quinta-feira, 30 de julho de 2026

TROVAS DE SAUDADE

 


                (FOTO DE MAISE J.MARTINS, EM ITANHAÉM, SP)



TROVAS DE SAUDADE
 

Saudade – espelho encantado
que mostra, aos olhos da gente,
toda a imagem do Passado
revivendo no Presente...
P. de Petrus

À saudade dei o braço,
do sonho me fiz amigo,
pois graças a eles eu passo
dias e noites contigo...
José Nogueira da Costa

A solidão me maltrata
e, a brilhar com intensidade,
a lua é um punhal de prata
que me mata de saudade...
Maria Tereza G. Noronha

A saudade, quando ocorre,
sempre causa tanta dor!
Saudade – mal de que morre
quem já morria de amor!
Walter Waeny


(MIL TROVAS DE AMOR E SAUDADE)

O LIVRO E A AMÉRICA - CASTRO ALVES

 




FRAGMENTO DA POESIA “O LIVRO E A AMÉRICA”
             CASTRO ALVES (1847/1871)


Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão-cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo na alma
É germe – que faz a palma,

É chuva – que faz o mar.

CONSTATAÇÃO - FILEMON MARTINS

 




CONSTATAÇÃO
Filemon Martins


Ontem, por ingenuidade ou credulidade
eu não sabia,
mas hoje eu sei:
tudo o que ele disse
não passou de enganação.
Com frases feitas,
palavras escolhidas iludiu o povo,
que hoje sofre as consequências de sua escolha.
Pior,
muitos ainda não perceberam
o engodo, a embromação
e continuam a aceitar, passivamente,
a multiplicação das falcatruas,
do enriquecimento ilícito,
da propaganda enganosa,
dos desmandos,
das mentiras, da dissimulação
e da manipulação das massas.
Acorda, Brasil!

(LIVRO "ANSEIOS DO CORAÇÃO", PÁGINA 40)

quarta-feira, 29 de julho de 2026

TROVAS BRASILEIRAS

 




TROVAS BRASILEIRAS


Crê que é dono do Destino,
tem poder de vida ou morte.
Mas não passa de um cretino,
escravo da própria sorte...

APARÍCIO FERNANDES


O livro é um amigo mudo,
que nos pode compreender.
Revela em silêncio tudo
que precisamos saber.

MARIA THEREZA CAVALHEIRO

Sempre acolho de mãos postas
e, humilde, tento aceitar
o silêncio das respostas
que a vida não sabe dar!

CAROLINA RAMOS

Pingos de chuva que escorrem
no vidro do coração
deixam marcas que não morrem...
e um mar de desilusão!

JOSÉ FELDMAN

REMINISCÊNCIA - FILEMON MARTINS


 

                             (FOTO DE SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)



REMINISCÊNCIA
Filemon Martins



Nos meus dias repletos de poesia,
naqueles tempos cheios de emoção,
batia, no meu peito, o coração
em busca dessa paz tão fugidia.


Recordo aqueles versos que escrevia,
brincando nas Chapadas do Sertão,
quando os sonhos na vida muitos são
e a Esperança no Amor é uma alegria.


Mas as portas da vida se fecharam,
e tudo não passou de um breve sonho,
só ilusões na vida me sobraram...


Hoje! Esperanças – folhas destruídas...
Da vida – flores, rosas, pressuponho
só restam amarguras recolhidas!...

TROVAS BRASILEIRAS

 


               (FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM)


TROVAS BRASILEIRAS


Como ilude a aparência...

Santo homem, bom cristão;

era a virtude, a decência,

por dentro - que podridão!

JESSÉ DO NASCIMENTO


Bendito quem no caminho

plantando amor entre irmãos

tem mãos que se fazem ninho

para aquecer outras mãos!

PEDRO ORNELLAS


Rejeito fraude e sofisma,

que a virtude é o meu condão.

Minha alma transpira o crisma

da inocência e do perdão.

HUMBERTO DEL MAESTRO


Mesmo pisando nos cardos

meus rastros serão pepitas,

pois, as lágrimas dos bardos

tornam-se trovas bonitas.

CARLOS RIBEIRO ROCHA

 


O LOURO - ALMEIDA DA NOBREGA ARLINDO

 





O LOURO

Almeida da Nobrega Arlindo

 

Como num passe de mágica
meu lourinho se evadiu,
a porta estava entreaberta
e no meu ombro ele subiu,
foi tudo assim, de repente,
ele me olhou diferente,
"me disse adeus" e sumiu.

Ah saudade cruciante!

 

(Enviado pelo autor via Messenger)


terça-feira, 28 de julho de 2026

O BEIJA-FLOR - FILEMON MARTINS

 




O BEIJA-FLOR

Filemon Martins


Levanto cedo e veja quem me espera,
um lindo beija-flor beijando a rosa.
Não para de adejar, ai quem me dera
sugar também aquela flor mimosa.


Quantas flores o beija-flor paquera
e baila no ar buscando a flor ditosa
e se exibe num voo que acelera
à procura da flor, a mais viçosa.


De flor em flor consegue seu intento,
mesmo voando em luta contra o vento
para beijar, feliz, mais uma  flor...


Também o bardo – beija-flor certeiro,
de verso em verso vai buscar faceiro
dentro do peito uma canção de amor.

TROVAS BRASILEIRAS

 


                   (FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM-SP)



TROVAS BRASILEIRAS


Na terra, a justiça é humana,

as falhas são naturais;

no céu, se faz soberana,

pois Deus não falha jamais!

ELVIRA DRUMMOND


Todos seriam felizes,

com sentenças mais corretas,

se, em tribunais, os juízes

dessem lugar aos poetas.

OLGA AGUILHON


Jesus, o Mestre Divino,

que por nós morreu na Cruz,

deixou, no breve destino,

um longo rastro de luz...

MARIA THEREZA CAVALHEIRO


Coração de Mãe - canteiro

em perene floração,

onde um santo jardineiro

planta as rosas do perdão.

MARILITA POZZOLI 

TROVAS BRASILEIRAS


 

                  (FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM)


TROVAS BRASILEIRAS


Creio no poder sem fim,

que emana de Deus bendito,

eu posso não crer em mim,

mas em Deus eu  acredito.

GERALDO AMÂNCIO


Quando tropeço não ligo,

nessas andanças que eu faço;

Deus olha o rumo que eu sigo

não a elegância do passo!

PEDRO ORNELLAS


A educação, ninguém meça

pela toga, ou faculdade...

Nunca acaba, sim, começa

no lar, e não tem idade.

LUIZ DAMO


Abra um livro e veja quanto

ele tem para mostrar,

sabe o livro tanto, tanto,

que esconde o céu, guarda o mar...

CARLOS RIBEIRO ROCHA 

domingo, 26 de julho de 2026

LEMBRANDO O LAVRADOR - FILEMON MARTINS

 


                            (FOTO DE SAUL RIBEIRO DOS SANTOS)


LEMBRANDO O LAVRADOR

Filemon Martins

 

Eu me levanto cedo e abro a janela

para ver o romper da madrugada,

a Natureza em festa se revela

numa canção de amor bem orquestrada.

 

O Universo, de luz, parece tela

por um pintor supremo, executada,

tornando-se elegante passarela

onde faz coro a alegre passarada.

 

O sol desponta, quero uma caneta,

mas a enxada é que vem para a retreta

e quer dançar comigo no roçado...

 

A enxada tine e estronda pelo eito,

vou capinar a terra do meu jeito

só amanhã, que agora estou cansado!

SEU PNSAMENTO - ODIR MILANEZ DA CUNHA


 



SEU PENSAMENTO

Odir Milanez da Cunha (In memoriam)

 

Se eu pudesse adentrar seu pensamento,

Pudesse ser seu guia vida afora,

Você jamais iria onde se chora,

Nem seria refém do sofrimento.

.

Das horas roubaria o mau intento,

Para lhe ver sorrisos desde agora,

O seu rosto aprazendo, sem demora,

Dos passeios da paz o advento!

.

Cingiria de ouro a sua aurora,

Traria amores mais ao seu momento,

Calmaria seus passos toda hora.

.

Vestiria de verso a voz do vento,

Do mar a tempestade iria embora,

Se eu pudesse adentrar seu pensamento!

.


(Livro "Prateando Versos")

HISTÓRIAS DE MÉDICOS - FILEMON MARTINS

 




HISTÓRIAS DE MÉDICOS

Filemon Martins

 

Essa e outras histórias me foram contadas por um médico do Rio de Janeiro. Entre 1991 e 1992 era comum alguns médicos saírem do Rio para trabalharem em São Paulo, fazendo plantões de 24 horas. Diziam eles que a saúde no Rio de Janeiro estava um caos. Muitos médicos vinham a São Paulo naquele período, trabalhavam e depois retornavam ao Rio de Janeiro. Como eu trabalhava no setor de Recursos Humanos do Hospital Municipal Dr. Alípio Corrêa Netto, Ermelino Matarazzo, tinha a oportunidade de trocar ideias com alguns profissionais da saúde.

Um deles gostava de contar suas experiências como médico, como essa que narro agora: chegou ao Pronto Socorro um senhor já aposentado com fortes dores no corpo, levado ali por alguns amigos e o médico depois de examiná-lo, o encaminhou para fazer alguns exames. Enquanto esperava os resultados dos exames que solicitara, resolveu conversar com os amigos do homem e perguntou: - vocês sabem o que ele tem? Um deles respondeu: - bom, ele tem uma casinha onde mora com a mulher e parece que tem um terreno na periferia da cidade, conta em banco deve ter também, pois ele é aposentado. O médico, então, se explicou melhor: - não, eu quero saber se ele já foi em algum hospital sentindo essas mesmas dores. – Ah, disse os amigos, sei não, doutor, sei não.