sexta-feira, 8 de março de 2024

TUDO ELE FEZ - JOAQUIM RODRIGUES DE NOVAIS

 



TUDO ELE FEZ

Joaquim Rodrigues de Novais

 

Há tantas coisas bonitas neste mundo,

tudo feito pelas mãos do homem,

que antes foram feitas pelo grande Autor,

aquele que tudo fez com muito amor.                    

            

 Nem um grão de areia está fora das

 mãos do criador, nem seus carros, 

 nem seus aviões, nem suas ações

 esconderás do Senhor.

                                       

 Nem um avião decola sem a

 permissão do criador

 porque tudo ele fez, tudo ele criou.

 

 Mesmo internado aqui num quarto isolado de    hospital,

agradeço a Deus por estar sempre do meu lado.

      


A BELA - ALMIR DINIZ

 


(FOTO DA PRIMA E POETISA LALINHA)

8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

A BELA

ALMIR DINIZ

 

Um raio de luar, a própria luz

brilhando nos cristais – pingos de neve!

O beijo matinal – carícia leve

do rocio na flor que a aura induz.

 

Sinfonia em ninhais de sanhaçus

emoldura a beleza, e circunscreve

no régio altar de um rosto a ilusão breve

de uma deusa singrando céus azuis.

 

Face e contornos sempre em sintonia

dão a medida exata da magia

que do conjunto brota, e se nivela

 

a um anjo, a um ser divino, estonteante

que aos olhos de paixão de algum amante

será, entre as formosas, a mais bela.

 


MULHER II - ALMIR DINIZ


 

                           (FOTO DA PRIMA E POETISA LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)


8 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

MULHER II

ALMIR DINIZ

 

Mulher! Bela invenção, arquipensada

que Deus criou, depois de sábio estudo,

só Ele, que afinal, conhece tudo

poderia compor... essa...danada.

 

Feita de uma costela retirada

ao solitário Adão, dormido e rudo,

fê-la o Senhor, em plumas e veludo

com missão de amar e ser amada.

 

E ela, atenta ao ditame do Senhor,

ungiu-se de magia, e fez do amor

o bem maior da vida. E, com perícia

 

inata e própria, e rara sedução

investiu-se de luz, fez-se atração,

coroando a ternura com malícia.

 

 

(DO LIVRO MULHERES, PÁGINA 34)

 


MULHER - ALMIR DINIZ

 


            (FOTO DA PRIMA E POETISA LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)


8 DE MARÇO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

MULHER

ALMIR DINIZ

(HOMENAGEM ÀS MULHERES)

 

A mulher é um cromo que fascina,

Um monumento cárneo, e até diria,

Sem recorrer à ¨vã filosofia¨,

Que sendo humana é, também, divina.

 

Fê-la o rei do Universo, peregrina,

Tecendo-a com amor, e a poesia

De pétalas de luz saudando o dia

No escrínio da manhã que se ilumina.

 

Deu-lhe belo perfil e em mago instante

Pôs-lhe no olhar fulgor de diamante

E perfeição em toda geografia...

 

Fez-lhe restrição aos pelos; com perícia

Cumulou-a de beleza e de malícia

E dotou-a dos delírios da estesia.


quinta-feira, 7 de março de 2024

SÃO PAULO ANTIGA NA VISÃO DO MEU AVÔ

 



SÃO PAULO ANTIGA NA VISÃO DO MEU AVÔ

Filemon Martins


Velhos tempos. Estou me referindo às décadas de 20, 30, quando meu avô Gasparino Francisco Martins, nascido em Jordão de Brotas, em 1888, ainda rapaz, influenciado por outros rapazes, veio conhecer a capital paulista. Naquela época, a viagem para São Paulo era uma verdadeira aventura, um desafio. Iniciava em Ipupiara, antigo Jordão de Brotas, no lombo de um cavalo até Morpará, Bahia. Daí seguia-se de vapor, que poderia ser o SÃO SALVADOR, o WENCESLAU BRÁS, o MAUÁ ou o BENJAMIM GUIMARÃES, o mais lendário de todos, pelas águas do Rio São Francisco, carinhosamente chamado de Velho Chico, até Pirapora, Minas Gerais. Daí em diante viajava-se de trem até São Paulo. As hospedarias ou as pensões, geralmente ficavam no nostálgico bairro do Brás, onde ele teria se hospedado. Com amigos ele foi conhecer o centro da cidade de São Paulo naquela época. É possível que tenha visitado a Praça da Sé, a Rua Direita, a Rua Quinze de Novembro, Rua Boa Vista, Praça Ramos de Azevedo, Largo São Francisco, Largo São Bento, Praça Dr. João Mendes, Av. São João, Av. Ipiranga, Praça da República, entre outras.

Meu avô, que veio dos Brocotós do Sertão, não estava acostumado a ver tanta gente, tanto movimento e estranhou muito. Gente que vai, gente que vem em constante movimento e para lá, para cá, cada um com seu motivo: pegar condução para trabalhar, voltar pra casa, ir ao médico, ao escritório, às compras etc. Tudo isso mexeu com meu avô.

Algum tempo depois ele retornou ao antigo Jordão de Brotas, hoje Ipupiara, no agreste da Bahia. Lá chegando e em conversa com os amigos, parentes e aderentes, um deles quis saber o que ele havia achado e quais as impressões que ele teve de São Paulo? Ele olhou para a amplidão, pensou e respondeu: -¨ a cidade é grande, tem muita gente andando de um lado para o outro, sem trabalhar, sem fazer nada. São um bando de vagabundos¨. Mal sabia ele que seu neto muito mais tarde viria para essa cidade acolhedora encarar a correria do dia a dia para trabalhar durante o dia e estudar à noite e constituir família. Sou baiano de nascimento e paulistano de coração. Quanto às impressões do meu avô, ele estava equivocado: ¨errar é humano¨. Aqui é a terra do trabalho, embora nos dias atuais, esteja de fato escasso. O lema que vem escrito no brasão da cidade de São Paulo em latim é: - ¨NON DUCOR, DUCO¨ - ¨NÃO SOU CONDUZIDO, CONDUZO¨.    


(LIVRO "HISTÓRIAS QUE SÓ AGORA EU CONTO", PÁGINAS 94/95)

A PRECIPITAÇÃO LEVA AO ERRO

 



A PRECIPITAÇÃO LEVA AO ERRO

Filemon Martins

 

O caso do ex-médico brasileiro Roger Abdelmassih me fez lembrar de um fato ocorrido e contado por um amigo Oficial de Justiça e me fez pensar que talvez tenha faltado à Juíza de Taubaté, que prolatou a sentença concedendo ao réu o benefício de cumprir a pena no aconchego do lar, tão em voga nestes tempos bicudos, um pouco de experiência ou seja se deixou levar pela aparência, sem considerar as artimanhas do Advogado.

Mas, vamos ao caso do amigo Oficial de Justiça: na periferia de São Paulo, um ônibus foi assaltado e o bandido levou também os documentos do cobrador de ônibus, com os quais passou a se apresentar. O cobrador fez o registro do BO (Boletim de Ocorrência), mas o tempo passou e numa briga qualquer, mataram o bandido agora portando o documento do cobrador. Depois de alguns dias, o corpo foi encontrado numa lagoa perto do Itaim Paulista, já em decomposição, de tal forma que a polícia não teve dúvidas: o cobrador estava morto. A papelada chegou ao gabinete do juiz, no fórum João Mendes, para assinar, digamos, a homologação da morte do cobrador. Contudo, o juiz atento e experiente percebeu que a polícia deixou de cumprir alguns procedimentos de praxe e determinou que o Oficial de Justiça fizesse uma diligência à empresa de ônibus, onde o cobrador trabalhava e lá chegando disseram ao oficial: - ele ainda não entrou no trabalho, mas está ali na sala esperando o motorista chegar. O oficial pensou: - caramba, é a primeira vez que vejo um defunto trabalhando... Comunicou o fato à empresa, confiscou os livros de registros, conversou e anotou o endereço do cobrador e voltou ao gabinete do juiz com o resultado de sua diligência. Com todo respeito, é o que me pareceu faltar à Meritíssima Juíza de Taubaté. “Macaco velho não pula em galho seco”.


(LIVRO "HISTÓRIAS QUE SÓ AGORA EU CONTO", PÁGINA 9)

quarta-feira, 6 de março de 2024

ESCADA DE TROVAS - MÃE

 

                         (FOTO DA PRIMA E POETISA LALINHA, IPUPIARA-BAHIA)


ESCADA DE TROVAS – MÃE

Filemon Martins

 

 

SUBINDO:

Enviar-te numa TROVA

minha luz, minha paixão,

que o meu amor se renova

quando beijo tua mão.

 

E o meu carinho – pudera

dar-te sempre de presente

como eterna Primavera

que deixa a vida contente.

 

Do meu amor dar-te prova

numa profunda saudade,

pois hoje na vida nova

já tens paz, felicidade.

 

Minha mãe – como eu quisera

dizer-te do meu amor.

A tua ausência é uma espera

que aumenta mais minha dor.

 

NO TOPO:

Minha mãe – como eu quisera

do meu amor dar-te prova,

e o meu carinho – pudera

enviar-te numa TROVA.

 

 


GRINALDA DE TROVAS

 

            (FOTO DA PRIMA E POETISA LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)


GRINALDA DE TROVAS

Filemon Martins

 

E chega a noite mais bela,

o céu se torna um bordado

e eu vejo pela janela,

céu azul, todo estrelado.

 

Céu azul, todo estrelado,

a brisa sopra na rua

e eu fico bem acordado,

sorrindo, ao clarão da lua.

 

Sorrindo, ao clarão da lua,

pensando no ser amado,

meu coração te cultua,

e o meu peito, apaixonado.

 

E o meu peito, apaixonado,

por teu amor se insinua.

Sou, agora, um desolado,

a chorar a ausência tua...

   ******

Céu azul, todo estrelado,

sorrindo, ao clarão da lua,

e o meu peito, apaixonado,

a chorar a ausência tua...

 


JULGAMENTO

 



JULGAMENTO

Filemon Martins

 

 

Não me passou jamais pela cabeça

julgar e condenar qualquer pessoa.

Quem não tiver pecado, que apareça,

- jogue a pedra que fere e que magoa.

 

- “Não julgueis”. Que este mundo não esqueça

da mensagem do Mestre, que ressoa

para que a luz divina resplandeça

sobre os homens que têm vontade boa.

 

Minha vida pautei pela esperança,

pela decência do viver honesto,

- que importa se paguei um alto preço?

 

Não me fascina a glória da abastança,

prefiro o meu viver sempre modesto,

e tenho, com certeza, o que mereço!

 

 


COMO NASCE UM SONETO


                                           (FOTO DO PRIMO SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)


 

Certa vez recebi do poeta Dr. Miguel Russowsky, de Joaçaba, SC, uma coleção de 6 ou 7 sonetos e 12 trovas digitadas, com o carimbo de médico - Clínica Geral - Cirurgia, profissão que exercia na cidade de Joaçaba. Vamos divulgar, aos poucos, dentro da minha disponibilidade no BLOG LITERÁRIO DO FILEMON.

 

 

COMO NASCE UM SONETO

Miguel Russowsky

 

Domingo sem ninguém... De sentinela,

apenas o jornal... (e o cafezinho).

(Muitas vezes é bom estar sozinho

remexendo o Silêncio tagarela).

 

No meu bloco, três rimas adivinho

querendo desfilar na passarela.

A Inspiração, de pé, lá da janela.

se põe a espargir versos no caminho.

 

O meu lápis - batuta de maestro -

decifra as partituras que eu orquestro,

com muito orgulho de reger o show.

 

... E a dona Solidão também se achega

com seu porte senil de estátua grega

e me avisa: O soneto começou!


terça-feira, 5 de março de 2024

MELANCOLIA

 



MELANCOLIA

Filemon Martins

 


A tarde começou chuvosa e triste, 

bateu dentro do peito uma saudade, 

parece que a tristeza ainda insiste 

em ditar moda após a mocidade. 


A noite surge bela e não resiste 

à luz da lua bailando na cidade, 

meu coração é forte e não desiste 

desse amor sensual que o peito invade. 


Meu sonho não é mais tão colorido, 

por isso, às vezes, fico constrangido 

sentindo a dor de quem nunca viveu. 


E vou levando a minha desventura 

cantando um salmo alegre de Ternura 

para esquecer que a vida me esqueceu!


JUDAS MODERNO

 




JUDAS MODERNO

Filemon Martins 



Tu que habitas palácios decantados, 

amante da aparência e do dinheiro. 

Os teus castelos ricos, chumaçados, 

nada serão no dia... derradeiro. 


Tens riquezas e carros importados, 

- contas bancárias pelo mundo inteiro, 

- trabalhadores pobres, explorados, 

tudo para chegares em primeiro... 


Esqueceste do exemplo verdadeiro, 

quando morreu o pobre carpinteiro, 

pregado ao lenho de uma rude cruz. 


Queres poder, és Judas do presente 

vendendo o que aparece pela frente, 

traindo, uma vez mais, Cristo Jesus! 


ELOGIO AO SONETO

 



ELOGIO AO SONETO

Filemon Martins 



No meu viver de agitação, proscrito, 

eu busco a paz para escrever um verso 

e de alma pura, coração contrito, 

procuro a melhor rima do Universo. 


O desespero aperta, estou aflito... 

- Como escrever num mundo tão perverso? 

A inspiração me acode com um grito, 

e o meu soneto nasce, incontroverso... 


Ao verbo de Camões me fiz escravo, 

em busca da palavra me fiz bravo, 

para dar ao soneto nova aurora... 


Que o pavilhão tremule lá na praça, 

e brilhando, qual pérola sem jaça, 

reine o soneto pelo mundo afora!