terça-feira, 15 de setembro de 2026

ONDE ESTÃO AS MUDANÇAS? - FILEMON MARTINS

 




          ONDE ESTÃO AS MUDANÇAS?

 

 

           Tudo mudou. O mundo mudou. O Brasil também mudou. Houve mudanças no cenário político, nos costumes, nas famílias, na saúde, na cultura, inversão de valores na sociedade, porém uma coisa não mudou no Brasil. Os políticos continuam vivendo às custas do contribuinte e o trabalhador continua “saco de pancada”. No Brasil, o próprio Partido dos Trabalhadores, fundado por um trabalhador e tido como solução para os problemas brasileiros chegou ao poder há 24 anos e continua fazendo as mesmas promessas de esperança para um povo sofrido e desamparado.

           Nada, absolutamente nada do que foi prometido aos brasileiros foi feito e sequer tentado. Percebe-se claramente que tudo não passou de um teatro político bem encenado pelos líderes para obter votos e governar para eles próprios. Nem mesmo os serviços essenciais foram prestados, como saúde, educação, transportes públicos, segurança, manutenção de estradas, qualidade de vida, dignidade com melhores condições salariais para o trabalhador.

           O Brasil está dominado pelas facções criminosas, que espalham o terror e insegurança para quem produz e trabalha. Há grupos organizados que agem nas cidades brasileiras e outros, em Brasília, agrupados nos Três Poderes, às claras, sem que povo possa reclamar ou denunciar.

           É evidente que as eleições de 2026 sejam decisivas para o futuro do Brasil. Se durante estes anos trilhamos um caminho, cujos resultados são negativos em todos os sentidos, é preciso mudar o caminho para se obter melhores resultados. É imprescindível que o eleitor vote e vote consciente pensando no seu futuro, no futuro de seus filhos e para o bem do Brasil. Mesmo aqueles que, pela idade, ganharam a Não obrigação de votar. Faça um esforço e vote.  

           Neste contexto de desânimo, é urgente reconquistar a confiança de que podemos ter uma Nação próspera, segura e que cuide de seus filhos. Não queremos mais um Congresso com 513 deputados e um Senado Federal com 81 senadores que não cumprem sua função de legislar, fiscalizar e punir quem é adepto da corrupção, matando a esperança e os sonhos de um grande povo.

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DO CLUBE BAIANO DE TROVA, SALVADOR, BAHIA.   


TROVAS DO FILEMON

 



 

TROVAS DO FILEMON

                

Erro crasso, caricato,

o povo quer cometer:

- Eleger um candidato

com ficha de estarrecer.

 

Acredite, companheiro
no campo da corrupção,
o Brasil virou celeiro
de oportunista e ladrão.


Estou cansado do mundo
já não vivo de ilusão.
Quantas vezes me confundo
e me falta a inspiração.

Nunca mais te ouvi trinando
meu passarinho cantante.
Perdeste a voz, soluçando
ou perdeste a tua amante?


segunda-feira, 14 de setembro de 2026

SERIA CASTIGO? - FILEMON MARTINS

 




             SERIA CASTIGO?


 

          Não se trata de “sensação”, é pesadelo mesmo. Parte da população defende mais 4 (quatro) anos de mandato para Luiz Inácio Lula da Silva, o mesmo que fez promessas mirabolantes para vencer 3 (três) vezes e eleger, Dilma Rousseff, quando não pôde se candidatar.

          Refrescando a memória dos esquecidos, o governo de Lula foi recheado pelos maiores escândalos da história brasileira, entre os quais: primeiro mandato de 2003/2006, caso Waldomiro Diniz (2004), filmado cobrando propina de um empresário de jogos de azar. Escândalo do correio, que originou o mensalão (2005), esquema de compra de votos de deputados no Congresso Nacional em troca de apoio político.

          Segundo mandato de 2007/2010, escândalo dos Cartões Corporativos (2008), uso dos cartões por ministros e servidores para uso pessoal. Denúncias em Ministérios, desvios de verbas e tráfico de influência em pastas federais.

          Terceiro mandato de 2023  até o presente, fraudes no INSS – descontos ilegais e desvio de valores de aposentadorias de idosos.

Tudo aconteceu ao seu redor e entre amigos, mas o comandante do navio, à deriva, nunca soube de nada.

          Diante de tudo o que se viu e foi noticiado pela imprensa nestes 3 mandatos de Lula, é possível prever como seria desastroso um quarto mandato, um verdadeiro suicídio para o Brasil.

          Em que pese a “ingenuidade” do eleitor, numa interpretação simplista, é possível que alguns gostem mesmo da desordem em que vivemos, com uma onda de violência, crimes, assaltos e tudo para tomar uma cervejinha, conforme comentário de Lula. São apologistas do crime, não há outra explicação.

          Foi no primeiro mandato de Lula, que os pensionistas e inativos do serviço público federal foram enganados. Tudo seria transitório, mas a taxação de inativos continua até hoje alimentando os cofres da corrupção e do descaso a quem trabalhou a vida inteira, pagou e foi enganado.

          Não obstante os escândalos descobertos, promessas não cumpridas, precariedade na saúde, educação, trabalho escasso, estradas sem manutenção, salários baixos, medicamentos e custo de vida altos, ainda assim alguns eleitores pretendem votar no Lula,  especialmente, de regiões carentes, sem recursos, semianalfabetos, incapazes de usar, a massa cinzenta que vai de uma orelha à outra, iludida pelos eventuais benefícios sociais, comprometendo o futuro de seus filhos, transformando-os em escravos da miséria e do comodismo.

          Outra parcela de eleitores, é bem conhecida, tem interesses escusos, adeptos da corrupção e dos roubos.

          Desejamos um pouco de luz para aqueles que, ingenuamente, ainda acreditam no “camaleão”, chefe da organização que desperdiça dinheiro e arruína o Brasil.

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DA ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU – SP.    


domingo, 13 de setembro de 2026

O HORIZONTE

 




                           O Horizonte

Certa vez, alguém chegou ao céu e pediu para falar com Deus. Tinha uma inquietação que não conseguia silenciar: havia algo na criação que, aos seus olhos, simplesmente não fazia sentido. Deus o atendeu de imediato, curioso diante de quem ousava apontar uma falha no que havia sido feito.

— Senhor, sua criação é admirável. Cada coisa tem seu lugar, sua função, sua razão de ser. Mas há algo que, por mais que eu tente compreender, não serve para nada.

— E o que seria isso? — perguntou Deus, com serenidade.

— O horizonte. Se dou um passo em sua direção, ele recua um passo. Se avanço cem passos, ele se afasta outros cem. Nunca se deixa alcançar. Nunca se deixa tocar. Para que serve algo que jamais pode ser conquistado?

Deus sorriu — daquele sorriso de quem guarda a resposta antes mesmo de ouvir a pergunta — e disse:

— Mas é exatamente para isso que o horizonte existe: não para ser alcançado, mas para ser perseguido. Ele não é uma promessa de chegada — é um convite permanente ao movimento. Sem ele, você ficaria parado, convencido de que já viu tudo, já viveu tudo, já chegou a algum lugar definitivo. O horizonte é o que impede que a alma enrijeça. É a prova de que sempre há mais: mais distância a percorrer, mais vida a descobrir, mais pessoa a se tornar.

E acrescentou, em voz mais baixa:

— Os que desistem não param porque o caminho acabou.

Param porque esqueceram de olhar para o horizonte.

 

 

“Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade.” — Lamentações 3:22-23

 

“Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.” — Filipenses 3:1314

 

“Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta.” — Hebreus 12:1




(FONTE: "HISTÓRIAS PARA GUARDAR DO ESQUECIMENTO", ORG. DE SAMMIS REACHERS)

 

 

 

 

 

 

 


QUEM FOI MYRTES MATHIAS? - FILEMON MARTINS

 




 

QUEM FOI MYRTES MATHIAS?

Filemon Martins

 

 

Mirtes Matias Antonio, uma das mais notáveis poetisas evangélicas do Brasil, nasceu em Valença, Rio de Janeiro, a 12/01/1933. Filha do Sr. Antonio e Dona Eglantina Mathias.

Fez seus primeiros estudos em sua terra natal, na Escola Rural, dirigida por sua mãe e aprendeu a ler com cinco anos de idade, deslocando-se para outros centros culturais, onde também estudou. Professora, Escritora, Pesquisadora, Intelectual, Educadora, Oradora, Missionária Batista e autora de literatura infantil. Em 1966, com 33 anos de idade, formou-se em teologia.

Chegou a atuar, como missionária, em Tocantínia (TO), mas por problemas de saúde não pode permanecer no campo, embora continuasse empolgada com missões através de seus poemas. Assim, em 1966, atendendo ao convite do Pastor David Gomes, foi trabalhar na sede de Missões Nacionais, como redatora da revista A PÁTRIA PARA CRISTO, onde publicava seus poemas e textos conclamando a todos para atuar na obra missionária.

Em 1988 tornou-se imortal – a primeira mulher na Academia Evangélica de Letras, tendo escrito aproximadamente 19 livros entre poemas, crônicas, romances e histórias infantis. Foi 2º ocupante da Cadeira nº 01 da Academia Evangélica de Letras do Brasil.

Escreveu, entre outros, “POEMAS PARA MEU SENHOR” (1967), “HÁ UM DEUS EM TUA VIDA”, “COMPRA-ME UMA FLOR”, “BOM DIA, AMOR”, “VIM FICAR CONTIGO”, “CAMINHOS DE DEUS”, “MAIS QUE UM DESAFIO”, “CANTA, MESMO QUANDO...”, “MENINA SEM NOME” (1972) e “ANTES QUE CAIAM AS ESTRELAS” (ROMANCE-1972).

Colaborou em jornais e revistas, tais como O JORNAL BATISTA e as revistas A PÁTRIA PARA CRISTO e VISÃO MISSIONÁRIA, entre outras.

Já aposentada, continuou indo à sede de Missões Nacionais e numa máquina de escrever antiga, registrava seus novos poemas, deixando sua marca de grande poetisa evangélica do Brasil, emocionando a todos com seus versos inspirados. “Peso de nossa terra, grito de nosso povo, que suplica um mundo novo, onde haja paz e amor. Como cantar nossa crença deixando na treva imensa o povo que é nosso povo, a terra que é nossa terra, Senhor?”

O seu poema AGORA é de uma suavidade singular. Espelho da Alma foi escrito com emoção: “Se queres dar-me uma flor/faze-o antes que eu morra./Se podes, hoje, fazer o milagre de um sorriso num rosto que chora, /não coloques flores sobre tumbas. Se queres dar-me uma flor, faze-o agora! / Se podes dar um lar ao órfãozinho, abrigo ao pobre que geme lá fora, não encolhas a mão – Deus está vendo. /Se conheces o eterno caminho que leva ao templo onde a alegria mora, não guardes, egoísta, o teu segredo: Se podes dizer, uma frase linda algo que faça a tristeza ir embora, dize-o enquanto posso agradecer sorrindo:/se podes dar-me uma flor, faze-o agora. /Não esperes o instante da partida: se queres me fazer feliz, faze-o agora! Para que chorar de remorso e de saudade? /Custa tão pouco a felicidade...”

No poema TUA MARCA SOBRE MIM, a poetisa escreveu: “...Obrigado, Senhor, por minhas fraquezas, por tudo que me permites sofrer. Transforma meus problemas em bênçãos, ajuda-me a fazer das tragédias um poema: Dá-me a graça para reconhecer que eu sou somente uma parte do teu plano ao qual somente tenho que me submeter.”

Em MEU IRMÃO MAIS VELHO, ela diz: “Tiraram-lhes a liberdade de culto, o direito de abrir as portas do templo, para cantar louvores ao Criador, para buscarem junto o consolo da prece em comum, da meditação nas santas promessas, remédio para um coração em pedaços, da Pátria escravizada. Não mais a alegria de contar, à futura geração, a história daquele outro menino, que nasceu numa manjedoura, conversou com doutores, e brincou nas ruas de Nazaré. Que bom lembrar-te Jesus, como meu irmão mais velho. Distribuindo entre nós tão menores a herança tua por direito. (...) Meu irmão, eternamente jovem, infinitamente forte, todo Amor: Obrigado, pela parte na herança, pelo lugar na família, e pelo doce nome de CRISTÃO”.

Na dedicatória do seu primeiro livro, escreveu: “Pai do Céu: Aí estão meus poemas. É um presente. Melhor. É uma devolução. Vieram de Ti.” Vinte e cinco anos depois, acrescentou: “Tempo de Deus não é nosso tempo, hora dos homens não é sua hora; a gente fica parada até aprender que é parte do plano cada demora...”

É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRAFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br  (extinto)

Infelizmente, como ocorre com outros grandes poetas evangélicos, não é fácil encontrar os seus livros. Uma pena que as editoras evangélicas, especialmente a JUERP, não estejam reeditando seus livros. Myrtes Mathias faleceu em 05.07.1996, e sua última poesia TODOS PRECISAM SABER inspirou a letra do hino oficial da Campanha Missionária daquele ano.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

Texto Missões em Verso e Imagem, de Sandra Regina Bellonce do Carmo, via Internet.

Texto Dicionário de Membros da Academia Evangélica de Letras, de Mário Ribeiro Martins, Ensaios, no site www.usinadeletras.com.br

Informações adicionais: Sammis Reachers, via e-mail, Rio de Janeiro-RJ.

 


(FOCALIZADA EM MEU LIVRO ¨FAGULHAS¨, PÁGINAS 172/174)

 


sábado, 12 de setembro de 2026

INDIGNAÇÃO - FILEMON MARTINS

 




            

            INDIGNAÇÃO

 

 

        É impossível ficar passivo diante de tantas denúncias de corrupção na máquina do governo: há, é verdade, muitas investigações em curso, mas é provável que no fim de todo estardalhaço, nada seja investigado.

        Algumas denúncias apontam o envolvimento de membros do STF, por participação, conveniência, ou qualquer outro nome que se queira dar. O ministro que preside a Corte Suprema é o mesmo que anos atrás tirou Lula da prisão, que havia sido condenado a 12 anos e 1 mês, pela Justiça Federal e pelo Tribunal Regional Federal, da Quarta Região.

        Será que estas investigações chegarão ao final? E se chegarem, teriam um julgamento justo com os rigores da Lei, doa a quem doer?

Vamos aguardar mais um pouco, porque só o tempo dirá o que pode acontecer antes e depois das eleições de outubro/26.

        Neste contexto, qualquer que seja o resultado das investigações, será impossível esconder da opinião pública brasileira, da Comunidade Internacional o que realmente aconteceu dentro da cúpula do Poder.

Aguardemos, portanto!

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

      


OS DONOS DO PODER - FILEMON MARTINS

 




         OS DONOS DO PODER

 
                                                     

     Com a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao Palácio do Planalto, nestes últimos 23 anos, o fascínio da equipe do governo petista pelo poder ficou evidente. Como é possível, mudar tanto? A Filosofia do partido mudou de uma hora para outra. Pelo menos aos olhos do eleitor. Tudo que parecia errado, agora está certo. Tudo que parecia injusto, agora é justíssimo.

      Sabe-se que a herança deixada pelo próprio governo do PT ao longo destes mandatos, foi extremamente pesada. Contudo, o aumento de impostos e taxas adotado pelo governo, também foi alarmante. Se todo este dinheiro fosse gasto com responsabilidade, hoje teríamos melhor educação, mais segurança, melhores estradas e uma infraestrutura modelo.

     Em 1988, Luiza Erundina foi eleita Prefeita da cidade de São Paulo, pelo PT e não obstante as dificuldades que teve de enfrentar, entre outras, peitar os empresários machistas, o preconceito de ser nordestina, o preconceito de ser a primeira mulher a administrar a maior cidade da América do Sul, no campo social, fez um trabalho admirável.

      E era nessa esteira que se esperava que o PT administrasse o país, já que o governo anterior do sociólogo FHC pouco fez pelo social. Quem leu o livro “LULA – BIOGRAFIA POLÍTICA DE UM OPERÁRIO”, de Frei Betto, não reconhece mais o biografado pelo Frei Betto e nem o Partido dos Trabalhadores. Falando sobre a criação do partido, afirma Frei Betto: “Assim, o PT emergia da vontade de independência política desses setores populares, historicamente cansados de servirem de massa de manobra em mãos de políticos e partidos comprometidos com a manutenção de uma ordem política e econômica ATRELADA AOS DONOS DO GRANDE CAPITAL.” (grifo meu)

      Mais adiante, Frei Betto informa um dos pontos do Programa do PT: “Centrado nas questões essenciais ao desenvolvimento social do País, como a suspensão do pagamento da dívida externa, a reforma agrária, o aumento real do salário-mínimo, o combate à inflação, a distribuição de renda, o controle da evasão de divisas, a estatização dos setores estratégicos da economia e a priorização de áreas como saúde, educação, transporte e moradia.”

      No retorno de sua viagem à Europa, num dos seus mandatos, Lula afirmou que “é cedo, pede paciência e não quer ser julgado com pouco tempo de governo”. Está correto, mas como brasileiro nada me impede de registrar aqui minhas opiniões.

      Não era cedo, não era prematuro, já se podia antever o projeto de poder do partido. A prioridade do governo, por exemplo, nunca foi combater a corrupção, à sonegação fiscal e tentar receber as dívidas do INSS. De acordo com a coluna CONEXÃO, do jornal PÁGINA3TRÊS, de Balneário de Camboriú, Santa Catarina, “O Presidente da República, Lula, voltou a defender nesta semana mudanças no Judiciário. Curioso que sua excelência invista, mais uma vez, contra um poder autônomo, justo no momento em que começam a pipocar denúncias de corrupção no poder que ele preside e comanda, o Executivo.” Aliás, diz o dito popular que é mais fácil apontar erros do vizinho, que corrigir seus próprios erros. Dentro deste contexto começou as nomeações de “escolhidos” para o STF.

      O PT nasceu da classe trabalhadora e foi fundado por um trabalhador, mas os fatos mostram que o trabalhador não tem mais lugar no partido. Não há como negar que o PT se amoldou às exigências da elite brasileira. Desta forma, a imprensa, sempre a favor de quem manda, pode noticiar, com estardalhaço, as reformas que trarão benefícios enganosos, como se fossem a salvação da pátria.

      Algumas figuras de prestígio deixaram o PT, como Jacó Bittar, que fora eleito Prefeito de Campinas pelo PT, em 1991. Luiza Erundina, que foi prefeita de São Paulo, anos mais tarde também deixou o PT. Traição? Ingratidão? Radicalização? Será que naquela época, dentro do partido, já havia a intenção de dar calote no eleitor? Sim, porque houve um calote eleitoral. A equipe do governo petista, especialmente os eleitos pelo povo, deputados e senadores, todos estão de uma forma ou de outra, enrolados em corrupção ou são coniventes.

      Tomara que após as eleições de outubro a gente não assista o Inferno de Dante com o Ali Babá e seus inúmeros ladrões dançando e comemorando a continuação da corrupção, dos trambiques, do roubo e da desmoralização dos costumes brasileiros. Oxalá! E você, de que lado vai estar?

 

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DA ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU, SP


O VALE DOS ELEFANTES DE VIDRO - JOSÉ FELDMAN

 




 O Vale dos Elefantes de Vidro


  

Saiba que todo rio encontra seu mar e toda jornada, por mais gloriosa, busca o seu poente. Esta é a derradeira crônica de Aldhiyb Al-Abyad que havia iniciado.

 

Após décadas de aventuras, Aldhiyb sentiu que seus cabelos, agora tão alvos quanto o pelo da fera que um dia fora, pediam repouso. Mas o Destino é um escriba que não deixa páginas em branco. Em sua última expedição ao Extremo Oriente, um redemoinho de águas brancas tragou o Falcão do Índico, lançando Aldhiyb, sozinho, em uma terra onde o tempo parecia ter congelado sob um sol de cristal.

 

Caminhando por desfiladeiros de quartzo, ele chegou ao Vale dos Elefantes de Vidro. Lá, centenas de paquidermes colossais, esculpidos em vidro puríssimo, guardavam o silêncio do mundo. No centro do vale, sentado sobre uma ampulheta gigante cujas areias eram estrelas esmagadas, estava o Senhor do Destino, um ancião cujas mãos teciam fios de luz.

 

— "Chegaste ao fim do mapa, Aldhiyb," disse o Ancião. "Estes elefantes são as memórias dos homens. Quando um homem morre sem cumprir seu propósito, seu elefante se quebra. Se cumpriu, ele se torna diamante.

O teu, porém, ainda é de vidro, pois temes o que vem depois do mar."

 

O Senhor do Destino desafiou Aldhiyb: ele deveria atravessar o vale carregando uma única gota d'água em uma colher de vidro. Se a gota caísse, ele seria esquecido; se chegasse ao fim, veria a verdade última.

 

Enquanto caminhava, visões de suas viagens passadas surgiram para distraí-lo: o brilho da prata, o rugido do Gigante, a beleza da Princesa e a fúria do Gênio. Mas Aldhiyb, usando a sabedoria de todas as suas provações, não olhou para os lados. Ele percebeu que a gota d'água não era apenas água, mas a soma de todas as suas lágrimas e suores.

 

Ao chegar diante do Ancião, a gota não caiu, mas expandiu-se, refletindo não o passado, mas a paz do presente. O elefante de vidro de Aldhiyb brilhou com uma luz interna e endureceu, tornando-se o Diamante Mais Puro do Oriente.

 

— "Tu venceste o medo da finitude," declarou o Destino. "A vida é uma viagem por mares bravios, mas a morte é apenas o porto onde o capitão finalmente descansa para ouvir a música das esferas."

 

Aldhiyb Al-Abyad foi transportado de volta a Bagdá em um piscar de olhos, aparecendo no portão de sua casa com o diamante na mão. Ele distribuiu sua imensa fortuna entre os pobres, queimou seus mapas e passou o resto de seus dias ensinando que a maior viagem que um homem pode fazer é a que o leva de volta ao seu próprio coração. 



(E-BOOK - "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN) 


NOVA AURORA - FILEMON MARTINS

 





                        NOVA AURORA 
                                 
                                   Filemon Martins




Eu me tornei um pobre vagabundo 
quando partiste pela vida afora... 
Talvez sonhaste conquistar o mundo 
deixando aqui um coração que chora.
 

De luz, amor e inspiração me inundo 
e vislumbro o romper de nova aurora, 
acredito no Amor puro e profundo 
que mitiga a tristeza que apavora.
 

Creio no Amor intenso, verdadeiro, 
sempre perdoa, espera e crê primeiro 
sem julgamento, ofensa ou coisa assim.
 

Quero colher a Paz em farta messe, 
sentir a graça singular da prece 
para encontrar o Amor dentro de mim!

POEMA SEM NOME - FILEMON MARTINS

 





POEMA SEM NOME
Filemon Martins


Fui buscar na memória da saudade
o arrulho da juriti, no pé da serra,
o canto do sabiá nas mangueiras do pomar,
quando havia ainda floresta sobre a Terra.

Fui buscar na prece da tarde
a ternura do sol em pleno Ocaso.
Fui buscar o perfume da rosa
que, sorrindo no jardim,
torna a paisagem mais radiosa.
Busquei também nos passarinhos
que saltitam, em seus ninhos,
a canção dos amantes.

Busquei a luz no brilho das estrelas,
aquela mais brilhante e resplendente,
aquela luz dos teus olhos.
Busquei a fé, que renasce na alma do poeta,
quando sonha, quando ama, quando crê.

Busquei a plenitude da vida
nas vibrações do amor
quando o céu fica mais perto.
E, mesmo estando no deserto,
sinto que estou num prado tranquilo,
numa paisagem verde, deslumbrante,
onde ouço misteriosamente o som de um violino
e me reencontro enamorando o Mundo
em busca do meu sonho e do meu destino!