sábado, 25 de julho de 2026

VEELHO MAR - FILEMON MARTINS

 




VELHO MAR
Filemon Martins


                 
Nasci longe do mar, mas seduzido
por seu fascínio belo, encantador,
fico ouvindo, na praia, o seu gemido
e os madrigais de um velho pescador.


Mas às vezes me sinto assim perdido
como um barco singrando sem motor,
ouço as ondas num grito dolorido,
uma angústia que cala a própria dor.


Vejo, da praia, a imensidão do mar,
as ondas que o rochedo vêm beijar,
depois, voltam serenas sem rancor.


Cada onda que vem morrer na praia,
parece a minha vida que desmaia
ao pensar em perder o teu amor.

PRECE DA ÁRVORE - WALTER ROSSI

 




PRECE DA ÁRVORE

WALTER ROSSI  (Eu o conheci no Movimento Poético Nacional - SP e na União Brasileira de Trovadores, Seção de São Paulo, quando fazia parte e frequentava as reuniões destas agremiações. Rossi nos deixou e já está no andar de cima).



Ser humano: protege-me!
Junto ao puro ar,
Da manhã ao crepúsculo,
Eu te ofereço:
Aroma, flores, frutos e sombra.

Se ainda assim não te bastar,
Curvo-me e te dou:

Proteção para teu ouro,
Pinho para tua nota,
Teto para teu abrigo,
Lenha para teu calor,
Mesa para teu pão,
Leito para teu repouso,
Apoio para teus passos,
Bálsamo para tua dor,
Altar para tua oração.

E te acompanharei até a morte.
Rogo-te: não me maltrates!

QUEM FOI OSCARINO JOSÉ DOS SANTOS? - FILEMON MARTINS

 


 (FOTO ENVIADA POR OSCAR FILHO, DO IPUPIARA NEWS, NO INSTAGRAM)



QUEM FOI OSCARINO JOSÉ DOS SANTOS?

Filemon Martins

 

Segundo Arides Leite Santos, em seu livro IPUPIARA & IBIPETUM, ¨Oscarino José dos Santos, mais conhecido como ¨Oscazão¨, o 5º prefeito do município de Ipupiara, nasceu em Gameleira (atual Ibipetum), em 02/01/1929, filho de José Carlos dos Santos e Zulmira Alves dos Santos. Mudou com seus pais para Ipupiara em 1936, tendo frequentado escolas da época, sem contudo, terminar os estudos primários. Muito inteligente, esse detalhe não lhe impediu de se tornar mais tarde um forte comerciante em Ipupiara”.

Consta ainda do livro que foi um dos primeiros cidadãos de Ipupiara a possuir um caminhão Chevrolet¨.

Casou-se com Avani Rodrigues dos Santos, carinhosamente conhecida como dona Nega. Juntos tiveram os filhos, Oscar Filho Rodrigues dos Santos, José Carlos Neto dos Santos, Washington Rodrigues dos Santos, Lorivaldo Rodrigues dos Santos, Djalma Rodrigues dos Santos, Evanir Rodrigues dos Santos, Osvany Rodrigues dos Santos, Deysione Rodrigues dos Santos, Dayane Rodrigues dos Santos e Diane Rodrigues dos Santos.

São seus irmãos e irmãs: João, Adão e Carlos; Maria, Alice (dona Licinha), Petronília, Zilda Alves, Jesuína, Nair, Edite e Beatriz.

Homem de extraordinária visão para negócios, comprava produtos de agricultores mesmo antes da colheita. O produtor lhe informava que naquele ano havia plantado mamona, fumo, milho, feijão, mandioca ou qualquer outro produto e ele perguntava: - você precisa de dinheiro? E já adiantava parte do pagamento da futura colheita. No caso da mandioca, o produto final era a farinha e a tapioca. Conta-se que comprava, inclusive, estrume de gado, cabra, para usar na agricultura ou mesmo revender para terceiros. Além do seu caminhão Chevrolet, que era sua atividade principal de comércio, comprava e transportava produtos de outros centros, especialmente de Feira de Santana, Vitória da Conquista e de algumas cidades de Minas Gerais, possuía roças, onde criava gado.  

Humanitário, jamais deixou de ajudar pessoas carentes de uma forma ou de outra. Com esse prestígio, iniciou desde cedo sua militância política, elegendo-se Vereador na primeira Legislatura de 1959 a 1962. É oportuno lembrar que os dois maiores polos políticos do Município são Ipupiara (antigo Jordão) e Ibipetum, (antiga Gameleira) e como Oscarino era natural de Ibipetum, agora residindo e forte comerciante em Ipupiara, não foi difícil conseguir o consenso dos políticos para a sucessão do prefeito Osvaldo Leite da Silva que terminou em 06/04/1973 e o lançou como candidato único a prefeito da cidade, elegendo-se para o período de 07/04/1973 a 31/01/1977.

Com o seu caminhão Chevrolet transportava também pessoas que precisavam se locomover para outras cidades, como Morpará, Brotas, Oliveira de Brejinhos, entre outras. Essa época as estradas eram um terror para os motoristas da região. A pobreza era severa e imperava no Sertão da Bahia. Não havia eletricidade, Sobradinho não existia, não havia a ponte em Ibotirama, sobre o rio São Francisco, não havia a BA-156 que liga o entroncamento da BR a Ipupiara passando por Brotas de Macaúbas, mas acho que hoje (2026) com a pavimentação esteja em melhores condições. Não havia a BR-242 que liga Salvador a Brasília. As condições eram adversas, mas ainda assim o Chevrolet do senhor Oscazão, como era chamado, vencia as distâncias.

Oscarino José dos Santos faleceu em 24 de agosto de 1994, conforme cópia da certidão de óbito em poder do autor.

 

 

 

Agradecimentos: Osvany Rodrigues dos Santos (ninha, filha) e ao primo Izidoro Novais pelas informações prestadas, sem as quais seria impossível escrever este texto.      

 

(LIVRO “CAMINHOS DO JORDÃO DA BAHIA”, PÁGINAS 127/128)

sexta-feira, 24 de julho de 2026

SEJA O COMANDANTE DAS SUAS FINANÇAS -SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

SEJA O COMANDANTE DAS

 SUAS FINANÇAS

 

               

 

      Estamos dentro do tema finanças. Os economistas afirmam que finanças é a ciência da administração do dinheiro. Podemos esticar essa afirmação e dizer que é a ciência da administração do dinheiro pessoal, do dinheiro da família e também do dinheiro das empresas. É preciso  considerar que no caso da administração do dinheiro das instituições públicas, o  volume ou a quantia é muito grande. O Ministério da Fazenda que o diga. O dinheiro público abrange o dinheiro dos Municípios, dos Estados e na esfera Federal.

    Ao longo dos anos muito se tem falado sobre finanças e principalmente nestes últimos anos. Jornais, emissoras de rádio, televisão e os canais da rede social na internet têm dedicado espaço de muitas páginas e espaço de tempo nas emissoras de rádio, TV e canais na internet. A administração pública tem ganhado furo de reportagem por boas ou más notícias. Quando administra bem, com elogios. Ou quando administra mal, com críticas.

       Ao entrar em qualquer livraria, física ou virtual, vamos encontrar um número crescente de livros, revistas e reportagens com comentários sobre o assunto abordado neste tema. O objetivo deste artigo é alertar e dar informações que poderão auxiliar a você, prezado leitor, a exercer o comando  no controle do seu dinheiro, dos seus recursos financeiros (sejam poucos ou muitos).

      Dinheiro é o instrumento de compra dos povos civilizados para adquirirem as coisas necessárias para a manutenção das suas famílias. Muitas pessoas usam o dinheiro (ou o crédito) até para comprar produtos supérfluos, dos quais não têm real necessidade, isto é, podem passar sem os produtos que compram por mero impulso.

Os tempos atuais exigem sabedoria, inteligência e cautela para administrar o dinheiro. Veja essa bela e útil recomendação:

“O dinheiro é um legado que vem de Deus. Não nos pertence para gastá-lo na satisfação do orgulho ou da ambição. Nas mãos dos filhos de Deus é alimento para o faminto e roupas para o nu. É uma defesa para o oprimido, um meio para restituir a saúde do enfermo ou de pregar o evangelho”. (1)

       Porque no Brasil e no mundo há muitas pessoas passando necessidades básicas? A resposta pode parecer simples, mas não é necessariamente por falhas nas políticas públicas. A razão e a resposta básica é porque milhões de pessoas no Brasil e no mundo não sabem comandar as suas finanças. Assim entram em desequilíbrio financeiro, entram para o grupo dos inadimplentes. E pior ainda: muitos em desespero. Qual a razão que leva muitas pessoas a essa situação?

      A economia do nosso País está passando por momentos difíceis, isso não é desconhecido para ninguém. As previsões de médio e curto prazos não são boas. Os preços dos serviços profissionais (pedreiro, eletricista, mecânico, marceneiro, corte de cabelo, e outros) estão subindo e muito.

       O ideal é não formar dívidas. Não tomar dinheiro emprestado para pagar dívidas, formando assim novas dívidas. Há exceções, pois há momentos que é necessário juntar as dívidas, formando uma só. Há momentos que convém formar uma dívida com prazo mais esticado e portanto com parcelas mais baixas, mas vinculado à imediata quitação da dívida anterior.

       Seja o comandante do seu dinheiro, que muitas vezes é ganho com muito trabalho duro e de modo suado. Há um ditado popular que diz:

“Qualquer pessoa pode começar uma tarefa, mas só as corajosas e inteligentes a terminarão bem. Vemos que é fácil comprar a crédito e fazer dívidas. O difícil é terminar de modo satisfatório”.

        Muitas pessoas se tornam pobres, muito pobres por não saberem ou por não exercerem o comando do seu dinheiro. Gastam mal. Fazem aplicações financeiras em instituições não confiáveis, fazem aportes na ocasião desfavorável. Muito cuidado! A melhor decisão é poupar gastando menos do valor que você consegue ganhar mensalmente. Portanto, seja o comandante das suas finanças.

 __________________

  (1) Livro:  A Ciência do Bom Viver, pág. 287. Ellen G. White.

 

 


Saul Ribeiro dos Santos

Contador e economista aposentado

Natural de Ipupiara – BA.

saul.ribeiro1945@gmail.com

 


O VASO DE BARRO E A ESTRELA DE AL-THURAYYA - JOSÉ FELDMAN

 




O Vaso de Barro e a Estrela de Al-Thurayya


José Feldman
 


   

"Preparem os lenços de seda, pois agora Mustafá evocará uma história de amor profundo e provação, que corre pelas ruelas de Bagdá como um rio de lágrimas e esperança. Esta é a crônica de um sentimento que ousou desafiar o destino divino.

 

Nas terras de um Vizir cujo coração era mais duro que a pedra das montanhas, vivia um escravo chamado Zayd. Ele não possuía riqueza, apenas a força de seus braços e a pureza de sua alma. Sua tarefa era cuidar dos jardins do palácio, onde as rosas exalavam um perfume que parecia vir do paraíso.

 

Aconteceu que a filha do Vizir, a Princesa Laila — cujo nome significa 'noite' e cujos olhos brilhavam como a lua cheia —, costumava caminhar entre as flores. Zayd, ao vê-la, sentiu uma afeição tão avassaladora que suas mãos tremeram ao podar os espinhos. Ele sabia que era apenas um vaso de barro diante de uma estrela distante, mas o amor não pede licença ao governante para entrar no peito.

 

Laila, percebendo a doçura nos gestos do escravo, também se apaixonou. Eles trocavam olhares de confiança e pequenas palavras em segredo. Mas o Vizir e sua esposa, tomados pelo orgulho, tratavam Zayd com extrema crueldade. Se uma pétala caísse fora do lugar, Zayd era castigado com o chicote. Eles o chamavam de 'pó da terra' e o obrigavam a trabalhar sob o sol escaldante sem uma gota de água.

 

Certo dia, o Vizir descobriu uma carta que Laila escrevera para Zayd. Tomado por uma fúria cega, ele ordenou que o escravo fosse lançado no calabouço mais profundo. 'Como ousa um escravo olhar para o céu?', gritava ele. Laila foi trancada em sua torre, definhando em tristeza, recusando-se a comer ou sorrir.

 

Zayd, na escuridão da cela, não sentia ódio, apenas fazia sua súplica. Ele pediu a Alá que, se não pudesse ter Laila nesta vida, que sua alma fosse um pássaro para cantar na janela dela. 

 

Naquela noite, dizem que um milagre aconteceu: as correntes de Zayd se transformaram em fios de seda. Ele não fugiu, mas caminhou até o jardim uma última vez.

 

Lá, ele encontrou a Princesa, que havia escapado por uma corda feita de seus próprios véus. Eles se abraçaram sob a luz das estrelas, mas o Vizir e seus guardas logo os cercaram com espadas desembainhadas. No momento em que o Vizir ia desferir o golpe, o chão tremeu.

 

Diz a lenda, ó Sheik, que o Oásis dos Espelhos — do qual lhes falei — manifestou-se ali mesmo. O Vizir olhou para o chão e viu seu reflexo: um monstro de espinhos. Horrorizado com sua própria imagem, ele caiu em prantos, pedindo perdão. A pureza do amor de Zayd e Laila havia quebrado a dureza daquela pedra.

 

Zayd não foi apenas libertado; ele foi nomeado guardião do Grande Jardim, e o Vizir aprendeu que a verdadeira honra não está no sangue, mas na capacidade de amar sem medidas."

 

Mustafá limpou o canto do olho com a ponta do turbante.

 

Vejam bem, ó nobres senhores: A verdadeira honra de um homem não é tecida com fios de ouro ou títulos de governante, mas com a pureza de sua intenção. O mundo pode olhar para um escravo e ver apenas um vaso de barro, mas se esse vaso estiver cheio de amor verdadeiro e paciência, ele terá mais valor que uma coroa cravejada de diamantes que guarda um coração de pedra.

 

Nunca desprezem aquele que parece pequeno aos vossos olhos, pois o destino divino adora elevar os humildes e humilhar os soberbos. No fim das contas, diante do Criador, não somos medidos pelo que possuímos na mão, mas pelo que carregamos na alma. O amor é a única força capaz de transformar o barro em estrela.'



(FONTE "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)


quinta-feira, 23 de julho de 2026

DIAMANTES - CARLOS RIBEIRO ROCHA

 


                                  (FOTO DE SAUL RIBEIRO DOS SANTOS)





DIAMANTES

Carlos Ribeiro Rocha




Ousado e firme, o garimpeiro busca,
no seio virginal do solo amado,
a gema rara, que deslumbra e ofusca,
apagando as agruras do passado...



É grande a luta, cansativa e brusca,
tirando rebos, colocando ao lado...
Mas eis que surge a pedra que corusca,
da terra mãe - o fúlgido legado.



Aquela joia pondo sobre a palma,
o altivo garimpeiro sente na alma
a brisa da ventura, tão serena!



Também o bardo, com valor e calma,
um verso vai buscar no fundo da alma,
coberto ainda de saudade e pena!



(ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL, VOLUME 4, 1979, PÁGINAS 64) º

SIMPLICIDADE - CARLOS RIBEIRO ROCHA -

 




SIMPLICIDADE
                        Carlos Ribeiro Rocha

Convidado para ouvir
um talentoso e nobre expositor,
a fim de ser “persona grata”,
tive de usar o paletó
e uma cumprida gravata.

A tudo mesmo ouvi, desajeitado,
pois, melhor que a verborragia,
adoro a filosofia
da humildade.

Esta, minha gente, na verdade
é o envoltório
que oculta, às vezes, a sabedoria...

E o trovador assim brada,
num tom que por certo agrada:
            No Sertão, terra pacata,
            ouço coqui, curió,
            sem aperto de gravata,
            sem peso de paletó.

(Do livro MEDITAÇÕES, LIÇÕES, página 20)

SONETO MONTANHÊS - CARLOS RIBEIRO ROCHA

 




SONETO MONTANHÊS

Carlos Ribeiro Rocha 


Neste soneto montanhês que faço
quero lembrar queridos companheiros
caminhos sinuosos onde passo
ouvindo o linguajar dos garimpeiros.


Falam eles das glórias, dos fracassos
dos seus momentos mais alvissareiros,
das ¨corredeiras¨ feitas por seus braços,
para ali batear meses inteiros...


Mas, uma cena me ficou na mente
que considero a foto permanente
da vida campesina do Sertão:


Enquanto a fonte chora na vertente,
um sabiá gorjeia bem contente
sobre o velho ingazeiro do grotão.

O GRITO DO POETA - FILEMON MARTINS

 




                     O GRITO DO POETA

                           Filemon Martins

             

No meu viver de cidadão, proscrito,
carrego a dor imensa do Universo.
Meu canto desolado traz, aflito,
as tristezas do mundo controverso.

De desespero clamo, sofro e grito,
tudo em vão, pois o povo está imerso
na inépcia política do mito,
- não compreende mais o que é perverso.

A Esperança se esvai a cada aurora,
o poder corrompido se agiganta,
parece não haver outra saída...

Meu protesto, em verdade, não tem hora,
minha voz de poeta ainda espanta
os vendilhões da Pátria adormecida!

quarta-feira, 22 de julho de 2026

A ÁRVORE QUE FALA - JOSÉ FELDMAN

 





A Árvore que Fala


José Feldman

  

"Preste atenção, ó Sheik de Bagdá, pois o que floresce no centro do Oásis dos Espelhos desafia a compreensão dos homens de pouca fé. Ali, onde as águas do autoconhecimento se encontram com a areia sagrada, ergue-se a Shajarat al-Hikmah (Árvore da Sabedoria).

 

Ela não tem folhas de clorofila, mas sim de papel fino como pergaminho, translúcido e prateado. O tronco é de um ébano tão escuro quanto a noite sem lua, e suas raízes bebem diretamente do reflexo das almas.

 

Dizem as lendas que esta árvore não fala com uma língua de carne. Quando o vento do deserto sopra entre seus galhos, as folhas não balançam, elas sussurram. Mas o som que emitem não é o de palavras comuns; é o som da verdade que cada homem tenta esconder de si mesmo.

 

Se um homem carregado de pecados se aproxima, a árvore emite um som de trovão retumbante, que ecoa em seu peito como o bater de um tambor de guerra. O som diz: 'Até quando fugirás da tua própria sombra?'. O barulho é tão forte que o pecador muitas vezes cai ao chão, sentindo o peso de suas escolhas.

 

Mas, se um homem virtuoso senta-se sob sua sombra, a árvore canta. É uma melodia de uns (intimidade espiritual) que lembra o riso de uma criança ou o som de uma fonte no paraíso. Para esse homem, as folhas de pergaminho começam a mostrar escritas em caligrafia de luz. São respostas para perguntas que ele ainda nem ousou fazer.

 

Vi um jovem poeta que perdera a esperança aproximar-se da árvore. Ele chorava, pois sua musa havia partido. A árvore, em um gesto de misericórdia, deixou cair uma única folha em seu colo. Nela, não havia poemas de amor terreno, mas uma única rememoração que dizia: 'O que você procura, procura por você'. Naquele momento, o jovem compreendeu que a beleza que ele buscava fora não era nada comparada à que Alá plantara dentro de sua alma.

 

A árvore é a guardiã do oásis. Ela sabe quem mentiu no Mercado de Silêncio e quem foi sincero com o mercador cego. Ela é o eco da consciência humana amplificado pelo silêncio do deserto.

 

Muitos tentaram levar uma folha daquela árvore para Bagdá, ó Sheik. Mas, assim que cruzam a fronteira do oásis, o pergaminho se transforma em cinzas. Pois a sabedoria da árvore não pode ser possuída, apenas vivenciada no momento de presença absoluta."

 

Mustafá fechou os olhos por um instante, como se ainda ouvisse o sussurro das folhas prateadas.

 

Escutai com vossa alma, ó buscadores da luz, pois o balançar das folhas da Shajarat al-Hikmah (Árvore da Sabedoria) traz uma lição que nenhum livro pode conter sozinho.

 

A moral desta história, ó Sheik, é que a verdade não é algo que se busca no mundo exterior com gritos e demandas, mas algo que se escuta no silêncio do próprio peito. A árvore não falava palavras novas; ela apenas devolvia aos homens o eco de suas próprias consciências. Para o injusto, a verdade soa como um trovão aterrador, pois ele teme o que esconde; para o justo, ela é uma música suave, pois ele vive em harmonia com o seu Criador.

 

Muitas vezes, passamos a vida tentando colher os frutos do conhecimento alheio, mas esquecemos que a sabedoria não pode ser roubada ou transportada como mercadoria em uma caravana. Ela deve ser vivenciada na presença do momento. Quem busca a verdade com orgulho encontrará apenas cinzas, mas quem se senta sob a sombra da humildade verá que a vida inteira é uma escrita de luz feita por Alá.



(FONTE "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN) 


PAZ - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES

 




PAZ

Antônio Carlos Côrtes * 

Ao Prof. Sergio Bicca


Quero meus pulmões
Inspirando todo ar
Do mundo
Com  força de vulcões
Peito inflado no lar
Preciso toda energia
Da  Floresta Amazonica
Para poder gritar
Alto e bom som e tom:

"Quero paz de criança
Dormindo
Quero flores se  abrindo"

Caminhos coloridos
Ornando trilhas
Veja bem meu rapaz
Minha menina
Quero apenas paz
Veja a estrela que brilha
Sabe meu senhor
Palavra paciência
Tem paz como ciência
Na Páscoa
Coamos a paz
Ao início da 2.a guerra
Jornal estampou
Estourou a paz.


* (DA ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS)