quinta-feira, 7 de maio de 2026

MÃE - LAURENTINA DOS SANTOS NOVAIS

 


 (JARDIM DA LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)



MÃE
                    Laurentina dos Santos Novais

Mãe – nome breve e largo de ternura,
nome esplendente, cujo sol de amor
fecunda a nossa vida, traz doçura
a qualquer filho, no lugar que for.

Ser divino entre as outras criaturas,
assemelhas-te ao próprio Criador,
quando te afliges e afinal procuras
livrar os filhos teus da amarga dor.

O vínculo perfeito da bondade
encontro em ti. Também a proteção,
no instante da cruel ansiedade...

Por isto, Mãe, meus rogos sempre são
para que Deus te dê felicidade
ao nível do teu grande coração!

(Anuário de Poetas do Brasil-1981-4º volume, página 298, org. de Aparício Fernandes)

MÃE - FILEMON MARTINS

 




MÃE
           Filemon Martins


Anjo dos céus sobre a terra
é a mãe, que jamais erra,
nessa missão sem igual
de pôr na mente menina
um pouco de luz divina
que guia e combate o mal.

Quem tem mãe, na realidade,
tem grande felicidade,
pois seu amor é profundo.
Amor singular, bendito,
que jamais será descrito
pelos poetas do mundo.

Estrela d’Alva brilhando,
com sua luz nos guiando
pelos caminhos do bem;
mãe – flor de afeto, querida,
que filho algum, nesta vida,
outra mais bela não tem.

Mãe, teu amor é sagrado,
é sublime, é acendrado,
pois nasce do coração,
qual uma flor perfumosa
que enfeita e é tão formosa
na mais alegre estação.

Eis a nossa gratidão,
do íntimo do coração
pelo que fazes no lar:
Que sejas abençoada
nessa missão consagrada
de viver para embalar!


TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

 




TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA



ÁRVORE BELA, ESSES BRUTOS
NÃO SABEM DO TEU VALOR:
QUANDO VIVA – DAVAS FRUTOS,
E AGORA MORTA – O CALOR.

DA ARAPONGA TENDO A VOZ
E O DIREITO DE QUEM SONHA,
POETAS, BRADEMOS NÓS:
- MENOS CRIMES, MAIS VERGONHA!

A QUEM SE QUEIXA DA SORTE,
ESTE PROVÉRBIO EU INDICO:
QUEM FAZ JUSTIÇA É A MORTE,
IGUALANDO O POBRE E O RICO.

CADA FLOR À NOSSA FRENTE
MOSTRANDO GRANDE BELEZA,
É UM SORRISO FLORENTE
DOS LÁBIOS DA NATUREZA.

FRACASSO - A. GARIBALDI

 


                         (FOTO DE VALDIR VASCONCELLOS, EM PORTUGAL)


FRACASSO

A. Garibaldi (poeta português)


Se acreditamos na amizade pura

que dedicamos ou nos dá alguém,

e se dessa amizade mal nos vem,

o coração se inunda de amargura.


Se achamos a amizade como um bem

que cobre a nossa vida de ventura,

ela pode tornar-se em noite escura

se por alguma sombra se sustém.


Feliz de quem um coração amigo

encontra na existência como abrigo

contra a dor, contra o mal e contra a neve!


Mas infeliz se entrega o coração,

e recebendo em paga a ingratidão,

acredita naquilo que não deve!



(LIVRO "ARESTAS NA CHAMA", PÁGINA 118)

quarta-feira, 6 de maio de 2026

VERSOS DE FILEMON MARTINS

 




VERSOS DE FILEMON MARTINS


-         Ó vós que andais sozinhos pelo mundo
achando que o passado é charco imundo,
praticai sempre o bem seja a quem for...
Porque no coração – templo sagrado,
o sonho há de voltar  – iluminado -
trazendo sempre uma lição de Amor!

TROVA DO FILEMON

 




TROVA DO FILEMON

Quero seguir meu destino
com minha cabeça erguida,
quem faz o bem, imagino,
segue uma estrada florida.

MÃE - IRENE LOPES GUIMARÃES

 



MÃE
Irene Lopes Guimarães


Mãe, se sorrires,
seja teu riso iluminado!
Se tiveres o rosto
banhado em lágrimas
seja teu pranto conformado!

Que Deus não te abandone,
fortaleça sempre,
mais e mais, a tua fé,
porque mais do que nunca
o mundo precisa de ti!

Nessa hora em que a família,
em decadência, oscila à beira
do abismo, somente um ponto
de apoio poderá sustê-la:
teu imenso e sublime amor!

(Anuário de Poetas do Brasil-1980-3º volume, página 162-org. de Aparício Fernandes - RJ.)

ESCADA DE TROVAS - MÃE - FILEMON MARTINS

 



ESCADA DE TROVAS – MÃE 
Filemon Martins 

SUBINDO: 

Enviar-te numa TROVA 
minha luz, minha paixão, 
que o meu amor se renova 
quando beijo tua mão. 

E o meu carinho – pudera 
dar-te sempre de presente 
como eterna Primavera 
que deixa a vida contente. 

Do meu amor dar-te prova 
numa profunda saudade, 
pois hoje na vida nova 
já tens paz, felicidade. 

Minha mãe – como eu quisera 
dizer-te do meu amor. 
A tua ausência é uma espera 
que aumenta mais minha dor. 


NO TOPO: 

Minha mãe – como eu quisera 
do meu amor dar-te prova, 
e o meu carinho – pudera 
enviar-te numa TROVA. 

MÃE - MARIA THEREZA CAVALHEIRO

 



MÃE (TROVAS)
Maria Thereza Cavalheiro


Ser mãe é ter o olhar cheio
de amor, ternura e bondade...
É dividir tudo ao meio,
também a própria metade!

As estrelas infinitas
que o céu misterioso encerra,
são olhos de mães aflitas
velando os filhos na terra.

Minha mãe era uma santa
que entre nós veio passear;
mas foi de humildade tanta
que precisou regressar...

Um anjo, de madrugada,
levou minha mãe... E havia
muita luz em sua estrada,
porém sombra no meu dia.

Mamãe: tuas mãos pequenas
que souberam trabalhar,
parecem aves serenas,
já cansadas de voar!

terça-feira, 5 de maio de 2026

MAMÃE - ENO TEODORO WANKE

 





MAMÃE
             ENO TEODORO WANKE


Mamãe, tua presença é suavidade
e está sempre comigo, na distância
na qual se transformou a breve infância
levada pelo tempo sem piedade.

Nas horas boas, quando uma saudade
é docemente alegre, e não traz ânsia,
oh, como és bela e meiga, na fragrância
tristonha que o meu coração invade!

Mas quando minha vida se encapela,
abandonado em meio da procela,
mamãe, bem que eu desejaria, aflito,

ser novamente aquele garotinho
ao qual bastava apenas teu carinho
para o Sol, outra vez, brilhar bonito.

(Anuário de Poetas do Brasil, 1982, 1º volume, página 143, org. de Aparício Fernandes - RJ)

TRIBUTO À ARISTIDES ANTÔNIO DOS SANTOS - FILEMON MARTINS

 


 (Foto retirada do livro "HISTÓRIA DOS BATISTAS EM IPUPIARA", 2ª edição, de Arides Leite Santos. Aparecem na foto Sr. Aristides, Dona Luzia, Enfª Zenia Birzniek e alguns filhos do casal)



TRIBUTO À ARISTIDES ANTÔNIO DOS SANTOS

Filemon Martins



Aristides Antônio dos Santos nasceu na Lagoa do Barro, um vilarejo do Município de Ipupiara, em 17/02/1924 e casou-se com Luzia Ferreira dos Santos em 1953, com quem teve oito filhos: Izilda, Aristides Filho (falecido – vítima de assalto em São Paulo), Paulo (falecido), Dalva, Zenia, Silas, Sandra e Leila.
Eu tinha meus 15, 16 anos quando conheci o Sr. Aristides, época em que ele se convertera ao Evangelismo e se tornara um homem de fé, de caráter imaculado. Pai exemplar e um dos maiores comerciantes de tecidos na pequena cidade de Ipupiara. Já havia trabalhado em São Paulo e conhecia muito bem a região do comércio, na época, restrito às Ruas 25 de Março, Jorge Azem, Carlos de Sousa Nazaré, Ladeira Porto Geral, entre outras. Todas no centro de São Paulo. Assim, o comerciante comprava direto das lojas e consequentemente fazia bons negócios com mercadorias da moda. Com o tempo outros comerciantes aderiram ao sistema e juntos fretavam caminhões que vinham de lá encarregados de levarem as compras até Ipupiara. Por essa época, recebi um convite do Sr. Aristides para trabalhar em sua loja. De pronto, aceitei e passei a aprender a usar o metro, desenrolar tecidos, fazer embrulhos e atender aos clientes de forma cortês e respeitosa, como recomendava o patrão. O movimento maior era nas segundas-feiras porque, como se dizia, era dia de feira. Nesse dia a população do Município acorria às compras, depois de vender seus produtos produzidos nas roças e em seus grandes quintais, como frutas, legumes, verduras, ovos ou artesanatos. A confiança era recíproca e eu sempre fui e continuo sendo um bom aprendiz. Vendia bem e aos poucos eu me tornei importante para o Sr. Aristides. Por outro lado, meu pai, Adão Francisco Martins possuía um imóvel do outro lado da Praça Getúlio Vargas que, naquela ocasião, estava alugado. Eu com 16, 17 anos conversando com aquele senhor comerciante como se fosse um adulto, homem de negócios. E o Sr. Aristides me perguntou - por que você não põe seu próprio negócio naquele imóvel do seu pai? Respondi: - como, eu não tenho capital. Ele então, generoso como sempre foi, deu a solução: - Entro com o capital, a mercadoria e você entra com o imóvel e o seu trabalho e dividiremos os lucros. Conversei com meu pai que o conhecia mais que eu e ele, surpreso, acatou a sugestão. Pediu o imóvel e depois de uma breve reforma com nova pintura, abri o comércio com o capital dele. Estávamos sempre trocando ideias e não demorou muito, o negócio prosperou até que um dia ele me disse: - já é tempo de você conhecer São Paulo e fazer suas próprias compras. Conversei com meu pai, eu tinha apenas 17 anos, até a firma para abrir a loja estava em nome do meu pai que, no passado havia sido comerciante em Morpará com a loja "A PRIMAVERA". Encarei a viagem com o Sr. Aristides, João Antônio dos Santos, seu irmão, carinhosamente chamado de Duão, João da Cruz, Agileu, Saluzinho e outros. Era minha primeira vez em São Paulo, orientado sempre pelas mãos do Sr. Aristides. Algum tempo depois, mais experiente era chegado a hora de encerrar nossa sociedade, de comum acordo com ambas as partes. Outras viagens se sucederam até que eu resolvi deixar a loja sob os cuidados de meu pai e na próxima viagem, agora com 18 anos, permanecer em São Paulo para trabalhar durante o dia e estudar à noite. Foi o que fiz. Quando necessário eu faria as compras e mandaria para Ipupiara junto aos demais comerciantes. E assim foi.
Esse sistema permaneceu por algum tempo, mas foi interrompido, porque infelizmente dia 07/01/1970, meu pai faleceu de parada cardíaca, com 55 anos incompletos. Quanto ao Sr. Aristides continuou com seu comércio promissor e sua fé inabalável. Numa conversa amistosa que tivemos numa Praça de Ipupiara, ele me disse: - ¨posso voltar de São Paulo e encontrar a Serra do Carranca de ponta cabeça, que ainda assim, minha fé não será abalada¨. Nunca mais o esqueci.
Submetendo-se a uma cirurgia em São Paulo, o Sr. Aristides faleceu repentinamente em 14/03/1990. Pouco mais de um ano depois, sua esposa nos deixou em 20/04/1991, de parada cardíaca. Mas a família bem construída continua próspera, forte e unida. Como disse a poetisa Stela Câmara Dubois: "Oh, que me falte o amparo nos escolhos, falte-me o pão e a luz dos próprios olhos, porém, nunca me falte a GRATIDÃO"!

MINHA MÃE - JOSÉ MARTINS FONTES

 




MINHA MÃE 

José Martins Fontes

 

 

Beijo-te a mão, que sobre mim se espalma

para me abençoar e proteger.

Teu puro amor o coração me acalma;

provo a doçura do teu bem-querer.

 

Porque a mão te beijei, a minha palma

olho, analiso, linha a linha, a ver

se em mim descubro um traço da tua alma,

se existe em mim a graça do teu ser.

 

E o M, gravado sobre a mão aberta,

pela sua clareza, me desperta

um grato enlevo, que jamais senti:

 

Quer dizer – Mãe – este M tão perfeito,

e, com certeza, em minha mão foi feito

para, quando eu for bom, pensar em ti.

MÃE - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 



MÃE

Mário Barreto França



Quando eu vejo um berço onde se inclina

a mais santa mulher que o filho agrada.

Lamento a minha sorte, a minha sina

que me fez te perder na infância amada.


De então, pela existência peregrina,

- falta-me tudo! Mãe, não tenho nada

que me dispense a graça pequenina

duma amizade desinteressada...


Ai quem me dera te tornar à vida

para inda ouvir a tua voz querida

e em teus braços maternos repousar...


Porque somente o que tem mãe no mundo

pode encontrar no seu amor profundo

a fé e o alento para crer e amar...