sábado, 5 de setembro de 2026

O MISTÉRIO DA PRINCESA ESCONDIDA NA PÉROLA - JOSÉ FELDMAN

 




O Mistério da Princesa Escondida na Pérola


  

Saibam que o coração de um homem é um oceano mais profundo que o de Omã, e nele se escondem segredos que nem a rede mais fina pode capturar.

 

Após vender os diamantes da cidade resgatada, Aldhiyb Al-Abyad sentiu que o ouro pesava em seu espírito. Ele buscava algo que o dinheiro não pudesse comprar: a beleza absoluta. Partiu então para o Mar das Sereias, levando consigo um mergulhador cego de nascimento, que diziam ser capaz de ouvir o brilho das joias no fundo do abismo.

 

Próximo à Ilha de âmbar, o mergulhador gritou: "Lobo Branco! Há um silêncio que brilha sob a quilha!"

 

Aldhiyb lançou-se às águas e, após um mergulho que quase lhe roubou o fôlego, trouxe à superfície uma ostra do tamanho de um escudo de guerra. Ao abri-la com sua adaga de prata, não encontrou uma joia comum, mas uma Pérola de Cor de Aurora, tão grande quanto a cabeça de uma criança.

 

Ao pôr do sol, enquanto Aldhiyb observava a pérola, o objeto começou a pulsar como um coração. A casca de nácar tornou-se translúcida, e dentro dela apareceu, encolhida como um sonho, uma princesa de beleza indescritível. Ela era Lulwa, filha do Rei dos Mares, escondida ali por um Gênio das Correntes que desejava protegê-la (ou aprisioná-la) da maldade dos homens.

 

— "Ó Lobo Branco," suspirou a princesa de dentro de sua redoma de nácar, "meu pai deu-me esta prisão para que eu nunca conhecesse a dor. Mas prefiro um dia de sofrimento sob o sol do que uma eternidade de perfeição no escuro."

 

Aldhiyb percebeu que a pérola só se abriria se fosse banhada pelo sangue de um sacrifício voluntário ou pelo suor de um trabalho honesto. Recusando-se a ferir alguém, Aldhiyb e sua tripulação remaram contra uma calmaria mortal por sete dias e sete noites, sem velas ou vento, apenas com o esforço de seus próprios braços para levar a princesa até a Ilha do Primeiro Raio.

 

Quando o suor do esforço de Aldhiyb caiu sobre a pérola, ela se partiu em mil pétalas de luz. Lulwa surgiu, mas não como uma humana: ela transformou-se em uma brisa fresca que empurrou o navio com suavidade e gratidão. Antes de partir para o reino das nuvens, ela deixou na mão de Aldhiyb um pequeno grão de areia que, quando colocado ao ouvido, permitia-lhe entender o idioma das aves.

 

Ele voltou para casa com o porão vazio de mercadorias, mas com a mente cheia de canções que os pássaros traziam de terras que nenhum mapa ousava desenhar.



(FONTE: "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)


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