BLOG LITERÁRIO DO FILEMON
sábado, 25 de julho de 2026
VEELHO MAR - FILEMON MARTINS
PRECE DA ÁRVORE - WALTER ROSSI
QUEM FOI OSCARINO JOSÉ DOS SANTOS? - FILEMON MARTINS
(FOTO ENVIADA POR OSCAR FILHO, DO IPUPIARA NEWS, NO INSTAGRAM)
QUEM FOI OSCARINO JOSÉ
DOS SANTOS?
Filemon Martins
Segundo Arides Leite
Santos, em seu livro IPUPIARA & IBIPETUM, ¨Oscarino José dos Santos, mais
conhecido como ¨Oscazão¨, o 5º prefeito do município de Ipupiara, nasceu em
Gameleira (atual Ibipetum), em 02/01/1929, filho de José Carlos dos Santos e Zulmira
Alves dos Santos. Mudou com seus pais para Ipupiara em 1936, tendo frequentado
escolas da época, sem contudo, terminar os estudos primários. Muito
inteligente, esse detalhe não lhe impediu de se tornar mais tarde um forte
comerciante em Ipupiara”.
Consta ainda do livro
que foi um dos primeiros cidadãos de Ipupiara a possuir um caminhão Chevrolet¨.
Casou-se com Avani
Rodrigues dos Santos, carinhosamente conhecida como dona Nega. Juntos tiveram
os filhos, Oscar Filho Rodrigues dos Santos, José Carlos Neto dos Santos,
Washington Rodrigues dos Santos, Lorivaldo Rodrigues dos Santos, Djalma
Rodrigues dos Santos, Evanir Rodrigues dos Santos, Osvany Rodrigues dos Santos,
Deysione Rodrigues dos Santos, Dayane Rodrigues dos Santos e Diane Rodrigues
dos Santos.
São seus irmãos e irmãs:
João, Adão e Carlos; Maria, Alice (dona Licinha), Petronília, Zilda Alves,
Jesuína, Nair, Edite e Beatriz.
Homem de extraordinária
visão para negócios, comprava produtos de agricultores mesmo antes da colheita.
O produtor lhe informava que naquele ano havia plantado mamona, fumo, milho,
feijão, mandioca ou qualquer outro produto e ele perguntava: - você precisa de
dinheiro? E já adiantava parte do pagamento da futura colheita. No caso da
mandioca, o produto final era a farinha e a tapioca. Conta-se que comprava,
inclusive, estrume de gado, cabra, para usar na agricultura ou mesmo revender
para terceiros. Além do seu caminhão Chevrolet, que era sua atividade principal
de comércio, comprava e transportava produtos de outros centros, especialmente
de Feira de Santana, Vitória da Conquista e de algumas cidades de Minas Gerais,
possuía roças, onde criava gado.
Humanitário, jamais
deixou de ajudar pessoas carentes de uma forma ou de outra. Com esse prestígio,
iniciou desde cedo sua militância política, elegendo-se Vereador na primeira
Legislatura de 1959 a 1962. É oportuno lembrar que os dois maiores polos políticos
do Município são Ipupiara (antigo Jordão) e Ibipetum, (antiga Gameleira) e como
Oscarino era natural de Ibipetum, agora residindo e forte comerciante em
Ipupiara, não foi difícil conseguir o consenso dos políticos para a sucessão do
prefeito Osvaldo Leite da Silva que terminou em 06/04/1973 e o lançou como
candidato único a prefeito da cidade, elegendo-se para o período de 07/04/1973
a 31/01/1977.
Com o seu caminhão
Chevrolet transportava também pessoas que precisavam se locomover para outras
cidades, como Morpará, Brotas, Oliveira de Brejinhos, entre outras. Essa época
as estradas eram um terror para os motoristas da região. A pobreza era severa e
imperava no Sertão da Bahia. Não havia eletricidade, Sobradinho não existia,
não havia a ponte em Ibotirama, sobre o rio São Francisco, não havia a BA-156
que liga o entroncamento da BR a Ipupiara passando por Brotas de Macaúbas, mas
acho que hoje (2026) com a pavimentação esteja em melhores condições. Não havia
a BR-242 que liga Salvador a Brasília. As condições eram adversas, mas ainda assim
o Chevrolet do senhor Oscazão, como era chamado, vencia as distâncias.
Oscarino José dos Santos
faleceu em 24 de agosto de 1994, conforme cópia da certidão de óbito em poder
do autor.
Agradecimentos: Osvany
Rodrigues dos Santos (ninha, filha) e ao primo Izidoro Novais pelas informações
prestadas, sem as quais seria impossível escrever este
texto.
(LIVRO “CAMINHOS DO
JORDÃO DA BAHIA”, PÁGINAS 127/128)
sexta-feira, 24 de julho de 2026
SEJA O COMANDANTE DAS SUAS FINANÇAS -SAUL RIBEIRO DOS SANTOS
SEJA O COMANDANTE DAS
SUAS FINANÇAS
Estamos
dentro do tema finanças. Os economistas afirmam que finanças é a ciência da
administração do dinheiro. Podemos esticar essa afirmação e dizer que é a
ciência da administração do dinheiro pessoal, do dinheiro da família e também
do dinheiro das empresas. É preciso considerar que no caso da
administração do dinheiro das instituições públicas, o volume ou a
quantia é muito grande. O Ministério da Fazenda que o diga. O dinheiro público
abrange o dinheiro dos Municípios, dos Estados e na esfera Federal.
Ao longo dos anos
muito se tem falado sobre finanças e principalmente nestes últimos anos.
Jornais, emissoras de rádio, televisão e os canais da rede social na internet
têm dedicado espaço de muitas páginas e espaço de tempo nas emissoras de rádio,
TV e canais na internet. A administração pública tem ganhado furo de reportagem
por boas ou más notícias. Quando administra bem, com elogios. Ou quando
administra mal, com críticas.
Ao
entrar em qualquer livraria, física ou virtual, vamos encontrar um número
crescente de livros, revistas e reportagens com comentários sobre o assunto
abordado neste tema. O objetivo deste artigo é alertar e dar informações que
poderão auxiliar a você, prezado leitor, a exercer o comando no
controle do seu dinheiro, dos seus recursos financeiros (sejam poucos ou
muitos).
Dinheiro é
o instrumento de compra dos povos civilizados para adquirirem as coisas
necessárias para a manutenção das suas famílias. Muitas pessoas usam o dinheiro
(ou o crédito) até para comprar produtos supérfluos, dos quais não têm real
necessidade, isto é, podem passar sem os produtos que compram por mero impulso.
Os tempos atuais exigem sabedoria,
inteligência e cautela para administrar o dinheiro. Veja essa bela e útil
recomendação:
“O dinheiro é um legado que vem de Deus. Não
nos pertence para gastá-lo na satisfação do orgulho ou da ambição. Nas mãos dos
filhos de Deus é alimento para o faminto e roupas para o nu. É uma defesa para
o oprimido, um meio para restituir a saúde do enfermo ou de pregar o
evangelho”. (1)
Porque
no Brasil e no mundo há muitas pessoas passando necessidades básicas? A
resposta pode parecer simples, mas não é necessariamente por falhas nas
políticas públicas. A razão e a resposta básica é porque milhões de pessoas no
Brasil e no mundo não sabem comandar as suas finanças. Assim entram em
desequilíbrio financeiro, entram para o grupo dos inadimplentes. E pior ainda:
muitos em desespero. Qual a razão que leva muitas pessoas a essa situação?
A economia
do nosso País está passando por momentos difíceis, isso não é desconhecido para
ninguém. As previsões de médio e curto prazos não são boas. Os preços dos
serviços profissionais (pedreiro, eletricista, mecânico, marceneiro, corte de
cabelo, e outros) estão subindo e muito.
O
ideal é não formar dívidas. Não tomar dinheiro emprestado para pagar dívidas,
formando assim novas dívidas. Há exceções, pois há momentos que é necessário
juntar as dívidas, formando uma só. Há momentos que convém formar uma dívida
com prazo mais esticado e portanto com parcelas mais baixas, mas vinculado à
imediata quitação da dívida anterior.
Seja
o comandante do seu dinheiro, que muitas vezes é ganho com muito trabalho duro
e de modo suado. Há um ditado popular que diz:
“Qualquer pessoa pode começar uma tarefa, mas
só as corajosas e inteligentes a terminarão bem. Vemos que é fácil comprar a
crédito e fazer dívidas. O difícil é terminar de modo satisfatório”.
Muitas
pessoas se tornam pobres, muito pobres por não saberem ou por não exercerem o
comando do seu dinheiro. Gastam mal. Fazem aplicações financeiras em
instituições não confiáveis, fazem aportes na ocasião desfavorável. Muito
cuidado! A melhor decisão é poupar gastando menos do valor que você consegue
ganhar mensalmente. Portanto, seja o comandante das suas finanças.
__________________
(1) Livro: A Ciência do Bom
Viver, pág. 287. Ellen G. White.
Saul Ribeiro dos Santos
Contador e economista aposentado
Natural de Ipupiara – BA.
saul.ribeiro1945@gmail.com
O VASO DE BARRO E A ESTRELA DE AL-THURAYYA - JOSÉ FELDMAN
O
Vaso de Barro e a Estrela de Al-Thurayya
"Preparem os lenços de seda,
pois agora Mustafá evocará uma história de amor profundo e provação, que corre
pelas ruelas de Bagdá como um rio de lágrimas e esperança. Esta é a crônica de
um sentimento que ousou desafiar o destino divino.
Nas terras de um Vizir cujo
coração era mais duro que a pedra das montanhas, vivia um escravo chamado Zayd.
Ele não possuía riqueza, apenas a força de seus braços e a pureza de sua alma.
Sua tarefa era cuidar dos jardins do palácio, onde as rosas exalavam um perfume
que parecia vir do paraíso.
Aconteceu que a filha do Vizir, a
Princesa Laila — cujo nome significa 'noite' e cujos olhos brilhavam como a lua
cheia —, costumava caminhar entre as flores. Zayd, ao vê-la, sentiu uma afeição
tão avassaladora que suas mãos tremeram ao podar os espinhos. Ele sabia que era
apenas um vaso de barro diante de uma estrela distante, mas o amor não pede
licença ao governante para entrar no peito.
Laila, percebendo a doçura nos
gestos do escravo, também se apaixonou. Eles trocavam olhares de confiança e
pequenas palavras em segredo. Mas o Vizir e sua esposa, tomados pelo orgulho,
tratavam Zayd com extrema crueldade. Se uma pétala caísse fora do lugar, Zayd
era castigado com o chicote. Eles o chamavam de 'pó da terra' e o obrigavam a
trabalhar sob o sol escaldante sem uma gota de água.
Certo dia, o Vizir descobriu uma
carta que Laila escrevera para Zayd. Tomado por uma fúria cega, ele ordenou que
o escravo fosse lançado no calabouço mais profundo. 'Como ousa um escravo olhar
para o céu?', gritava ele. Laila foi trancada em sua torre, definhando em
tristeza, recusando-se a comer ou sorrir.
Zayd, na escuridão da cela, não
sentia ódio, apenas fazia sua súplica. Ele pediu a Alá que, se não pudesse ter
Laila nesta vida, que sua alma fosse um pássaro para cantar na janela
dela.
Naquela noite, dizem que um
milagre aconteceu: as correntes de Zayd se transformaram em fios de seda. Ele
não fugiu, mas caminhou até o jardim uma última vez.
Lá, ele encontrou a Princesa, que
havia escapado por uma corda feita de seus próprios véus. Eles se abraçaram sob
a luz das estrelas, mas o Vizir e seus guardas logo os cercaram com espadas
desembainhadas. No momento em que o Vizir ia desferir o golpe, o chão tremeu.
Diz a lenda, ó Sheik, que o Oásis
dos Espelhos — do qual lhes falei — manifestou-se ali mesmo. O Vizir olhou para
o chão e viu seu reflexo: um monstro de espinhos. Horrorizado com sua própria
imagem, ele caiu em prantos, pedindo perdão. A pureza do amor de Zayd e Laila
havia quebrado a dureza daquela pedra.
Zayd não foi apenas libertado;
ele foi nomeado guardião do Grande Jardim, e o Vizir aprendeu que a verdadeira
honra não está no sangue, mas na capacidade de amar sem medidas."
Mustafá limpou o canto do olho
com a ponta do turbante.
Vejam bem, ó nobres senhores: A
verdadeira honra de um homem não é tecida com fios de ouro ou títulos de
governante, mas com a pureza de sua intenção. O mundo pode olhar para um
escravo e ver apenas um vaso de barro, mas se esse vaso estiver cheio de amor
verdadeiro e paciência, ele terá mais valor que uma coroa cravejada de
diamantes que guarda um coração de pedra.
Nunca desprezem aquele que parece
pequeno aos vossos olhos, pois o destino divino adora elevar os humildes e
humilhar os soberbos. No fim das contas, diante do Criador, não somos medidos
pelo que possuímos na mão, mas pelo que carregamos na alma. O amor é a única
força capaz de transformar o barro em estrela.'
(FONTE "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)
quinta-feira, 23 de julho de 2026
DIAMANTES - CARLOS RIBEIRO ROCHA
(FOTO DE SAUL RIBEIRO DOS SANTOS)
SIMPLICIDADE - CARLOS RIBEIRO ROCHA -
SONETO MONTANHÊS - CARLOS RIBEIRO ROCHA
O GRITO DO POETA - FILEMON MARTINS
O GRITO DO POETA
quarta-feira, 22 de julho de 2026
A ÁRVORE QUE FALA - JOSÉ FELDMAN
A
Árvore que Fala
"Preste atenção, ó Sheik de
Bagdá, pois o que floresce no centro do Oásis dos Espelhos desafia a
compreensão dos homens de pouca fé. Ali, onde as águas do autoconhecimento se
encontram com a areia sagrada, ergue-se a Shajarat al-Hikmah (Árvore da Sabedoria).
Ela não tem folhas de clorofila,
mas sim de papel fino como pergaminho, translúcido e prateado. O tronco é de um
ébano tão escuro quanto a noite sem lua, e suas raízes bebem diretamente do
reflexo das almas.
Dizem as lendas que esta árvore
não fala com uma língua de carne. Quando o vento do deserto sopra entre seus
galhos, as folhas não balançam, elas sussurram. Mas o som que emitem não é o de
palavras comuns; é o som da verdade que cada homem tenta esconder de si mesmo.
Se um homem carregado de pecados
se aproxima, a árvore emite um som de trovão retumbante, que ecoa em seu peito
como o bater de um tambor de guerra. O som diz: 'Até quando fugirás da tua
própria sombra?'. O barulho é tão forte que o pecador muitas vezes cai ao chão,
sentindo o peso de suas escolhas.
Mas, se um homem virtuoso
senta-se sob sua sombra, a árvore canta. É uma melodia de uns (intimidade
espiritual) que lembra o riso de uma criança ou o som de uma fonte no paraíso.
Para esse homem, as folhas de pergaminho começam a mostrar escritas em caligrafia
de luz. São respostas para perguntas que ele ainda nem ousou fazer.
Vi um jovem poeta que perdera a
esperança aproximar-se da árvore. Ele chorava, pois sua musa havia partido. A
árvore, em um gesto de misericórdia, deixou cair uma única folha em seu colo.
Nela, não havia poemas de amor terreno, mas uma única rememoração que dizia: 'O
que você procura, procura por você'. Naquele momento, o jovem compreendeu que a
beleza que ele buscava fora não era nada comparada à que Alá plantara dentro de
sua alma.
A árvore é a guardiã do oásis.
Ela sabe quem mentiu no Mercado de Silêncio e quem foi sincero com o mercador
cego. Ela é o eco da consciência humana amplificado pelo silêncio do deserto.
Muitos tentaram levar uma folha
daquela árvore para Bagdá, ó Sheik. Mas, assim que cruzam a fronteira do oásis,
o pergaminho se transforma em cinzas. Pois a sabedoria da árvore não pode ser
possuída, apenas vivenciada no momento de presença absoluta."
Mustafá fechou os olhos por um
instante, como se ainda ouvisse o sussurro das folhas prateadas.
Escutai com vossa alma, ó
buscadores da luz, pois o balançar das folhas da Shajarat al-Hikmah (Árvore da
Sabedoria) traz uma lição que nenhum livro pode conter sozinho.
A moral desta história, ó Sheik,
é que a verdade não é algo que se busca no mundo exterior com gritos e
demandas, mas algo que se escuta no silêncio do próprio peito. A árvore não
falava palavras novas; ela apenas devolvia aos homens o eco de suas próprias
consciências. Para o injusto, a verdade soa como um trovão aterrador, pois ele
teme o que esconde; para o justo, ela é uma música suave, pois ele vive em
harmonia com o seu Criador.
Muitas vezes, passamos a vida tentando colher os frutos do conhecimento alheio, mas esquecemos que a sabedoria não pode ser roubada ou transportada como mercadoria em uma caravana. Ela deve ser vivenciada na presença do momento. Quem busca a verdade com orgulho encontrará apenas cinzas, mas quem se senta sob a sombra da humildade verá que a vida inteira é uma escrita de luz feita por Alá.
(FONTE "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)
PAZ - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES
PAZ






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