domingo, 8 de março de 2026

MULHER - ELENAIDE MELHADO MARTINEZ

 



MULHER  (FRAGMENTOS)

Elenaide Melhado Martinez


Mulher, heroína que a luta não teme,

é artista sem nome, é no lar um fanal,

por mais que seja a dor, ela quase não geme,

é força na bonança e paz no temporal.


É um pouco de tudo ao mesmo instante,

mãe, enfermeira, médica, dentista,

esposa, amiga, companheira e amante,

tudo pode, se quer, pois é artista.


É meiga e delicada em seus carinhos,

é forte e decidida em cada ação,

amor e força vão em seus caminhos,

sempre na hora certa estende a mão.


Tem nas mãos o segredo do infinito

pois traz nas entranhas do seu ser

e torna o mundo muito mais bonito

no milagre feliz de conceber.


Tem o mundo nas mãos e sem engano

pode torná-lo muito mais seguro

pois dá à luz pequeno ser humano

e é ela que o prepara pra o futuro.


É jardineira no jardim da vida,

é professora que aos filhos ensina,

sempre contente, nunca está vencida,

por mais idade é sempre uma menina.


É cega e muda quando lhe convém,

outras vezes é surda, que importa?

Se as suas atitudes fazem bem

e seu lar é feliz, isso a conforta.


Defensora do lar a qualquer custo,

guardiã dos seus filhos, sem temor.

Seu julgamento, em tudo, é sempre justo

porque o faz guiada pelo amor.


Se for preciso ela trabalha fora,

completando o sustento do seu lar,

sempre correndo, sem perder a hora,

disposta, não se nega a ajudar.


É lavadeira, às vezes faxineira,

arrumadeira, boa motorista,

passa roupa, é sempre bem ligeira,

crê no futuro, é idealista.


Ao esposo oferece o seu carinho

sua vida, seus sonhos, seu amor,

companheira das lutas do caminho,

a seu lado a enfrentar seja o que for.


Na política sabe ser perfeita

e nela, com disposição se lança,

se pelo povo, um dia, foi eleita,

a ele retribui com esperança.


Sempre levanta de qualquer derrota

e vence a luta, por maior que seja,

ainda que distante, encontra a rota

e no final consegue o que deseja.


Na vida do seu lar é cinderela,

ao mesmo tempo serva e rainha.

Ser mulher é em tudo ser mais bela

pois beleza sem fim nela se alinha.


(LIVRO "CANÇÕES DE ESPERANÇA", PÁGINAS 30/32) 

sábado, 7 de março de 2026

PALAVRAS QUE ME HONRAM SOBREMANEIRA

 




 

DEPOIMENTO DA ESCRITORA DJANIRA PIO

 

Querido escritor, li com muito prazer e admiração o que você escreveu sobre sua vida literária. 

Despertou-me vontade de falar sobre tudo que escrevi. 

Muito lindo o que você escreveu e passei a admirá-lo mais, como autor e também como pessoa.  Sempre tive admiração por sua pessoa: discreta, educada e escritor 

Espero continuar sempre sua amiga, sinto-me honrada. Abraços a você e toda sua família. Boa noite. 

 


POSSO SER MISTÉRIO DE LUA - LURDEZ CASTELHIN

 



"POSSO SER MISTÉRIO DE LUA”

Lurdez Castelhin


Em casa fase

Mostro-me o suficiente...

Sou mulher dual

Sou oposto, contraste

Fases inconstantes, nuances

Ao mesmo tempo

Sou grandeza e pequenez

Sou brabeza e brandura

Sinônimos inocência e candura...

Me dou liberdade e prisão

Liberto-me no amor

Aprisionada na paixão

Posso ser brisa ou furacão

Mesmo sendo dualidade

Tem que ser por inteiro

Não admito metade...

Do nosso altar alado

Sou pureza e pecado

Sou mulher intensa

Que ri e chora

Também barulho ou silêncio

Dependendo da hora...

Portanto...

Por um tempo

Pétalas a desfolhar

Véus acetinados

Veludos dedilhados

Coração a pulsar

Em um momento

Faça-me igual

Um Ser total...

 

DUAS ALMAS - ALCEU WAMOSY

 


                                       (FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)



CLÁSSICOS DA LITERATURA

DUAS ALMAS

Alceu Wamosy

Ó tu que vens de longe, ó tu que vens cansada,
Entra, e sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho.
Vives sozinha sempre e nunca foste amada...

A neve anda a branquear lividamente a estrada,
E a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
Se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã quando a luz do sol dourar radiosa
Essa estrada sem fim, deserta, horrenda e nua,
Podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

UMA LINDA MULHER - TANNY VOIGT

 


                                                (FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)


 

UMA LINDA MULHER

Tanny Voigt

 

.Ela acorda, abre a janela

Saúda o lindo dia!

E está pronta pra viver

Ela é uma mulher!


Sua arma é o batom...

Sorriso enigmático e misterioso

Os homens curvam-se à sua beleza

Ela é uma mulher!


Passos firmes e graciosos

Ela passeia na imaginação dos homens

Seu olhar inspira paixões

Ela é uma mulher!


Sedutora e sensual

Feminina e batalhadora

Sonhadora e corajosa

Ela é uma linda mulher!

 

(FONTE AVBAP)

ESPERANÇA - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

ESPERANÇA

 

Ainda há esperança. Todos se preocupam com o que poderá acontecer no futuro. O panorama nacional e mundial apresenta-se sombrio. Ter esperança é fundamental e indispensável. O Brasil tem um povo esperançoso.


 

Estou em São Paulo. Na última quinta-feira dia 05 de março, entrei na fila do ônibus para ir ao centro da Penha. O ônibus encostou e todos da fila entramos. Sentei-me numa das poltronas perto da porta de saída. Na poltrona da frente estavam dois senhores de cabelos grisalhos conversando (e falavam alto) sobre a situação da política nacional. Falavam que não tinha mais jeito e que tinham perdido a esperança. Talvez naquele momento eles estavam com os pensamentos voltados para as fortes chuvas e na catástrofe que abateu as cidades de Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais.

 Chegamos ao destino, desci do ônibus e fui ao Shopping. Paguei a conta e sentei-me um pouco para descansar nas cadeiras que estavam perto da escada rolante. Foi o tempo suficiente para ouvir três pessoas que também falavam sobre a situação do Brasil. Essas três pessoas estavam animadas e falavam que tinham muita esperança de que a partir do próximo ano tudo vai começar a melhorar. Nesse momento, enquanto descansava, me ocorreu a ideia de escrever algumas palavras sobre o tema que ouvi, Esperança.

 Mas o que significa essa esperança?  Esperança é um termo importante que inspira confiança no futuro, é a expectativa de que a situação vai melhorar. A esperança é uma grande força sentida e demonstrada não apenas pelo desejo de que aconteça algo de bom, mas também vai pelo lado da realização dos motivos que nos levaram a ter esperança.

Há poucos anos, em 2021, eu estava viajando num ônibus da cidade de Utinga para Seabra, na chapada Diamantina, na Bahia. Depois de passar pela cidade de Wagner, a distância para a BR não é muito longa. Entramos na BR-242, seguindo pela faixa da direita o ônibus tomou velocidade em direção a Tanquinho, no Município de Lençóis. Não andou quinhentos metros e ouvimos um forte estampido. O pneu da frente no lado direito furou. E agora? O que fazer? O motorista falou que não estava autorizado a fazer o conserto ou a troca do pneu. Telefonou para a garagem em Seabra e disse que dentro de 20 a 30 minutos o socorro estaria chegando. Houve um misto de alegria e esperança visível no semblante dos passageiros. A esperança raiou, todos ficaram confiantes e o carro-socorro chegou no prazo que o motorista falou. 

         Percebemos que nos tempos atuais todos se preocupam com o futuro, com o que poderá acontecer nos próximos anos. É uma preocupação normal, aceitável e correta, pois a situação política do Brasil não está boa. Há muita confusão política e jurídica. Alguns comentaristas falam que é por causa da tal “polarização política”. Mas, de modo geral, os brasileiros têm esperança de que a situação nacional vai melhorar.

     Pois é. A esperança é comparada como sendo um motor que funciona bem e nos leva para a frente. A esperança nos faz aguardar até conseguir a vitória, conseguir aquilo que precisamos. É necessário ter a esperança firme. Há momentos que só vemos uma única saída, apenas uma solução para o problema que nos aflige.

 Sabe prezado leitor deste artigo, a Bíblia, que é um livro de confiança, tem muito a nos dizer sobre o tema esperança. Citaremos apenas dois versículos:

No Salmo n° 146 e versículo 5 está escrito o seguinte: Bem-aventurada é a pessoa que tem o Deus por seu auxílio e cuja esperança está no Senhor, seu Deus.

Na carta que o apóstolo Paulo escreveu aos Romanos, no capítulo 12 e versículos 12 e 17, assim está escrito: Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação e perseverai na oração. A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas perante todos os homens.

 


Saul Ribeiro dos Santos

Contador e economista aposentado.

Natural de Ipupiara – BA.

📧 saul.ribeiro1945@gmail.com

 


sexta-feira, 6 de março de 2026

MULHER - ALMIR DINIZ

 



                                              (FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)




MULHER 
ALMIR DINIZ


Mulher! Bela invenção, arquipensada
que Deus criou, depois de sábio estudo,
só Ele, que afinal, conhece tudo
poderia compor... essa...danada.

Feita de uma costela retirada
ao solitário Adão, dormido e rudo,
fê-la o Senhor, em plumas e veludo
com missão de amar e ser amada.

E ela, atenta ao ditame do Senhor,
ungiu-se de magia, e fez do amor
o bem maior da vida. E, com perícia

inata e própria, e rara sedução
investiu-se de luz, fez-se atração,
coroando a ternura com malícia.


(DO LIVRO "MULHERES", PÁGINA 34)

HARMONIA - SEBAS SUNDFELD

 



HARMONIA
Sebas Sundfeld

Corpo cor de areia,
olhos cor do horizonte,
sorriso da cor do sol,
movimento leve de brisa
a se espreguiçar pela praia,
toda ela mulher, toda ela envolvente
como o abraço das ondas,
toda ela beleza como o fascínio do céu,
toda ela mistério
como as distâncias do mar.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 384, ORG. DE JOSÉ FELDMAN)

CORPO DE MULHER - ALMIR DINIZ

 


                                    (FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)



CORPO DE MULHER

ALMIR DINIZ



Foi num dia de festa, pompa e riso,

de alegria e lazer... só que faltava

ao Mestre, a obra prima que buscava:

o supremo projeto e decisivo.



Juntou elos esparsos... – era preciso

produzir algo raro, e pesquisava... –

uniu luz, cor e massa... e não achava

o toque especial, definitivo.



Por fim, mentalizou, o que queria

e sorriu. Sua bela obra, viva e pura,

chegara. E superava a ideia em tudo.



Deu-lhe formas sutis, doce e magia

e malícia divina... Era a escultura

um corpo de mulher... pleno e desnudo!


(DO LIVRO "MULHERES", PÁGINA 28)

JOQUEBEDE, UMA MULHER FORTE EM TEMPOS DIFÍCEIS - PASTOR CLÓVIS DE SOUSA NOGUEIRA

 




JOQUEBEDE, UMA MULHER FORTE EM TEMPOS DIFÍCEIS

 

Pastor Clóvis de Sousa Nogueira *

PIB de Ipupiara-Ba.

 

São muitos os exemplos de mulheres que marcaram suas vidas com atitudes que honraram a Deus. Nessa ocasião vamos fazer menção de uma delas, JOQUEBEDE. 

Encontramos poucas informações nas escrituras sobre sua vida, suas atitudes em seu lar, ou nos relacionamentos com outras pessoas. Mas, o pouco que temos de informações, ou suas poucas atitudes nos revelam uma mulher de uma fé inabalável. No texto de Êxodo 2: 1-3, não encontramos o seu nome, essa informação só iremos encontrar em Êxodo 6:20 e Números 26:59. Mas, no texto de Êxodo temos informações que ela era da casa de Levi, isto é, uma descendente de Levi. Somos informados também, que ela era esposa de um homem da mesma descendência de Levi, e que dessa união ela concebeu e deu à luz um filho formoso, o qual manteve escondido por três meses. Somos informados na continuidade do texto de Êxodo capítulo 2, que este filho recebeu o nome de Moisés, nome este dado pela filha do Faraó (Êxodo 2:10). Mas só a partir dos outros textos já citados acima, a saber, Êxodo 6:20 e Números 26:59, ficamos sabendo o nome do seu esposo, Anrão, e que grau de parentesco tinha com ela, e que gerou outros filhos, Arão e Miriã. Essas são as poucas informações encontradas sobre essa brilhante mulher que teve um papel importante na história do povo hebreu. Não quero laborar nessas informações somente, mas ressaltar as atitudes tomadas por Joquebede, que revelam a sua espiritualidade, o seu temor a Deus, a sua fé. Joquebede era uma das escravas hebreias no Egito, e que a situação vivida por ela, naquele momento, e pelas mulheres hebreias era extremamente difícil. Elas viviam sobre a ameaça de verem os seus filhos serem assassinados cruelmente se fossem do sexo masculino (Êxodo 1:15-16). Essa era a ordem dada às parteiras pelo Faraó por temer o crescimento numérico dos hebreus, na terra do Egito (Êxodo 1:8-10). Foi nessas circunstâncias que Joquebede expressou sua fé no Deus de Abrão. Uma mãe zelosa que carregava no seu ventre uma criança que poderia ser cruelmente assassinada se não fosse o seu cuidado materno. Como foram difíceis os dias que antecederam o nascimento da criança diante da ameaça de morte! Mais difícil ficou após o nascimento quando ela deu à luz a criança, e constatou que era um menino. Eram os meninos que deviam morrer, essa era a ordem do Faraó. O medo, a apreensão de que a qualquer momento os homens do Faraó chegassem e tomasse o menino dos seus braços, e o matasse, era cada vez mais forte. O texto nos informa que Joquebede escondeu o menino por três meses (Êxodo 2:2). Porém, não podendo escondê-lo por mais tempo, foi necessário tomar atitudes para livrá-lo. São essas atitudes a seguir que revelam a mulher forte que foi Joquebede. É importante ressaltar que todas as decisões de Joquebede faziam parte de um plano de Deus, o Senhor estava naquelas ações, mas vamos nos deter em suas ações fundamentadas na sua confiança. São as atitudes de Joquebede que servem como exemplo para nossa meditação, uma vez que em muitas situações somos também desafiados a agirmos, crendo nas providências do Senhor. Vejamos algumas dessas ações, ou atitudes:

1) Confie no Senhor em tempos difíceis.

Confiar. Essa palavra está intimamente ligada a palavra fé. Só podemos ter um relacionamento agradável a Deus se tivermos fé. O escritor aos Hebreus, disse: “ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem. Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:1,6). Como cristãos, sempre testemunhamos que temos um Deus, o Deus de Abrão. E sempre em nossas abordagens evangelísticas procuramos persuadir os incrédulos a crerem no Deus que temos. Mas, é preciso fazer uma avaliação criteriosa da nossa confiança no Deus que professamos ter. Quando lemos a palavra de Deus, deparamos com relatos que marcaram a vida de homens e mulheres que confiaram inteiramente no Senhor. Esses relatos nos emocionam e nos fortalece para continuarmos na caminhada cristã. Não podemos esquecer que o Deus deles, é o mesmo nosso. E, que eles eram sujeitos às mesmas fraquezas que nós. Poderíamos citar muitas ações de fiéis servos de Deus, mas as ações da nossa personagem, Joquebede, são suficientes nesse momento para nos conduzir pelo caminho da confiança. O texto nos fala de um tempo difícil, de repressão, de escravidão. As condições impostas pelo governo de Faraó levavam o povo hebreu a não confiar em sua própria força. Eles estavam rendidos! São em condições difíceis que a confiança em Deus produz nossas melhores ações. Não devia ser assim, as atitudes que tomamos nos momentos difíceis deveriam ser tomadas também nos momentos que julgamos fáceis, uma vez que o Deus é o mesmo. Mas, infelizmente é assim, enquanto acreditamos que temos uma saída, achamos que podemos agir sem a ajuda de Deus. Acredito que Joquebede também estava sujeita a agir da mesma forma que agimos se não estivesse rendida àquelas condições extremamente difíceis. Podemos imaginar que se houvesse alternativa, Joquebede não teria deixado o seu filho num cesto de junco, betumado, na correnteza imprevisível do rio Nilo. Veja que ela, pelo instinto materno, escondeu o filho o quanto pôde, mas o texto diz: “não podendo, porém, escondê-lo por mais tempo...” (Êxodo 2:3). Mas, quando não havia mais tempo, quando o que lhe favorecia acabou, quando não havia mais saída, agora sim, todas as condições eram propicias para que a confiança somente em Deus fosse colocada em ação. Haverá situações que Deus se colocará à nossa frente e dirá: “E agora, o que você vai fazer?” Não sei quais as condições físicas, materiais e emocionais que você se encontra, mas seja lá qual for, confie inteiramente no Senhor. Essa foi uma das atitudes de Joquebede.

2) Deixe nas mãos do Senhor o que você não pode mais manter pela sua força.

Entregar. Há coisas, pessoas e circunstâncias que precisamos entregar na mão de Deus. Mas, é sempre com muita resistência que lutamos para manter em nosso poder situações que já não podemos mais suportar. Deixar que Deus cuide do que temos de mais precioso é um desafio. Quantas vezes nesse mundo adverso empreendemos todas as nossas forças para sustentar o insustentável! Não nos esqueçamos daquela experiência vivida pelos discípulos do Senhor quando se levantou grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, e eles sabendo que não havia mais o que fazer, pois o barco enchia-se de água, disseram: “Mestre, não te importa que pereçamos?” (Marcos 4:35-41). Quando eles perceberam que não podiam fazer mais nada, só assim, eles entregaram os cuidados daquela frágil embarcação ao Senhor. Joquebede agiu de forma semelhante. Ela não viu segurança naquele caudaloso rio, o cesto era frágil, as águas profundas e o seu tenro filho indefeso, mas, ela entregou. Ela não entregou a casualidade, ou a sorte do cesto não virar, mas entregou nas mãos do seu Deus.  Ela desconhecia os planos que Deus tinha para aquela criança na libertação do seu povo, mas ela não desconhecia o poder do seu Deus. Ela sabia que Ele era poderoso para guardá-lo. Não sei o que você tem de mais importante nesse momento, e que sente escapar de suas mãos, por mais que dedique toda sua força. O que você precisa entregar ao Senhor? Talvez você precise entregar seu marido ao Senhor, ou um filho, ou a sua preciosa família. Não importa o que seja, entrega confiantemente nas mãos do Senhor e você verá o seu cuidado. Diga como Paulo: “... porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2 Timóteo 1:12). “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Salmo 37:5).

3) Esperar inteiramente na providência de Deus.

Esperar. Foram quatrocentos e trinta anos que os filhos de Israel esperaram pela liberdade (Êxodo 12:40). Quantos que esperaram pelo dia glorioso da liberdade, e não alcançaram! Esperar pelo Senhor é uma atitude de confiança. É ter a certeza de que Ele virá, mesmo que o nosso tempo acabe e as condições sejam as mais adversas. Nem sempre o tempo de Deus é o nosso tempo, o seu socorro pode vir logo, como também pode tardar, assim como tardou para muitos dos filhos de Israel no Egito. Muitos morreram na certeza de que o Senhor viria. Precisamos compreender que o nosso Deus tem os seus tempos determinados, e que isso não compete a nós perscrutar (Atos 1:7). Joquebede viveu sua vida esperando. Ela esperou o dia da liberdade como todos os demais israelitas; ela esperou como todas as mães o dia do nascimento do seu filho, para logo depois ter na providência do Senhor o seu salvamento. Preparar um cesto de junco para servir de abrigo para o filho, e depositá-lo nas águas de um rio, depois de tê-lo seguro em seus braços, não era uma medida para se esperar um final feliz, tendo em vistas as possíveis possibilidades de uma tragédia. Mas, para tomar todas essas atitudes, Joquebede estava com o seu coração depositado na providência do Senhor. Como mãe, ela tomou a mais difícil, mas também a mais esperançosa decisão. Preferiu entregar seu filho nas mãos providenciais do seu Deus, a segurá-lo nas suas frágeis mãos. O seu exemplo nos ensina como deveremos agir se a vida nos colocar em situação semelhante. Sei que não será fácil abrir mão do que mais amamos. O que faremos quando chegar o momento de deixar nossos filhos no revolto rio da incerteza desse mundo violento que vivemos? O que faremos diante da ameaça assassina das drogas? O que faremos diante de tudo aquilo que nos causa medo e ansiedade? Entreguemos tudo nas mãos do Senhor, na certeza de que Ele fará o melhor, o que nós não podemos fazer. Entregar ao Senhor, essa foi a atitude de Joquebede quando se sentiu pressionada, ameaçada e impotente diante do mundo. Não sei o que você precisa entregar. Entregue, não tenha medo, faça como Joquebede, aproxime-se do rio e deposite o seu precioso cesto e deixe que o Deus da providência faça o melhor.

Amém!

 


 
 

·     CLÓVIS DE SOUSA NOGUEIRA nasceu em Ipupiara, a 16 de junho de 1967. É pastor da Primeira Igreja Batista de Ipupiara. Trabalha no projeto, “O LIVRO DA MINHA VIDA”  e seus trabalhos publicados nas redes sociais dariam vários livros, além do trabalho que faz junto aos membros e não membros da Igreja na cidade, incluindo a zona rural. Dirige o programa PROCLAMANDO CRISTO na rádio Diamantina FM 104,9. Sob sua direção, a Igreja mantém congregações em Brotas de Macaúbas e nos povoados de Bela Sombra, Chiquita e Furados. É casado com Eliene Sodré de Andrade Nogueira e pai de três filhos: Alber Luiz de Andrade Nogueira, Lincoln Brainerd de Andrade Nogueira e Cléber Lewis de Andrade Nogueira.

 

Reside em Ipupiara, Bahia.

 

 

 


A FLOR E O BEIJA-FLOR - ELVIRA DRUMMOND

 



A FLOR E O BEIJA-FLOR

Elvira Drummond



O pássaro, fiel, repete a cena:
volteia, todo dia, o meu jardim...
Suave como estampa de nanquim,
o beija-flor à linda flor acena.


Contempla a acácia, o cravo e anil verbena,
mas voa em direção à flor carmim.
De asinhas ternas, feito um querubim,
o amante sempre escolhe a flor pequena.


E pousa o beija-flor enamorado,
daquela flor hostil se põe ao lado.
Mas gira o mundo em brusca contramão...


E a flor revela a face ardil-menina:
enlaça o beija-flor, mudando a sina,
e o beija milagrando audaz paixão!

Elvira Drummond 

O VERDADEIRO MESTRE... - ELVIRA DRUMMOND

 




O VERDADEIRO MESTRE…

Elvira Drummond



Um mestre verdadeiro nada ensina…
ocupa-se do cerne da questão,
pois provocar desejo é sua sina
ou todo ensinamento segue em vão.

Um mestre verdadeiro recrimina
cobranças que maculam a paixão,
instiga olhar atrás da tal cortina
que embaça a luz da mente, em cada vão…

Um mestre verdadeiro oferta tinta,
e cada aluno escolhe a cor que pinta
e o modo que maneja seu pincel.

Um mestre verdadeiro dá verniz
que fixa e faz brilhar o que condiz…
Em cada aluno, vê um bacharel!


MEU REINO POR UM BANHEIRO - JOSÉ FELDMAN

 



MEU REINO POR UM BANHEIRO

José Feldman


TROVA

A plateia se espantou:

o ator saiu do roteiro,

desesperado, e gritou:

"Meu reino por um banheiro!"

SELMA PATTI SPINELLI



Era uma vez, um teatro 

local conhecido como

 "Teatro do Riso". O lugar era 

famoso por suas 

comédias divertidas, e em uma 

noite 

aparentemente comum, a peça da 

vez era uma 

comédia romântica chamada "Amor 

e Outras 

Coisas".

A peça contava a história de um príncipe e uma donzela, com muitos mal-entendidos, encontros cômicos e uma pitada de drama. Os atores se empenhavam ao máximo, mas ninguém poderia prever que a maior reviravolta da noite viria não do roteiro, mas de um problema inesperado.

O ator principal, Marco, um sujeito carismático e talentoso, estava no auge de sua performance. Ele interpretava o príncipe encantado que, por um capricho do destino, estava prestes a se declarar à donzela, interpretada por sua amiga e colega de palco, a vivaz Luciana. A cena era cheia de emoção e risadas quando, de repente, Marco parou, com os olhos esbugalhados e uma expressão de desespero.

"Meu reino por um banheiro!" ele gritou, interrompendo o encantamento da cena. 

A plateia ficou em silêncio. As moças na primeira fila cobriram a boca com as mãos, tentando conter o riso. Os outros atores no palco trocaram olhares confusos. Luciana, que estava em estado de graça, não sabia se deveria rir ou chorar.

"Mas que cena é essa?", sussurrou um velhinho na plateia. "O príncipe pede um banheiro no meio da declaração?"

Marco, percebendo que o improviso tinha pegado todos de surpresa, continuou sua encenação. "Não posso declarar meu amor com a bexiga cheia!", exclamou, gesticulando como se estivesse prestes a desmaiar. A plateia começou a rir, e a cena se transformou em um espetáculo hilário. 

Enquanto isso, Marco se virou para o lado do palco, esperando que alguém aparecesse com uma solução. Mas isso não aconteceu. No impulso daquele momento, ele decidiu que precisava se salvar. Com um olhar determinado, ele virou-se para o público e começou a sua empreitada. 

"Amigos do teatro, ajudem-me! Precisamos de um plano!", gritou, com a voz dramática. "Vocês, que estão confortavelmente sentados, me digam: qual é o caminho mais rápido para a minha salvação?”

O público respondeu com gritos e sugestões, misturando perguntas sobre o enredo da peça com risadas. O diretor, que estava incorporado em uma esquina com um nariz de palhaço, decidiu aliviar a tensão e pediu calma à plateia.

"Tio, a cena ainda não acabou! O príncipe não pode desistir do amor por um banheiro!" disse ele, em uma tentativa de manter o enredo.

"Então vamos lá, que eu não posso ficar aqui fazendo papel de príncipe encalhado! Alguém me empresta um vaso? Ou quem sabe um arbusto?" Marco continuou. O público estava em delírio. Os risos ecoaram no teatro como nunca antes.

Enquanto as risadas tomavam conta do lugar, Luciana, que estava admirando a audácia de seu colega, decidiu se juntar a ele. "Príncipe, seu amor por mim é maior do que qualquer necessidade física! Você não pode desistir!", disse ela, tentando manter a seriedade, mas não conseguindo evitar um sorriso. 

E assim, a peça que tinha tudo para se tornar um fiasco se transformou em uma comédia de improviso. Os outros atores começaram a participar achando que era brincadeira. O conselheiro do príncipe, interpretado por um quadradão cômico chamado Renato, gritou do fundo do palco: "Se não encontrar um banheiro, traga uma plantinha! Natureza é sempre a solução!"

O aplauso da plateia era ensurdecedor e eles estavam desfrutando não apenas do talento dos atores, mas do improviso que havia surgido de maneira tão inesperada. A apresentação virou uma verdadeira batalha de comédia, com todos os personagens tentando ajudar o príncipe em sua busca por um banheiro.

No fundo do teatro, uma mulher que estava assistindo ao espetáculo não aguentou e começou a discursar com seu marido, em voz alta: "Olha, o enredo está mudando! Agora é uma comédia de ação!"

Marco, já um pouco mais relaxado, decidiu que era hora de dar um desfecho. Ele se virou para a plateia e fez um gesto de súplica. "Amigos, capazes de me ajudar, sei que posso amar esta donzela, mas antes, preciso do meu trono no banheiro!" 

Luciana, vendo que o momento pedia um toque especial, decidiu criar uma situação mirabolante. "Então vá! O reino é seu! Não deixe que a natureza lhe impeça de conquistar o meu coração!" Com isso, ela fez uma reverência exagerada, quase como se estivesse indicando uma porta invisível.

Marco então fez uma corrida cômica pelo palco, passando pela cortina e fazendo um som de corrida que ecoava como um cavalo relinchando. O público estava em prantos de tanto rir com suas tentativas dramáticas, enquanto o diretor tentava reanimar a peça. 

Por fim, Marco voltou ao palco, exausto, mas com um sorriso orgulhoso no rosto. "Voltei, e posso amá-la eternamente! Estou pronto para continuar a nossa história!" 

A plateia se levantou e começou a aplaudir de pé enquanto as risadas ainda ecoavam. No entanto, Marco sabia que havia muito mais em jogo: um banheiro ainda não encontrado! Depois disso, a fama da peça cresceu. Não pela história de amor convencional, mas pela improvável busca de um príncipe por um banheiro.  

E assim, o "Teatro do Riso" passou a ter uma nova peça chamada "Meu Reino por Um Banheiro", que se tornou uma sensação da cidade. Marco e Luciana se tornaram celebridades locais, sempre lembrados como o casal que transformou um sufoco em pura comédia. 

Nunca mais um ator deixou de considerar a “necessidade” em cena, e a lição aprendida naquela noite se espalhou como um eco: sempre busque um banheiro antes de aceitar um papel principal!"