quarta-feira, 22 de abril de 2026

SOBRE A MAIORIDADE PENAL - FILEMON MARTINS

 


                               (DA ESQUERDA PARA A DIREITA, CELENE, EU E NINA MARTINS)



SOBRE A MAIORIDADE PENAL
Filemon Martins


Ainda fico com a experiência. Experiência própria. Cheguei em São Paulo com 18 anos, proveniente da Bahia. Mas, antes já havia visitado São Paulo algumas vezes, portanto com 16 ou 17 anos. Aqui cheguei, confesso, com uma mão na frente e outra atrás. Fui morar numa pensão, na rua Almirante Barroso, no bairro do Brás. Trabalhava durante o dia e estudava à noite. - É difícil? - É, aliás, muito difícil. Quer roupa lavada e passada, pague alguém ou vá lavar e passar suas roupas. Mas, nunca fui roubar tênis, dinheiro ou qualquer outra coisa de quem quer que seja, porque era pobre. Casei-me e fui morar na periferia de São Paulo, Itaim Paulista, onde criamos, eu e a mulher, cinco filhos. Três homens e duas mulheres. Eu, funcionário da Empresa Folha da Manhã e minha esposa, como costureira e modelista, trabalhava nas confecções do Brás. Nenhum dos filhos, graças a Deus, embora criados na periferia de São Paulo foi para o crime. Hoje, todos eles têm suas famílias, suas casas, seus carros, sem enveredar pelo mundo das drogas ou do crime. A REVISTA VEJA, tempos atrás, publicou uma reportagem sobre cinco bandidos que estupraram, torturaram, desfiguraram quatro meninas em Castelo, no Piauí e mataram uma delas. Um dos bandidos tinha 39 anos. Quanto aos outros, dois tinham 15, um 16 e outro, 17. Na concepção de muitos, eles são crianças e não sabem o que fazem. Perguntem às famílias das vítimas, o que eles realmente merecem?
Ora, cadeia neles. São bandidos. Não há meio termo. Entendo que talvez seja uma questão de índole. Por exemplo, faz algum tempo, um “cavalo” montado numa bicicleta me atropelou. Estava eu na Av. Milene Elias, Ermelino Matarazzo, cujo sentido de carros é um só e ia atravessar a pista. Olhei e vi que não havia carros, mas não olhei para o sentido contrário, ora bolas, era contramão. Mas o cara veio com tudo e só senti o baque. Parar para socorrer, perguntar se havia machucado, se estava bem, que nada, ele deu no pé. Um outro rapaz que passava pelo local, veio em meu socorro. Veja a diferença: o atropelante tem índole má, não adianta, ele é mau. Já o socorrista poderia ter passado batido, ele não me conhece, nunca me viu nem na feira, mas tem índole boa, me ajudou a levantar e só me deixou ir embora quando se certificou de que eu andaria sozinho, apesar dos fortes arranhões.
Por essas e outras, sou a favor da redução da maioridade penal. Não como a salvação da pátria, como alguns pregam, mas, sobretudo porque é preciso acabar com a impunidade e de forma geral. É assim que penso, doa a quem doer.

TROVAS DE PEDRO ORNELLAS

 




TROVAS DE PEDRO ORNELLAS
(SÃO PAULO)


Arranhavam feito espinho,
mas me lembro e o pranto cai...
Como era doce o carinho
das mãos rudes de meu pai!

Novo rumo, despedida...
E ao pressentir minhas dores,
a paineira, entristecida,
chora lágrimas de flores!

O AMOR - FILEMON MARTINS

 


                 (FOTO DE KEISE JINKINGS MARTINS, EM ITANHAÉM)



O AMOR
Filemon Martins


É como a flor que nasce no jardim
e vai florindo com cuidado e zelo.
O amor também floresce e cresce assim
com carícia, paixão, amor, desvelo...

É preciso cuidar, plantando, enfim,
compreensão, carinho e defendê-lo
da praga do ciúme tão ruim
que teima em desfazer num atropelo.

Um grande amor toda a beleza exprime,
porque o amor faz a vida mais sublime
e exige inspiração de quem o quer.

A vida a dois há de ficar mais bela,
se houver no coração a flor singela
e um sorriso feliz de uma MULHER!

O SONHO DO POETA - JOSÉ FELDMAN

 



O SONHO DO POETA

José Feldman


TROVA DE CAROLINA RAMOS


Sofredor desde menino

e tendo o sonho por meta

quis saber qual seu destino

diz-lhe o cigano: - Poeta!



           

Numa pequena cidade do interior de São Paulo, onde as ruas de paralelepípedos contavam histórias de tempos passados, havia um menino chamado Odair. Desde muito jovem, ele se sentia diferente dos outros. Enquanto seus amigos se divertiam jogando futebol ou brincando na rua, ele passava horas observando as nuvens, sonhando acordado e escrevendo os sentimentos que brotavam de sua alma. Era um sonhador, um poeta em formação, mesmo que as palavras ainda não tivessem encontrado seu lugar nas páginas de um caderno.

Ele cresceu em uma família simples, onde o sofrimento e as dificuldades eram companheiros constantes. Seu pai, um trabalhador incansável, lutava para sustentar a família, enquanto sua mãe, sempre otimista, tentava encontrar a beleza nas pequenas coisas do dia a dia. Desde menino, Odair aprendeu que a vida era uma jornada repleta de desafios, mas seu coração pulsava com a esperança de que os sonhos poderiam, um dia, se transformar em realidade.

Certa manhã, enquanto caminhava pela feira da cidade, viu um grupo de pessoas reunidas em torno de um homem distinto, vestido com roupas coloridas e adornos brilhantes. Era um cigano, conhecido por suas previsões e sabedoria. A curiosidade tomou conta dele, e se aproximou para ouvir o que o homem tinha a dizer. Os murmúrios da multidão eram cheios de expectativa, e o cigano parecia ter uma aura mágica que atraía todos a ele.

Quando chegou sua vez, Odair, nervoso, pediu ao cigano que lhe dissesse qual era seu destino. O homem olhou fundo em seus olhos, como se estivesse penetrando em sua alma. Após um longo silêncio, ele sorriu e disse: “Sofredor desde menino e tendo o sonho por meta, quis saber qual seu destino. E eu lhe digo: Poeta!”

Aquelas palavras ecoaram na mente de Odair como um tambor distante. Ele não sabia ao certo o que o cigano queria dizer, mas algo dentro dele se acendeu. O sonho que sempre carregou como um fardo agora se apresentava como uma identidade. Ser poeta era mais do que escrever; era uma forma de viver, de transformar o sofrimento em arte. Sentiu que, de alguma forma, aquele encontro mudaria sua vida para sempre.

Após a feira, ele passou a dedicar-se ainda mais à sua escrita. Cada dor, cada alegria, cada momento de sua vida se tornava um verso, uma estrofe, uma canção. Ele escrevia sobre as lutas de sua família, as belezas do cotidiano, os amores perdidos e as esperanças renovadas. Com o passar do tempo, suas palavras começaram a ganhar vida própria, como se estivessem aguardando o momento certo para florescer.

Porém, a jornada do poeta não era fácil. Odair enfrentou a rejeição de editoras, a crítica de pessoas que não compreendiam sua arte e, por vezes, até a falta de inspiração. Mas, mesmo nos momentos de desânimo, ele se lembrava das palavras do cigano. O sonho de ser poeta era sua meta, e ele não poderia desistir. Assim, continuou a escrever, mesmo quando as palavras pareciam se esconder nas sombras.

Certa noite, enquanto caminhava à beira do lago que tanto amava, sentou-se à sombra de uma árvore e refletiu sobre sua vida. Ele olhou para a superfície da água, que refletia a luz da lua, e sentiu uma onda de gratidão. As dificuldades que enfrentara o tornaram mais forte, mais sensível ao mundo ao seu redor. Ele entendeu que a dor e o sofrimento são partes essenciais da vida, moldando não apenas quem somos, mas também a arte que criamos.

Com o tempo, começou a compartilhar seus poemas em pequenos saraus e encontros literários na cidade. As pessoas começaram a reconhecer seu talento, e suas palavras tocaram os corações de muitos. Aquela conexão que ele sempre buscava finalmente se concretizava. O sofrimento, que antes parecia um fardo, agora se transformava em uma ponte que unia almas.

Anos se passaram, e Odair tornou-se um poeta respeitado em sua comunidade. Com suas publicações e leituras, ele inspirou outros a encontrar suas vozes e a expressar seus sentimentos. O cigano, com suas palavras enigmáticas, havia acertado: o destino dele era ser um poeta, e ele havia cumprido essa missão com coragem e determinação.

Certa tarde, ao receber um prêmio por suas contribuições à literatura, Odair subiu ao palco e, antes de agradecer, lembrou-se do cigano. Ele compartilhou com a plateia a mensagem que sempre guiou sua jornada: “Nunca subestime o poder dos sonhos. Eles podem ser a luz que brilha nas horas mais escuras. O sofrimento é apenas um capítulo da vida, e o que importa é como escolhemos contar nossa história.”

E assim, ele se tornou um símbolo de esperança e inspiração, provando que mesmo as jornadas mais difíceis podem levar a destinos extraordinários. Que, ao longo de nossa vida, possamos lembrar que, mesmo nas sombras do sofrimento, os sonhos são a chave para a transformação e a verdadeira realização.

           

 





ITANHAÉM, LITORAL SUL DE SÃO PAULO - FILEMON MARTINS

 






ITANHAÉM, LITORAL SUL DE SÃO PAULO.

Filemon Martins *

 

Itanhaém, a segunda cidade mais antiga do Brasil, com área territorial de 601.711 km2 e uma população estimada em 118.495 habitantes, segundo o IBGE em 2025 e cujo nome significa “Pedra que canta” é uma das mais belas cidades da Costa da Mata Atlântica, no Litoral Sul de São Paulo, entre Mongaguá e Peruíbe.

A cidade possui uma variedade de praias que se estendem por mais de 26 km, fazendo divisas com Mongaguá de um lado e Peruíbe, do outro. Possui um rico ecossistema e uma história fascinante que data de 1532, ano de sua fundação por Martim Afonso de Souza. Itanhaém tem no Turismo sua maior fonte de renda com pontos turísticos para agradar ao mais exigente turista. Entre outros, o roteiro “Caminhos de Anchieta em Itanhaém”, que inclui o Monumento a Anchieta, A Virgem da Conceição (exposta na Igreja Matriz de Sant’Ana), Carta de Batismo, Púlpito de Anchieta, Cama de Anchieta, Painéis de Anchieta e Pocinho de Anchieta (uma formação em pedras dispostas umas sobre as outras na Praia do Cibratel), o Centro Histórico, a Casa de Câmara e Cadeia, o Roteiro do Pescador, a Passarela de Anchieta e agora, a pavimentação da Orla, entre o bairro de Gaivota e o Cibratel I, em fase final de acabamento.

Não conheço bem a história, os “prós” e os “contras”, mas foi uma pena não ter se concretizado a construção do Xuxa Water Park, no Jardim Anchieta, em Itanhaém. O empreendimento certamente traria mais empregos, mais diversão e mais opções de lazer para o turista que visita a cidade. O que se sabe é que a Justiça, depois de algum tempo, entendeu que não haveria qualquer prejuízo ambiental, como fora alegado, em decorrência da implantação do projeto da apresentadora Xuxa Meneghel. Mas até chegar aí, já era tarde e Itanhaém perdeu a vez de abrigar um empreendimento de porte. Hoje, como lembrança deste episódio, só existe um bairro em Itanhaém com este nome: Xuxa Park.

Mas, em compensação, a cidade de Itanhaém possui atrativos naturais, porque suas praias são verdadeiros santuários ecológicos. A Praia dos Pescadores, por exemplo, localiza-se após o Morro do Sapucaitava e ficou famosa em 1973/1974, quando serviu de cenário para a gravação da telenovela “Mulheres de Areia”, de Ivani Ribeiro, exibida pela extinta TV Tupi, com atuação excepcional da saudosa atriz Eva Wilma, vivendo o papel das gêmeas, Rute e Raquel. Hoje, existe no local em frente à Ilha das Cabras, o monumento “Mulheres de Areia”, escultura feita por Serafim Gonzalez, de saudosa memória.

Ao todo, são catorze praias que se estendem por 26 km, entre as quais, Praião (Praia de Itanhaém), Praia do Tombo (Boca da Barra), Praia da Saudade, Praia dos Pescadores, Praia do Sonho, Praia das Conchas, Praia do Suarão, Praia do Cibratel e Praia do Gaivota. A Praia das Conchas fica entre o morro do Paranambuco e o Costão da Praia do Sonho, após a Cama de Anchieta. Nesta praia, localiza-se a gruta Nossa Senhora de Lourdes, local de peregrinação religiosa.

O Município de Itanhaém possui também muitos rios, como Rio Itanhaém, Preto, Branco e Aguapeú e muitas Ilhas fluviais, tais como Ilha da Volta Deixada e Ilha do Bairro do Rio Acima e outras marítimas, como Ilha das Cabras, Pedra Meia Praia, Pedra do Carioca, Ilha Queimada Grande e Ilha Queimada Pequena, além das Lajes Pedro II e da Conceição. A mais famosa, no entanto, é a Ilha Queimada Grande, habitat natural da lendária cobra da espécie “jararaca ilhoa”, detentora de poderoso veneno e que já mereceu estudos da expedição “Os Súditos da Rainha”, composta pelas instituições CEAM GALÁPAGOS, INSTITUTO VITAL BRAZIL e a CASA DE VITAL BRAZIL.

Itanhaém, ao lado de Mongaguá e Peruíbe são cidades bonitas e charmosas, que preservam aspectos de cidades do interior, mas cada vez mais estão crescendo economicamente e de olho na modernidade. Não obstante a vontade do povo em viver feliz, trabalhar, produzir, estudar e crescer, é fundamental que os governos Estadual e Federal libere mais verbas para que essas cidades possam investir em Saúde, uma das áreas mais carentes da Baixada Santista, Educação, Segurança, Transporte Público (problema crônico) e Saneamento Básico. Por outro lado, é necessário que haja fiscalização rigorosa na aplicação dessas verbas, já que o Brasil continua infestado por um vírus, que nunca acaba: os políticos fichas sujas que medram na política brasileira.

É de suma importância também que o governo do Estado reveja os contratos das concessões e reduza o valor dos pedágios nas rodovias, como é o caso do Complexo Anchieta-Imigrantes, que dá acesso à Baixada Santista, cujo valor é exorbitante. E nada de implantar novos pedágios para massacrar a população, como vem ocorrendo ultimamente.

Nomes ilustres de Itanhaém, entre outros, Benedito Calixto de Jesus (14/10/1853, Itanhaém a 31/05/1927, SP), além de renomado pintor, destacou-se também como escritor, historiador etc. Emydio de Souza (21/05/1868, Itanhaém a 19/09/1949, Santos), um artista que retratou os costumes, as tradições e a vida do povo caiçara da região. Viveu no sítio dos avós, próximo ao Morro do Sapucaitava, às margens do Rio Itanhaém, onde constituiu família. Poeta, Contista, Folclorista e Músico, escreveu e publicou “Os Contos da Roça” no jornal Correio do Litoral.

Hoje (22/04) é o aniversário de Itanhaém, que completa 494 anos e a cidade é administrada por Tiago Rodrigues Cervantes (Republicanos) e que tem muito a fazer pelo Município. É fundamental que os vereadores cumpram sua função de fiscalizar o Poder Executivo, além de legislar, propor, votar e aprovar leis que tragam benefícios para a coletividade.

Vale a pena conhecer Itanhaém!

 

 

BIBLIOGRAFIA:

Internet

Site da Prefeitura Municipal de Itanhaém –

www.itanhaem.sp.gov.br

 

·              DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS;

·              ACADEMIA ANAPOLINA DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS – ANÁPOLIS - GOIÁS

 

 


terça-feira, 21 de abril de 2026

SEMENTE - MANOEL CARDOSO

 




SEMENTE

MANOEL CARDOSO (SÃO PAULO)


Em cada grânulo
uma latente vida dorme

um ano, uma década
(sempre?)
no aconchego do tempo

se um dia cai ao solo
acorda, cresce
e se nutre de húmus
e de luz

floresce, frutifica
alimenta
vive

Se mente o ser
que não gerou a semente
cabe-lhe culpa
se a grande dor é morrer
sem ter aprendido a operação
que soma e multiplica
nada mais resta a fazer.


(Do livro ESMERILHO-ME NA LÂMINA DO DIA, PÁGINA 20)

TROVAS DE APARÍCIO FERNANDES

 



TROVAS DE APARÍCIO FERNANDES


O rancor inolvidável
cede ao impacto do perdão:
- Não há nada tão moldável
como o próprio coração!

Há paz nos céus estrelados,
vive o amor no azul profundo!
Na Terra – há punhos cerrados
e o ódio avassala o mundo...

Crê que é dono do Destino,
tem poder de vida ou morte.
Mas não passa de um cretino,
escravo da própria sorte...


(ANUÁRIO POETAS DO BRASIL, 1980, 1º VOLUME, PÁGINA 55)

MUDANÇA - THÉO DRUMMOND

 




MUDANÇA
THÉO DRUMMOND (1927/2015)


Durante muito tempo não sonhei,
e se sonhei, do sonho não lembrava.
Antes de levantar sempre fiquei
a ver se de algum sonho recordava.

A todas as pessoas que eu contava
entre elas lembro de uma que encontrei
que se viesse a sonhar logo acordava,
com medo de uma coisa que não sei.

Foi de uns tempos pra cá que quando deito
eu vejo alguém vir caminhando à toa,
e ao vê-la, linda e pura, me deleito.

E ao me acordar sinto uma coisa boa,
mas embora feliz e satisfeito,
quero encontrar, na vida, esta pessoa.


(PORTA DO CORAÇÃO, PÁGINA 43)

ESSE AMOR - MARILDA CONCEIÇÃO

 


                     (FOTO DE KEISE JINKINGS MARTINS - EM ITANHAÉM)



ESSE AMOR
Marilda Conceição


Que amor é esse que me enlouquece,
que me balança o coração.
Que desestrutura meu ser
e me faz vibrar de emoção?

Que amor é esse que me aguça a mente,
que me treme o corpo, me provoca gemidos
e me tira a lucidez?

Que amor é esse que me engrandece a alma,
me renova a vida,
me acalenta e acalma?

Que amor é esse
que me traz alegria, me dá satisfação,
me faz sorrir, vibrar de prazer
e me domina a razão?

Que amor é esse?

Não sei se chamo de amor,
loucura ou paixão!


(FONTE AVBAP )

PER ASPERA AD ASTRA - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES

 




 

PER ASPERA AD ASTRA (*)

Antônio Carlos Côrtes


Andarilho da cidade
Doca das frutas a Guarujá
Ruas, becos, vielas, avenidas
De lá pra cá
Encontros de  felicidade
Tentando abrandar
Saudade
Recanto do Sabiá
Sorriso do Negrão Collares
Abraçado a Mãe Norinha
Segue outros ares
Desce um pouco mais
Ouve  voz do além
" Pensem nisso, enquanto lhes digo até amanhã"

Enxerga  nuvem avermelhada
Ocaso horizonte Rei Sol
Sérgio Jockman
Com jaqueta colorada
Na frente do Olímpico
No Timblim Airton Pavilhão
Dá de charleston
No Menino Deus
Ranzolin, Candinho
Na Tristeza o Portinho
Na Catamarã Galvani
Junto do Carlos Nobre
Terra é Guaíba
Só a ponte!!
Mercado Público Borel
Na Primeira Perimetral
Mas longe do quartel
Ariovaldo Paz e a baiana
Tempos de Carnaval
Nega Martha dos Imperadores
Nas imediações da Eurico Lara
Sérgio da Costa Franco
Balança a caneta tinteiro
Vestindo terno de linho branco
Ramalhete de flores
Bem na janela frente ao barranco
Floresta Aurora da Curupaiti
Osmar Fortes Barcellos (Tesoura)
Alpheu, Abgail e Romeu da Cruz
Estande Chaveiro Machado
Frente  beco do mijo
Vilela, Elton, Larry
Na Ponte de Pedra
Club Aymoré
Nego Roxo, pé de valsa
Quem viu, viu
Só andava a pé
Alambique Tuim
Cesar Silva, Barretão, Santana
Turma do funil
Confeitaria Matheus
Só gente bacana
Cababá, Barulho, Franck
Bom Fim do Zé Flávio
Lembrando almôndegas
Acadêmicos da Orgia
Rufem os tambores
Bedeu, Leleco Telles
Cantantes de amores
Na Conceição Lobo Solitário
Afrosul Iara Teodoro
Faz passo de dança
Esplanada da Restinga
Tem Vera Furacão que não cansa
Bambas da Negra Darilce
Na José de Patrocínio Nega Lu
Padre Severino no Luanda
Bebem vinho do Padre
Servido pelo Tide
Praça Garibaldi tem Muamba
Mas nunca cabide
Seguindo pela Venâncio Aires
Quase esquina Santa Terezinha
Oitiva do maior Tribuno do Estado
Carlos da Silva Santos
Que não era um só foi tantos
Na linha direta de Xangô

(*) Através das dificuldades para as estrelas.


(DA ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS)


segunda-feira, 20 de abril de 2026

NEVER MORE - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 




NEVER MORE

MÁRIO RIBEIRO MARTINS


Lembro-me bem. Faz hoje um ano apenas...
Ela tocava... Tinha a cor de opala...
Às vezes parecia as açucenas
Exalando perfume em grande escala.

Inolvidáveis mãos... Leves quais penas...
O som do seu piano inda me abala...
Notas suaves... Notas bem serenas
Eram toda a beleza lá na sala.

Hoje! Não sei... Talvez mais forte e linda,
Toque melhor e muito mais ainda,
Toque a mesma canção, mas não me alcança...

Lar... Jovem... O piano recostado...
Sala... Beleza... Foram sonho alado,
Pois apenas ficaram na lembrança!


(LETRAS ANAPOLINAS, POESIA E PROSA, PÁGINA 400)

QUEM FOI O BAIANO MILTON SANTOS? - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 



QUEM FOI O BAIANO MILTON SANTOS?
                                                   
Mário Ribeiro Martins*

     
MILTON SANTOS (Milton de Almeida Santos), de Brotas de Macaúbas, Bahia, 03.05.1926, escreveu, entre outros, “O CENTRO DA CIDADE DE SALVADOR” (1959), “O TRABALHO DO GEÓGRAFO NO TERCEIRO MUNDO” (1971), “O ESPAÇO DIVIDIDO” (1975), “POR UMA GEOGRAFIA NOVA” (1978), “ESPAÇO E SOCIEDADE” (1979), “PENSANDO O ESPAÇO DO HOMEM” (1982), “ESPAÇO E MÉTODO” (1985), sem dados biográficos nos livros e sem qualquer outra informação ao alcance da pesquisa, via textos publicados. Após os estudos primários em sua terra natal (de onde também procede o autor destas notas), deslocou-se para outros centros, onde também estudou.
Filho de professores primários, aprendeu a ler e a escrever aos cinco anos de idade, sem frequentar qualquer escola, pois era orientado pelos pais, na vetusta Brotas de Macaúbas. Filho de Adalgisa Umbelina de Almeida Santos e Francisco Irineu dos Santos. Aos oito, já dominava a álgebra e dava os primeiros passos no francês.
Em 1936, mudou-se para Salvador, sendo matriculado, com dez (10) anos de idade, no Instituto Baiano de Ensino. Descendente de escravos emancipados antes da Abolição, pensou fazer engenharia, mas desistiu ao saber da discriminação contra negros na Escola Politécnica de Salvador.
Concluído o Ginásio, matriculou-se na Faculdade de Direito, da Universidade da Bahia, onde se formou em 1948, quando tinha 22 anos de idade. Tornou-se Advogado em Ilhéus, no interior baiano, durante algum tempo, quando também lecionou Geografia nas escolas da cidade. De volta a Salvador, continuou lecionando e trabalhando como Repórter do jornal A TARDE.
Nos anos seguintes, viajou para a França. Em 1958, quando tinha 32 anos, terminou o Doutorado em Geografia, pela Universidade de Estrasburgo, no interior da França. De volta à Bahia, em 1959, escreveu seu primeiro livro sobre a cidade de Salvador.
Atuou como jornalista, tendo acompanhado Jânio Quadros numa viagem a Cuba, em 1960, época em que já era um geógrafo conhecido em seu Estado. Tornou-se amigo e profundo admirador de Jânio, chegando a ser subchefe da Casa Civil e representante do governo federal em seu Estado. Mas se decepcionou com a renúncia do então presidente, em agosto de 1961.
Em 1964, presidiu a Comissão Estadual de Planejamento Econômico, órgão do governo baiano. Durante sua permanência na comissão, foi autor de propostas polêmicas, como a de criar um imposto sobre fortunas. Durante o regime militar, combinou as atividades de redator do jornal "A Tarde", de Salvador, e a de professor universitário. Na época, defendeu posições nacionalistas e denunciou as precárias condições de vida dos trabalhadores do campo.
Por causa de suas posições políticas, acabou sendo demitido da Universidade Federal da Bahia e passou 60 dias preso no quartel do Bairro de Cabula, em Salvador. Só foi libertado porque sofreu um princípio de infarto e um derrame facial.
Aconselhado por amigos, aceitou convite para lecionar no exterior. Nomeado Professor da Universidade de Bordeaux (interior da França), lecionou também na Universidade de Sorbonne, em Paris. Seguiu para os Estados Unidos, tendo trabalhado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Foi professor das Universidades de Paris (França), Columbia, em Nova York (EUA), Toronto (Canadá) e Dar Assalaam (Tanzânia). Também lecionou na Venezuela e Reino Unido.
Só regressou ao Brasil em 1977, com 51 anos de idade, na época da "distensão". Mudou-se para São Paulo, tornando-se professor, em 1984, da Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da USP (FFLCH), consultor da OIT (Organização Internacional do Trabalho), da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
Com o passar do tempo, tornou-se especialista em problemas urbanos dos países subdesenvolvidos, tendo sido Consultor dos Governos da Argélia e de Guiné-Bissau. Fez-se reconhecido internacionalmente, tendo sido professor na França, nos Estados Unidos, na Tanzânia e na Venezuela, entre outros. Expoente do movimento de renovação crítica da Geografia.
Por concurso público de provas e títulos, tornou-se Professor Titular da Universidade de São Paulo. GEÓGRAFO BRASILEIRO. Escritor, Ensaísta, Pesquisador. Memorialista, Intelectual, Educador. Cronista, Contista, Ficcionista. Literato, Conferencista, Produtor Cultural. Administrador, Orador, Poeta.
Em 1994, ganhou o Prêmio Internacional de Geografia VAUTRIN LUD, bem como o Prêmio Homem de Ideias, do JORNAL DO BRASIL e ainda o Prêmio Gilberto Freyre de Brasilidade, da Federação do Comércio de São Paulo.
Ao longo de sua carreira de mestre, recebeu 12 (doze) títulos de DOUTOR HONORIS CAUSA, de diferentes Universidades estrangeiras. Era membro da Comissão de Justiça e Paz, da Arquidiocese de São Paulo, desde 1991.
Em 1997, com 71 anos de idade, esteve na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, quando falou sobre “O PAPEL DO INTELECTUAL NO SÉCULO XXI”. Escrevia para o jornal FOLHA DE SÃO PAULO.
Faleceu em São Paulo, em 24.06.2001, com 75 anos de idade, sendo enterrado no Cemitério da Paz, no Morumbi. Pai de dois filhos, um deles Rafael Santos. Na MOSTRA MULTICULTURAL MILTON SANTOS, promoção da Universidade Federal de Goiás, em junho de 2002, uma homenagem lhe foi prestada pelo professor de Geografia da USP, Francisco Capuano Scarlato, que fez conferência sobre a sua vida e obra.
O grande pecado do baiano Milton Santos foi, tendo nascido em Brotas de Macaúbas, na Chapada, jamais ter dado a devida importância à CHAPADA DIAMANTINA, não no sentido de mencionar em seus livros de Geografia, mas no sentido de estudá-la e DIVULGÁ-LA com mais vigor, eis que nela nascera.
Apesar de sua importância, não é mencionado no livro BAIANOS ILUSTRES, de Antonio Loureiro de Souza, não é referido na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001 ou DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO (2001), da Fundação Getúlio Vargas e nem, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br.

*Mário Ribeiro Martins era escritor e Procurador de Justiça do Estado de Goiás.

TROVAS DE MÁRIO BARRETO FRANÇA

 




TROVAS DE MÁRIO BARRETO FRANÇA


Não olhe tanto o futuro
nem no passado se ausente,
porquanto o melhor seguro
é ser útil no presente!

Não é nem será fraqueza,
de um erro se arrepender.
Sempre demonstra nobreza
quem vence o seu próprio ser.

O circo é cópia discreta
do mundo, em glória e fracasso:
- Sofre no risco do atleta,
mente no rir do palhaço.

Raras são as criaturas
de julgamento sereno,
pois quando estão nas alturas
veem todo mundo pequeno.