sábado, 17 de fevereiro de 2024

TROVAS EM FAMILIA

 




      TROVAS EM FAMÍLIA

NENHUM POEMA É MAIS BELO
E INSPIRA TANTA ESPERANÇA,
DO QUE UM SORRISO SINGELO
NO ROSTO DE UMA CRIANÇA.
            FILEMON MARTINS

A MONTANHA COROADA
DO OURO DO SOL, ANUNCIA
QUE APÓS A NOITE CERRADA
CHEGA SEMPRE UM NOVO DIA.
            CARLOS RIBEIRO ROCHA - TIO

ESCOLHA UM SOLO FECUNDO,
PREPARE-O COM MUITO ARDOR,
E COM FERVOR MAIS PROFUNDO
PLANTE A SEMENTE DO AMOR!
            JERRY FILHO - PRIMO

AMIGOS: GUARDEM DE COR
E VIVERÃO SATISFEITOS:
NOSSA VITÓRIA MAIOR
É VENCER NOSSOS DEFEITOS.
            SAMUEL P. RIBEIRO - PRIMO

(JORNAL O RADAR, ABRIL DE 1999, PÁGINA 19)


FÊNIX

 



FÊNIX                        
Jô Tauil

DE QUANTAS MORTES MORRI?
DE TRISTEZA E DE BELEZA
DOS AMORES QUE VIVI
DOS AMORES QUE PERDI
MAS DE CADA MORTE
RADIANTE, RENASCI!
BORBOLETA COLORIDA
VIDA BREVE E INTENSA
RETORNOS CONSTANTES
RENOVADAS PRIMAVERAS
SOU FLOR, FLORES, FLORESTA
SOU PARTE DE DEUS
SOU VOO DOS QUE ME CERCAM
SOU O ABRAÇO AMPLO
DO ESPAÇO QUE ME ENLAÇA
QUANDO, COMO NARCISO
OLHO-ME NAS ÁGUAS
OU ME AFOGO EM LABAREDAS
PORQUE, COMO FÊNIX
À CADA MORTE
RENASCO...


(NA ÉPOCA DO SITE WWW.PREFACIO.NET, HOJE EXTINTO)


PORTA ABERTA

 


PORTA ABERTA
    Théo Drummond


Se  tu queres sair vê que a porta está aberta.
Nunca mais a tranquei por que há muito sentia
Teu amor se extinguir, por isso eu já sabia
O que ia acontecer, e agora pouco importa.

O tempo é sempre assim: ele cria e ele corta
O que quer que aconteça em nossa vida, um dia.
E sem pensar na dor nosso caminho entorta,
E faz da dor a dor que em nós mais nos doía.

Não faz mal que te vás, por outro amor levada.
Peço, apenas que saias sem dizeres nada,
Pois nada o que disseres me ajuda ou conforta.

Sejas feliz com o outro e nem lembres de mim.
Há tempos que eu já vivo a chegada do fim,
Por isso vai-te embora e fecha logo a porta.



    (OBS.: FOCALIZADO EM MEU LIVRO FAGULHAS)

POSSE - FILEMON MARTINS

 


POSSE
Filemon Martins

Eu quero a luz
que existe em teu olhar.
Quero a ternura
que há em tua voz.
Quero a meiguice
que há no teu sorriso.
Quero a paz
que há em tua vida.
Quero a beleza
que emana de tua alma.
Quero a pureza
que vem de ti.
Quero os segredos
do teu pensamento.
Quero a sinceridade
do teu sentimento.
Quero o fogo
de tua paixão.
Eu quero ter, enfim,
a posse do teu coração.


TROVAS GRANDES POETAS II

 



TROVAS DE GRANDES POETAS II


A saudade é altar festivo,

que tenho no coração,

onde a rezar sempre vivo

uma infinita oração... 

(Inocêncio Candelária)


Dia a dia, mais se expande

e minha alma triste a aceita:

- esta saudade é tão grande,

que o próprio tempo a respeita! 

(Carolina Ramos)


Esta mágoa, sem remédio...

Esta esquisita ansiedade...

Esta doçura que é tédio...

- É o que chamamos Saudade. 

(Luiz Otávio)


Estranha fidelidade

na minha vida acontece:

eu não esqueço a saudade,

e a saudade não me esquece... 

(Izo Goldman)


(Do livro MIL TROVAS DE AMOR E SAUDADE, de P. de Petrus/Noel Bergamini-da UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES)

TROVAS DE GRANDES POETAS III

 



TROVAS DE GRANDES POETAS III


Amor, palavra que inspira

todo um mundo de ternura,

no fundo é a eterna mentira,

que não mata – mas tortura. 

(Colombina)


Eu vi o rio chorando,

quando te foste banhar,

por não poder, te banhando,

dar-te um abraço, e parar... 

(Adelmar Tavares)


Quero ser livre, é verdade.

Entretanto, os olhos meus,

vivem minha liberdade

na prisão dos olhos teus! 

(Lilinha Fernandes)


Riste de mim, e, portanto,

o nosso amor já não vive...

- Foi culpa do teu encanto

o desencanto que tive. 

(Walter Waeny)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

O HOMEM E A MULHER

 

                              (FOTO DO PRIMO SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)


O HOMEM E A MULHER

VICTOR HUGO



O homem é a mais elevada das criaturas, a mulher o mais sublime dos ideais. Deus fez para o homem um trono; para a mulher um altar. O trono exalta; o altar santifica, o homem é o cérebro; a mulher o coração. O cérebro produz a luz; o coração o amor. A luz fecunda, o amor ressuscita. O homem é um gênio; a mulher um anjo. O gênio é imensurável; o anjo indefinível, A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher a virtude extrema. A glória traduz grandeza; a virtude traduz divindade. O homem tem a supremacia; a mulher a preferência, A supremacia representa a força; a preferência representa o direito. O homem é forte pela razão; a mulher é invencível pela lágrima. A razão convence, a lágrima comove. O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher de todos os sacrifícios. O heroísmo enobrece; o martírio sublima, o homem é código; a mulher o evangelho. O código corrige; o evangelho aperfeiçoa. O homem é um templo; a mulher um sacrário, ajoelhamo-nos. O homem pensa; a mulher sonha. Pensar é ter cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola, o homem é um oceano; a mulher um lago, o oceano tem a pérola que embeleza; o lago tem a poesia que o deslumbra, o homem é uma águia que voa; a mulher um rouxinol que canta. Voar é dominar os espaços; cantar é conquistar a alma. O homem tem um fanal e a esperança, o fanal guia e a esperança salva. Enfim, o homem está colocado onde termina a terra, a mulher onde começa o céu!


Victor-Marie Hugo (Besançon/França, 1802 — 1885, Paris, França) foi um novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país. É autor de Os Miseráveis. Notre-Dame de Paris, Os Trabalhadores do Mar, entre diversas outras obras clássicas de fama e renome mundial.



(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 406, JOSÉ FELDMAN) 


O POETA - FILEMON MARTINS

 



O POETA

Filemon Martins



Ele é o intérprete do povo. Amante do alvorecer, do pôr do sol, da canção da brisa, do cantar dos pássaros e do murmúrio das cascatas. Paladino do amor e da verdade. Um sonhador, como dizem alguns.

Escreve porque tem necessidade. Não pode parar de escrever, e se o fizesse, certamente morreria. Faz parte da alma do povo. Vive e sofre com o povo. Canta as alegrias e tristezas do seu povo, seus sentimentos, suas esperanças, suas angústias, emoções, sonhos e desventuras, chorando com os que choram e sorrindo com os mais felizes e venturosos na esperança de um mundo melhor, mais justo, mais feliz e mais humano. 

Ninguém melhor que ele para sentir o desespero da humanidade, que sofre com o peso da injustiça, do desprezo e da exploração dos simples e desvalidos. Não emudece ante as ameaças dos que, levados pela obsessão do poder, pela inveja e pelo egoísmo fazem calar à força os que denunciam a opressão, a corrupção e o erro.

A poesia é sua companheira e confidente, através dela consegue ver em rostos alegres, corações que derramam lágrimas de saudade e mágoa. Saudade de tudo: O que passou, o que não vem, o que há de vir. Mágoa, por um sonho desfeito diante da realidade adversa. 

O poeta nasce, disse alguém, mas não morre. Porque seu verso é eterno. Assim, talvez o mundo fosse mais alegre e solidário, se houvesse mais tempo para a poesia.

Porque quando tudo parece estar perdido, quando a descrença invade nossos corações, ele, uma vez mais, vê surgir em meio às trevas do medo, do esquecimento e do abandono, um raio de luz e de esperança, como se fora um farol a guiar um viajor perdido na amplidão do mar. 

Que nunca te cales, poeta, e que continues a despertar corações insensíveis e consciências cauterizadas, “ porque se te calares, as pedras clamarão.” (S. Lucas 19:40). 


(LIVRO "FAGULHAS")


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

DOCE PERDÃO - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 



DOCE PERDÃO

Mário Barreto França


Quando acordei daquela letargia

em que o pecado me fizera estar,

acanhado de tanta rebeldia,

foi para Deus o meu primeiro olhar.


Tudo a meus olhos turvos parecia

minha presença odiosa rejeitar;

e segui de alma pálida e sombria

num desejo incontido de chorar.


Mas, quando entrei pela primeira porta

de um templo silencioso, comovido

curvei-me em prece e, envolto em doce luz,


Notei ( e essa lembrança me conforta )

o perdão dos males refletido

na ternura dos olhos de Jesus.


(LIVRO "NO JARDIM DO SENHOR", PÁGINA 25)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

DENTRO DA VIDA - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 



DENTRO DA VIDA

Mário Barreto França


Quanto mais longe se apresenta a glória,

Tanto mais força faze pra alcançá-la,

Que o prazer mais profundo da vitória

Está, precisamente, em conquistá-la.


Se o teu ideal for alto como os Andes

E inescalável se tornar na vida,

Não retrocedas, porque as causas grandes

Não pertencem ao ideal de quem duvida.


Não duvides do amor, sofrendo embora

Dele as maiores privações do mundo;

Se o amor em dores se apresenta agora,

Certo, amanhã, se mostrará fecundo.


Se o mundo te convida... fecha os olhos

A essa amizade externa porque raro

É o que, hoje, faustoso, entre os escolhos,

Não se vê, amanhã, em desamparo.


Apresenta-te alegre em cada instante,

Inda mesmo que a mágoa te maltrate,

Como um soldado que sorri triunfante

Nas horas mais terríveis do combate.


Se a morte te ferir, morre contente,

Pondo em cada suspiro a alma de um canto,

Tendo o perdão nos olhos como um crente

E um sorriso nos lábios como um santo.


(LIVRO "NO JARDIM DO SENHOR", PÁGINAS 21/22)


DITOSO MUNDO - MIGUEL J. MALTY

 

                                (FOTO DO PRIMO SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)


DITOSO MUNDO

Miguel J. Malty (Brasília - DF)


Olha essas nuvens plácidas, libertas,

vestidas de brancura e de grandeza,

rasgando o etéreo espaço, asas abertas,

bandeiras da encantada Natureza.


Em romarias ermas, vagam certas

dum destino supremo de pureza;

paramentos, oblatas são ofertas

no altar aurifulgente da Beleza.


Esse pálio fulgente que se estende

e se alarga em cetim no campo alvar,

agasalha um sentir doce, profundo...


Mistérios dormem que ninguém entende,

mas que é mister ao homem ponderar

como vestígio dum ditoso Mundo.


(Do ESTRO, n° 124-página 01)


SAUDADE - c.a. Beiral


                                (FOTO DO PRIMO SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)


SAUDADE       

c.a.Beiral * (poeta carioca)


Dos sentimentos mais cantados, creio

seja a saudade o tema preferido,

e quanto mais a seu respeito eu leio,

menos me considero esclarecido.


Emoção rediviva, sem que o meio

se justifique pelo pretendido,

eu quero crer, e digo sem receio,

que nem me consolar tem conseguido!


Tem mais de sádica que de indulgente,

porque não deixa adormecer na gente,

o que esquecer seria um grande bem...


Mas como pode ter definição,

quando está tão acima da razão,

se não diz quando vai nem quando vem?


*Custódio de Azevedo Beiral


(Do livro “PENÚLTIMAS CANTIGAS”, página 38)

INDIFERENÇA - ZIVER RITTA

 



INDIFERENÇA

           ZIVER RITTA (Porto Alegre - RS)


Dias depois da nossa desavença,

naquela tarde, num final de agosto,

eu compreendi o aviso na sentença

que, sem sorrir, ela jogou-me em rosto.


Disse, claro demais para meu gosto:

“Bem ao contrário do que reza a crença

que nós chamamos popular, o oposto

do amor não é o ódio. É a indiferença”.


Depois da nossa briga assim me disse,

e o fez, como se vê, de forma clara,

para que eu não tomasse por tolice.


Por isso hoje, ao ver-nos frente a frente,

se ela com ódio em seu olhar me encara,

desvio o meu olhar indiferente.


(Jornal FANAL, n° 564, agosto de 2002, página 01, órgão oficial da Casa do Poeta “Lampião de Gás”, de São Paulo)