(DA ESQUERDA PARA A DIREITA, CELENE, EU E NINA MARTINS)
(DA ESQUERDA PARA A DIREITA, CELENE, EU E NINA MARTINS)
(FOTO DE KEISE JINKINGS MARTINS, EM ITANHAÉM)
O SONHO DO POETA
José Feldman
TROVA DE CAROLINA RAMOS
Sofredor desde menino
e tendo o sonho por meta
quis saber qual seu destino
diz-lhe o cigano: - Poeta!
Numa pequena cidade do interior de São Paulo, onde as ruas
de paralelepípedos contavam histórias de tempos passados, havia um menino
chamado Odair. Desde muito jovem, ele se sentia diferente dos outros. Enquanto
seus amigos se divertiam jogando futebol ou brincando na rua, ele passava horas
observando as nuvens, sonhando acordado e escrevendo os sentimentos que
brotavam de sua alma. Era um sonhador, um poeta em formação, mesmo que as
palavras ainda não tivessem encontrado seu lugar nas páginas de um caderno.
Ele cresceu em uma família simples, onde o sofrimento e as
dificuldades eram companheiros constantes. Seu pai, um trabalhador incansável,
lutava para sustentar a família, enquanto sua mãe, sempre otimista, tentava
encontrar a beleza nas pequenas coisas do dia a dia. Desde menino, Odair
aprendeu que a vida era uma jornada repleta de desafios, mas seu coração
pulsava com a esperança de que os sonhos poderiam, um dia, se transformar em
realidade.
Certa manhã, enquanto caminhava pela feira da cidade, viu
um grupo de pessoas reunidas em torno de um homem distinto, vestido com roupas
coloridas e adornos brilhantes. Era um cigano, conhecido por suas previsões e
sabedoria. A curiosidade tomou conta dele, e se aproximou para ouvir o que o
homem tinha a dizer. Os murmúrios da multidão eram cheios de expectativa, e o
cigano parecia ter uma aura mágica que atraía todos a ele.
Quando chegou sua vez, Odair, nervoso, pediu ao cigano que
lhe dissesse qual era seu destino. O homem olhou fundo em seus olhos, como se
estivesse penetrando em sua alma. Após um longo silêncio, ele sorriu e disse:
“Sofredor desde menino e tendo o sonho por meta, quis saber qual seu destino. E
eu lhe digo: Poeta!”
Aquelas palavras ecoaram na mente de Odair como um tambor
distante. Ele não sabia ao certo o que o cigano queria dizer, mas algo dentro
dele se acendeu. O sonho que sempre carregou como um fardo agora se apresentava
como uma identidade. Ser poeta era mais do que escrever; era uma forma de
viver, de transformar o sofrimento em arte. Sentiu que, de alguma forma, aquele
encontro mudaria sua vida para sempre.
Após a feira, ele passou a dedicar-se ainda mais à sua
escrita. Cada dor, cada alegria, cada momento de sua vida se tornava um verso,
uma estrofe, uma canção. Ele escrevia sobre as lutas de sua família, as belezas
do cotidiano, os amores perdidos e as esperanças renovadas. Com o passar do
tempo, suas palavras começaram a ganhar vida própria, como se estivessem
aguardando o momento certo para florescer.
Porém, a jornada do poeta não era fácil. Odair enfrentou a
rejeição de editoras, a crítica de pessoas que não compreendiam sua arte e, por
vezes, até a falta de inspiração. Mas, mesmo nos momentos de desânimo, ele se
lembrava das palavras do cigano. O sonho de ser poeta era sua meta, e ele não
poderia desistir. Assim, continuou a escrever, mesmo quando as palavras
pareciam se esconder nas sombras.
Certa noite, enquanto caminhava à beira do lago que tanto
amava, sentou-se à sombra de uma árvore e refletiu sobre sua vida. Ele olhou
para a superfície da água, que refletia a luz da lua, e sentiu uma onda de
gratidão. As dificuldades que enfrentara o tornaram mais forte, mais sensível
ao mundo ao seu redor. Ele entendeu que a dor e o sofrimento são partes
essenciais da vida, moldando não apenas quem somos, mas também a arte que
criamos.
Com o tempo, começou a compartilhar seus poemas em pequenos
saraus e encontros literários na cidade. As pessoas começaram a reconhecer seu
talento, e suas palavras tocaram os corações de muitos. Aquela conexão que ele
sempre buscava finalmente se concretizava. O sofrimento, que antes parecia um
fardo, agora se transformava em uma ponte que unia almas.
Anos se passaram, e Odair tornou-se um poeta respeitado em
sua comunidade. Com suas publicações e leituras, ele inspirou outros a
encontrar suas vozes e a expressar seus sentimentos. O cigano, com suas
palavras enigmáticas, havia acertado: o destino dele era ser um poeta, e ele
havia cumprido essa missão com coragem e determinação.
Certa tarde, ao receber um prêmio por suas contribuições à
literatura, Odair subiu ao palco e, antes de agradecer, lembrou-se do cigano.
Ele compartilhou com a plateia a mensagem que sempre guiou sua jornada: “Nunca
subestime o poder dos sonhos. Eles podem ser a luz que brilha nas horas mais
escuras. O sofrimento é apenas um capítulo da vida, e o que importa é como
escolhemos contar nossa história.”
E assim, ele se tornou um símbolo de esperança e
inspiração, provando que mesmo as jornadas mais difíceis podem levar a destinos
extraordinários. Que, ao longo de nossa vida, possamos lembrar que, mesmo nas
sombras do sofrimento, os sonhos são a chave para a transformação e a
verdadeira realização.
ITANHAÉM, LITORAL SUL DE SÃO PAULO.
Filemon Martins *
Itanhaém, a segunda cidade mais antiga do Brasil,
com área territorial de 601.711 km2 e uma população estimada em 118.495
habitantes, segundo o IBGE em 2025 e cujo nome significa “Pedra que canta” é
uma das mais belas cidades da Costa da Mata Atlântica, no Litoral Sul de São
Paulo, entre Mongaguá e Peruíbe.
A cidade possui uma variedade de praias que se
estendem por mais de 26 km, fazendo divisas com Mongaguá de um lado e Peruíbe,
do outro. Possui um rico ecossistema e uma história fascinante que data de
1532, ano de sua fundação por Martim Afonso de Souza. Itanhaém tem no Turismo
sua maior fonte de renda com pontos turísticos para agradar ao mais exigente
turista. Entre outros, o roteiro “Caminhos de Anchieta em Itanhaém”, que inclui
o Monumento a Anchieta, A Virgem da Conceição (exposta na Igreja Matriz de Sant’Ana),
Carta de Batismo, Púlpito de Anchieta, Cama de Anchieta, Painéis de Anchieta e
Pocinho de Anchieta (uma formação em pedras dispostas umas sobre as outras na
Praia do Cibratel), o Centro Histórico, a Casa de Câmara e Cadeia, o Roteiro do
Pescador, a Passarela de Anchieta e agora, a pavimentação da Orla, entre o
bairro de Gaivota e o Cibratel I, em fase final de acabamento.
Não conheço bem a história, os “prós” e os
“contras”, mas foi uma pena não ter se concretizado a construção do Xuxa Water
Park, no Jardim Anchieta, em Itanhaém. O empreendimento certamente traria mais
empregos, mais diversão e mais opções de lazer para o turista que visita a
cidade. O que se sabe é que a Justiça, depois de algum tempo, entendeu que não
haveria qualquer prejuízo ambiental, como fora alegado, em decorrência da
implantação do projeto da apresentadora Xuxa Meneghel. Mas até chegar aí, já era
tarde e Itanhaém perdeu a vez de abrigar um empreendimento de porte. Hoje, como
lembrança deste episódio, só existe um bairro em Itanhaém com este nome: Xuxa
Park.
Mas, em compensação, a cidade de Itanhaém possui
atrativos naturais, porque suas praias são verdadeiros santuários ecológicos. A
Praia dos Pescadores, por exemplo, localiza-se após o Morro do Sapucaitava e
ficou famosa em 1973/1974, quando serviu de cenário para a gravação da
telenovela “Mulheres de Areia”, de Ivani Ribeiro, exibida pela extinta TV Tupi,
com atuação excepcional da saudosa atriz Eva Wilma, vivendo o papel das gêmeas,
Rute e Raquel. Hoje, existe no local em frente à Ilha das Cabras, o monumento
“Mulheres de Areia”, escultura feita por Serafim Gonzalez, de saudosa memória.
Ao todo, são catorze praias que se estendem por 26
km, entre as quais, Praião (Praia de Itanhaém), Praia do Tombo (Boca da Barra),
Praia da Saudade, Praia dos Pescadores, Praia do Sonho, Praia das Conchas,
Praia do Suarão, Praia do Cibratel e Praia do Gaivota. A Praia das Conchas fica
entre o morro do Paranambuco e o Costão da Praia do Sonho, após a Cama de
Anchieta. Nesta praia, localiza-se a gruta Nossa Senhora de Lourdes, local de
peregrinação religiosa.
O Município de Itanhaém possui também muitos rios,
como Rio Itanhaém, Preto, Branco e Aguapeú e muitas Ilhas fluviais, tais como
Ilha da Volta Deixada e Ilha do Bairro do Rio Acima e outras marítimas, como
Ilha das Cabras, Pedra Meia Praia, Pedra do Carioca, Ilha Queimada Grande e
Ilha Queimada Pequena, além das Lajes Pedro II e da Conceição. A mais famosa,
no entanto, é a Ilha Queimada Grande, habitat natural da lendária cobra da
espécie “jararaca ilhoa”, detentora de poderoso veneno e que já mereceu estudos
da expedição “Os Súditos da Rainha”, composta pelas instituições CEAM
GALÁPAGOS, INSTITUTO VITAL BRAZIL e a CASA DE VITAL BRAZIL.
Itanhaém, ao lado de Mongaguá e Peruíbe são cidades
bonitas e charmosas, que preservam aspectos de cidades do interior, mas cada
vez mais estão crescendo economicamente e de olho na modernidade. Não obstante
a vontade do povo em viver feliz, trabalhar, produzir, estudar e crescer, é
fundamental que os governos Estadual e Federal libere mais verbas para que
essas cidades possam investir em Saúde, uma das áreas mais carentes da Baixada
Santista, Educação, Segurança, Transporte Público (problema crônico) e Saneamento
Básico. Por outro lado, é necessário que haja fiscalização rigorosa na
aplicação dessas verbas, já que o Brasil continua infestado por um vírus, que
nunca acaba: os políticos fichas sujas que medram na política brasileira.
É de suma importância também que o governo do
Estado reveja os contratos das concessões e reduza o valor dos pedágios nas
rodovias, como é o caso do Complexo Anchieta-Imigrantes, que dá acesso à
Baixada Santista, cujo valor é exorbitante. E nada de implantar novos pedágios
para massacrar a população, como vem ocorrendo ultimamente.
Nomes ilustres de Itanhaém, entre outros, Benedito
Calixto de Jesus (14/10/1853, Itanhaém a 31/05/1927, SP), além de renomado
pintor, destacou-se também como escritor, historiador etc. Emydio de Souza
(21/05/1868, Itanhaém a 19/09/1949, Santos), um artista que retratou os
costumes, as tradições e a vida do povo caiçara da região. Viveu no sítio dos
avós, próximo ao Morro do Sapucaitava, às margens do Rio Itanhaém, onde
constituiu família. Poeta, Contista, Folclorista e Músico, escreveu e publicou
“Os Contos da Roça” no jornal Correio do Litoral.
Hoje (22/04) é o aniversário de Itanhaém, que
completa 494 anos e a cidade é administrada por Tiago Rodrigues Cervantes
(Republicanos) e que tem muito a fazer pelo Município. É fundamental que os
vereadores cumpram sua função de fiscalizar o Poder Executivo, além de
legislar, propor, votar e aprovar leis que tragam benefícios para a
coletividade.
Vale a pena conhecer Itanhaém!
BIBLIOGRAFIA:
Internet
Site da Prefeitura Municipal de Itanhaém –
·
DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS;
·
ACADEMIA ANAPOLINA DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS –
ANÁPOLIS - GOIÁS
(FOTO DE KEISE JINKINGS MARTINS - EM ITANHAÉM)
PER ASPERA AD ASTRA (*)
Antônio Carlos Côrtes
Andarilho da cidade
Doca das frutas a Guarujá
Ruas, becos, vielas, avenidas
De lá pra cá
Encontros de felicidade
Tentando abrandar
Saudade
Recanto do Sabiá
Sorriso do Negrão Collares
Abraçado a Mãe Norinha
Segue outros ares
Desce um pouco mais
Ouve voz do além
" Pensem nisso, enquanto lhes digo até amanhã"
Enxerga nuvem avermelhada
Ocaso horizonte Rei Sol
Sérgio Jockman
Com jaqueta colorada
Na frente do Olímpico
No Timblim Airton Pavilhão
Dá de charleston
No Menino Deus
Ranzolin, Candinho
Na Tristeza o Portinho
Na Catamarã Galvani
Junto do Carlos Nobre
Terra é Guaíba
Só a ponte!!
Mercado Público Borel
Na Primeira Perimetral
Mas longe do quartel
Ariovaldo Paz e a baiana
Tempos de Carnaval
Nega Martha dos Imperadores
Nas imediações da Eurico Lara
Sérgio da Costa Franco
Balança a caneta tinteiro
Vestindo terno de linho branco
Ramalhete de flores
Bem na janela frente ao barranco
Floresta Aurora da Curupaiti
Osmar Fortes Barcellos (Tesoura)
Alpheu, Abgail e Romeu da Cruz
Estande Chaveiro Machado
Frente beco do mijo
Vilela, Elton, Larry
Na Ponte de Pedra
Club Aymoré
Nego Roxo, pé de valsa
Quem viu, viu
Só andava a pé
Alambique Tuim
Cesar Silva, Barretão, Santana
Turma do funil
Confeitaria Matheus
Só gente bacana
Cababá, Barulho, Franck
Bom Fim do Zé Flávio
Lembrando almôndegas
Acadêmicos da Orgia
Rufem os tambores
Bedeu, Leleco Telles
Cantantes de amores
Na Conceição Lobo Solitário
Afrosul Iara Teodoro
Faz passo de dança
Esplanada da Restinga
Tem Vera Furacão que não cansa
Bambas da Negra Darilce
Na José de Patrocínio Nega Lu
Padre Severino no Luanda
Bebem vinho do Padre
Servido pelo Tide
Praça Garibaldi tem Muamba
Mas nunca cabide
Seguindo pela Venâncio Aires
Quase esquina Santa Terezinha
Oitiva do maior Tribuno do Estado
Carlos da Silva Santos
Que não era um só foi tantos
Na linha direta de Xangô
(*) Através das dificuldades para as estrelas.
(DA ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS)