terça-feira, 27 de outubro de 2026

TROVAS DE VANDA F. QUEIROZ

 




TROVAS DE VANDA F. QUEIROZ


Quem sou? Andava cismando...
Afinal me definistes:
- uma sombra carregando
um feixe de rimas tristes.

Um cortejo dobra a esquina...
Dobra um sino tristemente...
Eu – deixo de ser menina
passo a ser órfã somente.

Passa uma pobre menina,
vê numa loja, um brinquedo,
cola o nariz à vitrina,
depois sai... chupando o dedo.

Muita vez tenho cismado
que, ao invés do coração,
muita gente traz guardado
dentro do peito, um cifrão.


(ANUÁRIO COLETÂNEA DE TROVAS BRASILEIRAS, 1981, PÁGINA 10, ORGANIZAÇÃO DE FERNANDES VIANNA)

QUEM GANHOU? QUEM PERDEU? - SILVINO NETTO

 




QUEM GANHOU? QUEM PERDEU?
(Silvino Netto, numa leitura de uma sociedade dividida. 26.10.2026.)

Uns estão comemorando,


Outros, tristes, lamentando.


Uns festejam a vit
ória,

Outros acham-na vexat
ória!
Mas, afinal, quem
“ganhou”?

E quem, quem mesmo
“perdeu”?

Ser
á que a eleição passou,

E a amizade tamb
ém morreu?
Se o seu candidato
“perdeu”,

N
ão perca o amigo que “venceu”!

Se o seu candidato
“ganhou”,

N
ão despreze quem não o apoiou!
Pois perder um amigo do cora
ção

É pior que perder uma eleição!



Candidato vem, candidato vai,


Mas verdadeira amizade
Por pouco n
ão se desfaz!
Democracia
é respeitar

Saber ouvir e dialogar:


Discordar sem ofender,


Conviver sem se render!
Princ
ípios éticos e morais

Valem mais que disputas eleitorais!



N
ão mudam conforme a eleição,

Nem com a cor de uma fac
ção!
Quem venceu n
ão ganhou tudo!

Quem perdeu n
ão perdeu tudo!

Pois o Brasil
é de todos nós,
Cada um com seu sonho e voz!
N
ão existe candidato perfeito.
Mas, precisam ter respeito,
Pois n
ão somos objeto,
Somos ser sujeito!


E que tal firmarmos um pacto?
Eu voto no OITO!


E voc
ê, no OITO também!
Deitado,
é símbolo do INFINITO (∞),
Assim,
é o amor de Cristo!

Amizade n
ão tem partido,

Tem abra
ço, afeto e sentido!
Ent
ão, vamos fazer um voto?
Voc
ê é meu devoto,

E eu seu devoto tamb
ém!
Assim, nossa amizade vai al
ém!
AMÉM?
Ou acha que n
ão tem mais jeito?


poenetto@gmail.com


segunda-feira, 26 de outubro de 2026

MULHER DO NORTE - SUELLY CORRÊA GOMES

 






MULHER DO NORTE

Suelly Corrêa Gomes




Tenho pena de ti, mulher do norte,

por sobre a terra estéril recurvada,

esperando... esperando... sem ter nada

- pelo teu sacrifício e tua sorte.




De não teres ninguém com alma forte

que te mostre bom rumo em tua estrada,

que te livre da teima desgraçada,

de mais filhos trazeres para a morte.




É preciso entenderes o teu erro

e saberes medir com o coração

e não com a falsa fé que te consome.




Deves saber ao veres cada enterro,

que numa terra onde não brota o pão

não é justo brotar bocas com fome.




(LIVRO "TU NA DISTÂNCIA", PÁGINA 83)

SERENIDADE - SUELLY CORRÊA GOMES

 



                     (JARDIM DA MAÍSE, SÃO PAULO, CAPITAL)



SERENIDADE

SUELLY CORRÊA GOMES



Se um dia te bater à porta a glória
recebe-a com carinho e gentileza.
Não a ostentes aos outros, por grandeza,
nem te enfeites nas luzes da vitória.


Aceita o seu abraço e a sua história
e lhe beijes a mão de realeza,
mas não deixes pesar em tua pureza
e nem a tragas sempre na memória.


E se um dia chegar a ti o Fracasso
recebe-o com humildade e não insiste
do coração na dor e que alguém note.


Vai seguindo na vida o calmo passo:
que nenhuma conquista te conquiste
e nenhuma derrota te derrote!

A SAUDADE (FRAGMENTOS) - JOSÉ BRITTO BARROS

 




FRAGMENTOS DO POEMA A 

SAUDADE

Pastor José Britto Barros




Um que que não se diz e nem se explica,
Algo de um bem que parte, mas nos fica
Enchendo a vida de recordação...
Esse que misterioso e não descrito,
De que tanto se inunda um peito aflito
É a saudade, que fere o coração!


Saudade, as cinzas de um passado antigo,
Viva lembrança de um recanto amigo
Onde outrora fruímos um prazer...
Folhas que caem da árvore da vida
Deixando apenas marca ressentida
No coração cansado de sofrer!


Saudade, um bem que já passou, perdido...
O doce amor de outrora, hoje um gemido,
Tudo o que foi e que não volta mais...
E enquanto houver na terra a humanidade
Há de existir também muita saudade,
Saudades mil, saudades perenais!

DESABAFO - FILEMON MARTINS

 




DESABAFO

Filemon Martins


Não reclamo da vida turbulenta e triste
que a predestinação me faz levar, talvez,
nem quero levantar a voz ou o dedo em riste
para acusar alguém de tanta insensatez.


A consciência cruel por certo não resiste
fazer o bem, amar, viver com honradez.
É próprio do invejoso que na falta insiste
muito disfarce, engodo, mágoa e morbidez.


O calvário de Cristo nos mostrou o quanto
a Humanidade é mesmo pobre e desprezível,
a ponto de matar um verdadeiro santo...


E desde então as coisas só se complicaram,
o aumento dos Pilatos se tornou visível
e os Judas, com certeza, se multiplicaram!

DESENCONTRO - C. A. BEIRAL

 




DESENCONTRO
c. a. BEIRAL (1915-1999)



Creio que certa vez – eu não sei quando –
cruzei no seu caminho, sem que O visse,
sem perceber que estava me esperando,
não ouvindo, destarte, o que me disse...


Depois, ao pé do Monte, miserando,
não esperei, sequer, que me servisse
dos pães e dos peixinhos que ia dando,
sem que tampouco seu Sermão ouvisse.


Não me esqueceu e a outros mais ingratos,
nem de Judas, nem mesmo de Pilatos
que por fraqueza humana o condenou,


já que na cruz injusta erguendo a voz,
ao suplicar perdão por todos nós,
também minha ignorância perdoou!...


(Do livro "UMA LUZ NA NOITE", página 23)