segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

QUEM SOU EU? - FILEMON MARTINS


 


 

QUEM SOU EU?

Filemon Martins

 


Cidadão brasileiro, casado, trabalhador, nascido na cidade de Ipupiara, Bahia, mas residente na cidade de São Paulo, desde 1969. Como quase todos os brasileiros, levo uma vida de trabalho e estudos. De segunda à sexta-feira, saio de casa rumo ao trabalho. São mais de 8 (oito) horas de jornada, sofrendo com os grandes problemas da cidade: transportes lotados, assaltos, menores abandonados, sequestros, desemprego, exploração de menores e tantos outros.

Após o trabalho, sempre difícil e cansativo, chega o momento de voltar para casa, com a certeza do dever cumprido. Sou um cidadão que, no sábado, quando possível, vou ao supermercado fazer compras e ver que os preços estão subindo constantemente e se vou à farmácia, constato a mesma coisa, enquanto os salários de quem ainda tem um emprego... Bem, estes, não podem subir... porque geram inflação... Há a Lei de Responsabilidade Fiscal...

Em compensação chega o domingo e lá fico eu à frente de um aparelho de televisão vendo e ouvindo os mais diversos debates sobre os problemas que afligem a sociedade brasileira, sem que se chegue a soluções concretas. Leio os jornais e observo que o exército de pobres nas ruas aumenta a cada dia, enquanto a violência e os bandidos ganham espaço, tolhendo a liberdade do cidadão. Alguns políticos revelam uma verdadeira obsessão pelo Poder, fazendo qualquer malabarismo para conseguirem um alto posto. Enquanto isso, eu faço parte de alguns milhões de brasileiros que lutam desesperadamente para sobreviver, pagando por erros de uma ineficiente política econômica.

Sabe-se que grandes clubes de futebol, empresas de ônibus e grandes grupos empresariais devem uma fortuna ao INSS. No entanto, nada tem sido feito para a cobrança desta dívida. O trabalhador, com carteira assinada, sabe que todo mês vem subtraído em seu “hollerith” ou contracheque o valor referente ao desconto do INSS ou a outra Instituição específica de Seguridade Social. - Por que só o trabalhador paga em dia?

Por outro lado, a experiência e a maturidade me ensinaram que quando governo, empresários e mídia estão do mesmo lado, é porque o trabalhador será penalizado. Vem chumbo grosso por aí. E veio os descontos indevidos nas aposentadorias de quem mais precisa de amparo na velhice. O PT despontou como esperança para uma multidão de brasileiros, mas ao se juntar com outros aliados naufragou como um Titanic e ficou à deriva. É o caso da Reforma da Previdência. Está na cara que o trabalhador será o único prejudicado. Partidos políticos, governadores e empresários estão com um sorriso estampado nos lábios: certamente estão pensando nos lucros que advirão com o trabalho escravo em pleno Século XXI. Quem diria? Fernando Henrique Cardoso durante os seus 8 (oito) anos de mandato concentrou todo esforço para cortar direitos, fazendo uma sangria no bolso dos trabalhadores e propiciando a flexibilização nos contratos de trabalho, que não funcionou, porque as empresas contratavam por 3 (três) meses e ao final do contrato, demitia e contratava outro funcionário com salário mais baixo. Luiz Inácio Lula da Silva que foi eleito justamente para estancar esta sangria descambou para a fantasia e quis sugar, ainda mais, o bolso do trabalhador, reduzindo também o direito à aposentadoria, taxando inativos e pensionistas do serviço público federal, com o apoio da elite nacional e dos votos comprados no escândalo que ficou conhecido como ¨mensalão¨.

Depois veio a sucessora de Lula, Dilma Vana Rousseff, que se tornou a 36ª presidente do Brasil, tendo como Vice-presidente Michel Temer e ampliou ainda mais a Ilha da Fantasia. Em sua propaganda, o então vice-presidente dizia ter tirado da pobreza 30 milhões de brasileiros. Em 2016, um processo de ¨impeachment¨ a afastou do Poder, assumindo em seu lugar, o cacique do MDB, Michel Temer.

Aos trabalhadores, que não têm vez nem voz, só resta o caminho da mobilização e da renovação do Congresso Nacional, para que tenhamos legítimos representantes do povo, que não estejam à venda, como é o atual sistema que mostra que muitos deputados e senadores que estão ali são amigos do dinheiro fácil, ainda que conseguido de forma desonesta e ilícita, especialmente guardado em suas contas no exterior. A afirmação não é minha. Os jornais publicam escândalos todos os dias.

É hora de parar com embromações. É preciso que haja INTELIGÊNCIA e HONESTIDADE a serviço do Brasil e do povo brasileiro. Não podemos mais esperar que o Congresso Nacional ou Corte Suprema venha nos defender. Hoje, não há nada de suprema, estamos testemunhando a pior Corte que o Brasil já teve até os dias atuais.

ETERNO TEMA - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 




ETERNO TEMA

Mário Barreto França


 

Quantas vezes a gente, triste, exclama:

- ¨Ah! Se eu tivesse ouvido o coração!¨

É a eterna desculpa de quem ama

Quando pranteia uma desilusão.

 

Há saudades que queimam como flama...

Nem sempre é doce uma recordação...

Mas... um contínuo pranto se derrama

Para o martírio aliviar, em vão...

 

E a gente luta, e sofre, e desespera,

Na esperança de nova primavera,

Sem pressentir que o inverno vai chegar...

 

Não vale a pena maldizer a sorte,

Que a vida sempre exige até à morte

O eterno sacrifício de se amar...

VELHAS ÁRVORES - OLAVO BILAC

 




VELHAS ÁRVORES
Olavo Bilac


Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

SÚPLICA - FILEMON MARTINS

 




 

SÚPLICA
Filemon Martins



Sou um estranho no Planeta Terra,
onde o certo nem sempre prevalece,
onde o forte se impõe, fazendo guerra,
e o amor no coração desaparece.


Quero fugir desta Urbe para a serra,
quero elevar meu pensamento em prece.
Vou refletir, quem sabe assim encerra
esse desgosto que fere e entristece.


Escárnio, ingratidão e desengano
contaminam a terra e o ser humano,
ninguém escapa ileso a tanta dor.


Suplico, pois, Senhor, que ponha fim
ao desconforto de sofrer assim,
melhor viver à sombra de um amor.

TROVAS DO FILEMON

 



TROVAS DO FILEMON


Minha semente plantada

nasceu e frutificou.

Mas antes foi bem regada,

deu frutos e até curou.


Plante uma boa semente

na terra bem preparada,

que a colheita, certamente,

será sempre abençoada.


Plante a semente e acredite

que a vida pode sorrir.

Deus é bom e nos permite

de outra vida usufruir.


Tive sorte, sou poeta,

nascido assim na Bahia,

aqui o povo arquiteta

sua própria fantasia.


* MEMBRO CORRESPONDENTE DA ACADEMIA ANAPOLINA DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS, ANÁPOLIS, GO

ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU - SP.

TROVAS DO FILEMON

 



TROVAS DO FILEMON *


Nada valeu as manobras

que fez com grande escarcéu.

Sem fé não há boas obras

que o leve perto do céu.


Nesta vida, meu amigo,

a Lei é justa e eficaz:

É o retorno que bendigo

de tudo que a gente faz.


Quanta gente se imagina

superior e imortal.

Não vê que a vida termina

num silêncio sepulcral.


Um milagre é nossa vida,

o tempo passa veloz.

Quando se vê, despedida,

e nada resta de nós.


* CLUBE BAIANO DE TROVA, SALVADOR, BA

CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS, MEMBRO TITULAR, CADEIRA 43 - PATRONO OLAVO BILAC

domingo, 8 de fevereiro de 2026

FRAQUEZA POLÍTICA - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

FRAQUEZA POLÍTICA

 

Os conchavos políticos são decorrentes dos interesses dos partidos, não do povo.

 



    O Brasil passa por grandes dificuldades políticas. Mas não é só isso. Parece que os nossos governantes não fazem o devido esforço para diminuir ou zerar as dificuldades.

     O que temos visto desde o início são gastos desenfreados. Jornalistas falam que os gastos do governo estão sem controle.

      As viagens faraônicas diminuíram a partir do 2° semestre de 2025, porque, ao que parece, estão preocupados com as eleições que se aproximam.

      Na semana passada a Câmara dos deputados federais votou uma lei para aprovação de grandes benefícios dos seus funcionários do alto escalão. Muitos funcionários do Legislativo terão salários bem acima do teto permitido. Isso é ou não é fraqueza política?

    Algumas pessoas dizem que os conchavos que fazem são decorrentes de interesses dos políticos. Mas, e o povo? O povo é quem paga os impostos. Dinheiro que sai do povo e entra nos cofres públicos para pagar quem já ganha muito. Agora a lei vai para a mesa do Presidente para ele sancionar ou vetar. O povo está torcendo para ele vetar.

    Os políticos que se preparem. Quem está no comando em diversos setores do Brasil, estejam conscientes, pois as eleições se aproximam velozmente.

 


Saul Ribeiro dos Santos

Natural de Ipupiara - BA.

📧 saul.ribeiro1945@gmail.com

 


COISAS DO CORAÇÃO - FILEMON MARTINS

 



 

COISAS DO CORAÇÃO

Filemon Martins *



Hoje acordei contemplativo. O dia amanheceu escuro, chuvoso e triste. E enquanto chovia, observava as gotas de água que caíam na vidraça da janela e deslizavam mansamente. Uma saudade inexplicável bateu forte em meu coração. Lá fora, a chuva continuava fina, mas constante, ativando ainda mais este agridoce vazio que pesa no meu peito.

Nestes dias parece que a poesia adquire mais sabor e mais vida, transformando-se num lenitivo para o espírito. Munido de vontade e um pouco de inspiração, ponho-me à frente do notebook e começo a escrever. Escrevo com o coração uma palavra, uma frase, talvez um texto sobre um episódio, um fato, um sonho, uma esperança ou quem sabe a reminiscência de um amor que não aconteceu.

Aos poucos a chuva vai cessando e sinto uma vontade incontrolável de sair pelas ruas do bairro. Talvez, eu possa ir à barbearia conversar com as pessoas. Gosto de ouvir suas histórias, sonhos, segredos e tentar entendê-los. Mas percebo que a chuva volta a cair mais forte e persistente. Desisto, então, de sair e caminhar pelas ruas do bairro.
Por algum tempo, fico parado, absorto, imaginando como seria bom, se pudesse ser um pássaro. Poderia voar livre, como um beija-flor numa valsa delicada e bela em redor das flores. Poderia, ainda, cantar mavioso, como faz o sabiá nas laranjeiras. Porém, não sou pássaro e também não sei cantar, mas posso pensar. Meu pensamento é uma arma. Muita gente não aprendeu ainda a usar essa arma. Aliás, única arma do poeta. Com ele posso vencer obstáculos, transpor montes, rios e oceanos. Posso percorrer o Planeta Terra, porque meu pensamento não encontra barreiras na propagação da paz, da esperança e do amor.
Depois destas conjeturas, levanto-me. Fico impaciente e ando de um lado para o outro, vou até à janela e vejo que a chuva continua. Torna-se mais forte. A enxurrada se faz barulhenta. Relâmpagos e trovões me assustam. Não posso sair. Volto a sentar-me e meu coração se acalma. Emudeço. Ouço uma música e volto a escrever - Anseios do coração.


* DO CLUBE BAIANO DE TROVA

  DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

TROVAS DO FILEMON

 



TROVAS DO FILEMON

 

     A distância é que nos mata

porque vem logo a saudade;

saudade – presença ingrata

de antiga felicidade.

 

Céu azul, todo estrelado,

sorrindo, ao clarão da lua,

e o meu peito, apaixonado,

a chorar a ausência tua.

     

Segue uma estrada florida

quem, na verdade, tiver

a glória de ter, na vida,

um coração de MULHER!

 

Quantas noites, meu amor,

olhando, no céu, a lua,

eu me sinto um trovador

pensando na imagem tua.


* DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

TRIUNFO SUPREMO - CRUZ E SOUSA

 


                      (FOTO DE SANDRO, CARRANCA, BAHIA)


TRIUNFO SUPREMO

Cruz e Sousa


Quem anda pelas lágrimas perdido,

Sonâmbulo dos trágicos flagelos,

É quem deixou para sempre esquecido

O mundo e os fúteis ouropéis mais belos!


É quem ficou do mundo redimido,

Expurgado dos vícios mais singelos

E disse o adeus a tudo indefinido

E desprendeu-se dos carnais anelos!


É quem entrou por todas as batalhas

As mãos e os pés e o flanco ensanguentando,

Amortalhado em todas as mortalhas.


Quem florestas e mares foi rasgando

E entre raios, pedradas e metralhas,

Ficou gemendo, mas ficou sonhando!


(LIVRO "GRANDES SONETOS DA NOSSA LÍNGUA", PÁGINA 111) 

SONETO DE LUÍS DE CAMÕES

 




SONETO DE LUÍS DE CAMÕES


Sete anos de pastor Jacó servia

Labão, pai de Raquel, serrana bela;

Mas não servia ao pai, servia a ela,

Que a ela só por prêmio pretendia.


Os dias na esperança de um só dia,

Passava, contentando-se com vê-la;

Porém o pai, usando de cautela,

Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.


Vendo o triste pastor que com enganos

Assim lhe era negada a sua pastora

Como se a não tivera merecida,


Começou a servir outros sete anos,

Dizendo: "Mais servira, se não fora

Para tão longo amor tão curta a vida!"


(LIVRO "GRANDES SONETOS DA NOSSA LÍNGUA", PÁGINA 37)

sábado, 7 de fevereiro de 2026

O TRONCO DA LARANJEIRA - (ADAPTAÇÃO) - FILEMON MARTINS

 




O TRONCO DA LARANJEIRA (Adaptação)
Filemon Martins


Conta-se que um agricultor de Minas Gerais resolveu podar e cortar algumas árvores mortas em seu pomar, onde plantaria outras árvores frutíferas em seu lugar. E assim fez: podou, limpou e cortou alguns troncos já velhos que ele percebeu não mais brotaria. Feito isso, tinha que remover tudo para fora da chácara. Enquanto fazia esse trabalho, tirando os galhos, troncos e colocando-os numa moita ao lado, passou pelo local um conhecido artesão que, vendo aquela árvore morta, perguntou ao agricultor se poderia levar aquele tronco. E explicou - ¨ acho que posso fazer uma obra-prima com este velho tronco de laranjeira¨. O agricultou, de pronto, aquiesceu e o artesão lá se foi levando o tronco de madeira nas costas.
Chegando em casa talhou naquela madeira uma santa com traços impecáveis, quase divinos, de tal maneira que quem a visse ficava impressionado com tamanha perfeição. Os caminhantes e romeiros que por ali passavam queriam comprar aquela peça do artesão de qualquer maneira. Com o tempo, o artesão resolveu deixá-la exposta em frente à sua casa, onde todos poderiam vê-la e tocá-la. E não tardou muito: pessoas pedindo graça, favores, agradecendo e beijando a santa. O agricultor passando próximo, estranhou o movimento e foi conferir o que estava acontecendo. Entrou na fila e viu o pessoal rezando e beijando a santa. Chegando sua vez, ele disse: - ¨eu te beijo, mas te conheço laranjeira!"

VITÓRIA - FILEMON MARTINS

 



VITÓRIA 
Filemon Martins


Não há vitórias sem batalhas, creio 
que a própria vida terá mais valor, 
se a luta for renhida, mais anseio 
para lutar na guerra contra a dor. 

A competência e a fé já são um meio 
de vencer com sucesso e sem favor. 
A honestidade traz respeito alheio 
e recompensa quando houver amor. 

Têm mais sabor vitórias alcançadas 
quando são justamente conquistadas, 
sem artifícios ou qualquer trapaça. 

Feliz de quem, na vida, assim peleja 
porque a felicidade vem e beija 
os que venceram com amor e graça.