domingo, 13 de setembro de 2026

O HORIZONTE

 




                           O Horizonte

Certa vez, alguém chegou ao céu e pediu para falar com Deus. Tinha uma inquietação que não conseguia silenciar: havia algo na criação que, aos seus olhos, simplesmente não fazia sentido. Deus o atendeu de imediato, curioso diante de quem ousava apontar uma falha no que havia sido feito.

— Senhor, sua criação é admirável. Cada coisa tem seu lugar, sua função, sua razão de ser. Mas há algo que, por mais que eu tente compreender, não serve para nada.

— E o que seria isso? — perguntou Deus, com serenidade.

— O horizonte. Se dou um passo em sua direção, ele recua um passo. Se avanço cem passos, ele se afasta outros cem. Nunca se deixa alcançar. Nunca se deixa tocar. Para que serve algo que jamais pode ser conquistado?

Deus sorriu — daquele sorriso de quem guarda a resposta antes mesmo de ouvir a pergunta — e disse:

— Mas é exatamente para isso que o horizonte existe: não para ser alcançado, mas para ser perseguido. Ele não é uma promessa de chegada — é um convite permanente ao movimento. Sem ele, você ficaria parado, convencido de que já viu tudo, já viveu tudo, já chegou a algum lugar definitivo. O horizonte é o que impede que a alma enrijeça. É a prova de que sempre há mais: mais distância a percorrer, mais vida a descobrir, mais pessoa a se tornar.

E acrescentou, em voz mais baixa:

— Os que desistem não param porque o caminho acabou.

Param porque esqueceram de olhar para o horizonte.

 

 

“Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade.” — Lamentações 3:22-23

 

“Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.” — Filipenses 3:1314

 

“Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta.” — Hebreus 12:1




(FONTE: "HISTÓRIAS PARA GUARDAR DO ESQUECIMENTO", ORG. DE SAMMIS REACHERS)

 

 

 

 

 

 

 


QUEM FOI MYRTES MATHIAS? - FILEMON MARTINS

 




 

QUEM FOI MYRTES MATHIAS?

Filemon Martins

 

 

Mirtes Matias Antonio, uma das mais notáveis poetisas evangélicas do Brasil, nasceu em Valença, Rio de Janeiro, a 12/01/1933. Filha do Sr. Antonio e Dona Eglantina Mathias.

Fez seus primeiros estudos em sua terra natal, na Escola Rural, dirigida por sua mãe e aprendeu a ler com cinco anos de idade, deslocando-se para outros centros culturais, onde também estudou. Professora, Escritora, Pesquisadora, Intelectual, Educadora, Oradora, Missionária Batista e autora de literatura infantil. Em 1966, com 33 anos de idade, formou-se em teologia.

Chegou a atuar, como missionária, em Tocantínia (TO), mas por problemas de saúde não pode permanecer no campo, embora continuasse empolgada com missões através de seus poemas. Assim, em 1966, atendendo ao convite do Pastor David Gomes, foi trabalhar na sede de Missões Nacionais, como redatora da revista A PÁTRIA PARA CRISTO, onde publicava seus poemas e textos conclamando a todos para atuar na obra missionária.

Em 1988 tornou-se imortal – a primeira mulher na Academia Evangélica de Letras, tendo escrito aproximadamente 19 livros entre poemas, crônicas, romances e histórias infantis. Foi 2º ocupante da Cadeira nº 01 da Academia Evangélica de Letras do Brasil.

Escreveu, entre outros, “POEMAS PARA MEU SENHOR” (1967), “HÁ UM DEUS EM TUA VIDA”, “COMPRA-ME UMA FLOR”, “BOM DIA, AMOR”, “VIM FICAR CONTIGO”, “CAMINHOS DE DEUS”, “MAIS QUE UM DESAFIO”, “CANTA, MESMO QUANDO...”, “MENINA SEM NOME” (1972) e “ANTES QUE CAIAM AS ESTRELAS” (ROMANCE-1972).

Colaborou em jornais e revistas, tais como O JORNAL BATISTA e as revistas A PÁTRIA PARA CRISTO e VISÃO MISSIONÁRIA, entre outras.

Já aposentada, continuou indo à sede de Missões Nacionais e numa máquina de escrever antiga, registrava seus novos poemas, deixando sua marca de grande poetisa evangélica do Brasil, emocionando a todos com seus versos inspirados. “Peso de nossa terra, grito de nosso povo, que suplica um mundo novo, onde haja paz e amor. Como cantar nossa crença deixando na treva imensa o povo que é nosso povo, a terra que é nossa terra, Senhor?”

O seu poema AGORA é de uma suavidade singular. Espelho da Alma foi escrito com emoção: “Se queres dar-me uma flor/faze-o antes que eu morra./Se podes, hoje, fazer o milagre de um sorriso num rosto que chora, /não coloques flores sobre tumbas. Se queres dar-me uma flor, faze-o agora! / Se podes dar um lar ao órfãozinho, abrigo ao pobre que geme lá fora, não encolhas a mão – Deus está vendo. /Se conheces o eterno caminho que leva ao templo onde a alegria mora, não guardes, egoísta, o teu segredo: Se podes dizer, uma frase linda algo que faça a tristeza ir embora, dize-o enquanto posso agradecer sorrindo:/se podes dar-me uma flor, faze-o agora. /Não esperes o instante da partida: se queres me fazer feliz, faze-o agora! Para que chorar de remorso e de saudade? /Custa tão pouco a felicidade...”

No poema TUA MARCA SOBRE MIM, a poetisa escreveu: “...Obrigado, Senhor, por minhas fraquezas, por tudo que me permites sofrer. Transforma meus problemas em bênçãos, ajuda-me a fazer das tragédias um poema: Dá-me a graça para reconhecer que eu sou somente uma parte do teu plano ao qual somente tenho que me submeter.”

Em MEU IRMÃO MAIS VELHO, ela diz: “Tiraram-lhes a liberdade de culto, o direito de abrir as portas do templo, para cantar louvores ao Criador, para buscarem junto o consolo da prece em comum, da meditação nas santas promessas, remédio para um coração em pedaços, da Pátria escravizada. Não mais a alegria de contar, à futura geração, a história daquele outro menino, que nasceu numa manjedoura, conversou com doutores, e brincou nas ruas de Nazaré. Que bom lembrar-te Jesus, como meu irmão mais velho. Distribuindo entre nós tão menores a herança tua por direito. (...) Meu irmão, eternamente jovem, infinitamente forte, todo Amor: Obrigado, pela parte na herança, pelo lugar na família, e pelo doce nome de CRISTÃO”.

Na dedicatória do seu primeiro livro, escreveu: “Pai do Céu: Aí estão meus poemas. É um presente. Melhor. É uma devolução. Vieram de Ti.” Vinte e cinco anos depois, acrescentou: “Tempo de Deus não é nosso tempo, hora dos homens não é sua hora; a gente fica parada até aprender que é parte do plano cada demora...”

É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRAFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br  (extinto)

Infelizmente, como ocorre com outros grandes poetas evangélicos, não é fácil encontrar os seus livros. Uma pena que as editoras evangélicas, especialmente a JUERP, não estejam reeditando seus livros. Myrtes Mathias faleceu em 05.07.1996, e sua última poesia TODOS PRECISAM SABER inspirou a letra do hino oficial da Campanha Missionária daquele ano.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

Texto Missões em Verso e Imagem, de Sandra Regina Bellonce do Carmo, via Internet.

Texto Dicionário de Membros da Academia Evangélica de Letras, de Mário Ribeiro Martins, Ensaios, no site www.usinadeletras.com.br

Informações adicionais: Sammis Reachers, via e-mail, Rio de Janeiro-RJ.

 


(FOCALIZADA EM MEU LIVRO ¨FAGULHAS¨, PÁGINAS 172/174)

 


sábado, 12 de setembro de 2026

INDIGNAÇÃO - FILEMON MARTINS

 




            

            INDIGNAÇÃO

 

 

        É impossível ficar passivo diante de tantas denúncias de corrupção na máquina do governo: há, é verdade, muitas investigações em curso, mas é provável que no fim de todo estardalhaço, nada seja investigado.

        Algumas denúncias apontam o envolvimento de membros do STF, por participação, conveniência, ou qualquer outro nome que se queira dar. O ministro que preside a Corte Suprema é o mesmo que anos atrás tirou Lula da prisão, que havia sido condenado a 12 anos e 1 mês, pela Justiça Federal e pelo Tribunal Regional Federal, da Quarta Região.

        Será que estas investigações chegarão ao final? E se chegarem, teriam um julgamento justo com os rigores da Lei, doa a quem doer?

Vamos aguardar mais um pouco, porque só o tempo dirá o que pode acontecer antes e depois das eleições de outubro/26.

        Neste contexto, qualquer que seja o resultado das investigações, será impossível esconder da opinião pública brasileira, da Comunidade Internacional o que realmente aconteceu dentro da cúpula do Poder.

Aguardemos, portanto!

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

      


OS DONOS DO PODER - FILEMON MARTINS

 




         OS DONOS DO PODER

 
                                                     

     Com a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao Palácio do Planalto, nestes últimos 23 anos, o fascínio da equipe do governo petista pelo poder ficou evidente. Como é possível, mudar tanto? A Filosofia do partido mudou de uma hora para outra. Pelo menos aos olhos do eleitor. Tudo que parecia errado, agora está certo. Tudo que parecia injusto, agora é justíssimo.

      Sabe-se que a herança deixada pelo próprio governo do PT ao longo destes mandatos, foi extremamente pesada. Contudo, o aumento de impostos e taxas adotado pelo governo, também foi alarmante. Se todo este dinheiro fosse gasto com responsabilidade, hoje teríamos melhor educação, mais segurança, melhores estradas e uma infraestrutura modelo.

     Em 1988, Luiza Erundina foi eleita Prefeita da cidade de São Paulo, pelo PT e não obstante as dificuldades que teve de enfrentar, entre outras, peitar os empresários machistas, o preconceito de ser nordestina, o preconceito de ser a primeira mulher a administrar a maior cidade da América do Sul, no campo social, fez um trabalho admirável.

      E era nessa esteira que se esperava que o PT administrasse o país, já que o governo anterior do sociólogo FHC pouco fez pelo social. Quem leu o livro “LULA – BIOGRAFIA POLÍTICA DE UM OPERÁRIO”, de Frei Betto, não reconhece mais o biografado pelo Frei Betto e nem o Partido dos Trabalhadores. Falando sobre a criação do partido, afirma Frei Betto: “Assim, o PT emergia da vontade de independência política desses setores populares, historicamente cansados de servirem de massa de manobra em mãos de políticos e partidos comprometidos com a manutenção de uma ordem política e econômica ATRELADA AOS DONOS DO GRANDE CAPITAL.” (grifo meu)

      Mais adiante, Frei Betto informa um dos pontos do Programa do PT: “Centrado nas questões essenciais ao desenvolvimento social do País, como a suspensão do pagamento da dívida externa, a reforma agrária, o aumento real do salário-mínimo, o combate à inflação, a distribuição de renda, o controle da evasão de divisas, a estatização dos setores estratégicos da economia e a priorização de áreas como saúde, educação, transporte e moradia.”

      No retorno de sua viagem à Europa, num dos seus mandatos, Lula afirmou que “é cedo, pede paciência e não quer ser julgado com pouco tempo de governo”. Está correto, mas como brasileiro nada me impede de registrar aqui minhas opiniões.

      Não era cedo, não era prematuro, já se podia antever o projeto de poder do partido. A prioridade do governo, por exemplo, nunca foi combater a corrupção, à sonegação fiscal e tentar receber as dívidas do INSS. De acordo com a coluna CONEXÃO, do jornal PÁGINA3TRÊS, de Balneário de Camboriú, Santa Catarina, “O Presidente da República, Lula, voltou a defender nesta semana mudanças no Judiciário. Curioso que sua excelência invista, mais uma vez, contra um poder autônomo, justo no momento em que começam a pipocar denúncias de corrupção no poder que ele preside e comanda, o Executivo.” Aliás, diz o dito popular que é mais fácil apontar erros do vizinho, que corrigir seus próprios erros. Dentro deste contexto começou as nomeações de “escolhidos” para o STF.

      O PT nasceu da classe trabalhadora e foi fundado por um trabalhador, mas os fatos mostram que o trabalhador não tem mais lugar no partido. Não há como negar que o PT se amoldou às exigências da elite brasileira. Desta forma, a imprensa, sempre a favor de quem manda, pode noticiar, com estardalhaço, as reformas que trarão benefícios enganosos, como se fossem a salvação da pátria.

      Algumas figuras de prestígio deixaram o PT, como Jacó Bittar, que fora eleito Prefeito de Campinas pelo PT, em 1991. Luiza Erundina, que foi prefeita de São Paulo, anos mais tarde também deixou o PT. Traição? Ingratidão? Radicalização? Será que naquela época, dentro do partido, já havia a intenção de dar calote no eleitor? Sim, porque houve um calote eleitoral. A equipe do governo petista, especialmente os eleitos pelo povo, deputados e senadores, todos estão de uma forma ou de outra, enrolados em corrupção ou são coniventes.

      Tomara que após as eleições de outubro a gente não assista o Inferno de Dante com o Ali Babá e seus inúmeros ladrões dançando e comemorando a continuação da corrupção, dos trambiques, do roubo e da desmoralização dos costumes brasileiros. Oxalá! E você, de que lado vai estar?

 

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DA ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU, SP


O VALE DOS ELEFANTES DE VIDRO - JOSÉ FELDMAN

 




 O Vale dos Elefantes de Vidro


  

Saiba que todo rio encontra seu mar e toda jornada, por mais gloriosa, busca o seu poente. Esta é a derradeira crônica de Aldhiyb Al-Abyad que havia iniciado.

 

Após décadas de aventuras, Aldhiyb sentiu que seus cabelos, agora tão alvos quanto o pelo da fera que um dia fora, pediam repouso. Mas o Destino é um escriba que não deixa páginas em branco. Em sua última expedição ao Extremo Oriente, um redemoinho de águas brancas tragou o Falcão do Índico, lançando Aldhiyb, sozinho, em uma terra onde o tempo parecia ter congelado sob um sol de cristal.

 

Caminhando por desfiladeiros de quartzo, ele chegou ao Vale dos Elefantes de Vidro. Lá, centenas de paquidermes colossais, esculpidos em vidro puríssimo, guardavam o silêncio do mundo. No centro do vale, sentado sobre uma ampulheta gigante cujas areias eram estrelas esmagadas, estava o Senhor do Destino, um ancião cujas mãos teciam fios de luz.

 

— "Chegaste ao fim do mapa, Aldhiyb," disse o Ancião. "Estes elefantes são as memórias dos homens. Quando um homem morre sem cumprir seu propósito, seu elefante se quebra. Se cumpriu, ele se torna diamante.

O teu, porém, ainda é de vidro, pois temes o que vem depois do mar."

 

O Senhor do Destino desafiou Aldhiyb: ele deveria atravessar o vale carregando uma única gota d'água em uma colher de vidro. Se a gota caísse, ele seria esquecido; se chegasse ao fim, veria a verdade última.

 

Enquanto caminhava, visões de suas viagens passadas surgiram para distraí-lo: o brilho da prata, o rugido do Gigante, a beleza da Princesa e a fúria do Gênio. Mas Aldhiyb, usando a sabedoria de todas as suas provações, não olhou para os lados. Ele percebeu que a gota d'água não era apenas água, mas a soma de todas as suas lágrimas e suores.

 

Ao chegar diante do Ancião, a gota não caiu, mas expandiu-se, refletindo não o passado, mas a paz do presente. O elefante de vidro de Aldhiyb brilhou com uma luz interna e endureceu, tornando-se o Diamante Mais Puro do Oriente.

 

— "Tu venceste o medo da finitude," declarou o Destino. "A vida é uma viagem por mares bravios, mas a morte é apenas o porto onde o capitão finalmente descansa para ouvir a música das esferas."

 

Aldhiyb Al-Abyad foi transportado de volta a Bagdá em um piscar de olhos, aparecendo no portão de sua casa com o diamante na mão. Ele distribuiu sua imensa fortuna entre os pobres, queimou seus mapas e passou o resto de seus dias ensinando que a maior viagem que um homem pode fazer é a que o leva de volta ao seu próprio coração. 



(E-BOOK - "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN) 


NOVA AURORA - FILEMON MARTINS

 





                        NOVA AURORA 
                                 
                                   Filemon Martins




Eu me tornei um pobre vagabundo 
quando partiste pela vida afora... 
Talvez sonhaste conquistar o mundo 
deixando aqui um coração que chora.
 

De luz, amor e inspiração me inundo 
e vislumbro o romper de nova aurora, 
acredito no Amor puro e profundo 
que mitiga a tristeza que apavora.
 

Creio no Amor intenso, verdadeiro, 
sempre perdoa, espera e crê primeiro 
sem julgamento, ofensa ou coisa assim.
 

Quero colher a Paz em farta messe, 
sentir a graça singular da prece 
para encontrar o Amor dentro de mim!

POEMA SEM NOME - FILEMON MARTINS

 





POEMA SEM NOME
Filemon Martins


Fui buscar na memória da saudade
o arrulho da juriti, no pé da serra,
o canto do sabiá nas mangueiras do pomar,
quando havia ainda floresta sobre a Terra.

Fui buscar na prece da tarde
a ternura do sol em pleno Ocaso.
Fui buscar o perfume da rosa
que, sorrindo no jardim,
torna a paisagem mais radiosa.
Busquei também nos passarinhos
que saltitam, em seus ninhos,
a canção dos amantes.

Busquei a luz no brilho das estrelas,
aquela mais brilhante e resplendente,
aquela luz dos teus olhos.
Busquei a fé, que renasce na alma do poeta,
quando sonha, quando ama, quando crê.

Busquei a plenitude da vida
nas vibrações do amor
quando o céu fica mais perto.
E, mesmo estando no deserto,
sinto que estou num prado tranquilo,
numa paisagem verde, deslumbrante,
onde ouço misteriosamente o som de um violino
e me reencontro enamorando o Mundo
em busca do meu sonho e do meu destino!


ÁRVORES - EDGAR REZENDE

 


                         (FOTO DE SANDRO, CARRANCA, BAHIA)



ÁRVORES
Edgard Rezende


A árvore amiga é sempre mais amiga
Se no próprio quintal nasce e viceja.
Se ela viveu conosco, se ela abriga
Uma saudade, uma ilusão que seja.

Se ela, serena, assiste à insana briga
Da Natura, que os raios lhe despeja,
E em troca dá-nos frutos, por que siga
Os destinos de paz que tanto almeja.

...Naquele amado e místico recanto...
Sim, a felicidade ficou lá
– E aqui a minha alma se desfaz em pranto!...

Foi em Belém do meu... do meu Pará
Que deixei o meu pai – herói e santo –
E a minha árvore amiga do Araçá!...

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

MENSALÃO: UM JULGAMENTO INCOMPLETO - FILEMON MARTINS

 




MENSALÃO: UM JULGAMENTO INCOMPLETO                                                                     

“Mensalão. O maior escândalo da política brasileira, um esquema de compra de votos de parlamentares, denunciado no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT – Partido dos Trabalhadores)”.

                                                                 
      O esquema foi denunciado pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) em junho de 2005 ao jornal Folha de São Paulo. Na época, Roberto Jefferson, era acusado de envolvimento em licitações praticadas por funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), ligados ao PTB, do qual ele era presidente. Acuado por uma investigação, ele denunciou o escândalo do Mensalão.

      Segundo o deputado Roberto Jefferson, parlamentares da base aliada do PT recebiam uma “mesada” para votarem a favor dos projetos do governo. Havia também “mensaleiros” que seriam do PL (Partido Liberal), PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), PP (Partido Progressista), PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), incluindo o próprio PT (Partido dos Trabalhadores).

      Assim, deu-se início a Ação Penal nº 470, no Supremo Tribunal Federal, que, em novembro de 2013 determinou a execução das penas dos condenados. Inicialmente, 25 tiveram prisão decretada, posteriormente um deles foi absolvido ao ter os recursos aceitos pela Corte Suprema. Enfim, nas idas e vindas, Lula escapou, afirmando que nada sabia do Mensalão. Seus companheiros também o pouparam, enquanto seus homens de confiança caíram, Lula se manteve no cargo e se reelegeu em 2006, para infelicidade do país.

      No mês de março de 2014, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento dos réus acusados no esquema de corrupção, ou seja, a compra de votos com o objetivo de obter apoio político na Câmara pelo PT nos primeiros anos do mandato de Lula. Dos 40 denunciados, apenas 24 foram condenados ao fim do julgamento.

      Na noite do dia 27/08/2003, o então presidente Lula comemorava sua primeira e grande vitória na Câmara dos Deputados. Com 357 votos a favor e 123 contra, era aprovada a Reforma da Previdência,

que taxou pensionistas e aposentados do serviço público federal.

     Nove anos depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que o governo comprou votos para aprovar essa e outras propostas por meio do Mensalão. E foi assim que o Juiz mineiro Geraldo Claret de Arantes considerou a votação inválida ao julgar um processo sobre pensão de uma viúva de servidor público. Houve um roubo, o ladrão foi preso e condenado. Não há motivo para deixar o produto do roubo com a família do ladrão. O próprio ministro Celso de Mello, na época, afirmou que o “caso deve ser enfrentado pelo Supremo Tribunal Federal”. Ele comparou a validade das reformas aprovadas, como a da Previdência Social, à legalidade de sentenças proferidas por juízes corruptos: “É o mesmo que ocorre com um juiz corrupto, no qual suas sentenças podem ser anuladas mesmo que estejam em trânsito julgado”.

      Diante de tudo que foi aprovado pelo Congresso na época, fim do caso Mensalão? - Não! Em entrevista recente, Lula disse que o “julgamento do Mensalão foi 80% político e apenas 20% foi jurídico”. Mais uma bravata do político do PT.      Mas, é muito bom voltar ao assunto, porque o tema vai ficando esquecido: as leis que foram aprovadas entre 2003 e 2005, a reboque do mensalão são ilegítimas. Não é preciso ser advogado para responder. Muitos partidos políticos exploram em seus programas, assuntos como Fator Previdenciário, Reajuste da Tabela de Imposto de Renda etc. Mas não mencionam a taxação de inativos e pensionistas, embutida na Reforma.  - Por que será? Ora, como eu existem outros, se depois de 21 anos de trabalho na Empresa Folha da Manhã S/A; depois, por concurso público, na Prefeitura de São Paulo e por fim também mediante concurso público no Judiciário Federal, agora aposentado, por que tenho que continuar pagando 14% do meu salário? Será que ao me tornar um fantasma vou precisar de outra aposentadoria? Tenho certeza de que nosso sindicato, o SINTRAJUD, entrou com ação na justiça para derrubar essa injustiça cometida contra pensionistas e aposentados do serviço público federal ou pelo menos reduzir o percentual de desconto. Mas, até agora, nada. Fomos enganados. O que era para ser transitório, transformou-se em permanente. Já estamos em 2026.

      Continuo reafirmando aquilo que escrevi no meu livro “FAGULHAS”, referindo-me às reformas aprovadas no governo do PT, através da Emenda Constitucional nº 41, à custa do mensalão: “se não houver anulação desses atos, teremos um caos, porque, por enquanto, ainda contamos com um povo bom e honesto, não obstante o exemplo que vem dos governantes brasileiros”. E acrescento: sem anulação de tudo o que foi aprovado com a compra de votos, chegaremos à conclusão de que o crime compensa e muito.

      Não é por acaso que vivemos tempos tenebrosos no Brasil, com extrema violência, roubos e crimes em todas as cidades e lugares, além de desonestidade em todos os segmentos da sociedade brasileira.

      Estamos em 2026 e é difícil imaginar como anda a consciência daqueles que planejaram tal manobra, cujos resultados são nefastos para o país, aumentando a miséria, a pobreza, a dependência do povo, cada vez maior, ao sistema assistencialista do governo, que prefere ter o domínio do povo pelo cabresto, embora a propaganda oficial pinte uma realidade bonita, mas que nós, mortais que andamos pelas ruas, sabemos que não existe.

      É preciso mudar. Mudar tudo: Congresso, Senado, STF e, especialmente, o comandante do navio Brasil, que, há muito tempo está à deriva.

 

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DO CLUBE BAIANO DA TROVA

DA ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU/SP

 

 


 

 


AGONIA DE UM PAIS, CHAMADO BRASIL - FILEMON MARTINS

 




          

       AGONIA DE UM PAÍS, CHAMADO BRASIL

 

 

                 Enquanto o Brasil está mergulhado numa crise política e moral, sem precedentes na história da República, o governo continua fazendo promessas, que fizera em outros carnavais, mas nunca cumpriu. Agora, pede mais um mandato, tentando enganar o eleitor crédulo, que votou, confiou e por fim, constata que o comandante do navio Brasil jamais se incomodou em cumprir o que fora prometido em sucessivos anos.

                 Ao longo do mandato, viajou, gastou, esbanjou, como se fosse o proprietário único do dinheiro, que é do povo, de quem trabalha e produz, de quem paga altos impostos e taxas e pouco recebe de benefícios para a coletividade. As preocupações e prioridades são outras, não investigar e livrar a cara de mensaleiros, dinheiro sobrando na cueca, responsáveis pelos descontos indevidos dos aposentados do INSS.

        Parece que ao governo não interessam o combate às organizações criminosas, ao tráfico de drogas, ao comércio ilegal, ao aumento da violência e a política de valorização dos trabalhadores. O que importa é aumentar impostos e taxas, a fim de arrecadar mais, com o objetivo escancarado de perpetuar o partido no poder, custe o que custar. Nossos governantes não compreendem que os recursos públicos não lhes pertencem, enquanto as leis não forem cumpridas com rigor, a impunidade continuará medrando e nunca teremos um Brasil decente.

        Precisamos construir, juntos, um Brasil justo e livre, no qual o cidadão de bem possa crescer, viver, trabalhar, estudar e orgulhar-se de sua Pátria e não esta com os poderes da República todos corrompidos, beneficiando políticos trambiqueiros, desonestos, interesseiros, que só sabem negociar gordas propinas na antessala do Palácio do Planalto.

        É bom recordar as palavras de Lula no governo: “QUE NINGUÉM SE ILUDA SOBRE MINHA FIDELIDADE ÀS MINHAS ORIGENS. ESTE É UM GOVERNO DE HOMENS E MULHERES PROBOS. CHEGOU A HORA DA COLHEITA DO MUITO QUE PLANTAMOS”. Bonito, não é mesmo? Muito bom. Mas, infelizmente dentro do governo existem duas frentes distintas, uma é aparente e outra, a real. A aparente é a que se vê na televisão e nas redes sociais. Tudo bem arrumado, certinho, bonito, saúde a contento, educação, transportes, segurança pública, agricultura, tudo perfeito na propaganda oficial. Mas, a real é exatamente o oposto e o povo, infelizmente, quase nem percebe.

        Volta e meia ou sempre surgem denúncias de corrupção, tráfico de influência, favorecimentos, nepotismo, troca de favores, apenas a ponta de um gigantesco “iceberg”, que o brasileiro – cidadão de bem, jamais conhecerá. Pior é que estes maus exemplos são copiados em quase todos os Municípios e Estados brasileiros, onde o partido do governo administra.

        Diante deste quadro triste e desolador, é difícil ser otimista, ainda que reste a Fé e a decência de muitos cidadãos lutando, de uma forma ou de outra, contra essa corja privilegiada que se apossou do Brasil e se julga dona do dinheiro público, presentes no Executivo, Legislativo e Judiciário, onde perpetuam falcatruas para todos os gostos. Até quando o Brasil vai aguentar?

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DA ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU, SP