O VOADOR
Olavo Bilac
Em Toledo. Lá fora a vida tumultua
e canta. A multidão em festa se atropela...
E o pobre, que o suor da agonia enregela,
cuida o seu nome ouvir na aclamação da rua.
Agoniza o Voador... Piedosamente, a lua
vem velar-lhe a agonia, através da janela...
A Febre, o Sonho, a Glória enchem a escura cela,
e entre as névoas da morte uma visão flutua:
"Voar! Varrer o céu com as asas poderosas,
sobre as nuvens! correr o mar das nebulosas,
os continentes de ouro e fogo da amplidão!..."
E o pranto do luar cai sobre o catre imundo...
E em farrapos, sozinho, arqueja moribundo
Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão...
(LIVRO "COMPOSIÇÕES ESCOLARES", PÁGINA 19)












