O
Mistério da Princesa Escondida na Pérola
Saibam
que o coração de um homem é um oceano mais profundo que o de Omã, e nele se
escondem segredos que nem a rede mais fina pode capturar.
Após vender os diamantes da
cidade resgatada, Aldhiyb Al-Abyad sentiu que o ouro pesava em seu espírito.
Ele buscava algo que o dinheiro não pudesse comprar: a beleza absoluta. Partiu
então para o Mar das Sereias, levando consigo um mergulhador cego de nascimento,
que diziam ser capaz de ouvir o brilho das joias no fundo do abismo.
Próximo à Ilha de âmbar, o
mergulhador gritou: "Lobo Branco! Há um silêncio que brilha sob a
quilha!"
Aldhiyb lançou-se às águas e,
após um mergulho que quase lhe roubou o fôlego, trouxe à superfície uma ostra
do tamanho de um escudo de guerra. Ao abri-la com sua adaga de prata, não
encontrou uma joia comum, mas uma Pérola de Cor de Aurora, tão grande quanto a
cabeça de uma criança.
Ao pôr do sol, enquanto Aldhiyb
observava a pérola, o objeto começou a pulsar como um coração. A casca de nácar
tornou-se translúcida, e dentro dela apareceu, encolhida como um sonho, uma
princesa de beleza indescritível. Ela era Lulwa, filha do Rei dos Mares,
escondida ali por um Gênio das Correntes que desejava protegê-la (ou
aprisioná-la) da maldade dos homens.
— "Ó Lobo Branco,"
suspirou a princesa de dentro de sua redoma de nácar, "meu pai deu-me esta
prisão para que eu nunca conhecesse a dor. Mas prefiro um dia de sofrimento sob
o sol do que uma eternidade de perfeição no escuro."
Aldhiyb percebeu que a pérola só
se abriria se fosse banhada pelo sangue de um sacrifício voluntário ou pelo
suor de um trabalho honesto. Recusando-se a ferir alguém, Aldhiyb e sua
tripulação remaram contra uma calmaria mortal por sete dias e sete noites, sem
velas ou vento, apenas com o esforço de seus próprios braços para levar a
princesa até a Ilha do Primeiro Raio.
Quando o suor do esforço de
Aldhiyb caiu sobre a pérola, ela se partiu em mil pétalas de luz. Lulwa surgiu,
mas não como uma humana: ela transformou-se em uma brisa fresca que empurrou o
navio com suavidade e gratidão. Antes de partir para o reino das nuvens, ela
deixou na mão de Aldhiyb um pequeno grão de areia que, quando colocado ao
ouvido, permitia-lhe entender o idioma das aves.
Ele voltou para casa com o porão
vazio de mercadorias, mas com a mente cheia de canções que os pássaros traziam
de terras que nenhum mapa ousava desenhar.
(FONTE: "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)

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