BLOG LITERÁRIO DO FILEMON
terça-feira, 21 de abril de 2026
SEMENTE - MANOEL CARDOSO
TROVAS DE APARÍCIO FERNANDES
MUDANÇA - THÉO DRUMMOND
ESSE AMOR - MARILDA CONCEIÇÃO
(FOTO DE KEISE JINKINGS MARTINS - EM ITANHAÉM)
Marilda Conceição
Que amor é esse que me enlouquece,
que me balança o coração.
Que desestrutura meu ser
e me faz vibrar de emoção?
Que amor é esse que me aguça a mente,
que me treme o corpo, me provoca gemidos
e me tira a lucidez?
Que amor é esse que me engrandece a alma,
me renova a vida,
me acalenta e acalma?
Que amor é esse
que me traz alegria, me dá satisfação,
me faz sorrir, vibrar de prazer
e me domina a razão?
Que amor é esse?
Não sei se chamo de amor,
loucura ou paixão!
PER ASPERA AD ASTRA - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES
PER ASPERA AD ASTRA (*)
Antônio Carlos Côrtes
Andarilho da cidade
Doca das frutas a Guarujá
Ruas, becos, vielas, avenidas
De lá pra cá
Encontros de felicidade
Tentando abrandar
Saudade
Recanto do Sabiá
Sorriso do Negrão Collares
Abraçado a Mãe Norinha
Segue outros ares
Desce um pouco mais
Ouve voz do além
" Pensem nisso, enquanto lhes digo até amanhã"
Enxerga nuvem avermelhada
Ocaso horizonte Rei Sol
Sérgio Jockman
Com jaqueta colorada
Na frente do Olímpico
No Timblim Airton Pavilhão
Dá de charleston
No Menino Deus
Ranzolin, Candinho
Na Tristeza o Portinho
Na Catamarã Galvani
Junto do Carlos Nobre
Terra é Guaíba
Só a ponte!!
Mercado Público Borel
Na Primeira Perimetral
Mas longe do quartel
Ariovaldo Paz e a baiana
Tempos de Carnaval
Nega Martha dos Imperadores
Nas imediações da Eurico Lara
Sérgio da Costa Franco
Balança a caneta tinteiro
Vestindo terno de linho branco
Ramalhete de flores
Bem na janela frente ao barranco
Floresta Aurora da Curupaiti
Osmar Fortes Barcellos (Tesoura)
Alpheu, Abgail e Romeu da Cruz
Estande Chaveiro Machado
Frente beco do mijo
Vilela, Elton, Larry
Na Ponte de Pedra
Club Aymoré
Nego Roxo, pé de valsa
Quem viu, viu
Só andava a pé
Alambique Tuim
Cesar Silva, Barretão, Santana
Turma do funil
Confeitaria Matheus
Só gente bacana
Cababá, Barulho, Franck
Bom Fim do Zé Flávio
Lembrando almôndegas
Acadêmicos da Orgia
Rufem os tambores
Bedeu, Leleco Telles
Cantantes de amores
Na Conceição Lobo Solitário
Afrosul Iara Teodoro
Faz passo de dança
Esplanada da Restinga
Tem Vera Furacão que não cansa
Bambas da Negra Darilce
Na José de Patrocínio Nega Lu
Padre Severino no Luanda
Bebem vinho do Padre
Servido pelo Tide
Praça Garibaldi tem Muamba
Mas nunca cabide
Seguindo pela Venâncio Aires
Quase esquina Santa Terezinha
Oitiva do maior Tribuno do Estado
Carlos da Silva Santos
Que não era um só foi tantos
Na linha direta de Xangô
(*) Através das dificuldades para as estrelas.
(DA ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS)
segunda-feira, 20 de abril de 2026
NEVER MORE - MÁRIO RIBEIRO MARTINS
QUEM FOI O BAIANO MILTON SANTOS? - MÁRIO RIBEIRO MARTINS
TROVAS DE MÁRIO BARRETO FRANÇA
O MAL DE CADA DIA - MÁRIO BARRETO FRANÇA
LIVRO "POEMAS E PENSAMENTOS 5" - HUMBERTO DEL MAESTRO
Recebi do escritor Humberto Del Maestro mais um livro de sua lavra, "POEMAS E PENSAMENTOS 5", com 265 páginas de pura poesia: Trovas, Haicais, Sonetos, Breves, Poemetos e muito mais. O autor informa que este é o livro dos seus oitenta anos. 65 livros escritos e publicados.
Já lendo e divulgando o trabalho do ilustre poeta Humberto Del Maestro, imortal da Academia Espírito-santense de Letras, onde ocupa a cadeira 20.
TROVAS QUE INICIAM O LIVRO, PÁGINA 9:
Aos meus infames algozes,
Com seus "delírios" de neve,
Do infinito escuto vozes:
- Que a terra lhes seja leve.
Meus braços viraram tralhas
Que me causam pesadelos.
Lembram inúteis medalhas...
Mas como temo perdê-los.
Borboletas pequeninas
Sobre o roseiral em flor;
Até parecem meninas
Brincando com bom humor.
Cai a tarde em agonia,
A chuva desce depois;
Chega sem pressa, arredia,
Como carroça de bois.
Chove agora em cataratas,
Com ventanias insanas.
Dos valões sobem baratas
E asquerosas ratazanas.
(LIVRO "POEMAS E PENSAMENTOS 5)
domingo, 19 de abril de 2026
NOITE E VERSOS - FILEMON MARTINS
LUGARES... - ELVIRA DRUMMOND
LUGARES...
Elvira Drummond
Já visitei lugares em que a vista
pasmou, ao ver a cena deslumbrante:
enturveceu, por cerca de um instante,
atônita à mansão com mãos de artista...
Tamanho luxo cabe em uma lista
que inclui a prataria mais brilhante,
cristais e o tom dourado exuberante
compondo um tal "cenário de revista".
Já visitei lugares bem modestos,
vazios de pertences, mas de gestos
fraternos, de uma paz abençoada...
Dos dois lugares, reina soberana
a imagem amorosa da choupana,
que a vida, sem amor, não vale nada!
(LIVRO "OS ESCOLHIDOS versos diversos", PÁGINA 43)
A TEMPESTADE E A JORNADA - JOSÉ FELDMAN
A TEMPESTADE E A JORNADA
José Feldman
TROVA DE JERSON LIMA DE BRITO
Não tema sua jornada
se o céu estiver cinzento
que às vezes a trovoada
faz parte do ensinamento!
Numa pequena cidade, onde as colinas se encontravam com o
céu em um abraço eterno, a vida seguia seu curso tranquila, mas repleta de
desafios. Os moradores daquela cidade eram conhecidos por sua resiliência e
força de espírito. No entanto, havia um jovem chamado Matheus que
frequentemente se deixava abater pelas nuvens cinzentas que pareciam pairar
sobre sua vida.
Matheus era um sonhador. Desde criança, alimentava grandes
aspirações: queria ser escritor. Suas histórias eram recheadas de aventuras e
heróis, mas, à medida que crescia, as incertezas começaram a envolvê-lo. Ele se
via diante de um dilema: como transformar seus sonhos em realidade em meio às
dificuldades do dia a dia? A pressão para ter um emprego estável, a expectativa
da família e o medo do fracasso o deixavam angustiado.
Em uma tarde particularmente nublada, Matheus decidiu que
precisava de um tempo para pensar. Pegou seu caderno e saiu em direção ao
parque da cidade, um lugar que sempre o inspirava. À medida que caminhava, o
céu escurecia, e um vento forte começou a soprar. Ele hesitou, mas a
necessidade de encontrar respostas o levou adiante. Ao chegar ao parque,
sentou-se em um banco sob uma árvore frondosa e começou a escrever.
Enquanto suas ideias fluíam, ele percebeu que as nuvens no
céu estavam se acumulando, e logo a chuva começou a cair. No início, as gotas
eram suaves, quase como um sussurro. Mas, em poucos minutos, a tempestade se
intensificou, e o que antes era uma leve garoa transformou-se em uma verdadeira
trovoada. Ele se viu preso, sem abrigo, e um sentimento de desespero começou a
tomar conta dele.
No entanto, em meio ao caos, algo inesperado aconteceu. Ele
observou as gotas de chuva batendo nas folhas, criando uma melodia única, um
ritmo que parecia dançar com a natureza. As árvores, que antes pareciam
temerosas, agora se erguiam majestosas, como se estivessem celebrando a
tempestade. Sentiu uma onda de inspiração. Em vez de se deixar levar pelo medo,
decidiu se entregar àquele momento.
Com o caderno em mãos, começou a escrever freneticamente.
As palavras fluíam como a chuva, e ele percebeu que a tempestade não era um
obstáculo, mas uma oportunidade. A trovoada trazia consigo um ensinamento
profundo sobre a vida: os desafios e as dificuldades são partes inevitáveis da
jornada. Cada gota de chuva, cada relâmpago, representava uma lição, uma chance
de crescimento.
Quando a tempestade finalmente começou a se dissipar, ele
sentiu-se renovado. Olhou para o céu, que agora começava a clarear, e sorriu.
As nuvens cinzentas não eram apenas um símbolo de desespero, mas também de
transformação. Percebeu que, assim como a natureza, sua vida também passaria
por fases, com momentos de sol e momentos de chuva. E que não deveria temer
esses momentos difíceis, pois eram eles que o moldavam, que lhe ensinavam a ser
forte e resiliente.
Ao voltar para casa, Matheus sentiu-se leve. Ele sabia que
o caminho à sua frente ainda seria repleto de desafios, mas estava determinado
a enfrentá-los de cabeça erguida. A trovoada daquela tarde se tornara um marco
em sua jornada, um lembrete de que o crescimento muitas vezes vem das
experiências mais difíceis.
A vida, assim como o tempo, é cheia de surpresas. Não
devemos temer a jornada, mesmo quando o céu estiver cinzento, pois às vezes a
trovoada faz parte do ensinamento. E são essas tempestades que nos preparam
para os dias ensolarados, nos ensinando a valorizar cada raio de sol que brilha
em nossas vidas.





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