quarta-feira, 29 de julho de 2026

TROVAS BRASILEIRAS

 




TROVAS BRASILEIRAS


Crê que é dono do Destino,
tem poder de vida ou morte.
Mas não passa de um cretino,
escravo da própria sorte...

APARÍCIO FERNANDES


O livro é um amigo mudo,
que nos pode compreender.
Revela em silêncio tudo
que precisamos saber.

MARIA THEREZA CAVALHEIRO

Sempre acolho de mãos postas
e, humilde, tento aceitar
o silêncio das respostas
que a vida não sabe dar!

CAROLINA RAMOS

Pingos de chuva que escorrem
no vidro do coração
deixam marcas que não morrem...
e um mar de desilusão!

JOSÉ FELDMAN

REMINISCÊNCIA - FILEMON MARTINS


 

                             (FOTO DE SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)



REMINISCÊNCIA
Filemon Martins



Nos meus dias repletos de poesia,
naqueles tempos cheios de emoção,
batia, no meu peito, o coração
em busca dessa paz tão fugidia.


Recordo aqueles versos que escrevia,
brincando nas Chapadas do Sertão,
quando os sonhos na vida muitos são
e a Esperança no Amor é uma alegria.


Mas as portas da vida se fecharam,
e tudo não passou de um breve sonho,
só ilusões na vida me sobraram...


Hoje! Esperanças – folhas destruídas...
Da vida – flores, rosas, pressuponho
só restam amarguras recolhidas!...

TROVAS BRASILEIRAS

 


               (FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM)


TROVAS BRASILEIRAS


Como ilude a aparência...

Santo homem, bom cristão;

era a virtude, a decência,

por dentro - que podridão!

JESSÉ DO NASCIMENTO


Bendito quem no caminho

plantando amor entre irmãos

tem mãos que se fazem ninho

para aquecer outras mãos!

PEDRO ORNELLAS


Rejeito fraude e sofisma,

que a virtude é o meu condão.

Minha alma transpira o crisma

da inocência e do perdão.

HUMBERTO DEL MAESTRO


Mesmo pisando nos cardos

meus rastros serão pepitas,

pois, as lágrimas dos bardos

tornam-se trovas bonitas.

CARLOS RIBEIRO ROCHA

 


O LOURO - ALMEIDA DA NOBREGA ARLINDO

 





O LOURO

Almeida da Nobrega Arlindo

 

Como num passe de mágica
meu lourinho se evadiu,
a porta estava entreaberta
e no meu ombro ele subiu,
foi tudo assim, de repente,
ele me olhou diferente,
"me disse adeus" e sumiu.

Ah saudade cruciante!

 

(Enviado pelo autor via Messenger)


terça-feira, 28 de julho de 2026

O BEIJA-FLOR - FILEMON MARTINS

 




O BEIJA-FLOR

Filemon Martins


Levanto cedo e veja quem me espera,
um lindo beija-flor beijando a rosa.
Não para de adejar, ai quem me dera
sugar também aquela flor mimosa.


Quantas flores o beija-flor paquera
e baila no ar buscando a flor ditosa
e se exibe num voo que acelera
à procura da flor, a mais viçosa.


De flor em flor consegue seu intento,
mesmo voando em luta contra o vento
para beijar, feliz, mais uma  flor...


Também o bardo – beija-flor certeiro,
de verso em verso vai buscar faceiro
dentro do peito uma canção de amor.

TROVAS BRASILEIRAS

 


                   (FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM-SP)



TROVAS BRASILEIRAS


Na terra, a justiça é humana,

as falhas são naturais;

no céu, se faz soberana,

pois Deus não falha jamais!

ELVIRA DRUMMOND


Todos seriam felizes,

com sentenças mais corretas,

se, em tribunais, os juízes

dessem lugar aos poetas.

OLGA AGUILHON


Jesus, o Mestre Divino,

que por nós morreu na Cruz,

deixou, no breve destino,

um longo rastro de luz...

MARIA THEREZA CAVALHEIRO


Coração de Mãe - canteiro

em perene floração,

onde um santo jardineiro

planta as rosas do perdão.

MARILITA POZZOLI 

TROVAS BRASILEIRAS


 

                  (FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM)


TROVAS BRASILEIRAS


Creio no poder sem fim,

que emana de Deus bendito,

eu posso não crer em mim,

mas em Deus eu  acredito.

GERALDO AMÂNCIO


Quando tropeço não ligo,

nessas andanças que eu faço;

Deus olha o rumo que eu sigo

não a elegância do passo!

PEDRO ORNELLAS


A educação, ninguém meça

pela toga, ou faculdade...

Nunca acaba, sim, começa

no lar, e não tem idade.

LUIZ DAMO


Abra um livro e veja quanto

ele tem para mostrar,

sabe o livro tanto, tanto,

que esconde o céu, guarda o mar...

CARLOS RIBEIRO ROCHA 

domingo, 26 de julho de 2026

LEMBRANDO O LAVRADOR - FILEMON MARTINS

 


                            (FOTO DE SAUL RIBEIRO DOS SANTOS)


LEMBRANDO O LAVRADOR

Filemon Martins

 

Eu me levanto cedo e abro a janela

para ver o romper da madrugada,

a Natureza em festa se revela

numa canção de amor bem orquestrada.

 

O Universo, de luz, parece tela

por um pintor supremo, executada,

tornando-se elegante passarela

onde faz coro a alegre passarada.

 

O sol desponta, quero uma caneta,

mas a enxada é que vem para a retreta

e quer dançar comigo no roçado...

 

A enxada tine e estronda pelo eito,

vou capinar a terra do meu jeito

só amanhã, que agora estou cansado!

SEU PNSAMENTO - ODIR MILANEZ DA CUNHA


 



SEU PENSAMENTO

Odir Milanez da Cunha (In memoriam)

 

Se eu pudesse adentrar seu pensamento,

Pudesse ser seu guia vida afora,

Você jamais iria onde se chora,

Nem seria refém do sofrimento.

.

Das horas roubaria o mau intento,

Para lhe ver sorrisos desde agora,

O seu rosto aprazendo, sem demora,

Dos passeios da paz o advento!

.

Cingiria de ouro a sua aurora,

Traria amores mais ao seu momento,

Calmaria seus passos toda hora.

.

Vestiria de verso a voz do vento,

Do mar a tempestade iria embora,

Se eu pudesse adentrar seu pensamento!

.


(Livro "Prateando Versos")

HISTÓRIAS DE MÉDICOS - FILEMON MARTINS

 




HISTÓRIAS DE MÉDICOS

Filemon Martins

 

Essa e outras histórias me foram contadas por um médico do Rio de Janeiro. Entre 1991 e 1992 era comum alguns médicos saírem do Rio para trabalharem em São Paulo, fazendo plantões de 24 horas. Diziam eles que a saúde no Rio de Janeiro estava um caos. Muitos médicos vinham a São Paulo naquele período, trabalhavam e depois retornavam ao Rio de Janeiro. Como eu trabalhava no setor de Recursos Humanos do Hospital Municipal Dr. Alípio Corrêa Netto, Ermelino Matarazzo, tinha a oportunidade de trocar ideias com alguns profissionais da saúde.

Um deles gostava de contar suas experiências como médico, como essa que narro agora: chegou ao Pronto Socorro um senhor já aposentado com fortes dores no corpo, levado ali por alguns amigos e o médico depois de examiná-lo, o encaminhou para fazer alguns exames. Enquanto esperava os resultados dos exames que solicitara, resolveu conversar com os amigos do homem e perguntou: - vocês sabem o que ele tem? Um deles respondeu: - bom, ele tem uma casinha onde mora com a mulher e parece que tem um terreno na periferia da cidade, conta em banco deve ter também, pois ele é aposentado. O médico, então, se explicou melhor: - não, eu quero saber se ele já foi em algum hospital sentindo essas mesmas dores. – Ah, disse os amigos, sei não, doutor, sei não.

O ESCUDO DE FERRO E A ÂNCORA DE VIDRO - JOSÉ FELDMAN

 






O Escudo de Ferro e a Âncora de Vidro


José Feldman

  

"Acomodem-se, pois o que vou lhes contar agora é uma história de sacrifício que faz até as pedras do deserto chorarem. Preparem seus corações para o peso do sacrifício por amor, pois nem toda vitória se conquista com a vida, mas sim com a entrega dela.

 

Nas margens do Mar de Berilo, onde as águas beijam as dunas com a força de um furacão, cavalgava Malik, um muharib (guerreiro) cuja espada já havia cortado mil injustiças. Ele era um homem de poucas palavras, vestindo uma armadura que carregava as cicatrizes de muitas batalhas.

 

Certa manhã, após uma tempestade que parecia a ira de Alá sobre as águas, Malik encontrou, caído na areia molhada, um náufrago. O homem estava pálido, com os pulmões cheios de sal e a pele queimada pelo mar. Seu nome era Yusuf, um simples mercador que perdera tudo: seu barco, sua carga e sua família.

 

Malik, movido por uma misericórdia profunda, não o deixou para os abutres. Carregou-o em seu cavalo e o levou para uma caverna segura. Por quarenta dias, o guerreiro trocou a espada pela colher, alimentando Yusuf com caldo de tâmaras e limpando suas feridas com azeite e orações. Naquele isolamento, nasceu uma amizade mais forte que o aço. Eles se tornaram irmãos de alma, compartilhando segredos sob a luz das fogueiras.

 

Contudo, aquela costa era o domínio de uma criatura das trevas: um dragão de escamas cor de fuligem, cujo hálito de fogo transformava a areia em vidro. O monstro despertara, enfurecido pelo cheiro de sangue humano que restara do naufrágio.

 

Certa tarde, enquanto buscavam lenha, a sombra do monstro cobriu o sol. O dragão mergulhou dos céus com um rugido que abalou a terra.

Yusuf, ainda fraco e sem armas, paralisou de medo. Malik desembainhou sua espada de Damasco, mas sabia em coração que aquela era uma luta que não poderia vencer apenas com força.

 

O dragão preparou seu sopro de fogo final, mirando diretamente no peito de Yusuf, que estava encurralado contra um paredão de pedra. Foi então que o dilema de Malik se apresentou: fugir e salvar sua própria pele de herói, ou tornar-se o escudo de seu amigo.

 

Sem hesitar, Malik gritou e saltou na frente de Yusuf. Ele abriu os braços, oferecendo seu corpo à chama para que o calor não atingisse o náufrago. O fogo o envolveu como um manto mas, num último esforço de coragem, ele cravou sua espada na garganta da fera enquanto sua própria vida se esvaía.

 

O dragão caiu morto, transformando-se em cinzas negras. Yusuf correu até Malik, cujas mãos estavam agora frias. 

 

— “Por que, meu irmão?”, chorou o náufrago.

 

Malik sorriu fracamente, e suas últimas palavras foram: 

 

— “A morte é apenas uma viagem, Yusuf. Eu dei minha vida para que a sua história não terminasse nas areias. Viva com honra por nós dois.”

 

Dizem que, até hoje, naquele ponto da praia, a areia não é amarela, mas branca como a alma de um mártir, e que o som das ondas traz o eco de uma espada batendo num escudo, protegendo todos os que se perdem no mar."

 

Mustafá baixou o olhar, por uns instantes em respeito à memória do guerreiro, e finalizou:

 

Esta história nos diz, ó Sheik, é que a verdadeira grandeza de um homem não se mede pelas batalhas que ele vence para si mesmo, mas por aquela que ele aceita perder para que outro possa viver. O aço da espada de Malik era forte, mas o laço de sua amizade era inquebrável.

 

Muitas vezes, a vida nos coloca diante de um dragão — seja ele uma fera de fogo ou um dilema do espírito. Naquele momento, o egoísmo nos sussurra para sermos a flecha que foge, mas a honra nos convoca a ser o escudo que protege. Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro, e quem oferece a sua própria por um irmão, deixa de ser um mortal de carne para se tornar uma estrela que guiará os navegantes nas noites mais escuras. O corpo de Malik tornou-se cinzas, mas sua alma tornou-se o alicerce da vida de Yusuf.



(FONTE "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)


RESTINGA MEU PAÍS - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES

 




RESTINGA MEU PAÍS

Antônio Carlos Côrtes *



RESTINGA, bairro-cidade
De povo feliz
Ponto de luz na humildade
Velha-sempre nova
Natureza exuberante
Nascente de rios de amor
No mastro alto minha bandeira
Em casas de eira e beira
Com recordações de griôs
Neste bairro musical
Nasci, cresci e finquei
Minha raiz
Bairro amado onde o sol
É idolatrado sem precisar de farol
Ruas iluminadas
Ladrilhadas de amor e calor
Teu povo te ama e te dá valor
No pulsar do coração 
No toque do tambor
Para buscar quem
Mora longe.


* DA ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS


SEMEADURA - ABEL B. PEREIRA

 




SEMEADURA
                        
Abel B. Pereira



Sou livre para ouvir canções de amor;

a vida é dura!...
Brota a planta, semente vira flor;

semeadura!

És planta, és flor, árvore de fruto

em minha vida!...

És sal, és sol, és solo que eu desfruto;

redimida!

Joguei valor temido e destemido

de teus braços!...

Que eu lanço porta afora, deprimido,

pelo espaço!

No crescente a cada gozo apreciar

a fantasia!...

No estertor, a explosão de tanto amar

me extasia!

Eu quero o teu crescer de um ser 

vivente

dentro de mim!...

Para que eu seja eterno, qual semente,

até o fim!


(Coletânea LETRAS NO BRASIL, 

página 58)