sexta-feira, 17 de julho de 2026

DIÓGENES E A POLÍTICA BRASILEIRA - FILEMON MARTINS

 




DIÓGENES E A POLÍTICA BRASILEIRA

Filemon Martins



Conta-se que DIÓGENES DE SÍNOPE, o cínico, filósofo grego, costumava perambular pelas ruas de sua cidade à luz do dia, com uma lanterna acesa procurando encontrar homens verdadeiros ou seja, homens éticos, virtuosos e de palavra. Não se sabe se DIÓGENES os encontrou.

Assim, nestes últimos tempos, tenho andado de lupa, luneta e lanterna para observar e ver “in Loco” as mudanças ocorridas no Brasil apregoadas pelos atuais governantes de todos os escalões: federal, estadual e municipal, com raríssimas exceções.

De fato, a propaganda na tela da televisão e nas redes sociais faz tudo acontecer de forma espetacular, tudo funciona com a precisão de um relógio, em todas as esferas. Quem não sabe disto? As cenas mostradas, em geral, são coloridas e bem chamativas para atrair e convencer eventuais eleitores incultos e incautos. O publicitário, sim, este é competente e sabe como fazer seu trabalho.

Na prática, porém, o que o governo faz é diferente. O dinheiro público é disputado entre empresários e o Congresso Nacional (empresários também) que se associam em conchavos e trapaças, para aprovar projetos indecentes com o objetivo claro e único de retirar direitos dos trabalhadores, como se o dinheiro do povo fosse um pedaço de carne atirado aos cães famintos. Aliás, o que se gasta em propaganda, embora regulado por lei, é um absurdo.

DIÓGENES, O FILÓSOFO GREGO, se vivo fosse e visitasse hoje o Congresso Nacional e o STF, com certeza teria que usar lanternas bem mais potentes para encontrar, naquelas casas, o que ele tanto procurava: pessoas honestas e éticas.

Infelizmente, falar em honra e dignidade entre políticos e administradores brasileiros, quando interesses e projetos pessoais estão acima de tudo, é mesmo uma utopia. Foi uma utopia ter imaginado que o Brasil poderia melhorar, com mentalidade tão tacanha. Utopia maior ainda é continuar imaginando que o Brasil está no rumo certo, se o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal são incapazes de discernir entre o interesse pessoal e o coletivo. Projetos e Reforma da Previdência que subtraíram direitos de servidores e trabalhadores brasileiros, foram regados a propinas, distribuição de cargos no 2º escalão. Roubar, continuar roubando, fazendo falcatruas em tudo parece que virou rotina entre políticos e aqueles que detém o poder de decisão.

Os aposentados e pensionistas do serviço público federal são penalizados desde 2002/2003, quando Lula via “mensalão” taxou inativos em 11%. Hoje, em 2026 o que era transitório, temporário se tornou definitivo com desconto de 14%. Trata-se de um roubo oficializado.  

Parece que a ética dos partidos políticos é apenas por fora, na casca, para enganar os brasileiros; por dentro estão apodrecidos, infectos e obcecados pelo poder econômico. Só assim se explicam os escândalos que são descobertos e apresentados pela televisão e publicados pelos jornais todos os dias, mesmo com o Brasil enfrentando falta de investimentos na saúde, na educação, segurança e no campo das pesquisas.

“A gente não quer só comida A gente quer comida, diversão e arte A gente não quer só comida A gente quer saída para qualquer parte (...) A gente não quer só comida A gente quer a vida como a vida quer” COMIDA – Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Britto.

Embora tenha sido lançada em 1987, a música acima retrata alguns problemas sociais que afetam o Brasil 39 anos depois.

No entanto, as acusações de compras e obras superfaturadas nos escalões: federal, estadual e municipal são noticiadas dia após dia. Há muitas investigações em andamento, para "inglês ver". Cremos que uma das soluções seria uma Justiça mais ágil, eficiente e séria, sem demora na apuração dos fatos e dos envolvidos em falcatruas, com a verdade sem meias palavras e, em seguida a condenação e a devolução dos valores subtraídos, coisa que não temos e nem há luz no fim do túnel.

É fundamental que a impunidade seja banida do Judiciário Brasileiro e quando alguma autoridade, quer seja Juiz, Desembargador ou Ministro tentar engavetar processos para beneficiar este ou aquele figurão, seja também responsabilizado criminalmente e punido por se tornar cúmplice do criminoso.

Enquanto isso estou a procurar tal qual Diógenes o fez à luz do dia com uma lâmpada para descobrir onde não há fraude no Brasil, se em tudo, há corrupção.

Até os aposentados do INSS não escaparam da sanha dos corruptos.

Ou será que corrupção mudou de nome e eu não sei...

 


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