sábado, 5 de julho de 2025

TROVAS DE NEUSA APARECIDA

 



TROVAS DE NEUSA APARECIDA

(UBT - ANGRA DOS REIS)


Plantei uma linda roça

bem ao lado da capela,

construí minha palhoça

para ser feliz com ela.


Perdida no labirinto

de enganadora vaidade,

no coração já pressinto

um futuro de saudade.


Naquele papel tão branco

expus o meu coração,

que de tanto solavanco

não tem mais inspiração.


Foi numa trama terrível

que meti meu coração,

era paixão impossível,

só trouxe desilusão.


(LIVRO "SEMEANDO TROVAS")

SE TEUS INIMIGOS... - EVANDRO MOREIRA

 



SE TEUS INIMIGOS...

Evandro Moreira


Se teus inimigos te acusam

e clamam contra ti,

injustamente,

não te amargures

- segue o reto caminho e ore.


Antes de ouvir os gritos

dos invejosos,

Deus ouve as preces do justo.


(LIVRO "DA SEARA DA VIDA", PÁGINA 12)

PRESSINTO - EVANDRO MOREIRA

 



PRESSINTO...

Evandro Moreira


Pressinto que, por minha falta de merecimentos, nada de útil encontrarei.

Mas devo procurar. Não é castigo, é missão.

Enquanto busco as virtudes poucas, não me sobrará tempo para cultivar os vícios tantos.

A vida não é somente o encontro.

É muito mais a busca.


Que eu jamais me impaciente nem canse de buscar, para que ela, a Vida, não se acabe logo.


(LIVRO "DA SEARA DA VIDA", PÁGINA 7)

QUEM FOI ENO THEODORO WANKE? - FILEMON MARTINS

 





QUEM FOI ENO THEODORO WANKE?
Filemon Martins


ENO THEODORO WANKE (1929-2001) nasceu em Ponta Grossa, Paraná, a 23 de junho de 1929. Filho de Ernesto Francisco Wanke e de Lucilla Klüppel Wanke. Aprendeu as primeiras letras na Escola Evangélica Alemã, de sua cidade natal. Quando a escola foi fechada em razão do advento do Estado Novo, o futuro escritor foi transferido para o Liceu dos Campos, cuja proprietária era a educadora Judith Silveira, hoje nome de rua na cidade.
Estudou também no Colégio Regente Feijó, de Ponta Grossa, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Castro, PR, onde completou o ginásio. Em 1948, transferiu-se para Curitiba, PR, onde terminou o científico no Colégio Iguaçu e em 1949, após vestibular, entrou para a Escola de Engenharia Civil da Universidade do Paraná, formando-se em 1953. Trabalhou na Prefeitura de Ponta Grossa (1954-1955). Atuou como fiscal de construção de uma linha de alta tensão elétrica em Curitiba, da Companhia Força e Luz do Paraná.
Em 1957 ingressou, por concurso, no curso de Refinação de Petróleo, da Petrobrás, no Rio, passando a trabalhar em 1958 na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão, SP, residindo em Santos, onde viveu onze anos. A partir de 1969 passou a residir no Rio de Janeiro, onde fez carreira dentro da Empresa.
Começou a escrever desde os doze anos. Poeta, Trovador, Contista, Cronista, Biógrafo, Ensaísta, Historiador, Fabulista e Prefaciador, entre outros. Como sonetista de primeira, obteve com o soneto APELO, 160 versões para 95 idiomas e dialetos. É o soneto em português mais traduzido para idiomas estrangeiros: “Eu venho da lição dos tempos idos/e vejo a guerra no horizonte armada. /Será que os homens bons não fazem nada? /Será que não me prestarão ouvidos? Eu vejo a Humanidade manejada/em prol dos interesses corrompidos. /É mister acabar com esta espada/suspensa sobre os lares oprimidos! É preciso ganhar maturidade/no fomento da paz e da verdade, /na supressão do mal e da loucura... Que a estrutura econômica da guerra/se faça em pó! E que reinem sobre a terra/os frutos do trabalho e da fartura!”.
Como trovador, escreveu trovas magníficas e inesquecíveis, como estas, entre outras: “Senhor! Que eu pratique o bem/ separe o joio do trigo, / e tenha força também/ de amar o irmão inimigo.” “Na praia deserta, eu penso/ que a imagem da solidão/ começa no mar imenso e finda em meu coração.” “Quem vai ao mar deitar rede/ que tome cuidado, tome!/ o mar nunca teve sede,/ mas nunca vi tanta fome!” “Seguindo a trilha infinita/ do meu destino estrelado,/ eu sou aquele que habita/ a ilusão de ser amado.” “O meu destino se encerra/ num grave e eterno conflito:/ - meu corpo é feito de terra, - meu coração, de infinito.”
A obra de Eno Theodoro Wanke é extensa e variada. Eis as principais: “NAS MINHAS HORAS” (poesia, 1953), “MICROTROVAS” (1961), “OS HOMENS DO PLANETA AZUL” (sonetos, 1965), “OS CAMPOS DO NUNCA MAIS” (poesia, 1967), “VIA DOLOROSA” (sonetos religiosos, 1972), “A TROVA” (estudo, 1973), “A TROVA POPULAR” (estudo, 1974), “A TROVA LITERÁRIA” (estudo, 1976), “REFLEXÕES MAROTINHAS” (pensamentos humorísticos, 1981), “VIDA E LUTA DO TROVADOR RODOLFO CAVALCANTE” (biografia, 1982), “A CARPINTARIA DO VERSO” (didática da metrificação, 1982, 1989, 1990 e 1994), “DE ROSAS & DE LÍRIOS” (minicontos, 1987), “O ACENDEDOR DE SONETOS” (líricos, 1991), “ALMA DO SÉCULO” (sonetos, 1991), “FÁBULAS” (1993), “ADELMAR TAVARES, UM TROVADOR AO LUAR” (biografia, 1997), “ANTOLOGIA DE SONETOS SOBRE A TROVA” (1998), “CONTOS BEM-HUMORADOS” (1998), “FARIS MICHAELE, O TAPEJARA” (biografia, 1999), “ELUCIDÁRIO MÉTRICO” (metrificação, 2000) e “APARÍCIO FERNANDES, TROVADOR E ANTOLOGISTA” (biografia, 2000).
O escritor transitou do CLÁSSICO ao MODERNISMO com elegância e competência, passando pelo lirismo, romantismo, parnasianismo, às vezes até irreverente como no caso de “NESTE LUGAR SOLITÁRIO” (a trova em grafitos de banheiro, 1988) e “ANTOLOGIA DA TROVA ESCABROSA” (1989), aderindo, de forma brilhante ao TROVISMO, desde o seu primeiro momento, em 1950, tornando-se um dos maiores propagadores e historiadores do Movimento da Trova Brasileira.
ENO THEODORO WANKE foi um escritor exuberante, multiforme e polivalente. Alguns CLECS (pensamentos humorísticos) de ENO, selecionados por ELMAR JOENCK, publicados em 1998: “Quando um adjetivo mente, ele, por castigo, vira advérbio. Folha que se desprende da árvore não volta nunca mais. Melhor perder o trem do que perder a linha. O sol nasce para todos. Mas a maioria prefere dormir um pouco mais. Um tolo inteligente não fala, que é para não revelar sua condição”. Organizou e participou ao lado do Trovador Clério José Borges de Sant’Anna, dos Seminários Nacionais da Trova, no Estado do Espírito Santo, organizados pelo CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS, de 1981 a 1999. Recebeu o título de Cidadão Espírito-santense, conferido pela Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo. Faleceu a 28 de maio de 2001, deixando livros e livrotes que ultrapassam 1000 títulos.
Está presente em várias obras de Aparício Fernandes, entre outras: “NOSSAS TROVAS”, 1973; “NOSSOS POETAS”, 1974; “POETAS DO BRASIL”, 1975; “ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL”, 1976, 1977, 1978, 1979, 1980 e 1981; “NOSSA MENSAGEM”, 1977; “ESCRITORES DO BRASIL”, 1979, 1980. Participou também das “COLETÂNEAS DE TROVAS BRASILEIRAS”, organizadas pelo Trovador Fernandes Vianna, Recife, PE. Verbete de inúmeras obras literárias, entre outras: ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa, edição do MEC, 1990, edição revista e atualizada por Graça Coutinho e Rita Moutinho Botelho, em 2001.


BIBLIOGRAFIA:
À Sombra dos Versos em Flor/Poesia Completa/vol. 1 – Eno Theodoro Wanke – Edições Plaquette – RJ – 2000.
Anuário de Poetas do Brasil/vol. 1 – Aparício Fernandes – Folha Carioca Editora Ltda. RJ – 1980.
Clecs de Eno Theodoro Wanke, selecionados por Elmar Joenck – Edições Plaquette – RJ – 1998.
Enciclopédia de Literatura Brasileira – Afrânio Coutinho, Fundação de Assistência ao Estudante - MEC, RJ - 1990.

CRISE DE REALIDADE - MARIA JOSÉ ZANINI TAUIL

 



CRISE DE REALIDADE (ensaio literário)

Maria José Zanini Tauil


Cortei em pedacinhos a fantasia, (isso é coisa de poeta) mas não tive coragem de jogá-los fora. Um dia, acordamos e percebemos que aquela roupa, (fantasia) já não nos serve, como se, num curto espaço de descanso, a alma se dilatasse, sem caber no antigo espaço, onde tão bem se acomodava. Estou nas palavras, mas ainda prefiro as entrelinhas. O que sei dizer de mim é quase nada, perto do ser que em mim se oculta e que sangra para dentro, como hemorragia interna. Sinto-me cansada de assumir o que não quero. Ir embora é um processo que acontece aos poucos; acho que já nasci partindo. Estou sofrida, por isso é natural que palavras nasçam, jamais agressivas... indignadas somente. 
Parece-me piegas descrever minhas angústias. Afetos desordenados são um retrocesso, pois o amor não é inteligente. Refletir é o mesmo que erguer casas, pois quanto mais conheço o vocabulário humano, percebo o quanto é difícil chegar ao íntimo do outro sem pesar, sem ser incômodo.
Sinto-me também inadequada. Escrever é uma ventura perigosa, pois o coração registra e se revela. Uma escrita nem sempre consegue alcançar, veda espaços para que o sentimento não fuja ou se perca no caminho.
Ah! Palavra! Segura o significado do vivido, desafia o tempo, engana a cronologia... mas a vida vivida, só encontra abrigo ali: na casa da palavra. 
Se mal edificada, o outro intui, pressupõe conforme sua conveniência. Ela, (a palavra) pode ser motivo de alargar distâncias, no mergulho do mistério dos significados. 
Só que a minha palavra é pedido de socorro, minha edificação literária é torta e nela descanso minhas inquietações, hospedo minhas tristezas. Essa edificação tem teto, que protege minha nudez e é onde escondo minhas indigências. Mostro mais naquilo que oculto do que naquilo que revelo, pois no avesso da minha negação, está a minha afirmação. Não sou terapeuta e você não é paciente. Confidencio pressas e ansiedades, tempos idos de minhas procuras, quando o coração desejava, mas não saboreava desejos. Sofrer de juventude é destino e de senilidade também, se a alcançamos. Lamentar perdas faz parte da vida e a realidade pode ser cruel, pois o diamante brilha bem mais na vitrine.
Num mundo de especulações, não quero mais o cansaço do argumento, discussões improdutivas, buscar inutilmente o lustre que o ego carece, pois as intenções humanas nem sempre conseguem ser decifradas e isso não se aprende com escolaridade.
Sinto o vento da simplicidade soprar em mim e ele me pede calma, serenidade. Resolvi obedecer. Sonhos juvenis perdem o viço, o que causava gozo, deixa de causar. A viagem de retorno pode ser fascinante... e ao mesmo tempo, dolorosa. Felicidade não é lógica, quebrar regras, que nem sempre conhecemos, pode gerar a dor que só o amor pode causar e isso ainda me 
assombra, pois as teorias todas chegam às minhas páginas reais. Mergulho na questão e concluo que a desilusão amorosa só tem razão de existir onde houver uma história de amor.
Para mim, você foi a pessoa mais linda que no meu caminho cruzou. Parecia personagem de literatura universal: inteligência, sensibilidade, luz derramada nas minhas sombras; claridade que ainda me envolve e me arrebata.
Se nascemos um para o outro? Isso me parecia parte do nosso destino final, mas eis a realidade: a estrutura do edifício está ruindo; o amor fragmentou-se. Levarei, porém, até o último suspiro, essa minha indagação: seria necessário o amor machucar tanto?

20/04/14 Domingo de Páscoa Campos do Jordão SP MJZTauil

sexta-feira, 4 de julho de 2025

QUEM FOI MYRTES MATHIAS? - FILEMON MARTINS















QUEM FOI MYRTES MATHIAS?
Filemon Martins




Mirtes Matias Antonio, uma das mais notáveis poetisas evangélicas do Brasil, nasceu em Valença, Rio de Janeiro, a 12/01/1933. Filha do Sr. Antonio e Dona Eglantina Mathias.
Fez seus primeiros estudos em sua terra natal, na Escola Rural, dirigida por sua mãe e aprendeu a ler com cinco anos de idade, deslocando-se para outros centros culturais, onde também estudou. Professora, Escritora, Pesquisadora, Intelectual, Educadora, Oradora, Missionária Batista e autora de literatura infantil. Em 1966, com 33 anos de idade, formou-se em teologia.
Chegou a atuar, como missionária, em Tocantínia (TO), mas por problemas de saúde não pode permanecer no campo, embora continuasse empolgada com missões através de seus poemas. Assim, em 1966, atendendo ao convite do Pastor David Gomes, foi trabalhar na sede de Missões Nacionais, como redatora da revista A PÁTRIA PARA CRISTO, onde publicava seus poemas e textos conclamando a todos para atuar na obra missionária.
Em 1988 tornou-se imortal – a primeira mulher na Academia Evangélica de Letras, tendo escrito aproximadamente 19 livros entre poemas, crônicas, romances e histórias infantis. Foi 2º ocupante da Cadeira nº 01 da Academia Evangélica de Letras do Brasil.
Escreveu, entre outros, “POEMAS PARA MEU SENHOR” (1967), “HÁ UM DEUS EM TUA VIDA”, “COMPRA-ME UMA FLOR”, “BOM DIA, AMOR”, “VIM FICAR CONTIGO”, “CAMINHOS DE DEUS”, “MAIS QUE UM DESAFIO”, “CANTA, MESMO QUANDO...”, “MENINA SEM NOME” (1972) e “ANTES QUE CAIAM AS ESTRELAS” (ROMANCE-1972).
Colaborou em jornais e revistas, tais como O JORNAL BATISTA e as revistas A PÁTRIA PARA CRISTO e VISÃO MISSIONÁRIA, entre outras.
Já aposentada, continuou indo à sede de Missões Nacionais e numa máquina de escrever antiga, registrava seus novos poemas, deixando sua marca de grande poetisa evangélica do Brasil, emocionando a todos com seus versos inspirados. “Peso de nossa terra, grito de nosso povo, que suplica um mundo novo, onde haja paz e amor. Como cantar nossa crença deixando na treva imensa o povo que é nosso povo, a terra que é nossa terra, Senhor?”
O seu poema AGORA é de uma suavidade singular. Espelho da Alma foi escrito com emoção: “Se queres dar-me uma flor/faze-o antes que eu morra./Se podes, hoje, fazer o milagre de um sorriso num rosto que chora,/não coloques flores sobre tumbas. Se queres dar-me uma flor, faze-o agora!/ Se podes dar um lar ao orfãozinho, abrigo ao pobre que geme lá fora, não encolhas a mão – Deus está vendo./Se conheces o eterno caminho que leva ao templo onde a alegria mora, não guardes, egoísta, o teu segredo: Se podes dizer, uma frase linda algo que faça a tristeza ir embora, dize-o enquanto posso agradecer sorrindo:/se podes dar-me uma flor, faze-o agora./Não esperes o instante da partida: se queres me fazer feliz, faze-o agora! Para que chorar de remorso e de saudade?/Custa tão pouco a felicidade...”
No poema TUA MARCA SOBRE MIM, a poetisa escreveu: “...Obrigado, Senhor, por minhas fraquezas, por tudo que me permites sofrer. Transforma meus problemas em bênçãos, ajuda-me a fazer das tragédias um poema: Dá-me a graça para reconhecer que eu sou somente uma parte do teu plano ao qual somente tenho que me submeter.”
Em MEU IRMÃO MAIS VELHO, ela diz: “Tiraram-lhes a liberdade de culto, o direito de abrir as portas do templo, para cantar louvores ao Criador, para buscarem junto o consolo da prece em comum, da meditação nas santas promessas, remédio para um coração em pedaços, da Pátria escravizada. Não mais a alegria de contar, à futura geração, a história daquele outro menino, que nasceu numa manjedoura, conversou com doutores, e brincou nas ruas de Nazaré. Que bom lembrar-te Jesus, como meu irmão mais velho. Distribuindo entre nós tão menores a herança tua por direito. (...) Meu irmão, eternamente jovem, infinitamente forte, todo Amor: Obrigado, pela parte na herança, pelo lugar na família, e pelo doce nome de CRISTÃO”.
Na dedicatória do seu primeiro livro, escreveu: “Pai do Céu: Aí estão meus poemas. É um presente. Melhor. É uma devolução. Vieram de Ti.” Vinte e cinco anos depois, acrescentou: “Tempo de Deus não é nosso tempo, hora dos homens não é sua hora; a gente fica parada até aprender que é parte do plano cada demora...”
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRAFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br 
Infelizmente, como ocorre com outros grandes poetas evangélicos, não é fácil encontrar os seus livros. Uma pena que as editoras evangélicas, especialmente a JUERP, não estejam reeditando seus livros. Myrtes Mathias faleceu em 05.07.1996, e sua última poesia TODOS PRECISAM SABER inspirou a letra do hino oficial da Campanha Missionária daquele ano.



BIBLIOGRAFIA:

Texto Missões em Verso e Imagem, de Sandra Regina Bellonce do Carmo, via Internet.
Texto Dicionário de Membros da Academia Evangélica de Letras, de Mário Ribeiro Martins, Ensaios, no site www.usinadeletras.com.br
Informações adicionais: Sammis Reachers, via e-mail, Rio de Janeiro-RJ.



(FOCALIZADA EM MEU LIVRO ¨FAGULHAS¨, PÁGINAS 172/174)

QUEM FOI EDIZIO MENDONÇA? - FILEMON MARTINS

 

        
(Da esquerda para a direita, Filemon, Edízio e Mário Martins)


QUEM FOI EDIZIO MENDONÇA?
Filemon Martins



EDIZIO RODRIGUES MENDONÇA é baiano e nasceu em Barra do Mendes, a 14 de agosto de 1938, filho de Ezequiel Rodrigues Mendonça e de Esteva Maria da Anunciação.
Barra do Mendes é uma progressista cidade no alto Sertão, encravada na região Noroeste do Estado da Bahia, no circuito da Chapada Velha, fazendo fronteira com os municípios de Gentio do Ouro e Ibipeba, Seabra, Souto Soares, Barro Alto, Ipupiara e Brotas de Macaúbas, com uma população aproximada de 20.000 habitantes.
Pena que até hoje (2025) não se conseguiu sensibilizar o governo do Estado da Bahia para construir uma boa estrada ligando Barra do Mendes à Ipupiara, (apenas 78 km). As promessas foram muitas, mas, porém, contudo... As duas cidades e outras da região muito ganhariam com o intercâmbio comercial, turístico e cultural, além de permitir acesso melhor à cidade de Irecê.
EDIZIO MENDONÇA, filho ilustre de Barra do Mendes, fez seus primeiros estudos em escola particular, com a professora Elvira Campos Mendonça e na escola Duque de Caxias, com o professor Lídio Armando Guedes, tendo concluído o curso Primário na Escola Pública Rio Branco, dirigida pela professora Vivaldina Lima Lessa, em sua terra natal.
Deslocando-se para outros centros, fez cursos, entre outros, de Administração Municipal, Técnicas de Alfabetização, Fiscalização de Rendas e curso de Jornalismo. Casou-se, primeiro, com Cleonice Teixeira Mendonça, com quem teve os filhos: Eduardo (também poeta), Lilia, Eliana, Edizio Júnior, Ana Amália e Gleuda Simone Teixeira Mendonça. Viúvo, casou-se depois com Maria Sodré Mendonça, com quem teve os filhos: Evandro, Edizia Maria, Edenizio, Edilma e Eniere Sodré Mendonça.
Escritor, Jornalista, Cronista, Pesquisador, Historiador, Poeta e Trovador, Edizio Mendonça é também político local, além de funcionário municipal, tendo exercido vários cargos na Administração Pública de Barra do Mendes.
Como político, foi Vereador (1971/1973) e Vice-Prefeito (1977/1983) e exerceu inúmeras vezes o cargo de Secretário de Administração, Cultura e Turismo do Município. (1965/1972), (1983/2001).
Como Escritor, já publicou vários livros, entre os quais, "POEMAS PARA CLEONICE" (1969), "O CORONEL MILITÃO COELHO" (1980), "CAPITÃO JOÃO PEDRO" (2002) e "BARRA DO MENDES, UMA HISTÓRIA DE LUTAS" (2003). Os dois últimos livros, eu os ganhei do autor, quando em companhia do Procurador de Justiça e Escritor Mário Ribeiro Martins visitamos o escritor em Barra do Mendes em 19/07/2005.
Nesta visita, deu-nos o ensejo de conhecer alguns pontos da cidade, entre outros, o açude municipal Landulfo Alves, a casa em que morou o Cel. Militão Rodrigues Coelho, o Hospital Municipal Manoel Novaes, o Arquivo Público Municipal, a Prefeitura Municipal e o Prefeito de Barra do Mendes, na época, Dr. Manoel Gabriel dos Santos (Dr. Néu).
Edízio Rodrigues Mendonça é um homem de muitos talentos, atua como Diretor – Gerente da Rádio Barra do Mendes (RBM) e é Diretor do Jornal “Tribuna do Sertão”. Seu projeto é ambicioso e escreve incansavelmente, são 18 livros inéditos e mais 17 livros “em preparo”, entre poemas, trovas, crônicas, contos, história e cordel.
Entre os livros inéditos, estão "Cantigas do Alvorecer", "Mãezinha do Coração", "Mensagem de Natal", "Pérolas do Amanhecer" (Trovas), "Pétalas de Saudades", "Pétalas do Alvorecer" (Poesias), "O Coronel Artur Ribeiro" (de Ipupiara) e "Vultos do Meu Sertão", volumes 01 e 02.
Entre os livros que está preparando, encontramos Coronéis da Chapada, Governadores da Bahia (1889-2001), Governadores de São Paulo (1889-2001), Manoel Novaes, o Gigante do São Francisco, Os Últimos Dias do Cel. Horácio de Matos, Poetas do Meu Sertão e Trovadores da Bahia.
Detentor de inúmeras honrarias, tais como, nome de Rua, de Escola, de Biblioteca, de Grêmio Estudantil “Edizio Mendonça”, na cidade ou no Município de Barra do Mendes. Faz parte, como co-autor, de várias Coletâneas e Antologias, entre as quais, “Coletânea de Contos, Crônicas e Poesias” – IV Festival de Inverno da Bahia – (1994), “Trovadores do Brasil” – 2º vol. Aparício Fernandes – RJ -(1967), “A Trova no Brasil” – Aparício Fernandes – RJ - (1972), “Poetas da Bahia”- Eduardo Cavalcante Silva – Salvador – (1966) e “Anuário Coletânea de Trovas Brasileiras” – Fernandes Vianna – Recife – PE – (1977/1978).
Membro de diversas entidades culturais e de classe, tais como, Academia Guanabarina de Trovas – RJ; Academia Itajubense de Letras – Itajubá – MG; Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras – Anápolis – GO; Academia Barramendense de Letras – Barra do Mendes – BA e Academia Goianense de Letras – Goiânia – GO etc.
Colaborador de Jornais e Revistas do País, eis algumas opiniões sobre o seu trabalho: “Tive a oportunidade de ler “Tribuna do Sertão” e passei a lhe admirar mais ainda.” Apolônio Alcântara Dias Coelho – Morro do Chapéu – Ba; “Edizio, um dia a história de Barra do Mendes lhe fará justiça, pelo grande homem que você é. E pelo trabalho que você tem feito por sua terra.” Rogério Rego – Brasília – DF; “Tribuna do Sertão” é um jornal que diz bem da capacidade jornalística do poeta Edizio Mendonça”. Eduardo Cavalcanti Silva – Camaçari – Ba.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br
Tomara que os livros do Poeta/Escritor, Edízio Mendonça, de Barra do Mendes, Bahia, venham à luz da publicidade para deleite dos seus leitores, entre os quais eu me incluo.
Faleceu em Barra do Mendes, aos 78 anos, em 27/08/2016.

OBS.: Focalizado em meu livro "FAGULHAS", PÁGINAS 122/124.


BIBLIOGRAFIA:
“CAPITÃO JOÃO PEDRO” – Edizio Mendonça – 2002
“BARRA DO MENDES, UMA HISTÓRIA DE LUTAS” – Edizio Mendonça – Secretaria da Cultura e Turismo – Salvador – Bahia – 2003
“DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL” – Texto via INTERNET, de Mário Ribeiro Martins, www.usinadeletras.com.br

O CONTO DO BILHETE DE ÔNIBUS - FILEMON MARTINS

 



O CONTO DO BILHETE DE ÔNIBUS
Filemon Martins


Voltava para casa lá pelas 19h30min. Tomei o metrô e desci na estação de Artur Alvim. Rumei para o ponto de ônibus, que me levaria até próximo de casa. Eta viagem longa! Me postei na fila aguardando a chegada do ônibus. Havia muitos passageiros à minha frente. Logo atrás de mim chegou um rapaz de vinte e poucos anos. Discretamente, fiquei observando o cidadão. Levou a mão ao bolso e tirou uma carteira. Abriu-a e começou a mexer, mexer, sem nada retirar. Ao que parece não havia dinheiro e nem bilhete de qualquer espécie. Já falando comigo, disse: "Puxa vida, esqueci meus passes em cima da mesa de trabalho. Acho que vou telefonar e pedir ao colega para guardá-los." Respondi: É interessante, sim, pelo menos você vai tranquilo para casa. "É," disse ele. - "Mas o senhor tem um passe para me arrumar ?" Tudo bem, abri a carteira, retirei um passe de ônibus e lhe entreguei. Não imaginei que estava caindo no conto do bilhete. Agradeceu e saiu para telefonar, pensei. Meu ônibus chegou, a fila andou e finalmente entrei na condução e me sentei próximo à  janela, de tal forma que podia ver os passageiros que aguardavam o ônibus seguinte.
De repente, lá vem o dito cujo, saracoteando, deve ter conseguido telefonar. Entrou na fila e se postou logo atrás de uma moça. Até aí tudo normal. Desviei o olhar por um momento, mas voltei a observá-lo e ( pasmem! ) vi a mesma cena. Enfiou a mão no bolso, tirou a carteira, mexeu, mexeu, nada retirou e interpelou a moça. Ela abriu a carteira e deu-lhe um passe de ônibus.
O ônibus partiu e comecei a pensar com meus botões. Será que este indivíduo faz isto com frequência? Era a primeira vez que via aquele tipo de golpe. Durante alguns dias, observei-o e constatei o que já sabia. O larápio aplicava este golpe todos os dias, em pontos diferentes do terminal de ônibus e provavelmente em outros pontos de ônibus de outras estações do metrô. Conclusão: caí no golpe do bilhete de ônibus. Após algum tempo, mudei o itinerário e passei a descer em outra estação metropolitana. Não sei se o malandro ainda continua passando a lábia em outros incautos, como eu. Nunca mais o vi, nem tive notícias dele. E fiquei refletindo: somos golpeados de todas as formas e de todos os lados. Pessoas inescrupulosas e interesseiras estão a todo momento tentando nos enganar. Levar vantagem. Até um larápio, bom de lábia, consegue nos ludibriar. Também pudera, para quem caiu no embuste do PT, cair no conto do bilhete não é nada. Difícil será aguentar mais quatro anos de conto-do-vigário. 

COISAS DO CORAÇÃO - FILEMON MARTINS

 




COISAS DO CORAÇÃO
Filemon Martins



Hoje acordei contemplativo. O dia amanheceu escuro, frio, chuvoso e triste. E enquanto chovia, observava as gotas de água que caíam na vidraça da janela e deslizavam mansamente. Uma saudade inexplicável bateu forte em meu coração. Lá fora, a chuva continuava fina, mas constante, ativando ainda mais este agridoce vazio que pesa no meu peito.
Nestes dias parece que a poesia adquire mais sabor e mais vida, transformando-se num lenitivo para o espírito. Munido de caneta e papel, começo a escrever. Escrevo com o coração uma palavra, uma frase, sobre um episódio, um fato, um sonho, uma esperança ou quem sabe a reminiscência de um amor.
Aos poucos a chuva vai cessando e sinto uma vontade incontrolável de sair pelas ruas do bairro. Talvez, eu possa ir à  barbearia conversar com as pessoas. Gosto de ficar ouvindo suas histórias, sonhos e segredos e tentar entendê-los.
Por algum tempo, fico absorto, imaginando, como seria bom, se pudesse ser um pássaro. Poderia voar livre, como um beija-flor numa valsa delicada e bela em redor das flores. Poderia, ainda, cantar mavioso, como faz o sabiá nas laranjeiras. Porém, não sou pássaro e também não sei cantar, mas sei pensar. Meu pensamento é uma arma. Aliás, única arma do poeta. Com ele posso vencer obstáculos, transpor montes, rios e oceanos. Posso percorrer o Planeta Terra, porque meu pensamento não encontra barreiras na propagação da paz, da esperança e do amor.
Depois destas conjeturas, levanto-me. Fico impaciente e ando de um lado para o outro. Vou até à  porta, mas vejo através da janela que a chuva volta a cair. Torna-se forte. A enxurrada se faz barulhenta. Não posso sair. Volto a sentar-me e meu coração se acalma. Emudeço. Ouço uma música e volto a escrever - coisas da alma. São anseios do coração. 


QUEM FOI OLEGÁRIO MARIANO? - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 

             (foto de Mário Ribeiro Martins)

QUEM FOI OLEGÁRIO MARIANO?

Mário Ribeiro Martins



OLEGÁRIO MARIANO (Olegário Mariano Carneiro da Cunha), de Recife, Pernambuco, 24.03.1889, escreveu, entre outros, ÂNGELUS (Poesia-1911), EVANGELHO DA SOMBRA E DO SILENCIO (Poesia-1912), ÚLTIMAS CIGARRAS (Poesia-1915), ÁGUA CORRENTE (Poesia-1918), CIDADE MARAVILHOSA (Poesia-1930), O ENAMORADO DA VIDA (Poesia-1937), QUANDO VEM BAIXANDO O CREPÚSCULO (1944), sem dados biográficos completos nos livros e sem qualquer outra informação ao alcance da pesquisa, via textos editados. Filho de José Mariano Carneiro da Cunha e de Olegária Carneiro da Cunha. Seu pai foi Deputado Geral no Império e Constituinte em 1891, além de proprietário de Cartório. Após o inicio dos estudos primários em sua terra natal, deslocou-se para outros centros, onde também estudou. Transferiu-se para o Rio de Janeiro, em 1897, com 8 anos de idade. Estudou no Colégio Pestalozzi e no Colégio Pio Americano. Frequentou a roda literária de Olavo Bilac, Guimarães Passos, Emílio de Meneses, Coelho Neto, Martins Fontes e outros. Estreou na vida literária aos 22 anos com o volume ANGELUS, em 1911. Matriculou-se na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, mas não concluiu o curso, preferindo trabalhar com o seu pai no Cartório. Ainda em 1911, casou-se com Maria Clara Sabóia de Albuquerque, com quem foi para a Europa, permanecendo um ano. Representou o Brasil, em 1918, como secretário de embaixada à Bolívia, na Missão Melo Franco. Em 1926, com 37 anos de idade, recebeu o titulo de PRINCIPE DOS POETAS BRASILEIROS, sucedendo a Alberto de Oliveira. Após a Revolução de 1930, recebeu do Presidente Getúlio Vargas, um Cartório de Registro de Imóveis, no Rio de Janeiro. Em maio de 1933, elegeu-se Deputado à Assembleia Nacional Constituinte, tendo sido sempre reeleito até o advento do Estado Novo, em 1937, que acabou com o legislativo. Em concurso promovido pela revista FON-FON, em 1938, Olegário Mariano foi eleito, pelos intelectuais de todo o Brasil, PRÍNCIPE DOS POETAS BRASILEIROS. Foi ministro plenipotenciário nos Centenários de Portugal, em 1940. Delegado da Academia Brasileira na Conferência Interacadêmica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945. Em 1953, com 64 anos de idade, tornou-se Embaixador do Brasil em Portugal, o que trouxe muita celeuma, por não ser da carreira diplomática. De volta ao Brasil, em 1954, foi nomeado Inspetor Federal do Ensino Secundário, bem como Censor Teatral. Foi letrista na música popular brasileira. Membro da Academia das Ciências de Lisboa, da qual recebeu o prêmio PALMA DE OURO. Exerceu o cargo de oficial do 4º Ofício de Registro de Imóveis, no Rio de Janeiro, tendo sido antes tabelião de Notas. Além da obra poética iniciada em livro em 1911 e enfeixada nos dois volumes de TODA UMA VIDA DE POESIA (1957), publicados pela José Olympio, Olegário Mariano publicou durante anos, nas revistas CARETA e PARA TODOS, sob o pseudônimo de João da Avenida, uma seção de crônicas mundanas em versos humorísticos, mais tarde reunidas em dois livros: Bataclan e Vida Caixa de brinquedos. Poeta, político e diplomata. Faleceu no Rio de Janeiro, em 28.11.1958, com 69 anos de idade. Terceiro ocupante da Cadeira 21, eleito em 23.12.1926, na sucessão de Mário de Alencar e recebido pelo Acadêmico Gustavo Barroso em 20.04.1927. Recebeu o Acadêmico Guilherme de Almeida. Sua Cadeira 21, na Academia Brasileira de Letras tem como Patrono Joaquim Serra, Fundador José do Patrocínio, sendo também ocupada por Mario de Alencar, Olegário Mariano, Álvaro Moreyra, Adonias Filho, Dias Gomes, Roberto Campos e Paulo Coelho. Muito bem estudado no DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO DE POETAS PERNAMBUCANOS (1993), de Lamartine Morais. Pouco analisado na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001. Com sua importância, é grandemente estudado no DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO (2001), da Fundação Getúlio Vargas e é convenientemente referido, em todas as enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc. É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br



MÁRIO RIBEIRO MARTINS - ERA PROCURADOR DE JUSTIÇA E ESCRITOR.

QUEM FOI OLAVO BILAC? - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 



QUEM FOI OLAVO BILAC?

Mário Ribeiro Martins



OLAVO BILAC (Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac), Carioca, do Rio de Janeiro, 16.12.1865, escreveu, entre outros, POESIAS (1888), CRÔNICAS E NOVELAS (1894), CRITICA E FANTASIA (1904), CONFERENCIAS LITERARIAS (1906), TRATADO DE VERSIFICAÇÃO (1910), DICIONARIO DE RIMAS (1913), sem dados biográficos completos nos livros e sem qualquer outra informação ao alcance da pesquisa, via textos editados. Filho de Braz Martins dos Guimarães Bilac e de Delfina Belmira dos Guimarães Bilac. Após os estudos primários em sua terra natal, deslocou-se para outros centros, onde também estudou. Matriculou-se na Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro, mas desistiu no 4º. ano. Tentou, a seguir, o curso de Direito em São Paulo, mas não passou do primeiro ano. Dedicou-se desde cedo ao jornalismo e à literatura. Teve intensa participação na política e em campanhas cívicas, das quais a mais famosa foi em favor do serviço militar obrigatório. Fundou vários jornais, de vida mais ou menos efêmera, como A CIGARRA, O MEIO, A RUA. Na seção “Semana” da GAZETA DE NOTÍCIAS, substituiu Machado de Assis, trabalhando ali durante anos. É o autor da letra do Hino à Bandeira. Fazendo jornalismo político nos começos da República, foi um dos perseguidos por Floriano Peixoto. Teve que se esconder em Minas Gerais, quando frequentou a casa de Afonso Arinos de Melo Franco, em Ouro Preto. No regresso ao Rio, foi preso. Em 1888, com 23 anos, publicou seu primeiro livro POESIAS, tornando-se o mais típico dos parnasianos brasileiros, ao lado de Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. Em 1891, com 26 anos de idade, foi nomeado oficial da Secretaria do Interior do Estado do Rio. Em 1898, com 33 anos, tornou-se Inspetor Escolar do Distrito Federal (Rio de Janeiro), cargo em que se aposentou, pouco antes de falecer. Foi também Delegado em Conferências Diplomáticas. Em 1907, com 42 anos, foi Secretário do Prefeito do Distrito Federal. Em 1916, com 51 anos, fundou a Liga de Defesa Nacional. Foi eleito “PRÍNCIPE DOS POETAS BRASILEIROS”, no concurso que a revista Fon-fon lançou em 01.03.1913. Alguns anos mais tarde, os poetas parnasianos seriam o principal alvo do Modernismo. Apesar da reação modernista contra a sua poesia, Olavo Bilac tem lugar de destaque na literatura brasileira, como um dos mais típicos e perfeitos dentro do Parnasianismo brasileiro. Foi notável conferencista, numa época de moda das conferências no Rio de Janeiro. Produziu também contos e crônicas. Jornalista, poeta, inspetor de ensino. Faleceu no Rio de Janeiro, em 28.12.1918, com 53 anos de idade. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, criou a Cadeira 15, que tem como patrono Gonçalves Dias. Recebeu o Acadêmico Afonso Arinos. Sua Cadeira 15, na Academia Brasileira de Letras tem como Patrono Gonçalves Dias, Fundador (ele mesmo, Olavo Bilac), sendo também ocupada por Amadeu Amaral, Guilherme de Almeida, Odylo Costa Filho, Dom Marcos Barbosa e Fernando Bastos de Ávila. Bem analisado na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001. Apesar de sua importância, não é estudado no DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO (2001), da Fundação Getúlio Vargas e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc. É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br 



MÁRIO RIBEIRO MARTINS ERA PROCURADOR DE JUSTIÇA E ESCRITOR.

QUEM FOI FAGUNDES VARELA? - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 




QUEM FOI FAGUNDES VARELA?

Mário Ribeiro Martins



FAGUNDES VARELA (Luís Nicolau F.V.), de Rio Claro, Estado do Rio, 17.08.1841, escreveu, entre outros, NOTURNAS (1861), O ESTANDARTE AURIVERDE (1863), VOZES DA AMERICA (1864), CANTOS E FANTASIAS (1865), CANTOS MERIDIONAIS (1869), CANTOS DO ERMO E DA CIDADE (1869), ANCHIETA OU O EVANGELHO NA SELVA (1875), CANTOS RELIGIOSOS (1878), DIÁRIO DE LÁZARO (1880). Filho do Dr. Emiliano Fagundes Varela e de Emília de Andrade. Após os estudos primários em sua terra natal, deslocou-se para outros centros, onde também estudou. Passou a infância na fazenda e na vila de São João Marcos, onde seu pai era Juiz. Com a transferência de seu pai, em 1851, passou a residir em Catalão, interior de Goiás. Nesta cidade, conheceu o juiz municipal Bernardo Guimarães. De volta à terra natal, residiu em Angra dos Reis e Petrópolis, onde fez os estudos secundários. Em 1859, foi terminar os preparatórios em São Paulo. Só em 1862 matriculou-se na Faculdade de Direito, que nunca terminou, preferindo a literatura e dissipando-se na boêmia. Em 1861, publicara o primeiro livro de poesias, Noturnas. Contraiu matrimônio com a artista de circo Alice Guilhermina Luande, de Sorocaba, que provocou escândalo na família e agravou-lhe a penúria financeira. O primeiro filho, Emiliano, morto aos três meses de idade, inspirou-lhe um dos mais belos poemas, Cântico do Calvário. A partir daí, acentuam-se nele a tendência para o alcoolismo, mas também a inspiração criadora. Publicou Vozes da América em 1864 e a sua obra-prima Cantos e Fantasias, em 1865. Em 1866, durante uma viagem prolongada a Recife, faleceu-lhe a mulher, que não o acompanhara ao Norte. Casou-se pela segunda vez com a prima Maria Belisária de Brito Lambert, com quem teve duas filhas e um filho, este também falecido prematuramente. Voltou a São Paulo, matriculando-se, em 1867, no 4º ano do curso de Direito. Abandonou de vez o curso e recolheu-se à casa paterna, na fazenda onde nascera, em Rio Claro. Em 1870, mudou-se com o pai para Niterói, onde viveu até o fim da vida. Faleceu em Niterói, RJ, em 17.02.1875. É o patrono da Cadeira n. 11, da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Lúcio de Mendonça. Sua Cadeira 11 na Academia tem como Patrono (ele mesmo Fagundes Varela), Fundador Lúcio de Mendonça, sendo também ocupada por Pedro Lessa, Eduardo Ramos, João Luis Alves, Adelmar Tavares, Deolindo Couto, Darcy Ribeiro, Celso Furtado e Helio Jaguaribe. Muito bem analisado na ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho, em 2001. Apesar de sua importância, não é estudado no DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO (2001), da Fundação Getúlio Vargas e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural etc. É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br 


MÁRIO RIBEIRO MARTINS ERA PROCURADOR DE JUSTIÇA E ESCRITOR.

quinta-feira, 3 de julho de 2025

O CAMINHO DE EMAÚS - FILEMON MARTINS

 



O CAMINHO DE EMAÚS
Filemon Martins

O caminho é longo e penoso
e apesar da multidão,
eu sigo só pela estrada da vida...

Imagino como seria bom
se de repente aparecesse um amigo
para trocar ideias,
falar de coisas terrenas,
coisas amenas,
ou de alguns momentos
de saudades, de sentimentos,
como outrora apareceu
para aqueles homens que, angustiados,
andavam no caminho de Emaús.

Mas, sigo só
tendo por companhia o medo, a incerteza,
a tristeza e a saudade
que andam sempre juntas.

Quem sabe a palavra daquele amigo
pudesse trazer conforto, consolo e esperança
para os que sofrem e os que choram
excluídos da vida?

Mas, que poderia eu oferecer-lhe
caso ele aparecesse?
Um abrigo tosco, um estrado de madeira,
um pedaço de pão, um pedaço de peixe,
água de moringa, água do pote?

O caminho por onde passo agora
é ermo de amor, de gratidão, de compreensão,
é vazio e inóspito, cheio de dor,
de desencontros e de espinhos
que ferem, magoam e machucam...

Talvez um dia eu possa ter neste caminhar
os atributos e as virtudes
daqueles discípulos que confabulavam
no caminho de Emaús.

(LIVRO "ANSEIOS DO CORAÇÃO", PÁGINAS 20/21)