segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

MUNICÍPIO DE BARRA DO MENDES - PARTE III


NA PLACA DE BRONZE  ESTÁ  ESCRITO:

              Ao ilustre

 

            Cel. Militão Rodrigues Coelho.

            Líder político que em memoráveis

             lutas tanto fez por nossa terra e

             por nossa região.

          

             Waldomiro Figueiredo Bastos

             Rende-lhe homenagens merecidas..

         

             Barra do Mendes, 14/08/1984

 


MUNICÍPIOS DA CHAPADA DIAMANTINA

MUNICÍPIO  DE  BARRA DO MENDES (Parte III)

Saul Ribeiro dos Santos

📧saul.ribeiro1945@gmail.com

 

 

O coronel Militão Rodrigues Coelho foi um grande líder político-militar com autoridade concedida pela Guarda Nacional. Ele desfrutava de prestígio no Distrito de Barra do Mendes e região. Atualmente no centro da cidade, em praça pública, encontra-se uma estátua, busto em bronze – erigido em homenagem ao líder local.

Nos primeiros anos da República o sertão da Bahia estava dominado pelo coronelismo. O Coronel Militão Rodrigues Coelho ocupou o cargo de intendente do Município de Brotas de Macaúbas, nomeado pelo Delegado Regional - Dr. Otaviano Sabak, para o período 1914 a 1918. O povo de Brotas de Macaúbas não gostou da nomeação porque o homem nomeado era filho do Jordão (atual Ipupiara) e morador em Barra do Mendes (dois Distritos do interior com política de oposição à sede do Município). Os moradores de Brotas de Macaúbas queriam alguém que fosse brotense. Em 1916 o Coronel Militão foi a salvador conversar com o governador Antônio Muniz de Aragão. Na conversa ele solicitou o desmembramento de parte do território de Brotas de Macaúbas para formar um novo Município com sede na Vila de Barra do Mendes, tendo como Distritos Jordão e Morpará e mais o povoado de Guigós (atual Iguitú). O governador atendeu o pedido e no ano seguinte, pela Lei Estadual nº 1.203/17 de 21/07/1917, foi criado o novo Município. O Coronel Horácio de Matos não gostou da ideia e não aprovou a decisão. As rixas entre os dois coronéis e seus comandados se intensificaram.

Em seu excelente livro, de grande interesse, “Coronelismo no Antigo Fundão de Brotas”, que conta a história regional daquele tempo, na pág. 27 o Dr. Mário Ribeiro Martins (4) expõe que “O coronel Horácio de Matos exigiu do governador Dr. Antônio Muniz Ferrão de Aragão, que o Coronel Militão fosse afastado da política local e que a sede do Novo Município fosse transferida de Barra do Mendes para a Vila Jordão (atual Ipupiara)”. Assim, de julho de 1917 a agosto de 1919, Barra do Mendes foi a sede do novo Município, tendo Jordão e Morpará como Distritos. Porém o Distrito de Jordão (atual Ipupiara), conforme conta o Dr. Mário Martins, foi a sede do Município, tendo Barra do Mendes e Morpará como Distritos, de agosto de 1919 a maio de 1920, quando o novo Município foi reanexado ao de Brotas de Macaúbas. A autorização oficial para a reanexação se deu por força da Lei Estadual 1.388/20. Naquela época Barra do Mendes e Jordão foram sedes de Município, mas por pouco tempo. As duas vilas e seus povoados continuaram por muitos anos pagando impostos e contribuindo para o progresso de Brotas de Macaúbas e subordinados aos líderes políticos daquela cidade.

Aqui convém fazer uma pequena digressão. É importante salientar que os moradores das duas cidades (Barra do Mendes e Ipupiara) são pessoas honestas solidárias e trabalhadoras. O povo deseja que haja condições para intercâmbios culturais e comerciais entre as duas cidades. É necessário que os prefeitos dos dois Municípios se unam, façam reuniões suprapartidárias com seus líderes (esquecendo preferências partidárias) e, em conjunto consigam agendar um encontro com o governo do Estado e apresentem um projeto solicitando a construção de uma estrada com pavimentação asfáltica interligando as sedes dos dois municípios. São apenas 76 km (com projeto, pequenas desapropriações e obras de engenharia a distância pode cair para 70 km). A estrada facilitará o transporte de mercadorias e passageiros, o comércio entre os dois Municípios e entre duas regiões importantes para o povo e para o Estado. Barateará fretes de Salvador ou Brasília para os dois Municípios, encurtando a distância entre Barra do Mendes e Brasília (via Ipupiara)  interligando com a BR-242 e entre Ipupiara e Salvador (via Barra do Mendes, Irecê e Ipirá - Estrada do Feijão). Além disso, o movimento comercial que será proporcionado pela rodovia vai ajudar no surgimento de empregos, com mais lojas de autopeças, restaurantes, hotéis, oficinas de autos, borracharias, etc. A rodovia de 70 ou 76 km. (poucos quilômetros) é assunto de suma importância para todos os Municípios de Irecê a Ibotirama, dois Municípios líderes regionais. Percebe-se que a rodovia será importante para todos.

Vale salientar que em maio de 1940 Corisco (que foi durante muito tempo o famoso “cabo de guerra” de Lampião), a sua companheira e mais três parentes estavam passando pelas terras que hoje pertencem a este Município. Estavam viajando com destino a Bom Jesus da Lapa, na margem direita do Rio São Francisco. Levavam oferendas para pagar promessas. Arrancharam (pediram pousada) na Fazenda do Sr. Pacheco e ficaram na “casa de farinha”, pois não era tempo da desmancha. Dois dias depois o filho do seu Pacheco foi fazer as compras na feira de Barro Alto e Corisco fez encomendas. Depois de comprar os produtos o rapaz já ia iniciar o retorno e o tenente José Osório de Faria (conhecido como Zé Rufino), o chamou e fez algumas perguntas sobre o grupo que estava arranchado na Fazenda Pacheco.

Zé Rufino estava com quatro comandados. Intimou o rapaz a ir com eles até o local. Tomaram posições estratégica e atacaram. Corisco e sua companheira foram baleados. Foram transportados para Miguel Calmon. Corisco morreu e foi sepultado no cemitério de Miguel Calmon. Dadá, a companheira, teve a perna direita amputada. As autoridades levaram a cabeça do cangaceiro morto para o Museu Nina Rodrigues, em Salvador.(5)

Vamos retornar aos comentários sobre a trajetória desse importante Município que em tempos passados foi Distrito do Município de Brotas de Macaúbas. O Distrito de Barra do Mendes foi criado pelo Dec. Estadual n° 8.291/33 de 03/02/1933. O Distrito passou muitos anos subordinado a Brotas de Macaúbas. No Mapa da Divisão Territorial de 01/07/1950 o Distrito de Barra do Mendes figura pertencendo a Brotas de Macaúbas.

Bem mais tarde, no ano de 1958, quando era governador do Estado da Bahia o Dr. Antônio Balbino de Carvalho Filho, de modo diplomático e civilizado, por força da Lei Estadual nº 1.034/58 de 14 de agosto de 1958 o Distrito de Barra do Mendes foi efetivamente elevado para a categoria de sede de Município, desmembrando-se parte dos territórios dos Municípios de Brotas de Macaúbas e de Gentio do Ouro (a menor parte). A partir daquele ano Barra do Mendes passou a enfrentar a vida de Município independente, tendo que começar a administração partindo do Zero.

A emancipação política dos dois Municípios, Ipupiara e Barra do Mendes, foi oficializada no mesmo mês e no mesmo ano – agosto de 1958. Ambos foram desmembrados de Brotas de Macaúbas. Há muita coisa para comemorar juntos.

Como autor destas linhas, quero dizer que estive três vezes em Barra do Mendes conversando com pessoas idosas, com políticos, comerciantes, donas de casa e com pessoas comuns da cidade e da zona rural. Em todas as pessoas nota-se um forte desejo de maior entrelaçamento entre as duas cidades. Muitas famílias de Barra do Mendes têm parentes morando em Ipupiara e vice-versa. O adjetivo gentílico para as pessoas que nascem neste Município é barramendense.

Até o ano 2007 o Município figura no Mapa da Divisão Territorial do Estado da Bahia  com 3 Distritos, a saber: Barra do Mendes (a sede), Antarí e Minas do Espirito Santo. Uma das informações mais importantes para o Município de Barra do Mendes é dizer que na cidade existe em pleno funcionamento o Palácio da Justiça à disposição da população, com o nome de “Fórum Alberic Campos”. Após a emancipação política o Município de Barra do Mendes ficou com os seguintes limites:

Ao Norte, com o Município de Ibipeba.

Ao Sul, com o Município de Seabra e Barro Alto.

Ao Leste, com os Municípios de Souto Soares e Seabra.

Ao Oeste, com os Municípios de Ipupiara e Brotas de Macaúbas.

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Este texto é parte integrante do esboço do livro Chapada Diamantina, em elaboração. 

  

(4)     Dr. Mário Ribeiro Martins - escritor, procurador de justiça, professor universitário e membro da Academia Goiana de Letras.

         Filho natural de Ipupiara.

  (5)     Barra do Mendes - Uma História de Lutas. Págs. 93/95.  Edízio Mendonça. Livro impresso pela Secretaria da Cultura e Turismo     Bahia, 2003.

 

 

SOBRE O AUTOR:

SAUL RIBEIRO DOS SANTOS nasceu na Lagoa do Barro, Ipupiara, Bahia. Filho de Nisan Ribeiro dos Santos e Carolina Pereira de Novais. É casado com a Drª Agripina Alves Ribeiro, com quem tem os filhos Raquel Ribeiro dos Santos, Esther Ribeiro dos Santos e Arão Wagner Ribeiro. Formado em Economia, Adm. de Empresas e em Ciências Contábeis pela Unigranrio, Rio de Janeiro. Trabalhou durante vinte anos num grande banco comercial.

Sempre gostou de escrever. Apaixonado por assuntos das  Regiões da Chapada Diamantina e do Médio Vale do São Francisco. Gosta e costuma conversar com pessoas idosas com o objetivo de aprender e conhecer melhor a história regional.

Autor do livro DECISÕES & DECISÕES, publicado em 2013 pela Gráfica e Editora Clínica dos Livros, de Feira de Santana, Bahia.

 

domingo, 28 de janeiro de 2024

CONVERSA CALADA

 


                                   (FOTO DO PRIMO SANDRO-IPUPIARA-BAHIA)


CONVERSA CALADA

VANDA FAGUNDES QUEIROZ


 

Com tanto sentimento solitário,

meu existir interno é tão intenso,

que para reparti-lo às vezes penso

num interlocutor imaginário.


E sinto, então, falar de modo vário

minha alma com seu repertório imenso,

tão vasto que nem sei como é que venço,

sozinha, o turbilhão do meu fadário.


Embora eu tenha apenas uma vida,

termino por fazer-me bipartida,

se eu mesma falo e escuto a minha voz.


Na minha eterna e ardente introversão,

de tanto argumentar com a solidão,

eu vivo sempre dialogando... a sós.


(Do livro CONVERSA CALADA, página 7)


QUANDO A NOITE...

 



QUANDO A NOITE...

Filemon Martins


                       

Quando a noite chegar

serena e bela,

a lua há de brilhar em meu semblante,

e andando, solitário, pela rua,

hei de lembrar do meu passado errante.


E no meu peito sofrido e apaixonado

uma agridoce saudade em tom de mágoa

há de apertar meu coração amante

e ficarás a sós, no mundo triste,

se de mim continuares tão distante.


Mas, se quiseres que eu vá,

já estou partindo.

Melhor partir do que viver fingindo,

que nosso amor, parece, feneceu.


E quando a lua brilhar mais uma vez,

não sofrerei de amor, porque talvez:

- uma paixão não dure a vida inteira.


 

TROVAS DO PAVILHÃO CULTURAL "SINGRANDO HORIZONTES"

 



TROVAS DO PAVILHÃO CULTURAL "SINGRANDO HORIZONTES".


Acaso fizeste a Lua?

Acaso fizeste a rosa?

Então que ciência é a tua,

tão solene e presunçosa?…

A. A. de Assis

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A saudade é uma andorinha,

que ao morrer do sol a chama,

as asas tristes aninha

no coração de quem ama…

Adelmar Tavares +

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Quem ama tem de sofrer.

É de todos já sabido.

Pois de gozo e padecer

fez-se o reino de Cupido.

Antônio José de Vellasco Jr.

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O tempo é bom funcionário!

Fiel, não cede a pressões,..

Velho agente alfandegário,

confiscador de ilusões!

Antonio de Oliveira

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Se estás sempre me esperando,

sempre te espero também;

e, sempre, encontros marcando,

um não vai e outro não vem...

Antonio Orlando +

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Vou carregando meu fardo

sem praguejar nos caminhos,

pois sou feito a flor do cardo

que desabrocha entre espinhos.

Antonio Juraci Siqueira

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Na guitarra chora o fado

que imortalizas na voz...

No teu xale bem bordado

tem saudade presa aos nós,..

Antonio Morgado Pinto

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No grande circo da vida,

eu me finjo prazenteiro,

oculto a alma ferida,

e vibro no picadeiro.

Arlindo Castor de Lima +

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O resplendor deste olhar

ilumina o meu caminho.

Pássaro errante a voar,

volto sempre ao nosso ninho.

Arthur Thomaz

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Quisera que minhas rugas

que os anos em mim marcaram,

fossem só marcas, que em fugas,

lindos sorrisos deixaram!

Arturita Teixeira Pinto

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Tantos disseram: cuidado

com as setas de cupido.

Bolas!... só fui avisado

quando já fora atingido.

Ary de Oliveira +

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Velha foto esmaecida

deixou lágrima de herança!

Hoje a vejo colorida

pelo cristal da lembrança.

Atila Silveira Brasil +

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Colhi, entre amigos meus,

este conceito profundo:

– Mãe é um sorriso de Deus

nos sofrimentos do mundo.

Auta de Souza +

 

PENSATIVA

 



PENSATIVA

Filemon Martins


 

Estavas pensativa no teu canto,

sorriso triste, lábio sedutor,

já não eras feliz em teu encanto

e choravas, talvez, por outro amor.


Oxalá que este grande desencanto

que fez teu coração mais sofredor,

possa ser recoberto pelo manto

de um verdadeiro amor, seja qual for.


Porque a vida é fugaz e vai passando,

a juventude se esvai e vai chegando

a velhice que traz a solidão.


Que possas encontrar ao fim, sorrindo,

a emoção de sentir sempre florindo

dentro do peito a paz no coração.


(REVISTA "A FIGUEIRA", ABRIL DE 2003, Nº 110)


sábado, 27 de janeiro de 2024

QUERIDO SERTÃO - JOAQUIM RODRIGUES DE NOVAIS

 



QUERIDO SERTÃO

Joaquim Rodrigues de Novais

 

Querido Sertão

é com fé e esperança

que cultivamos este chão

ouvindo a voz de Deus através do trovão.

 

Lavrar a terra é uma honra,

Obrigado, Senhor,

por esse nome honrado e abençoado:

Agricultor.

 

É gostoso trabalhar com amor

no coração.

É da roça que vem o leite, o café com requeijão,

produzir para servir toda essa nação.

 

Morar na roça é sonhar mais,

cuidar da terra e pastorear os animais,

trabalhar o dia todo e a noite dormir em paz.

 

É ter certeza da produção,

viver em paz com Deus

e receber a benção.

 

Que Deus abençoe o homem

que valoriza a profissão

que construiu seu cantinho nesse

querido Sertão.

 

IPUPIARA, 17/01/2024

 


MINHA POESIA

 



MINHA POESIA

Filemon Martins


Amei demais uma garota linda,

e essa garota era você:

- Minha poesia inspiração divina,

que no silêncio vinha

trazer-me a paz, o amor.

Era você, meu sonho, meu orgulho,

minha esperança em tudo,

minha razão de viver.


Porém - um dia - quis o destino

(e meu destino foi sempre assim)

você tornou-se indiferente,

fugiu de mim tão de repente

e tristemente veio o fim.


Não mais escrevo, que a poesia

ficou perdida na lembrança

de um coração sem esperança,

que agora clama, chora e reclama

deste vazio que em mim ficou.


E enquanto houver vida,

quero cantar em versos

as maravilhas do Universo,

quero amar as flores,

os pássaros cantores

e a natureza, enfim.

Ela será minha única adorada,

minha eviterna namorada,

devo esquecer você.

Ainda que seja simplesmente

uma atitude ingênua, certamente,

para enganar meu triste coração!


(REVISTA "A FIGUEIRA", JUNHO DE 2003, Nº 112)

O REMORSO - MEDEIROS E ALBUQUERQUE

 





O REMORSO

Medeiros e Albuquerque


O Deus, que num momento de loucura,

Criou a Terra e fez nascer a Vida,

Ao ver a obra de suas mãos saída,

Tão má, tão imperfeita, tão impura.


Ao sentir como em cada criatura

Existe sempre a queixa dolorida

De um sofrer, uma angústia, uma ferida,

Que a punge, que a magoa ou que a tortura.


E ao ouvir como a dor de cada peito

Soluçava no ar tristonho e baço,

Viu que o que tinha feito era mal feito...


E com remorso, como um criminoso,

Teve medo de um céu tão tenebroso,

E acendeu as estrelas pelo espaço...


(REVISTA " A FIGUEIRA", SETEMBRO DE 2003, Nº 114)

TROVAS CALENDÁRIO 2024 - UBT ANGRA DOS REIS-RJ

 



Recebi do trovador Jessé Nascimento - UBT - 

ANGRA DOS REIS, o livreto SEMEANDO TROVAS 

um CALENDÁRIO DE TROVAS - 2024, pelo que  

agradeço.

 

 

TROVAS CALENDÁRIO 2024 - UBT 

ANGRA DOS REIS - RJ.

 

As orações e louvores

dedicados ao bom Deus,

são fortes indicadores

do louvor aos filhos Teus!

       Silvia Alice de Carvalho Soares

 

No decorrer desta vida,

problemas nós enfrentamos,

sempre tem uma saída,

devagar ultrapassamos.

       Maria José Moreira Dias

 

Aquele beijo roubado,

que o tempo não apagou,

num lampejo do passado,

nosso amor iluminou.

       Neusa Aparecida Moreira Maia

 

Em beleza que extasia

numa obra tão completa

a natureza é poesia

e Deus é o grande Poeta!

       Jessé Fernandes do Nascimento


sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

A FLORESTA

 


O poeta Augusto dos Anjos foi um homem pessimista ao extremo. Sua angústia era notória. Talvez, por isso, tenha sido chamado de "O poeta da morte", da "Melancolia" e da "Angústia", como se lê em seus sonetos.


A FLORESTA

Augusto dos Anjos

 

 

Em vão com o mundo da floresta privas!...

-- Todas as hermenêuticas sondagens,

Ante o hieróglifo e o enigma das folhagens,

São absolutamente negativas!

 

Araucárias, traçando arcos de ogivas,

Bracejamentos de álamos selvagens,

Como um convite para estranhas viagens,

Tornam todas as almas pensativas!

 

Há uma força vencida nesse mundo!

Todo o organismo florestal profundo

É dor viva, trancada num disfarce...

 

Vivem só, nele, os elementos broncos,

-- As ambições que se fizeram troncos,

Porque nunca puderam realizar-se!