sexta-feira, 9 de outubro de 2026

QUEM FOI O BAIANO MILTON SANTOS? - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 




QUEM FOI O BAIANO MILTON SANTOS?
                                                   
Mário Ribeiro Martins*

     
MILTON SANTOS (Milton de Almeida Santos), de Brotas de Macaúbas, Bahia, 03.05.1926, escreveu, entre outros, “O CENTRO DA CIDADE DE SALVADOR” (1959), “O TRABALHO DO GEÓGRAFO NO TERCEIRO MUNDO” (1971), “O ESPAÇO DIVIDIDO” (1975), “POR UMA GEOGRAFIA NOVA” (1978), “ESPAÇO E SOCIEDADE” (1979), “PENSANDO O ESPAÇO DO HOMEM” (1982), “ESPAÇO E MÉTODO” (1985), sem dados biográficos nos livros e sem qualquer outra informação ao alcance da pesquisa, via textos publicados. Após os estudos primários em sua terra natal (de onde também procede o autor destas notas), deslocou-se para outros centros, onde também estudou.
Filho de professores primários, aprendeu a ler e a escrever aos cinco anos de idade, sem frequentar qualquer escola, pois era orientado pelos pais, na vetusta Brotas de Macaúbas. Filho de Adalgisa Umbelina de Almeida Santos e Francisco Irineu dos Santos. Aos oito, já dominava a álgebra e dava os primeiros passos no francês.
Em 1936, mudou-se para Salvador, sendo matriculado, com dez (10) anos de idade, no Instituto Baiano de Ensino. Descendente de escravos emancipados antes da Abolição, pensou fazer engenharia, mas desistiu ao saber da discriminação contra negros na Escola Politécnica de Salvador.
Concluído o Ginásio, matriculou-se na Faculdade de Direito, da Universidade da Bahia, onde se formou em 1948, quando tinha 22 anos de idade. Tornou-se Advogado em Ilhéus, no interior baiano, durante algum tempo, quando também lecionou Geografia nas escolas da cidade. De volta a Salvador, continuou lecionando e trabalhando como Repórter do jornal A TARDE.
Nos anos seguintes, viajou para a França. Em 1958, quando tinha 32 anos, terminou o Doutorado em Geografia, pela Universidade de Estrasburgo, no interior da França. De volta à Bahia, em 1959, escreveu seu primeiro livro sobre a cidade de Salvador.
Atuou como jornalista, tendo acompanhado Jânio Quadros numa viagem a Cuba, em 1960, época em que já era um geógrafo conhecido em seu Estado. Tornou-se amigo e profundo admirador de Jânio, chegando a ser subchefe da Casa Civil e representante do governo federal em seu Estado. Mas se decepcionou com a renúncia do então presidente, em agosto de 1961.
Em 1964, presidiu a Comissão Estadual de Planejamento Econômico, órgão do governo baiano. Durante sua permanência na comissão, foi autor de propostas polêmicas, como a de criar um imposto sobre fortunas. Durante o regime militar, combinou as atividades de redator do jornal "A Tarde", de Salvador, e a de professor universitário. Na época, defendeu posições nacionalistas e denunciou as precárias condições de vida dos trabalhadores do campo.
Por causa de suas posições políticas, acabou sendo demitido da Universidade Federal da Bahia e passou 60 dias preso no quartel do Bairro de Cabula, em Salvador. Só foi libertado porque sofreu um princípio de infarto e um derrame facial.
Aconselhado por amigos, aceitou convite para lecionar no exterior. Nomeado Professor da Universidade de Bordeaux (interior da França), lecionou também na Universidade de Sorbonne, em Paris. Seguiu para os Estados Unidos, tendo trabalhado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Foi professor das Universidades de Paris (França), Columbia, em Nova York (EUA), Toronto (Canadá) e Dar Assalaam (Tanzânia). Também lecionou na Venezuela e Reino Unido.
Só regressou ao Brasil em 1977, com 51 anos de idade, na época da "distensão". Mudou-se para São Paulo, tornando-se professor, em 1984, da Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da USP (FFLCH), consultor da OIT (Organização Internacional do Trabalho), da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
Com o passar do tempo, tornou-se especialista em problemas urbanos dos países subdesenvolvidos, tendo sido Consultor dos Governos da Argélia e de Guiné-Bissau. Fez-se reconhecido internacionalmente, tendo sido professor na França, nos Estados Unidos, na Tanzânia e na Venezuela, entre outros. Expoente do movimento de renovação crítica da Geografia.
Por concurso público de provas e títulos, tornou-se Professor Titular da Universidade de São Paulo. GEÓGRAFO BRASILEIRO. Escritor, Ensaísta, Pesquisador. Memorialista, Intelectual, Educador. Cronista, Contista, Ficcionista. Literato, Conferencista, Produtor Cultural. Administrador, Orador, Poeta.
Em 1994, ganhou o Prêmio Internacional de Geografia VAUTRIN LUD, bem como o Prêmio Homem de Ideias, do JORNAL DO BRASIL e ainda o Prêmio Gilberto Freyre de Brasilidade, da Federação do Comércio de São Paulo.
Ao longo de sua carreira de mestre, recebeu 12 (doze) títulos de DOUTOR HONORIS CAUSA, de diferentes Universidades estrangeiras. Era membro da Comissão de Justiça e Paz, da Arquidiocese de São Paulo, desde 1991.
Em 1997, com 71 anos de idade, esteve na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, quando falou sobre “O PAPEL DO INTELECTUAL NO SÉCULO XXI”. Escrevia para o jornal FOLHA DE SÃO PAULO.
Faleceu em São Paulo, em 24.06.2001, com 75 anos de idade, sendo enterrado no Cemitério da Paz, no Morumbi. Pai de dois filhos, um deles Rafael Santos. Na MOSTRA MULTICULTURAL MILTON SANTOS, promoção da Universidade Federal de Goiás, em junho de 2002, uma homenagem lhe foi prestada pelo professor de Geografia da USP, Francisco Capuano Scarlato, que fez conferência sobre a sua vida e obra.
O grande pecado do baiano Milton Santos foi, tendo nascido em Brotas de Macaúbas, na Chapada, jamais ter dado a devida importância à CHAPADA DIAMANTINA, não no sentido de mencionar em seus livros de Geografia, mas no sentido de estudá-la e DIVULGÁ-LA com mais vigor, eis que nela nascera.
Apesar de sua importância, não é mencionado no livro BAIANOS ILUSTRES, de Antonio Loureiro de Souza, não é referido na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001 ou DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO (2001), da Fundação Getúlio Vargas e nem, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br (extinto)




*Mário Ribeiro Martins era escritor e Procurador de Justiça do Estado de Goiás.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

VOLTANDO À MINHA TRINCHEIRA - FILEMON MARTINS

 




      VOLTANDO À MINHA TRINCHEIRA

 

 

          Depois de alguns dias do 1º turno das eleições, no Brasil, estamos de volta. Agora, analisando ambos os lados, da corrida presidencial. É possível observar um certo otimismo de um lado e o desespero que toma conta do outro lado, tal a avalanche de informações e textos oportunistas que estão surgindo nas redes sociais.

          Há um assunto pouco falado e quase nada comentado que versa sobre a responsabilidade dos partidos políticos, quando acolhe seus filiados. Não parece prioridade, mas deveria ser um dos requisitos para a filiação em qualquer partido político, honestidade e ética.

          O que se percebe é que os próprios partidos permitem a filiação e candidatura de pessoas famosas, nem sempre éticas e honestas, mas que agregam muitos votos para a legenda. Deste modo, o eleitor escapa de um golpe e cai na armadilha do outro.

          Quando eleitos, ao invés de exercitarem o respeito e a moral, passam a mendigar ministérios, cargos em comissão ou altos postos na administração federal, onde podem barganhar à vontade. Ora, a prática mostra com clareza que, para pleitear a reeleição basta contratar uma boa agência de publicidade, um marqueteiro inteligente, dar algumas esmolas ao pobre eleitor e pronto.

          As pesquisas, quase sempre pouco confiáveis, garantem o 1º lugar a quem paga mais. Pelo menos foi o que ocorreu no 1º turno das eleições presidenciais, quando um candidato esteve à frente, contrariando os resultados da apuração oficial. Pelo que vi, diga-se a verdade, uma ou duas pesquisas mostraram o outro candidato à frente, confirmando o percentual de votos apurados.

          Para o 2º turno das eleições marcadas para 25 de outubro de 2026, os gatilhos serão disparados com mais força e maior intensidade. Pelo que já pude ler, inclusive, nas redes sociais, há informações absurdas tentando enganar sua “excelência”, o eleitor. Um verdadeiro vale tudo para não perder as mordomias.

          É imprescindível que agora o eleitor redobre o cuidado e seja consciente para limpar o Palácio do Planalto, e alguns Palácios de Governo estadual, que tem servido como “agência de viagens” nacionais e internacionais, sem quaisquer benefícios para o Brasil.

          O eleitor, enfim, não pode admitir que corruptos, demagogos e políticos sem caráter continuem subtraindo o dinheiro dos cofres públicos, que deveria ser investido em educação, saúde, saneamento básico, segurança, construção de casas e hospitais, pesquisas e manutenção de estradas pelo país.

          Vamos crer que o eleitor seja capaz de discernir o joio do trigo e punir, através do voto, quem não soube ou não quis administrar bem este país continental, belo e exuberante que pertence a todos os brasileiros.

 

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

ELEIÇÕES BRASILEIRAS - 2026 - FILEMON MARTINS

 




         ELEIÇÕES BRASILEIRAS – 2026

 

 

          Primeiro turno das eleições, no Brasil, já concluído. O território brasileiro é muito grande, daí que nem todos os estados conseguiram eliminar figuras carimbadas pela corrupção, envolvidas em falcatruas.

          Alguns estados elegeram governadores já no primeiro turno, pelo menos 20 estados já liquidaram a fatura. Destes 20, 3 ficaram com o PT, caso da Bahia, Ceará e Piauí. Os demais foram divididos entre estes partidos:

PL – 5; PSD – 4; REPUBLICANOS – 3; PP – 2; PSDB – 1; MDB – 1; PODEMOS – 1.

          Para a Presidência da República, a disputa será entre FLÁVIO BOLSONARO (PL) e LULA (PT) em 25 de outubro de 2026, data do 2º turno das eleições.

          A disputa promete ser acirrada e até dia 25 de outubro, vamos ouvir e assistir muitos doutores da Lei, escribas e fariseus tentando convencer o povo que, se Lula não continuar, será o fim do mundo. Afirmam com tamanha convicção que o governo do PT é melhor, como se fôssemos cegos e idiotas para não perceber a contradição do discurso.

          Alguns eleitores votam conscientes, pensando na coletividade. Outros, porém, votam sonhando com os lucros advindos da exploração dos pobres e miseráveis. O que deve acontecer é que Lula precisa se afastar, descansar, usufruir do que já tem (não sabemos, mas a Receita Federal sabe). Mas, há um grupo por trás do Lula, que são parasitas dos recursos públicos (dinheiro do povo). Estes, sequer, sonham em perder a mordomia.

          Oxalá dia 25 de outubro tenhamos a confirmação da mudança em andamento. O Brasil precisa! O povo acredita! Do jeito que está, não pode permanecer!

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia

         


terça-feira, 6 de outubro de 2026

QUANDO CHEGA A PRIMAVERA... - FILEMON MARTINS

 




QUANDO CHEGA A PRIMAVERA...

                                              

                                   

          A primavera chegou com sua beleza e fascínio. A natureza faz o seu espetáculo. Uma nova paisagem se vislumbra nas cidades e nos campos. Folhas e flores voam ao sabor dos ventos. Quase sempre, folhas, flores, frutos e borboletas misturam as cores da terra e do céu. Move-se, nesse cenário, um sentimento agridoce que faz da nossa alma um tabernáculo.

          De graça a natureza cria e recria paisagens, desafiando a dureza dos corações humanos que não encontram tempo para apreciar a beleza da vida e os encantos da terra. Meu coração parece uma catedral abandonada, onde a solidão desfila todos os dias, todas as horas e todas as noites. Inspira-me versos. Fico impregnado de saudade. Se o céu é azul, doce é o meu pensar. Meu coração não fala, mas sente com emoção, com devoção.

          Sou, como tantos outros, um passageiro da terra num trem desgovernado, que não consigo parar. Para rever um rosto que se foi, um companheiro que partiu. Mas estou consciente: - são coisas do coração. Inexplicáveis. Inconcebíveis. Não há como parar a condução. A viagem continua. Fico debruçado na janela do tempo que passa veloz e contemplo a imensidão do Universo. Descubro que o meu olhar é triste. Vejo-me por dentro e agora me sinto um passageiro do “TITANIC” à deriva no mar de sonhos. Navego com o coração. Descubro decepções em cada porto da vida.

          Às vezes, imagino que estou voltando. - Mas, por onde já andei? Não sei. Mas sei que sinto dor, angústia e saudade. Essa dor que desafia os avanços da Medicina. As teses da Física. No coração há um sopro de um Deus que ninguém explica, mas que existe. Que movimenta todo o Universo. Mas até quando? Mistério insondável.

          Assim como as folhas, flores, frutos e borboletas, nada é permanente. Tudo se transforma, já dizia Lavoisier. Também o ser humano, com suas limitações, fantasmas e imperfeições. Contudo, Cristo é eterno. Detenho-me diante da ternura do Nazareno. Esbarro no mistério da vida. Da vida que passa tão rapidamente. Penso no mistério da fé. Quisera ter o dom da fé. Será que me perdi nas indagações que fiz? Nas respostas que não tive? Enfim, são emoções e lembranças que guardo no meu coração.

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia.

 


MINHA PAIXÃO - FILEMON MARTINS

 




MINHA PAIXÃO
Filemon Martins

 
Não consigo entender porque partiste,
deixando-me sozinho em terra estranha.
Hoje, não tenho paz e sou mais triste,
porque sem ti, o amor não me acompanha.

Como esquecer a mágoa que me assiste,
- se a saudade chegou cheia de manha?
Teu perfume de flor ainda insiste
em aumentar a minha dor tamanha...

Por que fugiste assim, minha poesia,
eras tu meu querer, minha alegria,
a energia que vibra no meu ser.

Tu és da minha casa, a grande porta,
a inspiração ardente que conforta
para escrever meu verso até morrer.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

REFLEXÃO - FILEMON MARTINS

 





                      REFLEXÃO

 

 

          É sempre salutar quando paramos um pouco para uma meditação. Ninguém pode viver sem uma pausa para descansar e refletir sobre a vida, missão terrena, o que passou, o que fizemos ou deixamos de fazer. É nesse momento que ficamos perplexos com as escolhas que fizemos, seja na vida pessoal, profissional, política ou ambiental. É evidente que todos nós almejamos obter estabilidade econômica, emocional, pessoal e muito pelejamos para encontrar um ¨porto seguro¨.

          Contudo, se erramos no passado, se nossa semeadura não foi boa, não precisamos desistir. Ao contrário, vamos planejar melhor nossos sonhos e ideais. Vamos plantar melhores sementes. Se regarmos bem nossos sonhos, eles brotarão como um roseiral, cujos brotos vão se transformar em botões e mais tarde se abrirão em perfumadas flores.

          Nossos erros, decepções e frustrações devem se transformar em combustível para seguirmos com mais experiência, força de vontade e determinação, a fim de alcançarmos nossos objetivos no presente e no futuro com uma excelente colheita.

          Pense. Raciocine. Leia bons livros. Escreva. Cante. Dance. Grite. Nosso cérebro vai se expandir e fará melhores escolhas. Mude o caminho. Mude a rota. O resultado será diferente. Se era ruim, agora será melhor. Acredite em você, acredite em Deus! Quem crê em Deus nunca fica sem resposta!

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Membro correspondente da Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, Anápolis/GO.

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia.

 


RUI BARBOSA

 




RUI BARBOSA

 

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus - o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

 

Quando Rui Barbosa proferiu seu famoso discurso no Senado em 17/12/1914, de onde extraímos o trecho em epígrafe, ele certamente estaria imaginando que havíamos chegado ao "fundo do poço". Seu discurso é corajoso, duro, brilhante e mostra claramente sua revolta pelo que via a seu redor.

Pois bem, decorridos quase 112 anos, o que vemos de diferente em nosso país? Passamos pela ditadura, recuperamos a democracia, o povo ganhou o direito de escolher seus governantes, dois presidentes sofreram processo de impeachment, um metalúrgico foi eleito e reeleito para nos comandar. O Brasil cresceu, chegou a ser a oitava potência do mundo, mas a desonestidade, a podridão, a miséria moral cresceram muito mais. Se vivo fosse, hoje Rui Barbosa estaria muito mais perplexo, envergonhadíssimo de ser honesto.

 

(DE UM RECORTE DE JORNAL)


domingo, 4 de outubro de 2026

DISCURSO DO POLÍTICO - RENATO DINIZ SANTOS

 





DISCURSO DO POLÍTICO

Renato Diniz Santos



Escutei o discurso do político, uma peça oratória das mais brilhantes... E ficou infinita hora no palanque, fazendo pomposas frases de literatura, criando imagens de efeito, mostrando entusiasmo falando de obras, obras que ninguém nunca viu... Falou em acabar com a fome, fez mais promessas: Trabalho ao desempregado. Saúde ao doente. Casa ao desabrigado. Escolas ao analfabeto. Hospitais aos doentes. Segurança ao cidadão. E obras faraônicas de primeiro mundo!!! E os do seu séquito, os do mesmo partido, aplaudiam e faziam grandes elogios... Ali estava um estadista. Um amigo do povo. Um administrador honesto!!! E achavam que tudo estava perfeito... Vivi para ver o resultado: Vi alastrar a miséria. Vi o povo nas filas de emprego. Vi o doente morrer no corredor do hospital sem ser atendido. Vi famintos habitar debaixo da ponte. Vi a ignorância grassar. Vi a criança abandonada... E então pensei: Quão tristemente o povo é enganado por eternas e falsas promessas daqueles políticos sem alma!



(Extraído do LITERARTE/SP)

DIA DE ELEIÇÃO - SAMMIS REACHERS

 

DIA DE ELEIÇÃO, crônica de Sammis Reachers

 

                      

 

Dia de eleição é dia de catarse. De expor amigamentos e odianças por esses que o jogo político arregimenta, esses que, por pudor nos negamos a dizer, mas no fundo – sejamos nós letrados ou humildeletras, enricados e pés-de-pano – sabemos que são os piores de nós...

Dia de eleição é dia de desnudamentos, de sangria dos ânimos, de expor os radicais e seus monóculos, sua tobas de ver o mundo por um só viés. Esses de direita e esquerda, em seus extremos tão perigosos – mas não haveria jogo sem eles, afinal, os fominhas da bola.

Dia de eleição é dia de melancolia, e isso nenhum poeta, dos seis mil que conheço ou ao menos tolero, já aventou: Dia máximo de melancolia, ao revisitar velhos caminhos e seções, ao rever rostos de anos, infância até, estudos juntos, trampos, sopapos e beijos trocados.

Dia de eleição é dia de cidadania, essa obviedade central & inescapável, frenética em seus entra-e-sais quase copulosos, pois desse seu coito na urna, hoje botãonizada, nasce o rebento que nos resguarda, a democracia – mais que este ou aqueloutro ator canastrão que ocupar o cargo que lhe confiarmos.

Dia de eleição é dia de suspense, riso e lágrima, apuração de samba e final de copa, suspiros ou expiros de sonhos, projetos, construtos de luz ou maquiavélicas maquinações. E acerto de conta$, que o correligionário também come, afinal.

Dia de eleição é dia de socializar – e orar, debater, biritar, conforme a cultura da aldeia: Preocupações ou despreocupações se carnavalizam, entrechocam e abraçam – o outro feito nós na sujeição ao sistema que nos comporta, renovação de ciclo, refundação tumultuosa de nosso pequeno grande mundo citadino.

 

Sammis Reachers

https://linktr.ee/sreachers

 


sábado, 3 de outubro de 2026

UM - CÁSSIO DE OLIVEIRA JOSÉ (ZERO)

 




UM

Cássio de Oliveira José (Zero)


Não reconhecer a unidade

imanente na multiplicidade

é a matriz das carências.

Falta de consciência

é ser bala controlada de guerra,

acreditando em sonhos e faltas

que só  vendem produtos;

essas são as algemas

que nos fazem roer o próprio osso,

a projetar no irmão

alguém a ser vencido,

sem perceber nesse espelho

que sou meu maior inimigo.


Sistema.



(LIVRO "POEMAS PARA O ÊXTASE - PELO CORAÇÃO DA BALEIA SEM FIM", PÁGINA 38)

PRIMAVERA, DE NOVO! - ÓGUI LOURENÇO MAURI

 


                             (FOTO DE MAÍSE J. M. MEDEIROS)




PRIMAVERA, DE NOVO!...

ÓGUI LOURENÇO MAURI



Enfim, chega a primavera; vejo as flores!
Coração bate mais rápido, palpita!
A paisagem já me envolve mais bonita,
Com perfumes e visuais multicolores.

Sinto mais a emoção da vida ao redor...
Há um quê tão diferente, mais amor!
Primavera, quando reina o beija-flor,
Aos amantes, faz vingar visco maior.

Quero mais tempo com meu amor agora,
De mãos dadas, pelos bosques e jardins.
Presenteá-la com violetas e jasmins,
Ao som dos pássaros, no êxtase da flora.

Nos três meses dum cenário colorido,
Vou ficar com ela no banco da praça,
Apreciar seu jeito tão cheio de graça
E trocar rimas de amor ao pé do ouvido.

Primavera à noite... Píncaros do amor!
Junto à fonte luminosa, bem ao léu;
Ao olor das flores, com lua no céu...
Sintonia dos desejos no esplendor!



(FONTE AVBAP)

VELHAS ÁRVORES - OLAVO BILAC

 




VELHAS ÁRVORES
Olavo Bilac


Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

 

O OUTONO JÁ PASSOU, AGORA É PRIMAVERA! - FILEMON MARTINS

 




O OUTONO JÁ PASSOU, AGORA É PRIMAVERA!

 

 

          Não estamos mais no Outono, agora o predomínio é da Primavera. Mas o Outono é bem conhecido como a época em que as folhas secam e caem ao sabor dos ventos. Uma mudança providencial da natureza para que as árvores se preparem para a estiagem, economizando energia. As folhas secas, tombadas vão se transformar em adubo, fertilizando a terra para produzir novos brotos, novas folhas, flores e frutos.           Período de colheitas e temporada escassa de chuvas.

          No Brasil, quase de modo geral, ocorrem muitas ventanias, tempestades na estação Outonal. As chuvas, quando ocorrem nesta estação são acompanhadas por ventos fortes, raios, gerando enchentes, medo e calamidade.

          No sentido Figurado todos os seres viventes têm o seu outono, inclusive nós, os humanos. Ninguém escapa deste processo biológico. Nesta fase da vida, as mudanças são visíveis: - nossa visão vai diminuindo e se tornando turva. Os sonhos vão se desbotando e desaparecendo em bandos.

          Somos compelidos a buscar renovação, através de novos projetos, novas ideias e desejos a fim de prosseguirmos na vida. Assim como as árvores que se desfazem das folhas secas e murchas para depois ressurgirem belas e floridas, também nós temos que nos reinventarmos: leia mais, escreva, pinte, borde, reforme, vá ao cinema, à praia, ponha sua criatividade para funcionar. E, sobretudo, pense, raciocine.

          Novos horizontes, novos sonhos, novas esperanças hão de surgir à sua frente. O Outono, basicamente é isso, desapego, trocas, mudanças e transformações. Mas a Primavera está aí convidativa, temperaturas amenas, ressurreição de plantas e flores. Exercite sua mente, sua imaginação que a vida é uma viagem...

          No campo político, as eleições brasileiras estão aí: É tempo de Primavera, é tempo de mudar. É tempo de pensar. Pensar em quem votar para resgatar o país desta letargia. O Brasil precisa mudar. Mudar para ter um futuro melhor para o seu povo, o povo que vive aqui. Esqueça os artistas. Eles têm a Lei Rounet (Lei Federal de Incentivo à Cultura). São riquíssimos e quase sempre, moram em outro país, embora vivam dando palpites sobre o Brasil com interesses obscuros, que já conhecemos.

          O Brasil precisa de maiores investimentos na saúde, educação, segurança pública, tecnologia e pesquisas. Dinheiro tem, mas é urgente estancar, acabar com a corrupção que corrói os recursos públicos.

          Se deixarmos como está, tudo continuará igual. Não haverá crescimento, o Brasil continuará perdendo empresas, fábricas e lojas para outros países e nós, o “Zé povinho,” seremos inscritos no “Fome Zero”, enquanto a farra da gastança desenfreada vai continuar nos Três Poderes.  

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DO CLUBE BAIANO DE TROVA, SALVADOR, BAHIA.