TROVA DO FILEMON
Se queres ter um Amigo
que não fala, pois é mudo,
o Livro é luz que bendigo,
que calado, fala tudo.
TROVA DO FILEMON
Se queres ter um Amigo
que não fala, pois é mudo,
o Livro é luz que bendigo,
que calado, fala tudo.
ESPERA EM DEUS
José Britto Barros – (In memoriam)
A vida humana é igual jornada extensa
Plena de lutas – milenar sentença
Que os homens cumprem: nobres e plebeus.
E para em tal viagem seres forte
Não creias tu em tão falada sorte,
Peleja com firmeza – espera em Deus!
Quando a borrasca em seu fragor gigante
Não mais quiser deixar seguir avante
O barco heroico dos anelos teus,
Quando tais ondas de desgosto ou tédio
Te fizerem pensar não ter remédio,
Não desanimes, mas espera em Deus!
Quando a fornalha se acender e em dores
Te vires sempre, e se afligido fores
Por sofrimentos tristes, giganteus,
Oh! Lembra que o fogo às vezes purifica,
Finda a guerrilha a alma há de ser rica,
Não te maldigas, mas espera em Deus!
Quando o edifício esplendoroso e lindo
Que em teu lidar viveres construindo
Vires ruir nos alicerces seus,
Oh! Não se findem teus prazeres todos!
Batalha e vence, suplantando engodos,
Não te perturbes, mas espera em Deus!
Quando as desditas e os cruéis pesares,
Desilusões e apertos que passares
Te forem quais gigantes filisteus
E te sentires fraco e solitário,
Lembra o Jesus sozinho do Calvário,
Nunca lamentes, mas espera em Deus!
Quando a morte afinal chegar-te perto
E te sentires como num deserto
Tal como outrora viram-se os Hebreus,
Ainda aí existe uma esperança:
A fé que tens, mesmo pequena, lança
Só em Cristo Jesus, espera em Deus!
LENDO O JORNAL
ARACI BARRETO
A roda do tempo, rodando
O tempo da vida, seguindo
O corpo no espaço, girando
A alma sem calma, subindo
O som do silêncio, alarmando
A força do mal, avançando
O ente na vida, vivendo
A vontade de viver, morrendo
O sol no rosto, aquecendo
A mente assustada, rezando
A chuva bem fina, molhando
O pó, sem querer, sufocando
As mãos ansiosas, pedindo
A dor caprichosa, aumentando
A fé no horizonte, surgindo
A noite sem lua, assustando
O povo na terra, sofrendo
O mundo rodando, caindo, sumindo...
TROVAS DO FILEMON
Ouço o barulho das águas
que se batem nos rochedos,
vão levando minhas mágoas,
vão sepultando segredos!
Filemon Martins
Brigamos sem motivo. Era Setembro,
o campo estava verde e havia flores.
O céu cheio de estrelas, eu me lembro,
e recordo também dos dissabores.
Bem alto ela me disse: - “não sou membro
desta família que me trouxe dores.
Quero partir, não fico outro dezembro,
quero ter, pelo mundo, outros amores”.
E partiu... Nada fiz, fiquei calado,
o silêncio, por certo, dá um jeito
e não carece de nenhum cuidado...
O tempo vai passando e quando a vejo,
ela disfarça a dor que vai no peito,
e eu finjo que não sinto mais desejo.
(FOTO RESTAURADA POR MARCOS MARCOS COM RECURSOS DA IA)
CASA DOS MEUS AVÓS (PATERNOS)
Filemon Martins
E não é que a vida já me fez avô (onze netos) e bisavô
(seis bisnetos), graças a Deus, mas hoje acordei com saudades da minha
infância, que o tempo levou para longe.
Revejo a foto da casa do meu avô Gasparino
Francisco Martins e da minha avô Jovina Ribeiro Martins. A memória traz com
indizível clareza o tempo que passamos férias lá ou que vivíamos na casa. Primeiro,
morávamos em Morpará, cidade próxima. Depois, meu pai mudou-se definitivamente para
Ipupiara. Uma casa grande, à moda antiga no interior da Bahia. A casa estava
edificada no centro da Praça Getúlio Vargas, na época, a principal da cidade de
Ipupiara. Havia três portas, duas do comércio e uma da entrada da casa. Três
janelas na frente. Estendia-se até ao fundo da outra rua. Com sala, muitos
quartos, cozinha e dispensa, além de outros cômodos para guardar mercadorias. Não
havia luxo, tudo com a simplicidade das coisas da roça. Rústico, mas, de uma
ternura infinda, onde todos os membros da família eram felizes.
O quintal era uma maravilha, um pomar com diversas
frutas, como carambola, manga, pinha, goiaba, laranja, mamão, romã, tamarindo, laranja
cravo, entre outras, que atraíam pássaros de várias espécies, onde fazíamos a
festa, com brincadeiras de moleque e comendo frutas colhidas ali mesmo nas árvores
frutíferas.
Ali residiram meus avós, GASPARINO FRANCISCO
MARTINS E JOVINA RIBEIRO MARTINS, com os filhos, ADÃO FRANCISCO MARTINS (meu
pai), LAURENTINA RIBEIRO MARTINS, OSCARINO FRANCISCO MARTINS, GUIOMAR RIBEIRO
MARTINS, MIRIAM RIBEIRO MARTINS E ESTER RIBEIRO MARTINS.
Todos se casaram e tiveram filhos. Alguns
permaneceram na cidade, outros foram morar em cidades e estados diferentes, como
Adão Martins que se transferiu para Morpará, na Bahia; Oscarino casou-se e foi
residir em Corrente, Piauí; Guiomar Ribeiro se mudou com o esposo Jeremias,
para São Paulo, capital e Ester Ribeiro casou-se com o Pastor Pedro Pereira do
Nascimento, transferindo-se para outra cidade.
Alguns filhos permaneceram em Ipupiara e com o
passar do tempo, quase todos voltaram à terra natal, inclusive meu pai, que,
durante alguns anos, residiu em Morpará, como comerciante, proprietário da loja
A PRIMAVERA. O município de Morpará está localizado às margens do rio São
Francisco, próximo às cidades de Barra, Xique-Xique, Gentio do Ouro, Ipupiara,
Brotas de Macaúbas, Ibotirama e Oliveira dos Brejinhos.
Muitos netos e netas transitaram pela casa do meu
avô Gasparino, também chamado de “ioiô Doutor”. Entre outros, Adão Martins
Filho, Eunice Ribeiro Martins, Mário Ribeiro Martins, Marli Ribeiro Martins,
Nina Ribeiro Martins, Filemon Martins, Gutemberg Ribeiro Martins, Manoel
Martins Neto, Jeremias Ribeiro Filho, Gasparino Martins Neto, Laurentina
Martins Santos, Carlos Alberto Ribeiro Santos, Mário Ribeiro Santos, David
Ribeiro Santos, Jônatas Ribeiro Santos, Rubens Ribeiro Santos, Guiomar Martins
Santos e Jovina Martins Neta.
Como comerciante, meu avô comprava mercadorias da
época, como rapadura, feijão, farinha, milho, sal, açúcar, café, querosene, que
vinham embalados em sacos, fardos, latas, além de sabonetes, creme dental
(pasta de dente, era assim chamada) e guardava em estoque nos cômodos da casa,
previamente preparado. Região agrícola, ele comprava e vendia ferramentas, como
facão, machado, foice, pá, picareta, enxada, alavanca, entre outras.
Hoje, a casa não existe mais. Foi demolida e deu
lugar a um sobrado pertencente a outra família.
Mas em nossa memória, ela continua intacta, como
aparece na foto acima.
NAVEGANTE
NOITE
Matusalém Dias de Moura
Debruçado à janela, distraído,
ponho-me a contemplar a imensidão:
vejo a estrela descer na escuridão,
como se houvesse, próximo, caído.
O mundo me parece adormecido
no colo da terrível solidão
que vaga por aí, em maldição,
a causar sofrimento descabido.
Silencioso e sozinho, fico a olhar
a noite, que caminha devagar,
tendo a insônia por minha companhia.
Em breve o sol de novo há de nascer,
entregando-nos outro alvorecer,
num momento elevado de alegria.
(LIVRO "SONETOS DO PÔR DO SOL", PÁGINA 65)
RELATOS DA PRIMEIRA VIAGEM EM
2026 (2ª. parte)
Viajar agrega e fortalece os conhecimentos. Viajar para longe ou perto, por muitos ou poucos dias faz bem à saúde. Todos os que leem os relatos da viagem também sentem a experiência. Exatamente quando o relógio marcava 18h32 o ônibus estava encostando na plataforma da rodoviária de Bom Jesus da Lapa. Desembarquei e dei uns passos em direção ao ponto de táxis. Ali mesmo na rodoviária conversei um pouco com o dono da lanchonete, em seguida chegou o Sr. Leonardo, conhecido de muitos anos. Quando olhei o relógio vi que onze minutos foram embora. Apressei os passos, peguei um taxi e fui para o hotel Grande Rio, onde eu já tinha feito a reserva do apt°. A viagem foi favorável, pois pela manhã tomei café fazendo o desjejum em SP e no mesmo dia fui jantar na Lapa. Quando eu tinha 15 anos de idade meu pai, Sr. Nizan, trouxe a família para B. J. Lapa, para junto da parentela. Tenho parentes e muitos amigos nesta cidade. Não é possível citar o nome de todos, mas quero citar o nome do Engenheiro, Dr. Ulisses, amigo de muitos anos. Descendentes de árabes e judeus, mas aqui, sem constrangimento, nós nos sentamos no mesmo banco.
Táxi para o Hotel Grande Rio.
Bom Jesus da Lapa é cidade de temperatura elevada, como acontece em todas as cidades localizadas nas margens do Rio São Francisco. Os moradores e pessoas que pelo menos uma vez por ano passam uns dias aqui já se acostumaram com a temperatura, de modo que se o calor diminui e a temperatura fica abaixo de 20 graus, todos estranham. Estou em São Paulo. Hoje, dia 11 de maio e agora 8 horas da manhã, quando liguei o computador para começar escrever este texto, a temperatura está em 12 graus. Mas, colocando o clima de lado, temos que Bom Jesus da Lapa tem um povo bom e simpático que gosta de fazer amizade. Povo de fácil interlocução.
Av. Manoel Novais, centro da cidade.
O Sr. Manezinho, dono do hotel onde estou hospedado, me convidou para conhecer a sua chácara, distante poucos km., 15 minutos de automóvel. Aproveitei a oportunidade, agradeci e fomos lá. A chácara fica num local próximo da rodovia que parte da Lapa em direção a Caetité. O Sr. Manezinho e sua esposa plantaram muitas árvores frutíferas, construíram uma boa e agradável casa com piscina ao lado, oferecendo ótimo lazer. Algumas árvores estavam produzindo. A fruta que eu mais apreciei foi o umbu-cajá.
Sr. Manezinho e Saul na chácara.
Aqui nesta cidade passei mais de uma semana. Revi amigos e pessoas que há mais de 15 anos foram meus funcionários. Sr. Sérgio, foi meu motorista e em certa ocasião fomos de caminhão até Ipupiara. Hoje o Sérgio é proprietário de caminhões. Sr. Bina, hoje trabalha para a prefeitura. Encontrei o Sr. Estêvão, naquele tempo ele era o proprietário de uma carroça tração animal e fazia carretos no transporte de pequenas cargas. Encontrei também a Da. Francisca, que há mais de 20 anos a conheci e continua vendendo frutas na carroça, fornecendo frutas para seus clientes de costume. Pois é, meu prezado leitor, é como dizem por aí: o mundo é pequeno, redondo e gira.
Carroça puxada por um jegue
Além das conversas, palestras e entrevistas agradáveis, estive
trabalhando, pois não só de conversas vive o ser humano. Felizmente, por sorte,
o Dr. Ulisses me indicou um profissional competente, o Sr. Soares. Fica assim
comprovado que nós seres humanos dependemos uns dos outros e todos dependemos
de Deus (Efésios 2:10).
Saul Ribeiro dos Santos
Contador e economista aposentado.
Natural de
Ipupiara
saul.ribeiro1945@gmail.com