sábado, 17 de fevereiro de 2024
TROVAS EM FAMILIA
FÊNIX
PORTA ABERTA
(OBS.: FOCALIZADO EM MEU LIVRO FAGULHAS)
POSSE - FILEMON MARTINS
TROVAS GRANDES POETAS II
TROVAS DE GRANDES POETAS II
A saudade é altar festivo,
que tenho no coração,
onde a rezar sempre vivo
uma infinita oração...
(Inocêncio Candelária)
Dia a dia, mais se expande
e minha alma triste a aceita:
- esta saudade é tão grande,
que o próprio tempo a respeita!
(Carolina Ramos)
Esta mágoa, sem remédio...
Esta esquisita ansiedade...
Esta doçura que é tédio...
- É o que chamamos Saudade.
(Luiz Otávio)
Estranha fidelidade
na minha vida acontece:
eu não esqueço a saudade,
e a saudade não me esquece...
(Izo Goldman)
(Do livro MIL TROVAS DE AMOR E SAUDADE, de P. de Petrus/Noel Bergamini-da UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES)
TROVAS DE GRANDES POETAS III
TROVAS DE GRANDES POETAS III
Amor, palavra que inspira
todo um mundo de ternura,
no fundo é a eterna mentira,
que não mata – mas tortura.
(Colombina)
Eu vi o rio chorando,
quando te foste banhar,
por não poder, te banhando,
dar-te um abraço, e parar...
(Adelmar Tavares)
Quero ser livre, é verdade.
Entretanto, os olhos meus,
vivem minha liberdade
na prisão dos olhos teus!
(Lilinha Fernandes)
Riste de mim, e, portanto,
o nosso amor já não vive...
- Foi culpa do teu encanto
o desencanto que tive.
(Walter Waeny)
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024
O HOMEM E A MULHER
(FOTO DO PRIMO SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)
O HOMEM E A MULHER
VICTOR HUGO
O homem é a mais elevada das criaturas, a mulher o mais sublime dos ideais. Deus fez para o homem um trono; para a mulher um altar. O trono exalta; o altar santifica, o homem é o cérebro; a mulher o coração. O cérebro produz a luz; o coração o amor. A luz fecunda, o amor ressuscita. O homem é um gênio; a mulher um anjo. O gênio é imensurável; o anjo indefinível, A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher a virtude extrema. A glória traduz grandeza; a virtude traduz divindade. O homem tem a supremacia; a mulher a preferência, A supremacia representa a força; a preferência representa o direito. O homem é forte pela razão; a mulher é invencível pela lágrima. A razão convence, a lágrima comove. O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher de todos os sacrifícios. O heroísmo enobrece; o martírio sublima, o homem é código; a mulher o evangelho. O código corrige; o evangelho aperfeiçoa. O homem é um templo; a mulher um sacrário, ajoelhamo-nos. O homem pensa; a mulher sonha. Pensar é ter cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola, o homem é um oceano; a mulher um lago, o oceano tem a pérola que embeleza; o lago tem a poesia que o deslumbra, o homem é uma águia que voa; a mulher um rouxinol que canta. Voar é dominar os espaços; cantar é conquistar a alma. O homem tem um fanal e a esperança, o fanal guia e a esperança salva. Enfim, o homem está colocado onde termina a terra, a mulher onde começa o céu!
Victor-Marie Hugo (Besançon/França, 1802 — 1885, Paris, França) foi um novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país. É autor de Os Miseráveis. Notre-Dame de Paris, Os Trabalhadores do Mar, entre diversas outras obras clássicas de fama e renome mundial.
(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS Nº 406, JOSÉ FELDMAN)
O POETA - FILEMON MARTINS
O POETA
Filemon Martins
Ele é o intérprete do povo. Amante do alvorecer, do pôr do sol, da canção da brisa, do cantar dos pássaros e do murmúrio das cascatas. Paladino do amor e da verdade. Um sonhador, como dizem alguns.
Escreve porque tem necessidade. Não pode parar de escrever, e se o fizesse, certamente morreria. Faz parte da alma do povo. Vive e sofre com o povo. Canta as alegrias e tristezas do seu povo, seus sentimentos, suas esperanças, suas angústias, emoções, sonhos e desventuras, chorando com os que choram e sorrindo com os mais felizes e venturosos na esperança de um mundo melhor, mais justo, mais feliz e mais humano.
Ninguém melhor que ele para sentir o desespero da humanidade, que sofre com o peso da injustiça, do desprezo e da exploração dos simples e desvalidos. Não emudece ante as ameaças dos que, levados pela obsessão do poder, pela inveja e pelo egoísmo fazem calar à força os que denunciam a opressão, a corrupção e o erro.
A poesia é sua companheira e confidente, através dela consegue ver em rostos alegres, corações que derramam lágrimas de saudade e mágoa. Saudade de tudo: O que passou, o que não vem, o que há de vir. Mágoa, por um sonho desfeito diante da realidade adversa.
O poeta nasce, disse alguém, mas não morre. Porque seu verso é eterno. Assim, talvez o mundo fosse mais alegre e solidário, se houvesse mais tempo para a poesia.
Porque quando tudo parece estar perdido, quando a descrença invade nossos corações, ele, uma vez mais, vê surgir em meio às trevas do medo, do esquecimento e do abandono, um raio de luz e de esperança, como se fora um farol a guiar um viajor perdido na amplidão do mar.
Que nunca te cales, poeta, e que continues a despertar corações insensíveis e consciências cauterizadas, “ porque se te calares, as pedras clamarão.” (S. Lucas 19:40).
(LIVRO "FAGULHAS")
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024
DOCE PERDÃO - MÁRIO BARRETO FRANÇA
DOCE PERDÃO
Mário Barreto França
Quando acordei daquela letargia
em que o pecado me fizera estar,
acanhado de tanta rebeldia,
foi para Deus o meu primeiro olhar.
Tudo a meus olhos turvos parecia
minha presença odiosa rejeitar;
e segui de alma pálida e sombria
num desejo incontido de chorar.
Mas, quando entrei pela primeira porta
de um templo silencioso, comovido
curvei-me em prece e, envolto em doce luz,
Notei ( e essa lembrança me conforta )
o perdão dos males refletido
na ternura dos olhos de Jesus.
(LIVRO "NO JARDIM DO SENHOR", PÁGINA 25)
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024
DENTRO DA VIDA - MÁRIO BARRETO FRANÇA
DENTRO DA VIDA
Mário Barreto França
Quanto mais longe se apresenta a glória,
Tanto mais força faze pra alcançá-la,
Que o prazer mais profundo da vitória
Está, precisamente, em conquistá-la.
Se o teu ideal for alto como os Andes
E inescalável se tornar na vida,
Não retrocedas, porque as causas grandes
Não pertencem ao ideal de quem duvida.
Não duvides do amor, sofrendo embora
Dele as maiores privações do mundo;
Se o amor em dores se apresenta agora,
Certo, amanhã, se mostrará fecundo.
Se o mundo te convida... fecha os olhos
A essa amizade externa porque raro
É o que, hoje, faustoso, entre os escolhos,
Não se vê, amanhã, em desamparo.
Apresenta-te alegre em cada instante,
Inda mesmo que a mágoa te maltrate,
Como um soldado que sorri triunfante
Nas horas mais terríveis do combate.
Se a morte te ferir, morre contente,
Pondo em cada suspiro a alma de um canto,
Tendo o perdão nos olhos como um crente
E um sorriso nos lábios como um santo.
(LIVRO "NO JARDIM DO SENHOR", PÁGINAS 21/22)
DITOSO MUNDO - MIGUEL J. MALTY
(FOTO DO PRIMO SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)
DITOSO MUNDO
Miguel J. Malty (Brasília - DF)
Olha essas nuvens plácidas, libertas,
vestidas de brancura e de grandeza,
rasgando o etéreo espaço, asas abertas,
bandeiras da encantada Natureza.
Em romarias ermas, vagam certas
dum destino supremo de pureza;
paramentos, oblatas são ofertas
no altar aurifulgente da Beleza.
Esse pálio fulgente que se estende
e se alarga em cetim no campo alvar,
agasalha um sentir doce, profundo...
Mistérios dormem que ninguém entende,
mas que é mister ao homem ponderar
como vestígio dum ditoso Mundo.
(Do ESTRO, n° 124-página 01)
SAUDADE - c.a. Beiral
(FOTO DO PRIMO SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)
SAUDADE
c.a.Beiral * (poeta carioca)
Dos sentimentos mais cantados, creio
seja a saudade o tema preferido,
e quanto mais a seu respeito eu leio,
menos me considero esclarecido.
Emoção rediviva, sem que o meio
se justifique pelo pretendido,
eu quero crer, e digo sem receio,
que nem me consolar tem conseguido!
Tem mais de sádica que de indulgente,
porque não deixa adormecer na gente,
o que esquecer seria um grande bem...
Mas como pode ter definição,
quando está tão acima da razão,
se não diz quando vai nem quando vem?
*Custódio de Azevedo Beiral
(Do livro “PENÚLTIMAS CANTIGAS”, página 38)
INDIFERENÇA - ZIVER RITTA
INDIFERENÇA
ZIVER RITTA (Porto Alegre - RS)
Dias depois da nossa desavença,
naquela tarde, num final de agosto,
eu compreendi o aviso na sentença
que, sem sorrir, ela jogou-me em rosto.
Disse, claro demais para meu gosto:
“Bem ao contrário do que reza a crença
que nós chamamos popular, o oposto
do amor não é o ódio. É a indiferença”.
Depois da nossa briga assim me disse,
e o fez, como se vê, de forma clara,
para que eu não tomasse por tolice.
Por isso hoje, ao ver-nos frente a frente,
se ela com ódio em seu olhar me encara,
desvio o meu olhar indiferente.
(Jornal FANAL, n° 564, agosto de 2002, página 01, órgão oficial da Casa do Poeta “Lampião de Gás”, de São Paulo)





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