segunda-feira, 5 de outubro de 2026

REFLEXÃO - FILEMON MARTINS

 





                      REFLEXÃO

 

 

          É sempre salutar quando paramos um pouco para uma meditação. Ninguém pode viver sem uma pausa para descansar e refletir sobre a vida, missão terrena, o que passou, o que fizemos ou deixamos de fazer. É nesse momento que ficamos perplexos com as escolhas que fizemos, seja na vida pessoal, profissional, política ou ambiental. É evidente que todos nós almejamos obter estabilidade econômica, emocional, pessoal e muito pelejamos para encontrar um ¨porto seguro¨.

          Contudo, se erramos no passado, se nossa semeadura não foi boa, não precisamos desistir. Ao contrário, vamos planejar melhor nossos sonhos e ideais. Vamos plantar melhores sementes. Se regarmos bem nossos sonhos, eles brotarão como um roseiral, cujos brotos vão se transformar em botões e mais tarde se abrirão em perfumadas flores.

          Nossos erros, decepções e frustrações devem se transformar em combustível para seguirmos com mais experiência, força de vontade e determinação, a fim de alcançarmos nossos objetivos no presente e no futuro com uma excelente colheita.

          Pense. Raciocine. Leia bons livros. Escreva. Cante. Dance. Grite. Nosso cérebro vai se expandir e fará melhores escolhas. Mude o caminho. Mude a rota. O resultado será diferente. Se era ruim, agora será melhor. Acredite em você, acredite em Deus! Quem crê em Deus nunca fica sem resposta!

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Membro correspondente da Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, Anápolis/GO.

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia.

 


RUI BARBOSA

 




RUI BARBOSA

 

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus - o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

 

Quando Rui Barbosa proferiu seu famoso discurso no Senado em 17/12/1914, de onde extraímos o trecho em epígrafe, ele certamente estaria imaginando que havíamos chegado ao "fundo do poço". Seu discurso é corajoso, duro, brilhante e mostra claramente sua revolta pelo que via a seu redor.

Pois bem, decorridos quase 112 anos, o que vemos de diferente em nosso país? Passamos pela ditadura, recuperamos a democracia, o povo ganhou o direito de escolher seus governantes, dois presidentes sofreram processo de impeachment, um metalúrgico foi eleito e reeleito para nos comandar. O Brasil cresceu, chegou a ser a oitava potência do mundo, mas a desonestidade, a podridão, a miséria moral cresceram muito mais. Se vivo fosse, hoje Rui Barbosa estaria muito mais perplexo, envergonhadíssimo de ser honesto.

 

(DE UM RECORTE DE JORNAL)


domingo, 4 de outubro de 2026

DISCURSO DO POLÍTICO - RENATO DINIZ SANTOS

 





DISCURSO DO POLÍTICO

Renato Diniz Santos



Escutei o discurso do político, uma peça oratória das mais brilhantes... E ficou infinita hora no palanque, fazendo pomposas frases de literatura, criando imagens de efeito, mostrando entusiasmo falando de obras, obras que ninguém nunca viu... Falou em acabar com a fome, fez mais promessas: Trabalho ao desempregado. Saúde ao doente. Casa ao desabrigado. Escolas ao analfabeto. Hospitais aos doentes. Segurança ao cidadão. E obras faraônicas de primeiro mundo!!! E os do seu séquito, os do mesmo partido, aplaudiam e faziam grandes elogios... Ali estava um estadista. Um amigo do povo. Um administrador honesto!!! E achavam que tudo estava perfeito... Vivi para ver o resultado: Vi alastrar a miséria. Vi o povo nas filas de emprego. Vi o doente morrer no corredor do hospital sem ser atendido. Vi famintos habitar debaixo da ponte. Vi a ignorância grassar. Vi a criança abandonada... E então pensei: Quão tristemente o povo é enganado por eternas e falsas promessas daqueles políticos sem alma!



(Extraído do LITERARTE/SP)

DIA DE ELEIÇÃO - SAMMIS REACHERS

 

DIA DE ELEIÇÃO, crônica de Sammis Reachers

 

                      

 

Dia de eleição é dia de catarse. De expor amigamentos e odianças por esses que o jogo político arregimenta, esses que, por pudor nos negamos a dizer, mas no fundo – sejamos nós letrados ou humildeletras, enricados e pés-de-pano – sabemos que são os piores de nós...

Dia de eleição é dia de desnudamentos, de sangria dos ânimos, de expor os radicais e seus monóculos, sua tobas de ver o mundo por um só viés. Esses de direita e esquerda, em seus extremos tão perigosos – mas não haveria jogo sem eles, afinal, os fominhas da bola.

Dia de eleição é dia de melancolia, e isso nenhum poeta, dos seis mil que conheço ou ao menos tolero, já aventou: Dia máximo de melancolia, ao revisitar velhos caminhos e seções, ao rever rostos de anos, infância até, estudos juntos, trampos, sopapos e beijos trocados.

Dia de eleição é dia de cidadania, essa obviedade central & inescapável, frenética em seus entra-e-sais quase copulosos, pois desse seu coito na urna, hoje botãonizada, nasce o rebento que nos resguarda, a democracia – mais que este ou aqueloutro ator canastrão que ocupar o cargo que lhe confiarmos.

Dia de eleição é dia de suspense, riso e lágrima, apuração de samba e final de copa, suspiros ou expiros de sonhos, projetos, construtos de luz ou maquiavélicas maquinações. E acerto de conta$, que o correligionário também come, afinal.

Dia de eleição é dia de socializar – e orar, debater, biritar, conforme a cultura da aldeia: Preocupações ou despreocupações se carnavalizam, entrechocam e abraçam – o outro feito nós na sujeição ao sistema que nos comporta, renovação de ciclo, refundação tumultuosa de nosso pequeno grande mundo citadino.

 

Sammis Reachers

https://linktr.ee/sreachers

 


sábado, 3 de outubro de 2026

UM - CÁSSIO DE OLIVEIRA JOSÉ (ZERO)

 




UM

Cássio de Oliveira José (Zero)


Não reconhecer a unidade

imanente na multiplicidade

é a matriz das carências.

Falta de consciência

é ser bala controlada de guerra,

acreditando em sonhos e faltas

que só  vendem produtos;

essas são as algemas

que nos fazem roer o próprio osso,

a projetar no irmão

alguém a ser vencido,

sem perceber nesse espelho

que sou meu maior inimigo.


Sistema.



(LIVRO "POEMAS PARA O ÊXTASE - PELO CORAÇÃO DA BALEIA SEM FIM", PÁGINA 38)

PRIMAVERA, DE NOVO! - ÓGUI LOURENÇO MAURI

 


                             (FOTO DE MAÍSE J. M. MEDEIROS)




PRIMAVERA, DE NOVO!...

ÓGUI LOURENÇO MAURI



Enfim, chega a primavera; vejo as flores!
Coração bate mais rápido, palpita!
A paisagem já me envolve mais bonita,
Com perfumes e visuais multicolores.

Sinto mais a emoção da vida ao redor...
Há um quê tão diferente, mais amor!
Primavera, quando reina o beija-flor,
Aos amantes, faz vingar visco maior.

Quero mais tempo com meu amor agora,
De mãos dadas, pelos bosques e jardins.
Presenteá-la com violetas e jasmins,
Ao som dos pássaros, no êxtase da flora.

Nos três meses dum cenário colorido,
Vou ficar com ela no banco da praça,
Apreciar seu jeito tão cheio de graça
E trocar rimas de amor ao pé do ouvido.

Primavera à noite... Píncaros do amor!
Junto à fonte luminosa, bem ao léu;
Ao olor das flores, com lua no céu...
Sintonia dos desejos no esplendor!



(FONTE AVBAP)

VELHAS ÁRVORES - OLAVO BILAC

 




VELHAS ÁRVORES
Olavo Bilac


Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! Envelheçamos
como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

 

O OUTONO JÁ PASSOU, AGORA É PRIMAVERA! - FILEMON MARTINS

 




O OUTONO JÁ PASSOU, AGORA É PRIMAVERA!

 

 

          Não estamos mais no Outono, agora o predomínio é da Primavera. Mas o Outono é bem conhecido como a época em que as folhas secam e caem ao sabor dos ventos. Uma mudança providencial da natureza para que as árvores se preparem para a estiagem, economizando energia. As folhas secas, tombadas vão se transformar em adubo, fertilizando a terra para produzir novos brotos, novas folhas, flores e frutos.           Período de colheitas e temporada escassa de chuvas.

          No Brasil, quase de modo geral, ocorrem muitas ventanias, tempestades na estação Outonal. As chuvas, quando ocorrem nesta estação são acompanhadas por ventos fortes, raios, gerando enchentes, medo e calamidade.

          No sentido Figurado todos os seres viventes têm o seu outono, inclusive nós, os humanos. Ninguém escapa deste processo biológico. Nesta fase da vida, as mudanças são visíveis: - nossa visão vai diminuindo e se tornando turva. Os sonhos vão se desbotando e desaparecendo em bandos.

          Somos compelidos a buscar renovação, através de novos projetos, novas ideias e desejos a fim de prosseguirmos na vida. Assim como as árvores que se desfazem das folhas secas e murchas para depois ressurgirem belas e floridas, também nós temos que nos reinventarmos: leia mais, escreva, pinte, borde, reforme, vá ao cinema, à praia, ponha sua criatividade para funcionar. E, sobretudo, pense, raciocine.

          Novos horizontes, novos sonhos, novas esperanças hão de surgir à sua frente. O Outono, basicamente é isso, desapego, trocas, mudanças e transformações. Mas a Primavera está aí convidativa, temperaturas amenas, ressurreição de plantas e flores. Exercite sua mente, sua imaginação que a vida é uma viagem...

          No campo político, as eleições brasileiras estão aí: É tempo de Primavera, é tempo de mudar. É tempo de pensar. Pensar em quem votar para resgatar o país desta letargia. O Brasil precisa mudar. Mudar para ter um futuro melhor para o seu povo, o povo que vive aqui. Esqueça os artistas. Eles têm a Lei Rounet (Lei Federal de Incentivo à Cultura). São riquíssimos e quase sempre, moram em outro país, embora vivam dando palpites sobre o Brasil com interesses obscuros, que já conhecemos.

          O Brasil precisa de maiores investimentos na saúde, educação, segurança pública, tecnologia e pesquisas. Dinheiro tem, mas é urgente estancar, acabar com a corrupção que corrói os recursos públicos.

          Se deixarmos como está, tudo continuará igual. Não haverá crescimento, o Brasil continuará perdendo empresas, fábricas e lojas para outros países e nós, o “Zé povinho,” seremos inscritos no “Fome Zero”, enquanto a farra da gastança desenfreada vai continuar nos Três Poderes.  

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DO CLUBE BAIANO DE TROVA, SALVADOR, BAHIA.


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

PRIMAVERA NO BRASIL - FILEMON MARTINS

 




               PRIMAVERA NO BRASIL

 

 

          A Primavera chegou ao Planeta Brasil, com flores, perfumes e variadas tonalidades de cores. As folhas velhas, antigas dão lugar às folhas e flores novas que se encarregam de renovar a paisagem dos campos, roças, serras e aos parques das cidades. Tudo se renova. Tudo fica mais aconchegante e bonito. Enquanto as folhas e flores velhas voam ao sabor do vento e vão cumprir outra missão: algumas adubarão a terra, outras, servirão para a construção de ninhos ou se transformarão em alimentos para microrganismos, como minhocas, fungos, bactérias e insetos.

          A Natureza é sábia e nos dá lições importantes, que no dia a dia passam despercebidas. Como em todo sistema universal, o velho, queira ou não, é substituído pelo novo. Há uma renovação em tudo que foi criado e existe na terra. Cada ser vivo tem sua missão, e quando essa termina, começa outra que, às vezes, nem conhecemos.

          No Brasil político, chegou esse momento de renovação. No domingo, exerça seu dever. Vote consciente. Vote com a consciência tranquila de quem não compactuou com o crime, com a corrupção, com os desvios de emendas parlamentares de quem quer que sejam.

          Faça como a Lei Universal, mude os galhos, as folhas, as cores para o bem do povo, para o bem do Brasil. Não existe candidato perfeito, mas existe candidato melhor, mais novo, mais preparado para resgatar o país das garras destes vigaristas, embusteiros que assaltaram os Três Poderes, e conduzir a República Federativa do Brasil para um futuro digno, justo e humano para os brasileiros!

 

                      AGORA UM SONETO DE MINHA LAVRA:




PRIMAVERA

 

Gosto de apreciar a Primavera

quando a Natura ressuscita em flores.

Tudo parece ter ficado à espera

desta pintora que renova as cores.

 

O campo verdejante logo gera

a esperança, que traz novos amores...

A beleza se espalha na tapera

e os jardins ficam mais acolhedores.

 

O tempo passa e um dia vais embora,

mas a tristeza fica e também chora,

sabendo que depois tu voltarás...

 

No entanto, em nossa vida a mocidade

passa veloz deixando esta saudade

que nunca passa e dói cada vez mais!

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DO CLUBE BAIANO DE TROVA, SALVADOR, BAHIA.


PRIMAVERA - CARMO VASCONCELOS

 




                                           PRIMAVERA

Carmo Vasconcelos

 

Desabrochadas, minhas rosas amarelas

são doce imagem de formosa alegoria,

a me lembrar noites banhadas de euforia

e de extasiados sonhos, rútilos de estrelas!

 

Ao despertar, pintam-me cor n'alvas manhãs

em que, de longe, chegam rufos de tambores

a convidar à floração castos amores

de similares seivas, pristinas irmãs!

 

Porém se as toca a brisa, imploram-me água perto;

o marginar de um rio que afoito corra certo

a acarinhar a terra madre que o venera!

 

E mais segredam minhas rosas amarelas:

que uma Divina inspiração se serviu delas

pra consagrar maravilhosa, a Primavera!

 

Carmo Vasconcelos

Lisboa/ Portugal

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

CRESTOMATIA DE TROVAS - ORG. DE JOSÉ FELDMAN

 




CRESTOMATIA DE TROVAS – SETEMBRO/2026

 

Do peixe, como eu dizia,

sem pretensão de iludi-los,

somente a fotografia

pesava mais de oito quilos!

José Machado Borges

Patrocínio/MG, 1929

 

Com os progressos humanos,

eu, francamente, não brinco.

— Éramos dois, há três anos;

agora, já somos cinco...

José Nogueira da Costa

Itajubá/MG, 1929

 

Sofreu meu filho um castigo

e perdeu um bom recreio,

porque bateu num amigo

 que me chamava de feio.

José Valeriano Rodrigues

Barbacena/MG, 1913 - ????, Belo Horizonte/MG

 

Quando ela passa sorrindo,

com aquele corpo atraente,

que será que vai sentindo,

pensando o que a gente sente?

José Vitor de Paiva

Pouso Alegre/MG


(ORG. DE JOSÉ FELDMAN)


É POSSÍVEL EXPLICAR? - FILEMON MARTINS

 




                É POSSÍVEL EXPLICAR?

 

 

          Quando na ativa no serviço público federal, mais precisamente no TRF3 – Tribunal Regional Federal da Terceira Região, nosso contracheque vinha sempre com descontos maiores na Contribuição Previdenciária em comparação aos trabalhadores da CLT. Não tínhamos também o chamado Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, como tinham os trabalhadores da CLT.

          As informações que nos passavam eram mais ou menos, essas: Nosso valor da Contribuição Previdenciária é maior e não temos direito ao Fundo de Garantia, porque ao final do tempo, quando chegar a aposentadoria, vamos receber o valor integralmente.

          Os servidores que se aposentaram antes da Era Lula, de fato, se aposentaram com valor integral. Contudo, a partir de 2002/2003, com o Mensalão de Lula (muitos servidores que não usam a massa cinzenta, esqueceram deste detalhe), os pensionistas e servidores inativos foram taxados em 11%, agora o desconto é de 14%, além de 27.5% de Imposto Retido na Fonte. Muitos servidores que não usam a massa cinzenta, esqueceram deste detalhe, talvez porque ainda estejam na ativa.

          Ou seja, fomos enganados. Caímos no Conto do Judiciário. E nosso Sindicato, o SINTRAJUD não consegue sequer, através de ações, diminuir o percentual que é exorbitante. Dessa forma, não me parece normal alguns servidores dessa ala prejudicada pela Emenda Constitucional nº 41, aprovada pelo Congresso Nacional e politicamente ratificada pelo Supremo Tribunal Federal, estarem, agora, apregoando o voto justamente em quem comprou votos para a aprovação deste roubo oficial.

          Sou um crítico do PT por tudo o que fez de errado e prejudicial ao trabalhador, meu contracheque de aposentado prova isto. Tudo que leio e ouço são narrativas, hipóteses deste ou daquele candidato. O que sei e tenho por certo é que um candidato à reeleição foi condenado a 9 anos de prisão pela Justiça Federal e teve a pena confirmada e aumentada para 12 anos e um mês, pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região.

          É preciso que alguém nos mostre as maravilhas e realizações que o governo diz ter feito, mas que só aparece na propaganda da tv, produzida pelo marqueteiro. Só resta ao cidadão e eleitor ficar desapontado, desiludido, inconformado por ter sido enganado e usado como massa de manobra em mãos de políticos corruptos e medíocres, como no texto de Machado de Assis: “usado como agulha para tanta linha ordinária”.

 

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia.             


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O BARBEIRO

 




O Barbeiro

 

 

Certa tarde, um homem entrou numa barbearia de bairro. Enquanto as tesouras deslizavam por seus cabelos, ele e o barbeiro foram puxando conversa — sobre a vida, sobre o tempo, sobre Deus.

Foi quando o barbeiro, homem de convicções firmes e pouca paciência para o misticismo, não se conteve:

— Deixa disso, meu amigo. Deus não existe.

— Claro que existe — respondeu o cliente, tranquilo.

— Se existisse — retrucou o barbeiro, gesticulando com o pente —, o mundo não estaria cheio de miseráveis passando fome, de doentes sem remédio, de gente sofrendo em cada esquina. É só abrir os olhos e olhar lá fora!

O cliente não respondeu. Pagou o corte, agradeceu e caminhou em direção à porta. Mas antes de sair, parou. Do outro lado da rua, encostado num muro, havia um homem maltrapilho: cabelos embaraçados caindo pelos ombros, barba grossa e suja descendo pelo peito, roupa rasgada e pés descalços.

O cliente se virou devagar para o barbeiro e disse:

— Sabe de uma coisa? Estou começando a achar que barbeiros não existem.

— Como assim? — o barbeiro soltou uma risada.

— Ora. Se existissem barbeiros, não haveria por aí pessoas nesse estado — disse, apontando discretamente para o homem lá fora.

O barbeiro franziu o cenho.

— Esse sujeito está assim porque faz tempo que não aparece aqui. Eu não tenho culpa disso.

O cliente sorriu, colocou o chapéu e respondeu, já saindo:

Que bom. Agora você entendeu tudo.

 

 

 

“Vocês me procurarão e me acharão quando me buscarem de todo o coração.” — Jeremias 29:13

 

“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e em sua casa cearei com ele, e ele comigo.” — Apocalipse 3:20

 

“Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, de mente dividida, purifiquem o coração.” — Tiago 4:8

 

“Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, a todos os que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” — João 1:11-12




(E-BOOK, "HISTÓRIAS PARA GUARDAR DO ESQUECIMENTO", ORG. DE SAMMIS REACHERS)