domingo, 16 de agosto de 2026

SALMOS DE DAVI RIMADOS (SALMO 23) - GERALDO PERES GENEROSO (IN MEMORIAM)

 


                   (FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM)



SALMOS DE DAVI RIMADOS (SALMO 23)

  GERALDO PERES GENEROSO IPAUSSU SP.

 

SENHOR, que é o meu pastor e me sustenta,

plácido, em prados verdes faz deitar-me.

Conduz-me às águas que a alma dessedenta

e pelas vias retas me orienta.

Nem a sombra da morte me é alarme.

 

Não temo mal algum, estou Contigo,

seguro, me protege o teu cajado,

e até, se em meu encalço, o inimigo,

ameaçar-me com a vida em perigo,

ainda assim a ti estou confiado.

 

De júbilo meu cálice está pleno,

aprendi a beber Tuas alegrias.

E sob o Teu teto sinto-me sereno,

sob o qual habitarei por longos dias.

 

(Do livro SALMOS DE DAVI RIMADOS, VOLUME 1, GERALDO PERES GENEROSO, 1ª EDIÇÃO-2008, PÁGINA 29)      

O TEAR DO HORIZONTE E O SOPRO DE IDRIS - JOSÉ FELDMAN

 




O Tear do Horizonte e o Sopro de Idris


José Feldman

  

Aproxime-se, ó Sheik, pois para entender o voo, é preciso conhecer as mãos que deram alma aos fios. O criador daquela maravilha não era um mercador de posses, mas um humilde zahid (eremita) chamado Idris, que vivia em uma caverna nas Montanhas de Qaf, onde as nuvens tocam a terra.

 

Idris não buscava ouro, mas o conhecimento místico. Ele passou quarenta anos em isolamento, observando como as águias cortavam o vento e como a luz do alvorecer se entrelaçava com a névoa dos vales.

 

Ele não usava lã de ovelha comum. Dizem que Idris subia ao pico mais alto durante as noites para colher os fios de prata que a lua deixava cair sobre os despenhadeiros. Para as cores, ele não usava pigmentos de mercado; ele colhia o azul do céu refletido nas águas de um lago sagrado e o dourado do último raio de sol antes do crepúsculo.

 

O tear de Idris era feito de madeira de sidra (árvore celestial), e cada vez que ele passava a lançadeira, ele sussurrava uma evocação divina. Ele não estava apenas tecendo um objeto, estava tecendo uma confiança. Ele dizia que o tapete não voaria por causa de magia negra, mas por causa da leveza da alma de quem o comandasse.

 

'Este tapete', dizia Idris aos poucos que o visitavam, 'é um espelho do coração. Se o coração for pesado como o chumbo da ganância, o tapete será como uma pedra. Se o coração for leve como a provisão dado por Alá aos pássaros, o tapete será como uma asa.'

 

Quando o tapete ficou pronto, ele brilhava com uma luz que cegava os desonestos. Idris o entregou a um viajante pobre, pedindo apenas que ele o usasse para espalhar a misericórdia pelo mundo. Infelizmente, através de gerações de cobiça e trocas indignas, o tapete acabou nas mãos de Mansur, o mercador que vocês conheceram na história anterior.

 

Mustafá limpou o suor da testa e olhou para as mãos calejadas dos súditos, concluindo com sua sabedoria:

 

 

"O ensinamento desta história, ó nobres ouvintes, é que a obra reflete o sani. Tudo o que criamos com pressa e desejo de lucro desaparece com o tempo, mas o que é feito com excelência e devoção carrega uma centelha de eternidade. O tapete de Idris falhou com o ladrão porque o roubo é uma âncora de ferro, e ninguém pode alcançar a elevação enquanto carregar o peso do que tirou de outrem.”



(FONTE: "ECOS DO DESERTO", DE JOSÉ FELDMAN)



FESTA DE LUZ - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES

 




 

FESTA DE LUZ

Antônio Carlos Côrtes



Férias noturnas.
Sacada praia  Salinas
Sobre as dunas
Olhava luz
Em meio relevo Corcel
Cavalo branco  crinas
Vejo lança S. Jorge
Atenção na lua
Espelho do sol reluz
Astro  rejeitou amante
Esta chorou lágrimas
Muita dor, fez marés
Inundou rios e o mar
O amor acontece
Bem longe do mirante
Escondido na sombra
Brumas, anoitece
Na areia ato de amar
Sem ninguém zombar
Lágrimas da luz
Nos corações
Se transformam
Filhas estrelar
Cobrem o bar bem longe
Do Leblon
Lente zoom
No céu de neon
Em pleno levante
Colado no Morro
Dois irmãos
Garçom, mais um!

Côrtes. 14.08.2026


sábado, 15 de agosto de 2026

TROVAS - ESCADA - FILEMON MARTINS

 




TROVAS – ESCADA

            Filemon Martins


E colhe amor à vontade

quem aprendeu conviver,

que a própria felicidade

é pelo amor convencer.

 

Planta a paz, planta carinho

quem cultiva só o bem.

Nunca se sente sozinho,

nunca magoa ninguém.

 

A semente da bondade

floresce no coração,

para o bem da Humanidade

o amor não faz distinção.

 

Quem semeia em seu caminho

bondade, paz e perdão,

espalha amor, de mansinho,

ajudando o seu irmão!


NO TOPO:


QUEM SEMEIA EM SEU CAMINHO

A SEMENTE DA BONDADE

PLANTA A PAZ, PLANTA CARINHO

E COLHE AMOR À VONTADE.

            Filemon Martins









TERRA RARA - JOAQUIM RODRIGUES DE NOVAIS

 




 

TERRA RARA

Joaquim Rodrigues de Novais


 

Ipupiara, rocha de águas cristalinas,
       maravilhosa terra fértil da Chapada
                       Diamantina.
       Cidade pacata do interior da Bahia,
      nosso querido Sertão, sessenta e oito
       anos de emancipação, é um cantinho
             da Bahia em comemoração.
        
       São lindas suas Serras nessa época,
     um céu azul anil,

cachoeiras e cascatas
      preservamos nossas matas,

somos um povo varonil.

     Antigo Fundão, depois Jordão, hoje Ipupiara, onde
             pode estar firmada em Rochas 

de Terras Raras.
                   
                 Entre outras mil tu és amada
             terra rara do Brasil.

Parabéns!

 

                 IPUPIARA, 05/08/2026


OBS.: O excelente poema do poeta Joaquim Rodrigues de Novais já estava comigo, mas em virtude de minha internação, só agora pôde ser publicado.    
               


HOMENAGEM AOS PAIS - PR CLÓVIS NOGUEIRA

 




HOMENAGEM AOS PAIS

Pr Clóvis Nogueira



Ao longo dos anos que já vivi, compreendi que todo homem, mesmo sem escrever uma única palavra em um pedaço de papel, é um escritor. Isso mesmo, um escritor do livro da sua própria vida.
Lembro-me de quando participei da cerimônia fúnebre de uma pessoa muito querida em minha cidade. Observei que os condolentes faziam a leitura das páginas do livro que aquela pessoa havia escrito nos corações deles. As páginas falavam de honestidade, humildade, sinceridade e muitas outras virtudes. Aquela experiência marcou a minha vida para sempre. Ali, na casa do luto, considerei que a vida de todo homem pode ser comparada a um livro — não um livro físico como este, mas um escrito nas tábuas do coração das pessoas com as quais convivemos. Chegará o tempo em que não estaremos mais aqui; todavia, o livro da nossa vida continuará e, da forma como vivemos, assim será lido. O sábio rei de Israel disse: “O justo anda na sua integridade; felizes lhe são os filhos depois dele. A memória dos justos é abençoada, mas o nome dos ímpios apodrecerá” (Provérbios 20:7; 10:7). É possível para um homem continuar falando depois da sua morte? Sim, é possível! “... Abel, mesmo depois de morto, ainda fala” (Hebreus 11:4).

Hoje, aos 59 anos de idade, cheguei à conclusão de que já escrevi muitas páginas no livro da minha vida, e creio que ainda escreverei mais algumas. Minha oração é para que Deus nos capacite nessa tarefa e que nossos filhos se alegrem quando ouvirem a leitura do livro das nossas vidas.


(Trecho do livro, “O LIVRO DA MINHA VIDA”)
Pr. Clóvis Nogueira



NOTA DO BLOG LITERÁRIO: O texto já estava comigo. Ocorre que passei o Dia dos Pais, no hospital. Daí, o atraso na publicação. 


AGRADECIMENTO - FILEMON MARTINS

 




 

AGRADECIMENTO

 

Estive internado no hospital Nipo Brasileiro, dias 6 a 14 de agosto de 2026, onde fiz uma cirurgia no pé direito.

Agradeço a Deus, que me permitiu continuar por aqui mais um pouco; à família, que se fez presente fisicamente e em orações. À equipe do hospital, médicos, enfermeiras, técnicos, auxiliares, pessoal da copa, da limpeza, enfim todos que adentraram ao quarto 360 do hospital naquele período.

Agora, a recuperação continua em casa com medicamentos, curativos e acompanhamento médico.

Lembrando a poetisa Stela Câmara Dubois: “Oh! Que me falte o amparo nos escolhos,

falte-me o pão e a luz dos próprios olhos,
PORÉM, NUNCA ME FALTE A GRATIDÃO!

 

                               Filemon Martins

 


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

HOMENAGEM A DONA ZÊNIA - JOSÉ BRITTO BARROS

 




HOMENAGEM A D. ZÊNIA

JOSÉ BRITTO BARROS

 

RASTILHOS DE TUA LUZ AURIFULGENTES
BRILHAM DIZENDO QUE TU FOSTE EMBORA
DESSE FULGIR FICAMOS NÓS CARENTES
E PARA TI COMEÇA A NOVA AURORA!


DEIXASTE-NOS EXEMPLOS EXCELENTES
DE UM VIVER LINDO; E ESTÁS NO CÉU AGORA...
TEU MUNDO VIU AS FORMAS DIFERENTES
DO TEU AGIR E TUA PARTIDA CHORA.


TODA A ESPERANÇA QUE MANTINHAS VIVA
PERMANECEU VIBRANTE, FORTE E ATIVA
E A TUA FÉ FOI FIRME ATÉ O FINAL!


HOJE PARTISTE PARA O ETERNO ABRIGO
A VIVER JUNTO AO TEU MAIOR AMIGO,
E ASSIM TEU GALARDÃO É MAGISTRAL!


João Pessoa, 9 de novembro de 2012

INDELÉVEIS - DELMINDA SILVEIRA DE SOUSA

 




INDELÉVEIS

Delminda Silveira de Sousa


Da juventude minha, fortes, vivos,

indeléveis, fieis, profundos traços,

Ecos dos sonhos meus, nos brandos laços

De simples versos tímidos, cativos;


Convosco, gratos sonhos redivivos

Da Poesia aos mágicos abraços,

Quero este livro abrir, e dos regaços

Da alma soltar meus cantos expansivos.


Corações que sofrestes sem conforto,

Almas que um ideal chorastes morto,

Como, perdido o meu, chorando o vi.


Eis o livro querido da minha alma:

Buscai consolação, conforto, calma

Nos indeléveis que vos deixo aqui!


(FONTE: "A FIGUEIRA", 2001, PÁGINA 11) 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

QUESTÃO DE SORTE - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 



QUESTÃO DE SORTE
MÁRIO BARRETO FRANÇA


De onde vem a ventura dos felizes?
O gozo desta vida em que consiste?
Se na alma do feliz há cicatrizes...
Se na ânsia da fartura o riso é triste...

Não há feitos heroicos sem deslizes;
O coração mais crente no erro insiste;
Na história humana a cor criou raízes
E o Mal vem contra o Bem, de lança em riste.

Na terra nada é justo nem completo;
Não há futuro garantido, exceto
O do destino universal da morte.

Se a alegria do mundo é enganadora,
Na vida improdutiva ou promissora,
Glória ou fracasso é uma questão de sorte.


(VEJO A GLÓRIA DE DEUS, PÁGINA 132)

FELIZ - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 




FELIZ
Mário Barreto França


Feliz daquele que chegou ao meio
do seu abençoado itinerário,
sem mágoas, sem rancores, sem receio
da dor ou do suplício de um calvário...

Feliz o que ajudou o esforço alheio,
acendendo da fé o alampadário,
e teve a recompensa e o grato enleio
de festejar o seu cinquentenário...

Feliz quem pode envelhecer sorrindo,
sob o pálio das bênçãos, sob o lindo
docel das doces preces dos contritos...

Feliz és tu que, em pura consciência,
podes descer a encosta da existência
para o vale virente dos benditos!


(O LOUVOR DOS HUMILDES, PÁGINA 38)

FUGA - DIVENEI BOSELI

 


           (FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM-SP)




F U G A

Divenei Boseli/SP



Fugindo à solidão, a largos passos,

nos braços da ilusão fui por aí,

fingindo a exatidão com que senti

a túrgida emoção de outros abraços.


Burlando a perdição, feito um saci,

ergui nova paixão sem embaraços,

forjando a frouxidão dos nervos laços

depois da ebulição que consegui.


E gozo em cada corpo, em cada cama,

o autêntico prazer que só quem ama

conhece, e só acontece isso, porque


em cada boca estranha eu bebo um pouco

do fel com que matei, num gesto louco

o louco amor que eu tive por você.


 (TROVARIEDADES 92)

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

AS DUAS FLORES - CASTRO ALVES

 


                       (JARDIM DA LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)



AS DUAS FLORES
Castro Alves


São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo, no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!