BLOG LITERÁRIO DO FILEMON
sábado, 18 de julho de 2026
TROVAS DO PROFESSOR GARCIA
A MULHER É POETISA OU POETA? - FILEMON MARTINS
NO PALCO - CÉLIA LAMOUNIER
PÁRA-CHOQUES DE CAMINHÃO
PÁRA-CHOQUES DE CAMINHÃO:
. Não adianta correr; Deus te pega.
. Que bom se corrupção desse AIDS.
. Pelas estradas se conhece o governo.
. O rico pega o carro e sai. O pobre sai e o carro pega.
. Até as rosas dependem da sorte: umas enfeitam a vida e outras, a morte.
. Ser bom é meio caminho andado para ser feliz.
(Transcrito de O JORNALZINHO, Set-Out/2008)
sexta-feira, 17 de julho de 2026
DIÓGENES E A POLÍTICA BRASILEIRA - FILEMON MARTINS
DIÓGENES E A POLÍTICA BRASILEIRA
Filemon Martins
Conta-se que DIÓGENES DE SÍNOPE, o cínico, filósofo grego, costumava perambular
pelas ruas de sua cidade à luz do dia, com uma lanterna acesa procurando
encontrar homens verdadeiros ou seja, homens éticos, virtuosos e de palavra.
Não se sabe se DIÓGENES os encontrou.
Assim, nestes últimos tempos, tenho andado de lupa, luneta e
lanterna para observar e ver “in Loco” as mudanças ocorridas no Brasil
apregoadas pelos atuais governantes de todos os escalões: federal, estadual e
municipal, com raríssimas exceções.
De fato, a propaganda na tela da televisão e nas redes sociais faz
tudo acontecer de forma espetacular, tudo funciona com a precisão de um
relógio, em todas as esferas. Quem não sabe disto? As cenas mostradas, em
geral, são coloridas e bem chamativas para atrair e convencer eventuais
eleitores incultos e incautos. O publicitário, sim, este é competente e sabe
como fazer seu trabalho.
Na prática, porém, o que o governo faz é diferente. O dinheiro
público é disputado entre empresários e o Congresso Nacional (empresários
também) que se associam em conchavos e trapaças, para aprovar projetos
indecentes com o objetivo claro e único de retirar direitos dos trabalhadores,
como se o dinheiro do povo fosse um pedaço de carne atirado aos cães famintos.
Aliás, o que se gasta em propaganda, embora regulado por lei, é um absurdo.
DIÓGENES, O FILÓSOFO GREGO, se vivo fosse e visitasse hoje o
Congresso Nacional e o STF, com certeza teria que usar lanternas bem mais
potentes para encontrar, naquelas casas, o que ele tanto procurava: pessoas
honestas e éticas.
Infelizmente, falar em honra e dignidade entre políticos e
administradores brasileiros, quando interesses e projetos pessoais estão acima
de tudo, é mesmo uma utopia. Foi uma utopia ter imaginado que o Brasil poderia
melhorar, com mentalidade tão tacanha. Utopia maior ainda é continuar
imaginando que o Brasil está no rumo certo, se o Congresso Nacional e o Supremo
Tribunal Federal são incapazes de discernir entre o interesse pessoal e o
coletivo. Projetos e Reforma da Previdência que subtraíram direitos de
servidores e trabalhadores brasileiros, foram regados a propinas, distribuição
de cargos no 2º escalão. Roubar, continuar roubando, fazendo falcatruas em tudo
parece que virou rotina entre políticos e aqueles que detém o poder de decisão.
Os aposentados e pensionistas do serviço público federal são
penalizados desde 2002/2003, quando Lula via “mensalão” taxou inativos em 11%. Hoje,
em 2026 o que era transitório, temporário se tornou definitivo com desconto de
14%. Trata-se de um roubo oficializado.
Parece que a ética dos partidos políticos é apenas por fora, na
casca, para enganar os brasileiros; por dentro estão apodrecidos, infectos e
obcecados pelo poder econômico. Só assim se explicam os escândalos que são
descobertos e apresentados pela televisão e publicados pelos jornais todos os
dias, mesmo com o Brasil enfrentando falta de investimentos na saúde, na
educação, segurança e no campo das pesquisas.
“A gente não quer só comida A gente quer comida, diversão e arte A
gente não quer só comida A gente quer saída para qualquer parte (...) A gente
não quer só comida A gente quer a vida como a vida quer” COMIDA – Arnaldo
Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto.
Embora tenha sido lançada em 1987, a música acima retrata alguns
problemas sociais que afetam o Brasil 39 anos depois.
No entanto, as acusações de compras e obras superfaturadas nos
escalões: federal, estadual e municipal são noticiadas dia após dia. Há muitas
investigações em andamento, para "inglês ver". Cremos que uma das
soluções seria uma Justiça mais ágil, eficiente e séria, sem demora na apuração
dos fatos e dos envolvidos em falcatruas, com a verdade sem meias palavras e,
em seguida a condenação e a devolução dos valores subtraídos, coisa que não
temos e nem há luz no fim do túnel.
É fundamental que a impunidade seja banida do Judiciário Brasileiro
e quando alguma autoridade, quer seja Juiz, Desembargador ou Ministro tentar
engavetar processos para beneficiar este ou aquele figurão, seja também
responsabilizado criminalmente e punido por se tornar cúmplice do criminoso.
Enquanto isso estou a procurar tal qual Diógenes o fez à luz do dia
com uma lâmpada para descobrir onde não há fraude no Brasil, se em tudo, há corrupção.
Até os aposentados do INSS não escaparam da sanha dos corruptos.
Ou será que corrupção mudou de nome e eu não sei...
DIREITO COMO FENÔMENO SOCIAL - MÁRIO RIBEIRO MARTINS
DIREITO COMO FENÔMENO SOCIAL.
Mário Ribeiro Martins (07/08/1943 - 18/03/2016)
Com o titulo sugestivo de Sociologia Jurídica se pretende considerar o direito à luz da Sociologia, com os métodos da Sociologia ou em função da Sociologia, isto é, em relação com os demais fenômenos sociais. Os fenômenos do direito, às vezes, têm sido tratados de forma abstrata e imaginária. A Sociologia do Direito se apresenta exatamente como uma reação a esta forma de tratamento.
O fato jurídico, como disse Renato Hubert, em ARCHIVES DE PHILOSOFIE DU DROIT ET DE SOCIOLOGIE JURIDIQUE, encarado sociologicamente, se alarga até identificar-se com o fato social ou até representar o fato social em sua totalidade.
O direito, como fenômeno social, no entender de Cláudio Souto, é norma social de intensidade mais alta. Daí a razão porque a Sociologia Jurídica tem também a função de inquirir, de analisar e de investigar a sistemática jurídica e que vai desde a descrença no funcionamento do sistema jurídico até os problemas de direito que afetam a sociedade.
Ainda assim, o direito se apresenta como fator de equilíbrio entre os indivíduos e grupos dentro da sociedade, donde é válida a observação de Emile Durkheim de que o direito é um símbolo visível de toda a interação social.
Quando se fala em função social desempenhada pela ordenação jurídica tem-se o direito como fenômeno social, para o qual se volta a Sociologia Jurídica. A boa e correta aplicação do direito constitui fator de tranquilidade social.
Assim, não basta dizer que a finalidade do direito é dar garantia e segurança, eis que, tais palavras nada significam, se não estiverem voltadas para o bom e desejável, enfim para o bem-estar social.
(SOCIOLOGIA GERAL & ESPECIAL. Anápolis, Walt Disney, 1982, página 378).
(FOCALIZADO EM MEU LIVRO ¨FAGULHAS¨, PÁGINAS 134/141)
LÍRIO E PÁSSARO - SOREN KIERKEGAARD
OÁSIS DOS ESPELHOS - JOSÉ FELDMAN
Oásis
dos Espelhos
Prepare o seu espírito, ó Sheik
de Bagdá, pois agora deixaremos as muralhas de Samarcanda para cruzar o Rub'
al-Khali (o Quarteirão Vazio), o deserto onde a areia canta e o horizonte
engana os olhos dos imprudentes.
Após quarenta dias e quarenta
noites seguindo a Estrela Polar, surge entre as dunas de fogo o Oásis dos
Espelhos. Mas não se engane, Nobre Senhor: lá, a água não é feita de líquido,
mas de um nadir (raridade) que reflete não a face, mas a verdade oculta.
No centro desse oásis, cercado
por palmeiras cujas folhas são prateadas, existe um lago de águas paradas como
o cristal. Quando um musafir (viajante) se inclina para beber, ele não vê seu
turbante ou sua barba. O lago é um espelho da alma.
Vi um guerreiro orgulhoso,
coberto de ouro e glórias, inclinar-se para o lago. Em vez de sua armadura
reluzente, ele viu na água um lobo faminto e solitário, rosnando para o nada. O
susto foi tamanho que ele caiu de joelhos. O oásis estava mostrando que, por
trás da coragem das batalhas, seu coração era movido apenas pela fome de poder,
e não pela justiça.
Logo depois, vi uma velha viúva,
vestida com trapos e carregando apenas uma trouxa de pão seco. Quando ela olhou
para a água, o reflexo não mostrou suas rugas ou sua pobreza. O lago revelou um
jardim de flores desabrochando em plena luz do luar, com rios de leite e mel. O
oásis dizia que sua paciência diante da dor a transformara em uma rainha aos
olhos do Criador.
O mistério do Oásis dos Espelhos
é que ele não perdoa a mentira. Se um homem tenta enganar a si mesmo, a água
torna-se turva e ácida, impossível de beber. Mas, para aquele que aceita sua
própria sombra com arrependimento, a água torna-se o néctar mais doce de toda a
Terra.
Dizem que o Sheik que governava
aquelas paragens desapareceu no lago. Não porque se afogou, mas porque sua alma
era tão pura que o reflexo e a realidade se tornaram um só, e ele passou a
viver na Verdade Absoluta, onde não há mais necessidade de máscaras.
Bebi daquela água, ó Sheik, e o
que vi... bem, isso é um segredo que guardo entre mim e o meu Criador. Mas
desde aquele dia, nunca mais precisei de um espelho de vidro para saber quem
sou.
Mustafá acariciou sua barba
grisalha e olhou profundamente para os súditos, que permaneciam em silêncio.
Escutai com vossa visão interior,
ó nobres ouvintes, pois o reflexo nas águas de Al-Mir'at (O Espelho) não engana
o olhar de quem busca a verdade.
A moral desta história, ó Sheik,
é que o homem pode fugir de mil exércitos e cruzar sete mares, mas jamais
poderá fugir de sua própria alma. O Oásis dos Espelhos não é um lugar
geográfico, mas um estado de purificação onde as máscaras de ouro e os títulos
de governante perdem o valor diante da realidade do coração.
Muitas vezes, vivemos como o guerreiro orgulhoso, acreditando na armadura que mostramos ao mundo, sem perceber que o lobo da ganância ou da raiva nos devora por dentro. A água do oásis só se torna doce para aquele que tem a coragem de olhar para sua própria sombra com arrependimento. A verdadeira beleza não é o que o espelho de vidro reflete, mas a luz de bênção que emana de uma alma que não teme a própria verdade perante o seu Criador.
(FONTE: "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)
TROVAS DE HUMBERTO DEL MAESTRO
TROVAS DE HUMBERTO DEL MAESTRO
Se desperto com a aurora,
sinto mimos no meu peito,
pois ouço Nossa Senhora
ninando Jesus no leito.
Sou feliz num mar afora,
quando a manhã se insinua,
velando a garça da aurora,
entre os lampejos da lua.
Escondes um mar nos olhos
cheio de estranhos segredos,
onde naufrago em abrolhos
e me estilhaço em penedos.
Fiquei velho a contragosto,
mas não posso reclamar.
Se o tempo amassou meu rosto
não doeu, foi devagar.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
HORAS MORTAS - ALBERTO DE OLIVEIRA
HORAS MORTAS
Alberto de Oliveira
De incômodos, de penas, de cansaço,
Inda o corpo a sentir quebrado e lasso,
Posso a ti me entregar, doce Poesia!
Desta janela aberta à luz tardia
Do luar em cheio a clarear o espaço,
Vejo-te vir, ouço o leve passo
Na transparência azul da noite fria.
Chegas. O ósculo teu me vivifica.
Mas é tão tarde! Rápido flutuas,
Tornando logo à etérea imensidade;
Sobre o papel – rastro das asas tuas –
Um verso, um pensamento, uma saudade.
( GRANDES SONETOS DA NOSSA LÍNGUA, PÁGINA 81)
NATUREZA - DJANIRA PIO
SEU RETRATO - DJANIRA PIO
quarta-feira, 15 de julho de 2026
CANTO SOLITÁRIO - DELASNIEVE DASPET
CANTO SOLITÁRIO
Delasnieve Daspet
Sou do tempo que não era.
Que não foi e não será.
Um grão de areia no vento a rodar.
Uma gota que não vai ao mar;
Que morrerá nos lábios ressequidos,
Num ríctus de dor que não veem.
Sigo sem rumo, filha do mato.
De florestas distantes, solitária, sem luar.
E, neste caminho, sigo.
Caminho que tracei para mim.
Manhãs escuras. Todos os dias, vazios,
Só a noite e o dia. Mais nada há...
As flores que balançam não perfumam por mim.
Mas, não desisto, sou desta Terra, filha guerreira,
Em busca da Paz.
Delasnieve Daspet
13.04.21
(FONTE AVBAP)











