Não me fascina, na vida,
poder ou fama alcançar,
que a vitória merecida
Saudade é o cantar tristonho
do canário, no Sertão.
É sentir que o nosso sonho
não passou de uma ilusão.
Não me fascina, na vida,
poder ou fama alcançar,
que a vitória merecida
Saudade é o cantar tristonho
do canário, no Sertão.
É sentir que o nosso sonho
não passou de uma ilusão.
TROVAS DE JESSÉ NASCIMENTO
Assim como o rio corre,
a vida se vai passando...
É o nosso amor que já morre
e nós que vamos ficando...
Vive a criança o presente,
o futuro - a mocidade.
Já o velho sorridente,
vive o passado e a saudade.
Lamentar-se o fim da vida
pouco a pouco se aproxima...
Por que? Não foi tua lida,
belo livro - obra prima?
Verdade... Sinceridade...
Tudo mera fantasia!
Paz, amor, honestidade,
isso existe hoje em dia?
(LIVRO "COLETÂNEA 1983 - CONTOS E POESIAS" - GLAN-GRÊMIO LITERÁRIO DE AUTORES NOVOS, PÁGINAS 87/88)
TROVAS EM FAMÍLIA
MARIA THEREZA CAVALHEIRO
FILEMON Francisco MARTINS (na foto com a
filha Keise, em dia de lançamento), poeta, contista, biógrafo, ecologista,
pesquisador, preocupa-se também em divulgar seus irmãos de ofício, em artigos
pela imprensa, pela Internet, no seu blogliterariofilemon.blogspot.com. E
o faz mais ainda após sua aposentadoria do Tribunal Federal da Terceira Região,
onde ingressou por concurso público. Trabalhou também na Empresa Folha da Manhã
S/A. É fotógrafo amador e tem um “hobby”: coleciona relógios de parede.
Fez o curso de Administração de Empresas.
Nascido em Ipupiara-BA, em 17.1.1950, reside em São Paulo desde 1969,
atualmente na bucólica cidade litorânea de Itanhaém. O mar está presente em
muitos de seus expressivos versos, os últimos publicados em “Anseios do
Coração”, de 2011, que pode ser encontrado nas Livrarias Asabeça, Cultura,
Martins Fontes, Da Vila, Leger e outras na Capital paulista, e em
Itanhaém na Livraria Jut’z Som. Pode também ser adquirido com o Autor,
pelo e-mail filemon.martins@hotmail.com
Nesse livro, que é o segundo do Poeta - o primeiro foi “Flores do meu
Jardim” - , além de bem elaborados sonetos, há também poemas livres e trovas -
belas trovas!, sob os mais variados temas, incluindo “escadas”.
Filemon F. Martins, filho de Adão Francisco Martins e de Francolina
Ribeiro Martins, teve, na vida literária, profunda influência de seu tio, o
poeta e contista Carlos Ribeiro Rocha, assim como dos igualmente
conhecidos escritores Mário Barreto França e Gióia Júnior.
Filemon é de uma família dotada com o dom da inspiração. O tio Carlos
Ribeiro Rocha (4.11.1923 - 27.11.2011) deixou vários livros, como: ”Harpa
Sertaneja”, “Pingos de Mim”, “Meditações”, “Coroa de Sonetos”, “28 Sons” e
outros. Foi fundador do Ginásio Diamantino e professor. Exerceu a função de
Coletor Federal.
Seu irmão, MÁRIO RIBEIRO MARTINS (7.8.1943), membro e fundador de
vários sodalícios, pastor evangélico e pregador, é renomado biógrafo. Seu
“Dicionário Bibliográfico do Brasil”, na Internet, traz mais de 40 mil
biografias de escritores. Tem numerosos livros publicados, dos quais o último
se intitula “Razão do meu Viver e outras Amenidades”. Junto com o mano, Filemon
lançou um “Dicionário Genealógico da Família Ribeiro Martins”. Mário é
Professor universitário e Procurador da Justiça do Estado de Goiás.
JEREMIAS RIBEIRO FILHO, um dos primos, que se assina JERRY FILHO
(21.12.1950), é também cordelista e professor. Publicou “Centelhas do Além”,
com poemas, sonetos e trovas.
A prima LAURENTINA DOS SANTOS NOVAIS (4.2.1953), poeta e professora, é
autora do hino dedicado ao Centro Educacional de Ipupiara, intitulado “Luz no
Sertão”.
JEREMIAS RIBEIRO DOS SANTOS (30.9.1926 - 30.4.1999), que se assinava
também JERRY SANTOS, era pai de Jerry Filho e de Laurentina; irmão de Carlos
Ribeiro Rocha.
SAMUEL PIRES RIBEIRO (23.11.1961), outro primo de Filemon, além
de poeta, é músico e cantor.
Filemon F. Martins é casado com Celene Jinkings Martins; são seus
filhos Keise, Maíse, Edilson, Allan e Gílson. O casal tem 11 netos e 6
bisnetos.
Vejamos algumas trovas dessa talentosa família:
Acordo cedo, não nego,
ando pescando a poesia,
na minha rede carrego
todo o mar de fantasia.
FILEMON MARTINS
Vejo a prova fulgurante
de um Poder, que não tem fim,
numa estrela - bem distante,
na vida - dentro de mim.
CARLOS RIBEIRO ROCHA
Com os olhos fitos no chão,
você só vê a tristeza.
Levante a cabeça, irmão,
e contemple a natureza!
MÁRIO RIBEIRO MARTINS
Escolha um solo fecundo,
prepare-o com muito ardor,
e com fervor mais profundo
plante a semente do Amor!
JERRY FILHO
Não sei por que, ó saudade,
tu vens de tão longe assim,
roubar a felicidade
que mora dentro de mim!
LAURENTINA DOS SANTOS NOVAIS
Nesta vida transitória,
nada vejo de valor,
pois, daqui a falsa glória
murcha e finda como a flor!
JEREMIAS RIBEIRO DOS SANTOS
Amigos, guardem de cor
e viverão satisfeitos:
nossa vitória maior
é vencer nossos defeitos.
SAMUEL PIRES RIBEIRO
NOTA DO BLOG: Depois, o poeta lançou os livros: "FAGULHAS", "SONETOS & TROVAS", "HISTÓRIAS QUE SÓ AGORA EU CONTO", "CAMINHOS DO JORDÃO DA BAHIA", "COTIDIANO DA VIDA, HISTÓRIAS E VERDADES" e "DE TUDO UM POUCO contos, crônicas, ensaios, poemas, sonetos e outras coisas mais".
QUANDO O OUTONO CHEGA... Filemon Martins
Fim de verão. O outono está aí com seu fascínio. A natureza faz o seu espetáculo. Uma nova paisagem de outono. Folhas e flores voam ao sabor dos ventos. Quase sempre, folhas, flores, frutos e borboletas misturam as cores da terra e do céu. Move-se, nesse cenário, um sentimento agridoce que faz da minha alma um tabernáculo.
De graça a natureza cria e recria paisagens, desafiando a dureza dos corações humanos que não encontram tempo para apreciar a beleza da vida e os encantos da terra. Meu coração é uma catedral abandonada, onde a solidão desfila todos os dias, todas as horas e todas as noites. Inspira-me versos. Fico impregnado de saudade. Se o céu é azul, doce é o meu pensar. Meu coração não fala, mas sente com emoção, com devoção. É a estação outonal.
Sou um passageiro da terra num trem desgovernado que não consigo parar. Para rever um rosto que se foi. Estou consciente: - são coisas do coração. Inexplicáveis. Inconcebíveis. Não há como parar a condução. A viagem continua até a última estação. Fico debruçado na janela do tempo que passa veloz e contemplo a imensidão do Universo. Descubro que o meu olhar é triste. Vejo-me por dentro e agora me sinto um passageiro do “TITANIC” à deriva no mar de sonhos. Navego com o coração. Descubro decepções em cada porto da vida.
Às vezes, imagino que estou voltando. - Mas, por onde já andei? Não sei. Mas sei que sinto dor, sinto saudade. Essa dor que desafia os avanços da Medicina. As teses da Física. No coração há um sopro de um Deus que ninguém explica, mas que existe. Que movimenta todo o Universo. Mas até quando? Mistério insondável.
Assim como as folhas, flores, frutos e borboletas, nada é permanente. Tudo se transforma, já dizia Lavoisier. Também o ser humano, com suas limitações e imperfeições. Contudo, Cristo é eterno. Detenho-me diante da ternura do Nazareno. Esbarro no mistério da vida. Da vida que passa tão rapidamente. No mistério da fé. Quisera ter o dom da fé. Será que me perdi nas indagações que fiz? Nas respostas que não tive? Enfim, são emoções outonais. Ou melhor, ANSEIOS DO CORAÇÃO.
A DECISÃO
DO CORONEL
ARTUR RIBEIRO DOS
SANTOS
Foi nomeado e recebeu a patente do 298° Batalhão de Infantaria da
Guarda Nacional. Participou e comandou combates na região da Chapada
Diamantina.
A história
registra e mostra os fatos informando que do final do século XIX para o início
do século XX o Brasil passou por profundas mudanças na política, na
administração pública e na economia. Muitos líderes políticos estavam
insatisfeitos com o regime de Monarquia e com os objetivos de D. Pedro II. A
partir de 1887 o regime Monárquico mostrou fraqueza e motivou a Proclamação da
República em 15 de novembro de 1889. As mudanças são normais e necessárias aos
países em desenvolvimento.
As
mudanças políticas se deram por vários fatores, mas principalmente pelos fatos
que culminaram com a Proclamação da República. As transformações na
administração pública foram introduzidas ao longo de anos em função dos
princípios do regime republicano.
As
transformações na economia foram frutos advindos da República, que proporcionou
aumento do comércio do Brasil com outros países. Os resultados foram:
aumento da área plantada com lavouras de café, cacau, cana-de-açúcar, algodão e
outras lavouras. Tudo isso fez a produção aumentar e a produtividade melhorou,
mas com o passar dos anos foram surgindo outros problemas. Para ajudar no
controle, o governo imperial criou a Guarda Nacional. Em muitas partes da então
Lavras Diamantinas estava produzindo ouro e principalmente diamantes e assim
precisava de controle por parte do Governo Central. Na região foram investidos
com a patente de coronel muitos homens de posses, prestígio e dispostos a
lutar a serviço do governo federal.
Pois bem.
Foi nesta região e neste contexto político regional e nacional que no dia
14/03/1888, na fazenda Mata do Evaristo, nasceu Artur Ribeiro dos Santos, filho
de Evaristo e Maria Ribeiro dos Santos (muito conhecida na região como vó
Maria), bisavós do autor destas notas.
Era uma
família grande, pois o casal teve nove filhos, todos se casaram e prosperaram.
Com o casamento dos filhos a família do senhor Evaristo foi se expandindo e
chegando aos netos, bisnetos etc., de forma que só o desenho de uma árvore
genealógica poderia mostrar as ramificações. Foram surgindo homens e mulheres
importantes pela graduação universitária e formação profissional. Muitos
seguiram o ramo da medicina, da engenharia, do direito, carreira militar e
outras. Estes homens e mulheres descendentes do casal Evaristo e Maria Ribeiro
dos Santos se espalharam pelos estados do Brasil e Distrito Federal, sendo bons
cidadãos e sendo úteis ao governo e a toda a sociedade brasileira.
Naquela
época o sertão da Bahia seguia quase que abandonado por parte dos governos
federal e estadual. Por falta de escolas Artur Ribeiro dos Santos não terminou
o curso primário (ou fundamental, como hoje é chamado). Contudo, desde cedo
demonstrou ser um líder nato. Foi um verdadeiro autodidata, um orador que sabia
despertar a atenção dos ouvintes. Ainda bem jovem, com 19 anos de idade, foi
nomeado pelo presidente Afonso Pena, como Tenente Mestre do 298° Batalhão de
Infantaria da Guarda Nacional. Mais tarde recebeu a patente de Coronel da
Guarda Nacional.
Em 1913
Artur Ribeiro dos Santos casou-se com Solina Amorim Barreto. O casal não teve
filhos, mas foram muitos os filhos adotivos acolhidos pelo casal. Dias depois
do casamento o casal foi morar no povoado de São Tomé (hoje pertencente ao
Município de Barra do Mendes). Poucos meses depois foi morar em Tiririca do
Bode (atual Ibipeba), Xique-Xique e Barra do Rio Grande (atual Barra).
Não
demorou muito e o casal migrou para a região da Chapada Diamantina, nas
montanhas rochosas, na parte central da Bahia. Morou em Brumado, hoje Ibitunane
(Município de Gentio do Ouro), onde moravam muitos dos seus parentes. Artur
Ribeiro foi um político influente na região.
O casal
saiu de Brumado por volta de 1920 e resolveu definitivamente fixar residência
em Jordão (atual Ipupiara), na época pertencente ao Município de Brotas de
Macaúbas. Em 1920 Artur Ribeiro dos Santos aceitou a mensagem do evangelho,
sendo batizado nas águas do Rio Grande, unindo-se à Igreja Batista.
Em
Ipupiara, Artur Ribeiro foi durante muitos anos um forte comerciante de tecidos
e aviamentos. Foi presidente do diretório municipal do PSD. Poucos anos depois
filiou-se à UDN. O coronelismo foi extinto após 1930 pelo presidente Getúlio
Vargas. Mas os coronéis continuaram por muitos anos tendo prestígio e o
respeito da população. Artur Ribeiro foi por vários períodos, eleito vereador.
Foi prefeito do Município de Brotas de Macaúbas nos anos de 1945 e 1946. Ele
mantinha forte amizade com Juracy Magalhães, que foi um nome forte na política
da Bahia. Foi interventor Federal e mais tarde governador do Estado. Foi
ministro das relações exteriores do Brasil e negociou a construção da Barragem
de Itaipu.
A grande
decisão. Como bom político que era, Artur Ribeiro tomou a decisão de conversar
com líderes políticos em Salvador e trabalhar para a emancipação política de
Ipupiara. Em 1956 foram intensificados os esforços no sentido da emancipação
política. O ano de 1958 foi decisivo para a vitória. Por força da
Lei n° 1.015/58 de 14 de agosto de 1958 foi aprovada a emancipação política e
administrativa de Ipupiara. A festa foi grande! Mas Artur Ribeiro dos Santos
não trabalhou só. A história registra os nomes de Adão Martins, Arlindo
Almeida, Osvaldo Leite, Edvaldo Sodré, João da Cruz, Noel Ribeiro e muitos
outros. Na ocasião da assinatura da Lei da emancipação ele falou com
Juracy Magalhães sobre os limites do Município. A resposta foi a seguinte:
Coronel Artur, não vamos demorar e trataremos da expansão dos limites do
território. Parece que deixou o tema em aberto para futura discussão.
Saul
Ribeiro dos Santos
Cont. e
economista aposentado
Natural
de Ipupiara – BA.
E-mail: saul.ribeiro1945@gmail.com
Recebi da professora, escritora, poetisa, pianista Elvira Drummond, de Fortaleza, Ceará, o livro de sua fértil lavra "OS ESCOLHIDOS - VERSOS DIVERSOS," com 168 páginas de pura poesia. Uma coleção de exímios sonetos e trovas premiadas em concursos nacionais.
CORES DO TEMPO
Elvira Drummond
O tempo amarelou o meu sorriso,
esmaeceu o tom vivo e vibrante
da antiga cirandinha (já distante),
timbrando o alvorecer de que preciso...
O tempo grisalhou, sem dar aviso,
o meu cabelo mel - cor deslumbrante -
e agora exibe prata... em qual instante,
acinzentou meu mundo, de improviso?
O tempo desgastou a antiga foto,
tornando o meu passado mais remoto...
(Um modo de anular a minha história?)
Ah, tempo! Seu poder não chega a tanto...
Meu trunfo está no eterno e doce canto,
cantando, avivo as cores da memória!
(LIVRO "OS ESCOLHIDOS versos diversos", página 37)