domingo, 12 de abril de 2026

MÁSCARAS DA VIDA - JOSÉ FELDMAN

 



MÁSCARAS DA VIDA

José Feldman


TROVA DE RENATO ALVES


Fiz da vida um carnaval,

mas terminei num impasse:

A máscara do irreal

grudou-se na minha face!




Fiz da vida um Carnaval, onde cada dia era uma nova festa, uma celebração vibrante de cores e sons. Desde pequeno, sempre encontrei na música e na dança um refúgio, uma forma de esquecer as dores e as frustrações do cotidiano. As ruas da cidade se tornavam meu palco, e eu, um artista em busca de aplausos e sorrisos. As fantasias que usava não eram apenas trajes, mas armaduras que me protegiam da realidade. Cada máscara que eu colocava me permitia ser quem quisesse, longe das amarras do eu cotidiano.

Naquele Carnaval, tudo era permitido. Sorrir, dançar, amar sem medo. As pessoas se entregavam à euforia, e eu, em meio a essa alegria, me sentia invencível. As cores se misturavam, as risadas ecoavam e a música envolvia tudo como um abraço caloroso. Mas, à medida que os dias passavam, percebi que havia algo mais profundo escondido atrás da festa. A realidade, como um espectro, pairava à espreita, esperando o momento certo para se revelar.

O que começou como uma celebração transformou-se em um labirinto de ilusões. A cada desfile de Carnaval, percebia que as risadas se tornavam mais distantes, os olhares mais vazios. As pessoas, antes tão vibrantes, pareciam presas em suas próprias fantasias, vivendo uma vida que não era a sua. Eu também me vi preso nesse ciclo. A alegria que antes me preenchia começou a se transformar em uma máscara pesada, grudada em meu rosto como um lembrete constante de que a vida estava se tornando uma encenação.

Certa noite, enquanto as luzes do Carnaval brilhavam intensamente, eu me afastei da multidão. O som da música se tornava um ruído ensurdecedor, e a dança, uma repetição mecânica de movimentos. Sentei-me à beira de um lago, onde a água refletia as estrelas como pequenos diamantes no céu. Olhei para meu reflexo e percebi a verdade que eu havia ignorado. A máscara do irreal não era apenas um adorno; tornara-se parte de mim, uma segunda pele que ocultava quem eu realmente era.

A realidade começou a se infiltrar em meus pensamentos. O que eu havia construído em torno de mim era uma fantasia que me afastava de uma vida autêntica. A busca incessante por aprovação e aplausos me deixava em um impasse, preso entre a necessidade de ser visto e o desejo de ser verdadeiro. O Carnaval, que deveria ser um momento de libertação, transformou-se em uma prisão de ilusões.

Naquela noite à beira do lago, decidi que era hora de desmascarar a verdade. O primeiro passo foi enfrentar a dor que eu havia ignorado por tanto tempo. As memórias de perdas, de desilusões, de momentos em que a vida não foi uma festa. Enfrentei cada uma delas, uma a uma, permitindo que a tristeza e a vulnerabilidade emergissem. Com lágrimas nos olhos, percebi que era essa autenticidade que me tornava humano, que me conectava aos outros de forma genuína.

Na manhã seguinte, acordei com o sol filtrando-se pelas janelas. O Carnaval ainda pulsava lá fora, mas eu estava disposto a participar dele de uma maneira diferente. Não como um espectador, mas como alguém que escolhe dançar ao ritmo de sua própria música. Comecei a me despir das máscaras que havia usado por tanto tempo, uma a uma. Cada peça que caía ao chão era um peso a menos, uma libertação da expectativa que havia me aprisionado.

Ao longo dos dias que se seguiram, a vida continuou a ser um Carnaval, mas agora eu participava dele de forma autêntica. Aprendi a rir sem medo, a dançar sem vergonha e a amar sem reservas. A máscara do irreal, que antes grudara-se em meu rosto, agora era apenas uma lembrança de um tempo em que eu não sabia quem era. Eu me permiti ser vulnerável, e essa vulnerabilidade me trouxe uma força inesperada.

As pessoas ao meu redor começaram a notar a mudança. O brilho em meus olhos não era mais uma ilusão, mas a chama de alguém que havia encontrado seu verdadeiro eu. As conexões se tornaram mais profundas, as risadas mais sinceras. Eu não precisava mais da aprovação alheia; a alegria que eu buscava estava dentro de mim, e a vida se transformou em uma celebração genuína.

O Carnaval se tornou uma metáfora da vida. Aprendi que, mesmo nas festas mais vibrantes, é essencial estar em contato com a realidade, com a dor e com a alegria que a vida traz. A máscara do irreal, que um dia me aprisionou, agora estava guardada como um símbolo de uma jornada de autodescoberta. E assim, enquanto a vida continuava a ser um Carnaval, eu dançava livre, com o coração leve, pronto para enfrentar o que quer que viesse, sempre fiel à verdade do meu ser.

 

 

           

 


TROVAS SOBRE O LIVRO

 



TROVAS SOBRE O LIVRO


Enquanto o homem tiver
um livro aberto na mão,
esteja onde estiver,
não vai sentir solidão.

JOÃO MANUEL SIMÕES

Sem coroa e sem espada,
sem reger, sem fazer lei,
no mundo da criançada
nosso Lobato foi rei!

ISABEL CHOULBY SANTOS

Se queres ter um amigo,
não o abandones na estante,
que o livro estará contigo
cada dia, cada instante!

FILEMON MARTINS


(COLUNA O RADAR, DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO)




DESTRUIÇÃO - FILEMON MARTINS

 





DESTRUIÇÃO 

Filemon Martins



Ainda ontem se ouvia lá na serra 
a juriti cantar saudosa e triste, 
mas hoje devastada toda a terra 
nenhuma juriti, sequer, existe...
 

Quem manda é o lucro que provém da guerra, 
o mundo cambaleia e mal resiste 
lutando pela vida que se emperra 
numa ganância infame que persiste.
 

A Humanidade inteira está perdida, 
a esperança acabou, está vencida, 
pois cada dia surge um golpe novo.
 

E muitos que se dizem ser senhores, 
não passam de ladrões e usurpadores 
surrupiando o pão do nosso povo! 

O BEIJA FLOR - FILEMON MARTINS

 





                                  O BEIJA-FLOR

Filemon Martins

                        

Levanto cedo e veja quem me espera,

um lindo beija-flor beijando a rosa.

Não para de adejar, ai quem me dera

sugar também aquela flor mimosa.

 

Quantas flores o beija-flor paquera

e baila no ar buscando a flor ditosa

e se exibe num voo que acelera

à procura da flor, a mais viçosa.

 

De flor em flor consegue seu intento,

mesmo voando em luta contra o vento

para beijar, feliz, mais uma  flor...

 

Também o bardo – beija-flor certeiro,

de verso em verso vai buscar faceiro

dentro do peito uma canção de amor.

 

sábado, 11 de abril de 2026

TROVA DE ALFREDO DE CASTRO

 



TROVA DE ALFREDO DE CASTRO


Ninguém sabe, nesta lida,

onde a surpresa é mais forte:

se nos mistérios da vida

ou nos segredos da morte!

 

AS DOBRAS DO TEMPO - EUGÊNIO DE SÁ

 



AS DOBRAS DO TEMPO

Eugénio de Sá

 

 

Verga-se-nos a vontade, a energia

A alguns momentos que o tempo suspende

O amor e a morte exercem tal magia

Que o tempo para, e a eles se rende.

 

 

Somos obra de Deus e a Ele se deve

- Como o exemplo que nos deu Jesus –

Que o nosso tempo seja intenso e breve

Feliz às vezes, outras uma cruz.

 

 

É o destino que todos carregamos

Neste deambular por que passamos

Qual asserção a que há que aquiescer;

 

 

Experimentando venturas, se amamos

Ou sofrendo atrozmente, se matamos

As mil razões que temos pra viver.

 

(FONTE AVBAP)

TROVADORES DA UBT DE ANGRA DOS REIS, QUE JÁ PARTIRAM

 



TROVADORES DA UBT DE ANGRA DOS REIS, QUE ESTÃO NO PLANO SUPERIOR


A vida aqui neste mundo

é como um véu de fumaça

que só demora um segundo

enquanto o vento não passa.

SEBASTIÃO ISIDRO DE ARAÚJO


Ao redor do altar da vida,

despidos ranços e lodos,

se o gesto for de acolhida,

mais irmãos seremos todos.

SEVERINO BELLÓ


Permanecem na memória,

fatos da vida vividos:

parte da nossa história,

os caminhos percorridos.

ÉRICO DA FONSECA


Carrego recordações

lembranças da caminhada;

guardei minhas aflições

durante minha jornada.

MARIA JOSÉ MOREIRA DIAS


Colorida é nossa vida,

cheia de muita esperança,

história muito vivida,

plena de amor e lembrança.

LÉLIA MIGUEL MOREIRA DE LIMA


(LIVRO - "BEM-VINDO - ÀS TROVAS"!)

TROVAS BRASILEIRAS

 



TROVAS BRASILEIRAS


É muito triste a pobreza...

Alguém, soluçando, diz;

bem mais triste, com certeza,

é ser pobre e... infeliz!...

A. ISAIAS RAMIRES


O canário não cantava

entretanto, o vendedor,

a quem comprou explicava:

- "não canta, é compositor!"

CESAR TORRACA


Ame sempre a Natureza

ela é pródiga, segura;

só não vê sua beleza,

quem vive na desventura.

JACY GOMES DE ALMEIDA


Delirando em noite escura,

coração quanto padece!

E a tristeza não perdura

quando a dor se torna em prece.

NEWTON PIMENTA

LITERATURA & ARTE - HUMBERTO DEL MAESTRO

 



Recebi do escritor Humberto Del Maestro, LITERATURA & ARTE, ANO XXXII, JANEIRO DE 2026, Nº 2194, com algumas informações e comentários, entre outros: - "Caríssimo poeta e escritor Filemon Martins, de Vila Paranaguá (SP), recebi seu novo livro intitulado "De Tudo Um Pouco", onde o passado vive brincando, como criancinha, no momento presente. Li quase tudo, dando preferência aos contos e sonetos (pelejar pelo soneto perfeito) que muito me agradam. Você me enviou um livro justamente no momento em que estou ultimando a editoração de meu derradeiro trabalho nas letras. Já são 65 e eu não preciso comprovar mais meu desempenho, neste campo, em minha santa terra, porque, à exceção de romance, deixei um pouco do restante em cada obra que publiquei. É o meu livro dos 80. Isso não quer dizer que deixarei de me exprimir nas letras, mas chega de publicação em livros.

E quanto ao seu livro, quem dera recebesse sempre um presente tão rico e belo como este. Parabéns e feliz ano novo de 2026".


Abaixo, um RONDEL, de Humberto Del Maestro, constante do seu próximo livro no prelo:


As aves cantam na mata,

Em sinfonia que anima,

Como bela serenata

Que anseio na minha rima.


A bênção da lua em prata

Vem aos poucos lá de cima.

As aves cantam na mata,

Em sinfonia que anima.


Surge a noite, uma beata

Que do céu nos aproxima.

Espanta treva em cascata

Permitindo, num bom clima,

A bênção da lua em prata.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

A BATALHA SILENCIOSA - JOSÉ FELDMAN

 




A BATALHA SILENCIOSA

José Feldman


TROVA DE ANGÉLICA VILELLA SANTOS


Com tudo desmoronando

na batalha pela vida,

fica a Esperança, amparando

nossa força esmorecida.



Na cidade de Esperança, onde a vida pulsava em um ritmo frenético, as pessoas costumavam se perder na correria do cotidiano. Ruas movimentadas, lojas sempre abertas e uma atmosfera de pressa permeavam o ar. No entanto, por trás dessa fachada vibrante, muitos enfrentavam batalhas silenciosas, lutando contra as adversidades que a vida impunha. Era um lugar onde as histórias de superação se entrelaçavam com as de desilusão, e, em meio a tudo isso, a esperança se destacava como um farol.

Entre os moradores, havia Miriam, uma mulher de espírito forte, mas que, nos últimos tempos, se sentia cada vez mais sobrecarregada. Mãe de duas crianças, ela trabalhava em um emprego que mal pagava as contas, e a pressão financeira parecia desmoronar seu mundo. As noites eram longas, repletas de insônia e preocupações, enquanto ela se perguntava como conseguiria dar um futuro melhor aos filhos. A batalha pela vida, que antes parecia uma luta normal, agora se tornara um peso insuportável.

Certa manhã, enquanto caminhava para o trabalho, passou por um parque que costumava visitar com as crianças. O local, embora simples, sempre tinha um charme especial, e as risadas dos pequenos ecoavam em sua memória. Mas, naquela manhã, o parque parecia desolado. As flores estavam murchas, e os bancos estavam vazios. Miriam se sentou em um deles, permitindo que a tristeza a envolvesse por um momento. O que havia acontecido com a alegria que antes florescia ali?

Enquanto refletia, um velho senhor se aproximou. Ele tinha um olhar gentil e um sorriso acolhedor. Sentou-se ao seu lado e, percebendo sua aflição, perguntou: “O que pesa em seu coração, minha jovem?” 

Ela hesitou, mas, em meio à conversa, acabou por desabafar. Contou-lhe sobre suas lutas, suas inseguranças e o medo de não ser capaz de proporcionar um futuro digno para seus filhos.

O velho ouviu atentamente, e quando ela terminou, ele disse: “Com tudo desmoronando na batalha pela vida, é normal sentir-se esmorecida. Mas lembre-se: a esperança é uma força que nos ampara nos momentos de fraqueza.” As palavras dele ressoaram dentro dela. Ele continuou: “A esperança não é uma promessa de que tudo ficará bem, mas uma luz que brilha na escuridão, lembrando-nos de que ainda há caminhos a serem trilhados.”

Inspirada pelas palavras do senhor, ela decidiu que não poderia deixar que a tristeza a dominasse. No dia seguinte, começou a buscar alternativas para mudar sua situação. Inscreveu-se em cursos gratuitos oferecidos pela comunidade, focando em habilidades que poderiam ajudá-la a conseguir um emprego melhor. A cada nova aula, sentia um pouco mais de esperança brotar dentro de si.

Com o tempo, percebeu que a luta não era apenas dela; muitos ao seu redor enfrentavam desafios semelhantes. Ela começou a formar uma rede de apoio com outras mães do bairro, compartilhando experiências e criando um espaço de acolhimento. Juntas, organizavam eventos para levantar fundos e ajudar umas às outras, transformando a dor em força coletiva. A solidariedade entre elas se tornava uma fonte de esperança renovada.

As noites de insônia ainda existiam, mas agora eram acompanhadas de planos e sonhos. Miriam escrevia em um diário, registrando suas vitórias e desafios, e a escrita se tornou um refúgio. Ela encontrou na palavra escrita uma forma de expressar suas emoções e, ao mesmo tempo, uma maneira de inspirar outras mulheres a não desistirem de seus sonhos.

Eventualmente, após meses de esforço e perseverança, conseguiu um novo emprego, que lhe proporcionava não apenas um salário melhor, mas também a possibilidade de crescimento. A cada conquista, sentia que a esperança que antes parecia distante agora pulsava intensamente dentro dela.

Certa tarde, ao voltar para casa, passou novamente pelo parque. As flores estavam começando a brotar, e as risadas das crianças ecoavam pelo ar. Sentou-se em um banco e sorriu, lembrando-se do velho senhor e de suas palavras. A batalha pela vida nunca seria fácil, mas a esperança sempre a acompanharia, amparando sua força esmorecida.

Com o tempo, Miriam se tornou uma defensora da força feminina em sua comunidade. Ela percebeu que, embora as lutas fossem inevitáveis, a maneira como escolhemos enfrentá-las pode transformar não apenas nossas vidas, mas também a vida de muitos ao nosso redor.

E assim, a história dela se espalhou, inspirando outras mulheres a lutarem por seus sonhos, a não temerem as tempestades e a buscarem a luz da esperança. Pois, por mais que tudo desmorone, a verdadeira força reside na capacidade de nos reerguer e lutar, sabendo que a esperança é a chama que nunca se apaga, mesmo nas noites mais escuras.


TROVAS CHUVAS DE VERSOS, 358

 




TROVAS CHUVAS DE VERSOS, 358

 

Nos mistérios deste outono,

as folhas caindo ao chão,

tecem colchas de abandono

que envolvem minha ilusão!

Sônia Maria Ditzel Martelo

 

Vejo em frente, ali na praça,

só lixo, trapos e panos;

e, para a minha desgraça,

no meio - seres humanos!

Selma Patti Spinelli

 

No grande palco da vida

os artistas, somos nós,

que depois de tanta lida

sempre ficamos a sós!

Sophia Irene Rodrigues Canalles

(1911 – 2004)

  

Escolha o lugar que ocupa,

pensando nesta lição:

- quem cavalga na garupa,

não tem as rédeas na mão!

Sebas Sundfeld

 

(FONTE:CHUVA DE VERSOS 358, JOSÉ FELDMAN)

UM PROBLEMA INUSITADO - FILEMON MARTINS

 




UM PROBLEMA INUSITADO

Filemon Martins


 

O assinante ligou e disse: - ¨não recebi meu jornal hoje¨.

No dia seguinte a mesma coisa e acrescentou: - ¨não recebi meu café da manhã¨. É que naquela época o cidadão não saía de casa sem antes ler o jornal. Era o seu café da manhã. A reclamação, como sempre, era encaminhada para o Departamento de assinaturas que providenciava outro exemplar do jornal e também averiguava o que tinha ocorrido.

Mas aquele assinante estava sempre reclamando que não havia recebido o jornal. O entregador jurava que o jornal havia sido entregue. Assim fomos arengando com o assinante por muito tempo, mas o cliente, como em todo negócio, sempre tem razão.

Quando chegou a época das chuvas, esse mesmo assinante percebeu que sua casa vazava água por todos os lados. Ficou tudo encharcado. Contratou, então, um pedreiro para consertar o que havia de errado. Depois de subir no telhado, o homem chama o dono da casa e diz: - ¨sua calha está entupida de jornais, alguns já viraram sopa e escorreu entupindo outras calhas¨. Só então o dono da casa entendeu porque ele deixou de receber tantos exemplares da Folha de S. Paulo. E o entregador, ao ser inquirido, confessou que na pressa, passava de moto e arremessava o jornal por cima do muro, e com tanta força que o jornal caía no telhado da casa. Foi assim que a casa do assinante virou uma peneira. 

¨A pressa é a inimiga da perfeição¨.

 

UMA LIÇÃO DO TAVARES DE MIRANDA - FILEMON MARTINS

 



UMA LIÇÃO DO TAVARES DE MIRANDA

Filemon Martins

 

Quando cheguei para trabalhar naquele dia no prédio da Al. Barão de Limeira, 425 – Campos Elíseos, já havia algumas pessoas na fila do elevador. Depois chegaram outros funcionários, inclusive o colunista social Tavares de Miranda. De repente, foi entrando um rapaz e saracoteando se postou à frente de todos nós. Na época, o prédio da Folha de São Paulo tinha dois elevadores. Tavares de Miranda ficou observando o moço, depois se encaminhou até o rapaz e perguntou onde ele ia e o moço respondeu: - ¨no 6º andar¨. Tavares, então, o pegou pelo braço e veio passando por nós e dizendo: - ¨veja, todas estas pessoas estão aguardando o elevador e como você chegou agora, o seu lugar é aqui¨ e o colocou no final da fila. E lentamente voltou para o seu lugar na fila. Não sei se o rapaz aprendeu a lição, mas a verdade é que o saudoso Tavares de Miranda não deixava passar em branco nada. ¨Errar é humano, permanecer no erro é burrice¨. É uma questão de ordem... Mas, hoje quanta gente continua errando por burrice mesmo ou por algum interesse escuso...