sexta-feira, 3 de abril de 2026

EU E O PAI SOMOS UM - MARIA JOSÉ ZANINI TAUIL

 



EU E O PAI SOMOS UM

Maria José Zanini Tauil

 

Senhor, tu estás no Pai...

O Pai está em ti...

São os mistérios da fé...

Se Felipe estava ao teu lado

E teve dúvidas,

Tomé, ao teu lado,

Precisou apalpar teus ferimentos,

Eu...     

Ser humano limitado,

Tenho dúvidas...

Perdoe, Pai!

Quantas vezes sinto tua presença,

Principalmente,

Nos momentos de agonia...

Quantas vezes,

A dúvida

Sombreou minha mente...

Mas tua palavra diz,

Nem uma só folha cai,

 Sem que seja

Da tua vontade...

Portanto,

Chego à conclusão

Que a dúvida

Também faz parte

Da tua vontade...

Falo contigo, Jesus,

Como se fosse o Pai...

Falo com o Pai,

Como se fosse Jesus...

Estarei eu errada?...

 

(ouço a resposta:)

¨FILHA AMADA,

EU E O PAI, SOMOS UM¨...

 

(Do livro "MINHA ÂNCORA, FONTE DE VIDA"! – páginas 11/12)

JUDAS MODERNO - FILEMON MARTINS

 




JUDAS MODERNO 

(um soneto sempre atual)

Filemon Martins

 

Tu que habitas palácios decantados, 
amante da aparência e do dinheiro. 
Os teus castelos ricos, chumaçados, 
nada serão no dia... derradeiro. 

Tens riquezas e carros importados, 
- contas bancárias pelo mundo inteiro, 
- trabalhadores pobres, explorados, 
tudo para chegares em primeiro... 

Esqueceste do exemplo verdadeiro, 
quando morreu o pobre carpinteiro, 
pregado ao lenho de uma rude cruz. 

Queres poder, és Judas do presente 
vendendo o que aparece pela frente, 
traindo, uma vez mais, Cristo Jesus! 

O MISTÉRIO DA PIMENTA - JOSÉ FELDMAN

 



O MISTÉRIO DA PIMENTA

José Feldman


TROVA DE ÉLBEA PRISCILA DE SOUZA E SILVA

- Esta pimenta é de cheiro?

Pergunta com azedume,

e o garçom fala ligeiro:

- Se não é... boto perfume!



Na agitada cidade de Saborópolis, onde a culinária era uma verdadeira arte e os restaurantes se multiplicavam a cada esquina, havia um lugar que se destacava pela fama de sua comida: o “Cantinho da Pimenta do Pimenta”. Frequentado por amantes da gastronomia e por aqueles que buscavam uma experiência gastronômica única, o restaurante era conhecido por suas pimentas exóticas, que prometiam não apenas sabor, mas também um toque de aventura.

Certa noite, o lugar estava lotado. Entre risadas e conversas animadas, estava uma mesa em especial, onde se encontravam Cláudia e seus amigos. Ela era uma entusiasta da culinária, sempre em busca do prato mais picante do cardápio. Acreditava que a vida era muito curta para comer coisas sem graça. Ao olhar o menu, seus olhos brilharam ao ver a pimenta especial da casa, chamada “Pimenta do Inferno”.

“Vou pedir essa pimenta!”, exclamou, com uma determinação que fazia os outros ao seu redor tremerem. “Eu gosto de desafios!” 

Seus amigos, que conheciam bem o seu apetite por aventuras culinárias, trocaram olhares preocupados, mas ninguém teve coragem de desaconselhar a ousadia dela.

Quando o garçom trouxe o prato, Cláudia mal podia conter a empolgação. Mas, ao sentir o aroma que emanava do prato, sua expressão mudou. 

“Esta pimenta é de cheiro?” perguntou, com um leve azedume na voz. 

O garçom, um jovem bem-humorado chamado Paulo, rapidamente respondeu: “Se não é… boto perfume!”

A resposta provocou risadas na mesa, mas Cláudia estava determinada. 

“Não, não, eu quero saber se é realmente apimentada! Não estou aqui para brincadeiras!” 

Paulo, percebendo que a situação poderia ficar séria, decidiu que era hora de mostrar seu conhecimento sobre pimentas.

“Olha, posso garantir que essa pimenta é forte. Ela é tão picante que já teve um relacionamento conturbado com o fogo. O fogo a pediu em casamento, mas ela não aceitou porque achou que ele não era ‘quente’ o suficiente”, disse ele, piscando um olho. 

A risada na mesa aumentou, e Cláudia, entre o riso e a curiosidade, resolveu experimentar.

Assim que deu a primeira garfada, sua expressão mudou de alegria para choque. 

“Meu Deus! Isso é… é… uma explosão! É uma sinfonia de sabores… e dor!” gritou, enquanto seus amigos se divertiam com a cena. “Se essa pimenta é de cheiro, ela deve estar cheirando a fumaça!”

O garçom, percebendo que o momento era único, decidiu entrar na brincadeira. 

“Se você não pode lidar com a pimenta, eu posso trazer um pouco de água, mas aviso: a água aqui é tão apimentada quanto a comida!” 

Todos riram, e Cláudia começou a se debater em sua cadeira, tentando se recuperar da intensidade da pimenta.

No entanto, a situação começou a escalar. Um outro cliente, que estava em uma mesa próxima, ouviu a conversa e decidiu se juntar. 

“Se você não está aguentando a pimenta, pode sempre pedir uma ‘pimenta da paz’. É uma pimenta que só faz cócegas!” 

Todos riram ainda mais, e Cláudia, agora com um semblante vermelho, estava determinada a não ser derrotada.

“Não! Eu não vou deixar essa pimenta me vencer!” declarou, enquanto pegava outra garfada, desta vez com uma coragem que só os verdadeiros aventureiros têm. Mas a pimenta, como uma verdadeira diva, não estava disposta a deixar a cena sem deixar suas marcas.

O garçom, que estava cada vez mais envolvido, decidiu ajudar. 

“Posso trazer um ‘antídoto’ para você, algo que vai cortar essa ardência. Que tal um sorvete de baunilha? É o famoso ‘Sorvete do Alívio’!” 

Ele foi buscar o sorvete e, enquanto isso, a mesa de Cláudia se tornava uma verdadeira arena de risadas e gritos de “socorro”.

Quando Paulo voltou com o sorvete, Cláudia, já com lágrimas nos olhos, não hesitou. “Me dá isso aqui, rápido!” E, em um ato desesperado, ela se serviu generosamente. O contraste entre o picante da pimenta e o frio do sorvete foi instantâneo, e todos na mesa ficaram em silêncio, esperando a reação dela.

Finalmente, uma expressão de alívio tomou conta do rosto de Cláudia. 

“Ah, isso sim é vida! Uma verdadeira salvação!” 

E assim, entre risadas, a noite continuou.

No final da refeição, Cláudia se levantou e, com um sorriso no rosto, agradeceu ao garçom. 

“Obrigado por me fazer enfrentar essa pimenta! Foi uma experiência e tanto!” 

Paulo, com seu jeito brincalhão, respondeu: “E lembre-se, se você precisar de perfume, é só chamar!”

E assim, no Cantinho da Pimenta do Pimenta, a noite terminou em risadas e histórias. Cláudia aprendeu que, às vezes, a vida é como uma pimenta: intensa, picante e cheia de surpresas.

 

           


DIAMANTES - CARLOS RIBEIRO ROCHA

 



DIAMANTES

Carlos Ribeiro Rocha


Ousado e firme, o garimpeiro busca,

no seio virginal do solo amado,

a gema rara, que deslumbra e ofusca,

apagando as agruras do passado...


É grande a luta, cansativa e brusca,

tirando rebos, colocando ao lado...

Mas eis que surge a pedra que corusca,

da terra mãe - o fúlgido legado.


Aquela joia pondo sobre a palma,

o altivo garimpeiro sente na alma

a brisa da ventura, tão serena!


Também o bardo, com valor e calma,

um verso vai buscar no fundo da alma,

coberto ainda de saudade e pena!


(ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL, VOLUME 4, 1979, PÁGINAS 64) º 

TROVAS DE LAURENTINA MARTINS DOS SANTOS NOVAIS

 


                                (Jardim da Laurentina, em Ipupiara, Bahia)


TROVAS DE LAURENTINA MARTINS DOS SANTOS



AQUELE QUE QUER NA VIDA
PENSAR SOMENTE EM TER SORTE...
NÃO LEMBRA, COM TANTA LIDA,
QUE TUDO ACABA COM A MORTE.

Não sei por que, ó saudade,

tu vens de tão longe assim,

roubar a felicidade

que mora dentro de mim!



         

LOUVOR A DEUS - HARLEY CLÓVIS STOCCHERO

 



LOUVOR A DEUS

       Harley Clóvis Stocchero



Senhor, quando eu te louvo e te bendigo,

com a certeza da misericórdia,

por seres sempre bom e sempre amigo,

venho pedir perdão, paz e concórdia.


Senhor, eu sei que o mal, nosso inimigo

e que produz na vida só mixórdia,

quer que façamos a guerra contigo

ao plantar as sementes da discórdia.


Por isso venho aqui saudar a cruz,

glorificando os passos de Jesus,

que tanto amor deixou contra a maldade;


Senhor, que o teu amor e tua luz,

que ao caminho do bem todos conduz,

produza bênçãos para a Humanidade!


 

(Antologia II, Sete Poetas, Curitiba - Paraná, página 36)

MENINO TRISTE - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 



MENINO TRISTE – (ICARAÍ, MAIO DE 1955)
MÁRIO BARRETO FRANÇA


Carinha suja de menino triste,
roupinha em trapos, suplicante olhar,
chegar o trem toda manhã assiste,
à espera humilde de trabalho achar...

Menino pobre da cidade, fiz-te
o meu cuidado bem particular,
que o teu futuro em garantir consiste,
dando-te o pão, o estudo, a crença e o lar.

Poucos te notam; dormes ao relento;
o teu cabelo grande e sujo, ao vento,
drapeja um sonho de ventura em pó...

E, na cidade lúbrica e agitada,
há tanta coisa e não consegues nada,
há tanta gente e vives triste e só!...

LEGÍTIMA VITÓRIA - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 




LEGÍTIMA VITÓRIA
MÁRIO BARRETO FRANÇA


A multidão surgiu na noite escura
Com varapaus e espadas, tendo, à frente,
De Judas a sacrílega figura
Que beijou de Jesus a fronte ardente...

Mas Pedro, ao ver-lhe a saudação perjura
E a maldade da turba, de repente,
Na destra, a espada rútila segura
E fere o servo Malco irreverente...

Cristo, porém, reprova essa atitude
E lhe diz que dos simples a virtude
Está em sofrer tudo sem rancor,

Porquanto a mais legítima vitória
Não é por armas alcançar a glória,
Mas conquistar o mundo pelo Amor.


(DO LIVRO "O LOUVOR DOS HUMILDES", PÁGINA 23)

quinta-feira, 2 de abril de 2026

EXALTAÇÃO À PÁSCOA - FILEMON MARTINS

 




 

EXALTAÇÃO À PÁSCOA

FILEMON MARTINS

 

 

Vibrai, ó povos do Oriente,

cantai, ó povos do Ocidente

como canta o coro dos remidos!

Uni-vos todos do Planeta Terra,

porque o Cristo de Belém,

depois de palmilhar caminhos da Judeia

e pregar a mensagem de amor

por toda a Galileia doutrinando apóstolos,

fazendo milagres, curando enfermos, ressuscitando mortos,

está vivo!

Ele ressuscitou!

 

Chorai, Jerusalém, chorai,

porque matastes profetas,

porque fostes palco da traição de Judas,

culminando na morte de um inocente!

 

Contemplai a paisagem deslumbrante,

roseirais e lírios dos vales de Cedrom,

perfumai todos os jardins por onde passou

o suave Rabi da Galileia!

 

Palmeiras dos campos verdejantes,

prados perfumados e floridos,

oliveiras da bela cidade de Jerusalém,

dos hortos e dos montes de Sião,

rosas brancas, azuis, amarelas e vermelhas

que perfumam as margens do Jordão

todo colorido e em festa,

porque venceu o escárnio e a zombaria,

porque ressurgiu da morte

o excelso, magistral e sublime

JESUS DE NAZARÉ!

 

Esta é a canção de amor, de fé e de esperança que se

espalha pela Terra.

A contrição dos remidos, a música celeste

que ecoa nos céus trazendo para o povo a vida!

Vida plena, vida de fé, vida de amor, transformação,

libertação, porque Cristo vive e reina!

JESUS RESSUSCITOU! ALELUIA! ALELUIA!