sábado, 18 de julho de 2026

TROVAS DO PROFESSOR GARCIA

 




TROVAS DO PROFESSOR GARCIA – CAICÓ - RN


Nunca me entrego aos fracassos,
o amor, tanto me seduz…
Que, preso à cruz dos teus braços,
esqueço da minha cruz!

O sol, a brisa e esta rede,
no entardecer, que esplendor!
E o mar, morrendo de sede,
mata-me a sede de amor!

Para a criança sem teto,
que mendiga o pão que come,
qualquer palavra de afeto
é alívio que mata a fome.

Para que brilhe o esplendor
no Natal, entre os irmãos,
que a mão que semeia o amor,
encha de amor, outras mãos!

A MULHER É POETISA OU POETA? - FILEMON MARTINS

 



A MULHER É POETISA OU POETA?

Filemon Martins



    Não é minha intenção polemizar, mas ainda não li, nem vi nenhum registro de que o feminino da palavra POETA seja A POETA, como defendem algumas mulheres. A Gramática ou Dicionário da Língua Portuguesa afirma que o feminino da palavra POETA é POETISA. Uma palavra poética, amena, sublime e que foi honrada por tantas poetisas brasileiras e ainda o é, pois temos atualmente notáveis mulheres poetisas. Não vejo preconceito, não vislumbro sentido depreciativo ou pejorativo, como alegam algumas mulheres.
      Parece que a polêmica começou quando a notável poetisa CECÍLIA MEIRELES escreveu o poema MOTIVO, inserido no livro Viagem, publicado em 1938/1939: ¨Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta¨.  Pronto, a poetisa resolveu o problema dela, buscou a rima e a encontrou. Jamais teve a intenção de menosprezar ou depreciar a mulher e muito menos dignificar o homem.
     Sabemos que a nossa Língua Portuguesa é dinâmica, podendo haver transformações e mudanças no decorrer do tempo.  Cabe, portanto, aos dicionaristas e filólogos registrarem essas alterações. Enquanto isso não ocorrer, continuarei a tratar nossas notáveis mulheres que escrevem versos como poetisas, assim como foram Cecília Meireles, Hilda Hilst, Cora Coralina, Gilka Machado, Francisca Júlia da Silva, Auta de Souza, Florbela Espanca, Maria Thereza Cavalheiro, Claúdia Roquete pinto e ainda o são, entre outras, Carolina Ramos, Alice Ruiz, Djanira Pio, Maria José Zanini Tauil, Conceição Evaristo, Walda Baldoni, Arita Damasceno Pettená, Beatriz Dutra, Célia Lamounier de Araújo, Elisa Lucinda, Adélia Victória Ferreira, Laura Liuzzi, Ledusha Spinardi, Adélia Prado, Angela Togueiro, Carmen Martin Pazzanese, Ana Martins Marques, Renata Pallottini, Lílian Maial, Martha Medeiros, Vanda Fagundes Queiroz, Araci Barreto da Costa, Marisa Amorim, Doroni Hilgenberg e tantas outras.  
    Para concluir minhas observações, transcrevo os versos de Maria do Carmo Gaspar de Oliveira, do Rio de Janeiro, cujo título é: ESCREVO COMO MULHER E SOU UMA POETISA E NÃO ¨UM POETA¨
¨Não sei escrever como um homem, cujo verso é igual ao ribombar do forte trovão! Mas posso fazê-lo como mulher: suave, leve como a brisa, a brisa que se torna vento, o vento que se avoluma e toma forma de um furacão.
O feminino de poeta é poetisa. Eu tenho orgulho de ser mulher. Simplesmente ridículo uma mulher dizer: Eu sou um poeta. Parece que tem vergonha, ou acha pejorativo ser mulher¨!
Maria do Carmo Gaspar de Oliveira
Rio de Janeiro – RJ.
      Como se vê não há motivo para dizer que a mulher é poeta quando o termo apropriado é poetisa, conforme reza a gramática. Embora (conheço o episódio)  em que o jornal Folha de S. Paulo elaborou um Manual de Redação, acatando o termo poeta para mulheres, ou seja todo e qualquer jornalista que trabalha no jornal é obrigado a escrever que a mulher é poeta.             Trabalhei na Empresa por mais de 20 anos e pelo que me consta lá no jornal não há nenhum Filólogo ou membro da Academia Brasileira de Letras com competência para mudar o Dicionário da Língua Portuguesa. 

NO PALCO - CÉLIA LAMOUNIER

 




NO PALCO
Célia Lamounier


Estamos todos sozinhos,
Entregues a nosso destino:
Vede uma dor que aparece,
Uma criança que chora,
Um grande amor que se esquece,
Um homem velho que tomba!

Vede também quanta guerra,
Quanta ambição desmedida
E tanta luta perdida!

Sozinhos...
No palco da terra.


(Postal Clube, Antologia 14, página 25)

PÁRA-CHOQUES DE CAMINHÃO

 




PÁRA-CHOQUES DE CAMINHÃO:

 

. Não adianta correr; Deus te pega.


. Que bom se corrupção desse AIDS.


. Pelas estradas se conhece o governo.


. O rico pega o carro e sai. O pobre sai e o carro pega.


. Até as rosas dependem da sorte: umas enfeitam a vida e outras, a morte.


. Ser bom é meio caminho andado para ser feliz.


 

(Transcrito de O JORNALZINHO, Set-Out/2008)

sexta-feira, 17 de julho de 2026

DIÓGENES E A POLÍTICA BRASILEIRA - FILEMON MARTINS

 




DIÓGENES E A POLÍTICA BRASILEIRA

Filemon Martins



Conta-se que DIÓGENES DE SÍNOPE, o cínico, filósofo grego, costumava perambular pelas ruas de sua cidade à luz do dia, com uma lanterna acesa procurando encontrar homens verdadeiros ou seja, homens éticos, virtuosos e de palavra. Não se sabe se DIÓGENES os encontrou.

Assim, nestes últimos tempos, tenho andado de lupa, luneta e lanterna para observar e ver “in Loco” as mudanças ocorridas no Brasil apregoadas pelos atuais governantes de todos os escalões: federal, estadual e municipal, com raríssimas exceções.

De fato, a propaganda na tela da televisão e nas redes sociais faz tudo acontecer de forma espetacular, tudo funciona com a precisão de um relógio, em todas as esferas. Quem não sabe disto? As cenas mostradas, em geral, são coloridas e bem chamativas para atrair e convencer eventuais eleitores incultos e incautos. O publicitário, sim, este é competente e sabe como fazer seu trabalho.

Na prática, porém, o que o governo faz é diferente. O dinheiro público é disputado entre empresários e o Congresso Nacional (empresários também) que se associam em conchavos e trapaças, para aprovar projetos indecentes com o objetivo claro e único de retirar direitos dos trabalhadores, como se o dinheiro do povo fosse um pedaço de carne atirado aos cães famintos. Aliás, o que se gasta em propaganda, embora regulado por lei, é um absurdo.

DIÓGENES, O FILÓSOFO GREGO, se vivo fosse e visitasse hoje o Congresso Nacional e o STF, com certeza teria que usar lanternas bem mais potentes para encontrar, naquelas casas, o que ele tanto procurava: pessoas honestas e éticas.

Infelizmente, falar em honra e dignidade entre políticos e administradores brasileiros, quando interesses e projetos pessoais estão acima de tudo, é mesmo uma utopia. Foi uma utopia ter imaginado que o Brasil poderia melhorar, com mentalidade tão tacanha. Utopia maior ainda é continuar imaginando que o Brasil está no rumo certo, se o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal são incapazes de discernir entre o interesse pessoal e o coletivo. Projetos e Reforma da Previdência que subtraíram direitos de servidores e trabalhadores brasileiros, foram regados a propinas, distribuição de cargos no 2º escalão. Roubar, continuar roubando, fazendo falcatruas em tudo parece que virou rotina entre políticos e aqueles que detém o poder de decisão.

Os aposentados e pensionistas do serviço público federal são penalizados desde 2002/2003, quando Lula via “mensalão” taxou inativos em 11%. Hoje, em 2026 o que era transitório, temporário se tornou definitivo com desconto de 14%. Trata-se de um roubo oficializado.  

Parece que a ética dos partidos políticos é apenas por fora, na casca, para enganar os brasileiros; por dentro estão apodrecidos, infectos e obcecados pelo poder econômico. Só assim se explicam os escândalos que são descobertos e apresentados pela televisão e publicados pelos jornais todos os dias, mesmo com o Brasil enfrentando falta de investimentos na saúde, na educação, segurança e no campo das pesquisas.

“A gente não quer só comida A gente quer comida, diversão e arte A gente não quer só comida A gente quer saída para qualquer parte (...) A gente não quer só comida A gente quer a vida como a vida quer” COMIDA – Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto.

Embora tenha sido lançada em 1987, a música acima retrata alguns problemas sociais que afetam o Brasil 39 anos depois.

No entanto, as acusações de compras e obras superfaturadas nos escalões: federal, estadual e municipal são noticiadas dia após dia. Há muitas investigações em andamento, para "inglês ver". Cremos que uma das soluções seria uma Justiça mais ágil, eficiente e séria, sem demora na apuração dos fatos e dos envolvidos em falcatruas, com a verdade sem meias palavras e, em seguida a condenação e a devolução dos valores subtraídos, coisa que não temos e nem há luz no fim do túnel.

É fundamental que a impunidade seja banida do Judiciário Brasileiro e quando alguma autoridade, quer seja Juiz, Desembargador ou Ministro tentar engavetar processos para beneficiar este ou aquele figurão, seja também responsabilizado criminalmente e punido por se tornar cúmplice do criminoso.

Enquanto isso estou a procurar tal qual Diógenes o fez à luz do dia com uma lâmpada para descobrir onde não há fraude no Brasil, se em tudo, há corrupção.

Até os aposentados do INSS não escaparam da sanha dos corruptos.

Ou será que corrupção mudou de nome e eu não sei...

 


DIREITO COMO FENÔMENO SOCIAL - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 




DIREITO COMO FENÔMENO SOCIAL.

Mário Ribeiro Martins (07/08/1943 - 18/03/2016)



Com o titulo sugestivo de Sociologia Jurídica se pretende considerar o direito à luz da Sociologia, com os métodos da Sociologia ou em função da Sociologia, isto é, em relação com os demais fenômenos sociais. Os fenômenos do direito, às vezes, têm sido tratados de forma abstrata e imaginária. A Sociologia do Direito se apresenta exatamente como uma reação a esta forma de tratamento.

O fato jurídico, como disse Renato Hubert, em ARCHIVES DE PHILOSOFIE DU DROIT ET DE SOCIOLOGIE JURIDIQUE, encarado sociologicamente, se alarga até identificar-se com o fato social ou até representar o fato social em sua totalidade.

O direito, como fenômeno social, no entender de Cláudio Souto, é norma social de intensidade mais alta. Daí a razão porque a Sociologia Jurídica tem também a função de inquirir, de analisar e de investigar a sistemática jurídica e que vai desde a descrença no funcionamento do sistema jurídico até os problemas de direito que afetam a sociedade.

Ainda assim, o direito se apresenta como fator de equilíbrio entre os indivíduos e grupos dentro da sociedade, donde é válida a observação de Emile Durkheim de que o direito é um símbolo visível de toda a interação social.

Quando se fala em função social desempenhada pela ordenação jurídica tem-se o direito como fenômeno social, para o qual se volta a Sociologia Jurídica. A boa e correta aplicação do direito constitui fator de tranquilidade social.

Assim, não basta dizer que a finalidade do direito é dar garantia e segurança, eis que, tais palavras nada significam, se não estiverem voltadas para o bom e desejável, enfim para o bem-estar social. 

(SOCIOLOGIA GERAL & ESPECIAL. Anápolis, Walt Disney, 1982, página 378).



(FOCALIZADO EM MEU LIVRO ¨FAGULHAS¨, PÁGINAS 134/141)


LÍRIO E PÁSSARO - SOREN KIERKEGAARD

 






Lírio e pássaro

Soren Kierkegaard



Que aprendamos o que é tão difícil de aprender em meio ao tumulto dos homens. Aquilo que aprendemos, tão facilmente esquecemos:

O que significa ser homem, e fazer o que Deus demanda de nós.

Que o aprendamos, e caso o tenhamos esquecido, tornemos a aprender do lírio e do pássaro. Que o aprendamos, senão de uma só vez e cabalmente, ao menos em parte e pouco a pouco.

Que aprendamos agora do lírio e do pássaro:

Silêncio. Obediência. Alegria.


(REVISTA AMPLITUDE Nº 8, JULHO 26,
REVISTA CRISTÃ DE LITERATURA E ARTES)



OÁSIS DOS ESPELHOS - JOSÉ FELDMAN

 




Oásis dos Espelhos


José Feldman

  

Prepare o seu espírito, ó Sheik de Bagdá, pois agora deixaremos as muralhas de Samarcanda para cruzar o Rub' al-Khali (o Quarteirão Vazio), o deserto onde a areia canta e o horizonte engana os olhos dos imprudentes.

 

Após quarenta dias e quarenta noites seguindo a Estrela Polar, surge entre as dunas de fogo o Oásis dos Espelhos. Mas não se engane, Nobre Senhor: lá, a água não é feita de líquido, mas de um nadir (raridade) que reflete não a face, mas a verdade oculta.

 

No centro desse oásis, cercado por palmeiras cujas folhas são prateadas, existe um lago de águas paradas como o cristal. Quando um musafir (viajante) se inclina para beber, ele não vê seu turbante ou sua barba. O lago é um espelho da alma.

 

Vi um guerreiro orgulhoso, coberto de ouro e glórias, inclinar-se para o lago. Em vez de sua armadura reluzente, ele viu na água um lobo faminto e solitário, rosnando para o nada. O susto foi tamanho que ele caiu de joelhos. O oásis estava mostrando que, por trás da coragem das batalhas, seu coração era movido apenas pela fome de poder, e não pela justiça.

 

Logo depois, vi uma velha viúva, vestida com trapos e carregando apenas uma trouxa de pão seco. Quando ela olhou para a água, o reflexo não mostrou suas rugas ou sua pobreza. O lago revelou um jardim de flores desabrochando em plena luz do luar, com rios de leite e mel. O oásis dizia que sua paciência diante da dor a transformara em uma rainha aos olhos do Criador.

 

O mistério do Oásis dos Espelhos é que ele não perdoa a mentira. Se um homem tenta enganar a si mesmo, a água torna-se turva e ácida, impossível de beber. Mas, para aquele que aceita sua própria sombra com arrependimento, a água torna-se o néctar mais doce de toda a Terra.

 

Dizem que o Sheik que governava aquelas paragens desapareceu no lago. Não porque se afogou, mas porque sua alma era tão pura que o reflexo e a realidade se tornaram um só, e ele passou a viver na Verdade Absoluta, onde não há mais necessidade de máscaras.

 

Bebi daquela água, ó Sheik, e o que vi... bem, isso é um segredo que guardo entre mim e o meu Criador. Mas desde aquele dia, nunca mais precisei de um espelho de vidro para saber quem sou.

 

Mustafá acariciou sua barba grisalha e olhou profundamente para os súditos, que permaneciam em silêncio.

 

Escutai com vossa visão interior, ó nobres ouvintes, pois o reflexo nas águas de Al-Mir'at (O Espelho) não engana o olhar de quem busca a verdade.

 

A moral desta história, ó Sheik, é que o homem pode fugir de mil exércitos e cruzar sete mares, mas jamais poderá fugir de sua própria alma. O Oásis dos Espelhos não é um lugar geográfico, mas um estado de purificação onde as máscaras de ouro e os títulos de governante perdem o valor diante da realidade do coração.

 

Muitas vezes, vivemos como o guerreiro orgulhoso, acreditando na armadura que mostramos ao mundo, sem perceber que o lobo da ganância ou da raiva nos devora por dentro. A água do oásis só se torna doce para aquele que tem a coragem de olhar para sua própria sombra com arrependimento. A verdadeira beleza não é o que o espelho de vidro reflete, mas a luz de bênção que emana de uma alma que não teme a própria verdade perante o seu Criador.



(FONTE: "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN) 


TROVAS DE HUMBERTO DEL MAESTRO

 



TROVAS DE HUMBERTO DEL MAESTRO


Se desperto com a aurora,

sinto mimos no meu peito,

pois ouço Nossa Senhora

ninando Jesus no leito.


Sou feliz num mar afora,

quando a manhã se insinua,

velando a garça da aurora,

entre os lampejos da lua.


Escondes um mar nos olhos

cheio de estranhos segredos,

onde naufrago em abrolhos

e me estilhaço em penedos.


Fiquei velho a contragosto,

mas não posso reclamar.

Se o tempo amassou meu rosto

não doeu, foi devagar.


quinta-feira, 16 de julho de 2026

HORAS MORTAS - ALBERTO DE OLIVEIRA

 




 

HORAS MORTAS

Alberto de Oliveira


Breve momento, após comprido dia

De incômodos, de penas, de cansaço,

Inda o corpo a sentir quebrado e lasso,

Posso a ti me entregar, doce Poesia!



Desta janela aberta à luz tardia

Do luar em cheio a clarear o espaço,

Vejo-te vir, ouço o leve passo

Na transparência azul da noite fria.



Chegas. O ósculo teu me vivifica.

Mas é tão tarde! Rápido flutuas,

Tornando logo à etérea imensidade;


E na mesa a que escrevo apenas fica,

Sobre o papel – rastro das asas tuas –

Um verso, um pensamento, uma saudade.



( GRANDES SONETOS DA NOSSA LÍNGUA, PÁGINA 81)


NATUREZA - DJANIRA PIO

 




NATUREZA
         DJANIRA PIO


NA POLUIÇÃO INTENSA
DESSA METRÓPOLE DECADENTE
FLORZINHAS COLORIDAS
RESISTEM.
APRESENTAM-SE
MODESTAS E MIMOSAS.
A MÃO DE DEUS
É PODEROSA
E A DO HOMEM,
MINÚSCULA
É CONTUDO PREDADORA.


(O JORNALZINHO-POSTAL CLUBE, SET/OUT-2003, PÁGINA 12).

SEU RETRATO - DJANIRA PIO

 





SEU RETRATO

Djanira Pio


Na caixa velha
esquecida num canto
encontrei coisas antigas.

Lembranças tão esquecidas
de estradas esmaecidas.
Bem no fundo havia seu retrato.
Um três por quatro desbotado
mostrando um quase sorriso.

Rememorei esse tempo
tão longe que tenho certeza
foi nosso.
E lá se foi o seu retrato.


(ANTOLOGIA 16, POSTAL CLUBE, PÁGINA 52)










quarta-feira, 15 de julho de 2026

CANTO SOLITÁRIO - DELASNIEVE DASPET

 




 

CANTO SOLITÁRIO

Delasnieve Daspet

 


Sou do tempo que não era.

Que não foi e não será.

Um grão de areia no vento a rodar.

Uma gota que não vai ao mar;

Que morrerá nos lábios ressequidos,

Num ríctus de dor que não veem.

Sigo sem rumo, filha do mato.

De florestas distantes, solitária, sem luar.

E, neste caminho, sigo.

Caminho que tracei para mim.

Manhãs escuras.  Todos os dias, vazios,

Só a noite e o dia.  Mais nada há...

As flores que balançam não perfumam por mim.

Mas, não desisto, sou desta Terra, filha guerreira,

Em busca da Paz.


Delasnieve Daspet

13.04.21

 (FONTE AVBAP)