quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O ROSTO DE SEDA E O CORAÇÃO DE ESPINHOS - JOSÉ FELDMAN

 




 O Rosto de Seda e o Coração de Espinhos


José Feldman

  

Preparem seus sentidos, ó ouvintes da verdade, pois Mustafá vos contará uma história onde o rosto é um espelho, mas a alma é um abismo de discórdia. Em Bagdá, o sol brilha para todos, mas a sombra de um homem pode esconder um segredo que nem a lua consegue iluminar.

 

Nas terras férteis que margeiam o Tigre, governava o Sheik Omar, um homem de imensa generosidade e justiça. Mas o que poucos súditos sabiam, ó Nobre Sheik, é que Omar tinha um gêmeo chamado Karim. Enquanto Omar dedicava sua vida ao serviço do povo, Karim vivia isolado nas bordas do deserto, consumido pela inveja, pois nascera apenas alguns minutos depois do irmão, perdendo o direito ao título.

 

Karim possuía o mesmo rosto esculpido, a mesma barba negra e os mesmos olhos cor de âmbar de Omar. Aproveitando-se dessa semelhança divina, ele tramou um plano de mentira. Sempre que o Sheik Omar partia em longas viagens para mediar conflitos entre tribos distantes, Karim entrava furtivamente na cidade ao cair da noite.

 

Vestido com as sedas reais e usando o perfume de sândalo do irmão, Karim apresentava-se aos criados e mercadores. Com uma voz que imitava perfeitamente o tom de autoridade de Omar, ele começou a exigir tributos antecipados. 

 

— “Tragam-me dez camelos de raça pura para minhas cavalariças particulares!”, ordenava ele no mercado. “Enviem doze criados para a minha residência no oásis sul, pois o Sheik deseja expandir sua vigília!”, dizia ele aos prefeitos.

 

Por meses, Karim acumulou uma riqueza ilícita. Sua casa no deserto tornou-se um palácio oculto, cheia de servos que acreditavam estar servindo ao verdadeiro governante. Enquanto isso, o Sheik Omar, ao retornar de suas viagens, estranhava os olhares de medo de seu povo e as reclamações sobre impostos que ele nunca decretara.

 

A farsa ruiu quando um velho sábio, que conhecia a alma de Omar através de seus olhos, percebeu que o 'Sheik' que pedia camelos no mercado não retribuía a paz com a mesma luz de antes. O sábio alertou Omar, que armou uma emboscada de silêncio.

 

Certa tarde, Omar fingiu partir, mas escondeu-se atrás das cortinas da sala de audiências. Karim entrou, altivo, e começou a dar ordens para confiscar mais ouro. No momento em que Karim sentou-se no trono, Omar surgiu das sombras. Era como ver um homem diante de seu próprio reflexo.

 

— “O rosto pode ser o mesmo, meu irmão, disse Omar com uma voz cheia de tristeza, mas o trono não é feito de carne, é feito de confiança. Você roubou o que o dinheiro compra, mas nunca poderá roubar o amor que o povo tem por quem os serve com a verdade.”

 

Karim, tomado pela vergonha, caiu de joelhos. Omar, em sua infinita misericórdia, não o executou, mas o condenou a trabalhar como um simples pastor para os mesmos camelos que ele havia roubado, até que suas mãos calosas aprendessem o valor do suor honesto.

 

Mustafá ajustou seu turbante e olhou profundamente para os presentes, finalizando:

 

"O ensinamento desta história, ó ilustres, é que a personalidade de um homem não está na sua aparência, mas em suas ações. Pode-se enganar os olhos com um rosto idêntico, mas nunca se pode enganar o destino com uma alma roubada. O que é construído sobre a sombra do outro desmorona assim que a luz da verdade brilha, pois ninguém pode sustentar o peso de uma coroa que não conquistou com a própria virtude."



(FONTE: "ECOS DO DESERTO", DE JOSÉ FELDMAN)


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

ALVORECER - FILEMON MARTINS

 


                               (FOTO DE SANDRO, CARRANCA, BA)



ALVORECER
Filemon Martins



Num festival de luz, a madrugada
vem surgindo no céu, risonhamente:
a Estrela d’Alva brilha alcandorada
sobre a Terra, que a fita, resplendente!

A Natureza, então, qual namorada,
de flores se engalana, sorridente,
cigarras cantam, canta a passarada
agradecendo a Deus esse presente.

E a estrela que brilhava, já sombria
desaparece... e o mundo que dormia,
desperta, alegre, em meio dessa festa...

Não há beleza que se iguale a esta,
quando luzente o sol se manifesta
no começo feliz de um novo dia!...

DEZ ANOS DEPOIS - FILEMON MARTINS

 




 

DEZ ANOS DEPOIS

 

 

Na política, boa parte da população brasileira tem memória curta, curtíssima, visto que já se passaram vários anos, décadas de promessas e mais promessas, e poucas realizações do partido que governa. Na teoria são quase iguais, apenas mudam para se adequar aos novos tempos, conforme a ocasião, para enganar eleitores desavisados e simplórios.

Mas na prática pouco se fez. Enquanto o trabalhador se esfola no dia a dia para ganhar algumas migalhas, o grupo político que está no poder, se enriquece cada vez mais. Vamos reler um texto, publicado pela Revista Veja, em 02/03/2016, de J. R. Guzzo, falecido em agosto de 2025, com o título de AGONIA MORAL:

 

J. R. GUZZO

(REVISTA VEJA, QUE FOI PARA AS BANCAS EM 02/03/2016)

 

“O ex-presidente Lula perdeu o bem mais precioso que poderia ter – a força decisiva para tornar-se alguém que valha a pena como pessoa e como homem público.

A desmontagem da estrutura ética do ex-presidente está sendo feita unicamente através de fatos, não de alegações; e são fatos que não precisam mais ser provados, pois todas as provas já foram exibidas e confirmadas. Mais: nenhum deles, até agora, foi apresentado ao público brasileiro pela oposição, que se limita a acompanhar sua divulgação na imprensa e fazer o mínimo possível de comentários”.

 

Estamos em 2026, dez anos depois e Lula é presidente, já no terceiro mandato e continua fazendo as mesmas promessas para um povo incauto e sem memória. Agora, esbraveja enfurecido, defendendo organizações criminosas que atuam no Brasil, onde criminosos são protegidos e trabalhadores são explorados. E há um contingente de interesseiros e bajuladores que o defendem, com a pretensão de um quarto mandato.

Para nossa ventura, o Brasil é um país grande e exuberante, com certeza sobreviverá a esta hecatombe.

 

 

Filemon Martins

Escritor e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras


A RUA QUE EU IMAGINO -GIÓIA JÚNIOR

 




A RUA QUE EU IMAGINO

Gióia Júnior


A minha rua há de ser muito bela.

Não há de ser edificada a limas

com as róseas, doiradas pantomimas

de um menestrel que deslumbrou-se ao vê-la.


Não de ter castelos e vindimas

e fulgores miríficos de estrela;

a minha há de ser simples como as rimas

que ora ocupo entretido a descrevê-la.


Há de ter uma igreja pequenina

(e neste meditar me glorifico)

não haverá badalos e nem dobres...


Ela há de ter o dístico que ensina:

Um pouquinho de paz para o mais rico,

um pedaço de pão para os mais pobres.


(FONTE: "O CÂNTICO NOVO", PÁGINA 36)

TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


Já não tenho mais vaidade,

e nem sei o que é prazer,

e a minha alma, de saudade,

vai morrendo sem te ver.


Fico triste e encabulado

com tanta dor e maldade,

que pergunto, já cismado:

- terá jeito a Humanidade?


Não reclamo desta vida,

mas da sorte que maltrata;

quanto mais busco a subida,

mais sinto a dor da chibata.


Já no fim do meu roteiro,

reconheço, nada fiz:

sou apenas um troveiro

buscando um mundo feliz.

TROVAS BRASILEIRAS SOBRE INFÂNCIA

 




TROVAS BRASILEIRAS SOBRE INFÂNCIA


Hoje, a infância me recorda
esse velho amigo meu:
um palhacinho de corda
tão sem corda quanto eu!... 
     Elton Carvalho/RJ

Em minha infância, eu fazia
meu sonho ser tão real,
que uma fazenda cabia
no fundo do meu quintal ! 
      Sérgio Ferreira da Silva/SP

Às vezes, na velha idade,
minha infância sobressai,
e eu peço colo à saudade
fingindo que é o teu, meu pai.
      Otávio Venturelli /RJ

Entre a tua e a minha idade,
filho meu, quanta distância...
– És a infância da saudade!
– Sou a saudade da infância!     
 José Maria Machado de Araújo/RJ

O ECO DA MONTANHA E O CÁLICE DO SILENCIO - JOSÉ FELDMAN

 





O Eco da Montanha e o Cálice do Silêncio


José Feldman

  

Aproximem-se, ó buscadores da luz, pois esta história é como o desabrochar de uma rosa no meio de um deserto de pedras. Mustafá vos contará sobre uma mulher cujo grito era tão alto que ela se tornou muda para o mundo.

 

Nas terras de Sham (Síria), vivia uma mulher chamada Amina. Ela era uma poetisa famosa, mas sua alma era habitada por uma tempestade constante. Amina falava sem parar; suas palavras eram como flechas lançadas ao vento, buscando preencher o vazio de sua solidão. Ela reclamava do destino, gritava ordens aos servos e debatia com os sábios até que sua voz, de tanto ser usada como arma, simplesmente se apagou.

 

Amina tornou-se muda. Nenhum médico de Bagdá ou alquimista do Egito conseguiu devolver-lhe o som. Desesperada, ela ouviu falar do País das Pessoas Surdas e da Shajarat al-Hikmah (Árvore da Sabedoria) que lá crescia. Ela viajou por meses, carregando no peito uma angústia que pesava mais que suas provisões.

 

Ao chegar ao reino do silêncio, Amina tentou gritar sua dor, mas apenas o vento respondeu. Ela viu as mãos dos habitantes tecendo conversas no ar, como se estivessem bordando a própria vida. Um dia, exausta de tentar se fazer entender, ela sentou-se à beira de um riacho que corria sem murmúrio.

 

Um ancião de olhos profundos aproximou-se e entregou-lhe um cálice vazio. Ele fez um sinal: 

 

— “Encha-o com o que você ouve”. 

 

Amina olhou em volta, confusa. Não havia som. Mas, ao fechar os olhos e forçar-se à serenidade, ela começou a ouvir o que antes era abafado pelo seu próprio falatório.

 

Ela ouviu o crescimento da grama, o bater do coração de um pássaro e, finalmente, ouviu a voz de sua própria alma pedindo perdão por ter sido tão negligenciada. Amina chorou lágrimas de arrependimento. Naquele instante, ela compreendeu que sua mudez não era um castigo, mas uma misericórdia de Alá para que ela finalmente parasse de falar e começasse a escutar.

 

Quando o cálice de sua paciência transbordou, ela abriu a boca e uma única palavra saiu, suave como o mel: 'Alhamdulillah' (Louvado seja Deus). Sua voz voltara, mas não era mais a voz estridente de antes; era um som carregado de luz.

 

Mustafá acariciou sua túnica e olhou para o Sheik com um sorriso sábio:

 

"A moral desta história, ó Nobre Senhor, é que muitas vezes perdemos nossa força porque a desperdiçamos em ruídos inúteis. A verdadeira voz de um homem só encontra seu tom mais puro quando ele aprende a silenciar o barulho do seu próprio ego. Quem não sabe calar, jamais saberá realmente o que dizer, pois as palavras mais poderosas nascem no solo fértil do silêncio."



(FONTE "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)


TROVAS BRASILEIRAS

 




TROVAS BRASILEIRAS


Da vida extraio a beleza

de uma forma bem singela;

posso afirmar, com certeza,

com amor, a vida é bela.

JESSÉ NASCIMENTO


Vem do céu a luz brilhante

que é graça do Deus - Javé.

Livres da Babel distante

caminha o povo com fé!

SÍLVIA ALICE


No silêncio do meu quarto,

eu, eterno sonhador,

com a solidão reparto

nossos segredos de amor.

MARIA HELENA


A vida é uma luta,

mas não me dou por vencida,

enfrento minha labuta,

com coragem merecida.

ELIANA COSTA


Numa rápida passagem,

teu coração veio ao meu,

deixou singela mensagem

que no tempo se perdeu.

NEUSA APARECIDA

TROVAS BRASILEIRAS

 




TROVAS BRASILEIRAS



Amor, palavra que inspira
todo um mundo de ternura,
no fundo é a eterna mentira,
que não mata – mas tortura. 

Colombina



Eu vi o rio chorando,
quando te foste banhar,
por não poder, te banhando,
dar-te um abraço, e parar... 

Adelmar Tavares



Quero ser livre, é verdade.
Entretanto, os olhos meus,
vivem minha liberdade
na prisão dos olhos teus! 

Lilinha Fernandes



Riste de mim, e, portanto,
o nosso amor já não vive...
- Foi culpa do teu encanto
o desencanto que tive. 

Walter Waeny

ESCASSEZ DE CARÁTER - FILEMON MARTINS

 







ESCASSEZ DE CARÁTER



É impossível ficar alheio ao que se passa em todo o Brasil, no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal. Nestes últimos tempos, a escassez de caráter de nossos deputados, juízes, ministros e políticos em geral tem sido um contrassenso. Transformaram-se em déspotas e oportunistas.

Insistem em perpetuar a miséria no país, para terem o controle do poder.

O povo, pobre e desvalido, comemora as esmolas assistenciais. Dizem na propaganda oficial que tiraram milhões da pobreza. Quem anda pelas ruas, sabe que é exatamente o contrário, 30 passos e você já encontra sem teto, sem comida, jogado nas ruas e praças, agora vivendo na miséria.

Mas se você dialogar com ele, saberá que recebe o bolsa família, por isso vota no PT.

Deste modo, o país vai descambando para a falência total, sem emprego, sem trabalho e sem educação, com fábricas e lojas fechando as portas.

Ao cidadão comum não é dado o direito de entender como a Justiça permite que a corrupção se alastre em todos os segmentos, com impunidade, acobertando aqueles que se apropriam do dinheiro do povo, oriundo de uma carga tributária altíssima.   Assim, só nos resta lamentar e protestar contra esses parlamentares, empresários, juízes e ministros, caras de pau, a ponto de obstruírem as investigações, mentirem, omitirem dados num descalabro total de desrespeito ao povo brasileiro e aos cargos que ocupam. Uma pena que alguns eleitores, talvez por interesses obscuros, temporariamente cegos, insistem em não enxergarem o óbvio.
Definitivamente, os políticos brasileiros não são sérios. As exceções, se existem, são tão raras, que, apesar das embrulhadas que o PT e a equipe de Lula fizeram no governo, parece que o eleitor está anestesiado pelo desencanto e pela desesperança que se abateram sobre o Brasil, que se comporta com um “tanto faz, como tanto fez”.

A impunidade tem sido a mola mestra que impulsiona essa engrenagem de corrupção que se alastra por todo o país, sob o olhar complacente e conivente de um Judiciário político que se submeteu aos caprichos dos prepotentes e poderosos, daí estar sendo criticado duramente por quase todos os segmentos da sociedade brasileira.

No campo religioso, descobriu-se o chamado “Evangelho de Judas”. Como se sabe, Judas Iscariotes é conhecido, no Novo Testamento, como o Apóstolo que traiu Cristo, entregando-o aos poderosos romanos que o prenderam, julgaram-no e o condenaram à morte. Independentemente da autenticidade do documento, já se difunde a ideia de que Judas não foi um traidor. Segundo o novo Evangelho, apenas obedeceu a ordem superior e, portanto, não traiu Cristo.

Ora, no cenário político brasileiro, muito antes da descoberta deste documento religioso, a turma do Planalto já incorporava essa ideia: parlamentares que receberam altas somas oriundas do valerioduto, de acordo com o Presidente da República e a maioria da Câmara de Deputados, apenas cometeram deslizes, um simples desvio de conduta, mas não são corruptos e não merecem a cassação. Não traíram o mandato que lhes foi outorgado pelo povo.
É melancólico, mas chega-se à conclusão de que somente o povo, através do voto, se não tivesse memória curta, poderia limpar as cadeiras do Congresso Nacional, na esperança de que se possa construir um Brasil sério, um Brasil justo, com oportunidades iguais para todos, sem conchavos, sem protecionismo, mas com honestidade, dignidade e caráter, que anda em falta no mercado dos que mandam no Brasil. Tomara que sejamos abençoados com mais luz, inteligência e seriedade nos próximos anos! Porque até agora estamos vivendo na Idade das Trevas.

A Bíblia nos ensina, através do grande apóstolo Paulo: “TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS ME CONVÊM”.

 

Filemon Martins

Escritor e Poeta

 


terça-feira, 18 de agosto de 2026

SER FELIZ - FILEMON MARTINS







SER FELIZ

                                         Filemon Martins 

 

Ser feliz é nutrir uma esperança

de construir, na vida, um doce lar

repleto de ventura e segurança

que faz, alegre, o coração cantar.

 

É perseguir um tempo de bonança

através deste amor tão singular.

Amor que crê em tudo e não se cansa

de acreditar, sentir, viver, lutar...

 

Felicidade: um sonho realizado,

a vida construída com cuidado                  

acenando um futuro promissor!

 

É confiar em Deus e ter juízo,

é antegozar, na terra, um paraíso,

- ser feliz é doar-se por amor!





 

LEGADO - FILEMON MARTINS

 






 LEGADO

Filemon Martins

 

A noite cai,

a terra está dormindo.

Já é quase madrugada

e a lua, qual jovem namorada

passeia pelo céu sereno e lindo.

 

Minha alma inquieta sonha

e sonhando vai sorrindo,

à procura do amor

que, em sorrisos, vai se abrindo.

 

O tempo vai passando

e eu vejo na viagem

meus sonhos em revoada,

mas o sol está trazendo a aurora

e repintando, de cores, a paisagem.

 

Meu coração vai aprendendo

a conviver com a saudade,

porque cedo ou tarde

quando chegar o fim,

só restarão meus versos

a soluçar por mim.

NA CLÍNICA - FILEMON MARTINS


 







NA CLÍNICA

Filemon Martins


                                             

     Cheguei ao Centro Clínico de Fisioterapia por volta das 09h50. Como todos os dias, a sala da recepção estava lotada.   – “Bom dia” fui logo dizendo, enquanto alguns respondiam: bom dia.
Pouco tempo depois fui chamado a entrar na sala de fisioterapia, onde muitos pacientes já estavam fazendo seus exercícios. Eu tinha que fazer alguns exercícios, tendo em vista uma cirurgia a que me submeti no pé esquerdo. Enquanto o infravermelho era direcionado para o meu pé, fiquei a ler uma revista antiga.
     Mas, aos poucos, comecei a me interessar pelas histórias contadas pelos pacientes. Uns, estavam ali porque sentiam dores no pé, ou na perna; outros, após um infarto ou mesmo uma cirurgia; alguns sentiam dores nas costas, nos braços, no pescoço e uma senhora, a Dona Berta, porque sentia fortes dores na perna esquerda. Terminada a seção de exercícios, lá vinha o médico fazer uma avaliação, “e aí Dona Berta, como está? melhorou a dor?” – Um pouquinho só, doutor, disse Dona Berta e o médico, então, retrucou: - “É a idade, Dona Berta.” A Dona Berta ficou pensativa e em seguida, disse: “não sei não, doutor, minha perna direita tem a mesma idade, mas não está doendo”...
     E assim se foi mais um dia no Centro Clínico de Fisioterapia, mas amanhã tem mais...


(Do livro FAGULHAS, do autor, página 96)