sábado, 21 de fevereiro de 2026

CARNAVAL - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES

 



CARNAVAL

Antônio Carlos Côrtes *

Concentrar-a-ação
Criatividade ímpar
Beleza singular
Ternura  olhar
Brilho sem par
Enorme satisfação
Desfile da Escola de Samba
Traz leveza no andar
Alma e corpo flutuam
Como pluma no ar
Som da bateria  contagia
Arco íris de cores  enlaçam
Constelação de alegria
Pelo enredo ensinam
Samba trilha sonora  na história
Primeiro desfile é inesquecível
Cenário de glória
Andar sincronizado das alas
Lembram rastejar da serpente
Leve, suave, silencioso
Trocando de pele?
Não, mas de fantasias
Luzes da avenida cintilam
Momento ricamente brilhoso
Chegar Apoteose
Consciente do dever cumprido
Certeza do prazer
D'alma em paz
Dispersão

 

·     DA ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS


TROVAS DE JESSÉ NASCIMENTO

 



TROVAS DE JESSÉ NASCIMENTO *


Da roça à grande cidade,

um ciclo que lá se encerra;

mas, meu Deus, quanta saudade

do meu pedaço de terra!...


Os meus sonhos de menino,

cheios de esperança e cores,

os leva o trem do destino

com risos e dissabores...


Ante a montanha imponente

e o mar tão vasto e sereno,

eu me quedo reverente:

- Ó Deus, como sou pequeno!


Singrando os mares da vida

e as procelas enfrentando,

a cada onda vencida

eu vou ao porto chegando.



* DA UBT DE ANGRA DOS REIS, RJ

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

INDIFERENÇA - ZIVER RITTA

 





INDIFERENÇA
           ZIVER RITTA (Porto Alegre-RS)

Dias depois da nossa desavença,
naquela tarde, num final de agosto,
eu compreendi o aviso na sentença
que, sem sorrir, ela jogou-me em rosto.

Disse, claro demais para meu gosto:
“Bem ao contrário do que reza a crença
que nós chamamos popular, o oposto
do amor não é o ódio. É a indiferença”.

Depois da nossa briga assim me disse,
e o fez, como se vê, de forma clara,
para que eu não tomasse por tolice.

Por isso hoje, ao ver-nos frente a frente,
se ela com ódio em seu olhar me encara,
desvio o meu olhar indiferente.

(Jornal FANAL, n° 564, agosto de 2002, página 01, órgão oficial da Casa do Poeta “Lampião de Gás”, de São Paulo)

TROVAS DE MATUSALÉM DIAS DE MOURA

 




TROVAS DE MATUSALÉM DIAS DE MOURA


Prisioneiro do abandono,

da janela eu vejo a lua,

na longa noite sem sono,

chorando a saudade tua.


Enquanto o dia se encerra,

vou compondo minha trova,

a contemplar, sobre a serra,

o nascer da lua nova.


Percorro estrada comprida

de tropeços mais diversos

e, por apanhar da vida,

expresso dor em meus versos.


Vagando, vou pela vida,

colhendo meus desenganos,

pois, nesta vida sofrida,

vem o tempo e muda os planos.


(LIVRO "SELETA DE TROVAS" - EDITORA CACHOEIRO CULT - 2017)


SUAVE - EDMIR CARVALHO BEZERRA

 



SUAVE

Edmir Carvalho Bezerra


Uma canção nova

somente meu coração ouve

uma paisagem celestial

apenas meus olhos veem

seda chinesa

porcelana de Pequim

minhas mãos acariciam

o encantado voo aquilino

flor suave e rara

perfuma-me


(LIVRO "DIZERUDITO - POEMAS", PÁGINA 28)

SONETO DE MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 





SONETO DE MÁRIO RIBEIRO MARTINS 

(IN MEMORIAM)

 

Tu queres meu prezado e grande amigo

Vencer o mal com fé, sinceridade?

- Aceita Cristo como teu abrigo

E assim terás a força de vontade.

 

Deixa Cristo viver sempre contigo

Não te deixes levar pela vaidade,

Medita nas palavras que te digo

E viverás em paz, serenidade.

 

Não te esqueças que és um pecador

E precisas saber desta verdade,

Mas sobretudo o auxílio do Senhor.

 

Que tu sejas um grande vencedor

Por meio de Jesus o salvador

Aquele que te dá a eternidade!

CARA METADE - FILEMON MARTINS

 



CARA METADE

Filemon Martins

 
                                                      

Tudo começou em Ipupiara, no agreste da Bahia. Ninguém, naquela pequena cidade interiorana, poderia imaginar que tal fato pudesse acontecer. Renato, já rapaz, de família simples e humilde, como tantos outros, deixou sua terra e rumou para São Paulo em busca de dias melhores. Naquela época não havia tanta gente e enorme desemprego na capital paulista. Era fácil encontrar um trabalho que proporcionasse a sobrevivência.

Já em São Paulo, Renato passou a trabalhar durante o dia e estudar à noite. Inteligente e com muito esforço, tornou-se, por concurso público, funcionário do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) hoje o espanhol Santander. Assim, Renato foi conquistando espaço dentro do banco e se tornou um respeitável bancário. Naquele tempo, bancário ganhava bem e era um ótimo emprego.

Mas havia um problema com Renato. Solteiro, boa pinta, bem de vida, mas muito tímido para arranjar namorada. E Renato queria se casar. Mas, como? Era necessário namorar, noivar, para depois se casar. Pensou, pensou e não encontrava uma solução. A timidez lhe impedia de arranjar uma namorada, ainda mais ele, que, por formação, queria namorar uma moça de família para, então, noivar e por fim, constituir família.

Enquanto trabalhava no banco no centro de São Paulo, matutava todos os dias em busca de uma solução. Enfim, teve uma ideia. Lembrou-se de que em Ipupiara, sua terra natal, sempre no mês de junho se realizava as tradicionais festas juninas, Santo Antônio, São João e São Pedro, com maior importância e mais gente, a festa de São João, padroeiro da cidade, dias 23 e 24 de junho, com muita pipoca, quentão, quadrilha, mulher bonita, fogueiras e leilões. Numa dessas festas, ele haveria de arranjar uma noiva, pensou.

Decidido, pediu licença ao banco, já que não tinha férias na época, tomou um ônibus e rumou para Ipupiara, interior da Bahia. Ali, com certeza, pensava ele, encontraria sua cara metade. E enquanto a missa se realizava na Igreja e a festa pelas ruas da cidade, ávido, ele observava todas as moças da cidade e outras da região que vinham em grande número participar dos festejos e das homenagens a São João.

Não demorou muito e Renato, passeando por uma rua da cidade, avistou uma bela moça, alta, sedutora, prendada e bem educada. De longe, desconfiado, ficou observando, encantado. Aos poucos foi-se aproximando da moça, enquanto imaginava o que e como lhe falar. Era preciso aproveitar o pingo de coragem que lhe restara. É agora ou nunca, pensou. Cumprimentou-a, apresentando-se em seguida. Sorriu, gaguejou um pouco, mas falou do seu interesse. Quis saber o nome dela e a que família pertencia. Quebrado o gelo, logo falou do que sentia e do seu objetivo, perguntando se ela aceitaria namorar, ficar noiva e casar em, no máximo, três dias.

Atônita, a jovem ficou rubra e meio sem jeito disse que precisava pensar, falar com sua família, mas prometeu dar-lhe uma resposta o mais breve possível, no que Renato concordou. Horas depois, lá estava Renato em busca da resposta, que, para sua alegria, foi sim. Nunca ouvi falar, nunca vi e nunca assisti a um casamento tão rápido quanto aquele em minha vida. Com as bênçãos das famílias, em apenas três dias, Renato e Raquel (*) estavam casados e viajando de volta a São Paulo.

Contrariando a tradição e os especialistas no assunto, Renato e Raquel estão casados desde aquela época e residem na zona Oeste de São Paulo, onde são exemplos de família com filhos ordeiros, felizes e bem criados. São almas gêmeas.

 

(*) Os nomes são fictícios, mas a história é verdadeira.

POR QUE ENSINAR INGLÊS NO BRASIL AINDA É TÃO DESAFIADOR? - MARCIA FEITOZA MARTINS XAVIER

 




 

POR QUE ENSINAR INGLÊS NO BRASIL AINDA É TÃO DESAFIADOR?

 

Marcia Feitoza Martins Xavier *

 

    Ensinar inglês no Brasil vai muito além de apresentar vocabulário, regras gramaticais ou exercícios repetitivos. Apesar de o inglês ser amplamente reconhecido como uma língua essencial no mundo globalizado, o processo de aprendizagem ainda se mostra difícil para muitos estudantes brasileiros — e isso não acontece por falta de interesse, mas por questões estruturais que atravessam o ensino de línguas no país.
    Grande parte dos alunos tem pouco contato com o inglês fora da sala de aula, o que limita a prática e o uso real da língua. Além disso, métodos de ensino excessivamente tradicionais, que priorizam a memorização em detrimento da comunicação, acabam afastando o estudante do idioma e gerando frustração ao longo do processo.     Aprender uma nova língua exige envolvimento, contexto, significado e, principalmente, oportunidades reais de uso.

    Outro ponto fundamental dessa discussão é a formação do professor de língua estrangeira. Muitos docentes, assim como eu, sentem a necessidade constante de se qualificar mais, buscar novas estratégias e compreender melhor como ocorre a aprendizagem de uma língua adicional. No entanto, nem sempre existem políticas públicas suficientes que incentivem e viabilizem essa formação de maneira contínua e profunda, especialmente por meio de experiências internacionais que poderiam enriquecer significativamente a prática docente.
     Investir na qualificação dos professores de inglês — inclusive com programas de intercâmbio acadêmico e formação em universidades estrangeiras — é investir diretamente na qualidade da educação oferecida aos alunos. Um professor mais bem preparado amplia seu repertório metodológico, cultural e linguístico, criando aulas mais significativas e conectadas à realidade dos estudantes.
           Refletir sobre o ensino de inglês no Brasil é, portanto, refletir sobre metodologias, formação docente e políticas educacionais. Somente a partir desse olhar integrado será possível transformar o aprendizado do idioma em uma experiência mais eficaz, motivadora e acessível, capaz de gerar resultados reais na vida dos alunos.

 


* Marcia Feitoza Martins Xavier
é Professora de Língua Portuguesa e Inglesa. 


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

TROVAS DE EDUARDO V. VISCONTI

 



TROVAS DE EDUARDO V. VISCONTI

Da rua bela e curtinha,
chamada felicidade,
vê-se outra longa e sozinha,
que dei nome de saudade...

Minha vida é longa rua
cheia de abismos medonhos,
nela um gênio mau atua,
matando todos meus sonhos!

Bahia, rincão amado,
de céu sempre tão azul,
só penso em ti, exilado
nos pagos tristes do Sul.

O QUE DIZEM OS SÁBIOS

 




O QUE DIZEM OS SÁBIOS

 

"Como é insensato o homem que deixa transcorrer esterilmente o tempo".

Johann W. Goethe (Alemão - 1749/1832)

 

"Com o punho fechado não se pode trocar um aperto de mão". Indira Gandhi (Indiana - 1917/1984)

 

"A abelha e a serpente muitas vezes sugam a mesma flor". Pietro Metastásio (Italiano - 1698/1782)

 

"Viver para os outros não é apenas a lei do dever, é também a lei da felicidade". (Francês - 1798/1857)

 

“A natureza deve ser o ponto de partida do poeta, e não o seu ponto de chegada”. Friedrich Habbel (Alemão - 1760/1826)

 

“A Liberdade só existe no reino dos sonhos, e a Beleza floresce apenas na poesia”. Von Schiler (Alemão – 1795/1805)

 

“Está perdido o homem pobre quando começa a imitar o rico”. Publílio Siro (Italiano – Século I a C)

 

“Se a natureza tivesse tantas leis quantas tem qualquer nação, nem Deus poderia governá-la”. Ludwig Boerne (Alemão – 1786/1837)

 

(EXTRAÍDO DA REVISTA “A FIGUEIRA”, EDITOR ABEL B. PEREIRA)


FIAT TROVA - PAULO NUNES BATISTA

 



                              (FOTO DE SANDRO, CARRANCA, BAHIA)




FIAT TROVA

PAULO NUNES BATISTA


Um dia, Deus, o Trovador Perfeito,
com quatro versos de matéria-prima
e a música da métrica e da rima
compôs um poema para o Gozo eleito.

Deus viu que estava bom, depois de feito,
e ordenou que baixasse Lá de Cima
para encantar, onde existisse o clima
do Belo a que a Arte presta culto e preito.

E assim nasceu a síntese poética –
um misto bom de inspiração e estética
num prazer singular que se renova.

E cada trovador que sintoniza
o seu estro com Deus, no Chão realiza
a maravilha mística da Trova!...

O BRASIL DE LUTO - FILEMON MARTINS

 



O BRASIL DE LUTO

Filemon Martins



Em certa ocasião, o ministro CELSO DE MELLO, do Supremo Tribunal Federal deixou o Brasil de luto, dizendo: “O STF NÃO PODE SUBMETER-SE Á VONTADE DE MAIORIAS CONTINGENTES".

De lá pra cá, a situação só piorou. A chamada “Suprema Corte” nunca foi tão pequena quanto agora.

Mas, queira ou não, pode submeter-se aos caprichos do poderio econômico dos políticos do PT. Pobre Brasil! Até o Judiciário Federal dobra-se aos mandos e desmandos dos que desgovernam o país. Parece que o povo brasileiro ainda tem que protestar muito para fazer do Brasil, um país decente, justo e imparcial, porque não há dúvida, para muitos políticos brasileiros, o crime compensa e muito.

Diante do que ocorreu no carnaval do Rio de Janeiro, com exaltação à corrupção desenfreada, ao escrever estas linhas, o coração aperta, quase sem forças, sem esperança no futuro para nossos filhos, filhas e netos e eu me lembro do poema A IMPLOSÃO DA MENTIRA, do saudoso Poeta AFFONSO ROMANO DE SANTANA, cujo primeiro fragmento transcrevo:

A IMPLOSÃO DA MENTIRA

Affonso Romano de Santana


Mentiram-me. Mentiram-me ontem

e hoje mentem novamente. Mentem

de corpo e alma, completamente.

E mentem de maneira tão pungente

que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.

Não mentem tristes. Alegremente

mentem. Mentem tão nacional/mente

que acham que mentindo história afora vão enganar a morte eterna/mente.


Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases falam. E desfilam de tal modo nuas que mesmo um cego pode ver

a verdade em trapos pelas ruas.


Sei que a verdade é difícil

e para alguns é cara e escura.

Mas não se chega à verdade

pela mentira, nem à democracia

pela ditadura.

                    *****

Assim, o Brasil caminha para o caos, numa repetição triste e vergonhosa do que já vimos e assistimos.

Empresas centenárias estão falidas, como a ECT (correios), que já esteve no topo da eficiência, e agora, amarga um período de desânimo entre os seus funcionários. Postei um livro no dia 16/12/2025 para Feira de Santana, na Bahia. Até hoje, dia 17/02/2026 não chegou. Não se trata de um fato isolado, há outros livros até para São Paulo, na mesma situação. Foi apenas um exemplo corriqueiro.

O pior é que pessoas que estão levando dinheiro de poderosos, tentam nos convencer de que o Brasil está no rumo certo, como se fossemos um bando de idiotas e imbecis.

Acorda, Brasil!


A BEBEDEIRA... MAIS OU MENOS - JOSÉ FELDMAN

 



 A BEBEDEIRA... MAIS OU MENOS


José Feldman


TROVA DE MIGUEL 

RUSSOWSKY (1923 - 2009)


- Não bebo mais!... - diz o 

Souza,

com intentos bons e plenos.

Discorda deles a esposa:

- Não bebe mais... e nem menos!







Numa pequena cidade cercada por montanhas, vivia o Souza, um homem com um coração enorme e um apetite ainda maior por cervejas artesanais. Todo fim de semana, ele se juntava aos amigos na taberna local, onde as risadas e as histórias aconteciam em meio a canecos tilintando. Mas, como toda história divertida, havia uma reviravolta.

Certa manhã, Souza acordou com um leve mal-estar; sua cabeça parecia uma panela de pressão prestes a estourar. Ao olhar no espelho e se deparar com o seu reflexo horrendo, ele fez uma resolução importante:

— Não bebo mais! — declarou para si mesmo, como um verdadeiro homem de coragem.

Quando sua esposa, Dona Marta, entrou na cozinha com um sorriso, ele se sentiu inspirado a compartilhar sua nova decisão.

— Querida, não bebo mais! Acabou a farra! — anunciou, como se tivesse acabado de ganhar um campeonato mundial.

Marta, que conhecia bem o marido e suas "resoluções", arqueou uma sobrancelha e respondeu:

— Não bebe mais… e nem menos!

Souza deu uma risada nervosa, como quem tenta achar graça em um assunto delicado. Ele sabia que Marta, com seu senso de humor afiado, estava apenas começando. 

— Olha, amor, o que aconteceu foi só uma noite ruim. Amanhã vou fazer tudo diferente! — tentou ele, segurando uma fatia de pão com manteiga.

Mas Marta não era mulher de se deixar enganar por promessas de um marido crica. 

— Ah, claro, a mesma história de sempre… — disse ela, cruzando os braços. — Lembremos da sua "resolução" do mês passado, quando você disse que pararia de comer doces. Como foi mesmo? Comprou um bolo só para “ver como estava”?

Souza tentou esconder um sorriso. Era verdade: ele havia comprado um bolo e esquecido da dieta. Naquele momento, decidiu que precisava de um plano mais sério.

— Então, vou fazer um desafio! — anunciou, com os olhos brilhando. — Uma semana sem álcool! Se eu conseguir, você me dá $50!

Marta, divertindo-se com o entusiasmo do marido, apenas balançou a cabeça.

— Que tal um concurso? Se você não beber durante uma semana, ganha um prêmio. Mas se falhar, você vai ter que lavar toda a louça da casa por um mês.

Num impulso de coragem, Souza topou. O desafio estava lançado! No dia seguinte, ele acordou se sentindo um verdadeiro atleta. Fez uma caminhada até o mercado e logo passou pela seção de bebidas. Tentou desviar o olhar, mas a seção parecia brilhar como um farol em meio à névoa!

— Um refrigerante é só pra refrescar! — pensou ele, enquanto pegava uma lata de guaraná. — Isso conta como não beber, certo?

Toda vez que um amigo o convidava para um "pizzaiada com a loira", Souza se lembrava do desafio e inventava desculpas:

— Preciso ajudar minha esposa a organizar a gaveta de talheres, e você sabe como isso é importante!

Os dias passaram e, embora estivesse seguindo à risca seu desafio, Souza estava prestes a sucumbir. Um sábado à tarde, ele e Marta foram ao parque, e lá estavam seus amigos, rindo, se divertindo e bebendo.

“Só um gole”, pensou ele. Mas ao se aproximar, foi recebido com um brinde caloroso.

— Vem, Souza! O refrigerante é só para os fracos! 

Nesse momento, uma inundação de lembranças das risadas e das conversas animadas fez seu coração palpitar. Olhou para Marta, que apenas ergueu uma sobrancelha, e decidiu que não poderia quebrar sua promessa.

— Não, pessoal, estou firme e forte na minha resolução! 

Os amigos ficaram impressionados, e os preparativos do “grande desafio” se tornaram ainda mais épicos, com todos eles se unindo a ele em apoio. Para não perder o espírito da festa, eles começaram a inventar bebidas "não alcoólicas" divertidas, como "suco de uva em copos de cerveja".

Aquela noite, no entanto, não terminaria sem os clássicos desafios e uma piada. No meio da festa, um amigo levantou seu copo de suco de uva e declarou:

— A esse herói que não bebe mais! Que a gente nunca tenha que olhar para cima na prateleira de bebidas!

Todos riram, e Souza se sentiu como um campeão. Finalmente, quando as risadas cessaram, Marta se virou para ele e disse:

— Como se sente, Dr. Souza?

— Como um verdadeiro campeão! — ele sorriu, já se imaginando com o prêmio em mãos.

No dia de pagamento do desafio, a primeira coisa que Souza fez foi ir ao mercado com Marta. Ao chegarem na seção de bebidas, ele hesitou e deu uma risada nervosa.

— Olha, querida, estou muito animado por ter conseguido! Ele não existe mais…

Marta deu um tapinha no ombro dele e respondeu:

— Muito bem, meu amor! Só não esqueça que agora você participa de um novo desafio: não comer sobremesas por um mês!

E assim, o ciclo de desafios do Souza continuou. Afinal, se não podiam se livrar das tentações da vida, pelo menos poderiam fazer isso juntos, rindo e se divertindo!