quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

TEU LIVRO - CARLOS RIBEIRO ROCHA

 






TEU LIVRO
                Carlos Ribeiro Rocha

Senhor, não tive estudos, nada sei,
mas recebendo a Tua inspiração
posso exaltar a Tua santa Lei,
cantar bem alto a Tua salvação.

Neste soneto, pois, render-Te-ei
meu preito de eviterna gratidão.
Na Tua Lei, Senhor, meditarei,
na dúvida, no gozo e na aflição.

Tua Lei revelaste aos pequeninos,
noite fizeste para os poderosos,
mistério para os Mestres e Rabinos.

Teu santo Livro tenho sempre aberto,
porquanto nestes traços sinuosos,
Tu sabes escrever perfeito e certo!


(Do livro “HARPA SERTANEJA”)

ANIVERSÁRIO DE MAÍSE JINKINGS MARTINS

 



ANIVERSÁRIO


Hoje é o aniversário de Maíse, minha filha. Quando ela nasceu, escrevi esta trova:

"Chega a Maíse, * lourinha,

com a beleza da flor:

- da mamãe - ternurinha,

- do papai - bondade e amor."

Assim, nossos parabéns à Maíse, desejando saúde, paz, alegrias e sucesso em tudo que fizer, juntamente ao esposo Carlos e sua filha Luana.

Que Deus a abençoe em sua caminhada de filha, mãe e esposa.


* Maíse fez o curso de Turismo, na Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes - São Paulo.


TROVAS DE SYMACO DA COSTA

 



TROVAS DE SYMACO DA COSTA (Canavieiras-Ba-1914-Queimados-RJ-1982)

 

Quanto mais o tempo corre,

mais corre o tempo da gente,

e quem ao tempo recorre

perde o tempo inutilmente.

 

Do inimigo aperte a mão,

com doçura, sem rancor.

Ao contato do perdão

toda pedra vira flor!...

 

Para o mal, eu tenho o bem;

para o ódio, o meu perdão.

Para o amor, tenho também

muito amor no coração.

 

Contar segredo à mulher

é falar ao mundo inteiro

aquilo que não se quer

que o mundo saiba primeiro.

 

Há tanto burro mandando

em homens de inteligência

que, às vezes, fico pensando

que a burrice é uma ciência.

 

(Do site FALANDO DE TROVA)

PAI NOSSO - MARIA JOSÉ ZANINI TAUIL

 



PAI NOSSO

         Maria José Zanini Tauil

 

Pai...

Tu estás no céu?

Mas que céu

Pode conter-te?

Tu és maior que tudo!

Teu abrigo preferido

É o coração

Da tua criação.

 

E é aqui

No meu interior

Que te sinto...

 

Sabes do que preciso

Conheces meus anseios

Olhas com misericórdia

Para minhas imperfeições

 

E... quando te peço

Que minha vontade

Seja satisfeita... quero, na verdade,

Que me tornes capaz

Da realização...

 

(Do livro "REFÚGIO E FORTALEZA – ORAÇÕES", PÁGINA 60)

TROVAS DO FILEMON

 


                     (FOTO DE SANDRO, CARRANCA, BAHIA)



                                            TROVAS DO FILEMON

 

Na subida, companheiro,

observe esta lição:

Quanto mais alto o coqueiro,

mais longe fica do chão.


Quanto sucesso comprado

para chegar no apogeu.

Hoje, triste e desolado

percebe que não viveu.


Para que agradar a todos

se a vida é breve jornada?

Melhor viver sem engodos

que ficar na encruzilhada.


Quero crer que a vida passa,

como tudo vai passar:

a tristeza, a dor que grassa,

tudo vai se dissipar!

 

TROVAS ESCOLHIDAS

 




                                                  TROVAS ESCOLHIDAS


 

Fecho os olhos... Sou cativo

da saudade que me escolta

e teima em me dar motivo

para crer na sua volta.

MAURÍCIO CAVALHEIRO – PINDA – SP

 

Morreu pregado na cruz

um homem bom, de verdade;

Esse homem era Jesus,

que nunca teve maldade.

ANA MARIA NASCIMENTO – ARAÇOIABA – CE

 

Direi ao sol, ao se pôr,

quando da minha partida:

nem sombra foste do amor

que iluminou minha vida!

LOTHAR BAZANELLA – SÃO PAULO

 

Se eu não fosse trovador

minha dor tinha que ser

inspiração do fervor

que trova no meu sofrer.

MARCOS MEDEIROS – LAGOA NOVA - RN

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

MEU VERSO (QUASE CORDEL) - FILEMON MARTINS

 



 

MEU VERSO (Quase cordel)


(Atendendo a sugestão do amigo - leitor JOSÉ DE SOUSA DANTAS, de João Pessoa, Paraíba)

Filemon Martins


Meu verso vem do Nordeste,
vem do roçado, vem do Sertão,
vem das veredas lá do agreste,
das cacimbas e dos grotões.
Meu verso vem dos garimpos,
das catras dos garimpeiros,
da coragem dos vaqueiros
vestidos no seu gibão,
vem do sereno da noite
do perfume do Sertão.

Meu verso simples, sem medo,
vem do sítio, do rochedo,
vem do povo do Sertão,
que com a luz do arrebol
trabalha de sol a sol
para ganhar o seu pão.


Vem da Serra do Carranca
onde a beleza não manca,
e a onça faz sentinela.
Da Serra da Mangabeira
onde a Lua vem brejeira
tecer a renda mais bela.

Meu verso vem da goiaba,
do puçá e da mangaba,
da seriguela e do mamão.
Da pinha e da acerola,
da atemoia e graviola
plantadas no roçadão.

Nasceu na bela Umbaúba,
Boa Vista, Bela Sombra,
na Lagoa de Prudente,
na Chiquita e no Vanique,
onde há muito xique-xique
e o sol parece mais quente.

Brejões, Lagoa do Barro,
Santo Antonio, Traçadal,
Olho D´Água, Rio Verde,
Baixa dos Marques, Coxim,
Ibipetum, depois Pintada,
onde passa a velha estrada,
Zequinha e Lamarca morreram.

Sodrelândia, Deus me Livre,
Pé de Serra, Poço da Areia,
Riacho das Telhas também.
Poço do Cavalo, Matinha,
Mata do Evaristo e Veríssimo,
Olhodaguinha e Ipupiara.

Meu verso nasceu no mato,
não tem brilho, nem ornato,
vem do Morro do Mocó,
da Serra do Sincorá,
vem do morro do Araçá,
nasceu pobre e vive só...

CAINDO A MÁSCARA - FILEMON MARTINS

 



CAINDO A MÁSCARA

  Filemon Martins

 

                                              

Outra vez estamos aqui cansados, tristes e desiludidos. Somos um povo escravizado. Não nos referimos àquela escravidão de cor. Mas somos todos escravos. Escravos da violência e do medo. Escravos dos preconceitos. Escravos do capitalismo selvagem e da ganância dos políticos interesseiros. Vítimas dos que apostam na exploração dos que trabalham.

Fazemos parte de uma sociedade em decadência, onde a miséria medra e a desonestidade campeia. Nestes dias, principalmente, o brasileiro põe uma máscara. A máscara da depravação moral. O carnaval está aí nas ruas e nos salões. É a festa do Rei Momo que continua. É tempo de folia. O povo ri, canta e chora. É o ópio do povo. Devidamente patrocinado pelo poder público, como na Roma antiga: pão e circo. São dias de sonhos, promessas nunca cumpridas, ilusões e de glória efêmera. Esquecemos, assim, os graves problemas nacionais. Esquecemos o desemprego, a desigualdade social, o aumento nas tarifas dos serviços públicos: luz, água, telefone e do custo de vida em geral, como alimentação e medicamentos. Esquecemos de tudo: até que os últimos presidentes têm subtraído direitos dos trabalhadores a cada ano que passa. (A Constituição que se dane, sob os olhos complacentes da Suprema Corte).

No carnaval, a quarta-feira   é dia de cinzas. Ficamos entorpecidos por alguns dias, mas tudo tem fim. É hora de voltarmos à realidade da vida. O sucateamento dos serviços essenciais à população é impressionante. Não temos saúde. Não temos educação. Não temos transportes. Não temos segurança. Não temos mais nada. Perdemos tudo. Até nossa esperança foi reduzida a cinzas... Tudo foi vendido em troca de gordas propinas. Já fomos vendidos também? Será que teremos a nossa quarta-feira de cinzas, quando, então iremos acordar para a realidade social e política? Será que iremos esquecer os inúmeros problemas que afligem o brasileiro, sem que se tenha a firme determinação de nossas autoridades para dar solução às questões mais urgentes?

É impossível, nestas reflexões, não lembrar as palavras, sempre atuais e verdadeiras, do Mestre Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

É necessário que a sociedade brasileira se conscientize para barrar a política de entreguismo, de palavras vazias, sem sentido, adotada pelos nossos presidentes. É preciso dar um basta às embromações arquitetadas pelos donos do poder através de dúbias reformas, que objetivam lesar o trabalhador e o povo, em nome de uma falsa modernidade. Para uns poucos, o carnaval não termina, porque eles continuam agarrados às benesses do poder e se enriquecem cada vez mais, enquanto nós, os brasileiros, o “zé-povinho,” os trabalhadores continuamos a dançar o carnaval da miséria e da pobreza que se espalha por todo o Brasil em pleno século 21.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

TROVAS DE MÁRIO BARRETO FRANÇA

 



TROVAS DE MÁRIO BARRETO FRANÇA

 

Não olhe tanto o futuro
nem no passado se ausente,
porquanto o melhor seguro
é ser útil no presente!

 

Não é nem será fraqueza,
de um erro se arrepender.
Sempre demonstra nobreza
quem vence o seu próprio ser.

 

O circo é cópia discreta
do mundo, em glória e fracasso:
- Sofre no risco do atleta,
mente no rir do palhaço.

 

Raras são as criaturas
de julgamento sereno,
pois quando estão nas alturas
veem todo mundo pequeno.

 


TROVAS BRASILEIRAS

 


                        (FOTO DE SANDRO, CARRANCA, BAHIA)



TROVAS BRASILEIRAS

 

Chora o coração sentindo

Tristeza, nunca revolta;

Os amigos vão partindo

Numa viagem sem volta.

JESSÉ NASCIMENTO

 

Não tomo um espaço imenso

Nem deixo um leitor cansado,

Se em quatro linhas condenso

Meu mais profundo recado.

CARLOS RIBEIRO ROCHA

 

Minha Bahia formosa,

Que contraste, vejam bem:

- Deu ao Brasil, Rui Barbosa,

Mas deu João Alves, também.

FILEMON MARTINS

 

Não faça da despedida

Um momento de revoltas;

O amor tem portas na vida

Com chave de muitas voltas.

AMÁLIA MAX 


QUEM SOU EU? - FILEMON MARTINS


 


 

QUEM SOU EU?

Filemon Martins

 


Cidadão brasileiro, casado, trabalhador, nascido na cidade de Ipupiara, Bahia, mas residente na cidade de São Paulo, desde 1969. Como quase todos os brasileiros, levo uma vida de trabalho e estudos. De segunda à sexta-feira, saio de casa rumo ao trabalho. São mais de 8 (oito) horas de jornada, sofrendo com os grandes problemas da cidade: transportes lotados, assaltos, menores abandonados, sequestros, desemprego, exploração de menores e tantos outros.

Após o trabalho, sempre difícil e cansativo, chega o momento de voltar para casa, com a certeza do dever cumprido. Sou um cidadão que, no sábado, quando possível, vou ao supermercado fazer compras e ver que os preços estão subindo constantemente e se vou à farmácia, constato a mesma coisa, enquanto os salários de quem ainda tem um emprego... Bem, estes, não podem subir... porque geram inflação... Há a Lei de Responsabilidade Fiscal...

Em compensação chega o domingo e lá fico eu à frente de um aparelho de televisão vendo e ouvindo os mais diversos debates sobre os problemas que afligem a sociedade brasileira, sem que se chegue a soluções concretas. Leio os jornais e observo que o exército de pobres nas ruas aumenta a cada dia, enquanto a violência e os bandidos ganham espaço, tolhendo a liberdade do cidadão. Alguns políticos revelam uma verdadeira obsessão pelo Poder, fazendo qualquer malabarismo para conseguirem um alto posto. Enquanto isso, eu faço parte de alguns milhões de brasileiros que lutam desesperadamente para sobreviver, pagando por erros de uma ineficiente política econômica.

Sabe-se que grandes clubes de futebol, empresas de ônibus e grandes grupos empresariais devem uma fortuna ao INSS. No entanto, nada tem sido feito para a cobrança desta dívida. O trabalhador, com carteira assinada, sabe que todo mês vem subtraído em seu “hollerith” ou contracheque o valor referente ao desconto do INSS ou a outra Instituição específica de Seguridade Social. - Por que só o trabalhador paga em dia?

Por outro lado, a experiência e a maturidade me ensinaram que quando governo, empresários e mídia estão do mesmo lado, é porque o trabalhador será penalizado. Vem chumbo grosso por aí. E veio os descontos indevidos nas aposentadorias de quem mais precisa de amparo na velhice. O PT despontou como esperança para uma multidão de brasileiros, mas ao se juntar com outros aliados naufragou como um Titanic e ficou à deriva. É o caso da Reforma da Previdência. Está na cara que o trabalhador será o único prejudicado. Partidos políticos, governadores e empresários estão com um sorriso estampado nos lábios: certamente estão pensando nos lucros que advirão com o trabalho escravo em pleno Século XXI. Quem diria? Fernando Henrique Cardoso durante os seus 8 (oito) anos de mandato concentrou todo esforço para cortar direitos, fazendo uma sangria no bolso dos trabalhadores e propiciando a flexibilização nos contratos de trabalho, que não funcionou, porque as empresas contratavam por 3 (três) meses e ao final do contrato, demitia e contratava outro funcionário com salário mais baixo. Luiz Inácio Lula da Silva que foi eleito justamente para estancar esta sangria descambou para a fantasia e quis sugar, ainda mais, o bolso do trabalhador, reduzindo também o direito à aposentadoria, taxando inativos e pensionistas do serviço público federal, com o apoio da elite nacional e dos votos comprados no escândalo que ficou conhecido como ¨mensalão¨.

Depois veio a sucessora de Lula, Dilma Vana Rousseff, que se tornou a 36ª presidente do Brasil, tendo como Vice-presidente Michel Temer e ampliou ainda mais a Ilha da Fantasia. Em sua propaganda, o então vice-presidente dizia ter tirado da pobreza 30 milhões de brasileiros. Em 2016, um processo de ¨impeachment¨ a afastou do Poder, assumindo em seu lugar, o cacique do MDB, Michel Temer.

Aos trabalhadores, que não têm vez nem voz, só resta o caminho da mobilização e da renovação do Congresso Nacional, para que tenhamos legítimos representantes do povo, que não estejam à venda, como é o atual sistema que mostra que muitos deputados e senadores que estão ali são amigos do dinheiro fácil, ainda que conseguido de forma desonesta e ilícita, especialmente guardado em suas contas no exterior. A afirmação não é minha. Os jornais publicam escândalos todos os dias.

É hora de parar com embromações. É preciso que haja INTELIGÊNCIA e HONESTIDADE a serviço do Brasil e do povo brasileiro. Não podemos mais esperar que o Congresso Nacional ou Corte Suprema venha nos defender. Hoje, não há nada de suprema, estamos testemunhando a pior Corte que o Brasil já teve até os dias atuais.

ETERNO TEMA - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 




ETERNO TEMA

Mário Barreto França


 

Quantas vezes a gente, triste, exclama:

- ¨Ah! Se eu tivesse ouvido o coração!¨

É a eterna desculpa de quem ama

Quando pranteia uma desilusão.

 

Há saudades que queimam como flama...

Nem sempre é doce uma recordação...

Mas... um contínuo pranto se derrama

Para o martírio aliviar, em vão...

 

E a gente luta, e sofre, e desespera,

Na esperança de nova primavera,

Sem pressentir que o inverno vai chegar...

 

Não vale a pena maldizer a sorte,

Que a vida sempre exige até à morte

O eterno sacrifício de se amar...

VELHAS ÁRVORES - OLAVO BILAC

 




VELHAS ÁRVORES
Olavo Bilac


Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!