BLOG LITERÁRIO DO FILEMON
quinta-feira, 9 de julho de 2026
COMPONDO VERSOS - FILEMON MARTINS
TROVAS DO FILEMON
TROVAS DIVERSAS
TROVAS BRASILEIRAS
TROVAS BRASILEIRAS
Aquele que não tive
aquela paz que passou,
suporta, quem já não vive,
e a quem o mundo acabou.
WALTER ARGENTO
Teu afago mentiroso
malgrado todo o veneno,
tem o frescor caricioso
de uma rosa no sereno.
DOROTHY JANSSON MORETTI
Ser como o rio (o estudante
sonha, fazendo direito):
fazer um curso brilhante
mas sem sair do seu leito.
ZIVER RITTA
Tenho a vaga garantida
neste emprego, pois sabendo
que exigem folha corrida,
eu trouxe o jornal correndo.
DIVENEI BOSELI
("FANAL" Nº 564)
TROVAS BRASILEIRAS
TROVAS BRASILEIRAS
"Não há vaga" - e um pai cansado,
que a procurou todo o dia,
chora ante o fogo apagado
sob a panela vazia.
ADÉLIA VICTÓRIA
Um bom caráter eu meço
por duas simples premissas:
humildade no sucesso
e altivez ante injustiças.
MIGUEL RUSSOWSKY
Aquela rosa que um dia
tu me deste com carinho
ainda traz muita alegria
perfumando o meu caminho.
ANALICE FEITOZA DE LIMA
Se repousares um dia
em meu leito abandonado,
permitirás que a poesia
venha acordar a meu lado.
RENATA PACOLLA
(FONTE: "FANAL" Nº 564)
DE JOELHOS - MÁRIO BARRETO FRANÇA
DE JOELHOS
Mário Barreto França
Abre este livro devagar... Escutas?
Alguém soluça dentro dele... Infindo,
ouve-se nele, assim como nas grutas,
um rosário de lágrimas caindo...
E os sufocados ais?... São árduas lutas
dentro do peito o coração ferindo...
Do ódio as bravias ondas, resolutas,
lançam apodos para um céu que é lindo...
Passa de leve as páginas... Cuidado!...
Pois dentro dele vive o meu passado,
um rosto a refletir como os espelhos...
E, como sinos a planger dolentes,
a cabeça entre as mãos, por entre dentes,
a minha alma recita de joelhos...
quarta-feira, 8 de julho de 2026
TROVAS BRASILEIRAS
TROVAS BRASILEIRAS
Inocêncio Candelária
Carolina Ramos
Luiz Otávio
TROVAS BRASILEIRAS
TROVAS BRASILEIRAS
Mário Barreto França
J.G. de Araújo Jorge
Carlos Guimarães
Vanda F. Queiroz
terça-feira, 7 de julho de 2026
O MERCADO DO SILÊNCIO DE SAMARCANDA - JOSÉ FELDMAN
O
Mercado do Silêncio de Samarcanda
A fama de Mustafá, o peregrino
ganhou tais proporções, que um sheik de Bagdá o convidou para se hospedar em
seu palácio, desde que contasse suas histórias que penetravam e encantavam a
alma de todos.
Mustafá sentava-se em almofadões,
com o sheik sentado em sua cadeira e os súditos espalhados pelo salão, sentados
no chão. Falava pausadamente, gesticulando muito, atraindo a atenção de todos
os ouvintes.
Saiba, ó Rei dos Tempos e Senhor
da Justiça, que as palavras que agora saem de minha boca não são frutos da mera
imaginação, mas sementes colhidas nos portos onde o sol se põe e a lua
descansa. Sou Mustafá, o Peregrino, e meus pés já beijaram as areias de
Mogadíscio e minhas mãos já tocaram as sedas de Samarcanda.
Acomode-se, ó Sultão de Bagdá,
pois o que vou narrar agora não é para ouvidos apressados. Bebam seus chás com
calma, pois a história do Mercado de Silêncio de Samarcanda exige que a alma
esteja em repouso.
Há muitos anos, quando minhas
sandálias ainda eram novas e meu coração buscava o que os olhos não podiam ver,
atravessei as montanhas de gelo até chegar às muralhas azuis de Samarcanda. Mas
não entrei pelo portão dos mercadores barulhentos. Fui guiado por um velho
dervixe até um bairro onde as ruas eram cobertas por tapetes de lã grossa e as
paredes eram revestidas de cortiça e veludo.
Ali, ó Sheik, ficava o Souq
al-Samt (Mercado do Silêncio).
Ao cruzar o arco de entrada, o
som do mundo morria. Não se ouvia o tinir das moedas, nem o grito dos
vendedores de halva (doce de gergelim), nem o relincho dos camelos. O silêncio
era tão denso que se podia ouvir o bater das asas de uma borboleta a dez côvados
de distância. Era um lugar de paz profunda, uma serenidade que descia sobre os
homens como o orvalho da manhã.
Nesse mercado, as transações não
eram feitas com a língua, mas com o coração. Se um homem desejava um frasco de
essência de jasmim, ele não perguntava o preço. Ele sentava-se diante do
mercador, ambos em silêncio, e olhavam-se nos olhos. Ali, o vendedor lia a
necessidade do comprador, e o comprador sentia a honestidade/confiança do
vendedor.
Vi um homem oferecer uma única
tâmara seca por um colar de safiras. Em qualquer outro lugar, seria loucura ou
insulto. Mas ali, naquele silêncio sagrado, o mercador aceitou com um aceno de
cabeça. Por quê? Porque aquela tâmara era o último alimento daquele homem, dada
com um sacrifício que valia mais que todo o tesouro do Califa. O valor das
coisas não era medido pelo ouro, mas pela intenção.
Certa tarde, vi um jovem gharib (estrangeiro)
entrar correndo, gritando por socorro porque perdera sua caravana. No momento
em que sua voz rompeu o ar, as mercadorias nas prateleiras — as sedas, as
cerâmicas, as especiarias — perderam a cor, tornando-se cinzas como as cinzas
de uma fogueira. O silêncio era a magia que mantinha a beleza viva. O jovem,
percebendo o sacrilégio, caiu de joelhos e cobriu a boca. Um ancião apenas
tocou seu ombro e lhe entregou um copo de água. Naquele silêncio, o jovem encontrou
a direção que nenhum mapa poderia dar.
Dizem, ó Sheik, que o Mercado de
Silêncio foi construído sobre o túmulo de um sábio que acreditava que 'a
palavra é prata, mas o silêncio é ouro'. Saí de lá dias depois, mas minha voz
nunca mais foi a mesma. Aprendi que, quando calamos a língua, a alma começa a
falar.
Saí de Samarcanda levando apenas
um pequeno saco de seda vazio. Quando as pessoas me perguntavam o que comprei
no Mercado de Silêncio, eu apenas sorria. Pois o que comprei lá não cabe em
caravanas: comprei a capacidade de ouvir a voz de Alá no sussurro do vento do
deserto.
Escutai com vossa alma, ó
guardiões da paz, pois o Souq al-Samt (Mercado do Silêncio) não é apenas um
lugar em Samarcanda, mas um espelho da verdade divina.
A moral desta história, ó Sheik,
é que o valor de um homem e de suas posses não reside no preço que a língua
apregoa, mas na intenção que o coração sustenta. Vivemos em um mundo de ruído,
onde acreditamos que quanto mais alto gritamos nossa importância, mais seremos
ouvidos. Contudo, o mercado nos ensina que a verdadeira paz profunda e a bênção
só florescem onde o ego se cala.
Muitas vezes, uma única tâmara
dada com sacrifício vale mais que mil dinares (moedas de ouro) dados com
orgulho. A beleza do mundo é uma magia frágil que se desfaz diante da
arrogância e do barulho desnecessário. Quem aprende a silenciar a sua língua
descobre que o universo inteiro começa a falar, e que as trocas mais valiosas
da vida são aquelas feitas em espírito de honra e confiança, sem que uma única
palavra precise ser gasta.
Mustafá inclinou a cabeça, encerrando
o relato.
(FONTE: "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)
TROVAS DO FILEMON
O tempo passou depressa
e com tal celeridade,
que tudo virou promessa...
Já não tenho mais vaidade.
busquei luz, felicidade.
A vida enchi de esperança
e a minha alma, de saudade.
farfalhando em arvoredos
nascem sonhos, sentimentos
que sufocam nossos medos.
a vida começa, agora,
prometendo, com certeza,
a luz de uma nova aurora.
TROVAS DO FILEMON
Quando te beijo, meu bem,
eu sinto o nascer da aurora.
Meu coração diz amém
e manda a tristeza embora.
meu eterno beija-flor,
nunca é demais ser amado,
nunca é demais ter amor.
quando a dor invade o peito,
os amigos são chamados
e o mundo fica perfeito.
trazendo grande saudade,
e a sensação de abandono
à noite o meu peito invade.
ESCADA DE TROVAS - FILEMON MARTINS
ESCADA DE TROVAS
Filemon Martins
SUBINDO:
Deixava a vida passar
se, numa rede deitado,
eu tivesse teu olhar
para os meus olhos, voltado.
No afago do teu calor
viver a vida sorrindo,
mais feliz que um trovador
quando as trovas vão surgindo.
Como canção de ninar
ao embalo do coração,
quero viver, quero amar,
curtindo toda a emoção.
Se eu tivesse teu amor
nunca haveria depois.
Bailando qual beija-flor
num beijo só de nós dois.
NO TOPO:
SE EU TIVESSE TEU AMOR
COMO CANÇÃO DE NINAR,
NO AFAGO DO TEU CALOR
DEIXAVA A VIDA PASSAR.
TROVAS DE EUCLIDES PEREIRA DA CUNHA
O sol no ocaso desmaia
deixando na terra as brumas;
as ondas batem na praia
tecendo rendas de espumas.
fazendo do ouro um troféu,
não dá valor à pureza,
que só tem valor no céu.
nem os maus ventos dispersos,
eu colho o bem que desponta
da semente de meus versos.
como lágrimas de prata,
chorando a dor que não passa,
na saudade que me mata.











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