quinta-feira, 15 de outubro de 2026

OS DOIS LOBOS

 




 

Os Dois Lobos

 

Um neto chegou até o avô com o coração apertado de raiva — um amigo havia lhe feito uma injustiça, e a mágoa ainda queimava por dentro. O avô o olhou com calma, reconhecendo naquele rosto a tempestade que ele mesmo já havia enfrentado tantas vezes, e disse:

— Deixa eu te contar uma coisa que aprendi do jeito mais difícil.

O neto se aproximou.

— Já senti ódio. Ódio de verdade, daquele que pesa no peito e não deixa dormir — de pessoas que me feriram fundo e nunca pediram desculpa, como se o que fizeram não tivesse custado nada. Mas aprendi, com o tempo, que o ódio não fere quem te feriu. Ele só te corrói por dentro. É como tomar veneno esperando que o outro morra.

O avô fez uma pausa, como quem escolhe bem as palavras que vêm a seguir.

— É como se houvesse dois lobos vivendo dentro de mim. O primeiro é sereno. Não fere à toa, não guarda rancor, não se ofende por descuido alheio. Vive em paz com o mundo ao redor — mas não por fraqueza. Quando é preciso lutar, ele luta. Com clareza, com propósito, no momento certo.

— E o outro? — perguntou o neto.

— O outro é feito de fogo. Qualquer coisa o detona: uma palavra, um olhar, um silêncio. Ele briga com todos, o tempo todo, sem parar para perguntar se vale a pena. A raiva o cega antes mesmo que possa pensar. E o pior: toda aquela energia, todo aquele fogo — não muda nada. Não desfaz o que foi feito, não alivia a dor, não toca quem te magoou. Apenas te consome.

O avô olhou para o neto com uma expressão que misturava cansaço e paz — a expressão de quem já perdeu batalhas internas e aprendeu com elas.

— Conviver com os dois é difícil. Eles não descansam. E os dois são reais — não adianta fingir que o lobo da raiva não existe. Ele existe, e às vezes late alto.

O neto fitou os olhos do avô por um longo momento e perguntou:

— Qual deles vence, vovô?

O avô sorriu — devagar, como quem carrega uma verdade simples que demorou uma vida inteira para entender — e respondeu em voz baixa:

— Aquele que eu alimento.

 

Não se trata de negar a raiva — ela é humana, e às vezes até necessária. Trata-se de não deixá-la sentar à mesa todo dia. Cada escolha que fazemos, cada pensamento em que nos demoramos, cada ressentimento que cultivamos ou deixamos passar — tudo isso é alimento. 

E não tem jeito: o lobo que cresce é sempre aquele que alimentamos. 

A batalha mais silenciosa e mais decisiva da vida não acontece lá fora. Acontece dentro.

 

 

“Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito e o Espírito o que é contrário à carne. Eles se opõem um ao outro, para que vocês não façam o que querem.” — Gálatas 5:16-17

 

“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas deixem-se transformar pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” — Romanos

12:2

 

“Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas.” — Colossenses 3:2




(E-BOOK - "HISTÓRIAS PARA GUARDAR DO ESQUECIMENTO", ORG. SAMMIS REACHERS)

 

 

 

 

 

 


quarta-feira, 14 de outubro de 2026

2º TURNO DAS ELEIÇÕES - FILEMON MARTINS

 




              2º TURNO DAS ELEIÇÕES

 

          Em sã consciência, eu jamais poderia imaginar que alguém condenado pela Justiça Federal a 9 anos por corrupção e improbidade administrativa, com sentença confirmada e aumentada para 12 anos e um mês pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, que engloba os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, tivesse tanto prestígio entre alguns brasileiros, especialmente para comandar o Brasil.

          É sabido que o país está dominado por facções criminosas, roubos, violência, crimes e golpes de todas as formas, mas, esperava-se uma reação enérgica do governo atual, que, ao contrário, passa a mão na cabeça de bandidos, como se fossem de estimação.

          Pois é, já ficou sobejamente conhecido que Lula, “nada possui”, tudo o que ele usa é de algum amigo rico e muito magnânimo, que o empresta. Em tese, é isso que ele vem afirmando há tempos.

          Em época passada, eu imaginava que Paulo Maluf, político de São Paulo, condenado por improbidade administrativa, era imbatível em tramoias. Hoje, conhecendo as artimanhas de Lula no trato dos recursos públicos, Maluf virou fichinha.

          Para quem não sabe, posso escrever de cabeça erguida, porque fui eleitor de Lula, quando era aspirante à Presidência da República. Cheguei a engajar na campanha política de Lula e escrevi textos e trovas, como essa: “Ao som das ondas do mar, com trabalho e competência, o Brasil quer prosperar com Lula na Presidência”!

          Mas, quando o homem chegou lá, percebi o engano. Primeiro, na Reforma da Previdência, li nos jornais que o presidente havia nomeado um Conselho com 12 pessoas para estudar a Reforma. Até aí tudo certo, mas entre as 12 estavam os maiores devedores do INSS. Não pode ser (pensei) e fui averiguar. Era verdade. A partir daí, Lula nunca mais me enganou.

          Estamos próximos do 2º turno das eleições. Lula já mobilizou os seus soldados nas redes sociais. Nas ruas, as facções também foram liberadas e estão à espreita. Daí, a importância do voto consciente. É hora de aposentar o Lula e sua equipe. Vamos colaborar com esta gentileza para o bem do Brasil, que é um grande país, habitado, em sua maioria por pessoas honestas, trabalhadoras, humildes e boas.

          O Brasil, apesar de tantos descalabros e com a economia quebrada, certamente sobreviverá, porque o bem há de vencer o mal, que já durou demais.

 

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia

 

 


terça-feira, 13 de outubro de 2026

REALIDADE BRASILEIRA - FILEMON MARTINS

 




         REALIDADE BRASILEIRA

 

 

          O Brasil está mergulhado numa crise política, econômica e moral sem precedentes, com denúncias de corrupção nos escalões federais, que se espalham pelos estados e municípios brasileiros.

          Apesar dos juramentos e dos discursos inflamados prometendo austeridade na administração do país, o que se constatou depois foi o esquecimento total das prioridades. Época de eleições tudo volta a ser prometido, o que não fez e mais alguma coisa para enganar o eleitor incauto e indefeso.

          Depois de eleitos, depois de assumirem o poder, tratam de esquecer tudo o que juraram que iam fazer. O fato é que com a política atual não se pode construir um Brasil justo e livre, no qual todos os cidadãos possam crescer, viver, trabalhar, estudar e orgulhar-se de sua Pátria.

          O combate às organizações criminosas, ao tráfico de drogas, ao comércio ilegal de armas deixou de existir ou não houve empenho do governo. Hoje, o que importa é arrecadar fundos, impostos, taxas, para perpetuar o partido no poder. Observa-se que o governo petista se organiza em duas frentes: uma é aparente e outra, real. A aparente é a que se vê na televisão, na propaganda oficial, com tudo bem arrumado, saúde, educação, transportes, estradas, segurança pública, agricultura, tudo funcionando perfeitos.

          A real, no entanto, mostra o oposto, indicando que por dentro dos órgãos responsáveis, há muita corrupção, compra de votos, tráfico de influência, favorecimentos, que são a ponta de um gigantesco “iceberg”, que o cidadão de bem desconhece.

          Daí que a mudança é necessária e irreversível. O brasileiro não aguenta mais tanta trapaça praticada por um grupo que envolve o Presidente da República, sem que ele saiba, como disse várias vezes, nos seus três mandatos. É hora de mudar. Não seja cúmplice da continuação deste jogo sujo. Seja consciente e dê um voto para aposentadoria do Lula. Enquanto Lula se aposenta, o Brasil renasce!

 


Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta.

 

     


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

CONTRADIÇÕES - FILEMON MARTINS

 




                     CONTRADIÇÕES

 

          Torna-se cada vez mais fácil entender por que os projetos do PT, ao longo de três mandatos de Lula e um de Dilma (2011 – 2016), nunca deram resultados positivos para o Brasil e o povo. Até no mandato de Dilma Rousseff no primeiro ano de governo, 7 ministros caíram, seis por corrupção.

          Nos mandatos de Lula, a lista é extensa e interminável: O Globo listou 13 escândalos, entre outros: Caso Waldomiro Diniz (2004); Mensalão (2005); Escândalo dos Aloprados (2006); Escândalo dos Cartões Corporativos (2008); Operação Satiagraha (2008); Operação Lava Jato e Petrolão (2014 em diante); Fraude do INSS (recente).

          Enfim, quem se der ao trabalho de ler, reler, acompanhar as pregações do PT, antes e depois de assumir o poder, ficará surpreso com os resultados. Durante muitos anos, Lula e o PT encarnaram os sonhos de trabalhadores brasileiros, sempre explorados e oprimidos por uma carga horária elevada de trabalho e baixos salários.

          Contudo, depois de três mandatos de Lula e um de Dilma Rousseff, também do PT, o que se vê é um indescritível sentimento de desesperança, provocado pelas decisões retrógradas do PT e seu líder maior, que não governa, mas comanda um mercado de trocas, como se o país fosse de Ali Babá e seus súditos.

          Pelo que se testemunha nas ruas, nas conversas, a mudança é irreversível. Confirmando essa tendência, em 2027 teremos nova economia, novas ideias, com um Congresso e Senado Federal mais atuante, mais representativo, e não omisso como tivemos até agora.

          Por tabela, o próprio STF terá que exercer sua função de proteger e defender a Constituição Brasileira, sob o olhar fiscalizador do novo Senado.

          Só nos resta esperar o dia 25 de outubro de 2026, quando o povo, através do voto, encerrará, de uma vez por todas, os desmandos e os conchavos da política recessiva do governo, que manteve arrocho salarial, carga tributária injusta e descomunal, desemprego, Imposto de Renda alto, taxação de inativos, para propiciar uma gastança desenfreada dos membros do governo petista.

 


 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS      


domingo, 11 de outubro de 2026

CENÁRIO POLÍTICO PÓS - 1º TURNO DAS ELEIÇÕES - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

CENÁRIO POLÍTICO PÓS - 1° TURNO DAS ELEIÇÕES

 

O cenário político é outro. As urnas mostraram um forte recado para o povo. O cenário político brasileiro saiu das urnas no final do último dia 4 bem diferente. Os números que saíram das urnas mostram mudanças.

     


 
 

O povo teve a liberdade de manifestar o que deseja para o Brasil. Percebemos que o povo deseja mudança no rumo da política. Durante o período da campanha eleitoral o Brasil mostrou um cenário de forte polarização na política.

No dia 4 foi realizada a votação e os números que saíram das urnas mostraram que é impressionante o crescimento da quantidade de brasileiros expressando por meio do voto o desejo de mudança dos rumos da política governamental. O candidato que for eleito terá que perceber esse desejo. O povo deseja mudança e muita seriedade no rumo da política.

 A partir de 2027 teremos um Congresso Nacional renovado. A maioria dos parlamentares serão de deputados e senadores da direita conservadora. O PL - Partido Liberal aumentou a sua participação entre os parlamentares. Em 2027 o partido terá 28 senadores e 121 deputados.

Os brasileiros querem sentir segurança nas ruas e nos estabelecimentos comerciais. O povo quer educação escolar de melhor qualidade para seus filhos, quer sentir melhora real no nível de empregos com carteira assinada, quer assistência médico-hospitalar de melhor qualidade. Todos percebem que o povo tem razão.

Todos percebem que a médio prazo o Brasil precisa realizar reformas em diversas áreas da administração para diminuir os gastos públicos.  Economistas falam, e o povo está sentindo no bolso, o peso da carga tributária. O Brasil tem a 2ª. maior carga de impostos do mundo. O povo não aguenta pagar tanto imposto.

      O desejo de mudanças está presente no mundo. É preciso considerar que estamos diante de forte onda de preferência por governantes da direita em todo o mundo. Aqui na América Latina, por meio do voto, muitos países expulsaram da política aqueles com tendência esquerdista. Argentina levou ao poder Javier Milei; Bolívia levou ao poder Rodrigo Paz; Chile levou ao poder Antônio Kast; Peru levou ao poder Keikoi Fujimori.

Para finalizar queremos deixar aqui uma sugestão, na verdade um pedido. Nos próximos quatro anos não esqueça como o político em quem você votou está se comportando, como está votando na Câmara leis que venham beneficiar o povo. Cuidado com deputados que aprovam assuntos para beneficiar eles mesmos.

 


Saul Ribeiro dos Santos

Cont. e economista aposentado

Natural de Ipupiara – BA.

saul.ribeiro1945@gmail.com

 

 


ASPECTOS DO 2º TURNO DAS ELEIÇÕES NO BRASIL - FILEMON MARTINS

 




 

ASPECTOS DO 2º TURNO DAS ELEIÇÕES NO BRASIL

 

 

          Nunca ouvi dizer nem li em nenhum compêndio de Psicologia ou de Psicanálise que a cor da pele, barba por fazer, cabelo curto, comprido, crespo, cacheado, liso pudesse interferir ou mudar o caráter de uma pessoa. Mas, afinal, o que significa caráter? É comum ouvirmos a expressão referindo-se a determinado político, que ele é mau caráter. Existe bom e mau caráter? No linguajar coloquial ou popular a gente diz: aquele sujeito é mau caráter, mas na verdade é justamente o que lhe falta: caráter.

          Aliás, o mundo está cheio de pessoas sem caráter. Pouco importa se alguém cursou faculdade, fez pós-graduação, é PhD ou tem doutorado em Educação, Filosofia, Psicologia, Política, Economia ou em qualquer outra área. Acredito que o caráter esteja ligado aos valores morais e éticos que nortearam a vida de uma pessoa. Sabe-se que alguns indivíduos reúnem muitos atributos: são instruídos, ricos e têm currículos admiráveis, mas lhes falta caráter e, muitas vezes, estão sempre inclinados à trapaça. Por outro lado, há pessoas formadas na lida com a enxada, a foice, o machado e o trabalho pesado, de sol a sol, para ganhar quase nada — e são justamente essas que demonstram verdadeiro caráter.

          Estamos vivenciando o 2º turno das eleições no Brasil. O que se lê, o que se propaga por aí, na imprensa, jornais, televisão e redes sociais é de estarrecer. São publicações nitidamente tendenciosas, indecentes, caluniosas, escritas e pagas ou patrocinadas por pessoas com objetivos escusos. Ou, quem sabe, escritas pela burrice natural.

          Pior, nosso Judiciário Brasileiro, antes defensor e guardião da Constituição Brasileira, está corrompido e infectado de tal maneira que não há segurança para o povo brasileiro. A corrupção no Brasil continua descaradamente subtraindo recursos da saúde, educação, pesquisas, saneamento básico, obras de utilidade pública e todos nós somos perdedores, embora nosso mandatário tenha afirmado com todas as letras que o Brasil vai bem, fechando empresas, fábricas, lojas, postos de trabalho, outras sob o controle do governo praticamente falidas.

          Os políticos que estão próximos ao dinheiro público quando são flagrados cometendo alguma fraude, logo contratam os melhores advogados e com o passar do tempo, apesar de todas as evidências e provas obtidas pela Polícia Federal nas investigações, como malas de dinheiro, dinheiro na cueca, no sapato, áudios e vídeos gravados, são absolvidos pelo Supremo Tribunal Federal, para espanto de uma sociedade refém de uma bandidagem, infiltrada em todos os níveis.

          A continuar assim, daqui a pouco, a sociedade será penalizada a pagar indenizações por ter acusado e processado este ou aquele político, notadamente corrupto, que roubou, desviou recursos públicos, graças ao poder econômico que possui, porque simplesmente foram absolvidos por ¨falta de provas¨.  

          Deste modo, cada dia que passa fica mais difícil encontrar pessoas com caráter dentro dos parâmetros de honestidade, sensatez, justiça e probidade administrativa, com a agravante de que nosso povo é constituído (maioria) por pessoas ingênuas, simplórias, que não conseguem perceber o golpe das mentiras, da imposição do medo praticados por quem, de fato, é golpista e quer continuar dando “ordens” e subtraindo recursos públicos.

          No 2º turno das eleições, seja inteligente. Não seja adepto do suborno. Mude o que não funciona. Não caia em Golpe!

 

 


 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Academia de Letras de Ipaussu – SP

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia


sábado, 10 de outubro de 2026

VOCÊ PRECISA CONVIDÁ-LO

 




Você Precisa Convidá-Lo

Numa grande galeria de artes de Viena, a capital austríaca, o período das grandes exposições é aguardado com ansiedade pelo público.

Um jovem pintor, já de algum renome, havia pintado um lindo quadro. A galeria promoveu a exposição por todo o país, cuja entrada seria gratuita. No dia de apresentá-lo ao público, compareceram as autoridades do local, fotógrafos, jornalistas, e muita gente, pois o pintor era reconhecidamente um grande artista.

Chegado o momento, tirou-se o pano que velava o quadro. Houve caloroso aplauso. Era uma impressionante figura de Jesus batendo suavemente à porta de uma casa. O Cristo parecia vivo. Com o ouvido junto à porta, Ele parecia querer ouvir se lá dentro alguém respondia. Houve discursos e elogios. Todos admiravam aquela obra de arte.

Porém, um observador curioso achou uma falha no quadro:

a porta não tinha fechadura. E foi perguntar ao artista:

— Sua porta não tem fechadura! Como se fará para abri-la?

— É assim mesmo — Respondeu o pintor. — Esta é a porta do coração humano. Só se abre do lado de dentro.

 

 

“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.” — Apocalipse 3:20

 

“Contudo, a todos os que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” — João 1:12

 

“Pois ele é o nosso Deus, e nós somos o povo do seu pastoreio, o rebanho que ele conduz. Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração” — Salmo 95:7-8




(E-BOOK - "HISTÓRIAS PARA GUARDAR DO ESQUECIMENTO", ORG. SAMMIS REACHERS)


REFLEXÕES SOBRE O HOMEM - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 





REFLEXÕES SOBRE O HOMEM.

Mário Ribeiro Martins*



O homem, como ser vivo, composto de matéria e como espécie animal que é, pertence à natureza. Mas, como ser racional, atuante e criador, pertence à historia. Como ser pertencente à natureza e à historia, o homem é abrangente, porque ele não está apenas na natureza e na historia, mas interpreta a natureza e a historia.
Dentre todos os elementos vinculados à natureza e à historia, o mais problemático deles é o homem. Apesar disto é o centro da criação e por isto feito à imagem e semelhança de Deus. Encontrar-se no mundo justamente com outros homens é a grande realidade enfrentada e vivida pelo ser humano.
Nem sempre importa ao homem saber de onde veio, embora seja importante saber para onde vai. A natureza vibra pelas paisagens, pelas tempestades, pela brisa, mas não fala. Os animais também não falam, embora reajam de forma convincente.
O homem não apenas vibra, mas reage e fala, dialogando porque ele tem consciência de si e dos outros. Que seria o mundo, com o seu mutismo, sem o homem? Exatamente o mesmo que uma lanterna mágica sem luz: nada. Ao homem coube quebrar o silencio, emprestando vida às coisas. Ao homem coube a transformação dos homens em homem, precisamente porque o homem solitário não seria verdadeiramente homem, mas uma coisa, entre tantas outras.
Ao mundo coube a integração do homem no processo existencial. Sem ele, o existente vivo e corporal seria inerte e não sobreviveria.
Sobre esta posição do homem no universo, escreveu Karl Jaspers: "O homem está sozinho no mundo imenso e mudo. Foi preciso que o homem surgisse para emprestar linguagem ao mutismo das coisas. O silencio da natureza ora lhe parece estranho, inquietante, impiedosamente indiferente, ora lhe parece favorável, despertando-lhe confiança e apoiando-o. O homem acha-se sozinho em meio a uma natureza de que, não obstante, é parte".
Nietzsche, ao fazer uma reflexão sobre o homem, chegou a dizer: "O homem é o animal que jamais se define".
A vida do homem é uma vida de decisões. E se, porventura, o homem não tivesse natureza, teria uma história e essa historia nunca terminaria. O homem não pode estar satisfeito, porque se o tivesse, estaria contrariando toda a sua estrutura. Afinal de contas, ele é a pergunta que mantém a historia em suspense. Sem o desabrochamento do homem, o mundo seria um verdadeiro caos. O mundo sem Deus seria um desastre, mas o mundo sem o homem voltaria ao nada.
A indefinibilidade produz entre outras coisas a sua dignidade. E é por isso que o homem é como é. Ele reconhece a si mesmo e também aos outros. Não adianta interrogar o homem, esperando dele uma imagem verdadeira e valida. Isto seria contrariar a historia e provocar conflitos maiores.
A dignidade, no entanto, está intimamente relacionada com a liberdade. Só o respeito à pratica da liberdade torna possível a pratica do respeito à dignidade da pessoa humana. A liberdade é um direito inviolável da pessoa. A liberdade não é outra coisa, senão a capacidade que tem o individuo de se determinar sem ser coagido.
Embora se fale de liberdade física, civil e política e que são apenas liberdades exteriores, a verdadeira liberdade é aquela auto-determinação psicológica em que o homem apela para o testemunho da consciência.
Julian Marias, interpretando o maior filósofo espanhol ORTEGA Y GASSET, quanto à historicidade da vida humana, argumenta: “O homem encontra-se vivendo a uma altura determinada dos tempos, em certo nível histórico. A sua vida é feita de uma substância peculiar, que é o seu tempo. Enquanto o tigre é sempre o primeiro tigre que estreia o ser tigre, o homem é herdeiro de um passado, de uma serie de experiências humanas pretéritas, que condicionam o seu ser e as suas possibilidades”.
O homem não somente vive no mundo, mas também interpreta o mundo. Por causa dessa interpretação o seu mundo é formado de conjunto de crenças, de idéias, de usos e problemas. E muitas vezes o homem se deixa ofuscar exatamente porque se esconde atrás das interpretações e não tem coragem de enfrentar e vencer o seu Modus Vivendi.
O pior de tudo é que o homem sabe que essa situação é real, porque se não soubesse seria o mais perfeito dos seres, porquanto não enfrentaria a problemática do dualismo, do ser e não ser.
O homem se encontra perdido e por isso precisa conseguir uma certeza radical em que possa se fundamentar para continuar a viver ou pelo menos para que a vida tenha sentido. De alguma maneira, é essa a razão suprema por que o homem filosofa. Seu filosofar não é para continuar a existir propriamente, mas para ter justificação a sua existência. Afinal de contas, a filosofia procede do homem e para o homem.
Inegavelmente, o homem é o mais grave problema da historia, não exatamente pelo que é, mas pelo que não é. As certezas do homem são muitas, mas todas elas colidindo umas com as outras e sem fundamento ultimo. A situação do homem é um perene dualismo, porquanto ele não está nunca em puro saber, nem tão pouco num puro não saber. A verdade, para ele, é insuficiente e por isso se considera sempre em estado de ignorância. Com efeito, como diz ORTEGA Y GASSET “o homem vai sendo e não sendo”.
O homem é um presente que já foi passado e que será futuro, precisamente porque é historia, faz e vive a historia. Seu momento de existência não é apenas o agora, mas também o amanhã, como já foi o ontem. O homem não pode ser conhecido, nem também definido pela sua dimensão cognoscente. A faculdade de conhecer é apenas uma das coisas a acompanhar o ser humano, porem não é tudo. O conhecimento deriva-se da vida e acontece na vida, mas o homem não é apenas vida, é a interpretação, a justificativa, ele se encontra na vida. (FILOSOFIA DA CIÊNCIA, Goiânia, Oriente, 1979, página 193).



MÁRIO RIBEIRO MARTINS - ERA PROCURADOR DE JUSTIÇA E ESCRITOR.

(LIVRO "ENCANTAMENTO DO MUNDO E OUTRAS IDEIAS, PÁGINAS 171/173)

SÚPLICA - OSÉAS ARAÚJO

 




SÚPLICA

OSÉAS ARAÚJO – RIO DE JANEIRO

 

Corrupção, fraudes,

desemprego, fome,

ETs, anões...

 

Deus!...

Repassai

para nós

(por favor)

Teu Sermão.

E para os ¨escribas¨,

ensinai

como se faz

uma Nação!

 

Pois quem tem fome,

não deve ter fé,

e quem não tem fé,

não tem firmeza

nem discernimento

para distinguir

um homem de bem

de um ladrão!

 

(FONTE: A FIGUEIRA, 2002)

 


TROVAS BRASILEIRAS

 




TROVAS BRASILEIRAS


Despedida, a liberdade,
te esqueci, ponto final!
- Mas me mandaste a saudade
no perfume de um postal!

Ana Cristina de Souza - São Paulo/SP

Na força do pensamento...
Transforme a vida em prazer.
E até mesmo contra o vento...
Sinta o gosto de viver!

Ana Maria Guerrize Gouveia - Santos/SP

Fugindo pela janela,
o ¨don juan¨quis ¨dar no pé¨.
– Um fantasma!, - gritou ela.
E o marido: – Agora é!

Angélica Villela Santos - Guaratinguetá/SP (1935 – 2017) Taubaté/SP –

Dou-te a mão à palmatória…
Foi minha a culpa, confesso;
mas, não te darei a glória
do perdão, que não te peço!

Antonio Carlos Teixeira Pinto - Brasília/DF