terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O BRASIL DE LUTO - FILEMON MARTINS

 



O BRASIL DE LUTO

Filemon Martins



Em certa ocasião, o ministro CELSO DE MELLO, do Supremo Tribunal Federal deixou o Brasil de luto, dizendo: “O STF NÃO PODE SUBMETER-SE Á VONTADE DE MAIORIAS CONTINGENTES".

De lá pra cá, a situação só piorou. A chamada “Suprema Corte” nunca foi tão pequena quanto agora.

Mas, queira ou não, pode submeter-se aos caprichos do poderio econômico dos políticos do PT. Pobre Brasil! Até o Judiciário Federal dobra-se aos mandos e desmandos dos que desgovernam o país. Parece que o povo brasileiro ainda tem que protestar muito para fazer do Brasil, um país decente, justo e imparcial, porque não há dúvida, para muitos políticos brasileiros, o crime compensa e muito.

Diante do que ocorreu no carnaval do Rio de Janeiro, com exaltação à corrupção desenfreada, ao escrever estas linhas, o coração aperta, quase sem forças, sem esperança no futuro para nossos filhos, filhas e netos e eu me lembro do poema A IMPLOSÃO DA MENTIRA, do saudoso Poeta AFFONSO ROMANO DE SANTANA, cujo primeiro fragmento transcrevo:

A IMPLOSÃO DA MENTIRA

Affonso Romano de Santana


Mentiram-me. Mentiram-me ontem

e hoje mentem novamente. Mentem

de corpo e alma, completamente.

E mentem de maneira tão pungente

que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.

Não mentem tristes. Alegremente

mentem. Mentem tão nacional/mente

que acham que mentindo história afora vão enganar a morte eterna/mente.


Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases falam. E desfilam de tal modo nuas que mesmo um cego pode ver

a verdade em trapos pelas ruas.


Sei que a verdade é difícil

e para alguns é cara e escura.

Mas não se chega à verdade

pela mentira, nem à democracia

pela ditadura.

                    *****

Assim, o Brasil caminha para o caos, numa repetição triste e vergonhosa do que já vimos e assistimos.

Empresas centenárias estão falidas, como a ECT (correios), que já esteve no topo da eficiência, e agora, amarga um período de desânimo entre os seus funcionários. Postei um livro no dia 16/12/2025 para Feira de Santana, na Bahia. Até hoje, dia 17/02/2026 não chegou. Não se trata de um fato isolado, há outros livros até para São Paulo, na mesma situação. Foi apenas um exemplo corriqueiro.

O pior é que pessoas que estão levando dinheiro de poderosos, tentam nos convencer de que o Brasil está no rumo certo, como se fossemos um bando de idiotas e imbecis.

Acorda, Brasil!


A BEBEDEIRA... MAIS OU MENOS - JOSÉ FELDMAN

 



 A BEBEDEIRA... MAIS OU MENOS


José Feldman


TROVA DE MIGUEL 

RUSSOWSKY (1923 - 2009)


- Não bebo mais!... - diz o 

Souza,

com intentos bons e plenos.

Discorda deles a esposa:

- Não bebe mais... e nem menos!







Numa pequena cidade cercada por montanhas, vivia o Souza, um homem com um coração enorme e um apetite ainda maior por cervejas artesanais. Todo fim de semana, ele se juntava aos amigos na taberna local, onde as risadas e as histórias aconteciam em meio a canecos tilintando. Mas, como toda história divertida, havia uma reviravolta.

Certa manhã, Souza acordou com um leve mal-estar; sua cabeça parecia uma panela de pressão prestes a estourar. Ao olhar no espelho e se deparar com o seu reflexo horrendo, ele fez uma resolução importante:

— Não bebo mais! — declarou para si mesmo, como um verdadeiro homem de coragem.

Quando sua esposa, Dona Marta, entrou na cozinha com um sorriso, ele se sentiu inspirado a compartilhar sua nova decisão.

— Querida, não bebo mais! Acabou a farra! — anunciou, como se tivesse acabado de ganhar um campeonato mundial.

Marta, que conhecia bem o marido e suas "resoluções", arqueou uma sobrancelha e respondeu:

— Não bebe mais… e nem menos!

Souza deu uma risada nervosa, como quem tenta achar graça em um assunto delicado. Ele sabia que Marta, com seu senso de humor afiado, estava apenas começando. 

— Olha, amor, o que aconteceu foi só uma noite ruim. Amanhã vou fazer tudo diferente! — tentou ele, segurando uma fatia de pão com manteiga.

Mas Marta não era mulher de se deixar enganar por promessas de um marido crica. 

— Ah, claro, a mesma história de sempre… — disse ela, cruzando os braços. — Lembremos da sua "resolução" do mês passado, quando você disse que pararia de comer doces. Como foi mesmo? Comprou um bolo só para “ver como estava”?

Souza tentou esconder um sorriso. Era verdade: ele havia comprado um bolo e esquecido da dieta. Naquele momento, decidiu que precisava de um plano mais sério.

— Então, vou fazer um desafio! — anunciou, com os olhos brilhando. — Uma semana sem álcool! Se eu conseguir, você me dá $50!

Marta, divertindo-se com o entusiasmo do marido, apenas balançou a cabeça.

— Que tal um concurso? Se você não beber durante uma semana, ganha um prêmio. Mas se falhar, você vai ter que lavar toda a louça da casa por um mês.

Num impulso de coragem, Souza topou. O desafio estava lançado! No dia seguinte, ele acordou se sentindo um verdadeiro atleta. Fez uma caminhada até o mercado e logo passou pela seção de bebidas. Tentou desviar o olhar, mas a seção parecia brilhar como um farol em meio à névoa!

— Um refrigerante é só pra refrescar! — pensou ele, enquanto pegava uma lata de guaraná. — Isso conta como não beber, certo?

Toda vez que um amigo o convidava para um "pizzaiada com a loira", Souza se lembrava do desafio e inventava desculpas:

— Preciso ajudar minha esposa a organizar a gaveta de talheres, e você sabe como isso é importante!

Os dias passaram e, embora estivesse seguindo à risca seu desafio, Souza estava prestes a sucumbir. Um sábado à tarde, ele e Marta foram ao parque, e lá estavam seus amigos, rindo, se divertindo e bebendo.

“Só um gole”, pensou ele. Mas ao se aproximar, foi recebido com um brinde caloroso.

— Vem, Souza! O refrigerante é só para os fracos! 

Nesse momento, uma inundação de lembranças das risadas e das conversas animadas fez seu coração palpitar. Olhou para Marta, que apenas ergueu uma sobrancelha, e decidiu que não poderia quebrar sua promessa.

— Não, pessoal, estou firme e forte na minha resolução! 

Os amigos ficaram impressionados, e os preparativos do “grande desafio” se tornaram ainda mais épicos, com todos eles se unindo a ele em apoio. Para não perder o espírito da festa, eles começaram a inventar bebidas "não alcoólicas" divertidas, como "suco de uva em copos de cerveja".

Aquela noite, no entanto, não terminaria sem os clássicos desafios e uma piada. No meio da festa, um amigo levantou seu copo de suco de uva e declarou:

— A esse herói que não bebe mais! Que a gente nunca tenha que olhar para cima na prateleira de bebidas!

Todos riram, e Souza se sentiu como um campeão. Finalmente, quando as risadas cessaram, Marta se virou para ele e disse:

— Como se sente, Dr. Souza?

— Como um verdadeiro campeão! — ele sorriu, já se imaginando com o prêmio em mãos.

No dia de pagamento do desafio, a primeira coisa que Souza fez foi ir ao mercado com Marta. Ao chegarem na seção de bebidas, ele hesitou e deu uma risada nervosa.

— Olha, querida, estou muito animado por ter conseguido! Ele não existe mais…

Marta deu um tapinha no ombro dele e respondeu:

— Muito bem, meu amor! Só não esqueça que agora você participa de um novo desafio: não comer sobremesas por um mês!

E assim, o ciclo de desafios do Souza continuou. Afinal, se não podiam se livrar das tentações da vida, pelo menos poderiam fazer isso juntos, rindo e se divertindo!

           

 


CURVA DO CAMINHO - FILEMON MARTINS

 




       CURVA DO CAMINHO
                           Filemon Martins


Eis-me chegando à curva do caminho,
onde vejo os escombros do passado:
a casa em que nasci, cresci, malgrado
o quarto de dormir em desalinho.

Não me faltou, porém, muito carinho
vivendo no Sertão injustiçado,
onde o “mandante”  sempre desalmado
faz o povo sofrer, no Pelourinho...

No entanto, a vida é bela e deslumbrante,
mesmo que a estrada se apresente escura
sempre brilha uma luz ao viajante...

...E quando eu me tornar uma saudade,
minha alma esquecerá  a desventura
para cantar, em verso, a Eternidade!

TROVAS DOCE ACONCHEGO - ORG. DE JOSÉ FELDMAN

 




TROVAS DOCE ACONCHEGO Nº 4, ORG. DE JOSÉ FELDMAN.


Ao homem, por Deus, foi dado,
astúcia e simplicidade
e por isso, abençoado,
com o dom da piedade.
    Fabiano Wanderley-Natal/RN

Na minha vida pacata
que levo desde menino,
tenho sido um acrobata
no circo do meu destino.
    Filemon Martins-São Paulo

Deus, garimpeiro maior,
vai, no seu mister profundo,
salvando o que há de melhor
pelos garimpos do mundo...
    Flávio Roberto Stefani-Porto     Alegre/RS

Aquelas nuvens esparsas
nos horizontes risonhos
bem parecem lindas garças
no lago azul dos meus sonhos.
    Francisco Alcaniz (Chico         Traíra)-Assu/RN, 1926 – 1989

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A GRANDE DECISÃO DO CIENTISTA DR. OSWALDO CRUZ - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

 

A GRANDE DECISÃO DO CIENTISTA Dr. OSWALDO CRUZ

 

Nesta semana vamos colocar de lado os assuntos da vida política brasileira. Todos percebem que em matéria de política e justiça o Brasil não passa por bons momentos. 



No século passado o Brasil apresentou e ainda continua apresentando grandes nomes no campo das ciências médicas. Isso é muito importante para o Brasil e para o mundo. É necessário dizer que nos últimos dias muita gente aqui no Brasil foi envolvida ou influenciada pelas festas do rei momo. Até o presidente da República foi influenciado. O carnaval deixou um rastro de alegrias e ilusões para uns e de tristezas e também ilusões para outros. Todos percebem que o Carnaval acaba incentivando excessos e bebedeiras, o que pode gerar desentendimentos e episódios de violência. 

Mas, ainda bem que o nosso assunto aqui é outro bem diferente. Oswaldo Cruz foi um garoto paulista que nasceu em 1872 na cidade de São Luiz do Paraitinga, no interior do Estado de São Paulo. Anos mais tarde a família mudou-se para o Rio de Janeiro e o garoto Oswaldo Cruz foi morar em terras cariocas. 

Naquele tempo o Rio de Janeiro era a cidade mais populosa e mais desenvolvida do Brasil. Quando ainda era jovem ele decidiu estudar, se preparar e fazer pesquisas no sentido de combater doenças epidêmicas graves que afligiam e dizimavam o povo brasileiro. 

O jovem estudou, passou nos testes e em 1887, com 15 anos de idade, ingressou no curso de medicina da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. 

Em 1896 foi para a França com a finalidade de prosseguir nos estudos científicos. Em Paris, o jovem estudou no Instituto Pasteur. Em 1899 retornou ao Brasil e se dedicou aos estudos e trabalhos de combate a epidemias. Podemos afirmar que os cientistas Emílio Ribas, Vital Brazil e Adolpho Lutz foram contemporâneos do Dr. Oswaldo Cruz. 

Todos foram médicos especialistas em saúde pública que ajudaram o Brasil e deixaram um grande legado para as gerações futuras. No início do século XX a epidemia de peste bubônica assolava a cidade de Santos, cidade portuária onde desembarcavam muitos estrangeiros. 

Naquele início de século Oswaldo Cruz defendeu a ideia de que a epidemia da peste só poderia ser controlada com a descoberta e fabricação do soro cientificamente adequado. Assim, ele sugeriu ao governo federal instalar um instituto com centros de pesquisas tendo em vista o objetivo proposto. A partir da aprovação da ideia apresentada pelo Dr. Oswaldo Cruz, foi criado o Instituto Soroterápico do Rio de Janeiro. Mais tarde foi melhorado e ampliado, passando a ter o nome Fundação Oswaldo Cruz. 

Hoje esse Instituto detém alta tecnologia que ajuda e fortalece o SUS - Sistema Único de Saúde.  


                     Fundação Oswaldo Cruz - RJ.

Oswaldo Cruz reorganizou os setores da saúde pública no Brasil, formou equipes de trabalho e combateu doenças epidêmicas, como peste bubônica, febre amarela, varíola e outras doenças que deixavam famílias apavoradas e muito aflitas. Ele esteve à frente e liderou grupos de profissionais da medicina combatendo a grande quantidade de ratos que proliferavam de modo assustador por toda parte. Liderou grupos nos trabalhos de pesquisas e produção do soro antiofídico específico. Trabalhou em conjunto com outros cientistas pesquisando, planejando e executando ações importantes para combater epidemias e restaurar a saúde pública no Brasil. 

Ao ler e pesquisar sobre a vida e decisões do nosso grande cientista, que foi o Dr. Oswaldo Cruz, verifiquei com prazer o interesse e dedicação que ele demonstrou em descobrir remédios para a cura de muitos males físicos que debilitavam muitos brasileiros. Foi nesse ponto que me lembrei do interesse de Jesus em socorrer e curar as pessoas. Na Bíblia Sagrada, o livro de São Mateus no capítulo 9 e versículo 35 traz informações sobre a atitude de Jesus para com as pessoas doentes.


 


Saul Ribeiro dos Santos - Contador e economista aposentado.

Natural de Ipupiara - BA. saul.ribeiro1945@gmail.com


PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 






PERSPECTIVAS ANTROPOLÓGICAS.

Mário Ribeiro Martins*



A suprema floração da natureza é o homem. Uma transição completa ocorre na escala da natureza. Essa transição finaliza com os seres dotados do espírito, depois de passar pelos seres que são matéria pura até os seres materiais caracterizados pela vida e pelo instinto.
No escalonamento da natureza há três mundos:
1) O mundo inorgânico que é constituído de elementos materiais que possuem determinadas qualidades, como a forma, o peso, a força, o tamanho, a extensão etc.
2) O mundo orgânico animal que se distingue do mundo inorgânico porque possui vida e instinto.
3) O mundo orgânico animal que, dotado de vida e de razão, além do espirito, se distingue dos dois mundos anteriores. Este terceiro mundo é única e exclusivamente do homem, que não é pura vida, não é pura razão e não é puro espírito.
Na escala da natureza, portanto, o homem é formado de corpo e alma, em termos de dicotomia. De corpo, alma e espírito, em termos de tricotomia.
A partir daí há os valores materiais e espirituais que caracterizam o homem. Entre os valores espirituais, destacam-se: inteligência, bondade, solidariedade etc.
Intimamente relacionado com o homem está o espírito que é a sua energia pensante. Daí argumentar Aristóteles que “a alma é o principio da vida, do pensamento, enquanto considerada realidade”.
Em sua obra PAIXÕES DA ALMA, afirma Descartes: “A alma é de uma natureza que não tem nenhuma relação com a extensão, nem com a dimensão ou outras propriedades da matéria de que o corpo é composto”.
A Antropologia Filosófica Espiritualista destaca a imortalidade da alma. Conforme ela, o espírito sobrevive à desintegração do corpo. A alma ou o espírito é a realidade pensante do individuo que é o seu Ego puro e profundo, distinto do próprio corpo.
Várias são as concepções filosóficas sobre o homem, destacando-se, no entanto, as seguintes:
1)PERSPECTIVA GREGA. Ao contrario do entendimento cristão que concebia o homem como criado à imagem e semelhança de Deus, os gregos entendiam os deuses à imagem e semelhança do homem. No sentido de fazer o homem superior aos deuses, era desenvolvido o processo educacional. O homem era considerado superior, desde que se caracterizasse pela coragem, pela agilidade, pela força e pelo poder. No entanto, o homem comum ou escravo não podia possuir essas características, porquanto não era filho dos deuses.
Sócrates, na tentativa de formular uma moral racional, dá também uma nova dimensão ao conceito de homem que deixa de ser a supremacia do pensamento. Não mais pela força seria o homem reconhecido, mas pela sabedoria, pelo conhecimento.
O NOUS ou o LOGOS (RAZÃO) e não ARETÉ (FORÇA) seria decisivo para o homem compreender a vida, o mundo e as coisas.
Antes, ele teria de dominar o mundo pela força (ARETÉ). Agora, ele pode dominar pela razão (LOGOS). Aliás, foi pela sabedoria que a Grécia conquistou o mundo. Antes era o SER FORÇA, agora era o SER RAZÃO.
Conforme a concepção grega, o homem era analisado na base das relações com os deuses. Enquanto Sócrates partiu da Ética, Platão partiu da Ideia e Aristóteles do Primeiro Motor. Assim, não havia uma vinculação umbilical entre o homem e o criador. A estrutura metafísica, portanto, em termos de perspectiva grega concebia o homem na base de uma visão geral do universo.
2) PERSPECTIVA CRISTÃ. Ao contrário do entendimento grego que concebia os deuses à imagem e semelhança do homem, os cristãos entendiam e, de fato, entendem o homem à imagem e semelhança de Deus. Tal como no sistema filosófico grego, a doutrina cristã analisa o homem na base de uma visão do universo, só que a essência humana tem a sua origem no Deus onipotente que criou não só o céu e a terra, mas também os seres racionais e irracionais.
Na concepção cristã, a relação do homem com o criador é intima. Há duas fases nesse relacionamento: Na primeira fase, o homem é apenas criatura de Deus e nesta posição estão todos os homens. Na segunda fase, o homem pode tornar-se filho de Deus e para alcançar esta posição há uma condição SINE QUA NON que é a aceitação do filho de Deus, conforme se lê nos Evangelhos: “A todos quantos o receberem deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”.
A relação entre o homem e o criador é tal que este (Deus) assume a forma humana, donde a narrativa sagrada: “O Verbo se fez carne para habitar entre nós”.
No sistema dicótomo, o corpo e alma são duas substancias que unidas resultam uma terceira substancia que é o homem. No sistema tricótomo, o corpo, a alma e o espírito são três substancias que unidas formam uma quarta que é o homem. Na verdade, o homem está reduzido à alma e nesse caso não possui substancia, mas a Substância.
Por isso, conforme a perspectiva cristã, a essência do homem, enfim, sua substancialidade, está na alma imortal. O laço que une o homem com Deus constitui a base de toda a antropologia.
O nome usualmente dado ao homem, no original hebraico, expressa perfeitamente este laço duplo: ADÃO é aquele que foi tirado da ADAMAH (terra), um ser frágil e efêmero. ADÃO, portanto, não é o nome de um homem, mas designa a espécie humana coletivamente. O entendimento cristão se fundamenta no Velho e Novo Testamento para ter a perfeita ideia do homem.
No Velho Testamento, por exemplo, o homem é uma criatura e esta afirmação é a base de todo o ensino acerca do homem. São elementos constitutivos do ser vivo, de acordo com a tradição Vetero-Testamentaria: a carne, o espírito, o coração. A carne é chamada de PÓ, na linguagem mítica e poética. O espírito é uma realidade de ordem mais psicológica. O coração responde ao conceito de alma.
No Novo Testamento, no entanto, o homem é protagonista da Historia Sagrada. São elementos constitutivos do ser vivo, de acordo com a tradição Neo-Testamentaria: o corpo, a alma, a inteligência, a carne. O corpo é o organismo constituído. A alma é a vida humana individual do sujeito consciente. A inteligência é a manifestação mais inferior da pessoa humana. A carne é a palavra para designar o homem natural, fraco, incapaz. (FILOSOFIA DA CIÊNCIA, Goiânia, Oriente, 1979, página 189).



MÁRIO RIBEIRO MARTINS - ERA PROCURADOR DE JUSTIÇA E ESCRITOR.

(LIVRO "ENCANTAMENTO DO MUNDO E OUTRAS IDEIAS" EDITORA KELPS - 2009 - GOIÂNIA-GO)

domingo, 15 de fevereiro de 2026

ESCADA DE TROVAS - FÉ - FILEMON MARTINS

 





ESCADA DE TROVAS – FÉ

Filemon Martins



SUBINDO:

“Pondo flores no caminho”

o amor presente se faz

e mesmo estando sozinho

planta a semente da paz.


“Vem de dentro, como a fé”

em silêncio, ela aparece;

é preciso estar de pé

que a bondade vem, floresce.


“Despejada como o vinho”

a verdade humildemente

traz a luz e de mansinho

ilumina a nossa mente.


“Felicidade não é”

impossível a ninguém,

é tão simples, pode até

ser a prática do bem.


NO TOPO:

“FELICIDADE NÃO É

DESPEJADA COMO O VINHO,

VEM DE DENTRO, COMO A FÉ,

PONDO FLORES NO CAMINHO...”

       CARLOS RIBEIRO ROCHA (In memoriam)

DIA DE CANJA - JOSÉ FELDMAN

 




DIA DE CANJA 

José Feldman


TROVA DE A. A. DE ASSIS

(Maringá - PR)


Alarme no galinheiro.

- Será que há gambá na granja?

Bem mais grave: é o cozinheiro

que avisa: "Hoje vai ter canja"!...



 

Era uma vez uma granja pacata, onde as galinhas viviam suas vidas de modo tranquilo. Todas as manhãs, cacarejavam alegremente, ciscando pelo pátio, até que um dia, um alarme começou a tocar desesperadamente no galinheiro, e todas as galinhas começaram a se agitar.

— O que será, meu Deus!? — cacarejou a Dona Pinta, a galinha mais velha e sábia do galinheiro. 

— Será que há um gambá na granja? — sugeriu o galo, em tom preocupado.

As demais galinhas entraram em alvoroço, cacarejando em demasia. "Gambá! Gambá!" era a única coisa que conseguiam dizer. Elas imaginavam que o intruso estivesse ali para fazer uma festa à fantasia à base de milho e grãos. O pânico foi instigado, e a galinhada começou a se organizar para um plano de defesa.

Mas enquanto as galinhas se mobilizavam, uma voz ecoou de longe. Era o cozinheiro, um homem baixinho e gordo, que apareceu correndo, ofegante, e gritou: “Hoje vai ter canja!”

Nesse instante, um silêncio absoluto tomou conta do galinheiro. As galinhas se entreolharam, e um arrepio percorreu suas penas.

— O que ele quis dizer com "canja"? — perguntou a Galinha Coração, que era a mais medrosa do grupo.

— É o fim! — gritou a Dona Pinta. — Preparem-se para o pior!

A galinha Maluca, decidiu que era hora de uma reunião de emergência.

— Meninas, temos que nos unir! Precisamos de um plano!

Logo, as galinhas formaram um comitê de emergência — "As Defensoras da Vida Gallinácea". Maluca propôs que elas se camuflassem com penas de várias cores, como se fossem um belo arco-íris, para confundir o cozinheiro.

— Se ele não conseguir nos ver, não conseguirá nos pegar! — exclamou.

Então, em um frenesi, as galinhas começaram a buscar tintas e a se pintar. Ficaram tão bem disfarçadas que pareciam um desfile de Carnaval.

Quando o cozinheiro entrou no galinheiro para checar a situação, ele parou de repente. 

— O que é isso? Um festival de galinhas? — ele riu.

As galinhas, com medo de serem descobertas, começaram a dançar e cacarejar como se estivessem numa festa. O cozinheiro, sem entender nada, se divertiu tanto que esqueceu totalmente da canja!

No final, as galinhas conseguiram ganhar o dia e, em vez de canja, o cozinheiro preparou um delicioso prato de... vegetais! 

— Vamos comemorar, galinhas! Hoje não somos canja, somos estrelas do show! — gritou Maluca, levantando as asas.

E assim, o galinheiro se transformou em uma verdadeira festa, onde as galinhas dançavam e riam, felizes por terem se livrado do destino de um prato quente, pelo menos por mais um dia.

           

DOMINGO À TARDE - MATUSALÉM DIAS DE MOURA

 



DOMINGO À TARDE

Matusalém Dias de Moura


Domingo. Esvai-se a tarde modorrenta

num silêncio que cai sobre a cidade,

adormecendo toda a velha idade,

já de barriga cheia e sonolenta.


Minha alma, então, se aquieta e se alimenta

da poesia que chega na saudade

discreta, mansa, isenta de ansiedade,

de um alguém que de mim jamais se ausenta.


Distante, um galo canta um canto triste,

no último quintal que ainda existe

nesta cidade minha, culta e bela.


O céu nublado prende-me a atenção

e eu fico a contemplá-lo em oração,

enquanto a noite vem pela janela.


(LIVRO "SONETOS DO PÔR DO SOL", PÁGINA 43)

TROVAS DE ALOISIO ALVES DA COSTA

 



TROVAS DE ALOISIO ALVES DA COSTA


Mesmo nos dias tristonhos

cheios de angústias e anseios,

eu busco à luz dos meus sonhos

dar vida aos sonhos alheios.


O remorso no presente,

das minhas culpas de outrora,

fez de mim - homem valente -

uma criança que chora!


Os meus dias são pedaços

de tempo na eternidade,

que a vida embala nos braços

misturados de saudade.


As estrelas da amplidão

nem todos conseguem vê-las...

e o sonhador põe a mão

muito além dessas estrelas...


(LIVRO "ANUÁRIO - COLETÂNEA DE TROVAS BRASILEIRAS" - 1979 - ORG. DE FERNANDES VIANNA)

CAPRICHO - FILEMON MARTINS

 




CAPRICHO

Filemon Martins

                 

Quis o destino, caprichoso, um dia,

que eu sofresse, na terra, grande dor.

Conspiração dos astros da poesia

que me fizeram crer no teu amor.

 

Ingênuo, acreditei na fantasia

que me ofertou teu lábio sedutor,

e vi morrendo, aos poucos, a alegria

quando partias como o beija-flor.

 

Eras a estrela vésper do meu sonho

povoavas meu céu sempre risonho

em noites de fulgor e de luar...

 

Mas me deixaste assim, cama vazia,

sem ter ninguém na madrugada fria,

um condenado à morte por amar.

LUGAR VAZIO... - GIÓIA JÚNIOR

 



LUGAR VAZIO...

Gióia Júnior

 

HÁ SEMPRE NA DISTÂNCIA UMA CADEIRA VAGA                         

À ESPERA DE UM QUE PARTA E QUE JÁ TENHA ESCRITO

¨NAS PÁGINAS DE LUZ DO LIVRO DO INFINITO¨

A SUA SALVAÇÃO QUE NUNCA MAIS SE APAGA!

 

PERDIDA PELO ESPAÇO A VIDA SE EMBRIAGA

TENTANDO IR BEM ALÉM DO SEU PODER RESTRITO;

MAS, SÓ O CORAÇÃO DESCOBRE A IMENSA PLAGA

ENVOLTA NO MURAL DE JASPE E DE GRANITO...

 

GANHEI O MEU LUGAR DE PREÇO INCALCULÁVEL

DAS MÃOS DE JESUS CRISTO E ESPERO RECEBÊ-LO

DEPOIS DE ATRAVESSAR O CAUDALOSO RIO!

 

...  AMIGO, VEM CHEGANDO O DIA MEMORÁVEL,

MEDITA NO PROBLEMA, ATENDE AO MEU APELO:

NÃO DEIXES PARA SEMPRE O TEU LUGAR VAZIO!!!