quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O NORDESTE E SUA TRADIÇÃO - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 




O NORDESTE E SUA TRADIÇÃO.

Mário Ribeiro Martins*




A palavra "Nordeste", "Nordestino" e todos os demais derivados, mesmo para o homem que está inserido na região, carrega consigo uma acentuada conotação de realidade social pitoresca e exótica.
É claro que tal fato não é senão consequência da situação particular do Nordeste no processo de desenvolvimento histórico das relações sócio econômicas inter-regionais no quadro da sociedade brasileira.
Por isso, a expressão "cultura nordestina" ou "cultura do Nordeste" envia de imediato e inconscientemente a elementos culturais como o BUMBA-MEU-BOI, a FEIJOADA, ao CAJU, à CIRANDA, ao MAMULENGO, ao MARACATU etc.
E não se pode negar uma boa parte de responsabilidade aos intelectuais da SEMANA DE ARTE MODERNA, com suas intenções de "descoberta" dos Brasis não cosmopolitas, não europeizados pela criação e propaganda dessa imagem do "Nordeste Folclórico".
E, muito frequentemente, o intelectual, não apenas o artista, mas até mesmo o cientista social da região se deixam seduzir por essa imagem falaciosamente "poética", de crendices, "ex-votos", cantadores de feira e folhetos de cordel.
Sem dúvida, é recomendável na arte a recitação erudita ou para erudita da tradição artística popular da região através de seus mais diferentes porta-vozes.
Porém, é necessário não confundir essa atitude saudável de consciência dos verdadeiros valores culturais, com o folclorismo subserviente de quem se preocupa antes em atender às expectativas do consumidor do Rio de Janeiro e de São Paulo, perpetuando a imagem de "UM OISEAU RARE" ou "AVIS RARA", do Nordeste e do Nordestino.
Não será que, como acreditava Renato Carneiro Campos, a pseudo valorização deslumbrada do folclore é função direta de atitudes tradicionais ou antes ainda, da incapacidade de se perceber outra realidade social que não a do Nordeste arcaico?
Ou ainda a realidade incontestável da super cultura urbana, industrial e cosmopolita, cada vez menos restrita aos seus focos metropolitanos de difusão internacional?
Mas, se cultura e sociedade não são assimiláveis ao puramente geográfico, nem ao simplesmente demográfico, a região nordestina não possui a homogeneidade cultural monolítica que aquele clichê insinua, ou pelo menos, deixa transparecer. 
(IMAGEM ATUAL. Anápolis, 1994).



* MÁRIO RIBEIRO MARTINS - ERA PROCURADOR DE JUSTIÇA E ESCRITOR.

(LIVRO "ENCANTAMENTO DO MUNDO E OUTRAS IDEIAS" - GOIÂNIA - EDITORA KELPS - 2009)


TROVAS INESQUECÍVEIS

 




TROVAS INESQUECÍVEIS


NÃO BASTA EMPRESTAR AO POBRE
AS MIGALHAS DA RIQUEZA:
O GESTO CERTO E MAIS NOBRE
É LIVRÁ-LO DA POBREZA.
       
FRANCISCO NOGUEIRA

LÁ SE VÃO OS RETIRANTES!
DEIXAM SEUS CAMPOS... SEUS BOIS...
- O CORAÇÃO MORRE ANTES!
- O CORPO MORRE DEPOIS...

       APARÍCIO FERNANDES

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

PENSAMENTOS - HUMBERTO DEL MAESTRO

 



 PENSAMENTOS:

- Deus criou a noite para a vaidade das estrelas.
- Perdão é o galho mais robusto da árvore do amor.
- A lua é uma hóstia de esplendor no tabernáculo da noite.
- O alimento do bem só é encontrado nos mercados da       virtude.
- Uma pessoa que se vende não possui valor.
- Quem é puro de coração julga que toda a humanidade é formada de anjos.
                            

HUMBERTO DEL MAESTRO

(Imortal da Academia Espírito-santense de Letras)

TROVAS DO FILEMON

 



TROVAS DO FILEMON


Perpassa uma brisa mansa
beijando as águas do mar,
enquanto a tarde descansa
e espera a noite chegar.

A brisa passa e sussurra
uma canção de bonança,
e a praia, envolta em ternura,
lembra um lençol de esperança.

Como é bom viver à toa
e sempre fazer o bem,
que a natureza abençoa
quem vive em Itanhaém.

Vejo o mar azul e calmo,
ouço o sussurro do vento
que passa cantando um salmo
às nuvens no firmamento.

(DO LIVRO ANSEIOS DO CORAÇÃO)

DESABAFO - FILEMON MARTINS

 



DESABAFO

Filemon Martins

 

 

Não reclamo da vida turbulenta e triste

que a predestinação me faz levar, talvez,

nem quero levantar a voz ou o dedo em riste

para acusar alguém de tanta insensatez.

 

A consciência cruel por certo não resiste

fazer o bem, amar, viver com honradez.

É próprio do invejoso que na falta insiste

muito disfarce, engodo, mágoa e morbidez.

 

O calvário de Cristo nos mostrou o quanto

a Humanidade é mesmo pobre e desprezível,

a ponto de matar um verdadeiro santo...

 

E desde então as coisas só se complicaram,

o aumento dos Pilatos se tornou visível

e os Judas, com certeza, se multiplicaram!


DOZE COISAS PARA NÃO ESQUECER...

 




DOZE COISAS PARA NÃO ESQUECER, CONFORME O ALMANAQUE DO PENSAMENTO, 1958 E CONSTANTE EM MEU LIVRO FAGULHAS, PÁGINA 60:


01.  O VALOR DO TEMPO;

02.  A VITÓRIA DA                PERSEVERANÇA;

03.          O PRAZER DO TRABALHO;

04.          A NOBREZA DA SIMPLICIDADE;

05.          O MÉRITO DO CARÁTER;

06.          O PODER DA BONDADE;

07.          A INFLUÊNCIA DO EXEMPLO;

08.          A CONSCIÊNCIA DO DEVER;

09.          A SABEDORIA DA PREVIDÊNCIA;

10.   A VIRTUDE DA PACIÊNCIA;

11.    O DESENVOLVIMENTO DO TALENTO;

12.   A ALEGRIA DE CRIAR.


PALADINO DO AMOR - CAROLINA RAMOS

 




PALADINO DO AMOR 
(Tributo a Martins Fontes)
Carolina Ramos

Gota a gota, sorveste as volúpias da Vida,
na embriaguez total de quem sonhos procura.
E em base de ideal, foste a ânsia incontida,
que arrasta e que arrebata aos vórtices da altura!

Paladino do amor! Foste, em missão cumprida,
a bondade que alenta! A esperança que cura!
Tié-fogo santista, a Glória é refletida
no perfil que deixaste esboçado em ternura.

Em teus rumos de luz, venceste, Martins Fontes,
com fúria de vulcão, as mais torpes campanhas!
E no céu da Poesia, além dos horizontes,

és astro a fulgurar, com brilho eterno e nobre!
Bem acima da inveja e suas artimanhas,
és Sol que não se apaga! A terra não te encobre!


(Pavilhão Literário Cultural Singrando Horizontes, José Feldman)

TROVAS PREMIADAS EM CONCURSO

 




OS TRÊS PRIMEIROS LUGARES DO CONCURSO DE TROVAS SINGRANDO HORIZONTES, ORGANIZADO POR JOSÉ FELDMAN/MARINGÁ-PR.


1º lugar - Arlindo Tadeu Hagen Juiz de Fora / MG

Destino, desde criança,
por mais que me desapontes,
mantenho o olhar de esperança
pousado em meus horizontes.


2º lugar - Alba Helena Corrêa Niterói / RJ

Olhe, de frente, a amplidão,
estude e não se amedronte,
pois a luz da educação
abrirá seu horizonte!


3º lugar - Jessé Fernandes do Nascimento Angra dos Reis / RJ

Avisto já no horizonte,
em pleno declínio, o sol;
mas não me abato, ergo a fronte
e aguardo um novo arrebol.

TROVAS DE DIVERSOS AUTORES

 




TROVAS DE DIVERSOS AUTORES


Esperança é aquele brio
com que a magia da vida
mantém aceso o pavio
sobre a cera derretida...
        Antonio de Oliveira- Rio Claro/SP

Vão-se as agruras da lida
e tudo tem mais valia
sempre que a vida é envolvida
nos braços da poesia!
        Antonio Juraci Siqueira- Belém/PA

Eu trago minha alma aflita,
bem vês ciúme em meu rosto;
o mal é seres bonita
e os outros terem bom gosto!
        Aparício Fernandes- Acari/RN (1934 – 1996) Rio de Janeiro/RJ

No palco do meu viver,
com a mente distraída,
eu sou ator sem saber
neste teatro de vida.
        Ari Santos de Campos

TROVA DE VANDA FAGUNDES QUEIROZ

 


                                             (FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)



TROVA DE VANDA FAGUNDES QUEIROZ

Não sei quem é mais feliz,
quem é mais abençoado,
se é quem recebe ou quem diz
um simples "muito obrigado"! 




GALOPANDO... - FILEMON MARTINS

 




   GALOPANDO...
   Filemon Martins


 Vou galopando em busca do meu sonho
 que retrata o que penso desta lida.
 No compasso da Fé, hoje componho
 e me preparo para a despedida...

 Por onde vou, a agradecer me ponho,
 que a gratidão é flor sempre querida
 e quem a tem se torna tão risonho
 e conquista o poder que rege a vida.

 Sou valente e não temo que o perigo
 venha me perturbar no meu abrigo,
 porque me considero um vencedor.

 Pois encontrei, feliz, grande tesouro
 com mais valor que o cobiçado ouro,
 em quilates de Luz, o nosso Amor!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

CÃES DE RUA - JOSÉ FELDMAN

 



 

CÃES DE RUA

José Feldman

​​

A situação dos cães abandonados não é apenas uma falha social, é o atestado de falência moral do ser humano. Como podemos nos autoproclamar "seres inteligentes" e "superiores" se utilizamos nossa capacidade cognitiva para ignorar o sofrimento de quem só conhece a lealdade?
É revoltante observar que o homem, capaz de desbravar o espaço e criar tecnologias infinitas, não consegue estender a mão para o animal que fenece no asfalto, pior, praticando atos de extrema crueldade a um animal que não tem como se defender. A inteligência sem empatia é apenas crueldade refinada. Deixamos para trás seres sencientes, condenando-os à fome e ao frio, como se fossem descartáveis, enquanto eles, em sua "limitação", seriam capazes de dar a vida por nós.

Onde está a consciência de quem chuta, de quem abandona à beira da estrada, de quem ignora o olhar suplicante por um resto de pão? Não há evolução em uma sociedade que tolera o maltrato sistemático dos indefesos. A verdadeira face da humanidade não se vê em seus monumentos, em seus rostos estampados na TV com egos inflamados, mas na forma como trata aqueles que podem lhe oferecer em troca a coisa mais preciosa, que creio o ser humano considera descartável: amor ao próximo. 


PERDOA-NOS... FILEMON MARTINS

 



PERDOA-NOS...
Filemon Martins



Perdoa-nos, Senhor,
porque entramos no Século Vinte e Um,
mas nada sabemos do Amor e da Bondade.

Perdoa-nos, Senhor,
pela prepotência dos homens,
pela frieza da informática, com seus números e códigos de barras.

Perdoa-nos, Senhor,
porque entramos no Século Vinte e Um
e continuamos a destruir a natureza.

Perdoa-nos, Senhor,
porque somos fracos e egoístas,
agressivos e intolerantes
para com o nosso próximo.

Perdoa-nos, Senhor,
porque entramos no Século Vinte e Um,
mas continuamos insensíveis
aos problemas humanos.

Perdoa-nos, Senhor,
porque entramos no Século Vinte e Um,
mas a desigualdade continua,
a miséria cresce, o medo aumenta,
a corrupção se agiganta,
a guerra e a violência
se espalham pelo mundo.

Perdoa-nos, Senhor,
porque fomos à lua, hasteamos bandeiras,
mas não conseguimos saciar a fome
dos que habitam na Terra.

Perdoa-nos, Senhor,
porque temos um País rico,
um povo humilde e bom,
trabalhador e honesto,
mas continuamos pobres.

Contudo, ensina-nos, Senhor,
no sofrimento, a buscar a Fé,
a buscar o Amor, mesmo na guerra,
semeando a Paz e a Esperança
nos caminhos do Planeta Terra.