domingo, 30 de agosto de 2026

BRASIL, PAÍS DA CORRUPÇÃO? -- FILEMON MARTINS

 




BRASIL, PAÍS DA CORRUPÇÃO?



      Em certa ocasião, o ministro CELSO DE MELLO, do Supremo Tribunal Federal deixou o Brasil de luto, dizendo: “O STF NÃO PODE SUBMETER-SE Á VONTADE DE MAIORIAS CONTINGENTES".

      De lá para cá, a situação só piorou. A chamada “Suprema Corte” nunca foi tão pequena quanto agora.

Mas, queira ou não, pode submeter-se aos caprichos do poderio econômico dos políticos do PT. Pobre Brasil! Até o Judiciário Federal dobra-se aos mandos e desmandos dos que desgovernam o país. Parece que o povo brasileiro ainda tem que protestar muito para fazer do Brasil, um país decente, justo e imparcial, porque não há dúvida, para muitos políticos brasileiros, o crime compensa e muito.

      Diante do que ocorreu no carnaval do Rio de Janeiro, com exaltação à corrupção desenfreada, ao escrever estas linhas, o coração aperta, quase sem forças, sem esperança no futuro para nossos filhos, filhas e netos e eu me lembro do poema A IMPLOSÃO DA MENTIRA, do saudoso Poeta AFFONSO ROMANO DE SANTANA, cujo primeiro fragmento transcrevo:

A IMPLOSÃO DA MENTIRA

Affonso Romano de Santana


Mentiram-me. Mentiram-me ontem

e hoje mentem novamente. Mentem

de corpo e alma, completamente.

E mentem de maneira tão pungente

que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.

Não mentem tristes. Alegremente

mentem. Mentem tão nacional/mente

que acham que mentindo história afora vão enganar a morte eterna/mente.


Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases falam. E desfilam de tal modo nuas que mesmo um cego pode ver

a verdade em trapos pelas ruas.


Sei que a verdade é difícil

e para alguns é cara e escura.

Mas não se chega à verdade

pela mentira, nem à democracia

pela ditadura.

                   *****

      Assim, o Brasil caminha para o caos, numa repetição triste e vergonhosa do que já vimos e assistimos.

Empresas centenárias estão falidas, como a ECT (correios), que já esteve no topo da eficiência, e agora, amarga um período de desânimo entre os seus funcionários. Postei um livro outro dia para Feira de Santana, na Bahia. Demorou quase dois meses para chegar. Não se trata de um fato isolado, há outros livros até para São Paulo, na mesma situação. 

     O pior é que pessoas que estão levando dinheiro de poderosos, tentam nos convencer de que o Brasil está no rumo certo, como se fossemos um bando de idiotas.  

      Acorda, Brasil!

 

 

Filemon Martins

Escritor e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia.


ESTAÇÃO TRISTEZA - EDSON C. CONTAR

 




ESTAÇÃO TRISTEZA

Eddson C Contar (Alkontar)

 

.

Pra quem viveu os tempos românticos

da Maria Fumaça


Maria passou faz tempo,

Deixou um grito no vento,

Ficou triste o pantanal...

Maria que era alegria,

Viajou pro esquecimento,

Apitando a contravento,

E a estação virou quintal...


Não se ouve mais o apito,

Nem o badalar do sino,

Fazendo a saudação...

Na chegada da Maria

Tudo era alegria,

No pátio da estação...


Foi que um dia, o tal progresso,

Senhor da modernidade,

Chegou com forte argumento

Dizendo ser o momento,

Da Maria ser saudade...


E lá se foi a alegria,

Em derradeira viagem,

Deixando um grito no vento...

Saudade!

 

(FONTE AVBAP)

PREDESTINADO - FILEMON MARTINS

 


               (FOTO DE LAURENTINA, EM IPUPIARA, BA)


PREDESTINADO

Filemon Martins



            Passo a passo, vivendo solitário,
- predestinado para o sofrimento,
vou subindo o meu íngreme calvário
sob o peso da mágoa e do tormento.


E como um sonhador, no mundo vário,
procuro Paz, Amor, Contentamento,
mas no meu tortuoso itinerário
só encontro amargura e fingimento.


E a Esperança da Vida vai passando,
e eu descrente de tudo vou ficando
na solidão que o mundo me ofertou;


mas a Poesia, doce companheira,
está sempre comigo a vida inteira,
dando-me a Paz que a sorte me negou!












Comentários

Anônimo disse…
Voce sempre me encanta;meu amigo
seus versos são realmente de quem sabe o que é poesia e nos toca fundo....
Carinhosamente Beijos Mil-Ly-

QUANTO CINISMO! - FILEMON MARTINS

 



 

QUANTO CINISMO!

 

 

      Segundo Carlos Ribeiro Rocha, poeta e escritor baiano de Ipupiara, Bahia, quem nasce no mato, é matuto e quem nasce no asfalto, é asfaltuto. Como nasci no mato, sou matuto.

     Pois é, o matuto aqui da roça não engole este mundo sujo da política brasileira. Acho estranho o comportamento de muitos partidos que apresentam candidatos fichas-sujas aos cargos eletivos. Ora, o indivíduo vai lidar com o dinheiro do povo, e com a fiscalização ineficiente que temos, é evidente que ele vai descobrir brechas para se apropriar ilicitamente para ele e os amigos.

     O Tribunal Superior Eleitoral deveria normatizar regras claras sobre isso. Se elas existem, a fiscalização deveria ser mais eficiente. O que estamos vendo agora, não é outra coisa, senão o desleixo proposital ou não. É o caso do INSS que surrupiaram os aposentados. É o caso também do Banco Master, que pode terminar como acabou a “Operação Lava Jato”, que investigou o maior esquema de corrupção no Brasil, envolvendo dezenas de empreiteiras, políticos importantes de vários partidos, e que acabou jogada no lixo por pressão de muitos larápios e coniventes.  

     Alguns partidos a gente já sabe que ¨vende até a mãe em troca de cargos¨, conforme escreveu o jornalista Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo. Essa vergonha ficará gravada, como uma mancha histórica por muitos anos perante a comunidade internacional e envergonhará as próximas gerações. Seremos aquele País onde os eleitores ingênuos, desmemoriados elegeram um condenado para comandar a nação. É evidente que respeitamos a opinião de todos os brasileiros, mas é difícil entender a extensão de tamanha chacota.

     Ademais, é como se disséssemos para a sociedade: - pode roubar, que o crime compensa, desde que você roube muito para pagar um ou vários advogados. O reflexo destas decisões absurdas já estamos sentindo na pele: em todo o território brasileiro, especialmente nas grandes cidades, os crimes, a violência, os golpes têm aumentado assustadoramente.

     Vivemos num País belo, de natureza exuberante, mas com um povo inculto e miserável. É preciso mudar. Haja coração!

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DO CLUBE BAIANO DE TROVA, SALVADOR, BAHIA.

 


sábado, 29 de agosto de 2026

O BRASIL ESTÁ DOENTE? - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 


O BRASIL ESTÁ DOENTE?

 

 

 

O título acima expressa uma metáfora. Geralmente doença é um sinal de alerta e exige providências. A corrupção é uma doença. Doente aqui, não é literal, mas num sentido figurado, uma comparação.

 

                      

 

Os casos de corrupção dominam os noticiários. A corrupção é uma doença grave. A doença tem cura e, conforme dizem os entendidos, o remédio é amargo. E mais, o paciente não pode esperar muito tempo. O paciente é o Brasil com suas necessidades e complicações.

 

Comentaristas de assuntos políticos afirmam que a cura para essa doença que assola o nosso país depende da atitude dos eleitores nas eleições de 2026. Será que estamos extrapolando os limites da honestidade e da retidão?

 

      O Brasil precisa da famosa injeção de honestidade. A corrupção pode ser considerada como uma doença grave. Já falamos aqui sobre este tema. Estou ansioso para seguir em frente e passar para outro tema, mas a questão é que toda semana aparece uma sequência de denúncias de casos graves.

      O caso da corrupção, conforme noticiam canais de redes sociais na internet, explodiu porque mexeram de modo profundo nas contas dos aposentados do INSS. Nessa trilha diariamente aparecem casos novos. A Da. Euzimar, compareceu à Câmara e mostrou seu demonstrativo dos valores que recebe mensalmente do INSS informando que o desconto, no caso dela, vinha desde 2024.

      Se você morou por algum tempo na zona rural sabe que algumas plantas permitem ao lavrador fazer a soqueira. Poucos dias depois desse trabalho nascem os brotos. Pois é assim, de modo semelhante, as autoridades vão descobrindo casos que precisam ser seguidos e esmagados. Jornais e outros canais de comunicação informam que surgem novos casos. Lemos que aparecem casos de empréstimos consignados não solicitados pelos aposentados ou pensionistas. O valor chega a uma soma muito alta, por volta de 90 bilhões de reais.

      Pois é. Certamente os efeitos da corrupção influenciarão os resultados das campanhas para as próximas eleições em 2026. Os atuais políticos eleitos que estão no exercício do mandato precisam assumir a posição com muita atenção. Nada de afrouxar as rédeas do controle, mas combater os casos de corrupção e seus participantes. A cura do Brasil depende dos políticos eleitos.

      Pelas notícias e pelas conversas entre os cidadãos das cidades grandes e pequenas, há muita lama escorrendo em muitos setores. Há muita gente importante que estão entre os sujos e os mal-lavados. A verdade prevalecerá. Nosso desejo é que o povo brasileiro esteja ao lado da verdade e da honestidade.

      A Pérsia era um poderoso império da antiguidade, especialmente no tempo do rei Assuero. Ao ler a Bíblia encontramos relatos de casos interessantes. Surgem dois personagens importantes, que foram Esther, a rainha e Mardoqueu, que era um homem judeu, grande e honesto administrador, que no império foi o segundo depois do rei. No último capítulo do livro de Esther, que é o capítulo n° 10, no final do versículo 3 daquele capítulo, nos deparamos com o seguinte relato nas Escrituras Sagradas:

      Mardoqueu foi agradável para com a multidão, procurando o bem do seu povo e trabalhando pela prosperidade de toda a sua nação.

      Vemos assim, que se isto foi possível em terras distantes naquele tempo, também é possível no Brasil neste nosso tempo.

 

                              

 

 

 

Saul Ribeiro dos Santos

Contador e economista aposentado.

Natural de Ipupiara – BA.

saul.ribeiro1945@gmail.com

 


TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


Não há nada mais perfeito,

que guardo em meu coração:

Este quadro sem defeito

o luar do meu Sertão.


Não conhece o que é beleza

quem nunca foi à Bahia,

onde a bela natureza

tece em cores a alegria.


Tive sorte, sou poeta,

nascido na bela Bahia.

Aqui o povo arquiteta

sua própria fantasia.


Não percas aqui na terra

teus sonhos de juventude,

nem desanimes na guerra,

que lutar é uma virtude.



TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


Parece que o nosso tempo

neste Planeta acabou.

Tudo agora é contratempo,

porque o moderno chegou.


Para que agradar a todos,

se a vida é breve jornada?

Melhor viver sem engodos

e vencer a caminhada.


Não sei em que mundo vives

sem amor, sem compaixão.

Tudo que pregas e dizes

são mentiras sem razão.


Quanta gente se imagina

no mundo ser imortal.

Não vê que a vida termina

num silêncio sepulcral.

O GIGANTE DAS MARÉS NEGRAS - JOSÉ FELDMAN

 




O Gigante das Marés Negras


  

No trigésimo dia, o mar, outrora azul, tornou-se viscoso e escuro como a tinta de um calígrafo. O vento morreu, e das profundezas borbulhantes surgiu uma figura de proporções montanhosas: o Gigante das Marés Negras. Sua pele era feita de escamas de obsidiana e sua barba era composta por mil serpentes marinhas que se contorciam.

 

O Gigante bloqueou o caminho com uma mão que poderia esmagar o convés e rugiu:

 

— "Nenhum navio atravessa meu domínio sem pagar o tributo de carne! Escolha sete marinheiros para o meu jantar, ou engolirei o teu navio inteiro!"

 

A tripulação, paralisada pelo terror, buscou refúgio nos pés de Aldhiyb. Ele, porém, manteve o olhar firme. Ele lembrou-se da bússola de osso de baleia, que agora vibrava contra seu peito, indicando que a força bruta seria inútil.

 

— "Ó poderoso senhor das águas escuras!" gritou Aldhiyb. "Minha tripulação é composta por homens magros e amargos. Mas em meu porão guardo o Mel das Rosas de Irem, que é mais doce que o hálito das huris. Deixe-me preparar um banquete digno de sua bocarra, e se não for o melhor que já provou, entregarei a mim mesmo como sacrifício."

 

Curioso, o Gigante consentiu. Aldhiyb, contudo, não usou mel. Ele ordenou que os marinheiros despejassem no mar os grandes barris de sal gema e vinagre de tâmaras que levava para as terras do Sul. Quando o Gigante mergulhou o rosto para beber a mistura, a reação química nas águas viscosas criou uma efervescência insuportável, cegando momentaneamente a criatura e fazendo-a espirrar com a força de um furacão.

 

Aproveitando o impulso do gigantesco espirro do monstro, as velas do Vento do Amanhã inflaram-se violentamente.

 

— "Rápido, filhos de bravos!" ordenou Aldhiyb. "O destino favorece quem usa a mente contra a montanha!"

 

O navio deslizou sobre as águas negras como uma flecha de prata, deixando o Gigante para trás, limpando os olhos e rugindo de frustração. Aldhiyb retornou com sedas raras e a fama de ter vencido o terror das marés sem derramar uma gota de sangue de seus companheiros.

 

Mas o destino é um tapete cujos fios 


nunca terminam de ser tecidos…






ECOS DO DESERTO



JOSÉ FELDMAN



ESCRITOR, POETA, 


PESQUISADOR.


DA CONFRARIA BRASILEIRA DE 


LETRAS


DA UNIÃO BRASILEIRA DE 


TROVADORES - UBT. 


COMO ERA? - SERÁ QUE MUDOU ALGUMA COISA? - FILEMON MARTINS

 




COMO ERA? SERÁ QUE MUDOU ALGUMA COISA?

 

 

     Conta-se que antigamente no Nordeste do Brasil, era comum alguns coronéis mandarem seus filhos homens estudar Direito em Coimbra, Portugal. Depois de formados, voltavam ao Brasil e assumiam cargos como Juiz de Direito, Advogados, Promotores e Desembargadores. 

     Mas havia um grupo de coronéis que pensavam diferente e colocavam seus filhos em escolas brasileiras e argumentavam: - não é necessário gastar fortunas com os filhos homens estudando em Portugal. Quando chegar o momento, nós os elegemos deputados, senadores, eles se tornam políticos e vão mandar em todos esses bacharéis. E assim era.

     Hoje, será que mudou alguma coisa? O sistema parece ser o mesmo, agora ainda mais abrangente: homens e mulheres, filhos, filhas, netos e netas são eleitos e lá no Congresso legislam em causa própria e mandam em todos nós. Até no Judiciário, que era um poder independente. Acho que aquele grupo de coronéis estava certo. Nos tempos atuais, talvez um pouco pior, eles são eleitos com o nosso dinheiro. Fundo partidário, propina, caixa dois, tramoias, negociatas ilícitas e por aí vai...

      Enquanto isso o Brasil vai descambando ladeira abaixo, como se fosse um carro sem freio. E muitos eleitores não conseguem ver a tragédia em que estão nos prometendo. As boas promessas nunca saíram do papel e se repetem a cada 4 anos.

     ¨Quem não te conhece que te compre¨ ou ¨Dize-me com quem andas e eu direi quem tu és¨. Eis o caráter do grupo político que governa o Brasil, para a infelicidade dos brasileiros do Bem e até mesmo para aqueles que acreditam piamente num mentiroso e cara de pau.

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DO CLUBE BAIANO DE TROVA, SALVADOR, BAHIA.

 


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

VOOGRALHAAZUL.BLOGSPOT.COM - JOSÉ FELDMAN

 

Sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Filemon F. Martins (Poemas Escolhidos) 1


CURVA DO CAMINHO

Eis-me chegando à curva do caminho,
onde vejo os escombros do passado:
a casa em que nasci, cresci, malgrado
o quarto de dormir em desalinho.

Não me faltou, porém, muito carinho
vivendo no Sertão injustiçado,
onde o “mandante” sempre desalmado
faz o povo sofrer, no Pelourinho...

No entanto, a vida é bela e deslumbrante,
mesmo que a estrada se apresente escura
sempre brilha uma luz ao viajante...

... E quando eu me tornar uma saudade,
minha alma esquecerá a desventura
para cantar, em verso, a Eternidade!
* * * * * * * * * * * * * * * *  

ELOGIO AO AMOR

Neste caminho eu sigo contemplando
a Natureza exuberante e bela,
passarinhos nos ramos saltitando
entoando canções em aquarela.

Aonde quer que eu vá, eu vou cantando
a pureza do amor, pintado em tela,
que Deus o produziu, por certo amando,
para mostrar ao mundo, em passarela...

O amor? Triste de quem não tem amor,
nem sentiu nesta vida alguma dor,
nem teve uma saudade a recordar?

Pois o amor é um sublime sentimento
que ferve, vibra e invade o pensamento,
e  nos leva ao delírio para amar!
* * * * * * * * * * * * * * * *  

IPUPIARA

Feliz é quem trilhou estes caminhos
que levam à vibrante Ipupiara,
ouvindo o som de belos passarinhos
numa paisagem deslumbrante e rara.

Ibipetum, Pintada e outros vizinhos
Sodrelândia, Vanique e Caiçara,
Chiquita, Bela Sombra com seus ninhos,
Brejões, Coxim que muito me ensinara.

Jamais vou esquecer... O Olho d´Aguinha,
Veríssimo, Barreiro e até Matinha,
Deus me Livre, Umbaúba e Boa Vista.

Felicidade, então, é ter nascido
e neste berço um dia ter vivido
com gente hospitaleira e idealista!
* * * * * * * * * * * * * * * *  

RESSURREIÇÃO

Já não lamento o fim daquele sonho
que o tempo, impiedoso, me levou.
- Venturas e alegrias – pressuponho
tombaram pelo chão, nada sobrou.

Por que sofrer, chorar, viver tristonho?
Se o vendaval que assusta já passou?
Reconstruir é tudo o que me imponho
e gritar para o mundo: aqui estou.

Tal como a fênix ressurgir da morte
e as cinzas sacudir buscando a sorte,
embora os olhos marejados d´água.

Meus versos jorrarão como uma fonte
fervilhando de amor vencendo a ponte,
mesmo cobertos de saudade e mágoa!
* * * * * * * * * * * * * * * *  

REVISITANDO A INFÂNCIA

Refaço, de memória, a longa estrada,
caminhos que trilhei desde menino.
De manhã cedo, ainda na alvorada,
eu preparava a terra, meu destino.

Tempos depois, aposentei a enxada,
para estudar, no chão diamantino.
A vida era feliz lá na Chapada,
quando brilhava a luz do sol, a pino...

Tudo passou, bem sei, tão de repente,
meu coração, parece, anda descrente
e o sentimento, quantas vezes, trunca...

Hoje, guardo no peito, com cuidado,
lembranças que marcaram meu passado
e uma saudade que não passa nunca...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
FILEMON FRANCISCO MARTINS é um renomado escritor, poeta e trovador brasileiro, reconhecido como um dos nomes expressivos da poesia lírica e do trovadorismo nacional. Nasceu EM 1950, na cidade de Ipupiara/BA (região da Chapada Diamantina). Passou a infância e juventude na Bahia (em Ipupiara e Morpará). Posteriormente, mudou-se para São Paulo (SP), onde fixou residência por longos anos para estudar e trabalhar. Cursou Administração de Empresas na Faculdade de Administração e Ciências Econômicas "Santana", em São Paulo. Prestou serviços para grandes corporações e órgãos públicos, incluindo a Empresa Folha da Manhã S.A. e a Prefeitura Municipal de São Paulo. Desenvolveu sólida carreira no Judiciário Federal, atuando e aposentando-se na Subsecretaria de Feitos da Presidência (UFEP). É também filiado ao Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD).
Filemon possui uma produção diversificada em artigos, crônicas, sonetos e trovas, sendo membro de várias entidades literárias e culturais de destaque. Sua trajetória é marcada por reconhecimentos em trovas e antologias poéticas pelo país. Membro da Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, Anápolis/GO; The International Academy of Letters of England, (London, England); Academia de Letras de Ipaussu/SP; Clube Baiano de Trova, Salvador/BA; Instituto Cultural do Vale Caririense, em Juazeiro do Norte/CE; Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD), Confraria Brasileira de Letras (PR).
Sua bibliografia abrange obras poéticas e pesquisas genealógicas: “Flores do meu jardim” (Poemas, 1997), “Anseios do coração” (Poemas, sonetos e trovas, 2011); “Dicionário genealógico da família Ribeiro Martins” em coautoria com Mário Ribeiro Martins (2007); “Fagulhas” (Miscelânea, 2013); “Sonetos & Trovas” (2014); “Histórias que só agora eu conto” (2018) e – “Caminhos do Jordão da Bahia” (2022).
A relevância do autor reside na preservação das formas clássicas da poesia e na contribuição para o resgate histórico e cultural brasileiro.

Fontes:
Biografia = Scortecci, Unicamp, Página 3, Anseios do Coração, Confraria Brasileira de Letras, etc.