sábado, 29 de agosto de 2026

O BRASIL ESTÁ DOENTE? - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 


O BRASIL ESTÁ DOENTE?

 

 

 

O título acima expressa uma metáfora. Geralmente doença é um sinal de alerta e exige providências. A corrupção é uma doença. Doente aqui, não é literal, mas num sentido figurado, uma comparação.

 

                      

 

Os casos de corrupção dominam os noticiários. A corrupção é uma doença grave. A doença tem cura e, conforme dizem os entendidos, o remédio é amargo. E mais, o paciente não pode esperar muito tempo. O paciente é o Brasil com suas necessidades e complicações.

 

Comentaristas de assuntos políticos afirmam que a cura para essa doença que assola o nosso país depende da atitude dos eleitores nas eleições de 2026. Será que estamos extrapolando os limites da honestidade e da retidão?

 

      O Brasil precisa da famosa injeção de honestidade. A corrupção pode ser considerada como uma doença grave. Já falamos aqui sobre este tema. Estou ansioso para seguir em frente e passar para outro tema, mas a questão é que toda semana aparece uma sequência de denúncias de casos graves.

      O caso da corrupção, conforme noticiam canais de redes sociais na internet, explodiu porque mexeram de modo profundo nas contas dos aposentados do INSS. Nessa trilha diariamente aparecem casos novos. A Da. Euzimar, compareceu à Câmara e mostrou seu demonstrativo dos valores que recebe mensalmente do INSS informando que o desconto, no caso dela, vinha desde 2024.

      Se você morou por algum tempo na zona rural sabe que algumas plantas permitem ao lavrador fazer a soqueira. Poucos dias depois desse trabalho nascem os brotos. Pois é assim, de modo semelhante, as autoridades vão descobrindo casos que precisam ser seguidos e esmagados. Jornais e outros canais de comunicação informam que surgem novos casos. Lemos que aparecem casos de empréstimos consignados não solicitados pelos aposentados ou pensionistas. O valor chega a uma soma muito alta, por volta de 90 bilhões de reais.

      Pois é. Certamente os efeitos da corrupção influenciarão os resultados das campanhas para as próximas eleições em 2026. Os atuais políticos eleitos que estão no exercício do mandato precisam assumir a posição com muita atenção. Nada de afrouxar as rédeas do controle, mas combater os casos de corrupção e seus participantes. A cura do Brasil depende dos políticos eleitos.

      Pelas notícias e pelas conversas entre os cidadãos das cidades grandes e pequenas, há muita lama escorrendo em muitos setores. Há muita gente importante que estão entre os sujos e os mal-lavados. A verdade prevalecerá. Nosso desejo é que o povo brasileiro esteja ao lado da verdade e da honestidade.

      A Pérsia era um poderoso império da antiguidade, especialmente no tempo do rei Assuero. Ao ler a Bíblia encontramos relatos de casos interessantes. Surgem dois personagens importantes, que foram Esther, a rainha e Mardoqueu, que era um homem judeu, grande e honesto administrador, que no império foi o segundo depois do rei. No último capítulo do livro de Esther, que é o capítulo n° 10, no final do versículo 3 daquele capítulo, nos deparamos com o seguinte relato nas Escrituras Sagradas:

      Mardoqueu foi agradável para com a multidão, procurando o bem do seu povo e trabalhando pela prosperidade de toda a sua nação.

      Vemos assim, que se isto foi possível em terras distantes naquele tempo, também é possível no Brasil neste nosso tempo.

 

                              

 

 

 

Saul Ribeiro dos Santos

Contador e economista aposentado.

Natural de Ipupiara – BA.

saul.ribeiro1945@gmail.com

 


TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


Não há nada mais perfeito,

que guardo em meu coração:

Este quadro sem defeito

o luar do meu Sertão.


Não conhece o que é beleza

quem nunca foi à Bahia,

onde a bela natureza

tece em cores a alegria.


Tive sorte, sou poeta,

nascido na bela Bahia.

Aqui o povo arquiteta

sua própria fantasia.


Não percas aqui na terra

teus sonhos de juventude,

nem desanimes na guerra,

que lutar é uma virtude.



TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


Parece que o nosso tempo

neste Planeta acabou.

Tudo agora é contratempo,

porque o moderno chegou.


Para que agradar a todos,

se a vida é breve jornada?

Melhor viver sem engodos

e vencer a caminhada.


Não sei em que mundo vives

sem amor, sem compaixão.

Tudo que pregas e dizes

são mentiras sem razão.


Quanta gente se imagina

no mundo ser imortal.

Não vê que a vida termina

num silêncio sepulcral.

O GIGANTE DAS MARÉS NEGRAS - JOSÉ FELDMAN

 




O Gigante das Marés Negras


  

No trigésimo dia, o mar, outrora azul, tornou-se viscoso e escuro como a tinta de um calígrafo. O vento morreu, e das profundezas borbulhantes surgiu uma figura de proporções montanhosas: o Gigante das Marés Negras. Sua pele era feita de escamas de obsidiana e sua barba era composta por mil serpentes marinhas que se contorciam.

 

O Gigante bloqueou o caminho com uma mão que poderia esmagar o convés e rugiu:

 

— "Nenhum navio atravessa meu domínio sem pagar o tributo de carne! Escolha sete marinheiros para o meu jantar, ou engolirei o teu navio inteiro!"

 

A tripulação, paralisada pelo terror, buscou refúgio nos pés de Aldhiyb. Ele, porém, manteve o olhar firme. Ele lembrou-se da bússola de osso de baleia, que agora vibrava contra seu peito, indicando que a força bruta seria inútil.

 

— "Ó poderoso senhor das águas escuras!" gritou Aldhiyb. "Minha tripulação é composta por homens magros e amargos. Mas em meu porão guardo o Mel das Rosas de Irem, que é mais doce que o hálito das huris. Deixe-me preparar um banquete digno de sua bocarra, e se não for o melhor que já provou, entregarei a mim mesmo como sacrifício."

 

Curioso, o Gigante consentiu. Aldhiyb, contudo, não usou mel. Ele ordenou que os marinheiros despejassem no mar os grandes barris de sal gema e vinagre de tâmaras que levava para as terras do Sul. Quando o Gigante mergulhou o rosto para beber a mistura, a reação química nas águas viscosas criou uma efervescência insuportável, cegando momentaneamente a criatura e fazendo-a espirrar com a força de um furacão.

 

Aproveitando o impulso do gigantesco espirro do monstro, as velas do Vento do Amanhã inflaram-se violentamente.

 

— "Rápido, filhos de bravos!" ordenou Aldhiyb. "O destino favorece quem usa a mente contra a montanha!"

 

O navio deslizou sobre as águas negras como uma flecha de prata, deixando o Gigante para trás, limpando os olhos e rugindo de frustração. Aldhiyb retornou com sedas raras e a fama de ter vencido o terror das marés sem derramar uma gota de sangue de seus companheiros.

 

Mas o destino é um tapete cujos fios 


nunca terminam de ser tecidos…






ECOS DO DESERTO



JOSÉ FELDMAN



ESCRITOR, POETA, 


PESQUISADOR.


DA CONFRARIA BRASILEIRA DE 


LETRAS


DA UNIÃO BRASILEIRA DE 


TROVADORES - UBT. 


COMO ERA? - SERÁ QUE MUDOU ALGUMA COISA? - FILEMON MARTINS

 




COMO ERA? SERÁ QUE MUDOU ALGUMA COISA?

 

 

     Conta-se que antigamente no Nordeste do Brasil, era comum alguns coronéis mandarem seus filhos homens estudar Direito em Coimbra, Portugal. Depois de formados, voltavam ao Brasil e assumiam cargos como Juiz de Direito, Advogados, Promotores e Desembargadores. 

     Mas havia um grupo de coronéis que pensavam diferente e colocavam seus filhos em escolas brasileiras e argumentavam: - não é necessário gastar fortunas com os filhos homens estudando em Portugal. Quando chegar o momento, nós os elegemos deputados, senadores, eles se tornam políticos e vão mandar em todos esses bacharéis. E assim era.

     Hoje, será que mudou alguma coisa? O sistema parece ser o mesmo, agora ainda mais abrangente: homens e mulheres, filhos, filhas, netos e netas são eleitos e lá no Congresso legislam em causa própria e mandam em todos nós. Até no Judiciário, que era um poder independente. Acho que aquele grupo de coronéis estava certo. Nos tempos atuais, talvez um pouco pior, eles são eleitos com o nosso dinheiro. Fundo partidário, propina, caixa dois, tramoias, negociatas ilícitas e por aí vai...

      Enquanto isso o Brasil vai descambando ladeira abaixo, como se fosse um carro sem freio. E muitos eleitores não conseguem ver a tragédia em que estão nos prometendo. As boas promessas nunca saíram do papel e se repetem a cada 4 anos.

     ¨Quem não te conhece que te compre¨ ou ¨Dize-me com quem andas e eu direi quem tu és¨. Eis o caráter do grupo político que governa o Brasil, para a infelicidade dos brasileiros do Bem e até mesmo para aqueles que acreditam piamente num mentiroso e cara de pau.

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DO CLUBE BAIANO DE TROVA, SALVADOR, BAHIA.

 


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

VOOGRALHAAZUL.BLOGSPOT.COM - JOSÉ FELDMAN

 

Sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Filemon F. Martins (Poemas Escolhidos) 1


CURVA DO CAMINHO

Eis-me chegando à curva do caminho,
onde vejo os escombros do passado:
a casa em que nasci, cresci, malgrado
o quarto de dormir em desalinho.

Não me faltou, porém, muito carinho
vivendo no Sertão injustiçado,
onde o “mandante” sempre desalmado
faz o povo sofrer, no Pelourinho...

No entanto, a vida é bela e deslumbrante,
mesmo que a estrada se apresente escura
sempre brilha uma luz ao viajante...

... E quando eu me tornar uma saudade,
minha alma esquecerá a desventura
para cantar, em verso, a Eternidade!
* * * * * * * * * * * * * * * *  

ELOGIO AO AMOR

Neste caminho eu sigo contemplando
a Natureza exuberante e bela,
passarinhos nos ramos saltitando
entoando canções em aquarela.

Aonde quer que eu vá, eu vou cantando
a pureza do amor, pintado em tela,
que Deus o produziu, por certo amando,
para mostrar ao mundo, em passarela...

O amor? Triste de quem não tem amor,
nem sentiu nesta vida alguma dor,
nem teve uma saudade a recordar?

Pois o amor é um sublime sentimento
que ferve, vibra e invade o pensamento,
e  nos leva ao delírio para amar!
* * * * * * * * * * * * * * * *  

IPUPIARA

Feliz é quem trilhou estes caminhos
que levam à vibrante Ipupiara,
ouvindo o som de belos passarinhos
numa paisagem deslumbrante e rara.

Ibipetum, Pintada e outros vizinhos
Sodrelândia, Vanique e Caiçara,
Chiquita, Bela Sombra com seus ninhos,
Brejões, Coxim que muito me ensinara.

Jamais vou esquecer... O Olho d´Aguinha,
Veríssimo, Barreiro e até Matinha,
Deus me Livre, Umbaúba e Boa Vista.

Felicidade, então, é ter nascido
e neste berço um dia ter vivido
com gente hospitaleira e idealista!
* * * * * * * * * * * * * * * *  

RESSURREIÇÃO

Já não lamento o fim daquele sonho
que o tempo, impiedoso, me levou.
- Venturas e alegrias – pressuponho
tombaram pelo chão, nada sobrou.

Por que sofrer, chorar, viver tristonho?
Se o vendaval que assusta já passou?
Reconstruir é tudo o que me imponho
e gritar para o mundo: aqui estou.

Tal como a fênix ressurgir da morte
e as cinzas sacudir buscando a sorte,
embora os olhos marejados d´água.

Meus versos jorrarão como uma fonte
fervilhando de amor vencendo a ponte,
mesmo cobertos de saudade e mágoa!
* * * * * * * * * * * * * * * *  

REVISITANDO A INFÂNCIA

Refaço, de memória, a longa estrada,
caminhos que trilhei desde menino.
De manhã cedo, ainda na alvorada,
eu preparava a terra, meu destino.

Tempos depois, aposentei a enxada,
para estudar, no chão diamantino.
A vida era feliz lá na Chapada,
quando brilhava a luz do sol, a pino...

Tudo passou, bem sei, tão de repente,
meu coração, parece, anda descrente
e o sentimento, quantas vezes, trunca...

Hoje, guardo no peito, com cuidado,
lembranças que marcaram meu passado
e uma saudade que não passa nunca...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
FILEMON FRANCISCO MARTINS é um renomado escritor, poeta e trovador brasileiro, reconhecido como um dos nomes expressivos da poesia lírica e do trovadorismo nacional. Nasceu EM 1950, na cidade de Ipupiara/BA (região da Chapada Diamantina). Passou a infância e juventude na Bahia (em Ipupiara e Morpará). Posteriormente, mudou-se para São Paulo (SP), onde fixou residência por longos anos para estudar e trabalhar. Cursou Administração de Empresas na Faculdade de Administração e Ciências Econômicas "Santana", em São Paulo. Prestou serviços para grandes corporações e órgãos públicos, incluindo a Empresa Folha da Manhã S.A. e a Prefeitura Municipal de São Paulo. Desenvolveu sólida carreira no Judiciário Federal, atuando e aposentando-se na Subsecretaria de Feitos da Presidência (UFEP). É também filiado ao Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD).
Filemon possui uma produção diversificada em artigos, crônicas, sonetos e trovas, sendo membro de várias entidades literárias e culturais de destaque. Sua trajetória é marcada por reconhecimentos em trovas e antologias poéticas pelo país. Membro da Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, Anápolis/GO; The International Academy of Letters of England, (London, England); Academia de Letras de Ipaussu/SP; Clube Baiano de Trova, Salvador/BA; Instituto Cultural do Vale Caririense, em Juazeiro do Norte/CE; Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD), Confraria Brasileira de Letras (PR).
Sua bibliografia abrange obras poéticas e pesquisas genealógicas: “Flores do meu jardim” (Poemas, 1997), “Anseios do coração” (Poemas, sonetos e trovas, 2011); “Dicionário genealógico da família Ribeiro Martins” em coautoria com Mário Ribeiro Martins (2007); “Fagulhas” (Miscelânea, 2013); “Sonetos & Trovas” (2014); “Histórias que só agora eu conto” (2018) e – “Caminhos do Jordão da Bahia” (2022).
A relevância do autor reside na preservação das formas clássicas da poesia e na contribuição para o resgate histórico e cultural brasileiro.

Fontes:
Biografia = Scortecci, Unicamp, Página 3, Anseios do Coração, Confraria Brasileira de Letras, etc.

TROVAS DE ABEL B. PEREIRA

 




TROVAS DE ABEL B. PEREIRA


Constrói, destrói, faz, domina...

O homem sustém sua lida.

Mas, só tu, mulher divina

é que tens o dom da vida.


Entrei na mata cerrada,

e fiquei desnorteado:

- Onde está a passarada

com seu canto, seu trinado?!


Navego nas asperezas

dos mares, sem ter destino,

levado nas correntezas

desde os tempos de menino!


Velho mundo em derrocada,

ser humano desalmado:

- Nada mais vale mais nada,

mesmo o que é de mais sagrado!


(FONTE "QUINTA ANTOLOGIA POÉTICA DE A FIGUEIRA)

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

O PERDÃO - FILEMON MARTINS

 




O PERDÃO

Filemon Martins


MOTE


Soubesse perdoar mais
um gesto nobre e cristão.
Um mundo cheio de paz
nasceria do Perdão.
GLOSA



SOUBESSE PERDOAR MAIS
melhor a vida seria
que só o amor é capaz
de nos trazer alegria.

Enquanto houver neste mundo 
UM GESTO NOBRE E CRISTÃO
o amor duradouro e fundo
fará bem ao coração.

Bondade nunca é demais
quando se vive em amor.
UM MUNDO CHEIO DE PAZ
longe da guerra e da dor.

Seria o mundo decente
vivendo sem ambição.
A nossa paz, certamente,

NASCERIA DO PERDÃO.



TROVAS DO FILEMON


 




TROVAS DO FILEMON

 

No meu viver apagado

tive só uma riqueza:

teu olhar – iluminado,

velando a minha tristeza.

   

Quando fores escolher,

faça-o com o coração.

Quem aprendeu conviver,

vive melhor, meu irmão!

   

Fazer o bem, meu irmão,

na terra só traz prazer.

Parece que o coração

se renova pra viver.


O lápis* - esse instrumento

de importância singular,

traduz o meu sentimento

quando começo a trovar.


* Sou daquele tempo do ABC e do lápis.