segunda-feira, 9 de março de 2026

A ESTRADA E O CORAÇÃO - JOSÉ FELDMAN

 



A ESTRADA E O CORAÇÃO

José Feldman


TROVA DE LUIZ POETA (LUIZ GILBERTO DE BARROS)

Na saudade intransigente

o coração se revolta;

a estrada diz: - Segue em frente;

o coração pede: - Volta!



Era final de tarde quando Antero estacionou o carro no acostamento. O horizonte, tingido pelos tons dourados do pôr do sol, parecia tão distante quanto a paz que ele buscava. Naquela estrada deserta, as lembranças pesavam mais que a mala no porta-malas. Ele olhava fixamente para o asfalto que se perdia no infinito, como se esperasse que a resposta para sua inquietude surgisse na próxima curva.

Antero estava fugindo. Não de algo visível, mas de um vazio que havia tomado conta dele. Havia decidido, quase por impulso, deixar tudo para trás: o emprego, os amigos, a cidade. "É melhor recomeçar em outro lugar", dissera a si mesmo enquanto arrumava a bagagem. Mas agora, sozinho no meio do nada, a dúvida o corroía. Será que estava fazendo a coisa certa? Será que era possível deixar para trás o que o coração insistia em guardar?

Lá estava ela, a saudade. Intransigente, como sempre, invadindo cada pensamento. Fechava os olhos e via Márcia. O sorriso dela, o jeito como prendia o cabelo, as risadas que ecoavam pela casa. Tudo parecia tão perto, mas era inalcançável. 

Márcia tinha partido. Não por desamor ou desavença, mas porque a vida, com sua maneira cruel de agir, havia decidido que era hora de levá-la para sempre. Um acidente, um instante, e tudo o que Antero conhecia como felicidade havia se despedaçado.

Desde então, a saudade era sua companheira constante. E a saudade, ele descobrira, não era apenas um sentimento… era uma presença. Ela tinha cheiro, som e até peso. Era teimosa, não aceitava explicações, ignorava o tempo e se recusava a partir. Ele sentia que, a cada quilômetro que dirigia, a saudade ficava mais forte, como se o coração dele estivesse preso a um elástico invisível, puxando-o de volta.

Ele desceu do carro e se sentou na beira da estrada. O vento quente tocava seu rosto, mas não trazia consolo. Olhou para o horizonte mais uma vez, como se a estrada pudesse responder àquela luta interna que o consumia. A razão lhe dizia: "Segue em frente. É o único caminho." Mas o coração, rebelde e insistente, sussurrava: "Volta. Volta para onde tudo começou, para onde está o que te resta dela."

Antero pegou do bolso uma foto amassada de Márcia. Era do dia em que haviam feito uma viagem juntos, a primeira de muitas. Na imagem, ela sorria, com o cabelo bagunçado pelo vento e os olhos brilhando. 

Ele lembrou-se de como ela adorava dizer que as estradas eram metáforas da vida: "Elas sempre levam a algum lugar, Antero. Mesmo que a gente não saiba para onde."

"Mas e quando a estrada não faz sentido?" ele perguntou em voz alta, como se ela pudesse ouvi-lo. O eco de sua voz foi a única resposta.

O tempo passou devagar enquanto ele permanecia ali, imóvel, entre o passado que o puxava e o futuro que o empurrava. Até que, num momento de quietude, algo mudou. Percebeu que a saudade não era a inimiga. Ela era, na verdade, uma prova de que Márcia ainda vivia dentro dele, nas memórias, nos gestos, nos sonhos que haviam compartilhado. A saudade não era para ser combatida, mas entendida.

De repente, a estrada à sua frente parecia menos ameaçadora. Talvez ela estivesse certa; as estradas sempre levam a algum lugar. Talvez o futuro não fosse um abandono do passado, mas uma continuação dele. 

Ele levantou-se, respirou fundo e olhou uma última vez para a foto. Guardou-a no bolso, entrou no carro e ligou o motor.

Dessa vez, não era nem o coração nem a razão que o guiavam. Era Márcia, em cada lembrança, em cada saudade. Ele sabia que nunca a deixaria para trás, porque ela era parte dele — parte do caminho, parte da estrada.

E assim, com um misto de dor e esperança, ele seguiu em frente.

           


TROVAS BRASILEIRAS

 



TROVAS BRASILEIRAS


Amar - a todos é dado.

Basta viver simplesmente.

Mas amar e ser amado

é sina de pouca gente.

CORRÊA JÚNIOR


Amar é o melhor da vida,

mas, bem difícil é achar

amor que em dois se divida

para, depois, se juntar.

AMARYLLIS SCHLOENBACH


Amor, palavra que inspira

todo um mundo de ternura,

no fundo é a eterna mentira,

que não mata, mas tortura.

COLOMBINA


Amar? Amei como um louco!

Se fui amado, não sei...

A vida dura tão pouco

que disso não cogitei.

MÁRIO ROSSI


(LIVRO "MIL TROVAS DE AMOR E SAUDADE")

TROVAS BRASILEIRAS

 


                                           (FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)


TROVAS BRASILEIRAS


Aquela rede que um dia

foi nosso leito perfeito,

hoje balança vazia

na varanda do meu peito.

FRANCISCO JOSÉ PESSOA


Em minha alma ainda perdura,

como um sol resplandecente,

o calor de uma ternura

que vivi intensamente.

GISELDA MEDEIROS


Não reclamo da jornada,

dos problemas que são meus.

Quanto mais íngreme a escada,

mais perto fico de Deus.

FILEMON MARTINS


Atravessando um deserto,

em busca da tua imagem,

ora distante, ora perto,

vislumbro, apenas, miragem.

JOÃO BATISTA SERRA

IPUPIARA DA MINHA INFÂNCIA - PR. CLÓVIS DE SOUSA NOGUEIRA

 

 

IPUPIARA DA MINHA INFÂNCIA

Pastor Clóvis de Sousa Nogueira *

 

Nos dias da minha infância, há cinquenta anos, Ipupiara ainda era uma cidade parcialmente isolada do resto do mundo, não tinha energia elétrica, telefone, televisão, e pouquíssimas pessoas possuíam um rádio de pilha. A comunicação à distância era feita por meio de cartas, que dependendo da localidade demorava até quarenta dias para chegar. As ruas não eram pavimentadas, não havia muitos carros, caminhões ou motocicletas, e os habitantes, principalmente da zona rural, se locomoviam em lombos de animais. Jumentos, cavalos, vacas e galinhas andavam soltos pelas ruas e praças. Na segunda-feira, o dia da feira livre, os moradores da zona rural que vinham comprar e vender produtos, amarravam seus animais em cercas e árvores existentes no entorno da cidade. A compra de mantimentos, como: arroz, feijão, carne, farinha de mandioca, fubá de milho, óleo de cozinhar, sal, pó de café e rapadura, era feita na feira livre ou em pequenas mercearias. Na maioria das casas só havia fogão a lenha, era comum ver mulheres vindo do mato com feixes de lenha na cabeça. As casas eram modestas, construídas com adobe, piso de ladrilho de barro, calçadas de pedra, portas e janelas de tabuas fechadas com tramelas ou trancas. Não havia sanitários como temos hoje, na maioria das casas havia uma privada de buraco, que geralmente ficava no fundo do quintal. A roupa era lavada em locais públicos, como Fonte de Cima e Pau Louro; de onde também se buscava água para os serviços domésticos, carregada na cabeça em latas adaptadas para essa finalidade. A mobília e os utensílios domésticos da maioria das casas eram muito simples, uma mesa com algumas cadeiras ou tamboretes com assentos de couro cru, camas com colchões de palha de bananeira, cabide de madeira, pote de barro, ferro a brasa, pilão, candeeiros a querosene, tacho para torrar café, bule, coador de pano, moinho de grãos, triturador de feijão etc. Não tínhamos o conforto nem a fartura que temos hoje, mas éramos satisfeitos com o pouco que tínhamos. Minha infância em Ipupiara, como a de todos os meninos à época, foi marcada por sabores e brincadeiras inesquecíveis! Comi sonho da Dona Cantú; coloquei sapato debaixo da cama nas noites de natal; soltei bombinha em festas juninas; fui vacinado com “pistola”; joguei bola na rua; comi da merenda escolar preparada pela Dona “Jove”; bati caixa no 07 de setembro; brinquei de “brindjá”; empinei pipa; tomei banho de açude; andei com pernas de pau; fugi dos caretas; brinquei de chicotinho queimado; fiz carrinho de lata, de caixote e de rolimã; banhei na chuva; fiz tapagem de areia na enxurrada; armei fojo e arapuca; joguei pedra com baladeira; fui aluno da Escola Bíblica Dominical (EBD); participei da Escola Bíblica de Férias (EBF); toquei violão, fiz e toquei berimbau...

 

DONA LOVINA

 

É impossível falar da minha infância e da rua do correio onde nasci, sem falar da Dona Lovina. Lavínia Maria de Souza, popularmente conhecida como Dona Lovina, nasceu no povoado de Lagoa do Barro, no dia 29 de agosto de 1921, filha de Antônio Figueiredo dos Santos e Felizbela Maria de Souza. Ainda criança mudou-se com seus pais para o povoado de Caldeirão, próximo a Sodrelândia. Lavínia teve sete irmãos, a saber: Rosalvo Antônio dos Santos (04.11.1920), Aristides Antônio dos Santos (17.02.1924), João Antônio dos Santos (17.09.1926), Carolina Maria de Souza (30.11.1930), Artur Antônio dos Santos (26.09.1931), Salustiano Antônio dos Santos (01.02.1935), Dejanira Maria de Souza (05.12.1938) e Helenita Maria de Souza (14.12.1942). Todos já falecidos, exceto Salustiano Antônio dos Santos. Tempos depois, com a mudança da família para Vila de Jordão, atualmente Ipupiara-BA, Lavínia conheceu José Martins Sodré (Seu Zequinha), com quem se casou no dia 26 de junho de 1940. Após o casamento foram morar no povoado de Olho D`água, município de Ipupiara, onde nasceram os quatro primeiros filhos, a saber: Argileu Martins Sodré (in memoriam), Renilde Nunes Sodré, Gisélia Sodré Martins e Joston Martins Sodré (in memoriam). Tempos depois, vieram morar na cidade, para que os filhos pudessem estudar. Em Ipupiara nasceram mais dois filhos, a saber: Cláudio Martins Sodré (in memoriam) e Maria da Glória Martins Sodré (Dó). Dona Lovina não frequentou a escola, e por muito tempo não sabia ler nem escrever, porém, em 1970 foi alfabetizada pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização, MOBRAL. Dona Lovina não tinha parentesco comigo, nossa identificação limitava-se ao fato de morarmos na mesma rua. Nossa casa ficava contígua à sua, e isso nos possibilitou uma boa convivência. Sua casa era uma extensão da casa dos meninos da rua. Todos os dias uma procissão de menino entrava e saia para comprar os doces que ela fazia. Em seu cardápio havia uma diversidade de doces, doce de coco, doce de batata, doce de buriti e bolo brevidade. Mas o pirulito de melado de açúcar com corante artificial (Q-Suco) e gotas de limão, era o mais procurado. Como era doceira e passava muito tempo à beira do fogão, só se via ela de avental, a peça fazia parte de sua indumentária. Não me lembro de ter visto Dona Lovina sem avental, parece que ela dormia com ele. Além das suas atividades no preparo e venda de doces, ela criava um lindo papagaio, e a criançada da rua se divertia com ele. Pois bem, de tanto o papagaio ouvir a criançada chamar por Dona Lovina, ele aprendeu a chamar também. E fazia isso tão bem que as vezes a deixava confusa sem saber quem estava chamando. Naqueles dias, a música “Cadê você” do cantor Odair José fazia um sucesso tão grande que o papagaio aprendeu cantá-la. Ao amanhecer, do alto de uma goiabeira, ele cantava: “Cadê você, que nunca mais apareceu aqui?”. Eu não sabia o que era marketing, e creio que a Dona Lovina também não, mas penso que aquele papagaio era o seu marqueteiro. Em 2023, logo depois da morte do amigo Cláudio, filho caçula da Dona Lovina, o papagaio morreu aos cinquenta e dois (52) anos. Na minha infância os alimentos tinham cheiro e sabor. O cardápio de todos os dias era basicamente o mesmo: feijão, arroz, ovo ou um pedaço de carne, quando tinha. Como falei anteriormente, nossa casa era vizinha à casa da Dona Lovina, e quando ela estava cozinhando, aquele cheiro agradável chegava até nossa casa, e eu desejava comer da comida que ela fazia. Um dia perguntei à minha mãe por que a comida dela não cheirava como a da Dona Lovina. Ela me respondeu que usava os mesmos temperos, e concluiu, dizendo: “o que faz a comida da Dona Lovina cheirosa é a fome, meu filho”. Ela tinha razão. Como não tínhamos o que comer entre as refeições básicas, na hora do almoço a fome era tamanha que “limpávamos” o prato. Dona Lovina nasceu com tino para o comércio, penso que se tivesse tido oportunidade seria uma empresária de grande sucesso. Além de fazer e vender doces, ela percebeu que na rua do correio havia muitos meninos, e que a maioria deles não possuía bicicleta. Isso despertou o seu lado empresarial, e sem perda de tempo comprou uma bicicleta para alugar. O aluguel era cobrado por minutos rodados. Uns alugavam por dez minutos, outro por trinta minutos e até por uma hora. Num daqueles dias, bem cedo, a fila de meninos já estava enorme, e os primeiros da fila eram Bada de Catarina e Filinto de Justina, os mais traquinas. Dona Lovina chegou com a bicicleta e a caderneta de anotações no bolso do avental. Em seguida marcou o tempo no relógio e liberou a bicicleta para os primeiros da fila. Quando os dois saíram eram nove horas, deveriam retornar às nove horas e vinte minutos. A fila de menino já estava para lá da casa da Dona Chiquinha e seu Zuza. Deu nove e vinte, e nada de Bada e Filintro. Dez horas, e nada. Onze horas, e nada. Dona Lovina já estava aflita, entrava e saia, e nada dos meninos. Às 17h, na esquina do bar de Sebastião (Tião), aparece Bada com uma parte da bicicleta nas costas e Filinto com outra. Chegaram e jogaram o que restou da bicicleta aos pés de Dona Lovina. Ela botou as mãos na cabeça, e disse: “valei-me, minha nossa senhora! O que foi isso, meninos?!”. Naquele dia Dona Lovina ficou brava, coisa que era difícil acontecer, e disse aos traquinas que aquela foi a última vez que eles andaram em sua bicicleta. No dia seguinte, depois da bicicleta arrumada, lá estávamos na fila novamente para mais um dia de aventuras, agora, sem Filinto e Bada. Ainda guardo na lembrança outro episódio engraçado envolvendo o amigo Agnaldo, filho da Dona Justina. Dona Lovina o contratou para fazer um cimentado em seu quintal. Mas, o aspirante à profissão de pedreiro, ao misturar os materiais no preparo da massa, errou na dosagem, colocou muita areia e pouco cimento. Vinte quatro horas depois do serviço pronto, Dona Lovina, após ter lavado algumas peças de roupa, jogou a água no cimentado, que desmanchou completamente. Sem demora, o “pedreiro” foi chamado para explicar o ocorrido. Ao chegar no local, Dona Lovina perguntou o que havia acontecido. Ele disse que não sabia, que o serviço foi feito no capricho. E em seguida perguntou se a água que ela havia jogado no cimentado continha sabão em pó. Ela respondeu que sim. Então, o “pedreiro” constatou o problema, dizendo: “Foi isso, Dona Lovina, não pode jogar água com sabão, cimento não combina com água de sabão”. É claro que Dona Lovina não acreditou. Exigiu que o serviço fosse refeito, e recomendou ao aspirante de pedreiro que colocasse cimento sem pena.

 


Quando me questionam qual a cidade do meu coração, aquela que sinto saudade quando estou longe, não tenho dificuldade em responder. Não consigo viver longe da minha terra, minhas raízes estão aqui, meu amor por ela é radical! Isso me faz lembrar de um fato ocorrido com o irmão Rivanildo Pacheco. Ele me relatou que ao sair de férias, um amigo lhe perguntou onde ele passaria as férias. Sem titubear, respondeu que não iria sair, ficaria em Ipupiara. A resposta causou estranheza ao seu amigo. Então, Rivanildo, concluiu, dizendo: “Se eu estivesse em Paris ou Dubai, ou em qualquer outro lugar do mundo eu viria para Ipupiara, certo? Portanto, já que eu estou aqui, aqui vou ficar”. A razão do amor pela cidade onde nascemos, não está em sua arquitetura, nem no seu clima, ou em qualquer outra coisa, mas nas pessoas que viveram ou ainda vivem ali. Sem essas pessoas a cidade perde o seu encanto. Finalizo essa declaração de amor pela minha querida cidade natal, com as palavras de um poeta, ele disse: “Quando eu penso nas pessoas que eu amo, e que muitas delas não caminham mais, pelas ruas de nossa cidade, nem habitam mais em nossas casas, e nem ouvem mais o nosso canto, mas residem, para sempre, em nossa saudade. Quando penso, tantas mãos que hoje faltam, tantos risos apagados, é em vão guardar pedaços de recordações. Eu me agarro à esperança de nos vermos, caminhando pelas ruas de cristal, na cidade eterna, onde não haverá adeus”. (Paulo Cesar – G. Logos). Alguém disse que: “A saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena”.

 

·    Trecho do livro “O Livro da Minha 

Vida”, do Pr. Clóvis de Sousa 

Nogueira. Ipupiara, 07 de março de 

2026


domingo, 8 de março de 2026

MULHER - ELENAIDE MELHADO MARTINEZ

 



MULHER  (FRAGMENTOS)

Elenaide Melhado Martinez


Mulher, heroína que a luta não teme,

é artista sem nome, é no lar um fanal,

por mais que seja a dor, ela quase não geme,

é força na bonança e paz no temporal.


É um pouco de tudo ao mesmo instante,

mãe, enfermeira, médica, dentista,

esposa, amiga, companheira e amante,

tudo pode, se quer, pois é artista.


É meiga e delicada em seus carinhos,

é forte e decidida em cada ação,

amor e força vão em seus caminhos,

sempre na hora certa estende a mão.


Tem nas mãos o segredo do infinito

pois traz nas entranhas do seu ser

e torna o mundo muito mais bonito

no milagre feliz de conceber.


Tem o mundo nas mãos e sem engano

pode torná-lo muito mais seguro

pois dá à luz pequeno ser humano

e é ela que o prepara pra o futuro.


É jardineira no jardim da vida,

é professora que aos filhos ensina,

sempre contente, nunca está vencida,

por mais idade é sempre uma menina.


É cega e muda quando lhe convém,

outras vezes é surda, que importa?

Se as suas atitudes fazem bem

e seu lar é feliz, isso a conforta.


Defensora do lar a qualquer custo,

guardiã dos seus filhos, sem temor.

Seu julgamento, em tudo, é sempre justo

porque o faz guiada pelo amor.


Se for preciso ela trabalha fora,

completando o sustento do seu lar,

sempre correndo, sem perder a hora,

disposta, não se nega a ajudar.


É lavadeira, às vezes faxineira,

arrumadeira, boa motorista,

passa roupa, é sempre bem ligeira,

crê no futuro, é idealista.


Ao esposo oferece o seu carinho

sua vida, seus sonhos, seu amor,

companheira das lutas do caminho,

a seu lado a enfrentar seja o que for.


Na política sabe ser perfeita

e nela, com disposição se lança,

se pelo povo, um dia, foi eleita,

a ele retribui com esperança.


Sempre levanta de qualquer derrota

e vence a luta, por maior que seja,

ainda que distante, encontra a rota

e no final consegue o que deseja.


Na vida do seu lar é cinderela,

ao mesmo tempo serva e rainha.

Ser mulher é em tudo ser mais bela

pois beleza sem fim nela se alinha.


(LIVRO "CANÇÕES DE ESPERANÇA", PÁGINAS 30/32) 

sábado, 7 de março de 2026

PALAVRAS QUE ME HONRAM SOBREMANEIRA

 




 

DEPOIMENTO DA ESCRITORA DJANIRA PIO

 

Querido escritor, li com muito prazer e admiração o que você escreveu sobre sua vida literária. 

Despertou-me vontade de falar sobre tudo que escrevi. 

Muito lindo o que você escreveu e passei a admirá-lo mais, como autor e também como pessoa.  Sempre tive admiração por sua pessoa: discreta, educada e escritor 

Espero continuar sempre sua amiga, sinto-me honrada. Abraços a você e toda sua família. Boa noite. 

 


POSSO SER MISTÉRIO DE LUA - LURDEZ CASTELHIN

 



"POSSO SER MISTÉRIO DE LUA”

Lurdez Castelhin


Em casa fase

Mostro-me o suficiente...

Sou mulher dual

Sou oposto, contraste

Fases inconstantes, nuances

Ao mesmo tempo

Sou grandeza e pequenez

Sou brabeza e brandura

Sinônimos inocência e candura...

Me dou liberdade e prisão

Liberto-me no amor

Aprisionada na paixão

Posso ser brisa ou furacão

Mesmo sendo dualidade

Tem que ser por inteiro

Não admito metade...

Do nosso altar alado

Sou pureza e pecado

Sou mulher intensa

Que ri e chora

Também barulho ou silêncio

Dependendo da hora...

Portanto...

Por um tempo

Pétalas a desfolhar

Véus acetinados

Veludos dedilhados

Coração a pulsar

Em um momento

Faça-me igual

Um Ser total...

 

DUAS ALMAS - ALCEU WAMOSY

 


                                       (FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)



CLÁSSICOS DA LITERATURA

DUAS ALMAS

Alceu Wamosy

Ó tu que vens de longe, ó tu que vens cansada,
Entra, e sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho.
Vives sozinha sempre e nunca foste amada...

A neve anda a branquear lividamente a estrada,
E a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
Se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã quando a luz do sol dourar radiosa
Essa estrada sem fim, deserta, horrenda e nua,
Podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

UMA LINDA MULHER - TANNY VOIGT

 


                                                (FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)


 

UMA LINDA MULHER

Tanny Voigt

 

.Ela acorda, abre a janela

Saúda o lindo dia!

E está pronta pra viver

Ela é uma mulher!


Sua arma é o batom...

Sorriso enigmático e misterioso

Os homens curvam-se à sua beleza

Ela é uma mulher!


Passos firmes e graciosos

Ela passeia na imaginação dos homens

Seu olhar inspira paixões

Ela é uma mulher!


Sedutora e sensual

Feminina e batalhadora

Sonhadora e corajosa

Ela é uma linda mulher!

 

(FONTE AVBAP)

ESPERANÇA - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

ESPERANÇA

 

Ainda há esperança. Todos se preocupam com o que poderá acontecer no futuro. O panorama nacional e mundial apresenta-se sombrio. Ter esperança é fundamental e indispensável. O Brasil tem um povo esperançoso.


 

Estou em São Paulo. Na última quinta-feira dia 05 de março, entrei na fila do ônibus para ir ao centro da Penha. O ônibus encostou e todos da fila entramos. Sentei-me numa das poltronas perto da porta de saída. Na poltrona da frente estavam dois senhores de cabelos grisalhos conversando (e falavam alto) sobre a situação da política nacional. Falavam que não tinha mais jeito e que tinham perdido a esperança. Talvez naquele momento eles estavam com os pensamentos voltados para as fortes chuvas e na catástrofe que abateu as cidades de Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais.

 Chegamos ao destino, desci do ônibus e fui ao Shopping. Paguei a conta e sentei-me um pouco para descansar nas cadeiras que estavam perto da escada rolante. Foi o tempo suficiente para ouvir três pessoas que também falavam sobre a situação do Brasil. Essas três pessoas estavam animadas e falavam que tinham muita esperança de que a partir do próximo ano tudo vai começar a melhorar. Nesse momento, enquanto descansava, me ocorreu a ideia de escrever algumas palavras sobre o tema que ouvi, Esperança.

 Mas o que significa essa esperança?  Esperança é um termo importante que inspira confiança no futuro, é a expectativa de que a situação vai melhorar. A esperança é uma grande força sentida e demonstrada não apenas pelo desejo de que aconteça algo de bom, mas também vai pelo lado da realização dos motivos que nos levaram a ter esperança.

Há poucos anos, em 2021, eu estava viajando num ônibus da cidade de Utinga para Seabra, na chapada Diamantina, na Bahia. Depois de passar pela cidade de Wagner, a distância para a BR não é muito longa. Entramos na BR-242, seguindo pela faixa da direita o ônibus tomou velocidade em direção a Tanquinho, no Município de Lençóis. Não andou quinhentos metros e ouvimos um forte estampido. O pneu da frente no lado direito furou. E agora? O que fazer? O motorista falou que não estava autorizado a fazer o conserto ou a troca do pneu. Telefonou para a garagem em Seabra e disse que dentro de 20 a 30 minutos o socorro estaria chegando. Houve um misto de alegria e esperança visível no semblante dos passageiros. A esperança raiou, todos ficaram confiantes e o carro-socorro chegou no prazo que o motorista falou. 

         Percebemos que nos tempos atuais todos se preocupam com o futuro, com o que poderá acontecer nos próximos anos. É uma preocupação normal, aceitável e correta, pois a situação política do Brasil não está boa. Há muita confusão política e jurídica. Alguns comentaristas falam que é por causa da tal “polarização política”. Mas, de modo geral, os brasileiros têm esperança de que a situação nacional vai melhorar.

     Pois é. A esperança é comparada como sendo um motor que funciona bem e nos leva para a frente. A esperança nos faz aguardar até conseguir a vitória, conseguir aquilo que precisamos. É necessário ter a esperança firme. Há momentos que só vemos uma única saída, apenas uma solução para o problema que nos aflige.

 Sabe prezado leitor deste artigo, a Bíblia, que é um livro de confiança, tem muito a nos dizer sobre o tema esperança. Citaremos apenas dois versículos:

No Salmo n° 146 e versículo 5 está escrito o seguinte: Bem-aventurada é a pessoa que tem o Deus por seu auxílio e cuja esperança está no Senhor, seu Deus.

Na carta que o apóstolo Paulo escreveu aos Romanos, no capítulo 12 e versículos 12 e 17, assim está escrito: Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação e perseverai na oração. A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas perante todos os homens.

 


Saul Ribeiro dos Santos

Contador e economista aposentado.

Natural de Ipupiara – BA.

📧 saul.ribeiro1945@gmail.com

 


sexta-feira, 6 de março de 2026

MULHER - ALMIR DINIZ

 



                                              (FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)




MULHER 
ALMIR DINIZ


Mulher! Bela invenção, arquipensada
que Deus criou, depois de sábio estudo,
só Ele, que afinal, conhece tudo
poderia compor... essa...danada.

Feita de uma costela retirada
ao solitário Adão, dormido e rudo,
fê-la o Senhor, em plumas e veludo
com missão de amar e ser amada.

E ela, atenta ao ditame do Senhor,
ungiu-se de magia, e fez do amor
o bem maior da vida. E, com perícia

inata e própria, e rara sedução
investiu-se de luz, fez-se atração,
coroando a ternura com malícia.


(DO LIVRO "MULHERES", PÁGINA 34)

HARMONIA - SEBAS SUNDFELD

 



HARMONIA
Sebas Sundfeld

Corpo cor de areia,
olhos cor do horizonte,
sorriso da cor do sol,
movimento leve de brisa
a se espreguiçar pela praia,
toda ela mulher, toda ela envolvente
como o abraço das ondas,
toda ela beleza como o fascínio do céu,
toda ela mistério
como as distâncias do mar.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 384, ORG. DE JOSÉ FELDMAN)

CORPO DE MULHER - ALMIR DINIZ

 


                                    (FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)



CORPO DE MULHER

ALMIR DINIZ



Foi num dia de festa, pompa e riso,

de alegria e lazer... só que faltava

ao Mestre, a obra prima que buscava:

o supremo projeto e decisivo.



Juntou elos esparsos... – era preciso

produzir algo raro, e pesquisava... –

uniu luz, cor e massa... e não achava

o toque especial, definitivo.



Por fim, mentalizou, o que queria

e sorriu. Sua bela obra, viva e pura,

chegara. E superava a ideia em tudo.



Deu-lhe formas sutis, doce e magia

e malícia divina... Era a escultura

um corpo de mulher... pleno e desnudo!


(DO LIVRO "MULHERES", PÁGINA 28)