BLOG LITERÁRIO DO FILEMON
sábado, 1 de agosto de 2026
TROVAS BRASILEIRAS
UM DOMINGO DE SOL -- FILEMON MARTINS
(FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM-SP)
SONETO LXIV - CLÁUDIO MANOEL DA COSTA
(FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM)
SONETO LXIV
Cláudio Manoel da Costa
Que tarde nasce o Sol, que vagaroso!
Parece que se cansa de que a um triste
Haja de aparecer: quanto resiste
A seu raio este sítio tenebroso!
Não pode ser que o giro luminoso
Tanto tempo detenha: se persiste
Acaso o meu delírio! se me assiste
Ainda aquele humor tão venenoso!
Aquela porta ali se está cerrando;
Dela sai o Pastor: outro assobia,
E o gado para o monte vai chamando.
Ora não há mais louca fantasia!
Mas quem anda, como eu, assim penando,
Não sabe quando é noite, ou quando é dia.
(LIVRO "GRANDES SONETOS DA NOSSA LÍNGUA", PÁGINA 71)
sexta-feira, 31 de julho de 2026
O VOO DA GANÂNCIA E O TAPETE DE VENTO - JOSÉ FELDMAN
O
Voo da Ganância e o Tapete de Vento
Acomodem-se, ó ilustres ouvintes,
e que o brilho desta fogueira ilumine não apenas vossos rostos, mas também
vossos corações. Eu, Mustafá, o Peregrino, caminhei por terras onde o sol nasce
em tons de açafrão e se põe em mantos de púrpura. Trago comigo uma história que
colhi nas areias de um oásis esquecido, uma crônica de astúcia e de perda.
Havia, em uma cidade de torres
cor de marfim, um mercador chamado Mansur. Ele era um homem de muita riqueza,
mas de pouca satisfação. Mansur possuía o tesouro mais cobiçado de todo o Sharq
(Oriente): um tapete tecido com fios de seda colhidos das nuvens e tingidos com
o azul do firmamento. Não era um objeto comum; era um tapete voador, capaz de
cruzar os sete climas num piscar de olhos.
Mansur guardava o tapete em um
baú de ébano com sete cadeados. Porém, a notícia de tal maravilha chegou aos
ouvidos de um ladrão astuto chamado Salim. Salim não desejava o tapete para ver
as maravilhas da criação de Allah (Deus), mas para ostentar um poder que não
lhe pertencia.
Numa noite sem lua, Salim
infiltrou-se na mansão. Usando um óleo especial para silenciar as dobradiças,
ele abriu o baú. Ao tocar a seda mágica, sentiu um calor vibrante. Ele estendeu
o tapete no balcão e sussurrou as palavras de comando. O tapete subiu aos céus,
carregando o ladrão para além das muralhas.
Salim ria, sentindo-se um rei
acima dos mortais. Ele ordenou que o tapete o levasse para uma ilha de
tesouros. Mas o tapete, dotado de uma centelha de espírito, sentia que as mãos
que o guiavam estavam sujas de desonestidade. A seda começou a desbotar, e o
voo, antes suave como uma brisa, tornou-se errante como uma tempestade.
No meio do oceano, o tapete
começou a se desfiar. Cada fio roubado voltava ao céu de onde viera. Salim, em
seu desespero, tentou segurar as pontas, mas quanto mais apertava, mais o
tapete sumia. Ele caiu nas águas profundas, restando-lhe apenas um pedaço de
pano comum nas mãos. Ele sobreviveu, mas como um simples náufrago, perdendo
tudo o que tinha, inclusive sua dignidade.
O mercador Mansur, ao acordar,
não chorou. Ele olhou para o céu e disse:
— “O que veio do vento, ao vento
voltou”.
Mustafá fez uma pausa, ajustando
seu manto, e olhou seriamente para o Sheik e seus súditos antes de proferir as
palavras finais:
Escutai com vossas orelhas e
guardai no fundo do coração, ó nobres filhos de Bagdá, pois o vento que carrega
o tapete é o mesmo que espalha as cinzas do orgulhoso.
A lição desta história, ó Sheik,
é que o roubo é uma carga pesada demais para as asas da liberdade. Salim
acreditou que, ao possuir o (tapete), possuiria o céu, mas esqueceu-se de que a
verdadeira ascensão exige pureza.
Aquele que busca subir na vida pisando nos direitos alheios ou roubando o fruto do trabalho de outrem, descobrirá que o topo é um lugar solitário e frágil. A ganância é uma ilusão que nos faz sentir gigantes enquanto caímos no abismo. O tapete não era movido por palavras mágicas, mas pela sintonia entre a obra e a intenção de quem a usa. Quem sobe por meios ilícitos sempre encontrará o chão, pois a justiça de Alá é como a gravidade: ela não permite que o injusto voe por muito tempo sem que a verdade o puxe de volta à terra.
(FONTE: "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)
NOSSO ELNIÑO - FILEMON MARTINS
NOSSO EL NIÑO
Filemon Martins
O El Niño não perdoa.
Provoca a seca,
provoca o excesso de chuvas
e deixa lágrimas
nos olhos dos brasileiros.
Mas há outros problemas seculares:
analfabetismo, desemprego,
sem saúde, sem teto, sem terra,
sem segurança, sem esperança
e sem patrimônio.
Em contrapartida, temos:
corrupção, fraudes, escândalos,
desvio de verbas, apropriação indébita.
É tanto dinheiro que não cabe nos bancos.
Carrega-se no bolso do paletó, nas meias, nas cuecas e nos sapatos.
As promessas demagógicas
da propaganda oficial
não saciam a fome
não obstante o Fome Zero,
o Auxílio Emergencial
nem diminuem os problemas
de milhões de brasileiros.
São brasileiros excluídos,
massacrados e oprimidos
pela política antissocial
dos prepotentes e poderosos.
São cidadãos brasileiros
vivendo na miséria do outro Brasil.
... E muita gente não consegue perceber isto!
CAMINHADA - FILEMON MARTINS
CAMINHADA
Filemon Martins
A caminhada é longa, nós sabemos
que é difícil vencer este caminho,
mas a fé nos ajuda, assim nós cremos,
melhor lutar do que ceder ao espinho.
Contornar o perigo é o que queremos,
porque o mundo se mostra tão mesquinho
que às vezes é preciso que busquemos
um punhado de amor e de carinho.
E enquanto a vida nos disser prossiga,
buscaremos obter na fé amiga
os pomos que a vitória nos conduz.
Almas gêmeas seremos pela vida,
unidas pelo amor – missão cumprida
para o destino que nos leva à Luz!
quinta-feira, 30 de julho de 2026
TROVAS DE AMOR
(FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM-SP)
TROVAS DE SAUDADE
(FOTO DE MAISE J.MARTINS, EM ITANHAÉM, SP)
O LIVRO E A AMÉRICA - CASTRO ALVES
É chuva – que faz o mar.
CONSTATAÇÃO - FILEMON MARTINS
Ontem, por ingenuidade ou credulidade
eu não sabia,
mas hoje eu sei:
tudo o que ele disse
não passou de enganação.
Com frases feitas,
palavras escolhidas iludiu o povo,
que hoje sofre as consequências de sua escolha.
muitos ainda não perceberam
o engodo, a embromação
e continuam a aceitar, passivamente,
a multiplicação das falcatruas,
do enriquecimento ilícito,
da propaganda enganosa,
dos desmandos,
das mentiras, da dissimulação
e da manipulação das massas.
Acorda, Brasil!
quarta-feira, 29 de julho de 2026
TROVAS BRASILEIRAS
TROVAS BRASILEIRAS
REMINISCÊNCIA - FILEMON MARTINS
(FOTO DE SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)
TROVAS BRASILEIRAS
(FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM)
TROVAS BRASILEIRAS
Como ilude a aparência...
Santo homem, bom cristão;
era a virtude, a decência,
por dentro - que podridão!
JESSÉ DO NASCIMENTO
Bendito quem no caminho
plantando amor entre irmãos
tem mãos que se fazem ninho
para aquecer outras mãos!
PEDRO ORNELLAS
Rejeito fraude e sofisma,
que a virtude é o meu condão.
Minha alma transpira o crisma
da inocência e do perdão.
HUMBERTO DEL MAESTRO
Mesmo pisando nos cardos
meus rastros serão pepitas,
pois, as lágrimas dos bardos
tornam-se trovas bonitas.
CARLOS RIBEIRO ROCHA


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