sábado, 7 de novembro de 2026

MUNICÍPIO DE BARRA DO MENDES - BAHIA - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

MUNICÍPIOS DA CHAPADA DIAMANTINA

- MUNICÍPIO DE BARRA DO MENDES (Parte I)

 


INTRODUÇÃO

 

     Barra do Mendes é um importante Município do Estado da Bahia. Está encravado na parte Norte da Chapada Diamantina. Seu território se estende por uma área de 1.563,47 km² e a população em 2016 foi estimada em 14.570 habitantes. (1) A bandeira deste Município ostenta um preceito, onde se lê “A Ordem é Crescer”. Conforme informativo/2017 da ALBA – Assembleia Legislativa da Bahia, a distância entre Barra do Mendes e Salvador é de 520 km. Ao percorrer as terras deste Município é possível encontrar umbuzeiros, juazeiros, jatobazeiros, pau d’arco, bosques de juremas e outras árvores e arbustos. Na parte rural, a Oeste do Município encontram-se muitas árvores que produzem frutos silvestres. A fauna ainda apresenta, mesmo em pleno século XXI, várias espécies de tatús, teiús (grande lagarto), muitas espécies de cobras, gaviões e muitas outras espécies de animais.

        Conta-se que no final da primeira metade do século XIX chegaram a esta parte das Lavras Diamantinas algumas famílias de pessoas aventureiras e corajosas, cujo chefe era o Sr. Phelipe Mendes. Estavam dispostas a trabalhar e prosperar. Perceberam que o lugar era muito bom e formaram uma fazenda, que deram o nome Barra. Este nome foi adotado em função da localização da propriedade rural, pois estava situada nas terras que margeiam a confluência de dois córregos. Anos mais tarde foi acrescentada a palavra Mendes, indicando o nome do chefe da principal família do lugar, proprietária da fazenda Barra. A partir daí deram ao local o nome “Barra do Mendes”. 

     Mas há outra versão, narrada e documentada pelo professor e escritor barramendense Edízio Mendonça, em seu livro Barra do Mendes - Uma História de Lutas. O Conde da Ponte, Saldanha da Gama e Melo Guedes de Brito e sua esposa eram os proprietários de uma grande extensão de terras que se estendia dos limites de Jacobina até onde hoje está o Município de Bom Jesus da Lapa. As terras foram registradas no Tabelionato em Salvador, em dezembro de 1811. Foram eles os primeiros donos das terras que hoje pertencem a Barra do Mendes. O capitão Phelipe Mendes de Vasconcelos, de origem portuguesa, comprou as terras da fazenda Barra e registrou a escritura no cartório de registros em Santo Antônio do Urubu (atual Paratinga), em 5 de março de 1818. Assim percebe-se que o início da história do povoamento destas terras começou entre 1811 e 1818. Anos mais tarde o capitão Phelipe Mendes, já idoso, resolveu voltar para Portugal. No vilarejo de Pintada, distante 79 km. a Oeste da Fazenda Barra, morava outro fazendeiro, o Sr. Matias Sodré, natural da Província do Minho, em Portugal. O Capitão foi encontrar-se com seu patrício em Pintada. Lá eles conversaram, negociaram e o Capitão vendeu as terras da sua fazenda para o Sr. Matias.

       Conforme conta o professor e escritor Edízio, o pioneiro, o primeiro a chegar e construiu a sua casa nesta boa terra foi o Sr. Joaquim Sodré, que era filho de Matias Sodré. Em 1848 ele chegou trazendo um reduzido número de parentes, escravos e agregados. Ele construiu a sua casa de residência, construiu casa para os agregados, para os escravos, um curral, uma casa de farinha e um engenho. Quem colocou o nome Barra do Mendes foi o Sr. Joaquim Sodré. Ele era natural do vilarejo Pintada, que naquele tempo pertencia ao antigo Município de Macaúbas. Mais tarde, em 1878, com a emancipação política, o vilarejo passou a pertencer ao Município de Brotas de Macaúbas. Hoje Pintada pertence ao Município de Ipupiara.

     Vizinhas a esta fazenda Barra do Mendes foram surgindo outras propriedades rurais com as suas respectivas casas. Assim, foi-se formando um pequeno arraial, que mostrou inclinação ou vocação para o desenvolvimento.

         O Município de Barra do Mendes possui uma vasta área de terras férteis, de cor avermelhada, boa para o plantio de pastos e cereais, principalmente milho, feijão e outras lavouras, como, algodão e mamona. O grande problema para a agricultura local é a seca, com prolongada escassez de chuvas. Nos últimos anos esse problema tem-se agravado, da mesma forma como tem acontecido em todo o sertão. Em alguns anos as chuvas se concentram com maior frequência e intensidade num mês, como aconteceu em janeiro de 2016, quando houve excesso de chuvas, fazendo transbordar os riachos, açudes e tanques. Naquele mês a enchente do Rio Guaribas (divisa entre Barra do Mendes e Ipupiara) foi tão forte que arrastou uma ponte de concreto, obrigando e levando as autoridades para o trabalho de abrir um desvio. Barra do Mendes possui uma bela barragem com o nome Barragem Eujácio Simões, também conhecida como Açude Landulfo Alves, tendo em uma das suas margens um impressionante lajeado natural.

        É interessante observar que dentro do território deste Município está situado o garimpo do Marrão, localizado à beira da estrada que liga Barra do Mendes a Ipupiara (antigo Jordão). Entre os anos de 1940 e 1950 este garimpo produziu muito cristal. Após a descida da Serra do Marrão encontra-se o Vale das Guaribas.

      No território do Município encontram-se conjuntos de grutas, riachos e rios, destacando-se o Rio Vereda do Jacaré. Os geógrafos não esquecem de mencionar o Rio Guaribas, que é um rio sinuoso e atravessa várias vezes (em formato zigue-zague) a estrada que vai da cidade de Barra do Mendes até a cidade de Ipupiara. É um rio temporário por onde desce muita água na temporada das chuvas. No passado, no período chuvoso, em dias de muitas chuvas, os tropeiros com seus animais carregados cruzavam esse rio por duas ou três passagens com pés enxutos. No cruzamento seguinte a água já chegava na canela dos animais e atravessavam com certa dificuldade. Ao chegar na quinta ou sexta passagem não era mais possível prosseguir nem voltar, pois o nível da água já estava muito alto. Tinham que ficar acampados entre uma passagem e outra (1 a 2 km. de distância), até a água baixar. O meu pai, Nizan Ribeiro, era tropeiro entre 1946 a 1953. Ele contava que passou por essas aventuras várias vezes.

       Esta parte da Chapada Diamantina apresenta histórias de lutas políticas, batalhas travadas entre os coronéis do sertão. Durante muitos anos várias partes do Brasil foram dominadas pelo sistema chamado de coronelismo. (2) Há registros em páginas impressas e na memória dos mais idosos, passadas de pai para filhos, sobre as histórias das lutas do Coronel Militão Rodrigues Coelho com seus homens contra o Coronel Horácio Queiroz de Matos com seus comandados.

         O Coronel Militão Coelho nasceu no povoado de Umbaúba, que naquela época pertencia ao Município de Brotas de Macaúbas. Hoje Umbaúba é um bairro localizado ao sul da cidade de Ipupiara (antigo Jordão e anteriormente Fundão). Aos 18 anos de idade Militão Coelho mudou-se para Barra do Mendes, onde fixou residência. (3) O Coronel Horácio de Matos nasceu no povoado Capim Duro, que na época, também pertencia ao Município de Brotas de Macaúbas. Horácio de Matos, mais novo de idade, esteve em outros lugares e depois fixou residência em Lençóis. (3)

       Publicações e registros históricos dão conta de que aqui o povo desta terra enfrentou e combateu a Coluna Prestes quando estes “revoltosos” (revolucionários) penetraram nas terras que hoje pertencem a este Município. A viúva, Da. Maria Romana Farias é considerada heroína pelo fato de enfrentar e dialogar com o comandante dos revoltosos que acamparam-se por dias nesta parte da Chapada Diamantina.

      Alguns revoltosos integrantes do Destacamento Djalma Dutra, ao entrar no povoado, invadiram a casa de negócios que pertencia a Da. Maria Romana. Ela, muito corajosa, foi pessoalmente ao comandante e em diálogo solicitou que não maltratasse a população. Foi logo atendida pelo comandante do 4° Destacamento. Conforme conta o Prof. e Jornalista Renato Luís Bandeira, sobre esse episódio. Assim se expressou o escriba da Coluna Prestes:

“O gesto de Da. Maria Romana, permanecendo no povoado e intercedendo a favor de seus habitantes, foi incontestavelmente de uma grande nobreza e coragem, e nos cativou, por demonstrar que ela confiava no cavalheirismo das nossas tropas, não se tendo deixado impressionar com as calúnias que o bernardismo espalhava a nosso respeito” (4).

_______________

 

    (1)  Relatório IBGE/Cidades/Bahia/Barra do Mendes. Acesso em 25/12/2017.

   (2)  O termo coronelismo refere-se aos coronéis do sertão, homens de grande influência na política regional brasileira. Os Coronéis foram assim chamados em função da patente concedida pela Guarda Nacional, criada em 1831. Eram, normalmente, fazendeiros de grande carisma, que tinham o dom da iniciativa, poder econômico, prestígio e grande notoriedade entre os habitantes da região. Ao receber a patente o Coronel recebia também a farda, a espada e as insígnias, que simbolizavam poderes, privilégios e responsabilidades legais. O coronelismo foi extinto após 1930, no governo do Presidente Getúlio Vargas. Enciclopédia Barsa, vol.  6, pág. 3 Encyclopaedia Britânica do Brasil Public. 1995, Rio de Janeiro - RJ.

                                                                                                                   

(3)   Mário Ribeiro Martins, em seu livro Coronelismo no Antigo Fundão de Brotas, 5ª. edição, pág. 82. Edit. Kelps – 2010.    

 

   (4)         Renato Luís Bandeira, em seu livro: A Coluna Prestes na Bahia – 90 anos, 3ª. edição. Editora Vozes Ltda.– Petrópolis, RJ.

 


 

SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

saul.ribeiro1945@gmail.com

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

TROVAS DO FILEMON

 




 TROVAS DO FILEMON

       

Não me queixo desta vida,
apesar da minha idade.
Queixo, sim, da despedida
que me trouxe esta saudade.

Quando a amargura me assalta
e a tristeza o peito invade,
eu sinto que a tua falta
vai me matar de saudade.

Nesta manhã reluzente
de sol aquecendo a terra,
vejo a beleza presente
no teu olhar cor de serra.

Entre flores, no meu sonho
estavas nos braços meus.
Mas de repente, tristonho,
acordei ouvindo “adeus”.

TROVAS EM FAMÍLIA

 


(FOTO DE CELENE JINKINGS MARTINS, ITANHAÉM - SP)



TROVAS EM FAMÍLIA


VEJO A PROVA FULGURANTE
DE UM PODER QUE NÃO TEM FIM,
NUMA ESTRELA – BEM DISTANTE,
NA VIDA – DENTRO DE MIM.
         CARLOS RIBEIRO ROCHA

AQUELE QUE QUER NA VIDA
PENSAR SOMENTE EM TER SORTE...
NÃO LEMBRA, COM TANTA LIDA,
QUE TUDO ACABA COM A MORTE.
         LAURENTINA MARTINS DOS SANTOS

COM OLHOS FITOS NO CHÃO,
VOCÊ SÓ VÊ A TRISTEZA.
LEVANTE A CABEÇA, IRMÃO,
E CONTEMPLE A NATUREZA!
         MÁRIO RIBEIRO MARTINS

A DISTÂNCIA É QUE NOS MATA
PORQUE VEM LOGO A SAUDADE;
SAUDADE – PRESENÇA INGRATA
DE ANTIGA FELICIDADE.
         FILEMON MARTINS

(JORNAL O RADAR, ABRIL DE 1999. PÁGINA 19)

TEXTO DE ANTENOR DEMETERCO - CURITIBA - PR. VIA FACEBOOK

 




TEXTO DE ANTENOR DEMETERCO – CURITIBA – PR – VIA FACEBOOK

 

          Como posso ter esperanças no novo governo? Vamos raciocinar sem partidarismos. Lula tem relacionamento íntimo com Jacques Wagner  e Guido Mantega, ambos envolvidos no escândalo Banco Master.  Faz acordo com Moraes (129 milhões) e Alcolumbre (30 milhões de dólares), em casa do primeiro, ambos ligados a Vorcaro. Lula vence as eleições sem corar a face. Aprova com Alcolumbre um dia a menos de trabalho semanal no período eleitoral. Seu espólio  deixa 80 % do povo endividado, e uma taxa de juros imoral, consequência da sua dívida pública de 11 trilhões e 100 bilhões. 

          O seu ódio ao trabalho regular criou 50 milhões de bolsistas, desestimulados para trabalhar, com menos trabalho semanal. Sua votação não tem condições de recontagem, e a publicação de seu resultado sofreu paralisação por duas horas, em decorrência de uma liminar estrambótica concedida por ministro seu anterior advogado pessoal. A liminar extrapolou o pedido, com extensão para todo o país, e todas as suas urnas. Lula não tem equipe econômica, é alérgico a controle de despesas, e não é amigo de Banco Central independente. 

          Na realidade, não sabe o que fazer no campo econômico-financeiro. Chegou a ouvir a respeito o vorcariano Mantega. Esta eleição não é reconhecida por importantes governos de países clientes, como EUA e Argentina, e Israel. Metade da Nação o rejeita, ante a divisão do país. Lula jovem não retirou as massas da pobreza, ao contrário, administrou a triste condição das mesmas. Hoje, avançado na idade não tem condições de fazer promessas. E se as fizer, não vai cumpri-las. Pode afirmar que não prometerá cumprir as promessas que fará. Seu governo pode se transformar em um terceiro turno moral. Seu empenho será de continuar manipulando as instituições, com seus amigos que as integram, para ultimar um governo queimando óleo. 

          Só terá êxito se acontecerem milagres, iguais ao da sua vitória na eleição, carregando uma rejeição bíblica. Seu governo anterior surgiu da anulação de processos da corrupção do petrolão, e este está surgindo do engavetamento do escândalo Vorcaro. Sempre a sombra de escândalos.

 

05.11 2026 

 


quinta-feira, 5 de novembro de 2026

TROVAS DE GRANDES POETAS

 




TROVAS DE GRANDES POETAS



Amor, palavra que inspira
todo um mundo de ternura,
no fundo é a eterna mentira,
que não mata – mas tortura. (Colombina)

Eu vi o rio chorando,
quando te foste banhar,
por não poder, te banhando,
dar-te um abraço, e parar... 
(Adelmar Tavares)

Quero ser livre, é verdade.
Entretanto, os olhos meus,
vivem minha liberdade
na prisão dos olhos teus! 
(Lilinha Fernandes)

Riste de mim, e, portanto,
o nosso amor já não vive...
- Foi culpa do teu encanto
o desencanto que tive. 
(Walter Waeny)

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

TROVAS DO FILEMON

 





TROVAS DO FILEMON


 


Quem semeia em seu caminho

a semente da bondade,

planta a paz, planta carinho

e colhe amor à vontade.


Essa mágoa, essa tristeza

que paira no meu viver

me traz a plena certeza:

“neste mundo hei de vencer!”


É sempre bom recordar

para viver com decência,

vale uma vida exemplar

em nossa curta existência.


Se queres ter um porvir,

é preciso pensar forte,

que a vida pode sorrir

nascendo depois da morte.

TROVAS - ESCADA - FILEMON MARTINS

 




TROVAS – ESCADA


 Filemon Martins (carona com José Ouverney-SP)


 
“Tentando abrir a porteira”
que prende meus lindos sonhos,
ouço a saudade matreira
falando em dias risonhos.

“O esforço que o vento faz”
passando pelo telhado
dá-me a sensação de paz
que ficou lá no passado.

“Que eu chego a ouvir, da soleira,”
uma canção de ternura
que a brisa sopra, ligeira,
tangendo a doce ventura.

“No sertão é tanta paz”
que a vida para, intrigante,
e o coração é capaz
de sorrir, mesmo distante.


 
NO TOPO:


 “NO SERTÃO É TANTA PAZ
QUE EU CHEGO A OUVIR, DA SOLEIRA,
O ESFORÇO QUE O VENTO FAZ
TENTANDO ABRIR A PORTEIRA.”

 JOSÉ OUVERNEY-SP.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

TROVAS DE O RADAR

 




TROVAS DE O RADAR 


 

Tarde... Um chorão se curvava

para ver na água, faceira,

a flor do ipê que bailava

nas espumas da cachoeira.

     Elizabeth Martha Paschoal


Deus, que é bom, certo perdoa

defeitos que a gente tem;

o sol é rei, tem coroa,

porém tem manchas também...

     Jacy Pacheco


É bem frequente enfartar

coração de confidente,

pois não aguenta abrigar

segredos de tanta gente.

     Heloísa Siqueira Pacheco


 


(COLUNA TROVAS, DE MARIA THEREZA
 CAVALHEIRO)

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

MEUS MORTOS ESTÃO VIVOS! - SILVINO NETTO

 




 

MEUS MORTOS ESTÃO VIVOS!

Silvino Netto, cultivando flores de Amor-Perfeito no Jardim da Saudade. 02.11.2026.

Hoje é Dia de Finados!
Mas meus finados não estão mortos!
Embora tenham partido,
Meus mortos continuam vivos,
Presentes, jamais esquecidos!

Dizem que a morte é o fim,
Mas, pra mim, não é bem assim!
Pois quem amamos de verdade
Não morre, transforma-se em saudade!

Meu pai Antônio, minha mãe Gigi,
Meu irmão Samuel, que também partiu,
E tantos outros que tanto amo e amei,
Não os sepultei, nem jamais esquecerei!

Seus corpos à terra entregamos,
Mas o amor não enterramos!
Pois há lembranças que guardamos,
Vivas, dentro dos corações!

Tenho um jardim especial,
Que não é um jardim convencional!
Nele cultivo, com amor e amizade,
As flores do meu JARDIM DA SAUDADE!

Ali floresce o amor de mãe e pai,
O carinho do irmão Samuel
E de tantos outros que partiram para o céu,
Mas  jamais, no esquecimento caíram!

E entre as flores da saudade,
Cultivo o Amor-Perfeito,
No jardim do meu peito!

Às vezes, uma lágrima cai,
Quando uma lembrança vem e vai.
Mas logo um sorriso aparece,
E meu coração refloresce!

No cemitério repousam seus corpos,
No meu peito florescem seus passos!
São lembranças tão queridas,
Que permanecem sempre vivas!

E quando chegar minha vez de partir,
Um reencontro hei de curtir!
Pois a fé que ferve no meu coração
Me faz ter certeza da ressurreição!

Por isso, neste Dia de Finados,
Não quero meus mortos chorar,
Mas agradecer aos queridos
Que Deus me permitiu amar!

Então, meus mortos não são finados!
São amores eternizados!
São flores da minha saudade,
No meu jardim da eternidade!

Porque quem vive no coração
Não morre com a separação!


Silvino Netto poenetto@gmail.com


NOVEMBRO/26 - FINADOS

 

NOVEMBRO/26 – DIA DE FINADOS

 

São muitos familiares que nos deixaram. Já estão no Plano Superior. Dessa forma, escolhi homenagear os dois, onde tudo começou: ADÃO FRANCISCO MARTINS (PAI) e FRANCOLINA RIBEIRO MARTINS (MÃE)

 

 

                               PAI

À memória de meu pai, Adão Francisco Martins, cujo exemplo devo a minha formação e a quem trago presente  a cada instante da minha vida.




Eu quisera vencer o firmamento
e penetrar nos céus, na eternidade,
para dizer-te, ó pai, nesse momento,
a amargura que sinto, que me invade!

Quisera ter de Deus consentimento
para transpor o espaço, a imensidade,
e contar-te da mágoa e do tormento
de um coração que chora de saudade.

Pois quando tu partiste deste mundo,
meu sofrimento se tornou profundo,
que a minha vida consumindo vai...

Porém, nos vendavais dos empecilhos,
que eu possa palmilhar os mesmos trilhos,
que nesta vida palmilhaste, pai!

 

(07/01/1970 – Faz 56 anos que nosso pai nos deixou. Este soneto também está fazendo 56 anos. Eu o escrevi quando tinha 20 anos).

 

 

À MINHA MÃE





Quanta falta me faz
o teu colo, mamãe.
Às vezes me pego sonhando
e confabulando sobre assuntos diversos.
Um relicário de saudade!
Quantas vezes ouvi tua voz severa e dura,
mas cheia de ternura e de carinho
ao falar comigo, quando ia visitar-te.
Quantas vezes choraste em silêncio
com a ausência de teus filhos?

Como pode a dor pesar tanto no meu peito?
A saudade toma conta do meu coração.
Meu sonho bonito e risonho foi desfeito.
Se me viste nascer, crescer e viver,
por que partiste sem dizer adeus?

Meu coração soluça de saudade,
que tortura é sofrer e chorar?
A dor de ficar na orfandade
nunca vai acabar.

Estes versos escrevo chorando,


lamentos de um coração,
- por que não te vi partir?
Lágrimas vou derramando
mergulhado no desgosto e na saudade
de nunca mais te ver.

Mas eu te bendigo, mãe, onde estiveres
com todo amor e minha inspiração,
meus versos são teus, eu os deponho porque aqui, de joelhos, eu te entrego meu amor, minha luz, meu coração.

 


FILEMON MARTINS

Escritor, cronista e poeta 


domingo, 1 de novembro de 2026

TROVAS DE ADELMAR TAVARES

 




TROVAS DE ADELMAR TAVARES


Eu vi o rio chorando

quando te foste banhar,

por não poder, te banhando,

as suas águas parar.


Benditos sejam teus olhos

tristes, de melancolia...

- Da tristeza desses olhos

é que vem minha alegria.


As penas, hoje, em que estou,

contei ao sol - fez-se triste.

Disse-as à noite - chorou

Disse-as a ti - e sorriste.


Lindo luar no céu flutua

Ao violão canto meus fados,

que Deus fez noites de lua

para os que são namorados.


(LIVRO "ADELMAR TAVARES - UM TROVADOR AO LUAR", PÁGINA 128)

sábado, 31 de outubro de 2026

O QUE ESPERAR DO 4º MANDATO DO PRESIDENTE LULA? - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

 

O QUE ESPERAR DO 4° MANDATO

DO PRESIDENTE LULA?

 

O Presidente Lula foi reeleito e declarado como o 40° presidente do Brasil pelo Presidente do TSE. O novo mandato terá início no dia 5 de janeiro de 2027.

 

                  

 

   O Presidente Lula da Silva foi declarado reeleito. E agora? Nestes dias da história atual do Brasil, olhando com serenidade e sem preferência partidária, convém lembrar o adágio popular português, que diz o seguinte: “Tudo como dantes na terra de Abrantes”. Olhando o passado, temos que os princípios, as ideologias e o modo de governar que regem o PT vão continuar sendo colocados em prática.

       Muitas pessoas afirmam que muita coisa vai mudar para melhor. Outras estão indagando querendo saber como vai ser. Fazem perguntas, quando dizem: será que do 3° para o 4° mandato vai mudar alguma coisa? Será que a situação do Brasil vai melhorar? Todos percebem que muitas coisas precisam mudar, muitas coisas precisam ser aperfeiçoadas, e outras precisam ser abolidas.

      O povo brasileiro, na sua maioria, é um povo bom e ordeiro, porém sofredor e confiante que a partir de 2027 tudo será melhor. Sofredor e confiante – essas duas palavras são adjetivos fortes e inspirativos. Essas duas qualidades do povo brasileiro vêm de muitos anos.

    O povo ouviu as promessas feitas pelo presidente em setembro deste ano, quando faltavam poucos dias para as eleições. O povo sabe e conhece o ditado popular que diz “Promessa é dívida”. Será que o presidente Lula vai pagar as promessas que fez? Aliás, dívida e gastança é com o governo. Como pode ter dinheiro para cumprir as promessas? Ele prometeu perdão das dívidas para os microempresários, os MEIs, Pé-de-Meia para Universitários, ampliação do Bolsa Família. Prometeu pacotes de assistencialismo. Foram promessas/narrativas feitas de grande aceitação pelo povo, mas parece que tudo foi promessas vazias. As promessas feitas poderiam causar um gasto da ordem de 250 bilhões de reais.      Há muita gente dizendo que o governo será “o mesmo do mesmo”.

      O governo não tem dinheiro e por isso precisa tomar de imediato duas providências. Precisa aumentar impostos, e isso já vem fazendo e a partir de 2027 vai aumentar o peso. Precisa fazer cortes no orçamento e já planeja cortar 6 bilhões de reais na educação e na saúde. O governo precisa tomar cuidado com as providências para não estrangular empresas e consumidores. Precisa oferecer melhores condições para as empresas estatais saírem do prejuízo em que se encontram. Contudo, o Brasil e os brasileiros vão continuar em movimento, é necessário olhar pra frente.

       É importante cada eleitor ficar atento e observar o político para quem colaborou com o voto para elegê-lo, seja deputado, senador, governador e até o presidente. Procure saber qual o número do celular do gabinete do seu político eleito e mande mensagens escritas para ele.


 


Saul Ribeiro dos Santos

Cont. e economista aposentado

Natural de Ipupiara – BA.

saul.ribeiro1945@gmail.com


RESISTÊNCIA - A. GARIBÁLDI

 




RESISTÊNCIA

 

Não foi em vão que os mártires morreram

Europa além.

Trucidados, queimados, fuzilados:

O sangue que verteram representa o resgate,

E o seu sacrifício é lição e exemplo,

Para que a Liberdade não fosse uma palavra vã.

A liberdade que temos conquistaram-na eles;

Nós temos que guardá-la e defendê-la:

Custou sangue, lágrimas e vidas.

Corações de pé, como bandeiras,

Esta luta é sem fim, pela Liberdade!

Pela noite sangrenta levantai-vos, lutai:

É preciso esmagar a escravidão e a opressão.

A vida só é digna de viver-se livre!

 

 

A.             GARIBÁLDI

 

Resenha biográfica:

 

Nasceu em Braga, Portugal, em 1913.

Realizou estudos secundários na sua terra natal.

Praticou várias profissões. Exerce atualmente o jornalismo.

Conhecido como anti-facista, três vezes a Pide lhe assaltou a casa.

Pertence a mais de 50 academias nacionais e estrangeiras.

Colabora em numerosas publicações da Europa e da América Latina

Sua obra poética foi traduzida para vários idiomas, entre outros, Galego, Basco, Castelhano, Francês, Italiano, Alemão, Inglês, Grego, Russo, Ucraniano, Árabe etc.

 

Faleceu em 20 de agosto de 1992.

 

(LIVRO “ARESTAS NA CHAMA”, com a participação de 2 (dois) poetas: J. A. PINTO DE MATOS E ÁLVARO DE OLIVEIRA)