terça-feira, 13 de junho de 2023

A SERRA DO CARRANCA

 


A SERRA DO CARRANCA

Carlos Araújo

 

Pra mim

O vento não vinha do sul

Muito menos do norte

O vento vinha era da Serra do Carranca!


Pra mim

A manhã não trazia o sol

E seus raios brilhantes

O sol vinha era da Serra do Carranca!


Pra mim

A noite não trazia a lua

E São Jorge radiante

Quem trazia a lua era a Serra do Carranca!


Pra mim

A chuva não vinha só das nuvens

Trazidas pelos ventos

Nas tardes quentes de dezembro

A chuva vinha era da Serra do Carranca!


Pra mim

A prata não era a prata

Metal valioso e brilhante

A prata era a lagoa que eu via,

Todos os dias, na Serra do Carranca!


Pra mim

O frio não era do clima

Daquelas noites de junho

Quem trazia o frio, nas festas de São João,

Era a brisa que vinha da Serra do Carranca!


Pra mim

A Serra do Carranca

Não era pedra, barro, floresta e areia

Era poesia, magia – encantada!

Era o prolongamento do Céu

Da querida  Ipupiara!



SOBRE O AUTOR:


CARLOS ARAÚJO nasceu em Ipupiara, Bahia.

Foi alfabetizado na Escola Batista de Ipupiara. Com 16 anos mudou-se para Ibotirama, às margens do Velho Chico. Formou-se contador. Por concurso público, tornou-se funcionário do Banco do Brasil, tendo tomado posse na cidade maranhense de Pedreiras. Foi professor do ensino médio e também do primeiro grau. Hoje curte a vida de aposentado, mas está ativo no campo da Literatura, como escritor e da Música, como compositor. Foi um dos criadores do FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR DE IBOTIRAMA. Em parceria com Lamartine Araújo editou IBOTIRAMA CAPITAL DO CÉU e IBOTIRAMA E AS CANÇÕES DE AGOSTO, já em parceria com Edson Ferreira e Edvaldo Pereira. Escreveu e publicou, entre outros, MILAGRE NA CHAPADA-ROMANCEIRO DA CHAPADA DIAMANTINA, O DONO DO SANTO DA CHAPADA-ROMANCE e O PROFETA DO JORDÃO. Como compositor, atualmente em parceria com Reginaldo Bello, já está no 5º CD, ou seja de vento em popa. É casado com Cleonice Simões e pai de Mônica, Camila e Fernanda Braga. 

Reside em Ibotirama (temporada) e Salvador, Bahia. 


AS PEGADAS DOS MEUS PASSOS

 



(1 - FOTO DA INTERNET)
(2 - FOTO CAPA DO LIVRO DE J.MARCOS B.)

AS PEGADAS DOS MEUS PASSOS 
J. MARCOS B.

Andei por lá e por aqui...
Andei lúcido, mas muitas vezes perdido. Sim, andei. Andei e meus passos deixaram pegadas sobre a superfície tênue e irregular do destino. Muitas e muitas vezes tive o peito dilacerado e hoje coleciono cicatrizes.
As pegadas dos meus passos ora refletem equilíbrio, ora refletem inconformismo, ora refletem puro instinto. Ecos do passado que até hoje ainda reverberam latente dentro de mim... em uma das mãos emoção, na outra razão e ambas são grilhões.
Andei acompanhado, andei só e muitas e muitas vezes apenas o desespero andou ao meu lado...
Sim, sim, andei por lá e por aqui... exposto a todo tipo de sorte e também as intempéries do tempo. Sob os meus pés decisões sobre os meus ombros, consequências...
Sim, andei por lá e por aqui... muitas vezes lúcido, mas muitas e muitas vezes totalmente confuso, cheio de dúvidas, perdido.
Algumas batalhas venci, algumas batalhas deixei passar outras simplesmente perdi... mas não deixei de continuar, não deixei de lutar, não deixei de seguir... não perdi a oportunidade de chorar nem tão pouco a de sorrir.

SOBRE O AUTOR:
J. Marcos B. nasceu em Paulista, Pernambuco. Apaixonado por música, cinema e literatura.
Ao se mudar para São Vicente, na Baixada Santista em 1996, tornou-se Bacharel em Ciência da Computação pela FATEC - Faculdade de Ciência e Tecnologia de São Vicente.
Escreve Artigos, Contos e Crônicas. Autor do livro CONTOS & MEMÓRIAS, publicado pela CHIADO - books em 2021, São Paulo.
Mantém nas redes sociais (Facebook) os blogs - cultfilmica.blogspot.com - onde edita um verdadeiro guia de bons filmes, com informações e dicas sobre a Sétima Arte, além do Blog -  RMBS ROCK, onde ensina, comenta sobre Bandas, Cantores, Literatura, escritores com publicação de contos, textos de autores da região e também de outras plagas. 


MUNICÍPIOS DA CHAPADA DIAMANTINA SAÚDE PÚBLICA

 


                                            (FOTOS FORNECIDAS PELO AUTOR)

FOTO 1 -  Hospital Estadual Regional em Seabra

                  (cidade capital da Chapada Diamantina)

FOTO 2 - Hospital Público Municipal em Andaraí

                 (cidade histórica da Chapada Diamantina) 


MUNICÍPIOS DA CHAPADA DIAMANTINA

SAÚDE  PÚBLICA  (parte I )


Saul Ribeiro dos Santos

📧saul.ribeiro1945@gmail.com


              

                                                                                                  

       Todo ser humano, começando do pré-natal ao nascimento e do nascimento à velhice, precisa receber tratamento médico humanizado e de qualidade. Sem saúde a pessoa não consegue estudar de modo satisfatório, não consegue trabalhar nem produzir. Especialistas em políticas de saúde pública afirmam que é possível cada Município melhorar gradativamente a qualidade dos serviços oferecidos à população. O SUS - Sistema Único de Saúde é um sistema governamental bem traçado, bem esquematizado e bem estruturado, mas enfrenta desafios. 

             A Constituição Federal do Brasil, no Art. N° 196 estabelece que “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação”. 

       Até 1955 a nossa região não tinha muitos Municípios. Grande parte dos Municípios tinham o Distrito-sede e vários povoados, sendo uns de tamanho médio e outros menores, todos espalhados por um imenso território, pois era esta a realidade geográfica dos municípios naquele tempo. Com o passar dos anos muitos povoados foram crescendo, se desenvolveram, se tornaram distritos e foram emancipados, passando para a condição de unidade municipal independente. Por esse motivo, neste início de século XXI a Chapada Diamantina ostenta um grande número de Municípios.

     O interior do Brasil precisava de assistência médica. Temos que como aconteceu em outras regiões do Brasil, também aconteceu aqui em nossa região, talvez de modo mais acentuado. Da 2ª metade do século XIX a meados do século XX a Chapada Diamantina foi atingida por epidemias de febre tifo, de sarampo, disenteria, catapora e outras doenças. As dificuldades com assistência médica eram muitas. Até a década dos anos 1961/1970 assistência médica era quase inexistente. 

      Naquele tempo poucos Municípios tinham médicos ou enfermeiros. Os profissionais da área médica eram poucos. Também eram poucas as farmácias ou boticas, como eram chamadas antigamente. Aqui na região os primeiros centros de saúde começaram a funcionar em Andaraí e Macaúbas.

     Compete a cada unidade municipal aplicar e direcionar anualmente recursos derivados de suas receitas para a saúde pública. Portanto, grande é a responsabilidade social de cada prefeito. Precisa ser respeitado o lema de campanhas políticas de anos e anos, quando dizem: “A saúde em 1° lugar”. Cada prefeito, a partir do momento da posse precisa estar preparado para enfrentar os desafios.

        Há muito que fazer para melhorar a saúde pública. Em vários Municípios, além dos postos de atendimento médico localizados na cidade e nos Distritos, existem apenas a unidade denominada de HPP - Hospital de Pequeno Porte, com poucos leitos para internação provisória. Em outros, além dos postos de atendimento na cidade sede e nos Distritos,  existe só a denominada Unidade de Retaguarda, onde o paciente recebe os primeiros procedimentos médicos e se precisar ficar internado com período acima de 12 horas, imediatamente é encaminhado para a cidade mais próxima que possui hospital.  

___________    


Nota: Esse texto é parte integrante do esboço do livro Chapada Diamantina, em elaboração.



SOBRE O AUTOR:

SAUL RIBEIRO DOS SANTOS nasceu na Lagoa do Barro, Ipupiara, Bahia. Filho de Nisan Ribeiro dos Santos e Carolina Pereira de Novais. É casado com a Drª Agripina Alves Ribeiro, com quem tem os filhos Raquel Ribeiro dos Santos, Esther Ribeiro dos Santos e Arão Wagner Ribeiro. Formado em Economia, Adm. de Empresas e em Ciências Contábeis pela Unigranrio, Rio de Janeiro. Trabalhou durante vinte anos num grande banco comercial.

Sempre gostou de escrever. Apaixonado por assuntos das  Regiões da Chapada Diamantina e do Médio Vale do São Francisco. Gosta e costuma conversar com pessoas idosas com o objetivo de aprender e conhecer melhor a história regional.

Autor do livro DECISÕES & DECISÕES, publicado em 2013 pela Gráfica e Editora Clínica dos Livros, de Feira de Santana, Bahia.



   




   


segunda-feira, 12 de junho de 2023

O CORINTIANO

 

                                                            (FOTO DA INTERNET)


O CORINTIANO

Filemon Martins



Recém-chegado de Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais a São Paulo, o cidadão começou trabalhando na Empresa Folha da Manhã S/A., com sede na Alameda Barão de Limeira, 425, Campos Elíseos, proprietária de alguns jornais, entre outros a FOLHA DE S. PAULO. Torcedor apaixonado pelo Sport Club Corinthians Paulista, também chamado Timão.  o que mais ele queria era assistir um jogo de futebol do seu time no Estádio do Morumbi. Certo dia os jornais estampavam manchetes de que haveria jogo logo mais à noite envolvendo o Timão no Morumbi.  No trabalho nosso torcedor não tinha outro assunto. Estava eufórico com a possibilidade de ver pela primeira vez seu time do coração entrar em campo e jogar. Nessas ocasiões o tempo não passa, os minutos e as horas se arrastam preguiçosamente. O expediente que terminaria às 18h parecia não ter fim.

Mas para ver o Corinthians jogar, tudo valeria a pena.

Enfim, final de tarefa, fechou sua unidade de trabalho e saiu correndo disposto a realizar seu sonho. Naquela época, algumas kombis e vans faziam o transporte do Largo do Paissandu, para outros bairros da periferia e também em dias de jogos para os estádios como Pacaembu, Morumbi e Palestra Itália. O Largo parecia mais uma feira livre: um gritava daqui, outro gritava dali. Um sujeito gritava com insistência ¨Morro Grande mais um¨ e o outro também gritava ¨Morumbi mais um¨. Apressado, afobado, o corintiano  entrou na primeira kombi que viu estacionada e  quase lotada e partiu noite adentro crente de que em pouco tempo estaria em frente às bilheterias do Estádio do Morumbi. A kombi se deslocava apesar  de muito trânsito, buzinas e pelas ruas mal iluminadas vai num sobe e desce.  Estranhou aquelas quebradas da Freguesia do Ó, Itaberaba, Brasilândia e depois de algum tempo, perguntou: - essa Kombi vai até aonde? O passageiro do lado lhe respondeu: - já está chegando no Morro Grande. Nosso torcedor ficou desolado, triste e perguntou: -  como faço para voltar?

Naquela noite, o sonho de ver o Timão jogar foi adiado. O corintiano voltou para casa taciturno e decepcionado com o ocorrido. Mas, sonhando com a próxima vez.  






sábado, 10 de junho de 2023

CONTRADIÇÃO

 

                                                        (IMAGEM DA INTERNET)


CONTRADIÇÃO

Filemon Martins


Algumas quadrilhas são presas em São Paulo, mas a televisão só pode mostrar o rosto de um ou dois.

Os demais são menores de idade, diz a reportagem.

Acho que a sociedade tem o direito de conhecer seus criminosos. Mas a lei os protege, já o cidadão de bem, salve-se quem puder ou dane-se. Aliás, nos dias de hoje, infelizmente e por incrível que pareça, a ¨lei¨ mudou de lado. Há uma inversão de valores. Não faça bonito nem certo, porque o feio e o errado são a bola da vez.

MINHA CATANDUVA FLORIDA

 


 



MINHA CATANDUVA FLORIDA
* ÓGUI LOURENÇO MAURI


As flores chegam à "Cidade-Feitiço"...
Até que, enfim, termina tão longa espera! 
Setembro agoniza, já é Primavera
Com seus novos ares que não desperdiço.
 
Que linda, minha Catanduva florida!
Fascina-me os matizes de seus ipês,
Uma pictorial paisagem que Deus fez
Em todo o traçado da longa avenida.
 
Catanduva se refaz na Primavera...
Cada ângulo mostra um cartão-postal, 
A cidade é uma pintura natural 
E seu colorido ganha a ionosfera. 
 
A brisa que respiro na Primavera
Coloca-me na fronteira do delírio;
Nos jardins, suas flores parecem colírio
Escorrendo de onde a Natureza impera. 
 
Eis que reina de novo a "Estação das Flores"! 
Valeu aguardar... Quanta felicidade! 
São novos fluidos a envolver a cidade; 
Nos romances, beijos com outros sabores!
 
* SOBRE O AUTOR:
ÓGUI LOURENÇO MAURI - Nasceu em Irapuã, SP e vive atualmente em Catanduva, para onde transferiu residência, ainda adolescente, com o objetivo de estudar. Mais tarde se afastou da cidade para fazer cursos universitários e profissionais e retornou em 1992.
Formou-se  em Contabilidade e Administração de Empresas, tendo trabalhado no Banco do Brasil, onde ingressou em 1964, por concurso público, e ali se aposentou como Gerente Geral de Agência. Como bancário exerceu durante alguns anos, em horário noturno, a atividade de professor de Contabilidade, Estatísticas e Língua Portuguesa.
Por força das aulas de Português, sempre se interessou pela leitura de bons livros e isso o levou a gostar de poesias, com leve aptidão pela crítica literária.
Com o advento da internet e o incentivo de poetas como Marilena Trujillo (brasileira) e Alberto Peyrano (argentino), passou a escrever poemas, ¨sem maiores pretensões¨, como costuma dizer. 
Hoje publica seus belíssimos versos nas redes sociais (Facebook), tem um blog, um livro virtual (e-book) publicado: ¨Janela da Vida¨. Catanduva (SP),  março de 2009.



 


sexta-feira, 9 de junho de 2023

UM VAZIO

 


                                                                '(FOTO DA INTERNET)


UM VAZIO

Ógui Lourenço Mauri



Um vazio põe além do horizonte

Um querer que à distância se lança,

Pois a ânsia que o barco desponte

Jacta o falso sabor da esperança.


Eu bem sei, não mudou a janela,

Mas o barco de longe não vem.

A saudade é bem mais do que "aquela"

E a vontade do beijo também!


É verdade que após as tormentas

O mar calmo se faz tão presente,

Como é certo que as nuvens cinzentas

Põem o Sol a brilhar novamente.


Por aqui, vejo a chuva caindo;

Logo mais, chega a luz desde o leste,

A mostrar todo o azul do céu lindo,

Um desenho de Deus, inconteste!


Pensamento vai longe, de vez!

Traz, enfim, esse barco; reitero!

Penso até que meu porto, talvez,

Não comporte o navio que eu espero.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS, Nº 359, JOSÉ FELDMAN)


SOBRE O AUTOR:

ÓGUI LOURENÇO MAURI - Nasceu em Irapuã, SP e vive atualmente em Catanduva, para onde transferiu residência, ainda adolescente, com o objetivo de estudar. Mais tarde se afastou da cidade para fazer cursos universitários e profissionais e retornou em 1992.

Formou-se  em Contabilidade e Administração de Empresas, tendo trabalhado no Banco do Brasil, onde ingressou em 1964, por concurso público, e ali se aposentou como Gerente Geral de Agência. Como bancário exerceu durante alguns anos, em horário noturno, a atividade de professor de Contabilidade, Estatísticas e Língua Portuguesa.

Por força das aulas de Português, sempre se interessou pela leitura de bons livros e isso o levou a gostar de poesias, com leve aptidão pela crítica literária.

Com o advento da internet e o incentivo de poetas como Marilena Trujillo (brasileira) e Alberto Peyrano (argentino), passou a escrever poemas, ¨sem maiores pretensões¨, como costuma dizer. 

Hoje publica seus belíssimos versos nas redes sociais (Facebook), tem um blog, um livro virtual (e-book) publicado: ¨Janela da Vida¨. Catanduva (SP),  março de 2009.


quinta-feira, 8 de junho de 2023

O QUE É A VIDA?

 

                                                                (FOTO DA INTERNET)


O QUE É A VIDA?

Filemon Martins


A vida é uma jornada de aventura,

o ser humano nasce, vive e morre.

Uma réstia de sonho e de ventura,

eis o prêmio maior a que concorre.


A mocidade passa e a desventura

vem apressada e pela vida escorre

impondo ao coração essa amargura

que mata devagar... e não socorre...


Eis a vida, em resumo, companheiro,

mas a esperança e a fé falam primeiro

e amenizam, no mundo, a nossa dor. 


Porque depois a vida é permanente

numa escola avançada e inteligente

sempre em busca de Deus, o Criador!


(LIVRO ANSEIOS DO CORAÇÃO)




INTERROGAÇÃO

 

                                                             (IMAGEM DA INTERNET)


INTERROGAÇÃO

(Um pouco de filosofia)

Filemon Martins


Quando nascemos, dizem que o Destino

já vem traçado para o ser Humano,

e sendo assim cresci, desde menino,

envolto num mistério, num engano.


Como entender que o amor do ser Divino

possa me  dar sentença de tirano?

Se a predestinação me fez cretino,

como me corrigir, se sou mundano?


Que culpa cabe a mim, se esta premissa

for verdadeira e a providência omissa

para me condenar sem indulgência?


Porventura, o que a vida nos promete

nada se cumpre e apenas nos remete:

- por que nos deu o senso e a inteligência?


(LIVRO ANSEIOS DO CORAÇÃO)

FUTURO ABIÓTICO

 


FUTURO ABIÓTICO

J. MARCOS B.


CONCEPÇÃO

Algures na Terra sob uma linda noite de luar dois velhos amigos, Justino e Ascânio, conversam antes de se deitarem para dormir.

- Há cerca de 13,7 bilhões de anos surgiu o Big Bang e assim se formou o Universo. Mas só há 4,6 bilhões de anos é que surgiu o planeta Terra. Há mais ou menos 150 mil anos apareceu o homem, que logo se tornou Erectus, depois Sapiens e hoje somos o Ser dominante na face da Terra. - explica Justino.

- Fato. – concorda Ascânio.

- A Terra, no entanto, é o único planeta com vida inteligente e comprovada até agora neste Sistema Solar. E a Terra também é como conhecemos um ecossistema finito em recursos naturais. Sabemos que todo sistema tem um ciclo de vida que vai da concepção à evolução e à decadência. A decadência e a morte de um sistema se dão quando os problemas causados são maiores que os benefícios gerados por ele; desse modo, o sistema está fadado à morte.

- Fato.

EVOLUÇÃO

- O Titã Prometeu foi preso no monte Cáucaso para que uma águia lhe comesse o fígado, por ele ter dado aos homens o fogo da Sabedoria.

No século II Cláudio Ptolomeu, o astrônomo grego, afirmou que a Terra é um corpo fixo e é o centro do Universo, criando assim o Geocentrismo.

Em 1543 Nicolau Copérnico defendeu o duplo movimento dos planetas sobre si mesmos e em volta do sol, discordando de Ptolomeu e da Igreja Católica. Era o início do Heliocentrismo, o Sol como centro do Universo. Foi declarado herético.

- Fato? - pergunta Ascânio, sem ter certeza da afirmação do colega.

- Protágoras de Abdera afirmava que o homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são enquanto são e das coisas que não são enquanto não são. Assim como Sócrates, Protágoras foi acusado de ateísmo tendo inclusive livros seus queimados em praça pública. Começava então o Antropocentrismo.

Em 542 o Concílio de Arles oficializou a condenação eclesiástica ao suicídio. Os suicidas não têm direito a enterro nem à cruz cristã.

Em 585, no Concílio de Macon II na França, os bispos e padres resolveram dar uma alma para as mulheres.

Em 9 de junho de 1537 o Papa Paulo III Alessandro Farnese editou uma Bula, a Veritas Ipsa, afirmando que os índios e os negros tinham alma.

- Fato?

- Em 1632 Galileu Galilei descobriu a lei da queda dos corpos e disse que a Terra é redonda, contradizendo Copérnico e a Igreja.

Em 1765 houve a Revolução Industrial, em 1789 houve a Revolução Francesa e em 1948 foi oficializado o Apartheid na África do Sul.

De 1914 a 1918 fizemos a nossa Primeira Guerra Mundial.

De 1939 a 1945 fizemos a nossa Segunda Guerra Mundial e nesse período usamos dois artefatos atômicos, um em Hiroshima e outro em Nagasaki.

Em 1969 o homem pisou pela primeira vez na Lua.

Em 5 de julho de 1996 clonamos a ovelha Dolly.

Em 14 de abril de 2003 mapeamos o genoma humano.

Em 27 de junho de 2005 o planeta Terra já tinha mais de 6,5 bilhões de habitantes.

- Fato. – concorda o companheiro, enfastiado de tantas informações àquela hora e se entregando ao cansaço do sono.

DECADÊNCIA

- O carpe diem de Horácio foi distorcido para o consumismo hedonista exacerbado.

Já há mais de um bilhão de veículos em circulação no mundo e em média dois bilhões de toneladas de dióxido de carbono são emitidos por ano, responsáveis por 70% do chamado efeito estufa. 

Hoje, apenas 20% das terras do planeta ainda estão com razoável cobertura vegetal.

Buraco na camada de ozônio, aquecimento global, efeito estufa, El Niño, derretimento das calotas polares, enchentes, desabamentos, enxurradas tornaram-se uma constante em nosso dia a dia. Estamos asfaltando a crosta terrestre, impermeabilizando o planeta. Já começa a faltar água potável em algumas regiões do mundo.

- Fato - afirma o amigo sonolento Ascânio, quase dormindo, acomodado para um sono profundo, porém o amigo Justino não para de lhe bombardear informações e mais informações:

- O consumo mundial dos seres humanos excede em 20% a capacidade de renovação dos recursos naturais do planeta. Uma situação insustentável.  Estamos no limiar de um colapso, meu amigo.  Segundo a terceira lei de Isaac Newton, para toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade.

Em todo processo de equilíbrio existe uma constante chamada “constante de equilíbrio”, que é uma relação entre os objetos. E a temperatura é uma característica fundamental para a estabilidade dos objetos. No equilíbrio coexiste proporcionalmente essa constante. Quando um ecossistema não consegue mais se regenerar suas forças estão em desequilíbrio e mais cedo ou mais tarde ele vai falhar. É tudo uma questão de tempo.

- Fato! - concorda o amigo, já sem interesse algum em tantas informações, inúteis para eles naquele momento.

Ascânio só queria dormir porque deitado já se encontrava. O velho amigo que não estava muito pra conversa fica pensando no teor do diálogo: deve ser nostalgia do colégio, saudade de lecionar. Esses pensamentos ecoam em sua mente como pensamentos mesmo se distanciando, uma vez que seus olhos já estão fechados há alguns minutos. Justino, ex-advogado, outrora sofrera uma grande decepção amorosa em sua vida. Ascânio, ex-médico, outrora também sofrera uma grande perda em sua vida.

- Um futuro abiótico é o que nos espera, meu amigo. Boa noite.

Finalmente se cala e se ajeita para dormir também, pois o companheiro já se encontra em sono profundo, sem saber o que desencadeou aquele papo sem pé nem cabeça.

Ambos estão deitados em suas camas, olhando para um céu estrelado ao relento, debaixo de uma ponte. Camas que têm como colchões papelões, trapos como travesseiros e jornais como lençóis para se cobrirem, se protegerem do sereno. Em volta lixo, destroços e o leito seco de um rio que outrora passava por ali.

O tempo passa, a madrugada cai sobre os ombros cansados dos velhos amigos que dormem o sono dos justos, apaziguando os medos, rancores e amarguras, por quê? Porque o tempo tem esse poder sobre os homens. No dia seguinte nenhuma mídia escrita ou falada noticiou que foram encontrados os corpos de dois indigentes embaixo da ponte às margens do rio, mortos por uma picada de cobra. Por quê? Porque indigentes não dão audiência, não vendem jornais.


SOBRE O AUTOR:

J. Marcos B. nasceu em Paulista, Pernambuco. Apaixonado por música, cinema e literatura.

Ao se mudar para São Vicente, na Baixada Santista em 1996, tornou-se Bacharel em Ciência da Computação pela FATEC - Faculdade de Ciência e Tecnologia de São Vicente.

Escreve Artigos, Contos e Crônicas. Autor do livro CONTOS & MEMÓRIAS, publicado pela CHIADO - books em 2021, São Paulo.

Mantém nas redes sociais (Facebook) os blogs - cultfilmica.blogspot.com - onde edita um verdadeiro guia de bons filmes, com informações e dicas sobre a Sétima Arte, além do Blog -  RMBS ROCK, onde ensina, comenta sobre Bandas, Cantores, Literatura, escritores com publicação de contos, textos de autores da região e também de outras plagas. 


quarta-feira, 7 de junho de 2023

CONSTATAÇÃO

 

                                                                    (FOTO DA INTERNET)


CONSTATAÇÃO

Filemon Martins 



Ontem, por ingenuidade ou credulidade 

eu não sabia, mas hoje eu sei: 

tudo o que ele disse 

não passou de enganação. 

Com frases feitas, 

palavras escolhidas iludiu o povo, 

que hoje sofre as consequências de sua escolha.

Pior, 

muitos ainda não perceberam 

o engodo, a embromação 

e continuam a aceitar, passivamente, 

a multiplicação das falcatruas, 

do enriquecimento ilícito, 

da propaganda enganosa, 

dos desmandos, 

das mentiras, da dissimulação 

e da manipulação das massas. 

Acorda, Brasil!


(LIVRO ANSEIOS DO CORAÇÃO) 


 


DEUS

 


DEUS

Filemon Martins 

 


Contemplo a Natureza fascinante, 

e vejo um Deus de amor e de brandura. 

Um livro aberto, imenso, edificante, 

com lições de bondade e de ternura. 



Mesmo que a mágoa assalte o caminhante 

e o prostre sobre o chão em desventura, 

a fé, que vem de dentro, é uma constante, 

- um bálsamo na dor da criatura. 



Creio em um Ser Supremo, um Ser bendito, 

num mundo de mistérios em que habito 

e me faz refletir os sonhos meus... 



Porque depois a vida continua 

na evolução da fé que se cultua 

sob a regência do maestro, Deus.


(LIVRO SONETOS & TROVAS)



IPUPIARA

 

                             (SERRA DO CARRANCA - IPUPIARA- FOTO DE SANDRO)


IPUPIARA

Filemon Martins


Feliz é quem trilhou estes caminhos

que levam à vibrante Ipupiara,

ouvindo o som de belos passarinhos

numa paisagem deslumbrante e rara.


Ibipetum, Pintada e outros vizinhos,

Sodrelândia, Vanique e Caiçara,

Chiquita, Bela Sombra com seus ninhos,

Brejões, Coxim que muito me ensinara.


Jamais vou esquecer... O Olho d´Aguinha,

Veríssimo, Barreiro e até Matinha,

Deus me Livre, Umbaúba e Boa Vista.


Felicidade, então, é ter nascido

e neste berço um dia ter vivido

com gente hospitaleira e idealista!


(LIVRO SONETOS & TROVAS)