quarta-feira, 24 de junho de 2026

PERFIL BIOGRÁFICO DE ADÃO FRANCISCO MARTINS - TEXTO DE MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 




PERFIL BIOGRÁFICO DE ADÃO 

FRANCISCO MARTINS

(TEXTO ELABORADO PELO SEU

TERCEIRO FILHO, DR. MÁRIO RIBEIRO 

MARTINS, PROCURADOR DE JUSTIÇA 

DO ESTADO DE GOIÁS).




ADÃO FRANCISCO MARTINS (Que havia nascido em 21.05.1915, em Ipupiara, e estava com 23 anos de idade), foi SECRETÁRIO MUNICIPAL, conforme documentos escritos e publicados, na mão do autor destas notas, entre os quais, o “ORÇAMENTO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE BROTAS DE MACAÚBAS, PARA O EXERCÍCIO DE 1939”(DECRETO-LEI 63, de 5.7.1938), impresso na LIVRARIA CATILINA, de Romualdo Santos-Livreiro Editor-Rua Portugal, 20, Salvador, Bahia, onde se lê: Prefeito Municipal-Nestor Rodrigues Coelho. Secretário Municipal-Adão Francisco Martins.
Filho de Gasparino Francisco Martins e Jovina Ribeiro Martins, neto do Coronel Isidório Ribeiro dos Santos, meu pai, Adão Francisco Martins, enquanto trabalhava na roça, aprendeu a ler com os antigos professores, “JOÃO CAPOTE” e “JOÃO PAPAGAIO”. Mas, seu principal professor foi Arthur Ribeiro Sobrinho, pai do primeiro médico de Brasília, Dr. Isaque Ribeiro Barreto.
Em 1934, com 19 anos de idade, na cidade de Brotas de Macaúbas, foi nomeado Tabelião de Notas e Agente de Estatística. Casou-se em Brumado, hoje Ibitunane, em 29.10.1937, com Francolina Ribeiro Martins, tornando-se comerciante de Diamantes, em sociedade com Adelino Alves de Almeida.
Em 1946, foi nomeado Prefeito de Brotas de Macaúbas, logo após a gestão do Prefeito Nestor Rodrigues Coelho, que se estendeu de 1934 a 1945, momento em que o Capitão Nestor Coelho permaneceu como Presidente do Diretório Municipal de Brotas e se elegeu Deputado Estadual, a partir de 1946. Nestor Coelho faleceu em Salvador, Bahia, em 26.12.1953, na condição de Deputado Estadual, tendo sido sepultado no Mausoléu da família, em Barra do Mendes.
Nomeado Adão Francisco Martins, Prefeito de Brotas de Macaúbas, em 1946, pelo Interventor Federal na Bahia(1946-1947), General Cândido Caldas, permaneceu no cargo de Prefeito, até abril de 1947, quando, terminada a “interventoria” na Bahia, o Governo Estadual foi passado para o Governador eleito pelo povo, Otávio Mangabeira e realizadas as eleições municipais.
Como Prefeito nomeado de Brotas, meu pai Adão Francisco Martins, construiu entre 1946 e 1947, a ponte de madeira, ainda hoje existente nos povoados de “Mourão” e “Santa Rosa”, debaixo da qual não passa mais hoje nem um pingo de água, onde outrora fora um pequeno rio.
Mas, para que meu pai tomasse posse como Prefeito Municipal de Brotas, não foi fácil. Aliás, foi João da Cruz Cunha que reuniu cerca de 60 cavaleiros para garantir a posse do meu pai Adão Francisco Martins, como Prefeito de Brotas de Macaúbas, na presença do Juiz de Direito da Comarca, Dr. Sebastião, genro do Coronel João Arcanjo Ribeiro, em 1946, quando meu pai foi nomeado Prefeito, pelo Interventor Federal na Bahia, General Cândido Caldas. É que a população de Brotas, sede do município, não admitia que o prefeito nomeado viesse do JORDÃO, um dos Distritos.
Em 03.05.1950, Adão Francisco Martins, mudou-se para Morpará, às margens do Rio São Francisco, onde fundou a “Loja Primavera”, de tecidos, além de ter sido Vereador. No mesmo ano, vinculou-se à Loja Maçônica HARMONIA E AMOR, de Juazeiro, pertencente à GRANDE LOJA DO ESTADO DA BAHIA.
Em abril de 1957, retornou à sua terra natal, Ipupiara, como comerciante de tecidos e como Pregador Evangélico, vinculado ao Protestantismo Batista. Contribuiu, escrevendo discursos e redigindo documentos. Como político, continuou na sua luta pela emancipação política de Ipupiara, que se tornou município independente de Brotas, em 09.08.1958, ao lado do Chefe Político da região, Coronel Arthur Ribeiro.
Colecionou e leu obras famosas, entre as quais, a “HISTÓRIA UNIVERSAL”, de César Cantu, com mais de 32 volumes, hoje em poder deste autor. Entre outros escritos, destaca-se a “HISTÓRIA DOS BATISTAS NO SERTÃO BAIANO”, trabalho que, no entanto, permaneceu inédito.
Após ter fundado a Igreja Batista de Ipupiara, FALECEU REPENTINAMENTE, com parada cardíaca, no dia 07.01.1970, com 55 anos, depois de ter feito um Sermão Evangélico, na Praça Principal da cidade, deixando 5 filhos homens e 3 mulheres.


Sobre ele escreveu Filemon Martins:

“Ele era bom; amigo verdadeiro, /a todos demonstrava o mesmo amor./Em vida foi exemplo brasileiro/no sofrimento atroz, na própria dor. Amante do saber, humilde obreiro, /da Esperança e do Bem foi pregador. /Viveu para servir ao companheiro/e em tudo quanto fez, foi professor. /Ele morreu; toda a cidade chora, /não há mais alegria como outrora, /só existe a tristeza e o dissabor.../E o céu pra recebê-lo foi-se abrindo, /porquanto ele morreu, morreu sorrindo, /e sorrindo partiu para o Senhor”!

METADE - SUELLY CORRÊA GOMES

 




METADE

Suelly Corrêa Gomes


Ensina-me, Senhor, pois vivo incalma

como fosse viver só de metade.

Metade o coração. Metade a alma.

Somente inteira a dor desta saudade.


Em todo o visto o meu anseio invade

em sua lembrança o seu olhar de calma.

Dividir a alegria ou a ansiedade

qualquer sucesso que esta luta empalma.


Viver metade é dor tão angustiante,

é procurar no escuro inutilmente,

é tropeçar sem ter um ombro amigo.


É não ter nada no buscar constante,

é carregar a vida indiferente

e isso não sei, meu Deus, e nem consigo!



(LIVRO "TU NA DISTÂNCIA", PÁGINA 108)

terça-feira, 23 de junho de 2026

TROVAS BRASILEIRAS

 







                        TROVAS BRASILEIRAS


 

Fecho os olhos... Sou cativo

da saudade que me escolta

e teima em me dar motivo

para crer na sua volta.

MAURÍCIO CAVALHEIRO – PINDA – SP

 

Morreu pregado na cruz

um homem bom, de verdade.

Esse homem era Jesus,

que nunca teve maldade.

ANA MARIA NASCIMENTO – ARAÇOIABA – CE

 

Direi ao sol, ao se pôr,

quando da minha partida:

nem sombra foste do amor

que iluminou minha vida!

LOTHAR BAZANELLA – SÃO PAULO

 

Se eu não fosse trovador

minha dor tinha que ser

inspiração do fervor

que trova no meu sofrer.

MARCOS MEDEIROS – LAGOA NOVA - RN

UM DIA NA DIVISÃO DE PRECATÓRIOS DO TRF 3ª REGIÃO - FILEMON MARTINS

 



UM DIA NA DIVISÃO DE


PRECATÓRIOS DO TRIBUNAL 

REGIONAL 

FEDERAL - 3ª REGIÃO


Filemon Martins * 



  • O precatório, (PRC) sempre autuado na cor verde, e em ordem cronológica de entrada, estava lá na prateleira aguardando sua vez. Havia muitos outros ali e todos os dias chegavam pilhas de processos ao Tribunal. Mas, aquele precatório ali, na prateleira fria, era o mais antigo.
  • De repente, um outro mais novo, encostado nele, perguntou: - “o que aconteceu com você, que ainda continua por aqui?” – “Ah, meu amigo, respondeu o precatório antigo, o analista descobriu que me faltavam peças exigidas pelo artigo 355 do Regimento Interno do Tribunal Regional Federal. Depois, veio a Instrução Normativa nº 10, com algumas alterações, mas não teve jeito, fui recusado e aqui estou. Não entrei neste orçamento, que pagaria no próximo exercício a partir de janeiro. Agora, diz a Lei, só em julho vindouro terei nova chance. Tomara que essas falhas sejam sanadas e não apareça outra Instrução Normativa para atrapalhar minha entrada em outra fila de espera”.
  • Enquanto isso, no balcão de atendimento da Divisão, o cidadão chegou e foi logo bradando: - “quero receber meu precatório”. E repetia, em voz alta: “quero o meu dinheiro, quero o meu precatório”! Solícito, o funcionário pediu os dados à parte para verificar em que pé estava aquele processo. Consultando o computador, o sistema informava que já havia sido pago. Essa informação foi transmitida ao cidadão interessado, que bradava: “mas, como? É impossível, eu não recebi nada”. Nesta altura, a Diretora foi chamada.
  • Como é sabido, em todo processo, as partes nomeiam seus advogados, assegurando-lhes, através de procuração, o direito de recorrer, assinar, confessar, firmar compromissos ou acordos, receber e dar quitação, entre outros poderes. Não havia dúvidas, o advogado já recebera aquele valor. Difícil era fazer o cidadão entender aquele procedimento. Não raras vezes o advogado (alguns são especialistas em contar estórias) não repassava a verba da parte.
  • Depois de muitos conflitos assim, o Tribunal Regional Federal – 3ª Região passou a intimar, além do advogado, as partes interessadas para o pagamento do precatório.
  • Posteriormente, criou-se a Requisição de Pequeno Valor (RPV), (60 salários mínimos) para pagamento até 60 dias. A Resolução nº 117, de 22 de agosto de 2002, consolidou a regulamentação vigente sobre os procedimentos a serem adotados, em razão de sentença transitada em julgado. Neste caso de RPV, quando disponível o numerário, o Presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região determinará a transferência do valor para conta remunerada da Instituição Bancária Depositária, à ordem do Juízo da execução, que tomará as providências cabíveis.
  • Hoje, com o avanço da tecnologia, os precatórios entram no Tribunal Regional Federal, via on-line e a papelada, parece, foi extinta. É o Judiciário Federal se modernizando... para atender melhor o cidadão.



  • * Funcionário aposentado do TRF – 3ª Região

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O TAPETE DO DESTINO - JOSÉ FELDMAN

 





O TAPETE DO DESTINO

José Feldman

  

"Salaam’aleikum" (Que a paz esteja convosco), almas curiosas. Aproximem-se, pois o fio que vou tecer agora é feito de astúcia e de uma coragem que nem as tempestades de areia podem apagar. Eu sou Mustafá, o peregrino, e hoje lhes contarei como a mente de uma mulher pode ser mais afiada que a espada de um mameluco.

 

"Bismillah" (Em nome de Deus), comecemos a urdir esta trama.

 

Nas montanhas do Atlas, vivia uma jovem chamada Layla, famosa por seus tapetes que pareciam capturar as cores do pôr do sol. 

 

Um dia, um adivinho sombrio passou por sua aldeia e, ao olhar para a palma de sua mão, sentenciou: "Maktub (Está escrito): Antes que a próxima lua cheia se ponha, a pobreza baterá à sua porta e levará sua última gota de esperança."

 

Layla sentiu o frio do medo, mas não se curvou. 

 

— "Ya Rabb" (Ó Senhor), pensou ela, "se o destino é um tecido, eu sou aquela que segura a agulha."

 

Ela não parou de trabalhar. Em vez de lamentar, Layla começou a tecer um tapete diferente de tudo o que já fora visto. Era um tapete de "Kohl" (Negro profundo), mas com fios de seda que brilhavam como prata sob a luz da lua. Nele, ela não desenhou flores ou figuras geométricas, mas sim o mapa das estrelas e os segredos do vento.

 

Quando a lua cheia chegou, o Destino, personificado na figura de um cobrador implacável enviado por um mercador ganancioso, bateu à sua porta. 

 

— "Vim levar seus teares e sua casa por dívidas que seu pai deixou", disse o homem com voz de pedra.

 

Layla, com um sorriso calmo, disse: 

 

— "Ahlan wa Sahlan" (Seja bem-vindo). "Antes de levar tudo, peço que avalie esta peça única. É o Tapete do Tempo. Dizem que quem pisa sobre ele pode ver o futuro, mas apenas se o seu coração for puro."

 

O mercador, movido pela ganância e pela curiosidade, pisou no tapete. Layla, com sua habilidade de tecelã, havia criado uma ilusão de ótica com os fios de prata; ao se mover sobre eles, o mercador sentiu como se o chão estivesse desaparecendo sob seus pés, revelando um abismo de estrelas. Assustado e acreditando estar diante de uma magia poderosa que punia os gananciosos, ele caiu de joelhos.

 

— "Perdoe-me!" gritou o homem. “Perdão! Fique com tudo, apenas me deixe sair deste feitiço!"

 

Layla permitiu que ele fugisse. Ela não havia mudado o que estava escrito nas estrelas, mas mudou a forma como o mundo a via. A pobreza nunca entrou naquela casa, pois sua fama de "Sábia dos Tapetes" atraiu viajantes de todo o "Magrebe" (Ocidente Árabe), que pagavam fortunas para ouvir seus conselhos enquanto ela tecia.

 

"Alhamdulillah" (Louvado seja Deus), pois a inteligência é o presente mais precioso dado aos mortais. O destino pode escrever a primeira linha, mas somos nós que terminamos a estrofe.

 

Obrigado por me ouvirem sob este manto de estrelas. “Assalaam'aleikum” (Que a paz de Deus esteja com vocês). 



(FONTE "ECOS DO DESERTO, DE JOSÉ FELDMAN)

 


TROVAS DE VÁRIOS AUTORES

 






TROVAS DE DIVERSOS AUTORES



Esperança é aquele brio
com que a magia da vida
mantém aceso o pavio
sobre a cera derretida...

            Antonio de Oliveira- Rio Claro/SP

Vão-se as agruras da lida
e tudo tem mais valia
sempre que a vida é envolvida
nos braços da poesia!

            Antonio Juraci Siqueira- Belém/PA

Eu trago minha alma aflita,
bem vês ciúme em meu rosto;
o mal é seres bonita
e os outros terem bom gosto!

            Aparício Fernandes- Acari/RN (1934 – 1996) Rio de Janeiro/RJ

No palco do meu viver,
com a mente distraída,
eu sou ator sem saber
neste teatro de vida.

            Ari Santos de Campos

TROVAS DO HUMBERTO DEL MAESTRO


 



TROVAS DO HUMBERTO DEL MAESTRO



Fim da vida um leve arranjo;

de pecado estou deserto...
.
Não me julgo ainda um anjo,

mas estou chegando perto.


Meu mundo é só de esperança,

que em outro não sei viver...

Sou poeta, sempre criança,

que é pecado envelhecer.


Se eu morrer de verdade,

que eu vá, por Deus, de mansinho,

repleto da claridade

do teu sorriso e carinho.


Amo o meu jardim pequeno

cheio de avencas e asplênio,

qual Jesus, terno e sereno,

a pregar entre os essênios.




domingo, 21 de junho de 2026

GRANDES TROVADORAS

 


      (JARDIM DA LALINHA, TROVADORA TAMBÉM, EM IPUPIARA, BAHIA)



GRANDES TROVADORAS


A gratidão tem memória,

olha atrás, de vez em vez...

vê, nas pegadas da história,

cada bem que alguém lhe fez!


ELVIRA DRUMMOND


Ser justo é ter alcançado

esta enorme dimensão:

- Se grande é o mal do pecado,

maior é o bem do perdão.


VANDA FAGUNDES QUEIROZ


Há mistério neste mundo

que desafia a razão...

Pois, só Deus tem o profundo

supremo poder na mão.


DULCE A. SIQUEIRA


Há sempre o dedo de Deus

na flor, no inseto que voa...

No bem que chega, no adeus;

no gesto de quem perdoa.


MARIA THEREZA CAVALHEIRO



GRANDES TROVADORES

 




GRANDES TROVADORES



Avisto já no horizonte,
em pleno declínio, o sol;
mas não me abato, ergo a fronte
e aguardo um novo arrebol
.
    JESSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO


Não levo mágoas comigo,
e tampouco o desamor;
levo a paz de um Deus amigo,
parceiro da minha dor!

MATUSALÉM DIAS DE MOURA

Minha própria mágoa inventa
a rima, como saída,
só assim a gente aguenta
as intempéries da vida.

CARLOS RIBEIRO ROCHA

Cada dia mais me afundo
na vida, em seu vai-e-vem,
e escondo as dores do mundo,
porque são minhas também.

HUMBERTO DEL MAESTRO





sábado, 20 de junho de 2026

CARTA-RESPOSTA A UMA PESQUISADORA - FILEMON MARTINS

 





Carta-resposta a uma pesquisadora.

Cumprimentos.

                         FILEMON MARTINS

 

Em resposta à sua pesquisa, passo a fornecer-lhe algumas informações, conforme solicitou:

Fiz o curso de Administração de Empresas, na Faculdade de Administração e Ciências Econômicas “Santana”, em São Paulo. Contudo, após ter prestado serviços à Empresa Folha da Manhã S/A (proprietária do Jornal Folha de São Paulo) e, por concurso público, à Prefeitura Municipal de São Paulo, tornei-me, posteriormente, também por concurso público, funcionário do Judiciário Federal, lotado no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, com sede na Av. Paulista, 1842. Hoje, conforme disse Fernando Henrique Cardoso, sou vagabundo, (aposentado), mas ele também o é. Hobby? Passa tempo? Gosto de ler, escrever, ver filmes, séries, fotografias como amador e relógios de paredes, modelos diversos, além de gostar de plantas, árvores, natureza... Publiquei em 97 o meu primeiro livro de poemas, "FLORES DO MEU JARDIM", com edição esgotada. Depois, vieram outros, como "DICIONÁRIO GENEALÓGICO DA FAMÍLIA RIBEIRO MARTINS", (2007) em coautoria com Mário Ribeiro Martins, "ANSEIOS DO CORAÇÃO" (2011), "FAGULHAS" (artigos, cartas, crônicas e ensaios 2013), "SONETOS & TROVAS" (2014), "FLORES DO MEU JARDIM" (2ª edição revista e ampliada-2016), "HISTÓRIAS QUE SÓ AGORA EU CONTO" (2018), "CAMINHOS DO JORDÃO DA BAHIA" (2022), "O COTIDIANO DA VIDA, HISTÓRIAS E VERDADES" (2024) e "DE TUDO UM POUCO" (2025). Tenho participado de várias antologias pelo Brasil. Publico também pela internet alguns trabalhos, que podem ser acessados através do BLOG LITERÁRIO DO FILEMON – no endereço: blogliterariofilemon.blogspot.com -onde tenho inserido trabalhos de diversos autores e em minha página Filemon F. Martins, do Facebook.

Carnaval? Considero uma festa popular, uma manifestação artística do povo. Mas, pessoalmente não aprecio. Pena de Morte: não creio que seja a solução dos nossos problemas. Aliás, escrevi um texto com os seguintes dizeres: “Hoje, no Brasil, entre outros problemas, o que se constata é o descaso de nossas autoridades no que diz respeito à saúde, à educação e à administração pública. O desconforto é geral. Ora, sem saúde, sem educação é impossível a população obter seu espaço, crescer, produzir e colher os frutos do seu trabalho. Aliás, uma grande parte do povo não tem sequer um emprego para garantir sua sobrevivência e de sua família.” É assim que penso. Creio que a solução é a longo prazo com educação, principalmente. Pena de Morte não vai resolver.

Quanto aos transgênicos, o assunto ainda é polêmico, os países pobres contam com um aliado poderoso, porque a Comunidade Europeia encara com desconfiança os transgênicos, por considerá-los nocivos à saúde, conforme o Jornal do Brasil. No mercado americano já existem uma infinidade de produtos agrícolas transgênicos, a maioria dos quais produzidos a partir de sementes manipuladas geneticamente por laboratórios multinacionais, conforme a mesma fonte. Não obstante esta desconfiança, acredito que poderá ser útil para resolvermos o problema de alimentação no Brasil e no mundo.

A Tradição Gaúcha é rica e muito interessante. Precisa ser mais difundida. Rodeios? Infelizmente não conheço nem o de Barretos/SP nem o de Vacaria/RS. Aliás, o Rio Grande do Sul, detentor de uma qualidade de vida superior a maioria dos Estados brasileiros, precisa difundir também a literatura e outros costumes. A propósito, mantenho um intercâmbio de correspondência com o Clube dos Escritores de ALVORADA/RS. Um exemplo a ser seguido, porque “um País se faz com homens e livros”. (Monteiro Lobato)  

CONVERSA CALADA - VANDA FAGUNDES QUEIROZ

 




CONVERSA CALADA

Vanda Fagundes Queiroz


 

Com tanto sentimento solitário,

meu existir interno é tão intenso,

que para reparti-lo às vezes penso

num interlocutor imaginário.

 

E sinto, então, falar de modo vário

minha alma com seu repertório imenso,

tão vasto que nem sei como é que venço,

sozinha, o turbilhão do meu fadário.

 

Embora eu tenha apenas uma vida,

termino por fazer-me bipartida,

se eu mesma falo e escuto a minha voz.

 

Na minha eterna e ardente introversão,

de tanto argumentar com a solidão,

eu vivo sempre dialogando... a sós.

 

(Do livro "CONVERSA CALADA", página 7)

A VERDADEIRA RIQUEZA - JOSÉ FELDMAN

 




 A VERDADEIRA RIQUEZA


José Feldman

  

"Salaam’aleikum" (Que a paz esteja convosco), meus atentos amigos. Sentem-se mais perto, pois o segredo que vou lhes contar agora é como o almíscar: quanto mais se espalha, mais doce se torna o ambiente. Eu sou Mustafá, o peregrino, e hoje as estrelas nos guiam até o Cairo, onde as areias guardam lições que o ouro não pode comprar.

 

— "Bismillah" (Em nome de Deus), abramos o cofre do conhecimento.

 

Havia um jovem chamado Karim que, ao ficar órfão, recebeu de seu pai uma herança incomum: uma pequena bolsa de couro contendo apenas três moedas de cobre e um pergaminho que dizia: 

 

— "Estas são as moedas da sabedoria. Use-as quando o caminho escurecer e a dúvida for sua única companheira."

 

Karim, decepcionado, pois esperava joias ou propriedades, partiu para a grande cidade para tentar a sorte. 

 

No caminho, encontrou um ancião sentado à beira de uma estrada empoeirada. 

 

— "Ya Waladi" (meu filho), disse o velho, "estou com fome e não tenho nada além de conselhos para vender."

 

Karim, movido por compaixão, entregou a primeira moeda de cobre. O velho sorriu e disse: 

 

— "Nunca tome uma decisão importante enquanto a raiva governar seu sangue." 

 

Karim guardou a frase e seguiu.

 

Mais adiante, em um mercado movimentado, ele viu um homem errante sendo injustiçado. Ele entregou a segunda moeda a este homem, um sábio errante que fora confundido com um ladrão. 

 

O sábio lhe disse: 

 

— "A verdade dita no momento certo vale mais que mil orações em silêncio."

 

Por fim, ao chegar às portas de um palácio onde se buscava um novo conselheiro para o Vizir, Karim encontrou um mendigo cego. 

 

— "Inshallah" (Se Deus quiser), disse o mendigo, "você encontrará o que busca se ouvir o que o coração dita e não o que o ego grita." 

 

Karim deu sua última moeda e o mendigo sussurrou: 

 

— "A verdadeira riqueza é o que você dá, pois é a única coisa que levará para o túmulo."

 

"Alhamdulillah" (Louvado seja Deus), pensou Karim, sentindo-se estranhamente leve. Ao entrar no palácio, ele não tentou impressionar o Vizir com títulos ou mentiras. Quando o Vizir perguntou o que ele trazia para oferecer ao reino, Karim contou as três lições.

 

O Vizir, cansado de bajuladores que só queriam ouro, viu em Karim a clareza de um oásis. 

 

— "Shukran", disse o governante, "você não trouxe moedas de metal, mas moedas que nunca perdem o valor." 

 

Karim tornou-se o conselheiro mais respeitado da região, provando que a herança de seu pai era, de fato, a maior de todas as fortunas.

 

Que a sabedoria seja sempre a


vossa moeda de troca mais


valiosa. “Assalaam'aleikum” (Que


a paz de Deus esteja 


com vocês).






(Fonte: "ECOS DO DESERTO", 



DE JOSÉ FELDMAN)