terça-feira, 26 de maio de 2026

QUANDO A NOITE... - FILEMON MARTINS


 



        QUANDO A NOITE...
  
                    Filemon Martins



Quando a noite chegar, a mesma lua 
há de brilhar, serena, em meu semblante 
e, andando, solitário, pela rua 
hei de lembrar do meu passado errante.
 

E no meu peito uma saudade tua 
há de apertar meu coração amante 
e ficarás a sós na noite crua, 
se de mim continuares tão distante.
 

Se quiseres que eu vá, estou partindo, 
melhor sofrer do que viver fingindo, 
que o nosso amor foi brisa passageira.
 

E quando a lua brilhar mais uma vez, 
não sofrerei de amor, porque talvez, 
- uma paixão não dure a vida inteira!

ROSA DE ESPINHOS - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 



ROSA DE ESPINHOS

Mário Barreto França


Dizes sorrindo que a mulher é rosa

de folhas e de pétalas macias,

que, como um sonho, toda venturosa,

do homem na vida lhe perfuma os dias.


Ah! doutra forma não contemplarias

a flor que representas, caprichosa,

cujo perfume é incenso de alegrias

que alguém que te ama, respirando goza!


Mas... encantada do teu próprio encanto,

tu te esqueces, talvez, que tens espinhos

como todas as rosas... E, portanto,


Sorris na indiferença das mulheres...

Mas eu te quero sempre em meus caminhos,

apesar dos espinhos com que feres.


(LIVRO "DE JOELHOS", PÁGINA 143)

MANHÃ DE MAIO - OLAVO BILAC

 






PRIMEIRO SONETO DE BILAC PUBLICADO NA IMPRENSA:


MANHÃ DE MAIO


Lá fora, a natureza, alegre e verdejante,

Expande-se ao calor do sol da primavera...

Gorjeia a patativa um canto inebriante,

E como que sorri contente o azul da esfera.


Parece que a campina, esplêndida e brilhante,

Em vestir-se de rosa e de jasmim se esmera,

Como a noiva gentil que, trêmula e hesitante,

Com cuidado se veste e o lindo noivo espera...


E enquanto, em frente a mim, duas pombinhas mansas,

Mais brancas que a alma ingênua das crianças,

Conversam sobre o amor, beijando-se em delírio...


Eu penso em ti, compondo esta canção florida,

Que quisera enviar-te, oh! minha flor querida!

Escrita a tinta azul nas pétalas de um lírio.



(LIVRO "VIDA E POESIA DE OLAVO BILAC", PÁGINA 43, DE FERNANDO JORGE)



segunda-feira, 25 de maio de 2026

TROVAS DO FILEMON

 



TROVAS DO FILEMON


O vento que vem do mar
entre as folhas e arvoredos
parece até soluçar
murmurando seus segredos.

                    Num vaivém sibila o vento
ruge forte a tempestade,
- e o som parece um lamento
de quem chora de saudade.

Ouço o marulhar das águas
varrendo a areia da praia,
só não varre aquelas mágoas
que em meu viver fez tocaia.

Lê e escreve o tempo inteiro
algo mais edificante...
É assim CARLOS RIBEIRO
ROCHA altaneira, pensante.

ESCADA DE TROVAS - FILEMON MARTINS

 




ESCADA DE TROVAS

Filemon Martins
           

Não machuca, só faz bem
viver em paz, meu irmão,
que a colheita sempre vem
com uma boa plantação.

Que este gesto comovido
de amar pela vida afora,
possa ser correspondido
antes que a luz vá embora.

Crer e amar, como ninguém,
já nos basta nesta prece,
que a nossa fé vai além...
Jamais a dor prevalece.

Um exemplo a ser seguido
por todos nós nesta vida:
crer e amar – olhar erguido
mesmo após a despedida.

NO TOPO:
UM EXEMPLO A SER SEGUIDO
CRER E AMAR, COMO NINGUÉM,
QUE ESTE GESTO COMOVIDO
NÃO MACHUCA, SÓ FAZ BEM.

MINHA CASA - CARLOS RIBEIRO ROCHA

 



MINHA CASA

CARLOS RIBEIRO ROCHA


É pobre e tosca a minha casa e sem
sofás macios, leitos chumaçados,
sem ornamentos nem jardins, porém
mais bela que os palácios decantados.

Pouco importa que a vejam com desdém
os fúcaros mandões e potentados
que gozam sem o Cristo um falso bem
e são, por fim, eternos condenados.

Só tenho em minha casa o necessário:
a mesa, o meu grabato e um tosco armário
e os livros, meus amigos estimados,

junto aos quais tenho dias fulgurantes,
enquanto os sonhos deles bem distantes
vão se tornando turvos e apagados...

HISTÓRIA DE VIDA DE MÁRIO RIBEIRO MARTINS, CONTADA POR ELE MESMO.

 


HISTÓRIA DE VIDA DE MÁRIO RIBEIRO MARTINS, CONTADA POR ELE MESMO


Nasci em Ipupiara, Bahia, no dia 07 de agosto de 1943. Filho de Adão Francisco Martins e Francolina Ribeiro Martins. Fui alfabetizado pela minha tia, Almerinda Ribeiro e pela professora Miriam Ribeiro Barreto, irmã de um dos primeiros médicos de Brasília, Dr. Isaac Ribeiro.

Em Morpará, na Bahia, estudei com a professora Zélia Magalhães, de saudosa memória e terminei o primário com a professora Maria Jerônima Magalhães Mariani, conhecida como professora "DONA".

Em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, estudei no Ginásio Bom Jesus, do saudoso Dr. Antonio Barbosa, mas terminei o curso no Ginásio São Vicente de Paulo, tendo sido Orador da Turma e, pelo primeiro lugar, ganhei uma viagem a Salvador, Capital do Estado, acompanhado das freiras do Colégio.

No Recife, Pernambuco, em 1963, estudei no Colégio Americano Batista, onde concluí o curso clássico, tendo como colegas, entre outros, o poeta Marcus Acciolly. Ainda no Recife, terminei o curso de Bacharel e Mestre em Teologia, no Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, onde também fui Professor. Na Universidade Católica de Pernambuco, concluí o curso de Filosofia Pura. Na Universidade Federal de Pernambuco, terminei o curso de Sociologia e Ciências Sociais. Fui Professor da Universidade Católica do Recife e da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Escrevi para os jornais DIARIO DE PERNAMBUCO, JORNAL DO COMMERCIO e JORNAL BATISTA, este, do Rio de Janeiro. Fui consagrado Ministro Evangélico, tornando-me Pastor Batista no Recife, graças à instrumentalidade da missionária Zênia Birzniek.

No Recife, em 1971, nasceu minha primeira filha, Nívea Zênia dos Santos Martins. Em 1975, mudei-me para Anápolis, como co-pastor da Primeira Igreja Batista e Professor da Faculdade de Filosofia. Em 1978, após ter concluído o curso de Direito, na Faculdade de Direito de Anápolis, fiz concurso público para Promotor de Justiça, atividade na qual permaneço. Em Anápolis, em 1977, nasceu a minha segunda filha, Nívea Keila dos Santos Martins.

Em 1989, casei-me com a estudante, hoje Juíza de Direito, Dra. Amália de Alarcão Ribeiro Martins. Escrevi os seguintes livros: GILBERTO FREYRE, O EX-PROTESTANTE; MISCELÂNIA POÉTICA; SOCIOLOGIA DA COMUNIDADE; ESBOÇO DE SOCIOLOGIA; BREVE HISTÓRIA DOS BATISTAS DE PERNAMBUCO (em co-autoria com Zaqueu Moreira de Oliveira); FILOSOFIA DA CIÊNCIA; SOCIOLOGIA GERAL & ESPECIAL; JORNALISTAS, POETAS E ESCRITORES DE ANÁPOLIS; ESTUDOS LITERÁRIOS DE AUTORES GOIANOS; ESCRITORES DE GOIÁS; DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE GOIÁS (NO PRELO).

Além de Promotor de Justiça, sou Presidente da Federação das Instituições Culturais de Anápolis. Membro da Academia Goiana de Letras, Cadeira 37. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, da União Brasileira de Escritores de Goiás e da Associação Goiana de Imprensa.

Este é o resumo da minha história de vida.


(Mário Ribeiro Martins deu o seu depoimento para o Museu da Pessoa em 9 de maio de 1997 através do nosso site na Internet)


Obs.: Mário Ribeiro Martins escreveu e publicou 36 livros e faleceu em 18/03/2016.

TROVAS DO FILEMON

 




               TROVAS DO FILEMON
 


A manhã nasce sorrindo, 
o orvalho pousa na flor, 
e o dia fica mais lindo 
se estás aqui, meu amor.
 

Passam gaivotas voando, 
o céu azul é um lençol, 
casais na praia se amando 
sob os olhares do sol.

 

              A noite nunca foi feia, 
              embora traga saudade, 
              quando vem a lua cheia                 mostrando felicidade... 

TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

 




TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA



Eis a norma a ser seguida
por quem quer viver em paz:
receba as lições da vida,
dê seu exemplo aos demais.

Nuvens passam pelo céu,
de luz existe escassez,
mas, afastado esse véu,
mostra o céu a limpidez.

Vejam que belo trabalho!
- Nos arbustos, velhos ninhos
são rosas em cada galho
com corolas de pauzinhos...

TROVAS DE EDUARDO V. VISCONTI

 



TROVAS DE EDUARDO V. VISCONTI

Da rua bela e curtinha,
chamada felicidade,
vê-se outra longa e sozinha,
que dei nome de saudade...

Minha vida é longa rua
cheia de abismos medonhos,
nela um gênio mau atua,
matando todos meus sonhos!

Bahia, rincão amado,
de céu sempre tão azul,
só penso em ti, exilado
nos pagos tristes do Sul.

O GRITO DO POETA - FILEMON MARTINS

 




             O GRITO DO POETA

                     Filemon Martins

             

No meu viver de cidadão, proscrito,
carrego a dor imensa do Universo.
Meu canto desolado traz, aflito,
as tristezas do mundo controverso.

De desespero clamo, sofro e grito,
tudo em vão, pois o povo está imerso
na inépcia política do mito,
- não compreende mais o que é perverso.

A Esperança se esvai a cada aurora,
o poder corrompido se agiganta,
parece não haver outra saída...

Meu protesto, em verdade, não tem hora,
minha voz de poeta ainda espanta
os vendilhões da Pátria adormecida!

domingo, 24 de maio de 2026

SOTAQUES SINFÔNICOS - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES


 


SOTAQUES SINFÔNICOS

Antônio Carlos Côrtes *

Noite  8 maio 26
Casa da OSPA lotada
Paulo Dorfman
Sinfonia carnaval
Feliz da vida quase desmaio
É muita alegria
Foram três movimentos
Ritmo brasileiro
No varal
Diria Jackson do Pandeiro
Tudo é coco!
Espetáculo harmônico
Segue Alexandre Ritter Contrabaixo em Concerto
Blues daquele jazzista
Incomoda o racista
Hampton, Ellington e Baker
Encantada viagem d'alma
Lembrando-nos a transição
Afinal magistral Harpa.
Será que no céu ouviremos
Orquestras  música erudita?
Regente Manfredo, cuja palma
Desenhou no ar Bernstein
Oitiva de olhos fechados
Violinos  lembravam ciganos
Violoncelo  quase calados
Mas acordados pela flauta
Lembrei  passeio em Inhotim
Com solo de oboé
Sublinhado pelo flautim
Festa fizeram clarinete
Somados ao fagote
Fixo na Trompa
Espaço para trompete
Lentamente abri os olhos
Ouvindo Trombone
Tuba
Tímpano
Toda percussão vem
Pensei estar a sonhar
Mas sem querer acordar
O paraíso é aqui
Porto Alegre é o Éden!

*DA ACADEMIA RIO-GRANDENSE DE LETRAS


EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA DO MUNDO - FILEMON MARTINS

 



 

EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA DO MUNDO

Filemon Martins

 

 

Estamos testemunhando uma revolução tecnológica fantástica no mundo. Este avanço da tecnologia tem nos trazido muitas coisas boas, outras nem tanto. O mundo está mudando numa velocidade extraordinária.

Hoje, resolvi ativar meu lado obtuso: ando me esforçando para aprender a lidar com o moderno, tentando, aos poucos, me adaptar aos novos tempos. Entre as coisas positivas, com o advento da internet, há que se mencionar a rapidez das comunicações, a precisão das imagens transmitidas. Com um clique é possível saber o que acabou de acontecer, fatos e datas históricas, além da interação social entre os indivíduos. Há inúmeros benefícios na medicina, educação e trabalho. O conhecimento se tornou mais democrático, desde que se possa pagar e caro pela internet. Novas frentes de trabalho foram criadas e vem se transformando numa força dinâmica na educação da sociedade. Mas, como sou das antigas, quase obsoleto, acho que há certo exagero em algumas coisas. Já é sabido que o uso prolongado pode gerar dependência em alguns indivíduos, afetar a saúde com dores musculares, estresse interferindo entre o trabalho profissional e a vida pessoal. Pessoalmente. por exemplo, meu cérebro se nega a aprender dialogar com robôs. É certo que existem robôs humanos e máquinas. Não importa, não consigo me relacionar com ambos. Outro dia, por mensagem fiz uma pergunta à operadora de saúde, na qual sou conveniado: - “vocês fazem o exame de Cintilografia? Se sim, em qual unidade”? A resposta chegou em seguida com uma pergunta: - “Em que podemos ajudá-lo”? Pronto, fiquei empacado. Como vou explicar, se a minha pergunta foi bem clara e em bom português?  Mas tem coisa pior: com uma consulta agendada com antecedência, fui ao hospital e me apresentei, fornecendo RG, CPF, carteira do convênio, mas o pessoal exige o reconhecimento facial pelo celular. Ora, fiquei imaginando, devo ser um idiota, será que fui fazer turismo no hospital?

 Outra coisa que o meu cérebro se nega a aceitar. Vou ao restaurante e não há livro ou caderno cardápio, mas há um QR Code para visualizar o cardápio, via celular. Se estou acompanhado, tudo bem, mas se estou sozinho, ali não fico, procuro outro restaurante, onde eu possa ler e escolher.

Alguns ricaços no mundo com o advento da (I.A) Inteligência Artificial, já apregoam a possibilidade de substituir trabalhadores, professores, pela IA, como se fosse um benefício para a sociedade. Esquecem que as máquinas precisam de humanos para acioná-las. Alunos precisam ser educados e educar é uma tarefa inerente ao professor. Já estamos sentindo os efeitos da falta de educação que os pais, em casa, deveriam dar. Hoje, estamos presenciando crianças, jovens e adolescentes carentes, inseguros, sendo induzidos à brincadeiras extremas que, em alguns casos, levaram à morte, embora em casa, não lhes falte nada. Outros, tornaram-se assassinos da própria família.

Há, por outro lado, impactos ambientais se não houver descarte adequado para todo este lixo eletrônico. No Brasil e em outros países também a desigualdade social dificulta o acesso à tecnologia que, pode gerar desequilíbrio na educação de alguns alunos, ficando uns com mais oportunidades que outros.

Mas, vamos em frente porque a mudança é irreversível. Salve-se quem puder!