quinta-feira, 23 de abril de 2026

APELO - ENO TEODORO WANKE

 



APELO
Eno Theodoro Wanke (1929/2001)


  Eu venho das lições dos tempos idos,
e vejo a Guerra no horizonte armada.
Será que os homens bons não fazem nada?
Será que não me prestarão ouvidos?

Eu vejo a Humanidade manejada
em prol dos interesses corrompidos.
É mister acabar com esta espada
suspensa sobre os lares oprimidos!

É preciso ganhar maturidade
no fomento da paz e da verdade,
na supressão do mal e da loucura...

Que a estrutura econômica da guerra
 se faça em pó! E reinem sobre a Terra
os frutos do trabalho e da fartura!



Nota: APELO, é o soneto em português mais traduzido para idiomas estrangeiros: 101 idiomas. Um verdadeiro fenômeno!










MAIS UM ADEUS - JOSÉ FELDMAN

 



MAIS UM ADEUS

José Feldman


TROVA DE ELIANA PALMA


Adeus com dores combina,

adeus inspira piedade.

Adeus de amor, triste sina

de quem vive de saudade!




O sol estava se pondo em Maringá, tingindo o céu de laranja e rosa, como se o próprio dia estivesse se despindo para dar lugar à noite. As ruas começavam a se esvaziar, e o movimento frenético do centro da cidade diminuía, dando espaço a um silêncio que parecia carregar a melancolia de tantos “adeus” que haviam sido ditos ao longo dos anos. Em cada esquina, um pedaço de história, um resquício de amor ou amizade, ecoava na memória dos que por ali passavam.

Naquela tarde, Maria, uma jovem de cabelos cacheados e olhos brilhantes, caminhava pela Avenida XV de Novembro. Seu coração pulsava descompassado. Ela sabia que estava prestes a se despedir de Humberto, seu primeiro amor, que decidira se mudar para outra cidade em busca de novas oportunidades. 

O anúncio da partida havia caído sobre ela como uma tempestade de verão: repentino e avassalador.

"Quando você vai embora mesmo?", ela perguntou, tentando esconder a tristeza na voz. 

Humberto, com um sorriso nostálgico, respondeu que partiria na manhã seguinte. O que era uma nova chance para ele, tornava-se um abismo para ela. O amor, que havia sido uma doce melodia, agora era um lamento que ecoava pelas ruas de Maringá.

Enquanto Maria caminhava, lembranças dançavam em sua mente. O primeiro encontro no Parque do Ingá, com suas árvores majestosas e o perfume das flores. As tardes passadas em um banco à sombra, onde eles trocavam promessas e risadas, como se o mundo ao redor não existisse. E agora, todas aquelas memórias pareciam pesadas, como se cada risada carregasse um peso insuportável.

O "adeus" que se aproximava era uma verdadeira sina. Maria sentia o coração apertar ao pensar nas despedidas que já havia vivido — a partida do pai para o exterior, a saída da melhor amiga que se mudara para a capital, as idas e vindas da vida. Cada adeus trazia consigo um rastro de saudade, e ela se perguntava se um dia aprenderia a lidar com isso.

Na esquina da Avenida XV com a Avenida São Paulo, um grupo de amigos se despedia. Riam e se abraçavam, mas Maria percebia que, por trás das risadas, havia um fundo de tristeza. O “adeus” sempre vinha acompanhado de uma sombra. "Adeus com dores combina, adeus inspira piedade", pensou. As despedidas em Maringá eram como melodias que se repetiam, sempre com a mesma harmonia triste.

Com o coração pesado, ela decidiu encontrar Humberto uma última vez. Dirigiu-se ao café onde costumavam ir, um pequeno lugar aconchegante, com mesas de madeira e um cheiro inconfundível de café fresco. Ao entrar, avistou Humberto na mesa do canto, olhando pela janela. Ele parecia distante, perdido em pensamentos, e Maria percebeu que ele também estava sentindo o peso da partida.

— Oi, você veio! — Ele sorriu, mas a alegria não alcançou seus olhos.

— Precisamos conversar — disse Maria, sentando-se à sua frente. 

O clima estava carregado, e as palavras pareciam não querer sair. O garçom trouxe os pedidos, mas o café esfriou enquanto eles trocavam olhares que falavam mais do que mil palavras.

— Eu não sei como vou lidar com isso — ela finalmente desabafou. — Vai ser tão difícil te ver partir.

— Eu também não sei, Maria. É como se estivéssemos vivendo um sonho e agora temos que acordar. — ele hesitou. — Mas isso não significa que o que tivemos não foi real.

 

A conversa fluiu entre risos nervosos, 

lembranças e promessas de que tudo ficaria 

bem. Mas, no fundo, ambos sabiam que a 

vida 

os levaria por caminhos diferentes. O café 

esvaziou-se em suas xícaras enquanto as 

horas passavam, e o sol começava a se 

esconder, deixando uma sombra sobre a 

cidade.

Quando finalmente se levantaram para sair, Maria sentiu que aquele momento se tornaria mais uma memória, mais um “adeus” a ser guardado na caixa de saudades. Eles caminharam lado a lado, sem saber se deveriam se abraçar ou apenas se despedir com um aceno. O medo da dor os impedia de se aproximar.

Na porta do café, Humberto parou e, em um gesto inesperado, puxou Maria para perto. O abraço foi apertado, cheio de sentimentos não ditos. Era um “adeus” que transbordava dor, mas também gratidão. Um “adeus” que, mesmo triste, celebrava o que haviam vivido juntos.

— Adeus, Maria. Cuide-se! — ele disse, com a voz embargada.

— Adeus. E não se esqueça de mim — respondeu ela, enquanto as lágrimas escorriam pelo rosto. 

O “adeus” ecoou, pesado e doce como um canto de despedida, deixando no ar a promessa de que, apesar da distância, as memórias permaneceriam.

Enquanto ele se afastava, Maria ficou ali, observando o homem que um dia fora seu amor. O céu estava agora escuro, e as luzes da cidade começavam a brilhar. Em cada ponto luminoso, ela via uma lembrança, uma risada, um abraço.

E, assim, em Maringá, onde os adeuses são sempre acompanhados de saudade, Maria aprendeu que a vida segue, mesmo entre dores e despedidas. O amor se transforma, mas nunca desaparece completamente. E, ao final, cada “adeus” traz consigo a semente de um novo “olá”, mesmo que, por ora, a saudade seja a única companhia.

 

 

      


TROVAS ESCOLHIDAS

 


                       (FOTO DE KEISE JINKINGS MARTINS, EM ITANHAÉM-SP)



TROVAS ESCOLHIDAS
 

Nuvens que vejo ao sol posto
fico a pensar com meu eu:
Parecem rugas no rosto
da tarde que envelheceu.
        
Geraldo Amâncio

Se alguma dor te entristece,
levanta-te, abre as janelas
e ao fervor de tua prece,
deixa Deus entrar por elas...
        
Thalma Tavares

Esconde o pranto depressa
e finge que estás contente,
que aos outros não interessa
saber as mágoas da gente.
        
Maria Thereza Cavalheiro

As sombrias madrugadas
- discretas, sem alaridos -,
são testemunhas caladas
dos amores mais sofridos...

 Lucília Decarli

JONATHAS BRAGA, ILUSTRE POETA DE PERNAMBUCO - FILEMON MARTINS

 




JONATHAS BRAGA, ILUSTRE POETA DE PERNAMBUCO


Filemon Martins



O ilustre poeta pernambucano, Jonathas Braga nasceu na rua do Alecrim, bairro de São José, no Recife, em 08 de maio de 1908. Estudou na antiga Escola Normal de Pernambuco, no Colégio Americano Batista, tornando-se bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil. Obteve também o grau de licenciado em letras neolatinas, pela Faculdade de Filosofia da Universidade do Recife, hoje Universidade Federal de Pernambuco.
Além de Ministro Evangélico, foi professor de Português no Ginásio Pan-Americano, do Recife e no Colégio Agrícola de São Lourenço da Mata, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, tendo sido membro ativo da Academia Evangélica de Letras do Brasil.
Começou a escrever poesias em 1925 e escreveu vários livros, entre outros, “O POEMA DA VIDA” e “A NOVA ALEGRIA” – 1942; “O SUAVE CONVITE” – 1948, “O CAMINHO DA CRUZ” – 1949, “A CANÇÃO DO SENHOR EM TERRA ESTRANHA” – 1953, “ A ESTRELA DE BELÉM” – 1957, “O MILAGRE DO AMOR” – 1969 e “O CÂNTICO DA MINHA ESPERANÇA” – 1970.

Poeta primoroso, sensível, inspirado, Jonathas Braga não apreciava a presença de adjetivos junto da palavra poeta, porque julgava-os bajulatórios. Nunca aprendeu a incensar ninguém e confessa que essa atitude lhe custou alguns sacrifícios, conforme diz em seu livro “O CÂNTARO JUNTO À FONTE”, páginas 11 e 12.

Escreveu versos admiráveis, como estes do soneto “EU TE AGRADEÇO”, transcrito do livro “O CÂNTARO JUNTO À FONTE”: “Senhor, eu te agradeço a vida que me deste,/o ar que respiro, o sol e o céu cheio de estrelas,/os pássaros que estão cantando, alegres, pelas/campinas a florir, no mundo que fizeste. Eu te agradeço a luz que os píncaros reveste/de cores que ninguém pudera concebê-las, /e as fontes de cristal que sempre sonho vê-las/sussurrando canções que tu lhes compuseste. Eu te agradeço o riso inocente das crianças,/que semeiam na terra alegres esperanças,/enchendo os corações de cânticos de amor.../Eu te agradeço a paz que me consola e anima,/e tudo quanto é bom e que me vem de cima,/de onde me vês aqui, por onde quer que eu for.”
O Dr. Ebenézer Gomes Cavalcanti, em 20 de maio de 1937, já afirmava: “Ao Jonathas Braga coube o quinhão da Poesia, que canta e sorri e chora nas artérias sensíveis dos seus versos rimados...” Para Alfredo Mignac, “Jonathas Braga tem um estilo maravilhoso. Rima rica e perfeita. De raro brilho e lavor, seus versos são como prados amenos onde o riacho corre manso e liso e o ambiente tresanda a perfume de lírios. É uma espécie de orvalho que cai de cima, num deslumbramento e mansuetude admiráveis.”
De rara beleza e simplicidade é a sua poesia sobre o Natal: “Foi em Belém, naquele dia,/quando uma estrela apareceu/que, em cumprimento à profecia:/Jesus nasceu! Tudo era então viva poesia/e os anjos cantaram pelo céu, /como a dizer com alegria:/Jesus nasceu! E ele, na pobre estrebaria, /olhando em torno o povo seu,/qual novo sol resplandecia!/Jesus nasceu! Feliz Natal o desse dia, /quando uma estrela apareceu/e disse ao mundo com alegria:/Jesus nasceu!”

Jonathas Braga tornou-se um dos mais populares poetas evangélicos, ao lado de Mário Barreto França e Gióia Júnior, formando a tríade dos maiores poetas do evangelismo nacional. Mário Barreto França, em janeiro de 1949, afirmava: “Poeta primoroso, Jonathas Braga tem escrito em vários jornais e revistas, tanto do norte como do sul do país. Seus poemas apresentam o suave sabor de seu lirismo próprio dos grandes vates, dos que possuem em alto grau as vibrações naturais da sensibilidade artística. Jonathas Braga é, pois, o poeta da simplicidade, que sabe transmitir as confortadoras verdades do evangelho, através da delicadeza dos seus versos, onde se espelha a bondade, a pureza e o amor.”
No soneto “O CONTRASTE” o poeta pernambucano apresenta sua preocupação social: “Buscam jazidas ricas de minério/os que imaginam mundos coruscantes,/pensando nos palácios fulgurantes/que poderão encher todo o hemisfério./ Outros devassam o silêncio etéreo/das atmosferas ínvias e distantes,/como se fossem pássaros gigantes/buscando além a chave de um mistério./ E o mundo fica estarrecido e absorto,/mas há milhões que vivem sem conforto/e tantos outros a que falta o pão.../ Por que, pois, ir tão alto ou ir tão fundo,/quando aqui mesmo, em cima deste mundo,/há tanto que fazer por nosso irmão ?”

Importante mencionar que Jonathas Braga e esposa Dona Áquila de Souza Braga e alguns dos seus filhos, como Jedida, Jemima e Jerusa foram membros da Igreja Batista de Tejipió, Recife, quando Mário Ribeiro Martins foi Pastor daquela Igreja, de 1968 a 1973.

Sua irmã, Abigail Braga, médica no Rio de Janeiro, tornou-se excelente poetisa evangélica.

Não faz muito tempo, peregrinei pelas Livrarias e sebos da cidade de São Paulo, na esperança de encontrar um exemplar de qualquer livro publicado pelo poeta do Recife, mas nada consegui. Infelizmente, após a morte do poeta, a comunidade evangélica não tem se preocupado em reeditar os livros do vate de Sucupira, mas vale a pena ler a obra do poeta pernambucano, que viveu sob o calor dos trópicos e que conforme o juízo crítico do Professor Joanyr Ferreira de Oliveira, “Se algum estudioso da poesia sacra brasileira desconhecia o nome de Jonathas Braga, estava em falta, pois trata-se de um dos mais férteis e está entre os mais corretos bardos evangélicos brasileiros.” Para o escritor e crítico literário Mário Ribeiro Martins, “Jonathas Braga tem uma poesia de sensibilidade incomum.” O Professor Pereira de Assunção, referindo-se a Jonathas Braga, afirma: “sua bagagem literária representa algo apreciável que o coloca entre os grandes da poesia brasileira.”

Jonathas Braga faleceu em 07 de maio de 1978.

TROVAS DO FILEMON

 



 

TROVAS DO FILEMON

 

Não me fascina, na vida,

poder ou fama alcançar,

que a vitória merecida

é pelo Amor triunfar! 

Saudade é o cantar tristonho

do canário, no Sertão.

É sentir que o nosso sonho

não passou de uma ilusão.

 

Assim é que vejo a vida:

Uma estrada singular,

às vezes erma e cumprida

que a gente tem que trilhar.

 

Não sei em que mundo vives

sem amor, sem compaixão.

Tudo que pregas e dizes

são mágoas do coração.

 


QUESTÃO DE VALORES MORAIS - FILEMON MARTINS

 




 

QUESTÃO DE VALORES MORAIS

Filemon Martins

 

Não sei se por formação no lar ou se o indivíduo já nasce com aquele instinto que o faz pensar ser superior aos outros. Muitas pessoas nascem em berço de ouro e no decorrer da vida têm uma educação esmerada, fazem Cursos Superiores, pós-graduação nisto ou naquilo, mas profissionalmente se tornam arrogantes e prepotentes.

O contrário também é verdadeiro: o indivíduo faz inúmeros Cursos Superiores, adquire muito conhecimento, possui uma cultura exemplar, torna-se rico, mas se mantém entre os mortais, detesta bajulação e se relaciona normalmente. 

Quando na ativa, em todos os locais em que trabalhei sempre havia um ou vários autoritários e arrogantes. Imaginavam-se insubstituíveis, donos da verdade, mestres em tudo e queriam, por força, mandar em todos. Tornavam-se uns gravatinhas, como eu costumava chamá-los. Vez por outra nos enfrentávamos em embates de trabalho quanto a Organização e Métodos (OM) ou mesmo quanto à eficácia do trabalho.

No cotidiano da vida são pessoas que valorizam a aparência, o externo, a roupa, o sapato, o carro, a casa, sem enxergarem o principal que todos nós carregamos no coração. Andam pelas ruas de nariz empinado, falam bonito, de peito estufado e são capazes de pisar em qualquer pessoa descuidada que, por infelicidade, cruzem seus caminhos. Nós, pobres mortais, somos classificados como aquele antigo sabonete ¨VALE QUANTO PESA¨. Se temos uma casa, valemos a casa; se temos um carro, valemos o carro; se nada possuímos, não valemos nada. Em minha existência, conheci muitas pessoas soberbas, vazias e arrogantes, mas pelo menos duas foram inesquecíveis. Ambas trabalhavam na Empresa Folha da Manhã S/A. A primeira pessoa trabalhava bem próximo de nós e fora conduzido ao cargo pelo famoso QI (quem indica). Era uma espécie de Assessor Especial que fazia o elo entre o setor de cobrança e figuras importantes, ator, atrizes, empresários que preferiam pagar suas assinaturas direto no jornal FOLHA DE S. PAULO. Para isso, trabalhava numa sala mais sofisticada com café, chá e bolachinhas, onde recebia essas pessoas ilustres, como Raul Cortez, Décio Piccinini, Wagner Montes, Moacyr Franco, entre outras. Quando necessário, ele solicitava ao setor de cobrança a emissão de um recibo com o valor, com o qual era possível receber em dinheiro ou cheque, conforme a preferência do pagante. Dias depois prestava conta ao setor responsável pela cobrança para depósito em banco e a consequente quitação do débito.

O que ele não sabia é que nosso gerente de cobranças havia criado um setor de nome Centro de Controle, de tal forma que todo recibo ou fatura emitida na empresa deveria conter uma cópia a mais para o Centro de Controle. Por sua vez todo o pagamento recebido, após depositado em banco, obrigatoriamente seria comunicado ao setor de Controle com documentos comprobatórios dos valores pagos. Ocorre que com o passar do tempo, havia várias cópias de recibos de assinaturas pendentes, todos solicitados pelo nosso Assessor Especial. Ora, se o assinante esteve na empresa pessoalmente pagando sua assinatura, alguma coisa estranha estava acontecendo. Foi aí que o chefe do setor pegou as cópias desses recibos em aberto e comunicou ao gerente, que por sua vez, teve que chamar o gravatinha para dar explicações.

Dessa vez nem o QI o salvou. Foi dispensado da empresa por ter-se apropriado do dinheiro ilicitamente.

O outro caso foi quando o jornal O Estado de São Paulo resolveu fazer uma campanha para angariar mais assinantes e lançou pela televisão uma propaganda informando que quem fizesse assinatura do jornal o receberia em 12h. Um diretor da Folha ao tomar conhecimento da promessa de O Estado, sentenciou: -¨se o Estadão entrega o jornal em 12h, nós vamos entregar em 6h¨. Com sua prepotência aguçada, esqueceu-se de consultar o Departamento de Entregas e setores envolvidos se era viável tal entrega e se a estrutura existente suportaria tamanha demanda. O setor de vendas deitou e rolou. Foi um sucesso total de vendas. Quando o assinante percebeu que as 6h prometidas eram 72h ou mais, choveu telefonemas cancelando os pedidos. O assinante dizia: - ¨estou há 3 dias esperando a entrega do meu jornal. Não imaginava que as 6h da Folha fossem mais de 72h¨. Assim, a confusão se formou. Quem vendeu a assinatura queria receber a comissão, e a empresa não queria pagar o percentual devido por uma venda não efetivada, por culpa de um diretor arrogante.

Não sei que fim levou esse diretor da empresa por atitude tão precipitada. Mas sei que a empresa teve prejuízos não só econômicos, mas também morais, por propaganda enganosa.

Muitas pessoas se deixam levar pela possibilidade de dinheiro fácil, é o que constatamos diariamente nos corredores dos negócios, especialmente entre os políticos e empresários. Muito bem escreveu minha amiga trovadora Vanda Fagundes Queiroz: ¨ÀS VEZES TENHO CISMADO QUE, AO INVÉS DE CORAÇÃO, MUITA GENTE TRAZ GUARDADO DENTRO DO PEITO, UM CIFRÃO¨.   

 

(LIVRO CAMINHOS DO JORDÃO DA BAHIA)

 


quarta-feira, 22 de abril de 2026

SOBRE A MAIORIDADE PENAL - FILEMON MARTINS

 


                               (DA ESQUERDA PARA A DIREITA, CELENE, EU E NINA MARTINS)



SOBRE A MAIORIDADE PENAL
Filemon Martins


Ainda fico com a experiência. Experiência própria. Cheguei em São Paulo com 18 anos, proveniente da Bahia. Mas, antes já havia visitado São Paulo algumas vezes, portanto com 16 ou 17 anos. Aqui cheguei, confesso, com uma mão na frente e outra atrás. Fui morar numa pensão, na rua Almirante Barroso, no bairro do Brás. Trabalhava durante o dia e estudava à noite. - É difícil? - É, aliás, muito difícil. Quer roupa lavada e passada, pague alguém ou vá lavar e passar suas roupas. Mas, nunca fui roubar tênis, dinheiro ou qualquer outra coisa de quem quer que seja, porque era pobre. Casei-me e fui morar na periferia de São Paulo, Itaim Paulista, onde criamos, eu e a mulher, cinco filhos. Três homens e duas mulheres. Eu, funcionário da Empresa Folha da Manhã e minha esposa, como costureira e modelista, trabalhava nas confecções do Brás. Nenhum dos filhos, graças a Deus, embora criados na periferia de São Paulo foi para o crime. Hoje, todos eles têm suas famílias, suas casas, seus carros, sem enveredar pelo mundo das drogas ou do crime. A REVISTA VEJA, tempos atrás, publicou uma reportagem sobre cinco bandidos que estupraram, torturaram, desfiguraram quatro meninas em Castelo, no Piauí e mataram uma delas. Um dos bandidos tinha 39 anos. Quanto aos outros, dois tinham 15, um 16 e outro, 17. Na concepção de muitos, eles são crianças e não sabem o que fazem. Perguntem às famílias das vítimas, o que eles realmente merecem?
Ora, cadeia neles. São bandidos. Não há meio termo. Entendo que talvez seja uma questão de índole. Por exemplo, faz algum tempo, um “cavalo” montado numa bicicleta me atropelou. Estava eu na Av. Milene Elias, Ermelino Matarazzo, cujo sentido de carros é um só e ia atravessar a pista. Olhei e vi que não havia carros, mas não olhei para o sentido contrário, ora bolas, era contramão. Mas o cara veio com tudo e só senti o baque. Parar para socorrer, perguntar se havia machucado, se estava bem, que nada, ele deu no pé. Um outro rapaz que passava pelo local, veio em meu socorro. Veja a diferença: o atropelante tem índole má, não adianta, ele é mau. Já o socorrista poderia ter passado batido, ele não me conhece, nunca me viu nem na feira, mas tem índole boa, me ajudou a levantar e só me deixou ir embora quando se certificou de que eu andaria sozinho, apesar dos fortes arranhões.
Por essas e outras, sou a favor da redução da maioridade penal. Não como a salvação da pátria, como alguns pregam, mas, sobretudo porque é preciso acabar com a impunidade e de forma geral. É assim que penso, doa a quem doer.

TROVAS DE PEDRO ORNELLAS

 




TROVAS DE PEDRO ORNELLAS
(SÃO PAULO)


Arranhavam feito espinho,
mas me lembro e o pranto cai...
Como era doce o carinho
das mãos rudes de meu pai!

Novo rumo, despedida...
E ao pressentir minhas dores,
a paineira, entristecida,
chora lágrimas de flores!

O AMOR - FILEMON MARTINS

 


                 (FOTO DE KEISE JINKINGS MARTINS, EM ITANHAÉM)



O AMOR
Filemon Martins


É como a flor que nasce no jardim
e vai florindo com cuidado e zelo.
O amor também floresce e cresce assim
com carícia, paixão, amor, desvelo...

É preciso cuidar, plantando, enfim,
compreensão, carinho e defendê-lo
da praga do ciúme tão ruim
que teima em desfazer num atropelo.

Um grande amor toda a beleza exprime,
porque o amor faz a vida mais sublime
e exige inspiração de quem o quer.

A vida a dois há de ficar mais bela,
se houver no coração a flor singela
e um sorriso feliz de uma MULHER!

O SONHO DO POETA - JOSÉ FELDMAN

 



O SONHO DO POETA

José Feldman


TROVA DE CAROLINA RAMOS


Sofredor desde menino

e tendo o sonho por meta

quis saber qual seu destino

diz-lhe o cigano: - Poeta!



           

Numa pequena cidade do interior de São Paulo, onde as ruas de paralelepípedos contavam histórias de tempos passados, havia um menino chamado Odair. Desde muito jovem, ele se sentia diferente dos outros. Enquanto seus amigos se divertiam jogando futebol ou brincando na rua, ele passava horas observando as nuvens, sonhando acordado e escrevendo os sentimentos que brotavam de sua alma. Era um sonhador, um poeta em formação, mesmo que as palavras ainda não tivessem encontrado seu lugar nas páginas de um caderno.

Ele cresceu em uma família simples, onde o sofrimento e as dificuldades eram companheiros constantes. Seu pai, um trabalhador incansável, lutava para sustentar a família, enquanto sua mãe, sempre otimista, tentava encontrar a beleza nas pequenas coisas do dia a dia. Desde menino, Odair aprendeu que a vida era uma jornada repleta de desafios, mas seu coração pulsava com a esperança de que os sonhos poderiam, um dia, se transformar em realidade.

Certa manhã, enquanto caminhava pela feira da cidade, viu um grupo de pessoas reunidas em torno de um homem distinto, vestido com roupas coloridas e adornos brilhantes. Era um cigano, conhecido por suas previsões e sabedoria. A curiosidade tomou conta dele, e se aproximou para ouvir o que o homem tinha a dizer. Os murmúrios da multidão eram cheios de expectativa, e o cigano parecia ter uma aura mágica que atraía todos a ele.

Quando chegou sua vez, Odair, nervoso, pediu ao cigano que lhe dissesse qual era seu destino. O homem olhou fundo em seus olhos, como se estivesse penetrando em sua alma. Após um longo silêncio, ele sorriu e disse: “Sofredor desde menino e tendo o sonho por meta, quis saber qual seu destino. E eu lhe digo: Poeta!”

Aquelas palavras ecoaram na mente de Odair como um tambor distante. Ele não sabia ao certo o que o cigano queria dizer, mas algo dentro dele se acendeu. O sonho que sempre carregou como um fardo agora se apresentava como uma identidade. Ser poeta era mais do que escrever; era uma forma de viver, de transformar o sofrimento em arte. Sentiu que, de alguma forma, aquele encontro mudaria sua vida para sempre.

Após a feira, ele passou a dedicar-se ainda mais à sua escrita. Cada dor, cada alegria, cada momento de sua vida se tornava um verso, uma estrofe, uma canção. Ele escrevia sobre as lutas de sua família, as belezas do cotidiano, os amores perdidos e as esperanças renovadas. Com o passar do tempo, suas palavras começaram a ganhar vida própria, como se estivessem aguardando o momento certo para florescer.

Porém, a jornada do poeta não era fácil. Odair enfrentou a rejeição de editoras, a crítica de pessoas que não compreendiam sua arte e, por vezes, até a falta de inspiração. Mas, mesmo nos momentos de desânimo, ele se lembrava das palavras do cigano. O sonho de ser poeta era sua meta, e ele não poderia desistir. Assim, continuou a escrever, mesmo quando as palavras pareciam se esconder nas sombras.

Certa noite, enquanto caminhava à beira do lago que tanto amava, sentou-se à sombra de uma árvore e refletiu sobre sua vida. Ele olhou para a superfície da água, que refletia a luz da lua, e sentiu uma onda de gratidão. As dificuldades que enfrentara o tornaram mais forte, mais sensível ao mundo ao seu redor. Ele entendeu que a dor e o sofrimento são partes essenciais da vida, moldando não apenas quem somos, mas também a arte que criamos.

Com o tempo, começou a compartilhar seus poemas em pequenos saraus e encontros literários na cidade. As pessoas começaram a reconhecer seu talento, e suas palavras tocaram os corações de muitos. Aquela conexão que ele sempre buscava finalmente se concretizava. O sofrimento, que antes parecia um fardo, agora se transformava em uma ponte que unia almas.

Anos se passaram, e Odair tornou-se um poeta respeitado em sua comunidade. Com suas publicações e leituras, ele inspirou outros a encontrar suas vozes e a expressar seus sentimentos. O cigano, com suas palavras enigmáticas, havia acertado: o destino dele era ser um poeta, e ele havia cumprido essa missão com coragem e determinação.

Certa tarde, ao receber um prêmio por suas contribuições à literatura, Odair subiu ao palco e, antes de agradecer, lembrou-se do cigano. Ele compartilhou com a plateia a mensagem que sempre guiou sua jornada: “Nunca subestime o poder dos sonhos. Eles podem ser a luz que brilha nas horas mais escuras. O sofrimento é apenas um capítulo da vida, e o que importa é como escolhemos contar nossa história.”

E assim, ele se tornou um símbolo de esperança e inspiração, provando que mesmo as jornadas mais difíceis podem levar a destinos extraordinários. Que, ao longo de nossa vida, possamos lembrar que, mesmo nas sombras do sofrimento, os sonhos são a chave para a transformação e a verdadeira realização.

           

 





ITANHAÉM, LITORAL SUL DE SÃO PAULO - FILEMON MARTINS

 






ITANHAÉM, LITORAL SUL DE SÃO PAULO.

Filemon Martins *

 

Itanhaém, a segunda cidade mais antiga do Brasil, com área territorial de 601.711 km2 e uma população estimada em 118.495 habitantes, segundo o IBGE em 2025 e cujo nome significa “Pedra que canta” é uma das mais belas cidades da Costa da Mata Atlântica, no Litoral Sul de São Paulo, entre Mongaguá e Peruíbe.

A cidade possui uma variedade de praias que se estendem por mais de 26 km, fazendo divisas com Mongaguá de um lado e Peruíbe, do outro. Possui um rico ecossistema e uma história fascinante que data de 1532, ano de sua fundação por Martim Afonso de Souza. Itanhaém tem no Turismo sua maior fonte de renda com pontos turísticos para agradar ao mais exigente turista. Entre outros, o roteiro “Caminhos de Anchieta em Itanhaém”, que inclui o Monumento a Anchieta, A Virgem da Conceição (exposta na Igreja Matriz de Sant’Ana), Carta de Batismo, Púlpito de Anchieta, Cama de Anchieta, Painéis de Anchieta e Pocinho de Anchieta (uma formação em pedras dispostas umas sobre as outras na Praia do Cibratel), o Centro Histórico, a Casa de Câmara e Cadeia, o Roteiro do Pescador, a Passarela de Anchieta e agora, a pavimentação da Orla, entre o bairro de Gaivota e o Cibratel I, em fase final de acabamento.

Não conheço bem a história, os “prós” e os “contras”, mas foi uma pena não ter se concretizado a construção do Xuxa Water Park, no Jardim Anchieta, em Itanhaém. O empreendimento certamente traria mais empregos, mais diversão e mais opções de lazer para o turista que visita a cidade. O que se sabe é que a Justiça, depois de algum tempo, entendeu que não haveria qualquer prejuízo ambiental, como fora alegado, em decorrência da implantação do projeto da apresentadora Xuxa Meneghel. Mas até chegar aí, já era tarde e Itanhaém perdeu a vez de abrigar um empreendimento de porte. Hoje, como lembrança deste episódio, só existe um bairro em Itanhaém com este nome: Xuxa Park.

Mas, em compensação, a cidade de Itanhaém possui atrativos naturais, porque suas praias são verdadeiros santuários ecológicos. A Praia dos Pescadores, por exemplo, localiza-se após o Morro do Sapucaitava e ficou famosa em 1973/1974, quando serviu de cenário para a gravação da telenovela “Mulheres de Areia”, de Ivani Ribeiro, exibida pela extinta TV Tupi, com atuação excepcional da saudosa atriz Eva Wilma, vivendo o papel das gêmeas, Rute e Raquel. Hoje, existe no local em frente à Ilha das Cabras, o monumento “Mulheres de Areia”, escultura feita por Serafim Gonzalez, de saudosa memória.

Ao todo, são catorze praias que se estendem por 26 km, entre as quais, Praião (Praia de Itanhaém), Praia do Tombo (Boca da Barra), Praia da Saudade, Praia dos Pescadores, Praia do Sonho, Praia das Conchas, Praia do Suarão, Praia do Cibratel e Praia do Gaivota. A Praia das Conchas fica entre o morro do Paranambuco e o Costão da Praia do Sonho, após a Cama de Anchieta. Nesta praia, localiza-se a gruta Nossa Senhora de Lourdes, local de peregrinação religiosa.

O Município de Itanhaém possui também muitos rios, como Rio Itanhaém, Preto, Branco e Aguapeú e muitas Ilhas fluviais, tais como Ilha da Volta Deixada e Ilha do Bairro do Rio Acima e outras marítimas, como Ilha das Cabras, Pedra Meia Praia, Pedra do Carioca, Ilha Queimada Grande e Ilha Queimada Pequena, além das Lajes Pedro II e da Conceição. A mais famosa, no entanto, é a Ilha Queimada Grande, habitat natural da lendária cobra da espécie “jararaca ilhoa”, detentora de poderoso veneno e que já mereceu estudos da expedição “Os Súditos da Rainha”, composta pelas instituições CEAM GALÁPAGOS, INSTITUTO VITAL BRAZIL e a CASA DE VITAL BRAZIL.

Itanhaém, ao lado de Mongaguá e Peruíbe são cidades bonitas e charmosas, que preservam aspectos de cidades do interior, mas cada vez mais estão crescendo economicamente e de olho na modernidade. Não obstante a vontade do povo em viver feliz, trabalhar, produzir, estudar e crescer, é fundamental que os governos Estadual e Federal libere mais verbas para que essas cidades possam investir em Saúde, uma das áreas mais carentes da Baixada Santista, Educação, Segurança, Transporte Público (problema crônico) e Saneamento Básico. Por outro lado, é necessário que haja fiscalização rigorosa na aplicação dessas verbas, já que o Brasil continua infestado por um vírus, que nunca acaba: os políticos fichas sujas que medram na política brasileira.

É de suma importância também que o governo do Estado reveja os contratos das concessões e reduza o valor dos pedágios nas rodovias, como é o caso do Complexo Anchieta-Imigrantes, que dá acesso à Baixada Santista, cujo valor é exorbitante. E nada de implantar novos pedágios para massacrar a população, como vem ocorrendo ultimamente.

Nomes ilustres de Itanhaém, entre outros, Benedito Calixto de Jesus (14/10/1853, Itanhaém a 31/05/1927, SP), além de renomado pintor, destacou-se também como escritor, historiador etc. Emydio de Souza (21/05/1868, Itanhaém a 19/09/1949, Santos), um artista que retratou os costumes, as tradições e a vida do povo caiçara da região. Viveu no sítio dos avós, próximo ao Morro do Sapucaitava, às margens do Rio Itanhaém, onde constituiu família. Poeta, Contista, Folclorista e Músico, escreveu e publicou “Os Contos da Roça” no jornal Correio do Litoral.

Hoje (22/04) é o aniversário de Itanhaém, que completa 494 anos e a cidade é administrada por Tiago Rodrigues Cervantes (Republicanos) e que tem muito a fazer pelo Município. É fundamental que os vereadores cumpram sua função de fiscalizar o Poder Executivo, além de legislar, propor, votar e aprovar leis que tragam benefícios para a coletividade.

Vale a pena conhecer Itanhaém!

 

 

BIBLIOGRAFIA:

Internet

Site da Prefeitura Municipal de Itanhaém –

www.itanhaem.sp.gov.br

 

·              DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS;

·              ACADEMIA ANAPOLINA DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS – ANÁPOLIS - GOIÁS