terça-feira, 2 de junho de 2026

TROVAS - COLUNA DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO, JORNAL O RADAR.

 



TROVAS – COLUNA MARIA THEREZA CAVALHEIRO,

JORNAL O RADAR, FEVEREIRO – 2015.



Com fervor, ao Pai Divino,

Criador deste Universo,

pedi pão quando menino:

deu-me o consolo do verso.

        JERRY FILHO


Meu coração vai à luta,

indefeso e apaixonado,

como se fosse um recruta

pisando em campo minado!

        THEREZINHA D. BRISOLLA


Condeno a pena de morte,

ao me lembrar de Jesus,                   

que sem merecer tal sorte,

for martelado na cruz.

        ARLINDO NÓBREGA


Não há dizer que defina

o doce amor da mulher.

quando toca, mescla, ensina,

faz do homem o que bem quer!

        JORGE FREGADOLLI

segunda-feira, 1 de junho de 2026

TROVAS DO FILEMON

 







TROVAS DO FILEMON


Não me fascina, na vida,
Poder ou fama alcançar,
Que a vitória merecida
É pelo Amor triunfar!


Saudade é o cantar tristonho
Do canário, no Sertão.
É sentir que o nosso sonho
Não passou de uma ilusão.


Assim é que vejo a vida:
Uma estrada singular,
Às vezes erma e cumprida
Que a gente tem que trilhar.


Não sei em que mundo vives
Sem amor, sem compaixão.
Tudo que pregas e dizes
São mágoas do coração.

JUSTIFICATIVA - THÉO DRUMMOND

 






JUSTIFICATIVA
THÉO DRUMMOND (1927 - 2015)




Perdoa pelo amor que já te dei,
e sem explicação não te dei mais.
O fato é que me fui, não te esperei,
sei que isso foi terrível, foi demais.


Mas sou assim, e nunca mudarei.
Para trocar de amor eu sou capaz
de me esquecer de tudo o que ganhei,
na certeza de que isso tanto faz.


Talvez um dia eu vá me arrepender
por ser assim tão pouco preocupado
se vou fazer alguém chorar, sofrer.


É que sofri demais no meu passado:
um amor que me fez quase morrer
por me fazer sentir tão mal amado.

DIREITO COMO FENÔMENO SOCIAL - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 




DIREITO COMO FENÔMENO SOCIAL.

Mário Ribeiro Martins (07/08/1943 - 18/03/2016)



Com o titulo sugestivo de Sociologia Jurídica se pretende considerar o direito à luz da Sociologia, com os métodos da Sociologia ou em função da Sociologia, isto é, em relação com os demais fenômenos sociais. Os fenômenos do direito, às vezes, têm sido tratados de forma abstrata e imaginária. A Sociologia do Direito se apresenta exatamente como uma reação a esta forma de tratamento.

O fato jurídico, como disse Renato Hubert, em ARCHIVES DE PHILOSOFIE DU DROIT ET DE SOCIOLOGIE JURIDIQUE, encarado sociologicamente, se alarga até identificar-se com o fato social ou até representar o fato social em sua totalidade.

O direito, como fenômeno social, no entender de Cláudio Souto, é norma social de intensidade mais alta. Daí a razão porque a Sociologia Jurídica tem também a função de inquirir, de analisar e de investigar a sistemática jurídica e que vai desde a descrença no funcionamento do sistema jurídico até os problemas de direito que afetam a sociedade.

Ainda assim, o direito se apresenta como fator de equilíbrio entre os indivíduos e grupos dentro da sociedade, donde é válida a observação de Emile Durkheim de que o direito é um símbolo visível de toda a interação social.

Quando se fala em função social desempenhada pela ordenação jurídica tem-se o direito como fenômeno social, para o qual se volta a Sociologia Jurídica. A boa e correta aplicação do direito constitui fator de tranquilidade social.

Assim, não basta dizer que a finalidade do direito é dar garantia e segurança, eis que, tais palavras nada significam, se não estiverem voltadas para o bom e desejável, enfim para o bem-estar social.

 

(LIVRO "SOCIOLOGIA GERAL & ESPECIAL". Anápolis, Walt Disney, 1982, página 378).



(FOCALIZADO EM MEU LIVRO ¨FAGULHAS¨, PÁGINAS 134/141)


SINTO VERGONHA DE MIM - CLEIDE CANTON

 




SINTO VERGONHA DE MIM!

Cleide Canton



“Por ter sido educadora de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
Que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o “eu” feliz a qualquer custo,
buscando a tal “felicidade”
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos “floreios” para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre “contestar”,
voltar atrás
e mudar o futuro.
‘Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo
que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer…
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,

tenho tanta pena de ti, povo brasileiro"!

TROVAS DE MATUSALÉM DIAS DE MOURA

 




TROVAS DE MATUSALÉM DIAS DE MOURA


Sozinho na correnteza,

sempre a me fazer de forte,

vou remando com destreza,

tentando driblar a sorte.


Dai-me a calma, ó, meu Jesus,

eu te peço em oração.

Quero levar minha cruz

com amor no coração.


Quando vem a desventura,

junto a Deus eu busco a luz,

e Ele, com mão segura,

me socorre e me conduz.


Não levo mágoas comigo,

e tampouco o desamor;

levo a paz de um Deus amigo,

parceiro da minha dor.



(LIVRO "SELETA DE TROVAS" ) 

SONETO DA ÁRVORE SOBRE O RIO - PAULO BOMFIM

 




SONETO DA ÁRVORE SOBRE O RIO
Paulo Bomfim (Poeta paulista)


Deito-me em ti com ramos e folhagem
E pássaros e orquídeas de loucura;
Do musgo do meu gesto nasce a imagem
Que atiro em teus caminhos de procura.


Em meus braços aflitos a paisagem
Transforma-se no vento que murmura,
E os raios iluminam a mensagem
Fogo que morre sobre a fonte pura.


Debruço em ti a sombra e a cor das mágoas;
Sou passado e futuro na tormenta,
Raízes marcham sob um chão que é cego...


Afogo-me no espelho destas águas:
Guarda de mim a vida que se ausenta,
E estes frutos eternos que te entrego.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 432, JOSÉ FELDMAN)