sábado, 9 de maio de 2026

SER MÃE - MARIA THEREZA CAVALHEIRO

 




SER MÃE
MARIA THEREZA CAVALHEIRO


“Ser mãe é padecer num paraíso...” - esta frase vem sendo repetida através dos tempos, mas muitos não lembram mais o nome do seu autor. Pois é um verso de famoso soneto do fecundo escritor Coelho Netto, intitulado “Ser Mãe”, que consta de numerosas antologias, tais como “A Mais Belas Poesias de Exaltação ás Mães”, organizada por Aparício Fernandes, e “Para Você, Mamãe”, por Juvenal Fernandes, também escritores de méritos.
Falar de “Mãe” é uma inspiração natural, pois a ela devemos nossa chegada a este mundo. Ela é sempre o nosso porto seguro, o redil que abriga as suas ovelhas, o anjo da guarda que não esmorece junto ao filho querido.
Ter mãe, ainda mais depois de certa idade, é uma bênção, uma dádiva dos céus. Muitos a valorizam somente quando ela parte para o mundo das estrelas. Se o pai é a razão, a mãe é o coração. É a ela que recorremos nos momentos mais íntimos, de alegria ou de aflição. É o ombro acolhedor que não falha. O regato de águas límpidas que nos refresca os pés ao longo das caminhadas. A sombra benfazeja nos dias ardentes de preocupações. Uma luz no fim do túnel. É quem ouve nosso silêncio e o interpreta. É a paz, em meio à guerra. É o espelho de nossa felicidade.
Por tudo isso, Mãe é o tema melhor deste mês, a quem foi consagrado, por lei, um “Dia” especial, também incluído no calendário oficial da Igreja Católica.
 A ideia de se dedicar um dia do ano a todas as mães do mundo foi da professora Anna M. Jarvis, nascida a 1º.5.1864, em Webester, West Virginia, e residente em Filadélfia, nos Estados Unidos. E o fez por amor a sua mãe, Anna Reever Jarvis, que faleceu em 9.5.1905. Pelo seu denodado empenho, a filha conseguiu que a primeira celebração pública ocorresse em 10 de maio de 1908, como consta de uma placa comemorativa na Igreja Episcopal de Grafton, West Virginia. A data, afinal, foi oficializada em 1910, como o segundo domingo de maio, pelo Governador do Estado de West Virginia, William E. Glasscock, e, quatro anos depois, incluído no calendário federal dos Estados Unidos, por decreto do Presidente Woodrow Wilson.
Em luta pelo seu ideal, Anna M. Jarvis conseguiu que, com o tempo, mais de quarenta países adotassem essa comemoração. No Brasil, a data foi introduzida por um casal de americanos, Eula Kennedy Long e Frank Long. Este era secretário da Associação Cristã de Moços - ACM, em Porto Alegre, cidade em que o “Dia” foi comemorado pela primeira vez no País, extraoficialmente, em 12 de maio de 1918.
Pelos bons ofícios de Alice de Toledo Tibiriçá, presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, o Presidente Getúlio Vargas assinou o Decreto 21.366, em 5 de maio de 1932, que instituiu oficialmente o “Dia das Mães”, a ser comemorado também no segundo domingo de maio.
No entanto, para cultuar aquela que nos trouxe à vida, e esse era o intuito da criadora do “Dia das Mães”, é desnecessário um presente de valor, concepção implantada pelo comércio. Basta algo simbólico: uma flor, um cartão com dizeres emotivos, um poema. Ou um simples abraço afetuoso, uma palavra de ternura, de reconhecimento. O presente que toda Mãe deseja é sentir o afeto do filho amado, principalmente no seu “Dia”.

TROVA DE JESSÉ NASCIMENTO

 




TROVA DO JESSÉ NASCIMENTO


Correu atrás da riqueza,

Jamais cansou de correr,

Fim da vida. Uma certeza,

Viu que esqueceu de viver.

TROVAS DO FILEMON

 



TROVAS DO FILEMON
                         

Quando o trem parte lotado
carregando as ilusões;
meu peito fica apertado
com medo dos arrastões.

Pensa bem na tua escolha,
na formação do teu lar,
e passe folha por folha
se não quiseres chorar.

Lá nos campos nasce o lírio
no meio dos espinhais,
como em nós nasce o martírio
no meio dos ideais.

“O futuro a Deus pertence”
não ao destino também;
é preciso que se pense
“o Presente é o que convém”.

MÃE É AMOR - JOAQUIM RODRIGUES DE NOVAIS

 




MÃE É AMOR

Joaquim Rodrigues de Novais

 

Elas sofrem caladas, minha mãe foi assim
   muitas vezes com: dois agarrados na saia, 
     outro nos braços, lata d'água na cabeça,        
    ,      uma rainha, a mais bela flor. Mãe,
                  linda obra do Senhor.
  
   A mamãe um dia se vai, mas a saudade
     vai ficar, é triste saber que ela se foi e
                        jamais voltará.

     Mãe é amor, uma roseira florida, obrigado
     pela vida, mãe, amiga linda e cheirosa flor,
     uma rosa abençoada do jardim do Senhor.

       Mãe é alegria, é inspiração para lindas 
         Poesias, diz o Senhor, ama sua mãe e eu
                     acrescentarei seus dias.
        
          Joaquim Rodrigues de Novais
           Ipupiara, Bahia.


MÃE, A MULHER IMORTAL - JOSÉ BRITTO BARROS

 




MÃE, A MULHER IMORTAL (FRAGMENTOS)


        José Britto Barros




Salve, tu, ó mãe, mulher maravilhosa!

És digna de receber os prêmios da imortalidade!


Não há beleza maior do que a tua,

Pois és um quadro vivo de amor e de ternura!


Não há arte maior do que a tua,

Pois tens que apresentar no palco da vida


Um viver impoluto para servir de exemplo

Aos teus filhos mui caros.


Não há mestra mais eficiente do que o és,

Pois tens que ensinar os caminhos do bem e da virtude

Àqueles a quem deste a existência!


Por tudo isso, e muito mais

Que não podemos expressar,

Tu és, ó mãe,

A mulher imortal!


Assenta-te no trono

Como a Rainha de todas as mulheres,

Para onde és conduzida pelos arautos do amor,

Pois é o amor a motivação máxima do teu nobre viver!


Recebe também o cetro da harmonia.

Pois é assim que diriges o reino do lar,

Onde sempre decretas a paz e a tranquilidade.

Deixa ainda que coloquemos sobre a tua cabeça,

Ó doce mãe querida, o diadema real

Da suprema e excelsa nobreza a que fazes jus.

Por seres tu quem és:

MÃE, A MULHER IMORTAL!!!


(Do livro “DOCE MÃE, QUERIDA MÃE, IMORTAL!!!, páginas 9/11)

DOR - HUMBERTO DE CAMPOS

 






DOR
Humberto de Campos


Há de ser uma estrada de amarguras
a tua vida. E andá-la-ás sozinho,
vendo sempre fugir o que procuras
disse-me um dia um pálido advinho.


No entanto, sempre hás de cantar venturas
que jamais encontraste... O teu caminho,
dirás que é cheio de alegrias puras,
de horas boas, de beijos, de carinho...
"

E assim tem sido... Escondo os meus lamentos:
É meu destino suportar sorrindo
as desventuras e os padecimentos.


E no mundo hei de andar, neste desgosto,
a mentir ao meu íntimo, cobrindo
os sinais destas lágrimas no rosto!


(Internet – Sonetos.com)



MÃE - MÁRIO QUINTANA

 


                     (FOTO DE JOEL FRANCISCO MARTINS, CARRANCA, BAHIA)



 MÃE
           Mário Quintana

São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras...
E nelas cabe o infinito.
Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer...
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!

MINHA MÃE - VINICIUS DE MORAES

 




MINHA MÃE 

Vinicius de Moraes



Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora.  Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão. que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.


(Do livro "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", pág. 186)

sexta-feira, 8 de maio de 2026

SER MÃE - COELHO NETO

 




                                                          SER MÃE 
                                      Coelho Neto


Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.


Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo! É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,
espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!


Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!
 

MINHA MÃE - MARINA TRICÂNICO

 



 MINHA MÃE
             Marina Tricânico

 
Fui e sou, para alguém, perfeita e bela,
tenho tudo que a vida pode dar.
Sou frágil sempre, criança, para ela,
ela que é boa e tanto sabe amar.
 
Todo esse amor de santa, é luz que vela
meus passos nesta vida, a caminhar.
E onde quer que eu me volte, os olhos dela
são ternos, vigilantes, a me olhar.
 
E quando tenho a sua companhia,
é como se mil anjos me cercassem,
dando-me aquilo tudo que eu queria!
 
Ah, quando chega, de beijá-la, a vez,
sinto como se pássaros cantassem
o doce nome seu: Maria Inês...
 
(Anuário de Poetas do Brasil, 1º volume,
 1982, página 343, org. de Aparício
 Fernandes - RJ)

PARA SEMPRE - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 




PARA SEMPRE 
Carlos Drummond de Andrade

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

À MINHA MÃE - FILEMON MARTINS

 




À MINHA MÃE
(Homenagem às mães que já partiram)
Filemon Martins

Quanta falta me faz
o teu colo, mamãe.
Às vezes me pego sonhando
e confabulando sobre assuntos diversos.
Um relicário de saudade!

Quantas vezes ouvi tua voz severa e dura,
mas cheia de ternura e de carinho
ao falar comigo, quando ia visitar-te.
E quantas vezes choraste em silêncio
com a ausência de teus filhos?

Como pode a dor pesar tanto no meu peito?
A saudade toma conta do meu coração.
Meu sonho bonito e risonho foi desfeito.
Se me viste nascer, crescer e viver,
por que partiste sem dizer adeus?

Meu coração soluça de saudade,
que tortura é sofrer e chorar?
A dor de estar na orfandade
nunca vai acabar.

Escrevo estes versos chorando,
- por que não te vi partir?
Lágrimas vou derramando
mergulhado no desgosto e na saudade
de nunca mais te ver.

Mas eu te bendigo, mãe, onde estiveres
com todo amor e minha inspiração,
meus versos são teus, se quiseres,
porque, de joelhos, aqui deponho
meu coração cheio de luz.

OLAVO BILAC - FILEMON MARTINS

 




OLAVO BILAC

Filemon Martins



Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac,
estrela de primeira, um verso alexandrino.
Perfeito no soneto, o vate foi destaque
e primou pela forma, ourives diamantino.

Como parnasiano revelou-se um craque
com seu verbo fluente e forte foi divino.
Palestrou, escreveu, amou e sem sotaque
“ora (direis) ouvir estrelas,” seu destino.

Orador, literato e um grande sonetista,
foi também pensador,  ardente jornalista,
gigante na palavra, um poeta de escol.

“Última Flor do Lácio” o vate da Esperança,
amante do Saber, da Pátria e da Criança,
por isso és fulgurante como a luz do Sol!