sexta-feira, 4 de setembro de 2026

TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


Não permitas que a amargura
domine teu coração.
Canta um salmo de ventura,
busca a Deus em oração.

De manhã a Natureza
desperta cheia de cores.
Um colibri - que beleza,
vem beijar todas as flores.

Pondo amor nas minhas trovas,
meu peito fica a cantar.
É que as minhas boas novas
sem asas, querem voar.

Minha vontade tão louca,
era somente um enleio:
dar um beijo em tua boca
e adormecer em teu seio.

COISAS PARA NÃO ESQUECER

 





   COISAS PARA NÃO ESQUECER, CONFORME O ALMANAQUE DO PENSAMENTO, 1958 E CONSTANTE EM MEU LIVRO FAGULHAS, PÁGINA 60:

01.    O VALOR DO TEMPO;
02.    A VITÓRIA DA PERSEVERANÇA;
03.    O PRAZER DO TRABALHO;
04.    A NOBREZA DA SIMPLICIDADE;
05.    O MÉRITO DO CARÁTER;
06.    O PODER DA BONDADE;
07.    A INFLUÊNCIA DO EXEMPLO;
08.    A CONSCIÊNCIA DO DEVER;
09.    A SABEDORIA DA PREVIDÊNCIA;
10.    A VIRTUDE DA PACIÊNCIA;
11.    O DESENVOLVIMENTO DO
        TALENTO      
12.    A ALEGRIA DE CRIAR.

             
                Hoje, convenhamos que estes valores perderam sua razão de ser, infelizmente.



BUACA - FILEMON MARTINS

 






             BUSCA 

              Filemon Martins

 

Quando a noite chegou apresentando a lua, 
uma brisa soprou trazendo o teu perfume, 
meu coração buscou, feliz, a imagem tua, 
mas não estavas lá, daí o meu queixume.
 

E desde então, a vida triste continua 
à procura de luz, buscando novo lume 
que possa conduzir a nau que já flutua 
no tenebroso mar que a vida se resume.
 

Eu já perdi o rumo e não sou mais criança 
para viver submisso em troca da esperança 
de te reencontrar, quem sabe, qualquer hora.
 

Tarde demais. O tempo passa cruelmente 
matando a vida, o amor, a paz, deixando a gente 
nesse vazio pesado e triste que apavora! 

INCOERÊNCIAS POLÍTICAS - FILEMON MARTINS

 




          INCOERÊNCIAS POLÍTICAS



      Todos sabemos que o povo brasileiro tem vivido dias angustiantes. Continuam os problemas nos setores da saúde, segurança, emprego, educação, saneamento básico, qualidade de vida, sem que nossos governantes façam alguma coisa para mudar tal situação.
      A sobrecarga de impostos e taxas sobre as empresas e produtos tem dificultado a contratação de pessoal e as oportunidades de trabalho vão ficando cada vez mais raras para muitos profissionais. Muitas indústrias estão deixando o país, porque temos um comandante do navio, que só aprendeu a prometer e não cumprir, e a gastar demais. Do nosso parco salário (que para Lula antes não era renda, agora parece ser fortuna), são descontados 27.50% de (IRRF) Imposto de Renda Retido na Fonte, mais 14% de taxação de inativo, (graças ao mensalão do Lula em 2002), além do valor exorbitante do convênio médico etc.

      Não obstante o otimismo de brasileiros bem-intencionados, o Brasil nestes últimos 50 anos tem sofrido brutalmente entre dois extremos. Temos dois países em um só. De um lado, temos avançado com a conscientização de parte da sociedade capaz de cobrar transparência e ética na política. Do outro, pouca instrução da população, a pobreza extrema e a miséria facilitam a vida de políticos sem-ética que insistem em manter no cabresto seu eleitorado.
      A partir de 1964, tivemos o período da ditadura militar, que prometeu desenvolvimento e austeridade na gestão do dinheiro público, mas se perdeu no combate aos que falavam outra “língua” e o regime descambou para prisões, torturas e matança de muitos brasileiros, estagnando o país. Aí veio o presidente civil José Sarney, (Plano Cruzado) e basta ver a miséria em que vive boa parte do povo maranhense, especialmente no interior, para se saber que o homem e sua família, tantas vezes governador do Estado, nada fez pelo Maranhão e pelo Brasil, então...

      Passamos pela tragédia Collor        de Mello, “o caçador de marajás”, hoje – imaginem! – Cumprindo pena em casa, em Alagoas. Na sequência, tivemos Itamar Franco, o presidente do “fusquinha” e criador de Fernando Henrique Cardoso, o intelectual que lhe sucedeu na Presidência da República, com fantasias neoliberais, cujas privatizações (entrega do patrimônio público ao capital privado) têm custado caro aos brasileiros, haja vista o preço que pagamos pelos produtos, como telefone, luz, aço, juros bancários, dívida externa etc. Dois mandatos para nada fazer, a não ser desmontar o Serviço Público Federal.

      Agora, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, já em terceiro mandato, com intercalações de governo, entre Dilma (deposta no 2º mandato), Michel Temer e Jair Bolsonaro, cujos períodos foram recheados por muita corrupção. A sociedade brasileira está escandalizada com o procedimento do Congresso Nacional, composto por políticos interesseiros, cujos currículos longe da TV e dos holofotes, fazem inveja a qualquer meliante.

São estes Senadores e Deputados que votam decisões importantes para o Brasil, como PAC, REFORMAS, LEIS que prejudicam a maioria da população, subtraindo direitos dos trabalhadores, para beneficiar banqueiros, empresários e a seus próprios negócios. Diante deste quadro de troca de favores, é possível esperar alguma coisa boa?       Até agora, infelizmente, a vitória é da impunidade, dos conchavos e nos dá a dimensão dos bastidores de Brasília.

Os políticos do Brasil não aprenderam a lição do grande Apóstolo Paulo: “TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS ME CONVÉM”.

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador,   Bahia.


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

COISAS MODERNAS - FILEMON MARTINS

 




 

COISAS MODERNAS

 

 

Nunca ouvi dizer nem li em nenhum compêndio de Psicologia ou de Psicanálise que a cor da pele, barba por fazer, cabelo curto, comprido, crespo, cacheado, liso pudesse interferir ou mudar o caráter de uma pessoa. Mas, afinal, o que significa caráter? É comum ouvirmos a expressão referindo-se a determinado político, que ele é mau caráter. Existe bom e mau caráter? No linguajar coloquial ou popular a gente diz: aquele sujeito é mau caráter, mas na verdade é justamente o que lhe falta: caráter.

Aliás, o mundo está cheio de pessoas sem caráter. Pouco importa se alguém cursou faculdade, fez pós-graduação, é PhD ou tem doutorado em Educação, Filosofia, Psicologia, Política, Economia ou em qualquer outra área. Acredito que o caráter esteja ligado aos valores morais e éticos que orientam uma pessoa. Sabe-se que alguns indivíduos reúnem muitos atributos: são instruídos, ricos e têm currículos admiráveis, mas lhes falta caráter e, muitas vezes, estão sempre inclinados à trapaça. Por outro lado, há pessoas formadas na lida com a enxada, a foice, o machado e o trabalho pesado, de sol a sol, para ganhar quase nada — e são justamente essas que demonstram verdadeiro caráter.

Estamos vivenciando o limiar de novas eleições no Brasil. O que se lê, o que se propaga por aí, na imprensa, jornais, televisão e redes sociais é de estarrecer. São publicações nitidamente tendenciosas, indecentes, caluniosas, escritas e pagas ou patrocinadas por pessoas com objetivos escusos. Ou, quem sabe, escritas pela burrice natural.

Pior ainda é que nosso Judiciário Brasileiro está corrompido e infectado de tal maneira que não há esperança para o povo brasileiro. A corrupção no Brasil continua descaradamente subtraindo recursos da saúde, educação, pesquisas, saneamento básico, obras de utilidade pública e todos nós somos perdedores, embora nosso mandatário tenha afirmado com todas as letras que o Brasil vai bem, fechando empresas, fábricas e lojas, outras sob o controle do governo praticamente falidas.

Os políticos que estão próximos ao dinheiro público quando são flagrados cometendo alguma fraude, logo contratam os melhores advogados e com o passar do tempo, apesar de todas as provas obtidas pela Polícia Federal nas investigações, como malas de dinheiro, dinheiro na cueca, no sapato, áudios e vídeos gravados, são absolvidos pelo Supremo Tribunal Federal, para espanto de uma sociedade refém de uma bandidagem em todos os níveis superiores.

A continuar assim, daqui a pouco, a sociedade será penalizada a pagar indenizações por ter acusado e processado este ou aquele político, notadamente corrupto, que roubou, desviou recursos públicos, graças ao poder econômico que possui, porque simplesmente foram absolvidos por ¨falta de provas¨.  

Deste modo, cada dia que passa fica mais difícil encontrar pessoas com caráter dentro dos parâmetros de honestidade, sensatez, justiça e probidade administrativa.  

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Academia de Letras de Ipaussu – SP

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia


TROVAS DOCE ACONCHEGO - ORG. JOSÉ FELDMAN

 





TROVAS DOCE ACONCHEGO Nº 4, ORG. DE JOSÉ FELDMAN.

Ao homem, por Deus, foi dado,
astúcia e simplicidade
e por isso, abençoado,
com o dom da piedade.
Fabiano Wanderley - Natal/RN

Na minha vida pacata
que levo desde menino,
tenho sido um acrobata
no circo do meu destino.
Filemon Martins - São Paulo

Deus, garimpeiro maior,
vai, no seu mister profundo,
salvando o que há de melhor
pelos garimpos do mundo...
Flávio Roberto Stefani - Porto Alegre/RS

Aquelas nuvens esparsas
nos horizontes risonhos
bem parecem lindas garças
no lago azul dos meus sonhos.
Francisco Alcaniz (Chico Traíra) - Assu/RN, 1926 – 1989

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO -

 




A Importância do Perdão


 O pequeno Zeca entrou em casa após a aula batendo forte os pés no assoalho. Seu pai, que se preparava para ir ao quintal cuidar da horta, notou o mau humor do filho e o chamou para conversar. Zeca, oito anos, acompanhou o pai desconfiado. Antes que ele dissesse qualquer coisa, disparou irritado: — Pai, estou com muita raiva. O Enzo não devia ter feito aquilo comigo. Quero tudo de ruim para ele. O pai, um homem simples, mas cheio de sabedoria, escutou o filho em silêncio. O menino continuou: — Ele me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Queria que ele ficasse tão doente que não pudesse nem ir à escola! Sem dizer uma palavra, o pai caminhou até um abrigo no fundo do quintal, de onde tirou um saco pesado cheio de carvão. Zeca o seguiu, curioso e calado. Quando o saco foi aberto, antes que o menino pudesse perguntar qualquer coisa, o pai lhe propôs: — Filho, faz de conta que aquela camisa branca que está secando no varal é o seu amigo Enzo, e que cada pedaço de carvão é um pensamento ruim que você está mandando para ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa — até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou. Zeca achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O varal ficava longe, e poucos pedaços acertavam o alvo. Uma hora depois, exausto, ele terminou a tarefa. O pai, que observava tudo de longe, aproximou-se e perguntou: — Filho, como você está se sentindo agora? — Cansado — respondeu o menino —, mas contente, porque acertei bastante! O pai olhou para ele com calma e carinho, e disse: 8 — Venha comigo até o meu quarto. Quero lhe mostrar uma coisa. Conduziu o filho até diante de um grande espelho. Que susto! O rosto de Zeca estava tão enegrecido que só era possível ver os dentes e os olhinhos brilhando. O pai, então, disse ternamente: — Filho, você viu que a camisa no varal quase não se sujou. Mas olhe para você. É exatamente isso que acontece com o mal que desejamos aos outros: por mais que nossos pensamentos possam tentar prejudicar alguém, a borra, os resíduos, a fuligem — tudo fica em nós mesmos. Depois, pousou a mão no ombro do filho e completou com voz pausada: — Por isso, lembre-se sempre: Cuide dos seus pensamentos — eles se transformam em palavras. Cuide das suas palavras — elas se transformam em ações. Cuide das suas ações — elas se transformam em hábitos. Cuide dos seus hábitos — eles moldam o seu caráter. Cuide do seu caráter — ele controla o seu destino.


 “Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou.” — Colossenses 3:13 

 “Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial de vocês também lhes perdoará.” — Mateus 6:14 

 “Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo.” — Efésios 4:31-32 9



Organizador de HISTÓRIAS PARA GUARDAR DO ESQUECIMENTO:

SAMMIS REACHERS nasceu em Niterói, mas desde sempre é morador de São Gonçalo, ambos municípios fluminenses. Sammis é poeta, escritor, antologista, editor. Autor de vários livros de poesia, contos, crônicas e romances. É professor de Geografia, licenciado em História e graduado em Biblioteconomia. 

A CIDADE DAS ESTÁTUAS QUE CHORAM - JOSÉ FELDMAN

 




A Cidade das Estátuas que Choram


  

Após sete meses de calmaria em Bagdá, o espírito de Aldhiyb Al-Abyad tornou-se inquieto como um falcão engaiolado. Ele armou uma nova nau, o Falcão do Índico, e partiu para além das ilhas de Waq-Waq. Contudo, uma correnteza desconhecida, fria como o hálito de um morto, arrastou o navio para uma enseada cercada de penhascos de basalto.

 

No centro da enseada, erguia-se uma metrópole de arquitetura magnífica, com torres de marfim e cúpulas de lápis-lazúli. Mas não se ouvia o grito dos mercadores nem o riso das crianças. O silêncio era interrompido apenas por um som constante, como o cair de uma chuva leve sobre mármore.

 

Ao desembarcar, Aldhiyb e seus homens ficaram petrificados de assombro. Em cada praça, em cada janela e em cada trono, havia pessoas feitas de pedra cinzenta. Eram estátuas tão perfeitas que se podia ver o medo congelado em seus olhos. E desses olhos, ó Rei, brotavam lágrimas reais, que corriam pelos rostos de pedra e inundavam as ruas, formando riachos de tristeza.

 

No grande palácio, Aldhiyb encontrou o Rei daquela cidade, também transformado em pedra, exceto por sua língua.

 

— "Ó viajante das terras vivas," lamentou o Rei de Pedra. "Fomos punidos por nossa soberba. Construímos uma cidade tão bela que acreditamos ser deuses, e o Gênio do Silêncio tocou-nos com sua mão de gelo. Só o som de uma alegria sincera pode quebrar este encanto, mas quem pode rir em um vale de lágrimas?"

 

Os marinheiros de Aldhiyb, tomados pela melancolia do lugar, começaram a chorar. Mas o Lobo Branco sabia que a tristeza é o alimento daquele feitiço. Ele lembrou-se das histórias que contava aos seus filhos e, com sua voz poderosa, começou a entoar os versos mais cômicos e absurdos dos Contos de Juha, o bobo sábio.

 

Aldhiyb dançou de forma ridícula entre as estátuas, imitando os trejeitos dos vizires pomposos de Bagdá e contando anedotas sobre camelos que falavam grego. Um a um, seus marinheiros começaram a rir, primeiro timidamente, depois com gargalhadas que ecoaram como trovões pelas cúpulas de lápis-lazúli.

 

Ao som do riso, o gelo invisível rachou. A pele de pedra das estátuas descascou como argila seca, e a vida retornou à cidade. O Rei, agora de carne e osso, abraçou Aldhiyb e cobriu seu navio com diamantes que tinham o formato das lágrimas que outrora caíam.

 

Aldhiyb Al-Abyad retornou a Basra não apenas mais rico, mas com a lição de que o riso é a única arma capaz de derreter a dureza do mundo.



("ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)

ESCRITOR, POETA, TROVADOR, PESQUISADOR


CONFIDENTE - FILEMON MARTINS

 


       (FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM-SP)



CONFIDENTE
Filemon Martins


 Velho mar, meu eterno confidente,
quantas vezes chorei ao confessar:
esta mágoa que fere, inconsequente,
e o tempo que não pode mais voltar.

E me dizes assim, naturalmente:
- só o amor é capaz de te curar,
enquanto tuas ondas, mansamente,
os meus pés, com carinho, vêm beijar.

Exerces sobre mim grande fascínio,
porque tens sobre todos o domínio
e és tão frio nas tuas mutações.

Ao contrário de ti, eu sofro tanto,
e fico aqui a derramar meu pranto,
onde sepulto as minhas ilusões!

NUNCA MAIS... - FILEMON MARTINS

 



NUNCA MAIS... 
           
Filemon Martins



Nunca mais vou chorar... Minha memória 
quer esquecer o rumo percorrido. 
Quanto tempo passou, estou perdido, 
nada fiz que mudasse a minha história. 


Sonhos perdidos - minha trajetória 
foi procurar o teu amor sofrido, 
mas nunca fui por ti correspondido, 
busquei em vão no amor a minha glória. 


E segui pela vida, num suplício, 
fiz penitência e muito sacrifício 
para encontrar um pouco de carinho. 


Nunca mais te esqueci... Confesso agora: 
meu coração descrente ainda chora, 
- nunca mais encontrei o meu caminho.

ACERTO DE CONTAS - FILEMON MARTINS

 




     ACERTO DE CONTAS

 

 

               Nada mais salutar que uma eleição para propiciar aos eleitores a oportunidade de fazer uma avaliação do efetivo desempenho de deputados (estaduais e federais), governadores, senadores e presidente da República do Brasil. Os eleitores terão a chance de fazer um acerto de contas, após 4 (quatro) anos de mandato dos eleitos.

               É tempo de averiguar o que foi realizado, promessas não cumpridas, desvios de verbas com vantagens pessoais e má administração do dinheiro público. É necessário que os eleitores estejam conscientes de que dispõem de uma única arma: o voto. Esse é o momento de saber usar (e bem) o voto. Votando bem, os maus candidatos à reeleição serão barrados e servirão de exemplo para os novos que pretendam trilhar o caminho da corrupção, fazendo da política, a arte de enganar.

               Não se pode generalizar, evidentemente, mas o Brasil, como um todo, precisa de bons políticos e bons administradores. A má administração do dinheiro do povo, a roubalheira, o descaso, a incompetência, o tanto faz na política, acabam propiciando ao eleitor, um certo desânimo e desencanto no que diz respeito às eleições.    Observa-se que o desalento, a falta de entusiasmo é geral, porque os eleitores têm percebido que as eleições, em que pesem seu valor para a democracia, não mudam quase nada. Só aumentam os escândalos que a imprensa quando quer e pode, divulga diariamente.

               Por outro lado. a fiscalização do dinheiro público em todas as esferas, é deficiente e praticamente nula. Enquanto isso, a impunidade reina soberana beneficiando os infratores. O judiciário tem sérias dificuldades em fazer valer os princípios elementares da Justiça e do Direito, e quando o faz, tem dificuldades em reaver o que foi desviado para “paraísos fiscais”.

               É fundamental que os eleitores sejam fiscalizadores dos candidatos, dos partidos, daqueles que os apoiam, lembrando o velho ditado: “Dize-me com quem andas e eu direi quem tu és”. Muitos candidatos que estão pleiteando um cargo eletivo, são fichas-sujas, é só fazer uma pesquisa rápida. Outros, apresentam filhos/filhas, netos e netas, mas pertencem a mesma árvore da corrupção e do mau caráter, adeptos da “lei do Gerson, levar vantagem em tudo”. Fique esperto. Fuja deles!

               Conclusão: a importância da eleição para o cidadão comum, como nós, é exatamente esta: a possibilidade de dizer NÃO através do voto. NÃO aos políticos corruptos; NÃO aos cínicos e interesseiros; NÃO aos que prometem e não cumprem; NÃO aos caras-de-pau, oportunistas e aventureiros, que, infelizmente, a Justiça Eleitoral não consegue barrar. NÃO aos políticos milionários, que se enriquecem cada vez mais, ilicitamente, às custas da miséria e do sofrimento do povo brasileiro.

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU – SP

CLUBE BAIANO DE TROVA, SALVADOR, BAHIA       


terça-feira, 1 de setembro de 2026

VENDEDORES DE ILUSÕES - FILEMON MARTINS

 




 

VENDEDORES DE ILUSÕES

 

      Não se pode negar que os políticos se tronaram os maiores vendedores de ilusões ao povo brasileiro. O eleitorado que tem votado no Partido dos Trabalhadores e a sociedade, como um todo, sempre sonhou com mudanças efetivas em prol de quem trabalha e produz, com uma política econômica honesta e eficiente em favor do Brasil.

      Mas o que constatamos é que o objetivo de quem governa ou finge governar só beneficia grupos poderosos, larápios disfarçados de empresários e até vestidos de toga, como vem acontecendo sistematicamente no governo petista.

      O desemprego aumentou tanto que, para compensar, o assistencialismo virou regra. Para quem ainda ostenta um emprego, o arrocho salarial é cada vez mais visível. Impostos e taxas abastecem o governo, que gasta pomposamente. Planos de Saúde cada vez mais caros, medicamentos, especialmente para idosos, nem se fala. Compras em supermercados cada dia, é mais escassa.

      É impossível mencionar uma reforma que tenha beneficiado o trabalhador brasileiro. Algumas reformas encampadas pelo governo petista, nestes três ou quatro mandatos, quase todas iniciadas no governo de FHC, prejudicaram o trabalhador/servidor, medidas aprovadas pelo Congresso Nacional, que, com raras exceções, diga-se, está cheio de súditos de Lúcifer.

      O Partido, que no início se dizia ético, defensor da moral e da honestidade, age exatamente ao contrário. Puseram um fantoche à frente dizendo bravatas, enquanto nos bastidores do poder, os corruptos levam o dinheiro dos aposentados, da educação, da saúde, segurança pública e pesquisas.

      Justamente o partido que fez promessas mirabolantes, continua a prometer os mesmos sonhos para uma plateia de incautos, alguns por conveniência, outros porque a massa cinzenta que vai de uma orelha a outra, é curta e escassa.

      Pobre Brasil! O partido nunca teve um projeto de governo, mas sempre teve um projeto para permanecer no poder, custe o que custar. É o vale tudo. Daí o aparelhamento de pontos estratégicos, como algumas instituições que hoje envergonham o Brasil perante a Comunidade Internacional.

      Não será tarefa fácil, mas é extremamente necessário que a sociedade brasileira consiga separar o joio do trigo, expurgando os corruptos, corruptores, fraudadores e aventureiros do meio político, sem a influência nefasta dos propagandistas de plantão, que recebem fortunas para transformar o “diabo” em santo.

   

¨Bendito o homem cuja fama não brilha mais que a sua consciência¨.

ESCRITOR INDIANO: RABINDRANATH TAGORE (1861 - 1941)

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia