quarta-feira, 21 de outubro de 2026

TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


Segue uma estrada florida

quem, na verdade, tiver

a glória de ter, na vida,

um coração de Mulher!


"Nos golpes frios do vento"

nem sempre há só desventura,

que, às vezes, o sofrimento

traz mais vida à criatura.


No mundo do desamor

ao poeta, nada importa,

se na saudade e na dor

a inspiração o conforta.


Levanto, de madrugada,

cheio de sonhos e medos,

e nessa noite encantada

ouço todos teus segredos.


(LIVRO "SONETOS & TROVAS")




O CRISTÃO E AS ELEIÇÕES 2026 - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 


O CRISTÃO E AS ELEIÇÕES 2026

 

O cenário político atual do Brasil apresenta-se muito nebuloso e obscuro. Grande parte da política e dos políticos do Brasil estão contaminados. Portanto, prezado eleitor, seja responsável. Ao escolher o lado certo você está ajudando o Brasil no trabalho de reparação dos desvios.

 

          No dia 25 de outubro de 2026, vamos eleger o presidente que vai administrar o Brasil nos próximos 4 anos. A democracia nos dá o direito de escolha, mas exige honestidade por parte de cada eleitor. Significa que temos grande responsabilidade no que poderá acontecer neste país. Escolher e votar num candidato não é como torcer por um time de futebol.

          O cristão é inteligente, é responsável e sabe discernir as coisas, mesmo neste tempo de política muito polarizada. Vamos ter cuidado para não votar em candidato que desrespeita as liberdades fundamentais dos seres humanos. Adotar uma posição neutra não convém. Esteja em oração sincera nestes dias que antecedem ao 2º turno das eleições. Peça a Deus sabedoria para não cair em falsas promessas e propostas enganosas. Não caia em ideologia (sistemas de ideias) bonitas, porém enganosas. Cuidado com ideias mirabolantes.

          Se você pensa em votar em um candidato, mas já ouviu o nome dele em atos de corrupção, fuja desse nome (mesmo que seja o nome de pastor ou líder religioso). Lembre-se de que o dinheiro público pertence ao povo e não pode ser desviado dos objetivos, transferido e nem gasto ao bel prazer dos políticos. O dinheiro público (que todos pagam por meio dos impostos) deve ser aplicado nas áreas da saúde, da educação, melhorar as rodovias, socorrer em casos de enchentes, secas prolongadas etc.  Seja um defensor pelo direito de nascer, pois o ser humano foi criado por Deus. Defenda a liberdade religiosa, defenda o respeito às pessoas, às empresas e a outras instituições.

           A nossa fé e conduta cristã não se limita ao ambiente religioso, temos responsabilidade também diante das urnas. Vamos exercer o nosso direito de cidadania com a sabedoria que nos é concedida por Deus através do Espírito Santo. Para o crente, responsabilidade moral e temor a Deus são condições inegociáveis.

          Por último, vale reforçar o alerta: Vamos votar em candidato honesto e comprometido com a verdade, pois isso pode ser considerado como um canal para melhorar a vida das famílias, para que o Brasil seja um país próspero, com justiça e respeito a todos.

           Lembre-se do que está escrito em Prov. capítulo 29 e versículo 2, que diz o seguinte: “Quando o justo governa, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme”.

 

                                


  Saul Ribeiro dos Santos

  Contador e economista aposentado

  Natural de Ipupiara – BA.

  saul.ribeiro1945@gmail.com

 

 


terça-feira, 20 de outubro de 2026

O POETA - FILEMON MARTINS

 




                 O POETA

 

          Ele é o intérprete do povo. Amante do alvorecer, do pôr do sol, da canção da brisa, do cantar dos pássaros e do murmúrio das cascatas. Paladino do amor e da verdade. Um sonhador, como dizem alguns.

          Escreve porque tem necessidade. Não pode parar de escrever, e se o fizesse, certamente morreria. Faz parte da alma do povo. Vive e sofre com o povo. Canta as alegrias e tristezas do seu povo, seus sentimentos, suas esperanças, suas angústias, emoções, sonhos e desventuras, chorando com os que choram e sorrindo com os mais felizes e venturosos na esperança de um mundo melhor, mais justo, mais feliz e mais humano.

          Ninguém melhor que ele para sentir o desespero da humanidade, que sofre com o peso da injustiça, do desprezo e da exploração dos simples e desvalidos. Não emudece ante as ameaças dos que, levados pela obsessão do poder, pela inveja e pelo egoísmo fazem calar à força os que denunciam a opressão, a corrupção e o erro.

          A poesia é sua companheira inseparável e confidente, através dela consegue ver em rostos alegres, corações que derramam lágrimas de saudade e mágoa. Saudade de tudo: O que passou, o que não vem, o que há de vir. Mágoa, por um sonho desfeito diante da realidade adversa.

          O poeta nasce, disse alguém, mas não morre. Porque seu verso é eterno. Assim, talvez o mundo fosse mais alegre e solidário, se houvesse mais tempo para a poesia.

          Porque quando tudo parece estar perdido, quando a descrença invade nossos corações, ele, uma vez mais, vê surgir em meio às trevas do medo, do esquecimento e do abandono, um raio de luz e de esperança, como se fora um farol a guiar um viajor perdido na amplidão do mar.

          Que nunca te cales, poeta, e que continues a despertar corações insensíveis e consciências cauterizadas, “porque se te calares, as pedras clamarão”. (S. Lucas 19:40).

 

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta


TROVAS PARA O DIA DO POETA - OLIVALDO JÚNIOR

 






TROVAS PARA O DIA DO POETA
 20 de outubro

Olivaldo Júnior


Todo mundo acelerado,
com a mente tão confusa,
e o poeta ali sentado,
à mercê de sua musa...


Cada estrela matutina,
decadente, sem fulgor,
ao poeta, é vã menina
que sucumbe à própria dor...


O poeta está doente,
sem vontade de viver...
Mas um verso, de repente,
faz o pobre renascer!...


Renascido da ilusão,
o poeta se constrói;
das estrofes, tira o pão
cujo tempo não corrói...


Pelas letras - uma a uma,
o poeta forma o verso;
logo, logo, após a bruma,
vê brotar seu universo.


Sou poeta, meu amor,
faço versos cada instante;
como fosse beija-flor,
beijo a flor do amor faltante.


Ao morrer, serei poeta
bem maior que fui em vida,
dando à rima luz completa,
na obscura despedida.


Mogi Guaçu, São Paulo, 16 de outubro de 2018.

MUDANÇA, A ÚNICA SAÍDA - FILEMON MARTINS


 



         MUDANÇA, A ÚNICA SAÍDA.

           

                                                      

          Tempos atrás, acompanhei uma reportagem, onde a televisão mostrava um empresário jovem e rico, tentando convencer a prefeita da cidade de Rosana, no interior de São Paulo, a participar dos seus negócios. A certa altura do diálogo, a prefeita perguntou qual o valor da propina paga aos vereadores do Município, que já participam do esquema, ao que ele respondeu: “não se fala de propina, nunca se diz propina, a gente fala de parceria, a gente firma uma parceria comercial e aí você recebe R$ 3,4,5,10,20 mil, não sei de quanto você precisa, depende”.

          A prefeita gravou tudo e o caso foi para o Ministério Público. O empresário, segundo a notícia, estava foragido. Não sei o desfecho do caso.

       Em Brasília também é comum estas parcerias entre o governo e alguns empresários. Não se sabe onde está o maior cinismo, se no governo, que adia votações e parte para a compra de votos ou se, entre os políticos, deputados e senadores que atrás de verbas, cargos e vantagens pessoais, vendem seus votos.

          Lá, igualmente, não se fala em propina, compra de votos. Esse verdadeiro balcão de negócios, que funciona descaradamente é feito através da chamada Parceria Comercial Política, sem nenhum constrangimento pelos políticos brasileiros.

          O Presidente, não obstante sua conhecida habilidade, já provou ser avesso a problemas e em seus discursos inflamados, acaba proferindo inúmeras bravatas para enganar os desinformados e cabeças menos esclarecidas. E no Brasil, diga-se a verdade, eles formam uma legião, como convém aos poderosos.

          Necessitamos, com urgência, de uma Reforma Interior em cada ser humano. Reformas superficiais não resolvem os problemas. São valores morais, éticos, educativos e religiosos que poderão nos resgatar de tantas peripécias que aumentam a desigualdade no Brasil.

          Daí, que precisamos, com mais urgência ainda, de uma mudança no comando do país. Há muitos vícios que devem ser debelados, cortados pela raiz, para surtir bons efeitos na administração pública federal. A dívida brasileira, segundo dados oficiais, está quase impagável, decorrente dos gastos desenfreados e supérfluos do atual presidente. Sem mudança, nada se fará.

          Só com a mudança será possível a retomada de desenvolvimento no país. Certos de que a partir desta mudança, teremos menos violência, crimes, roubos, desordem e mentiras. Que os novos políticos no Congresso e no Senado Federal entendam, de uma vez por todas, que a coisa pública deve ser tratada como bem da coletividade e não para aumentar o patrimônio pessoal de quem detém o poder.

          Assim, cremos nós, teremos um Brasil mais justo, mais igual, mais humano, mais feliz, onde todos possam trabalhar em paz e viver com dignidade.

É o que desejamos para o Brasil!

 


 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta


segunda-feira, 19 de outubro de 2026

TROVAS DOCE ACONCHEGO DAS TROVAS - ORG. DE JOSÉ FELDMAN

 




TROVAS DOCE ACONCHEGO DAS TROVAS Nº 5, ORG. DE JOSÉ FELDMAN

 

Enquanto a rede balança,

tenho um pensamento louco:

eu deixei de ser criança

mas ainda sou um pouco…

Janske Niemann Schlenker - Curitiba/PR

 

Eu sou mesmo a calmaria.

Eu sou mesmo a tempestade:

feliz na tua alegria,

tempestuosa na saudade...

Jaqueline Machado - Cachoeira do Sul/RS

 

O vivente caminheiro,

se palmilha senda escura,

na esperança tem luzeiro

que no coração fulgura.

Jérson Brito - Porto Velho/RO

 

Não adormeças teus sonhos,

não os esqueças, jamais;

os dias são mais risonhos

pra aqueles que sonham mais.

Jessé Nascimento - Angra dos Reis/RJ 

domingo, 18 de outubro de 2026

HISTÓRIA SEM FINAL - JOSÉ ANTONIO JACOB

 




HISTÓRIA SEM FINAL

José Antonio Jacob (Juiz de Fora-MG)




Abro o caderno onde escrevi outrora
As minhas ilusões de amor e rima
E o que esses versos me dirão agora
Se já não tenho crença e nem estima?

Procuro uma palavra que me exprima
Um pensamento bom, que não se aflora,
E quando a luz da ideia se aproxima
A sombra da esperança vai embora.

Meus frágeis versos, vítimas de mim,
Leguei-lhes toda herança do meu mal
Em pobres frases vãs e inacabadas.

Serão eternos por não terem fim
E viverão nas páginas fechadas
Do meu livro de história sem final.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS 464, 

JOSÉ FELDMAN)








TEMPOS AGITADOS E ATÉ CONFUSOS NA POLÍTICA E NA ECONOMIA (PARTE 1) - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS


TEMPOS AGITADOS E ATÉ CONFUSOS NA POLÍTICA E NA ECONOMIA (Parte 1)

 

 

O Brasil passa por dias difíceis. Essa situação é conhecida por todos, desde os consumidores e trabalhadores mais humildes até os políticos e intelectuais desta nação. A situação exige decisões de profissionais sábios sem politicagem para atrapalhar.

 


          O 1° turno das eleições passou sem muitas surpresas, pois era esperada a vitória da direita, porém as posições alcançadas foram além da expectativa. Entretanto, numa ou noutra parte nada mudou.     Agora é preciso aguardar o funcionamento do Congresso Nacional e das Câmaras das Assembleias Legislativas nos Estados.

          Governadores, seja qual for o partido político a que estão filiados, precisam agir com sabedoria, pois as necessidades de cada Estado são muitas, principalmente quando se trata de Estados do Norte e Nordeste.

          Não é tempo de pensar e trabalhar com os pensamentos direcionados para as próximas eleições, as de 2028 e 2030. É tempo, e o tempo é apertado. Portanto é urgente trabalhar em função do desenvolvimento de cada Estado e do Brasil como o ente maior. Cada eleitor será o grande fiscal do Congresso Nacional durante o próximo quadriênio. O eleitor precisa fazer o rastreamento do parlamentar em quem votou.

          O povo percebe que o custo político do Brasil é muito pesado, é muito carregado de benefícios para os que nela atuam. O povo percebe e enxerga quantos projetos importantes são engavetados, colocam uma pedra em cima e vão deixando para depois. Outros projetos não tão importantes são agilizados.    

          Agora, no decorrer desta última semana muito se falou sobre acabar com a escala 6 x 1 e iniciar o que chamam de escala 5 x 2. As propostas não amadureceram. Ainda estão verdes, isto é, está no início, pois este é um assunto que merece amplas e claras discussões. Os trabalhadores legalmente contratados de um lado e do outro a classe dos patrões precisam entender com clareza, pois nem tudo é ganho. Há ilusões nas conversas sobre o assunto. Tudo parece ser feito para favorecer a campanha eleitoral. Há dúvidas quanto à viabilidade na proposta. Na última sexta-feira o plenário do Senado votou e aprovou o fim da escala 6 x 1. Entretanto, de acordo com afirmações de administradores de RH (Recursos Humanos) e economistas, setores de empresas prestadoras de serviços e indústrias de outras áreas precisam de definição em como proceder. Lideranças de algumas áreas da economia mostraram que tudo deveria ser analisado melhor após o segundo turno das eleições presidenciais. Depois de discutido amplamente o projeto seria submetido à votação no Senado.

          E na economia, como está o Brasil? Todo mundo percebe que a taxa de juros está muito alta, como dizem os tomadores de empréstimos, os devedores: a taxa de juros aqui no Brasil foi parar nas nuvens.

(Continua na próx. edição...)

 


 Saul Ribeiro dos Santos

Contador e economista aposentado 

Natural de Ipupiara – BA.   saul.ribeiro1945@gmail.com 

FAXINA URGENTE - FILEMON MARTINS

 




                FAXINA URGENTE

 

          A primeira faxina já ocorreu no 1º turno das eleições brasileiras. Neste intervalo de tempo, o preparo é para a faxina final no Palácio do Planalto. Tudo mudou. O mundo mudou. O Brasil precisa mudar. Houve, diga-se a verdade, muita inversão de valores na sociedade, em razão da ideologia e da má orientação do atual governo.

          O eleitor precisa estar consciente de que votar no atual governo (PT), é ser cúmplice dos desmandos e falcatruas perpetradas pela equipe de Lula. Somente uma miopia cultural impede de perceber que o “antigo” Partido dos Trabalhadores, não existe mais. O que existe é o personagem Lula, como fantoche, e por trás dele há uma turma de corruptos e trapaceiros que assaltaram o poder e estão se locupletando com a exploração dos brasileiros, sejam pobres ou ricos.

          Enquanto isso, o Brasil não cresce, porque o dinheiro de investimentos, pesquisas, saúde, educação e segurança é subtraído e dividido entre os pares.

          Veja, por exemplo, a posição do Brasil, segundo o PROGRAMA INTERNACIONAL DE AVALIAÇÃO DE ESTUDANTES (PISA-2025), divulgado pela OCDE: MATEMÁTICA: 71ª posição, atrás de Chile, México, Costa Rica, Peru e Colômbia.

CIÊNCIAS: 67ª posição, empatado com o Azerbaijão.

LEITURA: 52ª posição, entre 89 países, empatado com México e Albânia. Essa nota ficou dois pontos abaixo da registrada em 2022.

RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS POR MEIO DE FERRAMENTAS COMPUTACIONAIS: 69ª posição.

          Não há como negar que a atual administração precisa mudar. Todavia, sabe-se que os membros deste governo têm um projeto para eles e não para o Brasil. Estamos presenciando a dificuldade que o TSE tem encontrado para inibir notícias falsas, que se espalham pela tv e redes sociais. É de assustar qualquer cidadão brasileiro. Você lê e pensa, “mas isto é falso”, não é verdade, mas eles estão publicando mesmo assim, porque sabem o impacto que pode produzir em pessoas leigas, que acham que “tanto faz”.

          Dia 25 de outubro é o dia propício para completar a faxina no Palácio do Planalto e extirpar de uma vez por todas, o mentiroso, o que vem prometendo há três mandatos (12 anos), sem nada cumprir.

          O eleitor que acordou vai votar e ajudar na limpeza e quem não acordou, paciência, continue dormindo, mas a higienização será feita pelos brasileiros que se prezam.

 


Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia

         

  

         


sábado, 17 de outubro de 2026

COTIDIANO - FILEMON MARTINS

 




                            COTIDIANO


(Sobre a rua São Bento, lembrando o tempo em que trabalhei no Tribunal Regional Federal da 3ª Região)

                                                    


          Amanheci em estado de graça. O dia estava claro, maravilhoso e convidativo. Queria sair por aí pensando a esmo. Mas tinha que ir trabalhar. Saí num corre-corre, como, aliás, faço todos os dias. Antes de chegar à Repartição, precisava quitar uma prestação num magazine da cidade. Rua São Bento, Centro de São Paulo. Dez horas da manhã. O burburinho era enorme. Gente que vai, gente que vem. Rostos alegres, tristes e estranhos se confundiam na multidão.

          Ando apressado. No bolso, uma pequena carteira com alguns trocados e fichas de telefone. Mesmo com pressa, observo o semblante das pessoas que passam: alguns preocupados, carrancudos e outros, leves e descontraídos.

          Meus pés me levam à frente. Os camelôs tomam conta do calçadão da rua com suas quinquilharias. As lojas oferecem seus produtos. Vitrinas enfeitadas deslumbram os clientes. Passo pelo magazine e pago a prestação. Estou de volta. Agora rumo ao trabalho.

          De repente, por trás de mim, sinto um empurrão e alguém enfia a mão no meu bolso. Num relâmpago rasga a minha calça e leva meus trocados. Vi apenas que era um garoto. E o larápio rapidamente desapareceu na multidão. Alguns papéis se espalharam pelo chão.

          Recuperei-me do susto e recolhi minhas anotações. E prossegui pensando naquele garoto. Na vida miserável que leva ali na rua. E continuei pensando nele. E quantos estão assim perdidos? Abandonados pelos descaminhos da vida. Pela família. Pela sociedade. Pelo desgoverno do próprio governo.

          Mas o trabalho me espera. Por que será assim? Deixo minhas reflexões para depois. Esqueço, por alguns instantes, meus pensamentos. E chego ao Tribunal. Para mais um dia de trabalho. Rua São Francisco, onde o Precatório me espera, diga-se, com muito trabalho.



Obs.: Depois, o Tribunal Regional Federal mudou de endereço: Av. Paulista, 1842, mas eu continuei trabalhando na Divisão de Precatórios, Feitos da Presidência, onde me aposentei.

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia.

 

 

 


MEU GRITO DE APOSENTADO! - SILVINO NETTO

 




MEU GRITO DE APOSENTADO!
(Silvino Netto, em seu grito indignado em prol dos colegas aposentados! 17.10.26.)
 
De saída, por favor, não venha me dizer
Que sou deste ou daquele partido,
Que não tenho o que fazer,
Que sou aposentado privilegiado
Ou que sou um velho recalcado!
Sou brasileiro, cidadão indignado!
Ofereço meu grito aos aposentados,
Meus colegas vitimizados, aviltados,
Assaltados, vilipendiados, roubados...
Depois de uma vida inteira trabalhando,
Contribuindo, produzindo, sonhando,
É justo viver preocupado, economizando,
Seu dim-dim dia a dia contado e faltando
E por outro lado corruptos, em orgias,
Em vergonhosas farras, patifarias,
Comendo, regalados, nossas aposentadorias?  
Não, não foi isto que nos foi prometido,
Não foi isto sonhado pelo aposentado!
Sinto-me cidadão enganado e indignado!
E quem responde pelo que nos é tirado?
A quem recorrer ao sentir-se injustiçado?
Viver mais deveria ser bênção, unção,
Não decepção, prolongada aflição!
A expectativa de vida está crescendo!
Mas será que vale continuar assim vivendo
Se o custo de vida a cada dia vai subindo,
E a aposentadoria, ó, sumindo, sumindo...?
Aposentado não pode ser descartado!
Não é peso-pesado para ser carregado!
É patrimônio vivo, acumulado, da nação,
De experiência, referente contribuição!
É parte viva de nossa história,
Patrimônio, inapagável memória!
Ou será, para não ser mais apenado,
Melhor seria sepultar o aposentado?
NÃO! NÃO! E NÃO!
O APOSENTADO TEM DIREITO DE VIVER!
Não quer uma cova antecipada!
Quer respeito ao envelhecer!
Quer velhice valorizada, honrada,
Com justiça, dignidade assegurada!
Meu grito não pede privilégios!
Nem falsos políticos elogios.
É um clamor por justiça adquirida!
Não queremos apenas sobreviver,
MAS O DIREITO DE BEM VIVER!
OUÇAM MEU GRITO, BRASILEIROS!
Que nos ouçam também os políticos,
Por nossos votos honrados, escolhidos.
É um clamor pelo direito dos aposentados!
Pois quem construiu esta nação
Não merece terminar em vil humilhação!
Enfim, meu grito é um apelo CIDADÃO!
NÃO QUERO SER APENADO!
NÃO QUERO SER ASSALTADO!
NÃO QUERO SER DESCARTADO!
QUERO O DIREITO DE SER RESPEITADO!
E se você aposentado concorda comigo também,
GRITEMOS BEM ALTO: AMÉM, AMÉM E AMÉM!

 

 

Endereço eletrônico do poeta:
poenetto@gmail.com


sexta-feira, 16 de outubro de 2026

ETERNA FORTALEZA - GERALDO PERES GENEROSO

 




ETERNA FORTALEZA

Geraldo Peres Generoso

 

Senhor,

Mesmo tendo ciência

De que a suficiência

Da Tua graça,

E Teu amor que jamais passa

Está agora sobre mim,

Ainda assim,

Às vezes vacilo

Ante o inútil temor

De um vírus ou bacilo

Que a esta minha vida

Possam dar um fim.

 

Às vezes, pela senda,

Sigo confiante em Tuas promessas

E delas me relembro uma por uma:

Que em minha tenda

Não chegará jamais praga alguma,

E deterás a seta venenosa

Livrando-me da contenda

E da peste perniciosa.

 

Mas, na minha fraqueza,

Quantas vezes hesito

Em viver em mim a Tua natureza

De poder infinito

E sentir neste pó a Tua grandeza

E me faço de Teu lar simples proscrito,

A lançar a Teus céus o meu grito

Esquecido de que és a minha fortaleza!

 

Senhor

Que eu possa ver a Tua realidade,

Sentir na alma a luz da Tua verdade

E em meu coração o Vosso eterno amor

Que vem e vai de eternidade a eternidade!

Que em lugar desse inútil clamor

Possa sempre te levar o meu louvor

Como exemplo de fé e caridade.