domingo, 31 de maio de 2026

TROVAS DE ABEL B. PEREIRA

 




TROVAS DE ABEL B. PEREIRA


Nem sei, ao certo, a verdade!

- O amor se foi tão ligeiro

que só ficou a saudade

na fronha do travesseiro!


Só a Língua Portuguesa

traduz com fidelidade,

na alegria ou na tristeza,

esta palavra - saudade!


Navego nas asperezas

dos mares, sem ter destino,

levado nas correntezas

desde os tempos de menino!


Quantas vezes, Liberdade,

fugiste pela tangente!

Qual o preço da Verdade

na mágoa de tanta gente?



(LIVRO "QUINTA ANTOLOGIA POÉTICA DE A FIGUEIRA", PÁGINAS 21/22)

POR QUE O JUIZ TEM QUE OUVIR AS DUAS PARTES? - EDILSON MENEZES

 




POR QUE O JUIZ TEM QUE OUVIR AS DUAS PARTES?
EDILSON MENEZES/EDMEN


Eu também responderia que “estava ótimo”, ora essa!

Seu Zé, mineirinho, pensou bem e decidiu que os ferimentos que sofreu num acidente de trânsito eram sérios o suficiente para levar o dono do outro carro ao tribunal.
No tribunal, o advogado do réu começou a inquirir seu Zé:

- O Senhor não disse na hora do acidente 'Estou ótimo'? 

E seu Zé responde:

- Bão, vô ti contá o que aconteceu. Eu tinha acabado di colocá minha mula favorita na caminhonete... 

- Eu não pedi detalhes! - interrompeu o advogado.
- Só responda à pergunta: O Senhor não disse na cena do acidente: 'Estou ótimo'? 

- Bão, eu coloquei a mula na caminhonete e tava descendo a rodovia... 

O advogado interrompe novamente e diz:

- Meritíssimo, estou tentando estabelecer os fatos aqui. Na cena do acidente este homem disse ao patrulheiro rodoviário que estava bem. Agora, várias semanas após o acidente ele está tentando processar meu cliente, e isso é uma fraude. Por favor, poderia dizer a ele que simplesmente responda à pergunta. 

Mas, a essa altura, o Juiz estava muito interessado na resposta de seu Zé e disse ao advogado:

- Eu gostaria de ouvir o que ele tem a dizer. 

Seu Zé agradeceu ao Juiz e prosseguiu:

- Como eu tava dizendo, coloquei a mula na caminhonete e tava descendo a Rodovia quando uma picape travessô o sinal vermeio e bateu na minha Caminhonete bem du lado. Eu fui lançado fora do carro prum lado da rodovia e a mula foi lançada pro outro lado. Eu tava muito ferido e não podia me movê. Mais eu podia ouvir a mula zurrano e grunhino e, pelo baruio, percebi que o estado dela era muito feio. Em seguida o patrulheiro rodoviário chegou. Ele ouviu a mula gritano e zurrano e foi até onde ela tava. Depois de dá uma oiada nela, ele pegou o revorve e atirou 3 vezes bem no meio dos ôio dela. Depois ele travessô a estrada com a arma na mão, oiô para mim e disse: 

- Sua mula estava muito mal e eu tive que atirar nela. E, como o senhor está se sentindo? 

- Aí eu pensei bem e falei: ... Tô ótimo!

FONTE: (academiavirtualbrasileiraalmaartepoesia@googlegroups.com)

TROVAS DE DULCE A. SIQUEIRA

 


                (JARDIM DA LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)


TROVAS DE DULCE A. SIQUEIRA

(RECIFE – PE)


Saudade... quanta lembrança
de um tempo bom que passou...
uma vida de esperança
que o tempo não apagou.

Há mistério neste mundo
que desafia a razão...
pois, só Deus tem o profundo
supremo poder na mão.

TROVAS DE JESSÉ NASCIMENTO

 



TROVAS DE JESSÉ NASCIMENTO


Por uma luta perdida,

desesperar-se? Por que?

Há sempre alguém nessa vida

mais infeliz que você!


Vive a criança o presente,

o futuro - a mocidade,

já o velho sorridente,

vive o passado e a saudade.


Como ilude a aparência...

Santo homem, bom cristão;

era a virtude, a decência,

por dentro - que podridão!


Se você quer um conselho

evite sempre arapuca.

Amigo, Macaco velho

não mete a mão em cumbuca!


(LIVRO "COLETÂNEA 1983 CONTOS E POESIAS", GLAN - GRÊMIO LITERÁRIO DE AUTORES NOVOS, PÁGINAS 87/88) 

A DÚVIDA?... - FRANCISCO TEVES

 




A DÚVIDA?...

Francisco Teves


O que será o amor!?

Um sentimento divino

Ou a contrapartida da dor

nesta existência peregrina?


A humanidade desgarrada

quantas vezes quer impor

aos erros e ao pecado

Falhas ao Criador!


Surgem fatos controversos,

fome, guerras e hecatombes

que levam crentes, ímpios e perversos

a renegar a Fé no Redentor.


Mas, se Amor é Sofrimento,

E se Sofrimento é Dor

Não será que esse sentimento

nos libertou para todo o sempre?


E por Quem?

com quanta Dor?

- Foi por Ele, pelo Redentor...



(LIVRO "QUINTA ANTOLOGIA POÉTICA DE A FIGUEIRA", PÁGINA 59)

 

sábado, 30 de maio de 2026

NÃO SEJA UM "CHATO" - FILEMON MARTINS

 




NÃO SEJA UM “CHATO”
Filemon Martins *



Que coisa mais chata é você ter um “chato” por perto. Pior, eles estão em toda parte. Em casa, no ambiente de trabalho, na condução, no ponto de ônibus, nas redes sociais, nas reuniões da empresa ou reuniões familiares.
“Chato” aqui é a pessoa que reclama demais. Reclama de tudo.
É muito comum, especialmente, pelas redes sociais as pessoas reclamarem da chuva, do calor, do frio, das árvores que deixam cair suas folhas, do trânsito caótico, enfim não faltam motivos para reclamações.
Não é agradável ficar ouvindo reclamações o tempo todo, por mais paciência que se tenha. Na opinião do psicólogo João Alexandre Borba, em entrevista à revista PONTO DE ENCONTRO, o nível e a quantidade de reclamações feitas por uma pessoa servem somente para revelar o quão pessimista e amarga ela pode ser. “Elas são do tipo que veem o copo meio vazio e não meio cheio, e costumam perceber sempre o que está faltando e não o que já foi feito. Esse comportamento faz com que, no decorrer do tempo, as pessoas a sua volta comecem a se afastar. Afinal, ninguém consegue permanecer perto de alguém cheio de razão e que está sempre insatisfeita”, afirma.
De fato, existem “chatos” de todos os tipos:
Desagradável – aparece sempre fazendo comentários antipáticos e são chamados “os sem noção”. Inconveniente – aborda questões de saúde, assuntos particulares. Arrogante -  aposta que só ele sabe de tudo. Tudo o que ele tem ou faz, é melhor que o dos outros. Agressivo – chega a ofender com suas “brincadeiras” de mau gosto, emitindo opiniões desastradas sobre tudo o que os colegas fazem. Dono da verdade – elege um tema no qual se julga um mestre, torna-se um juiz, um julgador infalível.  Repetitivo – onde quer que ela vá, diz: o meu médico, a minha academia, o meu dentista, que é sempre o melhor e essa ladainha você ouve todos os dias.
Mas há outros que eu considero uns chatos: aqueles que atropelam as pessoas nas ruas, porque não desgrudam dos celulares, smartphones e tablets, como se eles fossem morrer, sem estes aparelhinhos.    
Na minha classificação, contudo há um tipo novo: 
Os sem memória - aqueles que, diante de tantas evidências de má administração do dinheiro público, falcatruas e desvios já comprovados, inclusive alguns já condenados pelo "antigo" Supremo Tribunal Federal, ainda acreditam piamente no governo do PT e seus aliados.
Mas, segundo a Dra. Priscila Gasparini Fernandes, psicóloga clínica e psicanalista, em entrevista à revista PONTO DE ENCONTRO, nem tudo está perdido: “Por pior que seja a situação, sempre haverá uma maneira de lidar com ela, com clareza e responsabilidade, delimitando até onde o problema é nosso ou não, para não corrermos o risco de querer resolver também os dilemas dos outros, mas apenas orientá-los”.
Mais que orientá-los, é preciso acordá-los desta letargia em que muitos brasileiros se encontram atualmente.


* DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

SEU RETRATO - DJANIRA PIO

 




VERSOS DE DJANIRA PIO

SEU RETRATO


Na caixa velha
esquecida num canto
encontrei coisas antigas.

Lembranças tão esquecidas
de estradas esmaecidas.
Bem no fundo havia seu retrato.
Um três por quatro desbotado
mostrando um quase sorriso.

Rememorei esse tempo
tão longe que tenho certeza
foi nosso.
E lá se foi o seu retrato.


(ANTOLOGIA 16, POSTAL CLUBE, PÁGINA 52)

CHUVA - THÉO DE CASTRO DRUMMOND

 




CHUVA
Théo de Castro Drummond (04/02/1927 – 20/03/2015)



“Olho em minha janela a chuva fina:
é como a lágrima do lampião
que parece chorar na minha esquina,
em sua interminável solidão.

Eu já me acostumei a esta rotina
de tanto tempo te aguardar, em vão.
Sempre a esperar que surjas, repentina,
abrindo, alegremente, o meu portão.

Mas na verdade a vida nos ensina
que é inútil sustentar uma ilusão,
um belo dia ela se esvai, termina.

E olhando a chuva que ainda cai no chão,
percebo esta verdade cristalina:
chove, mas dentro do meu coração”.


(FOCALIZADO EM FAGULHAS, DE FILEMON MARTINS, PÁGINAS 142/146)

SONETO 09 - CONSTANTINO GONÇALVES

 



SONETO 09
Constantino Gonçalves
Campos/RJ


Emergindo de lousa quieta e fria,
pairando na minha alma flagelada,
em angélico voo de harmonia,
a saudade é uma flor despetalada.


É uma escultura clássica e sombria
que mantém a minha alma atropelada.
É uma lembrança inquieta da porfia,
é uma dor, é uma vida embalsamada.


A saudade é uma chama adormecida
que está bem viva em nosso pensamento.
Ela é a cinza patética da vida,


é uma luz de alegria e de tormento,
é uma fonte de angústia indefinida,
é a essência vesperal do sentimento.


(FONTE ALMANAQUE CHUVA DE 

VERSOS Nº 399, JOSÉ FELDMAN)

FELIZ - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 



FELIZ
Mário Barreto França


Feliz daquele que chegou ao meio
do seu abençoado itinerário,
sem mágoas, sem rancores, sem receio
da dor ou do suplício de um calvário...


Feliz o que ajudou o esforço alheio,
acendendo da fé o alampadário,
e teve a recompensa e o grato enleio
de festejar o seu cinquentenário...


Feliz quem pode envelhecer sorrindo,
sob o pálio das bênçãos, sob o lindo
docel das doces preces dos contritos...


Feliz és tu que, em pura consciência,
podes descer a encosta da existência
para o vale virente dos benditos!


(O LOUVOR DOS HUMILDES, PÁGINA 38)

REGRESSO - FILEMON MARTINS

 



REGRESSO

Filemon Martins 



Hoje, pensei na paz daquela estrada 
que o teu amor, talvez, fosse me dar, 
imaginei a noite enluarada 
e as estrelas brilhando em teu olhar.
 

Nos meus braços, bem sei, tu foste amada 
como jurei em frente de um altar, 
mas o frio chegou, de madrugada, 
e eu pude ver a solidão chegar...
 

Nunca mais eu te vi nem tu me viste, 
fizeste-me sofrer quando partiste 
sem me ofertar qualquer explicação.
 

Mas hei de vê-la um dia regressando, 
e a lua surgirá, no céu, saudando 
o nosso amor coberto de paixão! 

APRENDENDO A VIVER - HERMAN MELVILLE

 



APRENDENDO A VIVER 
Herman Melville (01/08/1819 a 28/09/1891)


Aprendi que se aprende errando.
Que crescer não significa fazer aniversário.
Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve
uma bobagem.
Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro.
Que amigos a gente conquista mostrando o que somos.
Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você
até o fim.
Que a maldade se esconde atrás de uma bela face.
Que não se espera a felicidade chegar, mas se
procura por ela.
Que quando penso saber de tudo ainda não aprendi
nada.
Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida.
Que amar significa se dar por inteiro.
Que um só dia pode ser mais importante que muitos
anos.
Que se pode conversar com estrelas.
Que se pode confessar com a Lua
Que se pode viajar além do infinito.
Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde.
Que dar um carinho também faz...
Que sonhar é preciso.
Que se deve ser criança a vida toda.
Que nosso ser é livre.
Que Deus não proíbe nada em nome do amor.
Que o julgamento alheio não é importante.
Que o que realmente importa é a Paz interior.
"Não podemos viver apenas para nós mesmos.
Mil fibras nos conectam com outras pessoas;
e por essas fibras nossas ações vão como causas
e voltam pra nós como efeitos."


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS, 400, JOSÉ FELDMAN)

SEMPRE ATUAIS...

 




SEMPRE ATUAIS AS PALAVRAS DO MESTRE RUI BARBOSA:


“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.