mal tem cura. Deveis encontrar um homem verdadeiramente feliz, pedir-lhe a camisa e vesti-la por uma noite. A felicidade dele passará para vós através do tecido."

 O Sultão, esperançoso, enviou seus mensageiros por todos os cantos. 

 "Shukran" (Obrigado), diziam eles ao interrogar os mercadores ricos, mas estes reclamavam dos impostos. Procuraram os generais vitoriosos, mas estes temiam as conspirações. Procuraram os poetas famosos, mas estes sofriam por amores não correspondidos. Ninguém era plenamente feliz.

 Certo dia, um dos mensageiros passava por uma colina árida quando ouviu uma risada cristalina e uma canção de louvor que subia aos céus. Era um humilde pastor de cabras, sentado à sombra de uma tamareira.

 — "Sabah al-Khair" (Bom dia), saudou o mensageiro. "Diga-me, bom homem, você é feliz?"

 O pastor sorriu, e sua alegria era como o sol do meio-dia. 

 — "Alhamdulillah" (Louvado seja Deus), respondeu ele. "Tenho o ar para respirar, o leite das minhas cabras e a paz de quem nada deve a ninguém.

Sou o homem mais feliz que caminha sobre a areia!"

 O mensageiro, exultante, gritou: 

 — "Rápido! O Sultão precisa da sua camisa! Daremos a você uma bolsa de ouro em troca!"

 O pastor começou a rir ainda mais alto, uma risada que ecoava pelas rochas. Ele abriu seu manto surrado e, para o espanto do mensageiro, por baixo dele não havia nada. O homem mais feliz do reino era tão pobre que sequer possuía uma camisa.

 Ao receber a notícia, o Sultão Harun finalmente compreendeu. A felicidade não era algo que se pudesse vestir ou comprar; ela não estava nas sedas, mas na ausência de desejos desnecessários. 

 Ele distribuiu parte de sua riqueza aos necessitados e, pela primeira vez em anos, sorriu de verdade.

 "Inshallah" (Se Deus quiser), todos nós entenderemos que a camisa da felicidade é feita de gratidão, não de fios de ouro. Obrigado por me acompanharem em mais esta jornada. “As-salaam'aleikum” (Que a paz de Deus esteja com vocês).




(DE JOSÉ FELDMAN, "ECOS DO DESERTO" HISTÓRIAS DO ORIENTE ANTIGO)


A CHUVA - JOAQUIM RODRIGUES DE NOVAIS

 




 

A CHUVA

Joaquim Rodrigues de Novais

 

A chuva é o maná do Sertão,

o sertanejo sempre ora para que a chuva não demore.

Pede a Deus sua benção.

Com fé e oração,

com suas mãos calejadas da dureza da enxada

que arrasta nesse chão.

Que Deus abençoe esse povo,

não só os do nosso Sertão,

mas todos aqueles que produzem

para alimentar essa grande Nação.


 

SOBRE O AUTOR:

 

JOAQUIM RODRIGUES DE NOVAIS nasceu em 11/04/52, no município de Ipupiara, Bahia.  Filho de Marcionilia Pereira de Novais e Manuel Pereira de Novais. Em 1971 transferiu-se para São Paulo, onde trabalhou em algumas empresas, entre as quais, Auto Ônibus Alto do Pari, Metalúrgica Silvone, por duas vezes, situada na rua Curuçá, Vila Maria. Trabalhou também na Blindex, Parque Novo Mundo, quando conheceu sua futura esposa, Cleide Oliveira de Novais, nascida em 26/04/1959, no bairro da Penha, em São Paulo. Casaram-se em 26/11/77, no cartório de Tucuruvi, São Paulo. Moradores da rua Padre Sabóia de Medeiros, nº 1467, bairro Vista Alegre, SP. Em 1981 resolveram voltar à Ipupiara, a fim de comprar roça e terrenos nos quais foi criado trabalhando com sua mãe, dona Marcionilia Pereira de Novais e os avós. Hoje, são pais de 7 filhos e 13 netos.

Outra vez, voltaram para São Paulo em 1985, tendo trabalhado na Indústria de Papel e Papelão, São Roberto S.A. na Vila Maria Baixa.  Vieram para ficar em Ipupiara, definitivamente em 1990. Foi agricultor por muitos anos, hoje está aposentado, mas continua trabalhando na lavoura. Gosta de ler e escrever poemas nas horas vagas. Fez curso no INSTITUTO DE CORRESPONDÊNCIA INTERNACIONAL, em1985, sobre PONTOS SALIENTES DA VIDA DE CRISTO. Frequentou o COLÉGIO DEMOCRÁTICO ESTADUAL CASTRO ALVES, no Ensino Médio, em Ipupiara, Bahia. Fez também cursos na área da computação, como Digitação, IPD, Windows, Introdução à Internet, entre outros, ministrados pelo PRONAC0 – Programa Nacional de Computação, em 2008.

Ecologista, agricultor, defensor da natureza, aprecia paisagens, pássaros, flores e escreve versos nas horas vagas.

Administra o Blog Poético do Joaquim Novais, na Internet e é colaborador do Blog Literário do Filemon.

 


quarta-feira, 17 de junho de 2026

GLORIOSA - DJALMA ANDRADE

 





GLORIOSA
Djalma Andrade (1892-1975)


Há mulheres que vencem pela graça,
Vencem, dominam de uma tal maneira,
Que o coração viril, por mais que faça,
Nunca mais tem a liberdade inteira.

Em outras, a ternura nos enlaça,
Uma ternura doce e verdadeira:
São corações de arminho, almas sem jaça,
De sombra acolhedora e hospitaleira.

Eu sei que as há, bem vejo claro, e exulto,
Mas não me ofusca a forte claridade,
Mas não lhes rendo meu fervor, meu culto.

Pois nenhuma, por certo, se avizinha,
Na graça, na ternura, na bondade,
Daquela que nasceu para ser minha!



(Fonte: FALANDO DE TROVA)

UTOPIA - FILEMON MARTINS

 


                                   (FOTO DE GASPARINO MARTINS, IPUPIARA, BAHIA)



UTOPIA
Filemon Martins

Uma ternura infinda estou sentindo
já no ocaso do meu viver tristonho.
Meu coração se abriu, feliz, sorrindo,
pois a Esperança renasceu num sonho.

Meu desejo é cantar um hino lindo
para falar de paz tudo transponho,
que toda Humanidade siga ouvindo
os acordes do amor que já componho.

Eu quero ver o povo trabalhando,
construindo, vivendo e se educando
para que todos sejam mais felizes.

Que os políticos sejam mais honestos
e possam nas ações e nos seus gestos
construir um País livre das crises!

terça-feira, 16 de junho de 2026

BOLSA FAMÍLIA E OUTROS AUXÍLIOS DO GOVERNO - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

BOLSA FAMÍLIA

E OUTROS AUXÍLIOS DO GOVERNO

 

ATUALMENTE O BOLSA FAMÍLIA É O AUXÍLIO MAIS BADALADO.

O PROGRAMA DE AJUDA NÃO QUEBRA NEM LIBERTA DA MISÉRIA.

TEM DADO M UITO O QUE FALAR NOS GRUPOS PRÓS E CONTRA.

 

 

     Nesta semana achamos por bem falar um pouco sobre programas assistenciais do governo. A maior parte dos programas está atrelado ao CADÚNICO - Cadastro Único. Os programas estão ligados e a inscrição é controlada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

       Os projetos e programas de assistencialismo instituídos pelo governo são muitos. Os beneficiários não são apenas pessoas carentes, humildes e mais simples que vemos espalhados por este nosso vasto país. Há programas que beneficiam estudantes universitários, programas que beneficiam os que querem comprar um imóvel - uma casa ou apartamento, pessoas e classes de trabalhadores que dependem e precisam de um automóvel para ganhar o sustento para a família, programas que beneficiam pequenos e médios produtores rurais, e assim por diante. Tudo isso foi aprovado pelos deputados e senadores há vários anos.

      O Bolsa Família é o auxílio mais falado. Sabemos que muita gente depende desse programa. Acontece que neste ano de 2026 teremos eleições para renovar os chefes dos poderes executivos e todos os componentes das Câmaras Legislativas. O programa chamado Bolsa Família não é coisa nova. Não é invenção recente do Presidente Lula. Inicialmente foi criado em 2003 e em 2004 foi transformado em lei.

      Ninguém pode negar que muita gente precisa do auxílio para sobreviver. Mas conforme diz a oposição, existe o outro lado, pois há muita gente recebendo esse auxílio e se acostumou com isso. Muitos não querem um emprego formal, com carteira profissional assinada. Não querem assumir responsabilidade. E tem mesmo, muita gente que recebe o dinheiro e vai tomar pinga e uma cervejinha. É claro, todo mundo sabe que os políticos da base governista utilizam o Bolsa Família como trunfo político-eleitoreiro.

  O próximo Presidente da República, qualquer que seja ele, não vai acabar com o Bolsa Família. Mas, aqui entre nós, será necessário passar um “pente fino” nesse benefício. Há pessoas que recebem, mas podem se movimentar, precisam sair, procurar um emprego e trabalhar. É trabalhando que se consegue um ganho muito maior do que o Bolsa Família. Para pagar essa Bolsa o governo tira de quem trabalha e dá para uma parte que pode trabalhar, mas não quer trabalhar. Isso não é justo.

        Comentaristas e políticos da oposição dizem que o programa está servindo para criar grupos de pessoas ociosas, as que não querem trabalhar. Essa ajuda do governo beneficia muitos que realmente precisam da ajuda, mas beneficiam outros que não precisam, pois podem e devem trabalhar, mas não querem saber de serviço. A ajuda do governo é boa, mas conforme dizem os especialistas no assunto, não rompe, não quebra a cadeia da miséria no Brasil.

     Temos que o trabalho dignifica e foi instituído por Deus, o criador. Poder trabalhar e trabalhar (não ser preguiçoso) é uma bênção. O trabalho não é um castigo, como algumas pessoas pensam. A Bíblia, no livro dos Provérbios no capítulo 16 e versículo 3 temos a seguinte ordem:  Confia ao Senhor as tuas obras (o teu trabalho) e assim os teus desígnios (os teus planos e projetos) serão estabelecidos.

 



Saul Ribeiro dos Santos

Contador e Economista aposentado.

Natural de Ipupiara - BA.

📧 saul.ribeiro1945@gmail.com

 

 

 

           


domingo, 14 de junho de 2026

TROVAS DO FILEMON


 



TROVAS DO FILEMON

 

Quanta gente não percebe

e a vida acaba em transtorno:

o que se faz se recebe,

é a sábia Lei do retorno.

 

"Não há vaga¨. Está escrito

naquele grande portão.

E o trabalhador, aflito,

não tem arroz nem feijão.


Na subida, companheiro,

observe esta lição:

quanto mais cresce o coqueiro,

mais longe fica do chão.


Ouço o marulhar das águas

varrendo a areia da praia,

só não varre aquelas mágoas

que em meu viver fez tocaia.

TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

 




TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

(Ipupiara, 04/11/1923-Salvador,27/11/2011)



Nós colhemos, de verdade,

ricas lições, lá na roça:

que largueza de bondade

na humildade da palhoça!



De quatro linhas me valho

para dizer a quem lida:

é do vinho do trabalho

que aparece o pão da vida.



Não pode ser... Então veja:

se você prega e não ora,

vive dentro de uma igreja,

mas, do Evangelho, está fora...



Tenha certeza que a aurora

brilha mais que um paraíso,

se num rosto triste agora

brilhar o sol do sorriso.



(Carta do poeta, oriunda de Xique-Xique, Bahia, de 15/01/1981)

NÃO SEI - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 




NÃO SEI

Mário Barreto França

 

Não sei se já sentiste em tua vida

Uma funda tristeza sem razão,

E uma vontade louca e incompreendida

De magoares o próprio coração;

 

Não sei se já ficaste arrependida

Por cometeres uma ingratidão,

Sem, contudo, te veres impelida

A pedir o conforto de um perdão;

 

Não sei se já, propositadamente,

Tu feriste o amor-próprio dessa gente

Que queres ver, no entanto, no esplendor;

 

Se isto se passa na tua alma, escuta:

É que travas contigo a íntima luta

Dos contrastes incógnitos do amor.

 

(Do livro "De Joelhos")

A ROÇA - RITA ROCHA

 





A ROÇA

Rita Rocha

 

 

O brilho do sol na alvorada

trazendo o dia a nascer...

e o canto da passarada

alegrando o amanhecer...


O sol vai iluminando a mata

o campo e a estrada...

a faina começa na roça

bem cedo, de madrugada...


É o trato com a boiada...

outra vida, que vai nascer...

a luta é sempre apressada

nada se pode perder...


A cada minuto que passa

mais atividades vencer...

só quem luta numa roça

consegue...a tudo entender !

 

(FONTE AVBAP)