sábado, 5 de setembro de 2026

MENSALÃO: UM JULGAMENTO INCOMPLETO - FILEMON MARTINS

 





MENSALÃO: UM JULGAMENTO INCOMPLETO                                                                     

“Mensalão. O maior escândalo da política brasileira, um esquema de compra de votos de parlamentares, denunciado no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT – Partido dos Trabalhadores)”.

                                                                 
      O esquema foi denunciado pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) em junho de 2005 ao jornal Folha de São Paulo. Na época, Roberto Jefferson, era acusado de envolvimento em licitações praticadas por funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), ligados ao PTB, do qual ele era presidente. Acuado por uma investigação, ele denunciou o escândalo do Mensalão.

      Segundo o deputado Roberto Jefferson, parlamentares da base aliada do PT recebiam uma “mesada” para votarem a favor dos projetos do governo. Havia também “mensaleiros” que seriam do PL (Partido Liberal), PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), PP (Partido Progressista), PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), incluindo o próprio PT (Partido dos Trabalhadores).

      Assim, deu-se início a Ação Penal nº 470, no Supremo Tribunal Federal, que, em novembro de 2013 determinou a execução das penas dos condenados. Inicialmente, 25 tiveram prisão decretada, posteriormente um deles foi absolvido ao ter os recursos aceitos pela Corte Suprema. Enfim, nas idas e vindas, Lula escapou, afirmando que nada sabia do Mensalão. Seus companheiros também o pouparam, enquanto seus homens de confiança caíram, Lula se manteve no cargo e se reelegeu em 2006, para infelicidade do país.

      No mês de março de 2014, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento dos réus acusados no esquema de corrupção, ou seja, a compra de votos com o objetivo de obter apoio político na Câmara pelo PT nos primeiros anos do mandato de Lula. Dos 40 denunciados, apenas 24 foram condenados ao fim do julgamento.

      Na noite do dia 27/08/2003, o então presidente Lula comemorava sua primeira e grande vitória na Câmara dos Deputados. Com 357 votos a favor e 123 contra, era aprovada a Reforma da Previdência.     Nove anos depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que o governo comprou votos para aprovar essa e outras propostas por meio do Mensalão. E foi assim que o Juiz mineiro Geraldo Claret de Arantes considerou a votação inválida ao julgar um processo sobre pensão de uma viúva de servidor público. Houve um roubo, o ladrão foi preso e condenado. Não há motivo para deixar o produto do roubo com a família do ladrão. O próprio ministro Celso de Mello, na época, afirmou que o “caso deve ser enfrentado pelo Supremo Tribunal Federal”. Ele comparou a validade das reformas aprovadas, como a da Previdência Social, à legalidade de sentenças proferidas por juízes corruptos: “É o mesmo que ocorre com um juiz corrupto, no qual suas sentenças podem ser anuladas mesmo que estejam em trânsito julgado”.

      Diante de tudo que foi aprovado pelo Congresso na época, fim do caso Mensalão? - Não! Em entrevista recente, Lula disse que o “julgamento do Mensalão foi 80% político e apenas 20% foi jurídico”. Mais uma bravata do político do PT.      Mas, é muito bom voltar ao assunto, porque o tema vai ficando esquecido: as leis que foram aprovadas entre 2003 e 2005, a reboque do mensalão são ilegítimas. Não é preciso ser advogado para responder. Muitos partidos políticos exploram em seus programas, assuntos como Fator Previdenciário, Reajuste da Tabela de Imposto de Renda etc. Mas não mencionam a taxação de inativos e pensionistas, embutida na Reforma.  - Por que será? Ora, como eu existem outros, se depois de 21 anos de trabalho na Empresa Folha da Manhã S/A; depois, por concurso público, na Prefeitura de São Paulo e por fim também mediante concurso público no Judiciário Federal, agora aposentado, por que tenho que continuar pagando 14% do meu salário? Será que ao me tornar um fantasma vou precisar de outra aposentadoria? Tenho certeza de que nosso sindicato, o SINTRAJUD, entrou com ação na justiça para derrubar essa injustiça cometida contra pensionistas e aposentados do serviço público federal ou pelo menos reduzir o percentual de desconto. Mas, até agora, nada. Fomos enganados. O que era para ser transitório, transformou-se em permanente. Já estamos em 2026.

      Continuo reafirmando aquilo que escrevi no meu livro “FAGULHAS”, referindo-me às reformas aprovadas no governo do PT, através da Emenda Constitucional nº 41, à custa do mensalão: “se não houver anulação desses atos, teremos um caos, porque, por enquanto, ainda contamos com um povo bom e honesto, não obstante o exemplo que vem dos governantes brasileiros”. E acrescento: sem anulação de tudo o que foi aprovado com a compra de votos, chegaremos à conclusão de que o crime compensa e muito.

      Não é por acaso que vivemos tempos tenebrosos no Brasil, com extrema violência, roubos e crimes em todas as cidades e lugares, além de desonestidade em todos os segmentos da sociedade brasileira.

      Estamos em 2026 e é difícil imaginar como anda a consciência daqueles que planejaram tal manobra, cujos resultados são nefastos para o país, aumentando a miséria, a pobreza, a dependência do povo, cada vez maior, ao sistema assistencialista do governo, que prefere ter o domínio do povo pelo cabresto, embora a propaganda oficial pinte uma realidade bonita, mas que nós, mortais que andamos pelas ruas, sabemos que não existe.

      É preciso mudar. Mudar tudo: Congresso, Senado, STF e, especialmente, o comandante do navio Brasil, que, há muito tempo está à deriva.

 

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DO CLUBE BAIANO DA TROVA

DA ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU/SP

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário