domingo, 6 de setembro de 2026

MERO CONTO DA CAROCHINHA? - PARTE I - FILEMON MARTINS

 



MERO CONTO DA CAROCHINHA?

PARTE I



       Escrevi, certa vez, um poema com o título ALERTA, inserido na página 143 do ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL, 3º volume, 1980, Rio de Janeiro, organizado pelo saudoso APARICIO FERNANDES, e publicado em meu livro FLORES DO MEU JARDIM, 1997, 1ª edição e em 2016, 2ª edição, que dizia: -
“Querem abafar nosso grito, reprimir nosso direito, porque a Verdade sempre dói quando lançada em rosto. Por que protestar, se tudo vai bem? Além do mais, é ilegal dizer a Verdade, principalmente se ela contraria as regras do poder”.

       Pois é, a cúpula do PT com suas promessas, fez nascer nos corações brasileiros uma esperança que há tempos estava morta. Lula vinha se firmando no cenário político nacional muito antes do ano 2000, quando já havia disputado, sem sucesso, outras eleições. Seu discurso empolgava as massas, ávidas para ter um Brasil justo, mais feliz e mais humano. Até este escriba embalado pelo sonho de ver o Brasil no rumo certo, escreveu: “Ao som das ondas do mar com trabalho e competência, o Brasil quer prosperar com Lula na Presidência”! Finalmente em 2002 o homem foi eleito Presidente da República, para o período de 2003 até 2006.     É bom registrar que em seu discurso de posse no Congresso Nacional, com as presenças de Fidel Castro e Hugo Chaves, entre outros, Lula afirmou: “Ser honesto é mais do que não roubar; é também aplicar com eficiência e transparência, sem desperdícios, os recursos públicos”.  O “homem do povo” foi aplaudido de pé. Foi nesse discurso demagógico que muitos brasileiros de boa-fé acreditaram: “salário de trabalhador não é renda” - ele dizia. Outra pérola:- “não é correto o empresário pagar ao trabalhador o vale refeição, porque só ele se alimenta bem, enquanto sua família sofre privações. O certo é que ele receba um salário digno que possa sustentar-se e também à sua família”. Mas ao contrário do que pregava, os projetos das Reformas Previdenciária e Tributária, foram alinhavados para beneficiar empresas, banqueiros, empresários e subtrair direitos dos trabalhadores.

       O jeito petista de governar, no entanto, ficou bem claro desde o primeiro mandato, quando explodiu o escândalo dos Correios, e em seguida o caso do mensalão (compra de votos para aprovação da Reforma da Previdência) que culminou na taxação de inativos e pensionistas do serviço público federal, dando origem a Apelação 470, julgada pelo STF, quando o STF ainda era sério, cujo relator, na época, era o Ministro Joaquim Barbosa. Ainda no primeiro mandato do petista, li nos jornais que o presidente Lula havia escolhido e nomeado 12 conselheiros para estudar a Reforma da Previdência e entre esses estavam os maiores devedores do INSS. Pensei comigo: deve ser intriga da imprensa ou brincadeira de mau gosto. Que nada! Era a generosidade do chefe do PT agraciando as raposas com o galinheiro. Lembrei-me também que alguns jornais publicaram a relação dos devedores “históricos” do INSS e o Ministro, na época, Ricardo Berzoini, da Previdência, afirmou que os milhões de reais devidos ao INSS era “muito difícil de ser recuperado”.    Como explicar aos servidores federais que estão sem reajuste há muito tempo por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal? Mais fácil mesmo e mais vantajoso é atacar os trabalhadores de modo geral: taxar inativos, reduzir aposentadorias, aumentar a idade mínima para que “a classe trabalhadora morra antes de se aposentar”. Palavras de Lula, em 1987, quando Lula ainda era candidato. O povo brasileiro, pelo menos os que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva, queriam dignidade, coerência, ética, decência e não o que se viu nestes anos de governo. Reuniões, reuniões e nada. Ainda assim com o carisma que lhe é peculiar, reelegeu-se para o segundo mandato que foi até 2011. A verdade é que o povo ficou decepcionado com os políticos, com raras exceções, se é que elas existem. Qual é a

perspectiva do povo até agora? - Nenhuma. O que se viu foi muita falação e pouco trabalho.

     Por outro lado, graças a sua persuasão e o poderio econômico do PT e seus aliados, Lula conseguiu eleger sua sucessora Dilma Rousseff, que havia substituído José Dirceu, na Casa Civil, depois do rumoroso escândalo do mensalão.  Reeleita para o segundo mandato, a petista foi afastada em 2016 por um processo de “impeachment”, dando lugar a seu vice, do MDB, Michel Temer.

       O PT (Dilma Rousseff) e o MDB (Michel Temer) foram respaldados com quase 55 milhões de votos para cumprir seu programa de governo e honrar suas promessas de campanha, mas nunca as cumpriu. Imagine a decepção do povo ao constatar que o PT e MDB, que prometeu mudanças, novos empregos, manutenção dos já existentes, saúde, educação e crescimento econômico foi-se tornando um pesadelo para o Brasil.

 

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DO CLUBE BAIANO DE TROVA, SALVADOR, BAHIA

DA ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU - SP


sábado, 5 de setembro de 2026

PREENCHENDO OS ESPAÇOS VAZIOS

 





 

Preenchendo os Espaços Vazios


Numa aula de Filosofia, o professor queria demonstrar um conceito aos seus alunos. Para isso, pegou um vaso de boca larga e colocou dentro dele, primeiramente, algumas pedras grandes. Então perguntou à classe:

— Está cheio?

Pelo que viam, o vaso estava repleto, por isso todos os alunos responderam:

— Sim!

O professor pegou um balde de pedregulhos e virou dentro do vaso. Os pequenos pedregulhos se alojaram nos espaços entre as pedras grandes. Então, ele perguntou aos alunos:

— E agora, está cheio?

Desta vez, alguns estavam hesitantes, mas a maioria respondeu:

— Sim!

Continuando, o professor levantou uma lata de areia e começou a derramar a areia dentro do vaso. A areia preencheu os espaços entre as pedras e os pedregulhos. E, pela terceira vez, o professor perguntou:

— Então, está cheio?

Agora, a maioria dos alunos estava receosa, mas novamente muitos responderam:

— Sim!

Finalmente, o professor pegou um jarro com água e despejou o líquido dentro do vaso. A água encharcou e saturou a areia. Neste ponto, o professor perguntou para a classe:

— Qual é o objetivo desta demonstração?

Um jovem e “brilhante” aluno levantou a mão e respondeu:

— Não importa quanto a “agenda” da vida de alguém esteja cheia, ele sempre conseguirá espremer dentro, mais coisas!

— Não exatamente! — respondeu o professor. — O ponto é o seguinte: A menos que você, em primeiro lugar, coloque as pedras grandes dentro do vaso, nunca mais conseguirá colocá-las lá dentro. Vamos! Experimente! — disse o professor ao aluno, entregando-lhe outro vaso igual ao primeiro, com a mesma quantidade de pedras grandes, de pedregulhos, de areia e de água. 

O aluno começou a experiência, colocando a água, depois a areia, depois os pedregulhos e por último, tentou colocar as pedras grandes. Verificou, surpreso, que elas não couberam no vaso. Ele já estava repleto com as coisas menores.

Enfim, o professor explicou ao rapaz:

— As pedras grandes são as coisas realmente importantes de sua vida: seu crescimento pessoal e espiritual. Quando você dá prioridade a isso e mantém-se “aberto” para o novo, as demais coisas se ajustarão por si só: seus relacionamentos (família, amigos), suas obrigações (profissão, afazeres), seus bens e direitos materiais e todas as demais coisas menores que completam a vida. Mas, se você preencher sua vida somente com as coisas pequenas, então aquelas que são realmente importantes, nunca terão espaço em sua vida. Recomece. É uma boa sugestão. Esvazie seus vasos (mentais, emocionais) e comece a preenchê-los com as pedras grandes.


 

“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.” — Mateus 6:33

 

“Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” — Marcos 8:36

 

“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a

porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.”  Apocalipse 3:20


(FONTE: "HISTÓRIAS PARA GUARDAR DO ESQUECIMENTO", ORGANIZAÇÃO DE SAMMIS REACHERS)



MENSALÃO: UM JULGAMENTO INCOMPLETO - FILEMON MARTINS

 





MENSALÃO: UM JULGAMENTO INCOMPLETO                                                                     

“Mensalão. O maior escândalo da política brasileira, um esquema de compra de votos de parlamentares, denunciado no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT – Partido dos Trabalhadores)”.

                                                                 
      O esquema foi denunciado pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) em junho de 2005 ao jornal Folha de São Paulo. Na época, Roberto Jefferson, era acusado de envolvimento em licitações praticadas por funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), ligados ao PTB, do qual ele era presidente. Acuado por uma investigação, ele denunciou o escândalo do Mensalão.

      Segundo o deputado Roberto Jefferson, parlamentares da base aliada do PT recebiam uma “mesada” para votarem a favor dos projetos do governo. Havia também “mensaleiros” que seriam do PL (Partido Liberal), PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), PP (Partido Progressista), PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), incluindo o próprio PT (Partido dos Trabalhadores).

      Assim, deu-se início a Ação Penal nº 470, no Supremo Tribunal Federal, que, em novembro de 2013 determinou a execução das penas dos condenados. Inicialmente, 25 tiveram prisão decretada, posteriormente um deles foi absolvido ao ter os recursos aceitos pela Corte Suprema. Enfim, nas idas e vindas, Lula escapou, afirmando que nada sabia do Mensalão. Seus companheiros também o pouparam, enquanto seus homens de confiança caíram, Lula se manteve no cargo e se reelegeu em 2006, para infelicidade do país.

      No mês de março de 2014, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento dos réus acusados no esquema de corrupção, ou seja, a compra de votos com o objetivo de obter apoio político na Câmara pelo PT nos primeiros anos do mandato de Lula. Dos 40 denunciados, apenas 24 foram condenados ao fim do julgamento.

      Na noite do dia 27/08/2003, o então presidente Lula comemorava sua primeira e grande vitória na Câmara dos Deputados. Com 357 votos a favor e 123 contra, era aprovada a Reforma da Previdência.     Nove anos depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que o governo comprou votos para aprovar essa e outras propostas por meio do Mensalão. E foi assim que o Juiz mineiro Geraldo Claret de Arantes considerou a votação inválida ao julgar um processo sobre pensão de uma viúva de servidor público. Houve um roubo, o ladrão foi preso e condenado. Não há motivo para deixar o produto do roubo com a família do ladrão. O próprio ministro Celso de Mello, na época, afirmou que o “caso deve ser enfrentado pelo Supremo Tribunal Federal”. Ele comparou a validade das reformas aprovadas, como a da Previdência Social, à legalidade de sentenças proferidas por juízes corruptos: “É o mesmo que ocorre com um juiz corrupto, no qual suas sentenças podem ser anuladas mesmo que estejam em trânsito julgado”.

      Diante de tudo que foi aprovado pelo Congresso na época, fim do caso Mensalão? - Não! Em entrevista recente, Lula disse que o “julgamento do Mensalão foi 80% político e apenas 20% foi jurídico”. Mais uma bravata do político do PT.      Mas, é muito bom voltar ao assunto, porque o tema vai ficando esquecido: as leis que foram aprovadas entre 2003 e 2005, a reboque do mensalão são ilegítimas. Não é preciso ser advogado para responder. Muitos partidos políticos exploram em seus programas, assuntos como Fator Previdenciário, Reajuste da Tabela de Imposto de Renda etc. Mas não mencionam a taxação de inativos e pensionistas, embutida na Reforma.  - Por que será? Ora, como eu existem outros, se depois de 21 anos de trabalho na Empresa Folha da Manhã S/A; depois, por concurso público, na Prefeitura de São Paulo e por fim também mediante concurso público no Judiciário Federal, agora aposentado, por que tenho que continuar pagando 14% do meu salário? Será que ao me tornar um fantasma vou precisar de outra aposentadoria? Tenho certeza de que nosso sindicato, o SINTRAJUD, entrou com ação na justiça para derrubar essa injustiça cometida contra pensionistas e aposentados do serviço público federal ou pelo menos reduzir o percentual de desconto. Mas, até agora, nada. Fomos enganados. O que era para ser transitório, transformou-se em permanente. Já estamos em 2026.

      Continuo reafirmando aquilo que escrevi no meu livro “FAGULHAS”, referindo-me às reformas aprovadas no governo do PT, através da Emenda Constitucional nº 41, à custa do mensalão: “se não houver anulação desses atos, teremos um caos, porque, por enquanto, ainda contamos com um povo bom e honesto, não obstante o exemplo que vem dos governantes brasileiros”. E acrescento: sem anulação de tudo o que foi aprovado com a compra de votos, chegaremos à conclusão de que o crime compensa e muito.

      Não é por acaso que vivemos tempos tenebrosos no Brasil, com extrema violência, roubos e crimes em todas as cidades e lugares, além de desonestidade em todos os segmentos da sociedade brasileira.

      Estamos em 2026 e é difícil imaginar como anda a consciência daqueles que planejaram tal manobra, cujos resultados são nefastos para o país, aumentando a miséria, a pobreza, a dependência do povo, cada vez maior, ao sistema assistencialista do governo, que prefere ter o domínio do povo pelo cabresto, embora a propaganda oficial pinte uma realidade bonita, mas que nós, mortais que andamos pelas ruas, sabemos que não existe.

      É preciso mudar. Mudar tudo: Congresso, Senado, STF e, especialmente, o comandante do navio Brasil, que, há muito tempo está à deriva.

 

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DO CLUBE BAIANO DA TROVA

DA ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU/SP

 


O MISTÉRIO DA PRINCESA ESCONDIDA NA PÉROLA - JOSÉ FELDMAN

 




O Mistério da Princesa Escondida na Pérola


  

Saibam que o coração de um homem é um oceano mais profundo que o de Omã, e nele se escondem segredos que nem a rede mais fina pode capturar.

 

Após vender os diamantes da cidade resgatada, Aldhiyb Al-Abyad sentiu que o ouro pesava em seu espírito. Ele buscava algo que o dinheiro não pudesse comprar: a beleza absoluta. Partiu então para o Mar das Sereias, levando consigo um mergulhador cego de nascimento, que diziam ser capaz de ouvir o brilho das joias no fundo do abismo.

 

Próximo à Ilha de âmbar, o mergulhador gritou: "Lobo Branco! Há um silêncio que brilha sob a quilha!"

 

Aldhiyb lançou-se às águas e, após um mergulho que quase lhe roubou o fôlego, trouxe à superfície uma ostra do tamanho de um escudo de guerra. Ao abri-la com sua adaga de prata, não encontrou uma joia comum, mas uma Pérola de Cor de Aurora, tão grande quanto a cabeça de uma criança.

 

Ao pôr do sol, enquanto Aldhiyb observava a pérola, o objeto começou a pulsar como um coração. A casca de nácar tornou-se translúcida, e dentro dela apareceu, encolhida como um sonho, uma princesa de beleza indescritível. Ela era Lulwa, filha do Rei dos Mares, escondida ali por um Gênio das Correntes que desejava protegê-la (ou aprisioná-la) da maldade dos homens.

 

— "Ó Lobo Branco," suspirou a princesa de dentro de sua redoma de nácar, "meu pai deu-me esta prisão para que eu nunca conhecesse a dor. Mas prefiro um dia de sofrimento sob o sol do que uma eternidade de perfeição no escuro."

 

Aldhiyb percebeu que a pérola só se abriria se fosse banhada pelo sangue de um sacrifício voluntário ou pelo suor de um trabalho honesto. Recusando-se a ferir alguém, Aldhiyb e sua tripulação remaram contra uma calmaria mortal por sete dias e sete noites, sem velas ou vento, apenas com o esforço de seus próprios braços para levar a princesa até a Ilha do Primeiro Raio.

 

Quando o suor do esforço de Aldhiyb caiu sobre a pérola, ela se partiu em mil pétalas de luz. Lulwa surgiu, mas não como uma humana: ela transformou-se em uma brisa fresca que empurrou o navio com suavidade e gratidão. Antes de partir para o reino das nuvens, ela deixou na mão de Aldhiyb um pequeno grão de areia que, quando colocado ao ouvido, permitia-lhe entender o idioma das aves.

 

Ele voltou para casa com o porão vazio de mercadorias, mas com a mente cheia de canções que os pássaros traziam de terras que nenhum mapa ousava desenhar.



(FONTE: "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)


VAIDADE - FLORBELA ESPANCA

 



           (FOTO DE VALDIR VASCONCELLOS, EM PORTUGAL)


VAIDADE

Florbela Espanca
Vila Viçosa/Portugal (1894 - 1930) Matosinhos/Portugal


Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quanto mais no céu eu vou sonhando,
E quanto mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...E não sou nada!...


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


Não permitas que a amargura
domine teu coração.
Canta um salmo de ventura,
busca a Deus em oração.

De manhã a Natureza
desperta cheia de cores.
Um colibri - que beleza,
vem beijar todas as flores.

Pondo amor nas minhas trovas,
meu peito fica a cantar.
É que as minhas boas novas
sem asas, querem voar.

Minha vontade tão louca,
era somente um enleio:
dar um beijo em tua boca
e adormecer em teu seio.

COISAS PARA NÃO ESQUECER

 





   COISAS PARA NÃO ESQUECER, CONFORME O ALMANAQUE DO PENSAMENTO, 1958 E CONSTANTE EM MEU LIVRO FAGULHAS, PÁGINA 60:

01.    O VALOR DO TEMPO;
02.    A VITÓRIA DA PERSEVERANÇA;
03.    O PRAZER DO TRABALHO;
04.    A NOBREZA DA SIMPLICIDADE;
05.    O MÉRITO DO CARÁTER;
06.    O PODER DA BONDADE;
07.    A INFLUÊNCIA DO EXEMPLO;
08.    A CONSCIÊNCIA DO DEVER;
09.    A SABEDORIA DA PREVIDÊNCIA;
10.    A VIRTUDE DA PACIÊNCIA;
11.    O DESENVOLVIMENTO DO
        TALENTO      
12.    A ALEGRIA DE CRIAR.

             
                Hoje, convenhamos que estes valores perderam sua razão de ser, infelizmente.



BUACA - FILEMON MARTINS

 






             BUSCA 

              Filemon Martins

 

Quando a noite chegou apresentando a lua, 
uma brisa soprou trazendo o teu perfume, 
meu coração buscou, feliz, a imagem tua, 
mas não estavas lá, daí o meu queixume.
 

E desde então, a vida triste continua 
à procura de luz, buscando novo lume 
que possa conduzir a nau que já flutua 
no tenebroso mar que a vida se resume.
 

Eu já perdi o rumo e não sou mais criança 
para viver submisso em troca da esperança 
de te reencontrar, quem sabe, qualquer hora.
 

Tarde demais. O tempo passa cruelmente 
matando a vida, o amor, a paz, deixando a gente 
nesse vazio pesado e triste que apavora! 

INCOERÊNCIAS POLÍTICAS - FILEMON MARTINS

 




          INCOERÊNCIAS POLÍTICAS



      Todos sabemos que o povo brasileiro tem vivido dias angustiantes. Continuam os problemas nos setores da saúde, segurança, emprego, educação, saneamento básico, qualidade de vida, sem que nossos governantes façam alguma coisa para mudar tal situação.
      A sobrecarga de impostos e taxas sobre as empresas e produtos tem dificultado a contratação de pessoal e as oportunidades de trabalho vão ficando cada vez mais raras para muitos profissionais. Muitas indústrias estão deixando o país, porque temos um comandante do navio, que só aprendeu a prometer e não cumprir, e a gastar demais. Do nosso parco salário (que para Lula antes não era renda, agora parece ser fortuna), são descontados 27.50% de (IRRF) Imposto de Renda Retido na Fonte, mais 14% de taxação de inativo, (graças ao mensalão do Lula em 2002), além do valor exorbitante do convênio médico etc.

      Não obstante o otimismo de brasileiros bem-intencionados, o Brasil nestes últimos 50 anos tem sofrido brutalmente entre dois extremos. Temos dois países em um só. De um lado, temos avançado com a conscientização de parte da sociedade capaz de cobrar transparência e ética na política. Do outro, pouca instrução da população, a pobreza extrema e a miséria facilitam a vida de políticos sem-ética que insistem em manter no cabresto seu eleitorado.
      A partir de 1964, tivemos o período da ditadura militar, que prometeu desenvolvimento e austeridade na gestão do dinheiro público, mas se perdeu no combate aos que falavam outra “língua” e o regime descambou para prisões, torturas e matança de muitos brasileiros, estagnando o país. Aí veio o presidente civil José Sarney, (Plano Cruzado) e basta ver a miséria em que vive boa parte do povo maranhense, especialmente no interior, para se saber que o homem e sua família, tantas vezes governador do Estado, nada fez pelo Maranhão e pelo Brasil, então...

      Passamos pela tragédia Collor        de Mello, “o caçador de marajás”, hoje – imaginem! – Cumprindo pena em casa, em Alagoas. Na sequência, tivemos Itamar Franco, o presidente do “fusquinha” e criador de Fernando Henrique Cardoso, o intelectual que lhe sucedeu na Presidência da República, com fantasias neoliberais, cujas privatizações (entrega do patrimônio público ao capital privado) têm custado caro aos brasileiros, haja vista o preço que pagamos pelos produtos, como telefone, luz, aço, juros bancários, dívida externa etc. Dois mandatos para nada fazer, a não ser desmontar o Serviço Público Federal.

      Agora, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, já em terceiro mandato, com intercalações de governo, entre Dilma (deposta no 2º mandato), Michel Temer e Jair Bolsonaro, cujos períodos foram recheados por muita corrupção. A sociedade brasileira está escandalizada com o procedimento do Congresso Nacional, composto por políticos interesseiros, cujos currículos longe da TV e dos holofotes, fazem inveja a qualquer meliante.

São estes Senadores e Deputados que votam decisões importantes para o Brasil, como PAC, REFORMAS, LEIS que prejudicam a maioria da população, subtraindo direitos dos trabalhadores, para beneficiar banqueiros, empresários e a seus próprios negócios. Diante deste quadro de troca de favores, é possível esperar alguma coisa boa?       Até agora, infelizmente, a vitória é da impunidade, dos conchavos e nos dá a dimensão dos bastidores de Brasília.

Os políticos do Brasil não aprenderam a lição do grande Apóstolo Paulo: “TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS ME CONVÉM”.

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador,   Bahia.


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

COISAS MODERNAS - FILEMON MARTINS

 




 

COISAS MODERNAS

 

 

Nunca ouvi dizer nem li em nenhum compêndio de Psicologia ou de Psicanálise que a cor da pele, barba por fazer, cabelo curto, comprido, crespo, cacheado, liso pudesse interferir ou mudar o caráter de uma pessoa. Mas, afinal, o que significa caráter? É comum ouvirmos a expressão referindo-se a determinado político, que ele é mau caráter. Existe bom e mau caráter? No linguajar coloquial ou popular a gente diz: aquele sujeito é mau caráter, mas na verdade é justamente o que lhe falta: caráter.

Aliás, o mundo está cheio de pessoas sem caráter. Pouco importa se alguém cursou faculdade, fez pós-graduação, é PhD ou tem doutorado em Educação, Filosofia, Psicologia, Política, Economia ou em qualquer outra área. Acredito que o caráter esteja ligado aos valores morais e éticos que orientam uma pessoa. Sabe-se que alguns indivíduos reúnem muitos atributos: são instruídos, ricos e têm currículos admiráveis, mas lhes falta caráter e, muitas vezes, estão sempre inclinados à trapaça. Por outro lado, há pessoas formadas na lida com a enxada, a foice, o machado e o trabalho pesado, de sol a sol, para ganhar quase nada — e são justamente essas que demonstram verdadeiro caráter.

Estamos vivenciando o limiar de novas eleições no Brasil. O que se lê, o que se propaga por aí, na imprensa, jornais, televisão e redes sociais é de estarrecer. São publicações nitidamente tendenciosas, indecentes, caluniosas, escritas e pagas ou patrocinadas por pessoas com objetivos escusos. Ou, quem sabe, escritas pela burrice natural.

Pior ainda é que nosso Judiciário Brasileiro está corrompido e infectado de tal maneira que não há esperança para o povo brasileiro. A corrupção no Brasil continua descaradamente subtraindo recursos da saúde, educação, pesquisas, saneamento básico, obras de utilidade pública e todos nós somos perdedores, embora nosso mandatário tenha afirmado com todas as letras que o Brasil vai bem, fechando empresas, fábricas e lojas, outras sob o controle do governo praticamente falidas.

Os políticos que estão próximos ao dinheiro público quando são flagrados cometendo alguma fraude, logo contratam os melhores advogados e com o passar do tempo, apesar de todas as provas obtidas pela Polícia Federal nas investigações, como malas de dinheiro, dinheiro na cueca, no sapato, áudios e vídeos gravados, são absolvidos pelo Supremo Tribunal Federal, para espanto de uma sociedade refém de uma bandidagem em todos os níveis superiores.

A continuar assim, daqui a pouco, a sociedade será penalizada a pagar indenizações por ter acusado e processado este ou aquele político, notadamente corrupto, que roubou, desviou recursos públicos, graças ao poder econômico que possui, porque simplesmente foram absolvidos por ¨falta de provas¨.  

Deste modo, cada dia que passa fica mais difícil encontrar pessoas com caráter dentro dos parâmetros de honestidade, sensatez, justiça e probidade administrativa.  

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Academia de Letras de Ipaussu – SP

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia