segunda-feira, 24 de agosto de 2026

CONFLITOS POLÍTICOS - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

 

CONFLITOS POLÍTICOS

 

O Brasil é um país rico, mas o seu povo é pobre. Contudo há espaço para melhorar. Orçamentos apertados para a educação universitária, para expansão e melhoria na saúde pública, tudo está limitado. Comentaristas de economia dizem que o Brasil dá um passo para frente e dois para trás.

 

    

    TEMPOS DIFÍCEIS. Atualmente o Brasil enfrenta fortes conflitos. Colapso é a diminuição rápida e progressiva de um sistema. O Brasil passa por tempos difíceis na política e na economia. Quando um desses dois temas, política e economia, vai bem, o outro também vai. Mas se um vai mal e entra em conflito, afeta negativamente o outro puxando-o para baixo. Vemos que o Brasil vai mal na política e na economia. Isso não é segredo para ninguém. Não faz muito tempo,  há pouco mais de um mês, conversando com pessoas aqui na praça perto da minha casa ouvi um senhor com aparência de ter idade entre 60 e 70 anos, dizer o seguinte: “O Brasil está dando um passo pra frente e um ou dois pra trás”.

     Nestes últimos meses, ao ler e ouvir jornais, ao ver e ouvir noticiários da televisão ou mesmo ver e ouvir os canais de notícias na internet, especialmente no Youtube, a pessoa vai perceber que o Brasil entrou na fase dos conflitos. Há muitos conflitos.

     Percebe-se que o nosso país passa por fortes desentendimentos na política. Os desentendimentos na política afetam de forma negativa a economia. Afetam negativamente o bolso dos brasileiros.

     A política mal conduzida ou a má gerência dos recursos públicos provoca e causa estragos na economia, atingindo negativamente as finanças das empresas. Assim haverá diminuição das atividades nas indústrias e no comércio em geral, fazendo aumentar o desemprego e levando pessoas e famílias a seguirem o caminho da busca de ajuda e da assistência financeira nos programas sociais criados pelo governo federal desde muitos anos.

     Há muitas empresas do governo em dificuldades financeiras. Dentre as empresas em dificuldade, a mais falada é a empresa dos Correios, que é uma empresa centenária. O setor de entrega de correspondência e transferência de dinheiro através do chamado “vale postal” vem desde os tempos do Brasil–colônia.

    Temo que fortes desentendimentos na política façam o Brasil mergulhar na recessão. Quando os governos (federal e estadual) não governam bem, não cumprem seus deveres constitucionais e administrativos força o surgimento da insatisfação geral, do povo e dos funcionários das instituições públicas e privadas.

     Por que será que os governos não governam de modo satisfatório? Será pelo fato de querer agradar a todos? John Fitzgerald Kennedy, em seu discurso de posse disse o seguinte: “A fórmula infalível para o fracasso é querer agradar a todos”. Vivemos numa democracia e assim o povo tem o direito de exigir e saber como o presidente tem aplicado os recursos financeiros que recebe do povo por meio dos impostos que todo brasileiro paga. O povo vê essas coisas e demonstra desprazer com os recursos mal gastos. O planejamento equivocado e a gastança alimentam a insatisfação do povo. Isso é grave e alguns dizem que a má administração é algo muito grave e leva o Brasil para o retrocesso.

   Há 29 partidos políticos registrados no TSE. Os analistas políticos dizem que apesar de tantos partidos, no Brasil há três correntes de pensamento político, que são: a direita, a esquerda e o centrão. Os cientistas políticos dizem também que tantas legendas facilitam o surgimento da corrupção. A corrupção no Brasil é coisa que não falta. Você já percebeu quantos casos de corrupção apareceram nos últimos anos? Você, prezado leitor, se lembra de algum caso de corrupção em nosso país?

     O povo percebe e fica indignado com tantos casos que acontecem no plano federal e também nos Estados. Vendo essa situação, o povo, nas rodas de amigos conversando uns com os outros, pergunta: - Será que aqui no Brasil a corrupção aprofundou suas raízes?

     Aplicando as leis existentes as autoridades fazem sindicância, investigam e destroem focos de corrupção, mas não demoram meses e aparecem outros casos da mesma natureza. Aqui no Brasil parece que a corrupção brota. Isso produz desconfiança, insatisfação e diminui as atividades na economia.

     Considerando tudo que acontece na política vemos que o nosso país precisa passar por reformas estruturantes. Os empresários exigem reformas tributárias, trabalhistas dentre outras.




Saul Ribeiro dos Santos

Contador e economista aposentado.

Natural de Ipupiara – BA.

 


UM OLHAR POLÍTICO E SOMBRIO SOBRE O BRASIL - FILEMON MARTINS

 



UM OLHAR POLÍTICO E SOMBRIO SOBRE O BRASIL

 

 

Não se tem a pretensão de monopolizar a verdade, mesmo porque a verdade é relativa, depende de circunstâncias, depende de ponto de vista, depende do momento e do ângulo em que observamos os fatos. No episódio bíblico do julgamento de Cristo, conforme os evangelhos, Pilatos perguntou a Jesus: - Que é a verdade? Hoje, minha verdade pode não ser a mesma de amanhã. Além do mais, a minha verdade pode não ser a dos outros, especialmente quando penso que “sou o tal”, e estou convencido de que somente minha opinião é a verdade.

Há fatos que acontecem no dia a dia que não podem ser contestados. É o caso, por exemplo, do que está ocorrendo com o Brasil. Após aquela enxurrada de imundícies que vieram à tona, na investigação da Operação Lava Jato, o ex-presidente Lula foi acusado, julgado e condenado pela Justiça Federal a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, não obstante um bando de advogados para defendê-lo. Por unanimidade, os três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) mantiveram a condenação da Justiça Federal e aumentaram a pena de prisão para doze anos e um mês.

Um pouco depois desse ponto entrou em ação um ministro do STF alegando que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para julgar processos contra o ex-presidente, que poderiam estar tramitando em São Paulo. Um leigo como eu imagina que crime é crime e os crimes cometidos, não importa se são no NORTE, NORDESTE, CENTRO-OESTE, SUL OU SUDESTE.  Se foram em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre ou em quaisquer cidades brasileiras, continuam sendo crimes.  Para um cidadão leigo e pacato, o ministro, embora sozinho, tomou a decisão imitando a Pôncio Pilatos que atuou no julgamento de Cristo. Entrelinhas chamou de incompetentes (incompetente no Direito tem outro significado), não só a Justiça Federal de Curitiba, como, os desembargadores da 8ª turma do TRF4, de Porto Alegre - RS.

É possível que a decisão do ministro tenha respaldo na Lei, mas provavelmente esteja ancorada em seus postulados que todos conhecemos e que deu origem à sua indicação pela presidenta Dilma Rousseff em 14 de abril de 2015.

Depois dessa desastrosa decisão pessoal do ministro, ninguém se manifestou. Sérgio Moro é ex-juiz federal, agora é senador da República pelo Paraná, o TRF4 de Porto Alegre, quedou-se mudo e os pares do ministro do STF, concordando ou não com a decisão monocrática e oportunista, nada disseram.

Agora, o Brasil está às voltas com um governo, cujo sonho e objetivo único é inscrever todo brasileiro na miséria. Para quem conhece as intenções do grupo político que assumiu o poder, nada será surpresa. Já estava registrado no roteiro de terror, caso a volta ao poder se concretizasse, como acabou ocorrendo. 

O povo brasileiro em geral tem memória curta, curtíssima, porque há muito tempo já pipocavam várias denúncias de corrupção em prefeituras de algumas cidades administradas pelo partido, como Santo André, Campinas, Ribeirão Preto, São Paulo, principalmente nas áreas de lixo e transportes públicos, além de projetos prejudiciais ao trabalhador.

Nossa esperança seria o povo, que através do voto poderia expurgar esses maus políticos da vida pública do Brasil. Sem nomear culpados, é possível apontar falhas dos partidos políticos na apresentação de candidatos aos cargos eletivos. Mas é justamente essas agremiações políticas que apresentam candidatos fichas sujas, sem moral, ética e honestidade zero.

Assim, o eleitor ingenuamente escapa de um e cai na armadilha do outro. É fundamental que os partidos políticos sejam responsáveis ao indicar seus candidatos, expurgando de seus quadros os farsantes que infestam a política e ficam espreitando o momento propício para roubar o povo, sob os olhos, até agora complacentes e coniventes da Justiça Brasileira.

 

 

Filemon Martins

Escritor e poeta

Da confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia

 

 


domingo, 23 de agosto de 2026

TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

 




TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA


Quando uma árvore cortares
para serviço do lar,
lembrando dos outros lares,
planta dez em seu lugar.

Eis a norma a ser seguida
por quem quer viver em paz:
receba as lições da vida,
dê seu exemplo aos demais.

Tem mais luz do que mil velas,
mais perfume do que a flor,
faz as criaturas belas
e o Mundo constrói – o Amor.

Vejo a prova fulgurante
de um poder que não tem fim,
numa estrela, bem distante,
na vida, dentro de mim.


(Revista A FIGUEIRA, outubro/1994, página 

9)

TROVA DE ALMEIDA NÓBREGA ARLINDO

 




TROVA DE ALMEIDA NÓBREGA ARLINDO

 

Moço, a hora, por favor.

Não tem hora, vá pescar!

Pai do céu, achei isso um horror,

alguém a hora negar.



Gente, eu vi isso em frente à igreja da Consolação, além de não informar a hora, essa pessoa ainda apontou para quem pediu o relógio da igreja.
Revoltante!
                                   ******
Eu tenho muitas trovas circunstanciais, aquelas de momento e esta é uma delas.
.


A CHUVA - JOAQUIM RODRIGUES DE NOVAIS

 




A CHUVA
Joaquim Rodrigues de Novais


A chuva é o maná do Sertão,
o sertanejo sempre ora para que a chuva não demore.
Pede a Deus sua benção.
Com fé e oração,
com suas mãos calejadas da dureza da enxada
que arrasta nesse chão.
Que Deus abençoe esse povo,
não só os do nosso Sertão,
mas todos aqueles que produzem
para alimentar essa grande Nação.



Nota do Blog Literário do Filemon:

Joaquim Rodrigues de Novais é poeta de Ipupiara, Bahia, onde nasceram também outros poetas e escritores, como Carlos Ribeiro Rocha, Mário Ribeiro Martins, Carlos Araújo, Arides Leite Santos, Pedro Antonio dos Santos, Jeremias Ribeiro dos Santos, Filemon Martins, Jeremias Ribeiro Filho,  Saul Ribeiro dos Santos, Laurentina Martins Santos Novais, Glória Guedes Cunha e Moisés Arcanjo Filho, entre outros.


ENCONTRO COM O MERCADOR DE SOMBRAS - JOSÉ FELDMAN

 





Encontro com o Mercador de Sombras



  

Saiba, ó Rei dos Tempos que meus pés já beijaram as areias de Mogadíscio e minhas mãos já tocaram as sedas de Samarcanda.

 

Mas escute bem, pois de todos os homens que conheci sob a cúpula do céu, nenhum possui o nome tão gravado nas estrelas quanto Aldhiyb AlAbyad, o Lobo Branco.

 

— "E quem é este homem?", perguntareis vós.

 

Ele nasceu em um vilarejo de pedras brancas no sopé das montanhas de Hadramaut, onde o ar cheira a incenso e as cabras saltam entre abismos. Aldhiyb não tinha o sangue dos califas, mas dizia-se que sua mãe, ao dar à luz sob um eclipse lunar, viu um lobo de pelos níveos uivando para o mar, embora o oceano estivesse a muitas jornadas de distância.

 

Aldhiyb viveu sua juventude como um pastor de ovelhas, um homem do deserto que lia o destino no voo dos falcões. Ele era de poucas falas, mas de olhos que pareciam guardar o reflexo de espelhos distantes. Sua vida era o silêncio das dunas, até que a Grande Seca devorou os pastos e transformou o gado em ossos ao sol.

 

Sem nada além de uma túnica gasta e a coragem dos desesperados, ele caminhou até o porto de Aden. Lá, diante da imensidão azul que ele nunca imaginara existir, Aldhiyb não sentiu medo. Ele viu os navios balançando como berços e percebeu que as ondas eram apenas dunas que se moviam.

 

Ele foi parar no mar por um lance de dados do destino: ao tentar salvar um marinheiro bêbado de uma briga de taverna, acabou sendo levado para bordo do Vento do Amanhã como remador de última hora. Foi nas galés, entre o suor e o sal, que o pastor das montanhas tornou-se o senhor das águas. Ele não navegava para fugir da terra, mas para encontrar o que o deserto lhe havia prometido em sonhos: o mistério que existe além do horizonte.

 

Assim começou, ó Rei, a lenda do Lobo Branco, que trocou o cajado pelo leme e as ovelhas pelas ondas.

 

Saiba, ó Rei, que o mercado de Bagdá é o umbigo do mundo, onde o ouro de Gana encontra a seda da China e onde se vende de tudo, até o que não se pode tocar. Foi ali, entre o aroma de açafrão e o grito dos camelos, que Aldhiyb Al-Abyad viveu seu encontro mais sombrio antes de se tornar o senhor dos mares.

 

Mustafá, o contador, limpou a garganta e prosseguiu:

 

Enquanto Aldhiyb ainda era um jovem marinheiro buscando carga para seu primeiro navio, ele avistou, em um beco onde a luz do sol parecia ter medo de entrar, uma loja sem teto nem paredes. Ali, sentado sobre um tapete de fios negros, estava Malik Al-Zill, o Mercador de Sombras. À sua frente, frascos de ônix guardavam silhuetas que se contorciam.

 

— "Aproxime-se, Al-Abiyad," sibilou Malik. "Vejo que tens um corpo forte, mas uma alma pesada. O que buscas? Riqueza? Poder? Ou queres te livrar do que te atrasa?"

 

Aldhiyb, curioso e ainda não escolado nas armadilhas dos gênios e feiticeiros, perguntou o preço de uma sombra que parecia a de um rei.

 

— "Não vendo sombras de outros," respondeu o Mercador. "Eu compro a tua. Dá-me a tua sombra e, em troca, dar-te-ei o Vento de Popa. Nunca mais teu navio ficará parado em calmaria, e chegarás sempre antes de qualquer rival."

 

O jovem Aldhiyb olhou para o chão. Sua sombra era longa e fiel. Malik explicou que um homem sem sombra não sente medo, não sente remorso e não deixa rastros para os inimigos. 

 

Parecia o negócio perfeito para um marinheiro ambicioso.

 

Mas, ao estender a mão para selar o pacto, Aldhiyb percebeu algo terrível: nos frascos de Malik, as sombras não estavam quietas; elas gritavam em silêncio. Elas eram as memórias e a humanidade daqueles que as venderam. 

 

Um homem sem sombra é um homem que não projeta nada no mundo; ele é um buraco vazio que caminha.

 

— "Guarda o teu vento, mercador," disse Aldhiyb, recolhendo a mão. "Prefiro lutar contra a calmaria com meus próprios remos do que navegar rápido sendo apenas metade de um homem. Minha sombra pode ser escura, mas é ela que prova que eu estou sob a luz de Allah."

 

Furioso por perder a alma do marinheiro, Malik Al-Zill tentou roubar a sombra à força, lançando uma rede de trevas. Mas Aldhiyb, com a agilidade que aprendera com as cabras nas montanhas, saltou para onde o sol do meio-dia batia mais forte. A luz intensa do deserto queimou as mãos de fumaça do Mercador, que desapareceu em um redemoinho de poeira preta.

 

Dizem, que desde aquele dia, a sombra de Aldhiyb tornou-se mais nítida e escura que a de qualquer outro homem, e que foi esse peso que lhe deu a estabilidade para nunca virar seu navio nas tempestades que viriam.



(FONTE: "ECOS DO DESERTO", DE JOSÉ FELDMAN)


MEUS ENCONTROS COM DEUS - MATUSALÉM DIAS DE MOURA

 




MEUS ENCONTROS COM DEUS

Matusalém Dias de Moura


Nas horas longas de terríveis dores,

de provação moral ou desencanto,

vertendo, triste, um incontido pranto,

vou até Deus levando meus clamores.


E ali, em frente Dele, sem temores,

ponho-me a ouvir a Sua voz, Seu canto,

feitos de amor, os quais me dizem tanto

nessas difíceis horas de amargores.


Recobro, logo após, o meu alento

e volto à luta, livre do tormento

das provações da humilhação sofrida,


pois Deus, vendo-me assim, mandou Seu filho

repor em minha vida o velho brilho,

dando-me, novamente, a paz perdida.


(LIVRO "SONETOS INSONES", PÁGINA 29)

MÍSTICA VISÃO - MIGUEL J. MALTY

 




MÍSTICA VISÃO

Miguel J. Malty


O céu guardava a cor dos alabastros,

na placidez balsâmica da noite,

que descera cobrindo os frescos rastros

da carruagem do sol na entrenoite.


As aragens, barquetas sem os mastros,

vagavam leves, calmas, sem açoite,

fazendo coro com a voz dos astros,

iam na calma, em busca de pernoite.


Os olhos levantei. Ergui os braços

para a amplidão suprema dos espaços,

como a beber a luz da eternidade.


Pus-me a sorrir, gritar embevecido,

ante a visão de glória, comovido,

ante a lúmina e mística Cidade.



(LIVRO "ABKAR A CIDADE ENCANTADA", PÁGINA 36)

REVISITANDO CASTRO ALVES - FILEMON MARTINS

 





REVISITANDO CASTRO ALVES  

 


Antônio Frederico de CASTRO ALVES nascido na Fazenda Cabaceiras, Curralinho, hoje cidade de Castro Alves, Bahia, um dos mais populares poetas do Brasil, escreveu versos admiráveis, entre outros, “O NAVIO NEGREIRO – Tragédia no mar”, do qual extraímos parte da VI estrofe:

“E existe um povo que a bandeira empresta/pra cobrir tanta infâmia e cobardia!... /E deixa-a transformar-se nessa festa/em manto impuro de bacante fria!... /Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta, /que impudente na gávea tripudia?!.../Silêncio!...Musa! chora, chora tanto/que o pavilhão se lave no teu pranto.../Auriverde pendão de minha terra, /que a brisa do Brasil beija e balança, /Estandarte que a luz do sol encerra/às promessas divinas da esperança.../Tu, que da liberdade após a guerra, /foste hasteado dos heróis na lança, /antes te houvessem roto na batalha, /que servires a um povo de mortalha”!...

Parece que o poeta baiano escreveu estes versos, que considero um dos mais belos e significativos da Língua Portuguesa, em nossos dias. Hoje, não temos a escravatura a que se referia o poeta, mas continuamos escravos do analfabetismo, da corrupção, da política de exclusão social, do desemprego, do crescimento da miséria, da fome, da violência, do medo, dos preconceitos, da falta de investimentos em pesquisas, educação, segurança e saúde, da submissão ao poder econômico. Aqueles que vivem em seus gabinetes atapetados e não têm contato com o povo, não percebem ou fingem não perceber como tem aumentado o exército de desempregados que passam fome e da miséria, acomodados esperando o Bolsa Família do Governo Federal.

Não malhamos o Brasil, mas sim aqueles que têm tido a responsabilidade de dirigir os destinos do País e não enxergam o futuro. Nasci e cresci no interior da Bahia e, em busca de dias melhores, como outros o fizeram, me transferi para São Paulo, onde trabalhei e estudei, e sempre ouvi falar em programas de erradicação do analfabetismo. Aos 76 anos, constato entristecido, que pouco se fez para alcançar tal objetivo. A educação, no Brasil, está defasada, assim como a saúde, transportes, saneamento básico e qualidade de vida, e nunca foram prioridades de nenhum governo.

Dizer que a “saúde é universal, que temos salário-mínimo, garantias individuais, direitos sociais e somos uma grande democracia do mundo ocidental” é balela e não enche barriga de ninguém, nem satisfaz a busca da sociedade brasileira por dias melhores, por um Brasil decente, digno, com oportunidades iguais para seus filhos, e grande não somente na dádiva da Natureza, que, a bem da verdade nunca soubemos aproveitar.

Na época, a pandemia do Coronavírus em 2020/2021 escancarou nossa deficiência na saúde pública, porque não houve investimentos como deveria.

Enquanto isso, as imagens na televisão e os artigos em jornais e revistas mostram a situação caótica do povo brasileiro, com a crescente onda de violência e crimes que assolam o território do Brasil. É preciso valorizar a indústria brasileira, que é capaz e competente. Essa reflexão me fez lembrar de uma história escrita pela colunista Helena Silveira, da Folha de S. Paulo, que em passeio na Argentina com uma amiga, entrou numa loja e viu uns lenços de seda de primeira qualidade. Comprou e comentou com a amiga: -¨imagina se no Brasil vou encontrar lenços assim?” Chegando ao hotel, abriu a embalagem para admirar a compra e veio a surpresa: a etiqueta dizia Indústria Brasileira. Vamos dar valor ao Brasil. O Brasil é um continente que merece ser visto, amado e respeitado pelos brasileiros.

Nas próximas eleições ajude o Brasil a expurgar esses políticos corruptos, enganadores, que só querem propina e enriquecer a família e os amigos com o dinheiro público. Use a massa cinzenta que você tem entre uma orelha e outra. Ative sua memória. Fuja deles!

No momento, não há o que comemorar, porque o sonho de um Brasil mais justo, decente, evoluído e independente se esbarra na incompetência e improvisação dos que dirigem o destino do País.

Mas a mensagem bíblica nos ensina: “HÁ TEMPO PARA TUDO: TEMPO DE CHEGAR E DE PARTIR. TEMPO DE AMAR E DE ABORRECER; TEMPO DE FICAR CALADO E TEMPO DE FALAR; TEMPO DE PLANTAR E TEMPO DE ARRANCAR O QUE SE PLANTOU”. (ECLESIASTES 3.1-2). Aplica-se ao caso.

 

Filemon Martins

Escritor e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trovas – Salvador, Bahia.

 


sábado, 22 de agosto de 2026

AUMENTA A PREOCUPAÇÃO COM A ECONOMIA - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

AUMENTA A PREOCUPAÇÃO COM

A ECONOMIA

 

Pesquisas revelam que a carestia muda a perspectiva do povo e tira a esperança dos brasileiros. Uma boa parte da população está frustrada com a forma do presidente e seus ministros governarem. A inflação está subindo e causando temor.

 

Entender e acompanhar as mudanças na política fiscal e seus reflexos na economia não é tarefa fácil. Olhei os jornais de hoje e vi uma manchete dizendo o seguinte: O Brasil está diante de dois caminhos – o caminho que nos últimos anos vem derrubando o poder de compra do brasileiro e o outro, o caminho das mudanças no rumo da economia.

As mudanças serão necessárias para colocar o Brasil no caminho do desenvolvimento. Pesquisas realizadas nestes últimos meses,  indicam que 80% dos brasileiros desejam mudanças.

Muitos economistas falam que os gastos públicos desenfreados trazem como consequência a desconfiança. A desconfiança nos atos do governo faz aumentar a preocupação com os rumos da economia.  Outros dizem que o tal do arcabouço fiscal implantado pelo Ministério da Economia em 2023 já nasceu frouxo e os resultados prejudiciais começam a aparecer. Além de tudo, estamos no ano de campanhas eleitorais e geralmente em períodos eleitorais os gastos excedem os limites.

A verdade é que a insatisfação com a economia é geral e ocorre em momentos ruins para o Brasil. Com tantos casos de corrupção, como no caso do desfalque nas contas dos aposentados do INSS, das contas dos Correios, do Banco Master. Tudo isso virou um mar de lama, muita sujeira que aumenta a desconfiança nos atos do governo e atrapalham o bom andamento da economia.

As guerras na Ucrânia, no Irã e em outras partes do mundo fazem o preço do petróleo subir. São problemas que o Brasil não pode controlar, não é da competência do nosso país, mas com inteligência e sabedoria fiscal conseguiremos atravessar essa crise. O governo Lula tomou algumas medidas eficazes, como isenção do PIS-Programa de Integração Social e da COFINS-Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e um apelo aos governadores para que mexam e reduzam a cobrança do ICMS.

A verdade é que a economia do Brasil segue vacilando ao sabor dos acontecimentos internacionais e de atitudes políticas do governo. Todos percebem que o Brasil precisa ter a economia, pelo menos, um pouco mais forte.

A Bíblia é um livro que tem muito para nos ensinar. Os nossos governantes precisam ser inteligentes, honestos e justos. Precisam adotar procedimentos sábios, semelhantes aos que José, o filho de Jacó, tomou na idade antiga para beneficiar o Egito. Veja na Bíblia, no livro de Gênesis cap. 41 a partir do versículo 33 ao 43.



 

Saul Ribeiro dos Santos

Contador e economista aposentado.

Natural de Ipupiara – BA.

📧 saul.ribeiro1945@gmail.com

 

 


TROVAS BRASILEIRAS

 




TROVAS BRASILEIRAS


A Deus pergunta o descrente
qual o Seu melhor trabalho,
sem notar à sua frente
uma gotinha de orvalho.
        LANNOY DORIN


Seguindo-as pelo infinito
e sem poder entendê-las,
nosso olhar passeia aflito,
mas se encontra nas estrelas...
        MARIA THEREZA CAVALHEIRO


No mundo do desamor,
ao poeta, nada importa,
se na saudade ou na dor
a inspiração o conforta.
        FILEMON MARTINS


Por um capricho da sorte,
por uma estranha tortura,
o amor que me leva à morte
é o que me dá mais ventura!
        ELISABETH SOUSA CRUZ


(Coluna de Maria Thereza Cavalheiro, BALI, página 14)