BLOG LITERÁRIO DO FILEMON
domingo, 23 de agosto de 2026
A CHUVA - JOAQUIM RODRIGUES DE NOVAIS
ENCONTRO COM O MERCADOR DE SOMBRAS - JOSÉ FELDMAN
Encontro
com o Mercador de Sombras
Saiba, ó Rei dos Tempos que meus
pés já beijaram as areias de Mogadíscio e minhas mãos já tocaram as sedas de
Samarcanda.
Mas escute bem, pois de todos os
homens que conheci sob a cúpula do céu, nenhum possui o nome tão gravado nas
estrelas quanto Aldhiyb AlAbyad, o Lobo Branco.
— "E quem é este
homem?", perguntareis vós.
Ele nasceu em um vilarejo de
pedras brancas no sopé das montanhas de Hadramaut, onde o ar cheira a incenso e
as cabras saltam entre abismos. Aldhiyb não tinha o sangue dos califas, mas
dizia-se que sua mãe, ao dar à luz sob um eclipse lunar, viu um lobo de pelos
níveos uivando para o mar, embora o oceano estivesse a muitas jornadas de
distância.
Aldhiyb viveu sua juventude como
um pastor de ovelhas, um homem do deserto que lia o destino no voo dos falcões.
Ele era de poucas falas, mas de olhos que pareciam guardar o reflexo de
espelhos distantes. Sua vida era o silêncio das dunas, até que a Grande Seca
devorou os pastos e transformou o gado em ossos ao sol.
Sem nada além de uma túnica gasta
e a coragem dos desesperados, ele caminhou até o porto de Aden. Lá, diante da
imensidão azul que ele nunca imaginara existir, Aldhiyb não sentiu medo. Ele
viu os navios balançando como berços e percebeu que as ondas eram apenas dunas
que se moviam.
Ele foi parar no mar por um lance
de dados do destino: ao tentar salvar um marinheiro bêbado de uma briga de
taverna, acabou sendo levado para bordo do Vento do Amanhã como remador de
última hora. Foi nas galés, entre o suor e o sal, que o pastor das montanhas
tornou-se o senhor das águas. Ele não navegava para fugir da terra, mas para
encontrar o que o deserto lhe havia prometido em sonhos: o mistério que existe
além do horizonte.
Assim começou, ó Rei, a lenda do
Lobo Branco, que trocou o cajado pelo leme e as ovelhas pelas ondas.
Saiba, ó Rei, que o mercado de
Bagdá é o umbigo do mundo, onde o ouro de Gana encontra a seda da China e onde
se vende de tudo, até o que não se pode tocar. Foi ali, entre o aroma de
açafrão e o grito dos camelos, que Aldhiyb Al-Abyad viveu seu encontro mais
sombrio antes de se tornar o senhor dos mares.
Mustafá, o contador, limpou a
garganta e prosseguiu:
Enquanto Aldhiyb ainda era um
jovem marinheiro buscando carga para seu primeiro navio, ele avistou, em um
beco onde a luz do sol parecia ter medo de entrar, uma loja sem teto nem
paredes. Ali, sentado sobre um tapete de fios negros, estava Malik Al-Zill, o
Mercador de Sombras. À sua frente, frascos de ônix guardavam silhuetas que se
contorciam.
— "Aproxime-se, Al-Abiyad,"
sibilou Malik. "Vejo que tens um corpo forte, mas uma alma pesada. O que
buscas? Riqueza? Poder? Ou queres te livrar do que te atrasa?"
Aldhiyb, curioso e ainda não
escolado nas armadilhas dos gênios e feiticeiros, perguntou o preço de uma
sombra que parecia a de um rei.
— "Não vendo sombras de
outros," respondeu o Mercador. "Eu compro a tua. Dá-me a tua sombra
e, em troca, dar-te-ei o Vento de Popa. Nunca mais teu navio ficará parado em
calmaria, e chegarás sempre antes de qualquer rival."
O jovem Aldhiyb olhou para o
chão. Sua sombra era longa e fiel. Malik explicou que um homem sem sombra não
sente medo, não sente remorso e não deixa rastros para os inimigos.
Parecia o negócio perfeito para
um marinheiro ambicioso.
Mas, ao estender a mão para selar
o pacto, Aldhiyb percebeu algo terrível: nos frascos de Malik, as sombras não
estavam quietas; elas gritavam em silêncio. Elas eram as memórias e a
humanidade daqueles que as venderam.
Um homem sem sombra é um homem
que não projeta nada no mundo; ele é um buraco vazio que caminha.
— "Guarda o teu vento,
mercador," disse Aldhiyb, recolhendo a mão. "Prefiro lutar contra a
calmaria com meus próprios remos do que navegar rápido sendo apenas metade de
um homem. Minha sombra pode ser escura, mas é ela que prova que eu estou sob a
luz de Allah."
Furioso por perder a alma do
marinheiro, Malik Al-Zill tentou roubar a sombra à força, lançando uma rede de
trevas. Mas Aldhiyb, com a agilidade que aprendera com as cabras nas montanhas,
saltou para onde o sol do meio-dia batia mais forte. A luz intensa do deserto
queimou as mãos de fumaça do Mercador, que desapareceu em um redemoinho de
poeira preta.
Dizem, que desde aquele dia, a
sombra de Aldhiyb tornou-se mais nítida e escura que a de qualquer outro homem,
e que foi esse peso que lhe deu a estabilidade para nunca virar seu navio nas
tempestades que viriam.
(FONTE: "ECOS DO DESERTO", DE JOSÉ FELDMAN)
MEUS ENCONTROS COM DEUS - MATUSALÉM DIAS DE MOURA
MEUS ENCONTROS COM DEUS
Matusalém Dias de Moura
Nas horas longas de terríveis dores,
de provação moral ou desencanto,
vertendo, triste, um incontido pranto,
vou até Deus levando meus clamores.
E ali, em frente Dele, sem temores,
ponho-me a ouvir a Sua voz, Seu canto,
feitos de amor, os quais me dizem tanto
nessas difíceis horas de amargores.
Recobro, logo após, o meu alento
e volto à luta, livre do tormento
das provações da humilhação sofrida,
pois Deus, vendo-me assim, mandou Seu filho
repor em minha vida o velho brilho,
dando-me, novamente, a paz perdida.
(LIVRO "SONETOS INSONES", PÁGINA 29)
MÍSTICA VISÃO - MIGUEL J. MALTY
MÍSTICA VISÃO
Miguel J. Malty
O céu guardava a cor dos alabastros,
na placidez balsâmica da noite,
que descera cobrindo os frescos rastros
da carruagem do sol na entrenoite.
As aragens, barquetas sem os mastros,
vagavam leves, calmas, sem açoite,
fazendo coro com a voz dos astros,
iam na calma, em busca de pernoite.
Os olhos levantei. Ergui os braços
para a amplidão suprema dos espaços,
como a beber a luz da eternidade.
Pus-me a sorrir, gritar embevecido,
ante a visão de glória, comovido,
ante a lúmina e mística Cidade.
(LIVRO "ABKAR A CIDADE ENCANTADA", PÁGINA 36)
REVISITANDO CASTRO ALVES - FILEMON MARTINS
REVISITANDO
CASTRO ALVES
Antônio Frederico de CASTRO ALVES nascido na Fazenda Cabaceiras, Curralinho,
hoje cidade de Castro Alves, Bahia, um dos mais populares poetas do Brasil,
escreveu versos admiráveis, entre outros, “O NAVIO NEGREIRO – Tragédia no mar”,
do qual extraímos parte da VI estrofe:
“E existe um povo que a bandeira empresta/pra
cobrir tanta infâmia e cobardia!... /E deixa-a transformar-se nessa festa/em
manto impuro de bacante fria!... /Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta,
/que impudente na gávea tripudia?!.../Silêncio!...Musa! chora, chora tanto/que
o pavilhão se lave no teu pranto.../Auriverde pendão de minha terra, /que a
brisa do Brasil beija e balança, /Estandarte que a luz do sol encerra/às
promessas divinas da esperança.../Tu, que da liberdade após a guerra, /foste
hasteado dos heróis na lança, /antes te houvessem roto na batalha, /que
servires a um povo de mortalha”!...
Parece que o poeta baiano escreveu estes
versos, que considero um dos mais belos e significativos da Língua Portuguesa, em
nossos dias. Hoje, não temos a escravatura a que se referia o poeta, mas continuamos
escravos do analfabetismo, da corrupção, da política de exclusão social, do
desemprego, do crescimento da miséria, da fome, da violência, do medo, dos
preconceitos, da falta de investimentos em pesquisas, educação, segurança e
saúde, da submissão ao poder econômico. Aqueles que vivem em seus gabinetes
atapetados e não têm contato com o povo, não percebem ou fingem não perceber
como tem aumentado o exército de desempregados que passam fome e da miséria, acomodados
esperando o Bolsa Família do Governo Federal.
Não malhamos o Brasil, mas sim aqueles que têm
tido a responsabilidade de dirigir os destinos do País e não enxergam o futuro.
Nasci e cresci no interior da Bahia e, em busca de dias melhores, como outros o
fizeram, me transferi para São Paulo, onde trabalhei e estudei, e sempre ouvi
falar em programas de erradicação do analfabetismo. Aos 76 anos, constato
entristecido, que pouco se fez para alcançar tal objetivo. A educação, no
Brasil, está defasada, assim como a saúde, transportes, saneamento básico e
qualidade de vida, e nunca foram prioridades de nenhum governo.
Dizer que a “saúde é universal, que temos
salário-mínimo, garantias individuais, direitos sociais e somos uma grande
democracia do mundo ocidental” é balela e não enche barriga de ninguém, nem
satisfaz a busca da sociedade brasileira por dias melhores, por um Brasil
decente, digno, com oportunidades iguais para seus filhos, e grande não somente
na dádiva da Natureza, que, a bem da verdade nunca soubemos aproveitar.
Na época, a pandemia do Coronavírus em
2020/2021 escancarou nossa deficiência na saúde pública, porque não houve
investimentos como deveria.
Enquanto isso, as imagens na televisão e os
artigos em jornais e revistas mostram a situação caótica do povo brasileiro, com
a crescente onda de violência e crimes que assolam o território do Brasil. É preciso
valorizar a indústria brasileira, que é capaz e competente. Essa reflexão me
fez lembrar de uma história escrita pela colunista Helena Silveira, da Folha de
S. Paulo, que em passeio na Argentina com uma amiga, entrou numa loja e viu uns
lenços de seda de primeira qualidade. Comprou e comentou com a amiga: -¨imagina
se no Brasil vou encontrar lenços assim?” Chegando ao hotel, abriu a embalagem
para admirar a compra e veio a surpresa: a etiqueta dizia Indústria Brasileira.
Vamos dar valor ao Brasil. O Brasil é um continente que merece ser visto, amado
e respeitado pelos brasileiros.
Nas próximas eleições ajude o Brasil a expurgar
esses políticos corruptos, enganadores, que só querem propina e enriquecer a
família e os amigos com o dinheiro público. Use a massa cinzenta que você tem
entre uma orelha e outra. Ative sua memória. Fuja deles!
No momento, não há o que comemorar, porque o
sonho de um Brasil mais justo, decente, evoluído e independente se esbarra na
incompetência e improvisação dos que dirigem o destino do País.
Mas a mensagem bíblica nos ensina: “HÁ TEMPO
PARA TUDO: TEMPO DE CHEGAR E DE PARTIR. TEMPO DE AMAR E DE ABORRECER; TEMPO DE
FICAR CALADO E TEMPO DE FALAR; TEMPO DE PLANTAR E TEMPO DE ARRANCAR O QUE SE
PLANTOU”. (ECLESIASTES 3.1-2). Aplica-se ao caso.
Filemon Martins
Escritor e poeta
Da Confraria Brasileira de Letras
Do Clube Baiano de Trovas – Salvador, Bahia.
sábado, 22 de agosto de 2026
AUMENTA A PREOCUPAÇÃO COM A ECONOMIA - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS
AUMENTA A PREOCUPAÇÃO COM
A ECONOMIA
Pesquisas revelam que a carestia muda a perspectiva do povo e tira
a esperança dos brasileiros. Uma boa parte da população está frustrada com a
forma do presidente e seus ministros governarem. A inflação está subindo e
causando temor.
Entender e acompanhar
as mudanças na política fiscal e seus reflexos na economia não é tarefa fácil.
Olhei os jornais de hoje e vi uma manchete dizendo o seguinte: O Brasil está
diante de dois caminhos – o caminho que nos últimos anos vem derrubando o poder
de compra do brasileiro e o outro, o caminho das mudanças no rumo da economia.
As mudanças serão necessárias para colocar o Brasil no caminho do
desenvolvimento. Pesquisas realizadas nestes últimos meses, indicam que 80% dos
brasileiros desejam mudanças.
Muitos economistas falam que os gastos públicos desenfreados trazem
como consequência a desconfiança. A desconfiança nos atos do governo faz
aumentar a preocupação com os rumos da economia. Outros dizem que o tal do arcabouço fiscal
implantado pelo Ministério da Economia em 2023 já nasceu frouxo e os resultados
prejudiciais começam a aparecer. Além de tudo, estamos no ano de campanhas eleitorais e geralmente em períodos eleitorais os gastos
excedem os limites.
A verdade é que a insatisfação com a economia é geral e ocorre em
momentos ruins para o Brasil. Com tantos casos de corrupção, como no caso do
desfalque nas contas dos aposentados do INSS, das contas dos Correios, do Banco
Master. Tudo isso virou um mar de lama, muita sujeira que aumenta a desconfiança nos atos do
governo e atrapalham o bom andamento da economia.
As guerras na Ucrânia, no Irã e em outras partes do mundo fazem o
preço do petróleo subir. São problemas que o Brasil não pode controlar, não é
da competência do nosso país, mas com inteligência e sabedoria fiscal
conseguiremos atravessar essa crise. O governo Lula tomou algumas medidas
eficazes, como isenção do PIS-Programa de Integração Social e da
COFINS-Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e um apelo aos
governadores para que mexam e reduzam a cobrança do ICMS.
A verdade é que a economia do Brasil segue vacilando ao sabor dos
acontecimentos internacionais e de atitudes políticas do governo. Todos
percebem que o Brasil precisa ter a economia, pelo menos, um pouco mais forte.
A Bíblia é um livro que tem muito para nos ensinar. Os nossos
governantes precisam ser inteligentes, honestos e justos. Precisam adotar
procedimentos sábios, semelhantes aos que José, o filho de Jacó, tomou na idade
antiga para beneficiar o Egito. Veja na Bíblia, no livro de Gênesis cap. 41 a
partir do versículo 33 ao 43.
Saul Ribeiro dos
Santos
Contador e
economista aposentado.
Natural de Ipupiara
– BA.
📧
saul.ribeiro1945@gmail.com
TROVAS BRASILEIRAS
AMOR SUPREMO - FILEMON MARTINS
GRINALDA DE TROVAS - AUSÊNCIA - FILEMON MARTINS
O GÊNIO DA SOMBRA E O PREÇO DO DESEJO - JOSÉ FELDMAN
O
Gênio da Sombra e o Preço do Desejo
Acomodem-se, ó buscadores da
retidão, pois Mustafá traz agora uma história que sopra como o samum (vento
quente do deserto), aquele que queima a pele e obscurece a visão. Preparem seus
ouvidos para a crônica de uma fortuna que nasceu da sombra e quase terminou em
destruição.
Havia um andarilho chamado Nasir,
que já havia gastado a sola de mil sandálias percorrendo os oásis do Oriente.
Nasir era um homem de coração cansado, que suspirava por uma vida de repouso e
fartura que nunca chegava.
Certa tarde, sob o calor de um
sol impiedoso, ele encontrou um oásis esquecido, onde as águas eram escuras
como o ébano. Ali, deitado sobre as raízes de uma tamareira retorcida, dormia
um jinn (gênio) de aparência pavorosa, com pele cor de cinzas e fumaça saindo
de suas narinas. Ao ser despertado, o gênio não rugiu, mas sorriu com uma
astúcia maligna.
— “Andarilho, disse o gênio, pela
sua ousadia em me acordar, darei a você o que o seu coração desejar. Peça, e o
objeto surgirá diante de seus olhos.”
Nasir, deslumbrado pela promessa,
pediu primeiro um cinto de couro fino com fivelas de prata. Em um piscar de
olhos, o cinto apareceu em sua cintura. Depois, pediu uma adaga de punho de
marfim e uma sela de seda para seu camelo. Tudo surgia instantaneamente. Nasir
partiu dali sentindo-se o homem mais afortunado da Terra, sem saber que aquele
era um gênio de maldade, que não criava nada do nada, mas roubava magicamente
de outrem para satisfazer o pedido.
Semanas depois, enquanto
descansava em uma hospedaria de caravanas, Nasir encontrou um velho amigo
chamado Zayd. Ao ver Nasir cercado de luxos, Zayd empalideceu.
— “Nasir, meu irmão, como
conseguiu este cinto?, perguntou Zayd, tremendo de fúria. Ele tem a marca da
minha família gravada no couro interno! E esta adaga... ela desapareceu do meu
baú na última lua cheia, junto com a sela de seda que herdei de meu pai!”
Nasir tentou explicar o encontro
com o gênio, mas Zayd, sentindo-se traído, gritou: 'Ladrão!'.
O tumulto atraiu os guardas, e
Nasir foi levado acorrentado perante o qadi (juiz) da cidade.
No tribunal, o juiz olhou para as
provas. A marca de Zayd estava em cada objeto. Nasir, em prantos, contou a
verdade sobre o gênio do oásis. O sábio juiz, percebendo que a alma de Nasir
estava confusa mas não perversa, deu seu veredito:
— “Aquele que aceita o que não
plantou, colhe o espinho da culpa. Mesmo que não tenha movido a mão para
roubar, seu desejo foi a mão do gênio.”
Nasir teve que devolver tudo e
trabalhar por um ano nas terras de Zayd para pagar a indenização pelo
transtorno causado. Ele aprendeu, da maneira mais dura, que o gênio não lhe
dera presentes, mas dívidas de honra.
Mustafá limpou a areia de suas
vestes e olhou para o Sheik com gravidade, concluindo:
"A
lição desta história, ó nobres senhores, é que não existe benção em uma riqueza
que nasce da perda de outro. O desejo egoísta é o convite para que o demônio
aja em nossas vidas. A verdadeira fortuna é aquela que vem do nosso próprio
trabalho e da bênção lícita de Alá. Pois o que o gênio tira de um para dar a
outro, a justiça divina sempre encontrará um caminho de devolver ao dono
original, deixando o ganancioso com as mãos vazias e o nome manchado.”
(FONTE: "ECOS DO DESERTO", DE JOSÉ FELDMAN)
POEMA, A MEU JEITO, PARA VOCÊ - FILEMON MARTINS
Filemon Martins
Hoje, essa estranha saudade
A MAGIA DO PODER - FILEMON MARTINS
A MAGIA DO PODER
Custa-me crer que o
eleitor, por mais alienado que seja, mas que tenha princípios morais e
religiosos, não se sinta constrangido, não se sinta envergonhado e revoltado
com as falcatruas perpetradas pela equipe do governo, nos dois mandatos
anteriores (aliás, chamada de quadrilha, pelo Ministério Público), ao longo de
oito anos no período de 2003 a 2011. Acreditar que Lula, com todo o aparato de
inteligência e mecanismos de fiscalização à sua disposição, não soubesse de
nada, como disse repetidas vezes, é achar que somos imbecis.
“Falar pouco, às
vezes, é sinal de inteligência”, conforme Gabriel Perissé, em A ARTE DE CALAR.
Contudo, diz ele, “calar-se é ainda mais importante, quando calar-se é dizer
tudo. Há quem se cale por não ter realmente o que dizer, mas há também quem se
cale por omissão, quando seria um dever falar, escrever, gritar, colocar a boca
no trombone, como se dizia antigamente.”
Não é o que fez o presidente. Diante de tantos desvios de verbas,
mostrou-se incapaz de falar, de gerenciar o dinheiro público. Se houve CPI dos
Bingos, dos Correios, do Mensalão e das Sanguessugas, ao contrário do que
mostra a propaganda de figurões políticos, foram instaladas contra a vontade do
governo. Foi assim que caíram o ex-ministro da Fazenda, o presidente da Caixa
Econômica Federal e alguns assessores do Gabinete da Presidência da República.
O silêncio do
presidente foi intrigante e comprometedor. Considerou que seus companheiros de
partido cometeram apenas um deslize, um erro ao permitir que a sociedade
tomasse conhecimento. Já ocorrera esta conivência quando o então ministro José
Dirceu utilizou-se de sua posição para alavancar a carreira política de seu
filho Zeca Dirceu, no Paraná. Segundo Pedro Tobias, em A Tribuna, de Santos:
“Lula criticou não a ação em si, mas o fato dela ter sido feita de “forma
descuidada”, revelando o “estilo nada discreto do ministro”.
Lula não cumpriu
nada do que prometeu, ao contrário: aumentou tributos, aumentou e prorrogou a
CPMF, na época, taxou inativos do serviço público federal, não corrigiu a
tabela do imposto de renda (antes, dizia que salário não era renda). Não fez
Reforma Agrária, não fez Reforma Política, nem Tributária, a Previdência
continua deficitária, continuaram os escândalos, os desvios de verbas
alimentados pela sonegação dos próprios membros do governo.
Oito anos de
mandato já foi demais, mas sua excelência, o eleitor, quis que tudo continuasse
assim: o governo, que se dizia dos pobres, humildes e trabalhadores
transformou-se em paraíso de empresários, deputados e senadores desonestos que
sugam, de todas as formas, o dinheiro que deveria ser investido em saúde, pesquisas,
habitação, educação, segurança pública e geração de empregos.
Assim, Lula
conseguiu colocar no Planalto, Dilma Rousseff que se tornou Presidente do
Brasil de 2011 a 2016, quando foi afastada por um processo de impeachment,
sendo substituída por Michel Temer, que governou o país até janeiro de 2019.
A partir daí
tornou-se Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, eleito pelo Partido Social
Liberal até 31 de dezembro de 2022. Fez um governo polêmico e recheado de
contradições no seu estilo de governar. Poderia ter feito uma administração
superior, se tivesse escolhido melhor seus ministros e assessores e fosse mais
sociável no trato com as pessoas.
Em 1º de janeiro de
2023 Luiz Inácio Lula da Silva se torna pela terceira vez Presidente do Brasil
para deleite de uma parcela da população desmemoriada e para políticos e
empresários de um balcão de negócios, onde tudo e quase todos se vendem em
troca de muito dinheiro público que escapa pelo ralo sem que a população tenha
conhecimento.
Agora, está
pleiteando um quarto mandato com as mesmas promessas que sempre fez e não
cumpriu.
Só nos resta ficar
preparados para arcar com o prejuízo, fruto da nefasta administração do país, caso
ele consiga o quarto mandato.
Pior, com a
conivência proposital da Suprema Corte, ¨chefiada¨ por um ministro brasileiro,
autor de um plano maquiavélico com outros amigos de igual jaez.
Meu avô paterno
Gasparino Francisco Martins é quem tinha razão: “SE O HOMEM PROMETE E NÃO
CUMPRE, NÃO TEM PALAVRA, NÃO TEM MORAL, PORTANTO, NÃO MERECE RESPEITO¨.
Filemon Martins
Escritor e poeta
Da Confraria Brasileira
de Letras











