BLOG LITERÁRIO DO FILEMON
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
TROVAS DO FILEMON
O REINO DAS MÃOS QUE FALAM E O VALE DO ECO MUDO - JOSÉ FELDMAN
O
Reino das Mãos que Falam e o Vale do Eco Mudo
Aproximem-se, ó buscadores da
verdade, pois Mustafá agora vos levará para além das montanhas de Qaf, a um
lugar onde o som não encontra eco, mas a alma grita em cores. Preparem seus
corações para conhecerem a terra de Al-Samat (O Silêncio Absoluto).
Havia um país escondido entre
desfiladeiros de cristal, onde nenhum pássaro cantava e nenhuma fonte de água
fazia barulho ao cair. Naquela terra, todos os habitantes eram surdos desde o
nascimento. Mas não pensem, ó Sheik, que era um lugar de tristeza. Pelo
contrário, era o reino da visão interior.
Lá, as pessoas não usavam a
língua para negociar ou amar. Elas desenvolveram a Língua de Sinais de uma
forma tão sublime que cada movimento de dedo era como um verso de poesia.
Quando um jovem se apaixonava, ele não recitava odes; ele dançava com as mãos
sob a luz da lua, e o ar parecia vibrar com a música que ninguém ouvia, mas
todos sentiam.
Certo dia, um viajante
estrangeiro, um mercador barulhento vindo de terras distantes, entrou no país.
Ele gritava suas mercadorias com uma voz poderosa, mas ninguém se virava. Ele
tocava trombetas de bronze, mas os guardas apenas sorriam e lhe ofereciam tâmaras.
O estrangeiro, sentindo-se ignorado, começou a sentir uma fúria crescente.
— “Eles são tolos!, gritava ele.
Não ouvem a minha grandeza!”
Um ancião do lugar, percebendo a
angústia do homem, aproximou-se. Ele não disse uma palavra, mas tocou o peito
do mercador e depois apontou para o horizonte. Com gestos lentos e cheios de
dignidade, ele explicou que, naquele país, o barulho era considerado uma fumaça
que escondia a verdade.
O mercador passou meses ali.
Aprendeu que, para 'ouvir' naquela terra, era preciso observar o bater do
coração do próximo. Aprendeu que o silêncio era a montaria celestial que levava
o pensamento mais longe. Ele viu que, sem o ruído das discussões, não havia
discórdia. Os julgamentos eram feitos em absoluto silêncio, onde os juízes liam
a verdade nos olhos dos acusados, pois os olhos não sabem mentir como a boca.
Quando o mercador finalmente
partiu, ele levava consigo o maior tesouro: a capacidade de ouvir o que não é
dito. Ele voltou para sua cidade e, embora ainda pudesse falar, tornou-se o
homem mais sábio de seu povo, pois sabia que as palavras mais importantes de
Allah (Deus) são escritas no silêncio entre um suspiro e outro.
Mustafá fechou os olhos por um
momento, sentindo a brisa da noite de Bagdá, e concluiu:
"A lição deste relato, ó
Nobre Sheik, é que a verdadeira audição não reside nos ouvidos, mas na atenção
que damos à alma alheia. Muitas vezes, o excesso de barulho do nosso próprio
orgulho nos impede de entender a linguagem do universo. Quem muito fala, pouco
ouve; mas quem abraça o silêncio, descobre que as mãos podem dizer o que a voz
jamais alcançaria.”
(FONTE: " ECOS DO DESERTO", DE JOSÉ FELDMAN)
O ENGENHO DE MADEIRA - ANTÔNIO DA COSTA E SILVA
O ENGENHO DE MADEIRA
Antônio da Costa e Silva
Na remansosa paz da rústica fazenda,
À luz quente do sol e à fria luz do luar,
Vive, como a expiar uma culpa tremenda,
O engenho de madeira a gemer e a chorar.
Ringe e range, rouquenha a rígida moenda,
E ringindo e rangendo, a cana a triturar,
Parece que tem alma, advinha e desvenda
A ruína, a dor, o mal que vai, talvez, causar.
Movida pelos bois tardos e sonolentos,
Geme, como a exprimir, em doridos lamentos,
Que as desgraças por vir sabe todas de cor.
Ai! dos teus tristes ais! moenda arrependida!
- Álcool! para esquecer os tormentos da vida
E cavar, sabe Deus! um tormento maior!
(FONTE: "COMPOSIÇÕES ESCOLARES", PÁGINA 18)
QUEM FOI BEVENUTO RIBEIRO? - MÁRIO RIBEIRO MARTINS
(FOTO CEDIDA POR SAUL RIBEIRO DOS SANTOS)
domingo, 16 de agosto de 2026
REVISITANDO A INFÂNCIA - FILEMON MARTINS
SALMOS DE DAVI RIMADOS (SALMO 23) - GERALDO PERES GENEROSO (IN MEMORIAM)
(FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM)
SALMOS DE DAVI RIMADOS (SALMO 23)
GERALDO PERES GENEROSO – IPAUSSU – SP.
SENHOR, que é o meu pastor e me sustenta,
plácido, em prados verdes faz deitar-me.
Conduz-me às águas que a alma dessedenta
e pelas vias retas me orienta.
Nem a sombra da morte me é alarme.
Não temo mal algum, estou Contigo,
seguro, me protege o teu cajado,
e até, se em meu encalço, o inimigo,
ameaçar-me com a vida em perigo,
ainda assim a ti estou confiado.
De júbilo meu cálice está pleno,
aprendi a beber Tuas alegrias.
E sob o Teu teto sinto-me sereno,
sob o qual habitarei por longos dias.
(Do livro SALMOS DE DAVI RIMADOS, VOLUME 1, GERALDO PERES GENEROSO, 1ª EDIÇÃO-2008, PÁGINA 29)
O TEAR DO HORIZONTE E O SOPRO DE IDRIS - JOSÉ FELDMAN
O Tear do
Horizonte e o Sopro de Idris
Aproxime-se, ó Sheik, pois para
entender o voo, é preciso conhecer as mãos que deram alma aos fios. O criador
daquela maravilha não era um mercador de posses, mas um humilde zahid (eremita)
chamado Idris, que vivia em uma caverna nas Montanhas de Qaf, onde as nuvens
tocam a terra.
Idris não buscava ouro, mas o conhecimento
místico. Ele passou quarenta anos em isolamento, observando como as águias
cortavam o vento e como a luz do alvorecer se entrelaçava com a névoa dos
vales.
Ele não usava lã de ovelha comum.
Dizem que Idris subia ao pico mais alto durante as noites para colher os fios
de prata que a lua deixava cair sobre os despenhadeiros. Para as cores, ele não
usava pigmentos de mercado; ele colhia o azul do céu refletido nas águas de um
lago sagrado e o dourado do último raio de sol antes do crepúsculo.
O tear de Idris era feito de
madeira de sidra (árvore celestial), e cada vez que ele passava a lançadeira,
ele sussurrava uma evocação divina. Ele não estava apenas tecendo um objeto,
estava tecendo uma confiança. Ele dizia que o tapete não voaria por causa de
magia negra, mas por causa da leveza da alma de quem o comandasse.
'Este tapete', dizia Idris aos poucos que o visitavam, 'é um espelho do coração. Se o coração for pesado como o chumbo da ganância, o tapete será como uma pedra. Se o coração for leve como a provisão dado por Alá aos pássaros, o tapete será como uma asa.'
Quando o tapete ficou pronto, ele
brilhava com uma luz que cegava os desonestos. Idris o entregou a um viajante
pobre, pedindo apenas que ele o usasse para espalhar a misericórdia pelo mundo.
Infelizmente, através de gerações de cobiça e trocas indignas, o tapete acabou
nas mãos de Mansur, o mercador que vocês conheceram na história anterior.
Mustafá limpou o suor da testa e
olhou para as mãos calejadas dos súditos, concluindo com sua sabedoria:
"O ensinamento desta
história, ó nobres ouvintes, é que a obra reflete o sani. Tudo o que criamos
com pressa e desejo de lucro desaparece com o tempo, mas o que é feito com
excelência e devoção carrega uma centelha de eternidade. O tapete de Idris
falhou com o ladrão porque o roubo é uma âncora de ferro, e ninguém pode
alcançar a elevação enquanto carregar o peso do que tirou de outrem.”
(FONTE: "ECOS DO DESERTO", DE JOSÉ FELDMAN)
FESTA DE LUZ - ANTÔNIO CARLOS CÔRTES
FESTA
DE LUZ
Antônio Carlos Côrtes
Férias noturnas.
Sacada praia Salinas
Sobre as dunas
Olhava luz
Em meio relevo Corcel
Cavalo branco crinas
Vejo lança S. Jorge
Atenção na lua
Espelho do sol reluz
Astro rejeitou amante
Esta chorou lágrimas
Muita dor, fez marés
Inundou rios e o mar
O amor acontece
Bem longe do mirante
Escondido na sombra
Brumas, anoitece
Na areia ato de amar
Sem ninguém zombar
Lágrimas da luz
Nos corações
Se transformam
Filhas estrelar
Cobrem o bar bem longe
Do Leblon
Lente zoom
No céu de neon
Em pleno levante
Colado no Morro
Dois irmãos
Garçom, mais um!
Côrtes. 14.08.2026
sábado, 15 de agosto de 2026
TROVAS - ESCADA - FILEMON MARTINS
TROVAS – ESCADA
Filemon Martins
E colhe amor à vontade
quem aprendeu conviver,
que a própria felicidade
é pelo amor convencer.
Planta a paz, planta carinho
quem cultiva só o bem.
Nunca se sente sozinho,
nunca magoa ninguém.
A semente da bondade
floresce no coração,
para o bem da Humanidade
o amor não faz distinção.
Quem semeia em seu caminho
bondade, paz e perdão,
espalha amor, de mansinho,
ajudando o seu irmão!
NO TOPO:
QUEM SEMEIA EM SEU CAMINHO
A SEMENTE DA BONDADE
PLANTA A PAZ, PLANTA CARINHO
E COLHE AMOR À VONTADE.
Filemon Martins
TERRA RARA - JOAQUIM RODRIGUES DE NOVAIS
TERRA
RARA
Joaquim
Rodrigues de Novais
Ipupiara,
rocha de águas cristalinas,
maravilhosa terra fértil da Chapada
Diamantina.
Cidade pacata do interior da Bahia,
nosso querido Sertão, sessenta e oito
anos de emancipação, é um cantinho
da
Bahia em comemoração.
São lindas suas Serras nessa época,
um céu azul anil,
cachoeiras
e cascatas
preservamos nossas matas,
somos
um povo varonil.
Antigo Fundão, depois Jordão, hoje Ipupiara, onde
pode
estar firmada em Rochas
de Terras Raras.
Entre outras mil tu és amada
terra
rara do Brasil.
Parabéns!
IPUPIARA, 05/08/2026
HOMENAGEM AOS PAIS - PR CLÓVIS NOGUEIRA
HOMENAGEM AOS PAIS
Pr Clóvis Nogueira
Ao longo dos anos que já vivi, compreendi que todo homem, mesmo sem escrever
uma única palavra em um pedaço de papel, é um escritor. Isso mesmo, um escritor
do livro da sua própria vida.
Lembro-me de quando participei da cerimônia fúnebre de uma pessoa muito querida
em minha cidade. Observei que os condolentes faziam a leitura das páginas do
livro que aquela pessoa havia escrito nos corações deles. As páginas falavam de
honestidade, humildade, sinceridade e muitas outras virtudes. Aquela
experiência marcou a minha vida para sempre. Ali, na casa do luto, considerei
que a vida de todo homem pode ser comparada a um livro — não um livro físico
como este, mas um escrito nas tábuas do coração das pessoas com as quais
convivemos. Chegará o tempo em que não estaremos mais aqui; todavia, o livro da
nossa vida continuará e, da forma como vivemos, assim será lido. O sábio rei de
Israel disse: “O justo anda na sua integridade; felizes lhe são os filhos
depois dele. A memória dos justos é abençoada, mas o nome dos ímpios
apodrecerá” (Provérbios 20:7; 10:7). É possível para um homem continuar falando
depois da sua morte? Sim, é possível! “... Abel, mesmo depois de morto, ainda
fala” (Hebreus 11:4).
Hoje, aos 59 anos de idade, cheguei à conclusão
de que já escrevi muitas páginas no livro da minha vida, e creio que ainda
escreverei mais algumas. Minha oração é para que Deus nos capacite nessa tarefa
e que nossos filhos se alegrem quando ouvirem a leitura do livro das nossas
vidas.
(Trecho do livro, “O LIVRO DA MINHA VIDA”)
Pr. Clóvis Nogueira
NOTA DO BLOG LITERÁRIO: O texto já estava comigo. Ocorre que passei o Dia dos Pais, no hospital. Daí, o atraso na publicação.
AGRADECIMENTO - FILEMON MARTINS
AGRADECIMENTO
Estive internado no hospital Nipo Brasileiro,
dias 6 a 14 de agosto de 2026, onde fiz uma cirurgia no pé direito.
Agradeço a Deus, que me permitiu continuar por
aqui mais um pouco; à família, que se fez presente fisicamente e em orações. À
equipe do hospital, médicos, enfermeiras, técnicos, auxiliares, pessoal da
copa, da limpeza, enfim todos que adentraram ao quarto 360 do hospital naquele
período.
Agora, a recuperação continua em casa com
medicamentos, curativos e acompanhamento médico.
Lembrando a poetisa Stela Câmara Dubois: “Oh! Que me falte o amparo
nos escolhos,
falte-me o pão e a luz dos próprios olhos,
PORÉM, NUNCA ME FALTE A GRATIDÃO!
Filemon
Martins
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
HOMENAGEM A DONA ZÊNIA - JOSÉ BRITTO BARROS
JOSÉ BRITTO BARROS


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