sexta-feira, 15 de maio de 2026

CASA DOS MEUS AVÓS PATERNOS - FILEMON MARTINS

 


        (FOTO RESTAURADA POR MARCOS MARCOS COM RECURSOS DA IA)



CASA DOS MEUS AVÓS (PATERNOS)

Filemon Martins

 

 

E não é que a vida já me fez avô (onze netos) e bisavô (seis bisnetos), graças a Deus, mas hoje acordei com saudades da minha infância, que o tempo levou para longe.

Revejo a foto da casa do meu avô Gasparino Francisco Martins e da minha avô Jovina Ribeiro Martins. A memória traz com indizível clareza o tempo que passamos férias lá ou que vivíamos na casa. Primeiro, morávamos em Morpará, cidade próxima. Depois, meu pai mudou-se definitivamente para Ipupiara. Uma casa grande, à moda antiga no interior da Bahia. A casa estava edificada no centro da Praça Getúlio Vargas, na época, a principal da cidade de Ipupiara. Havia três portas, duas do comércio e uma da entrada da casa. Três janelas na frente. Estendia-se até ao fundo da outra rua. Com sala, muitos quartos, cozinha e dispensa, além de outros cômodos para guardar mercadorias. Não havia luxo, tudo com a simplicidade das coisas da roça. Rústico, mas, de uma ternura infinda, onde todos os membros da família eram felizes.  

O quintal era uma maravilha, um pomar com diversas frutas, como carambola, manga, pinha, goiaba, laranja, mamão, romã, tamarindo, laranja cravo, entre outras, que atraíam pássaros de várias espécies, onde fazíamos a festa, com brincadeiras de moleque e comendo frutas colhidas ali mesmo nas árvores frutíferas.

Ali residiram meus avós, GASPARINO FRANCISCO MARTINS E JOVINA RIBEIRO MARTINS, com os filhos, ADÃO FRANCISCO MARTINS (meu pai), LAURENTINA RIBEIRO MARTINS, OSCARINO FRANCISCO MARTINS, GUIOMAR RIBEIRO MARTINS, MIRIAM RIBEIRO MARTINS E ESTER RIBEIRO MARTINS.

Todos se casaram e tiveram filhos. Alguns permaneceram na cidade, outros foram morar em cidades e estados diferentes, como Adão Martins que se transferiu para Morpará, na Bahia; Oscarino casou-se e foi residir em Corrente, Piauí; Guiomar Ribeiro se mudou com o esposo Jeremias, para São Paulo, capital e Ester Ribeiro casou-se com o Pastor Pedro Pereira do Nascimento, transferindo-se para outra cidade.

Alguns filhos permaneceram em Ipupiara e com o passar do tempo, quase todos voltaram à terra natal, inclusive meu pai, que, durante alguns anos, residiu em Morpará, como comerciante, proprietário da loja A PRIMAVERA. O município de Morpará está localizado às margens do rio São Francisco, próximo às cidades de Barra, Xique-Xique, Gentio do Ouro, Ipupiara, Brotas de Macaúbas, Ibotirama e Oliveira dos Brejinhos.

Muitos netos e netas transitaram pela casa do meu avô Gasparino, também chamado de “ioiô Doutor”. Entre outros, Adão Martins Filho, Eunice Ribeiro Martins, Mário Ribeiro Martins, Marli Ribeiro Martins, Nina Ribeiro Martins, Filemon Martins, Gutemberg Ribeiro Martins, Manoel Martins Neto, Jeremias Ribeiro Filho, Gasparino Martins Neto, Laurentina Martins Santos, Carlos Alberto Ribeiro Santos, Mário Ribeiro Santos, David Ribeiro Santos, Jônatas Ribeiro Santos, Rubens Ribeiro Santos, Guiomar Martins Santos e Jovina Martins Neta.

Como comerciante, meu avô comprava mercadorias da época, como rapadura, feijão, farinha, milho, sal, açúcar, café, querosene, que vinham embalados em sacos, fardos, latas, além de sabonetes, creme dental (pasta de dente, era assim chamada) e guardava em estoque nos cômodos da casa, previamente preparado. Região agrícola, ele comprava e vendia ferramentas, como facão, machado, foice, pá, picareta, enxada, alavanca, entre outras.

Hoje, a casa não existe mais. Foi demolida e deu lugar a um sobrado pertencente a outra família.

Mas em nossa memória, ela continua intacta, como aparece na foto acima.

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O AMOR II - FILEMON MARTINS

 




O AMOR II

Filemon Martins



Como a planta que nasce no quintal,

se bem cuidada cresce e fica linda.
Também o amor que nasce natural
pode crescer, viver, florir, ainda.


É preciso, porém, que o amor normal
seja cuidado com ternura infinda.
O verdadeiro amor não tem rival,
a beleza do corpo é que se finda.


Quando o amor se revela por inteiro,
o carinho renasce e vem primeiro
ornando a vida e sobrepondo a dor.


E juntos seguem pela vida afora
vivendo intensamente a nova aurora
iluminados pela luz do amor.

NAVEGANTE - DELASNIEVE DASPET

 


  NAVEGANTE

Delasnieve Daspet
 
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Minha mente navega.
A favor dos ventos alísios
Na lua cheia.
.
A água salpicava suas espumas.
E, lá do alto, resplandecia
Como raios despregados do luar.
.
Essa beleza me embriaga.
Esqueço-me de tudo.
Sou, absolutamente, livre.
.
Me sinto tão completa.
Dissolvida nas águas.
Sou espuma e ritmo.
.
Sou a luz.
Integrei-me, sem passado, sem porvir,
Na paz do universo.
.
Delasnieve Daspet
.
(FONTE AVBAP)










NOITE - MATUSALÉM DIAS DE MOURA

 



NOITE

Matusalém Dias de Moura


Debruçado à janela, distraído,

ponho-me a contemplar a imensidão:

vejo a estrela descer na escuridão,

como se houvesse, próximo, caído.


O mundo me parece adormecido

no colo da terrível solidão

que vaga por aí, em maldição,

a causar sofrimento descabido.


Silencioso e sozinho, fico a olhar

a noite, que caminha devagar,

tendo a insônia por minha companhia.


Em breve o sol de novo há de nascer,

entregando-nos outro alvorecer,

num momento elevado de alegria.



(LIVRO "SONETOS DO PÔR DO SOL", PÁGINA 65)

RELATOS DA PRIMEIRA VIAGEM EM 2026 (2ª PARTE) - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

 

RELATOS DA PRIMEIRA VIAGEM EM 

2026 (2ª. parte)

 

 

Viajar agrega e fortalece os conhecimentos. Viajar para longe ou perto, por muitos ou poucos dias faz bem à saúde. Todos os que leem os relatos da viagem também sentem a experiência. Exatamente quando o relógio marcava 18h32 o ônibus estava encostando na plataforma da rodoviária de Bom Jesus da Lapa. Desembarquei e dei uns passos em direção ao ponto de táxis. Ali mesmo na rodoviária conversei um pouco com o dono da lanchonete, em seguida chegou o Sr. Leonardo, conhecido de muitos anos. Quando olhei o relógio vi que onze minutos foram embora. Apressei os passos, peguei um taxi e fui para o hotel Grande Rio, onde eu já tinha feito a reserva do apt°. A viagem foi favorável, pois pela manhã tomei café fazendo o desjejum em SP e no mesmo dia fui jantar na Lapa. Quando eu tinha 15 anos de idade meu pai, Sr. Nizan, trouxe a família para B. J. Lapa, para junto da parentela. Tenho parentes e muitos amigos nesta cidade. Não é possível citar o nome de todos, mas quero citar o nome do Engenheiro, Dr. Ulisses, amigo de muitos anos. Descendentes de árabes e judeus, mas aqui, sem constrangimento, nós nos sentamos no mesmo banco. 

                        Táxi para o Hotel Grande Rio. 


Bom Jesus da Lapa é cidade de temperatura elevada, como acontece em todas as cidades localizadas nas margens do Rio São Francisco. Os moradores e pessoas que pelo menos uma vez por ano passam uns dias aqui já se acostumaram com a temperatura, de modo que se o calor diminui e a temperatura fica abaixo de 20 graus, todos estranham. Estou em São Paulo. Hoje, dia 11 de maio e agora 8 horas da manhã, quando liguei o computador para começar escrever este texto, a temperatura está em 12 graus. Mas, colocando o clima de lado, temos que Bom Jesus da Lapa tem um povo bom e simpático que gosta de fazer amizade. Povo de fácil interlocução. 

                     Av. Manoel Novais, centro da cidade. 


O Sr. Manezinho, dono do hotel onde estou hospedado, me convidou para conhecer a sua chácara, distante poucos km., 15 minutos de automóvel. Aproveitei a oportunidade, agradeci e fomos lá. A chácara fica num local próximo da rodovia que parte da Lapa em direção a Caetité. O Sr. Manezinho e sua esposa plantaram muitas árvores frutíferas, construíram uma boa e agradável casa com piscina ao lado, oferecendo ótimo lazer. Algumas árvores estavam produzindo. A fruta que eu mais apreciei foi o umbu-cajá. 

                         Sr. Manezinho e Saul na chácara. 


Aqui nesta cidade passei mais de uma semana. Revi amigos e pessoas que há mais de 15 anos foram meus funcionários. Sr. Sérgio, foi meu motorista e em certa ocasião fomos de caminhão até Ipupiara. Hoje o Sérgio é proprietário de caminhões. Sr. Bina, hoje trabalha para a prefeitura. Encontrei o Sr. Estêvão, naquele tempo ele era o proprietário de uma carroça tração animal e fazia carretos no transporte de pequenas cargas. Encontrei também a Da. Francisca, que há mais de 20 anos a conheci e continua vendendo frutas na carroça, fornecendo frutas para seus clientes de costume. Pois é, meu prezado leitor, é como dizem por aí: o mundo é pequeno, redondo e gira. 

                               Carroça puxada por um jegue 


Além das conversas, palestras e entrevistas agradáveis, estive trabalhando, pois não só de conversas vive o ser humano. Felizmente, por sorte, o Dr. Ulisses me indicou um profissional competente, o Sr. Soares. Fica assim comprovado que nós seres humanos dependemos uns dos outros e todos dependemos de Deus (Efésios 2:10).

 

Saul Ribeiro dos Santos

Contador e economista aposentado. 

Natural de Ipupiara

saul.ribeiro1945@gmail.com


TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


“Vejo abrirem-se distantes¨ (*)

como o sol de Itapuã,

teus olhos quais diamantes

brilhando à luz da manhã.


Com o sussurro dos ventos,
com o marulho das águas,
nascem sonhos, sentimentos,
que apagam dores e mágoas.

Traz mais vida à criatura
viver e fazer o bem,
porque dá vida e doçura
aos sonhos que a gente tem.

É preciso que se pense
no futuro da criança,
plantar o amor que convence,
faz renascer a esperança.


(*) Miguel Eduardo Gonçalves (In memoriam)

quarta-feira, 13 de maio de 2026

APENAS UM RIACHO - NALDO VELHO

 



APENAS UM RIACHO

Naldo Velho

 


Exercito palavras

como quem dá visão às coisas

que não cabem dentro de mim

e que por assim dizer derramam

sem que eu saiba direito o porquê.


Por isto digo que sofro de maré cheia,

de águas que tomam conta da areia,

de rio que não se contenta em seu leito

e inunda vales, estradas, cidades,

e espalha sementes de trigo

colhidas num tempo nascente...


Saudades de quando

eu era apenas um riacho,

meu mundo era bem diferente,

cabia dentro de mim.


(FONTE AVBAP)

 

ESCADA DE TROVAS - FILEMON MARTINS

 



ESCADA DE TROVAS

            Filemon Martins


E colhe amor à vontade

quem aprendeu conviver,

que a própria felicidade

é pelo amor convencer.

 

Planta a paz, planta carinho

quem cultiva só o bem.

Nunca se sente sozinho,

nunca magoa ninguém.

 

A semente da bondade

floresce no coração,

para o bem da Humanidade,

o amor não faz distinção.

 

Quem semeia em seu caminho

bondade, paz e perdão,

espalha amor, de mansinho,

ajudando o seu irmão!


NO TOPO:

QUEM SEMEIA EM SEU CAMINHO

A SEMENTE DA BONDADE

PLANTA A PAZ, PLANTA CARINHO

E COLHE AMOR À VONTADE.

            Filemon Martins

ANSEIO - HELENA VERDUGO AFONSO

 


                                    (FOTO DE MAISE JINKINGS M. MEDEIROS)



ANSEIO

Helena Verdugo Afonso


Amor, vivo tão só, nesta tristeza,

onde minha alma se desfaz em pranto,

longe do teu olhar cheio de encanto,

em que fiquei eternamente presa.


Tão longe ando de ti, numa incerteza

de ter-te, minha vida! E entretanto,

vai crescendo este amor, mas tanto e tanto,

em místico fervor como quem reza!...


Ando faminta, cheia de desejo

dessas carícias tão de mim ausentes,

que me enlouquecem, e que em ti prevejo...


E morro na paixão que mal pressentes,

e perdem-se pelo ar cheios de pejo

os beijos que te dou e tu não sentes...



(LIVRO "OS MAIS BELOS SONETOS QUE O AMOR INSPIROU", PÁGINA 43) 

LIÇÕES DE ONTEM E DE HOJE - FILEMON MARTINS

 



LIÇÕES DE ONTEM E DE HOJE


Filemon Martins


Embora criança, talvez com uns dez anos de idade, eu ouvia o meu avô falar e me recordo de muita coisa. Meu avô paterno GASPARINO FRANCISCO MARTINS nasceu, cresceu e constituiu numerosa família, na cidade de Ipupiara, interior da Bahia. Naquela época, nem era cidade, era apenas um distrito que teve vários nomes: Campos Belos, Fundão de Brotas, Fortaleza de São João, Jordão de Brotas, Vanique e a partir de 1936, Ipupiara. Pelo Decreto-Lei nº 12.978, de 1º de junho de 1944, tornou-se em definitivo IPUPIARA. Meu avô, então, era um homem rude, simples, sem estudos, mas era trabalhador, inteligente e honesto. E foi ali que conquistou tudo que era possível financeiramente com o seu trabalho. Possuidor de fazendas, cabeças de gado, cavalos, casas comerciais, casas de aluguel, além de ter trabalhado durante muito tempo no comércio varejista.

Os amigos e conhecidos o chamavam de “Doutor” Gasparino. Tinha gênio forte e era, como se dizia no interior, homem de uma só palavra. Alguns o achavam “seguro” demais, talvez em razão dos bens que conseguiu obter. Outros, diziam o contrário. Tornara-se um próspero comerciante na pequena Vila. Em seu armazém, por sinal, bem sortido, vendia de tudo: feijão, arroz, rapadura, café, farinha de mandioca, toucinho, açúcar, sabonete, creme dental, enxada, facão, foice, machado, querosene etc. E em seu comércio até vendia fiado. O sujeito chegava em seu comércio, comprava a mercadoria que lhe convinha, pagava uma parte e ficava devendo outra, com promessa de pagamento para determinado dia, previamente combinado. O ¨Doutor¨ Gasparino tinha uma caderneta, onde anotava o nome do comprador e “centavo por centavo”.

Pois bem, se no dia aprazado, o sujeito não tinha dinheiro para pagamento, mas vinha conversar com ele, explicando que houve algum imprevisto, não havia problema, “veio dar uma satisfação,” ele dizia. Marcava para outra data o pagamento. Mas, se ao contrário, o camarada não aparecia para pagar a dívida ou explicar porque não o fez, aí, meu amigo, não havia mais jeito. Podia pagar a dívida depois, porém nunca mais comprava fiado no armazém do meu avô. E ele nos ensinava, com sua sabedoria e simplicidade: “se o homem não tem palavra, não tem caráter, não tem moral. Como posso confiar nele outra vez?”

Naquele tempo, as coisas eram mais difíceis que hoje. Não havia qualquer tipo de comunicação, a não ser o telégrafo, e muito raramente, algum rádio na Vila. O acesso era dificílimo. Não havia estradas. Aliás, hoje existem, mas continuam ruins. Para se ter uma ideia da época e do atraso em que vivia a população do Sertão, a primeira bicicleta que apareceu na Vila, meu avô a apelidou de “o cavalo do cão”.

Desde 2007 a Bahia tem sido governada pelo PT e continuará a administração petista com a eleição de Jerônimo Rodrigues. Imagina-se que os baianos estejam satisfeitos com a administração do PT, embora na prática as coisas não sejam bem assim.

Quanto ao meu avô, tempos depois, em 19/05/1966 ele nos deixou, deixando também suas lições e exemplos. Nunca mais o esqueci. E ainda o ouço dizer: - “meu neto, se o homem não tem palavra, não merece confiança.”

Hoje, parece que é ingenuidade esperar que alguém tenha palavra. Nos palanques da vida, ouvem-se promessas e promessas. São palavras ao vento. Em todos os níveis: municipal, estadual e federal. Se entre os políticos antigos o uso era comum, agora, então, com os políticos atuais, como se pôde ver nestas últimas eleições presidenciais, tornou-se uma prática natural. Pobre daquele que atrever-se a cumprir promessa ou palavra. Corre o risco de ser escrachado e expulso da agremiação. 

Que vergonha! Meu avô é quem tinha razão: “Se o homem promete e não cumpre, não tem palavra, não tem moral, portanto, não merece respeito”.