sexta-feira, 10 de abril de 2026

A BATALHA SILENCIOSA - JOSÉ FELDMAN

 




A BATALHA SILENCIOSA

José Feldman


TROVA DE ANGÉLICA VILELLA SANTOS


Com tudo desmoronando

na batalha pela vida,

fica a Esperança, amparando

nossa força esmorecida.



Na cidade de Esperança, onde a vida pulsava em um ritmo frenético, as pessoas costumavam se perder na correria do cotidiano. Ruas movimentadas, lojas sempre abertas e uma atmosfera de pressa permeavam o ar. No entanto, por trás dessa fachada vibrante, muitos enfrentavam batalhas silenciosas, lutando contra as adversidades que a vida impunha. Era um lugar onde as histórias de superação se entrelaçavam com as de desilusão, e, em meio a tudo isso, a esperança se destacava como um farol.

Entre os moradores, havia Miriam, uma mulher de espírito forte, mas que, nos últimos tempos, se sentia cada vez mais sobrecarregada. Mãe de duas crianças, ela trabalhava em um emprego que mal pagava as contas, e a pressão financeira parecia desmoronar seu mundo. As noites eram longas, repletas de insônia e preocupações, enquanto ela se perguntava como conseguiria dar um futuro melhor aos filhos. A batalha pela vida, que antes parecia uma luta normal, agora se tornara um peso insuportável.

Certa manhã, enquanto caminhava para o trabalho, passou por um parque que costumava visitar com as crianças. O local, embora simples, sempre tinha um charme especial, e as risadas dos pequenos ecoavam em sua memória. Mas, naquela manhã, o parque parecia desolado. As flores estavam murchas, e os bancos estavam vazios. Miriam se sentou em um deles, permitindo que a tristeza a envolvesse por um momento. O que havia acontecido com a alegria que antes florescia ali?

Enquanto refletia, um velho senhor se aproximou. Ele tinha um olhar gentil e um sorriso acolhedor. Sentou-se ao seu lado e, percebendo sua aflição, perguntou: “O que pesa em seu coração, minha jovem?” 

Ela hesitou, mas, em meio à conversa, acabou por desabafar. Contou-lhe sobre suas lutas, suas inseguranças e o medo de não ser capaz de proporcionar um futuro digno para seus filhos.

O velho ouviu atentamente, e quando ela terminou, ele disse: “Com tudo desmoronando na batalha pela vida, é normal sentir-se esmorecida. Mas lembre-se: a esperança é uma força que nos ampara nos momentos de fraqueza.” As palavras dele ressoaram dentro dela. Ele continuou: “A esperança não é uma promessa de que tudo ficará bem, mas uma luz que brilha na escuridão, lembrando-nos de que ainda há caminhos a serem trilhados.”

Inspirada pelas palavras do senhor, ela decidiu que não poderia deixar que a tristeza a dominasse. No dia seguinte, começou a buscar alternativas para mudar sua situação. Inscreveu-se em cursos gratuitos oferecidos pela comunidade, focando em habilidades que poderiam ajudá-la a conseguir um emprego melhor. A cada nova aula, sentia um pouco mais de esperança brotar dentro de si.

Com o tempo, percebeu que a luta não era apenas dela; muitos ao seu redor enfrentavam desafios semelhantes. Ela começou a formar uma rede de apoio com outras mães do bairro, compartilhando experiências e criando um espaço de acolhimento. Juntas, organizavam eventos para levantar fundos e ajudar umas às outras, transformando a dor em força coletiva. A solidariedade entre elas se tornava uma fonte de esperança renovada.

As noites de insônia ainda existiam, mas agora eram acompanhadas de planos e sonhos. Miriam escrevia em um diário, registrando suas vitórias e desafios, e a escrita se tornou um refúgio. Ela encontrou na palavra escrita uma forma de expressar suas emoções e, ao mesmo tempo, uma maneira de inspirar outras mulheres a não desistirem de seus sonhos.

Eventualmente, após meses de esforço e perseverança, conseguiu um novo emprego, que lhe proporcionava não apenas um salário melhor, mas também a possibilidade de crescimento. A cada conquista, sentia que a esperança que antes parecia distante agora pulsava intensamente dentro dela.

Certa tarde, ao voltar para casa, passou novamente pelo parque. As flores estavam começando a brotar, e as risadas das crianças ecoavam pelo ar. Sentou-se em um banco e sorriu, lembrando-se do velho senhor e de suas palavras. A batalha pela vida nunca seria fácil, mas a esperança sempre a acompanharia, amparando sua força esmorecida.

Com o tempo, Miriam se tornou uma defensora da força feminina em sua comunidade. Ela percebeu que, embora as lutas fossem inevitáveis, a maneira como escolhemos enfrentá-las pode transformar não apenas nossas vidas, mas também a vida de muitos ao nosso redor.

E assim, a história dela se espalhou, inspirando outras mulheres a lutarem por seus sonhos, a não temerem as tempestades e a buscarem a luz da esperança. Pois, por mais que tudo desmorone, a verdadeira força reside na capacidade de nos reerguer e lutar, sabendo que a esperança é a chama que nunca se apaga, mesmo nas noites mais escuras.


TROVAS CHUVAS DE VERSOS, 358

 




TROVAS CHUVAS DE VERSOS, 358

 

Nos mistérios deste outono,

as folhas caindo ao chão,

tecem colchas de abandono

que envolvem minha ilusão!

Sônia Maria Ditzel Martelo

 

Vejo em frente, ali na praça,

só lixo, trapos e panos;

e, para a minha desgraça,

no meio - seres humanos!

Selma Patti Spinelli

 

No grande palco da vida

os artistas, somos nós,

que depois de tanta lida

sempre ficamos a sós!

Sophia Irene Rodrigues Canalles

(1911 – 2004)

  

Escolha o lugar que ocupa,

pensando nesta lição:

- quem cavalga na garupa,

não tem as rédeas na mão!

Sebas Sundfeld

 

(FONTE:CHUVA DE VERSOS 358, JOSÉ FELDMAN)

UM PROBLEMA INUSITADO - FILEMON MARTINS

 




UM PROBLEMA INUSITADO

Filemon Martins


 

O assinante ligou e disse: - ¨não recebi meu jornal hoje¨.

No dia seguinte a mesma coisa e acrescentou: - ¨não recebi meu café da manhã¨. É que naquela época o cidadão não saía de casa sem antes ler o jornal. Era o seu café da manhã. A reclamação, como sempre, era encaminhada para o Departamento de assinaturas que providenciava outro exemplar do jornal e também averiguava o que tinha ocorrido.

Mas aquele assinante estava sempre reclamando que não havia recebido o jornal. O entregador jurava que o jornal havia sido entregue. Assim fomos arengando com o assinante por muito tempo, mas o cliente, como em todo negócio, sempre tem razão.

Quando chegou a época das chuvas, esse mesmo assinante percebeu que sua casa vazava água por todos os lados. Ficou tudo encharcado. Contratou, então, um pedreiro para consertar o que havia de errado. Depois de subir no telhado, o homem chama o dono da casa e diz: - ¨sua calha está entupida de jornais, alguns já viraram sopa e escorreu entupindo outras calhas¨. Só então o dono da casa entendeu porque ele deixou de receber tantos exemplares da Folha de S. Paulo. E o entregador, ao ser inquirido, confessou que na pressa, passava de moto e arremessava o jornal por cima do muro, e com tanta força que o jornal caía no telhado da casa. Foi assim que a casa do assinante virou uma peneira. 

¨A pressa é a inimiga da perfeição¨.

 

UMA LIÇÃO DO TAVARES DE MIRANDA - FILEMON MARTINS

 



UMA LIÇÃO DO TAVARES DE MIRANDA

Filemon Martins

 

Quando cheguei para trabalhar naquele dia no prédio da Al. Barão de Limeira, 425 – Campos Elíseos, já havia algumas pessoas na fila do elevador. Depois chegaram outros funcionários, inclusive o colunista social Tavares de Miranda. De repente, foi entrando um rapaz e saracoteando se postou à frente de todos nós. Na época, o prédio da Folha de São Paulo tinha dois elevadores. Tavares de Miranda ficou observando o moço, depois se encaminhou até o rapaz e perguntou onde ele ia e o moço respondeu: - ¨no 6º andar¨. Tavares, então, o pegou pelo braço e veio passando por nós e dizendo: - ¨veja, todas estas pessoas estão aguardando o elevador e como você chegou agora, o seu lugar é aqui¨ e o colocou no final da fila. E lentamente voltou para o seu lugar na fila. Não sei se o rapaz aprendeu a lição, mas a verdade é que o saudoso Tavares de Miranda não deixava passar em branco nada. ¨Errar é humano, permanecer no erro é burrice¨. É uma questão de ordem... Mas, hoje quanta gente continua errando por burrice mesmo ou por algum interesse escuso...

A ALMA SENTIDA - JOSÉ FELDMAN

 



A ALMA SENTIDA

José Feldman


TROVA DE ADOLFO MACEDO


Tenho minha alma sentida,

vivo sempre amargurado.

- Minha vida não tem vida,

sem tua vida ao meu lado!



Na cidade de Luz do Sol, onde os dias costumavam ser banhados por uma luz dourada, havia um jovem chamado Lucas. Ele era conhecido por sua sensibilidade e pela profundidade de seus sentimentos. No entanto, por trás de seu sorriso tímido, escondia-se uma alma sentida, marcada pela ausência de um amor que havia se tornado sua razão de viver.

Lucas se apaixonou por Ana na adolescência. Seus olhos brilhavam como estrelas em uma noite clara, e seu riso era como música para os ouvidos dele. Juntos, eles compartilhavam sonhos, segredos e promessas de um futuro repleto de felicidade. Mas a vida, com suas reviravoltas inesperadas, trouxe uma separação que deixou Lucas em um estado de amargura. Ana decidiu seguir seus próprios caminhos em busca de novos horizontes, enquanto Lucas ficou preso em um ciclo de saudade e solidão.

Os meses se passaram, mas a dor da ausência de Ana não diminuía. Lucas caminhava pelas ruas de Luz do Sol, observando os casais felizes e os sorrisos que o cercavam, sentindo-se cada vez mais isolado. 

“Minha vida não tem vida”, pensava, enquanto sua alma clamava por um pouco da alegria que havia perdido. O vazio que ele sentia era tão palpável que parecia acompanhar cada passo que dava.

Certa tarde, enquanto se sentava em um café à beira da praça, avistou um grupo de amigos rindo e conversando. Ele tentou se envolver, mas a conversa parecia distante, como se ele estivesse assistindo a um filme que não fazia parte. 

O garçom, percebendo sua tristeza, se aproximou e disse: “Às vezes, é preciso abrir o coração para que as coisas mudem. A vida é cheia de surpresas.” 

Mas Lucas apenas sorriu fraco, sem saber como lidar com suas emoções.

Naquele dia, ao voltar para casa, ele decidiu que precisava expressar o que sentia. Pegou seu caderno e começou a escrever. As palavras fluíam como um rio desaguando suas mágoas e esperanças. “Tenho minha alma sentida, vivo sempre amargurado”, anotou, cada frase revelando a profundidade de sua dor. Era como se, ao colocar as emoções no papel, ele pudesse torná-las mais leves, mais fáceis de carregar.

Nos dias que se seguiram, continuou a escrever. Seus poemas tornaram-se um refúgio, uma forma de lidar com a ausência de Ana. Ele escrevia sobre os momentos que viveram juntos, sobre o amor que ainda pulsava dentro dele e sobre a vida que parecia estar em pausa. “Sem tua vida ao meu lado”, lamentava, enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. A escrita proporcionava um alívio temporário, mas a solidão ainda o envolvia como um manto pesado.

Um dia, enquanto participava de um sarau local, decidiu compartilhar um de seus poemas. Nervoso, subiu ao palco e leu em voz alta as palavras que tão sinceramente havia escrito. Ao terminar, um silêncio pairou sobre a sala, seguido por um aplauso tímido. No entanto, algo mágico aconteceu: entre a multidão, uma jovem chamada Beatriz se destacou. Ela estava tão tocada por suas palavras que se aproximou após a apresentação e o parabenizou. “Você tem um dom incrível”, disse, com um sorriso que iluminou seu rosto.

Nos dias seguintes, Lucas e Beatriz começaram a se encontrar. Ela se tornou uma amiga especial, alguém que compreendia a dor dele e o incentivava a olhar para o futuro. Conversas longas, risadas e momentos de cumplicidade começaram a preencher o vazio que Ana deixara. Ele percebeu que, embora ainda amasse Ana, havia espaço em seu coração para novas experiências. Beatriz não era uma substituta; ela era uma nova possibilidade, uma luz que começava a brilhar em sua vida.

Com o tempo, começou a se abrir para a ideia de amar novamente. 

Ele ainda escrevia, mas agora suas poesias refletiam uma nova perspectiva. A dor não desapareceu, mas transformou-se em um combustível para criar algo belo. Ele começou a escrever sobre a esperança, sobre a possibilidade de recomeços e sobre a beleza de se permitir sentir novamente. 

“Minha vida começa a ter vida, com tua vida ao meu lado”, ele escreveu em um verso, sentindo a alegria de novas conexões.

Certa noite, enquanto caminhavam juntos sob as estrelas, Lucas olhou para Beatriz e sentiu uma onda de gratidão. Ele percebeu que a vida é feita de ciclos e que o amor, mesmo quando perdido, pode renascer de maneiras inesperadas. A presença de Beatriz era um lembrete de que, mesmo em meio à dor, a vida continua e que novas histórias podem ser escritas.

E assim, Lucas aprendeu que o amor verdadeiro não se apaga, mas se transforma. Ele compreendeu que a alma sentida não é um sinal de fraqueza, mas uma prova de que é capaz de amar profundamente. Pois, mesmo quando a vida parece amarga, a esperança pode nos guiar, mostrando que, com o tempo, podemos encontrar novos caminhos e redescobrir a alegria de viver.

 

 

 

           

 


TROVAS DO ACONCHEGO Nº 4, ORG. DE JOSÉ FELDMAN

 




TROVAS DO ACONCHEGO Nº 4, ORG. DE JOSÉ FELDMAN

 

Quando angústias me consomem

esta crença em mim revive:

Nem só de pão vive o homem,

- de ilusões também se vive.

Benedito Rodrigues Aranha

Pirassununga/SP, 1892 - São Paulo/SP

 

 Eu venho de longes bandas

e trago em chagas os pés,

mas digas tu com quem andas

que eu te direi quem tu és...

Bernardo Guimarães Filho

Belo Horizonte/MG

 

 A grande, a maior vitória

que até hoje consegui,

foi remover da memória

as batalhas que perdi.

Carolina Ramos

Santos/SP

 

 Um anjo veio e deu vida

ao peito de amores nu:

Minha alma agora remida,

adora o anjo — que és tu!

Casimiro de Abreu

Barra de São João/RJ, 1839 – 1860, Nova Friburgo/RJ 

FELICIDADE - FILEMON MARTINS

 




FELICIDADE

Filemon Martins


 Ser feliz é nutrir uma esperança

de construir, na vida, um doce lar

repleto de ventura e segurança

que faz, alegre, o coração cantar.

 

É perseguir um tempo de bonança

com este amor de luz tão singular.

Amor que crê em tudo e não se cansa

de acreditar, sentir, viver, lutar...

 

Felicidade: um sonho conquistado,

a vida construída com cuidado

acenando um futuro promissor!

 

É confiar em Deus e ter juízo,

é antegozar, na terra, um paraíso,

- ser feliz é doar-se por amor!

HORAS MORTAS - ALBERTO DE OLIVEIRA

 




                     HORAS MORTAS

Alberto de Oliveira


 

Breve momento, após comprido dia

De incômodos, de penas, de cansaço,

Inda o corpo a sentir quebrado e lasso,

Posso a ti me entregar, doce Poesia!

 

Desta janela aberta à luz tardia

Do luar em cheio a clarear o espaço,

Vejo-te vir, ouço o leve passo

Na transparência azul da noite fria.

 

Chegas. O ósculo teu me vivifica.

Mas é tão tarde! Rápido flutuas,

Tornando logo à etérea imensidade;

 

E na mesa a que escrevo apenas fica,

Sobre o papel – rastro das asas tuas –

Um verso, um pensamento, uma saudade.

 

( GRANDES SONETOS DA NOSSA LÍNGUA, PÁGINA 81)

quinta-feira, 9 de abril de 2026

TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON

(LEMBRANDO A IMPIEDOSA PANDEMIA – COVID-19)

 

Coronavírus – malvado,

quer dominar toda a Terra.

Deixa o povo acorrentado

morrendo sem fazer guerra.

 

Coronavírus – que queres?

Destruir todo o Universo?

- Os desvalidos preferes

com teu instinto perverso.

 

Coronavírus – astuto,

rico e pobre já matou.

O Brasil está de luto,

porque tudo se acabou.


TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

 



TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA


Morre a semente e estou rindo

com a cena sem igual:

Da morte a vida vem vindo

sob forma vegetal.


Foi minha mãe o meu templo

caro e sagrado. Isto posto,

o espelho do seu exemplo

reflete do filho o rosto.


Ninguém a Jesus resiste,

Ele é passado e porvir,

Ele faz quem estava triste

abrir a boca e sorrir.


Já é muito o que recebo

nesta vida transitória;

tenho sede e sei que bebo,

sem letras, eu faço história.


(LIVRO "28 SONS" - 1998)

TROVAS BRASILEIRAS

 



TROVAS BRASILEIRAS


Essa que afasta os abrolhos

de minha existência louca,

carrega a noite nos olhos

e a madrugada na boca.

ALCEU WAMOSY


Quem ama parece louco,

leva uma vida enganosa,

é como eu, que inda há pouco,

disse - Bom dia! a uma rosa.

MARTINS FONTES


Por esses campos azuis,

ó lua do meu sertão,

tu és um pente de luz

nas tranças da escuridão!

FÉLIX AIRES


Saudade, palavra doce,

que traduz tanto amargor!

Saudade é como se fosse

espinho cheirando a flor.

BASTOS TIGRE


(LIVRO "TROVAS PARA REFLETIR", MARIA THEREZA CAVALHEIRO - 2009)

quarta-feira, 8 de abril de 2026

SONETO - MACIEL MONTEIRO

 




SONETO

Maciel Monteiro


Formosa, qual pincel em tela fina

Debuxar jamais pôde ou nunca ousara;

Formosa, qual jamais desabrochara

Na primavera a rosa purpurina;


Formosa, qual se a própria mão divina

Lhe alinhara o contorno e a forma rara;

Formosa, qual jamais no céu brilhara

Astro gentil, estrela peregrina.


Formosa, qual se a natureza e a arte,

Dando as mãos em seus dons, em seus lavores,

Jamais soube imitar no todo ou parte;


Mulher celeste, oh! anjo de primores!

Quem pode ver-te, sem querer amar-te?

Quem pode amar-te, sem morrer de amores?!



(LIVRO "GRANDES SONETOS DA NOSSA LÍNGUA", PÁGINA 93) 

TROVAS BRASILEIRAS

 




TROVAS BRASILEIRAS


Eu vi minha mãe rezando

aos pés da Virgem Maria...

Era uma Santa escutando

o que outra santa dizia.

BARRETO COUTINHO


Sou como a cana no engenho!

- Quem dera que assim fosse!

Quanto mais dores eu tenho

o meu cantar sai mais doce!

LUIZ OTÁVIO


Sempre em lágrimas, tristonhos,

são os olhos das rendeiras

que, a tecer rendas de sonhos,

envelheceram solteiras.

CESÍDIO AMBROGI


Neste mundo passageiro,

considera, meu irmão:

a cinza do corpo inteiro

cabe na palma da mão.

ANTONIETA BORGES ALVES



(LIVRO "TROVAS PARA REFLETIR", DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO)