segunda-feira, 8 de junho de 2026

CONTRASTE - PADRE ANTÔNIO THOMÁZ

 




CONTRASTE

PADRE ANTÔNIO THOMÁZ - Ceará (1868-1941)

 
Quando partimos, no verdor dos anos,
da vida pela estrada florescente,
as esperanças vão conosco à frente,
e vão ficando atrás os desenganos.

 
Rindo e cantando, céleres e ufanos,
vamos marchando descuidosamente...
Eis que chega a velhice, de repente,
desfazendo ilusões, matando enganos.

 
Então, nós enxergamos, claramente,
como a existência é rápida e falaz,
e vemos que sucede exatamente

 
o contrário dos tempos de rapaz:
- Os desenganos vão conosco à frente
e as esperanças vão ficando atrás!

BERÇO - B. LOPES

 




BERÇO

B. Lopes


Recordo: um lago verde e uma igrejinha,

um sino, um rio, um pontilhão e um carro

de três juntas bovinas que ia e vinha

rinchando alegre, carregando barro.


Havia a escola, que era azul, e tinha

um mestre mau, de assustador pigarro...

(Meu Deus! que é isto, que emoção a minha

quando estas coisas tão singelas narro?)


Seu Alexandre, um bom velhinho rico

que hospedava a Princesa; o tico-tico

que me acordava de manhã, e a serra...


Com seu nome de amor Boa-Esperança,

Eis tudo quanto guardo na lembrança

da minha pobre e pequenina terra!


(LIVRO "COMPOSIÇÕES ESCOLARES", PÁGINA 15)

domingo, 7 de junho de 2026

LINDO QUINTAL - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES

 




 

LINDO QUINTAL
Dedicado a obra do TÚLIO PIVA

Antônio Carlos Côrtes *


Do alto de minha torre
Vejo quintal do vizinho
Galinheiro cantador
Curte o ninho
Cão cor de veludo preto, late forte
Peludo gato, sai de mansinho
Outono várias bergamotas
De doce sabor
Colorem o pátio verde-amarelo
Afinal viva a Camisa Canarinho
Chão batido marrom


Capital com ar cidade do interior
Sereno solta  gotas
Que lembram lágrimas do criador
Drenando terreno em vários tons
A  natureza é um amor
Sabiás, andorinhas no pomar
Catam no solo, bicando
Frutas caídas, gorjeio
Com som de sinfonia
Sem floreio
Sonatas ao luar
Afinal é lua cheia
Pandeiro de prata no ar.

 



*DA ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS


sábado, 6 de junho de 2026

JUNHO - MÊS DOS NAMORADOS - FILEMON MARTINS

 




JUNHO – MÊS DOS NAMORADOS
               (versos sem métrica)
            Filemon Martins



O mês de junho, senhores,
é o mês de muitos amores
tem minha predileção,
tem festa de padroeiro
Santo Antonio casamenteiro,
São Pedro e São João.

No Dia dos Namorados
têm casais apaixonados
e aos beijos de montão.
Têm amores escondidos,
têm amores coloridos
curtindo o amor e a paixão.

Têm festas e têm folguedos,
têm corações em segredos,
tem pipoca e tem quentão.
Rapazes bailam contentes,
moças dançam envolventes
abraçadas no salão.

A noite fica pequena
quando rebola a morena
atiçando os corações.
Todos a querem na dança
e a morena já se lança
no meio dos rufiões.

Há trocas de muitas juras,
casais que sonham venturas
que a vida promete dar.
E vão assim se beijando
pela vida vão-se amando,
felicidade... é amar...

DISCURSO DO POLÍTICO - RENATO DINIZ SANTOS

 




DISCURSO DO POLÍTICO
Renato Diniz Santos



Escutei o discurso do político, uma peça oratória das mais brilhantes... E ficou infinita hora no palanque, fazendo pomposas frases de literatura, criando imagens de efeito, mostrando entusiasmo falando de obras, obras que ninguém nunca viu... Falou em acabar com a fome, fez mais promessas: Trabalho ao desempregado. Saúde ao doente. Casa ao desabrigado. Escolas ao analfabeto. Hospitais aos doentes. Segurança ao cidadão. E obras faraônicas de primeiro mundo!!! E os do seu séquito, os do mesmo partido, aplaudiam e faziam grandes elogios... Ali estava um estadista. Um amigo do povo. Um administrador honesto!!! E achavam que tudo estava perfeito... Vivi para ver o resultado: Vi alastrar a miséria. Vi o povo nas filas de emprego. Vi o doente morrer no corredor do hospital sem ser atendido. Vi famintos habitar debaixo da ponte. Vi a ignorância grassar. Vi a criança abandonada... E então pensei: Quão tristemente o povo é enganado por eternas e falsas promessas daqueles políticos sem alma!



(Extraído do LITERARTE/SP)

BUSCA - FILEMON MARTINS

 




BUSCA 

Filemon Martins

 

Quando a noite chegou apresentando a lua, 
uma brisa soprou trazendo o teu perfume, 
meu coração buscou, feliz, a imagem tua, 
mas não estavas lá, daí o meu queixume.
 

E desde então, a vida triste continua 
à procura de luz, buscando novo lume 
que possa conduzir a nau que já flutua 
no tenebroso mar que a vida se resume.
 

Eu já perdi o rumo e não sou mais criança 
para viver submisso em troca da esperança 
de te reencontrar, quem sabe, qualquer hora.
 

Tarde demais. O tempo passa cruelmente 
matando a vida, o amor, a paz, deixando a gente 
nesse vazio pesado e triste que apavora! 

JOGRAL AO BRASIL - ESTER RIBEIRO

 



JOGRAL AO BRASIL

ESTER RIBEIRO


Perguntei ao céu querido,

Por que é todo cor de anil.

Ele respondeu, sorrindo:

Eu sou o céu do Brasil!


Ao sol perguntei então,

A causa de tanta luz.

Sou a glorificação

De Cristo e sua cruz.


Perguntei então à lua

Por que noites de luar?

É para enfeitar a tua,

Pátria Brasil à beira-mar.


Interroguei às claras fontes:

Por que correis sem parar?

Nós brotamos destes montes,

Para a terra fomentar.


Disse então eu à floresta:

Por que estais a cantar?

Entoamos melodias suaves

Para teu Brasil saudar.


Céu e sol, luar e cantos

Matagais, nascentes mil,

Cheia de muitos encantos,

A querida Pátria, o Brasil!



(LIVRO "POEMAS E MENSAGENS EVANGÉLICAS".)

quinta-feira, 4 de junho de 2026

A CARTA - FILEMON MARTINS

 




A CARTA

(Lendo o Soneto A Carta Interrompida,

de COLOMBINA – 1882-1963)

Filemon Martins


 

A carta interrompi. Ninguém resiste

que tanto amor acabe desprezado.

Meu mundo colorido ficou triste,

quando escrevi: está tudo acabado.

 

O trauma deste amor inda persiste,

- por que viver assim amargurado?

A minha mão se agita e ainda insiste

em terminar o show já começado...

 

Basta postar a carta já escrita,

tudo acabou, a vida é só desdita,

vou aprender viver no meu limite...

 

No envelope lacrado – quanto medo,

o correio há de levar o meu segredo,

mas o meu coração já não permite!

SONETO DE MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 



SONETO DE MÁRIO RIBEIRO MARTINS 

(IN MEMORIAM)

 

Tu queres meu prezado e grande amigo

Vencer o mal com fé, sinceridade?

- Aceita Cristo como teu abrigo

E assim terás a força de vontade.

 

Deixa Cristo viver sempre contigo

Não te deixes levar pela vaidade,

Medita nas palavras que te digo

E viverás em paz, serenidade.

 

Não te esqueças que és um pecador

E precisas saber desta verdade,

Mas sobretudo o auxílio do Senhor.

 

Que tu sejas um grande vencedor

Por meio de Jesus o salvador

Aquele que te dá a eternidade!

AMOR E SAUDADE - FILEMON MARTINS

 

                                      (JARDIM DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)



AMOR E SAUDADE
Filemon Martins



Vou prosseguindo pelo meu caminho
em busca do meu sonho mais dileto:
- cantar feliz e amar qual passarinho,
que no seu ninho sente-se completo.


Correr ao vento, roupa em desalinho,
plantando amor e paz no meu trajeto,
quero encontrar um pouco de carinho
que me dê paz no mundo sem afeto.


Vejo, porém, que continuo o mesmo,
descrente, sem amor, vagando a esmo
sem encontrar a tal felicidade.


E os sonhos que sonhei em minha vida
vão acenando em triste despedida
cravando, no meu peito, esta saudade.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

SAUDADE - c.a. Beiral

 



SAUDADE
                   c.a.Beiral * (poeta carioca)

Dos sentimentos mais cantados, creio
seja a saudade o tema preferido,
e quanto mais a seu respeito eu leio,
menos me considero esclarecido.

Emoção rediviva, sem que o meio
se justifique pelo pretendido,
eu quero crer, e digo sem receio,
que nem me consolar tem conseguido!

Tem mais de sádica que de indulgente,
porque não deixa adormecer na gente,
o que esquecer seria um grande bem...

Mas como pode ter definição,
quando está tão acima da razão,
se não diz quando vai nem quando vem?

*Custódio de Azevedo Beiral

(Do livro “PENÚLTIMAS CANTIGAS”, página 38)

TROVAS DE SAUDADE

 




TROVAS DE SAUDADE
 

Saudade – espelho encantado
que mostra, aos olhos da gente,
toda a imagem do Passado
revivendo no Presente...
P. de Petrus

À saudade dei o braço,
do sonho me fiz amigo,
pois graças a eles eu passo
dias e noites contigo...
José Nogueira da Costa

A solidão me maltrata
e, a brilhar com intensidade,
a lua é um punhal de prata
que me mata de saudade...
Maria Tereza G. Noronha

A saudade, quando ocorre,
sempre causa tanta dor!
Saudade – mal de que morre
quem já morria de amor!
Walter Waeny


(MIL TROVAS DE AMOR E SAUDADE)

SALVE, CASTRO ALVES! - CARLOS RIBEIRO ROCHA

 




SALVE, CASTRO ALVES!
Carlos Ribeiro Rocha (IN MEMORIAM)


Vivendo, embora, a fase Romantismo,
fluía seu civismo com fulgor,
e assim, o moço fez Condoreirismo,
sendo, ele próprio, o fúlgido Condor.

Amando a liberdade com fervor,
e a pulsar em seu peito o patriotismo,
parlamentou, bradou com destemor,
contra aquela vergonha do Escravismo.

Merece não um só, diversos salves,
pelo seu estro e nobres atitudes,
o imortal condoreiro CASTRO ALVES.

Namorante do mar e das amantes,
no mais pleno vigor da juventude
nos legou as “ESPUMAS FLUTUANTES”.


(LIVRO COROA DE SONETOS, PÁGINA 28)