quinta-feira, 3 de agosto de 2023

MÃOS IRREQUIETAS

 



MÃOS IRREQUIETAS

Carlos Adauto Vieira*


                                  

Dizem os neurologistas, e não me atrevo a discutir, que o cérebro é tudo.  Um clique e todo o corpo se move no mesmo sentido. Nem no computador o gênio Steve Jobs conseguiu tal maravilha, já observada pelos orientais e inserta em seus mantras. Especialmente, nos reikianos. Ex.: “MANTRAS   REIKIANOS PARA UMA VIDA SAUDÁVEL: Minha saúde é perfeita e todo o meu corpo e seus órgãos funcionam muito bem. A partir de agora começo a sentir meu corpo perfeitamente bem. Eu tenho saúde no meu corpo físico e equilíbrio em minha mente. Sou feliz, saudável e calmo. As mestras em Mindfulness e Shakti Yoga, como Soraya Oliveira, Paulo Equilíbrio, obtém sucesso, utilizando esta mesma técnica.

Porém, a que propósito escrevo isto? Porque tenho um Amigo de mais de sessenta anos de relacionamento, (insuspeito) portador de um cérebro tão inquieto que já encheu a sua enorme biblioteca do apartamento e adquiriu uma casa na praia de Piçarras para escrever sossegado e acumular suas e de outros obras perenes. Há um real motivo: sua Musa Inspiradora tem o simples e imaculado nome de Jandira. E faz um café como ninguém! Já lhe sugeri que algemasse as mãos do seu consorte daquela forma como eram algemados os galeotes do D. Quixote. Ou os voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai. Soltas elas chegam a esquentar as teclas do computador, não só pela agilidade; também pelas celebrações. É livro atrás de livro. Pode escrever dez vezes a mesma estória ou história e sempre de maneira melhor e diferentemente. Tenho aqui mais dos livros deste autor que apelidei de incansável; agora, seria insaciável. Contos em língua regionalista natural; artigos sobre a gente sua conhecida e louvada. Até sobre um xará escreveu: está na página 217 da coletânea de artigos “Livro sobre Livros”. Enéas Athanázio não tem jeito!  Os contos foram nomeados “Dinarte do Entre-Rios & Outros Viventes”, Edição Minarete. Aposentado, reside em Balneário Camboriú. Mas literatura somente em Piçarras. Ler para crer! As mãos continuam inquietas. Só cortando-as!


                       

* CARLOS ADAUTO VIEIRA

Escritor, advogado, presidente da Academia Joinvilense de Letras


quarta-feira, 2 de agosto de 2023

ESTRELAS

 


ESTRELAS

Edimo Ginot


E eu me ponho

a contar estrelas

como se o universo

tivesse um fim


e eu me disponho

em talvez retê-las

num simples verso

de um poema ruim


mas é só sonho

não posso tê-las

então desconverso

é melhor assim


(Do livro POETA VENCIDO, página 88)


DIREITO COMO CONTROLE SOCIAL


 


DIREITO COMO CONTROLE SOCIAL

Mário Ribeiro Martins (7/08/1943 - 18/03/2016)



Uma das mais eficientes agencias do controle social é o Direito, evidentemente, em sua forma aplicada. Observe-se que as demais agencias do controle, tais como, a moda, a opinião publica, a igreja, a família, a escola, etc, não têm poder de coerção. O direito ou o fenômeno jurídico, altamente coercitivo, se concretiza essencialmente como fenômeno de controle social.

Nenhuma outra agencia de controle social pode fazer uso desta norma, senão o direito: “Ninguem é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa,  senão em virtude da lei”. O direito, a lei tem um poder coercitivo “sui generis”.

Não é preocupação aqui estabelecer a distinção entre controle social formal e controle social informal (este, no sentido de responsabilidade mútua dos seres humanos, com seus usos, costumes e opiniões).

De qualquer modo, o direito, usando a linguagem dos sociólogos norte-americanos, é uma agência formal do controle social formal, ao lado das agências informais, tais como, os “folkways” e os “mores”.

Na verdade, o direito só se concretiza amparado pela lei e pelo Estado. Pela Lei, porque é a expressão codificada. Pelo Estado, porque dispõe da máquina policial para fazer valer a força coercitiva. Assim, indiscutivelmente, o direito é uma agência de controle social, é claro, desde que não se questione o mérito do termo “controle”, consoante pretendeu Georges Gurvitch, em seus estudos sobre a palavra nas diversas línguas, especialmente europeias.

O direito como um conjunto de normas jurídicas é uma agência institucionalizada de controle social e que conta com os instrumentos especializados para o seu funcionamento ou formalização e que, em ultima analise, são as instituições.

Como controle social o direito também não é imutável, mas se modifica, daí a função conservadora que preserva a continuidade social e a função inovadora que tenta acompanhar as mudança pelas quais passa a sociedade.

A existência das diversas instâncias, por exemplo, revela esta função inovadora, pois fosse o direito estático, não existiriam os recursos, os apelos, etc.

É como instrumento institucionalizado de controle social, que o direito cumpre a sua mais primordial vocação que é minimizar ou eliminar os conflitos sociais, embora, às vezes, não agrade, pois, nem sempre o que é proibido pelo direito, o é também pelos demais sistemas normativos.

Veja-se que a sonegação de imposto é proibida pelo direito, e, portanto, um crime, mas os “folkways” e “mores”, como sistemas de moralidade e etiqueta atuais e vigentes, aceitam plenamente o fato.

Os “folkways” e “mores” considerariam falta de humanidade ou caridade cristã, o despejo de uma família paupérrima, enquanto para o direito é perfeitamente licito.

Enfim, o Direito se apresenta como uma das mais fortes forças de controle social, pois dispõe de uma sanção organizada que se concretiza pelo poder de policia, dos tribunais e das penitenciárias, com o que não conta os demais sistemas normativos cuja sanção é apenas difusa ou inorganizada.

 (SOCIOLOGIA GERAL & ESPECIAL. Anápolis, Walt Disney, 1982, página 379).






SERENIDADE - SUELLY CORRÊA GOMES

 


SERENIDADE

SUELLY CORRÊA GOMES


Se um dia te bater à porta a glória

recebe-a com carinho e gentileza.

Não a ostentes aos outros, por grandeza,

nem te enfeites nas luzes da vitória.


Aceita o seu abraço e a sua história

e lhe beijes a mão de realeza,

mas não deixes pesar em tua pureza

e nem a tragas sempre na memória.


E se um dia chegar a ti o Fracasso

recebe-o com humildade e não insiste

do coração na dor e que alguém note.


Vai seguindo na vida o calmo passo:

que nenhuma conquista te conquiste

e nenhuma derrota te derrote!


(LIVRO ¨TU NA DISTÂNCIA¨, PÁGINA 85)

terça-feira, 1 de agosto de 2023

BIOGRAFIA DO MEU VERSO

 




BIOGRAFIA DO MEU VERSO
Carlos Ribeiro Rocha (04/11/1923 – 27/11/2011)

Não podem ter beleza e privilégio
meus pobres versos, nem também doçura,
se não gozei ao menos da ventura
de conhecer as salas de um Colégio.

Não foi aos pés de professor egrégio
que aprendi a rabiscar a assinatura;
mas sendo Cristo a luz suprema e pura,
ao vate inspira, e além do mais, protege-o.

São meus versos compostos e tramados
com as folhas verdes, brotos e verdores
sobre as serras e moitas espalhados...

E de permeio aos fios da urdidura,
em meus sonetos vão brotando flores
para a colheita próxima-futura!


SONETO DE AMOR

 


SONETO DE AMOR

Filemon Martins


Quando eu a vi debruçada na janela

Olhando quem passava pela rua.

Uma deusa, eu diria e o rosto dela

Admirava outra deusa – a linda lua.


Depois eu a vi andando com cautela

Por caminhos que só o amor cultua.

Nunca mais esqueci, era tão bela

Que ainda hoje a beleza continua...


Mas o sonho acabou e o que mais sinto

É ver meu coração no labirinto

Perdido sem saber o rumo certo.


Quando chegar ao fim da minha rota

Que eu possa superar essa derrota

E seguir pelo mundo já liberto!


(DO LIVRO FLORES DO MEU JARDIM)


INDIFERENÇA

INDIFERENÇA

ZIVER RITTA (Porto Alegre - RS)


Dias depois da nossa desavença,

naquela tarde, num final de agosto,

eu compreendi o aviso na sentença

que, sem sorrir, ela jogou-me em rosto.


Disse, claro demais para meu gosto:

“Bem ao contrário do que reza a crença

que nós chamamos popular, o oposto

do amor não é o ódio. É a indiferença”.


Depois da nossa briga assim me disse,

e o fez, como se vê, de forma clara,

para que eu não tomasse por tolice.


Por isso hoje, ao ver-nos frente a frente,

se ela com ódio em seu olhar me encara,

desvio o meu olhar indiferente.


(Jornal FANAL, n° 564, agosto de 2002, página 01, órgão oficial da Casa do Poeta “Lampião de Gás”, de São Paulo)


INDAGAÇÃO

 


INDAGAÇÃO

Filemon Martins


Entre muitos brasileiros

não sou o mais otimista,

também não sou pessimista,

mas, o quadro é desanimador:

- Onde estão a Ética, a Honestidade,

o Caráter e a Dignidade de alguns políticos e do povo brasileiro?


QUEM FOI GUTEMBERG NERY GUARABYRA?

 


                                (MÁRIO RIBEIRO MARTINS - 7/08/1943 - 18/03/2016)


QUEM FOI GUTEMBERG NERY GUARABYRA? 

Mário Ribeiro Martins (7/08/1943 - 18/03/2016)


GUTEMBERG NERY GUARABYRA, Carioca, do Rio de Janeiro, 1915. Pastor da Igreja Batista da Barra do Rio Grande, na Bahia, às margens do Rio São Francisco, como Missionário da Junta de Missões Nacionais, da Convenção Batista Brasileira, por volta de 1940.

Em 1943, com 28 anos de idade, Gutemberg Guarabyra foi Pastor da Igreja Evangélica Batista em União, no Estado do Piauí. Esta Igreja que tinha sido organizada em 01/11/1922, foi transferida do Brejo da Serra, interior da Bahia, para o Sul do Piauí ou seja Vila de União.

Em 05 de junho de 1949, já com 34 anos de idade: É fundada uma Congregação Batista, na cidade de Xique-Xique, Estado da Bahia. A instituição surge sob a liderança do Pastor Gutemberg Nery Guarabyra, missionário da Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira. A Igreja Batista de Barra é a patrocinadora do evento.

Em 1956, a Igreja Batista de União se transferiu, de novo, de União para Lagoa de Dentro, hoje cidade de Avelino Lopes. Gutemberg Guarabyra foi o primeiro Presidente da Convenção Batista Sertaneja, em 1949, eleito no Acampamento Batista, realizado em Corrente, Piaui.

Ele, no entanto, permanecia como Pastor da Igreja Batista da Barra, às margens do Rio São Francisco.

Durante muitos anos Gutemberg Nery Guarabyra foi Pastor de várias outras Igrejas às margens do Rio São Francisco. Em 14/01/1957, em Bom Jesus da Lapa, Bahia, presidiu o Concilio que consagrou o Pastor Pedro Pereira Nascimento ao Ministério da Palavra, conforme se lê: O Concílio Consagratório foi composto dos pastores: Gutemberg Nery Guarabyra, que foi o presidente do Concílio. O Pr. José Britto Barros, Pr. Jonas Borges da Luz, Pr. Sebastião Portilho, Pr. Davi Gomes, e os diáconos - Benvenuto Ribeiro, que serviu como secretário da ata do Concílio e Artur Ribeiro, vindo de Ipupiara.

Quando o conheci, pessoalmente, em 1959, na cidade de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, ele já não mais pertencia ao quadro da Junta de Missões Nacionais, bem como tinha deixado o pastorado efetivo e era apenas membro da Igreja Batista da Lapa.

Exercia a Advocacia, como um dos melhores Advogados Rábulas de Bom Jesus da Lapa. Quando saí da Lapa, em 1962, para estudar no Colégio Americano Batista do Recife, ainda o deixei na cidade, como excelente Advogado. Exerceu a advocacia, inclusive em Ipupiara, minha cidade natal.

Não consegui melhores informações sobre Gutemberg Guarabyra, embora tivesse solicitado por e-mail ao seu próprio filho, o músico Guarabyra Filho, mas ele é mencionado no livro HISTORIA DOS BATISTAS NO PIAUI (Juerp-2003), de Itamar Sousa Brito.

Seu filho Gutemberg Nery Guarabyra Filho, nasceu na cidade da Barra, Bahia, em 20/11/1947, exatamente quando seu pai era Pastor da Igreja Batista da Barra. Conforme alguns autores, Guarabyra Filho teria nascido em Bom Jesus da Lapa, o que não é verdade. Ele apenas passou boa parte de sua adolescência em Bom Jesus da Lapa, cantando inclusive, no Coral da Igreja Batista da Lapa.

Guarabyra Filho mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1966, com 19 anos de idade e depois de trabalhar como boy num escritório de contabilidade, terminou sendo um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira, formando em 1971 a dupla SÁ E GUARABYRA que se imortalizou com o sucesso SOBRADINHO, referência à barragem de Sobradinho no Rio São Francisco que fez o sertão virar mar.

Guarabyra Filho publicou o livro de ficção O OUTRO LADO DO MUNDO. É bem estudado na ENCICLOPÉDIA DA MÚSICA BRASILEIRA (1998), de Marcos Antonio Marcondes.

Apesar de sua importância, Gutemberg Nery Guarabyra - o pai - não é estudado no livro HISTÓRIA DOS BATISTAS NO BRASIL (Juerp-2001), de José dos Reis Pereira, não é mencionado no DICIONÁRIO HISTÓRICO-BIOGRÁFICO BRASILEIRO (2001, 5 volumes, 6.211 páginas), da Fundação Getúlio Vargas e nem é convenientemente referido, em nenhuma das enciclopédias nacionais, Delta, Barsa, Larousse, Mirador, Abril, Koogan/Houaiss, Larousse Cultural, etc.

É verbete do site www.mariomartins.com.br e consta no livro MISSIONÁRIOS AMERICANOS E ALGUMAS FIGURAS DO BRASIL EVANGÉLICO (Goiânia, Kelps, 2008), páginas 198/200, de Mário Ribeiro Martins.



ETERNA FORTALEZA

 

(GERALDO PERES GENEROSO)

 ETERNA FORTALEZA
 GERALDO PERES GENEROSO (IN MEMORIAM)

Senhor,
Mesmo tendo ciência
De que a suficiência
Da Tua graça,
E Teu amor que jamais passa
Está agora sobre mim,
Ainda assim,
Às vezes vacilo
Ante o inútil temor
De um vírus ou bacilo
Que a esta minha vida
Possam dar um fim.

Às vezes, pela senda,
Sigo confiante em Tuas promessas
E delas me relembro uma por uma:
Que em minha tenda
Não chegará jamais praga alguma,
E deterás a seta venenosa
Livrando-me da contenda
E da peste perniciosa.

Mas, na minha fraqueza,
Quantas vezes hesito
Em viver em mim a Tua natureza
De poder infinito
E sentir neste pó a Tua grandeza
E me faço de Teu lar simples proscrito,
A lançar a Teus céus o meu grito
Esquecido de que és a minha fortaleza!

Senhor
Que eu possa ver a Tua realidade,
Sentir na alma a luz da Tua verdade
E em meu coração o Vosso eterno amor
Que vem e vai de eternidade a eternidade!
Que em lugar desse inútil clamor
Possa sempre te levar o meu louvor
Como exemplo de fé e caridade.

SOBRE O AUTOR:
Geraldo Peres Generoso era homem simples em essência e de cultura diversificada em conhecimentos, angariados em décadas de muito trabalho e dedicação às letras e empenho na assistência social ao próximo, afinal, Literatura e Altruísmo casam-se perfeitamente na vida deste brasileiro, poeta do dia a dia.
Citações preferidas do escritor, entre outras: 
"Nunca devemos julgar as coisas pelas aparências. Assim como nem tudo que reluz é ouro, podemos confundir o reflexo de uma estrela com um simples pirilampo. E também jamais fazer aos outros o que não queremos que eles nos façam, e fazer por eles o que deles esperamos em impressões e atos."
 * * *
"Sou uma pessoa que acredita, antes e acima de tudo em Deus, e creio que Deus está no interior de cada criatura, seja ela, sob a ótica humana, boa ou má. E sei que por isso, todos somos capazes de fazer o impossível."


RAZÃO DE SER

 

(PAULO LEMINSKI)

RAZÃO DE SER
Paulo Leminski (1944 - 1989)


Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.

Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.

A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.

Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?


(CHUVA DE VERSOS, 346, JOSÉ FELDMAN)


DOR DE POETA

 


DOR DE POETA (VERSOS DA MOCIDADE)
Filemon Martins

Sinto uma dor profunda no meu peito
E amargurado está meu coração,
Meu sonho de verdade foi desfeito
E nunca mais eu tive outra ilusão.

Eu que sonhara tanto em minha vida
Conquistar esse amor só para mim,
Não encontrei aquela prometida
Para ancorar meu coração, enfim.

Sou como a juriti cantando triste,
A saudade traduzo em meu cantar,
Carrego ainda a mágoa que persiste
E me faz, neste mundo, suspirar.

Às vezes, penso em desistir da luta,
- Não seria melhor chegar ao fim?
Mas depois a minha alma resoluta
Prefere continuar vivendo assim.

E como Casimiro em seus cantares
Chorando apaixonado em Portugal,
Nestes versos eu choro os meus pesares,
Pesares desse amor monumental.

Em vão procuro paz a cada dia,
Um novo brilho para o meu olhar
E a tristeza eu transformo em alegria,
Mas o meu coração vive a chorar.

E me perguntam por que sou tão triste,
- “Será que nunca teve um grande amor?”
E eu disfarço, dizendo: - “nada existe,”
E o coração oculta a minha dor.


 


MUNICÍPIOS DA CHAPADA DIAMANTINA - ECONOMIA PARTE III

 



MUNICÍPIOS DA CHAPADA DIAMANTINA

ECONOMIA (Parte III)

Saul Ribeiro dos Santos
📧saul.ribeiro1945@gmail.com


Delmiro Gouveia produzia e distribuía seus produtos na região Nordeste e em vários outros Estados. Ele tinha a intenção de levá-los para outros países da América do Sul. A concorrência, provavelmente apoiada por políticos corruptos, não gostou da ideia. Foi perseguido de diversas formas pela concorrência internacional.
Delmiro Gouveia, esse pioneiro foi assassinado em 10 de outubro de 1917. O povo do sertão costuma dizer que foram pistoleiros a serviço de empresários concorrentes ou de políticos corruptos e invejosos.
O que fizeram das máquinas e outros equipamentos da empresa? O escritor Cláudio Said nos diz o seguinte: “Em 1929 a Machine Cotton adquiriu dos irmão  Menezes as marcas registradas e os maquinismos. A concorrência comprou a indústria por uma tal quantia. Em abril de 1930 desembarcou na estação da Pedra um funcionário da Machine Cotton. Visitou a fábrica e separou uma parte da maquinaria para envio a São Paulo. A outra parte foi destruída e jogada nas águas do Rio São Francisco por um despenhadeiro”. Queriam eliminar um fabricante nacional. Queriam exclusividade. Você já ouviu falar em monopólio?
Os registros históricos da economia brasileira apontam que Delmiro Gouveia deixou um grande legado. Ele foi o precursor da atual usina hidroelétrica de Paulo Afonso, hoje pertencente à CHESF (empresa do governo federal). Foi o fundador da vila por nome Pedra, da fábrica Pedra e do mercado Derby, em Recife.
Pelos registros históricos tudo foi bem estruturado com estradas de acesso e o progresso teve início. Tudo funcionou. Mas adversários fizeram tudo chegar rápido ao fim. Bem mais tarde, numa justa homenagem em 1952, a vila Pedra teve o nome mudado para Delmiro Gouveia, tornando-se neste século XXI uma cidade importante no Estado de Alagoas. 
Há informações sobre o Mercado Derby. O livro Delmiro Gouveia, do escritor Cláudio Said, diz o seguinte na página 182: “O Prédio do Mercado Derby permaneceu abandonado até 1909, quando foi recuperado para abrigar a Escola de Aprendizes de Artífices, criada pelo presidente Nilo Peçanha. O prédio foi demolido em 1924 e em seu lugar foi construído o Quartel da Polícia Militar de Pernambuco.
Delmiro Gouveia, este grande nordestino destacou-se como sendo um herói. Ele foi o pioneiro do primeiro impulso da industrialização nacional, sufocada e esmagada, nas suas bases, pelos trustes estrangeiros, da Machine Cottons. (6)  
A respeito desse grande nordestino, que foi Delmiro Gouveia, temos o seguinte bilhete do respeitável comunicador Assis Chateaubriand, jornalista, político e empresário brasileiro que nasceu em Umbuzeiro, na Paraíba:
“Trago de Pedra, onde o Sr. Delmiro Gouveia tem installada a sua fábrica de linhas, acionada pela força hydraulica da cachoeira de Paulo Affonso, uma impressão que só posso chamá-la de verdadeiro encantamento. Sinto ainda os olhos ofuscados daquela claridade luminosa, da palpitação febril daquela colmeia no seio estéril de um sertão inexorável. Venho com o meu orgulho de brasileiro e de sertanejo bem crescido e a minha confiança nas energias latentes do meu paíz como que tonificada”. (7) 
Delmiro Gouveia foi um empresário de grande influência na economia do Nordeste. Não conseguimos encontrar muitos registros de apoio do governo brasileiro ao grande empreendedor nordestino nascido no Ceará e estabelecido em Alagoas. O governo de Alagoas doou o terreno e ajudou na abertura de uma estrada na região da cidade de Pedra. Hoje, o Estado de Alagoas possui uma cidade com o nome desse grande brasileiro.
É necessário que as escolas do Nordeste ensinem aos seus alunos, contando com mais vigor, a história de pessoas nascidas nessa importante parte do Brasil. Foram pessoas influentes aqui no Nordeste e no Brasil, em diversas áreas. João Maurício Wanderley – o Barão de Cotegipe, que nasceu na cidade da Barra do Rio Grande – BA., em 1815. Ele estudou e chegou a ser um grande diplomata e ministro do Imperador D. Pedro II. Abílio Cezar Borges – o Barão de Macaúbas, nascido em 1824 na cidade de Rio de Contas – BA. Henrique Pereira de Lucena, - o Barão de Lucena nascido em Pernambuco em 1835. Rui Barbosa, nascido em 1849, foi ministro, embaixador, jurista e poliglota que representou o Brasil na 2a. Conferência da Paz em Haia. Juraci Montenegro Magalhães, nascido em 1905, foi governador da Bahia e ministro das Relações Internacionais. A história do Nordeste registra estes e muitos outros nomes de pessoas importantes para o Brasil. Percebe-se que é necessário valorizar a história regional.
CRIATÓRIOS
Vamos retornar a focalizar a nossa história regional e do Brasil. A Partir da 2ª metade do século XX o Brasil apresentou alta produção no setor agropecuário. A produção foi expressiva, principalmente nas regiões centro-oeste, Sul e no Oeste da Bahia. Os demais Estados também apresentaram boa produção agrícola. O Nordeste destacou-se na produção de frutas para o mercado nacional e para exportação. 
É importante informar que em alguns Municípios, com território montanhoso ou pequeno território, é expressiva a criação de gado. Os principais rebanhos são os criatórios de gado bovino, caprino e ovino. Em todos os Municípios existe criação familiar de suínos. No tocante aos rebanhos de gado bovino, em 2018 o relatório do IBGE mostrou os números. Temos aqui os cinco maiores rebanhos, que estão nos seguintes Municípios:  Macaúbas com 32.528  cabeças de gado bovino, Oliveira dos Brejinhos com 26.515 cabeças. Iramaia com 26.257 cabeças, Utinga com 16.634 cabeças e Caturama com 16.577 cabeças.

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Referências:
      (6)     Paulo Dantas, em seu livro Delmiro Gouveia e Outros Contra capa. Edições Populares e Símbolo S/A -  Ind. Gráficas – São Paulo, SP. 1976.

      (7)   Cláudio Said, em seu livro Delmiro Gouveia, na 1a. dobradura da capa. Novo Século Editora Ltda. - São Paulo – SP, 1976.
               (Foi mantida a grafia da época em que foi escrito)


SOBRE O AUTOR:
SAUL RIBEIRO DOS SANTOS nasceu na Lagoa do Barro, Ipupiara, Bahia. Filho de Nisan Ribeiro dos Santos e Carolina Pereira de Novais. É casado com a Drª Agripina Alves Ribeiro, com quem tem os filhos Raquel Ribeiro dos Santos, Esther Ribeiro dos Santos e Arão Wagner Ribeiro. Formado em Economia, Adm. de Empresas e em Ciências Contábeis pela Unigranrio, Rio de Janeiro. Trabalhou durante vinte anos num grande banco comercial.
Sempre gostou de escrever. Apaixonado por assuntos das  Regiões da Chapada Diamantina e do Médio Vale do São Francisco. Gosta e costuma conversar com pessoas idosas com o objetivo de aprender e conhecer melhor a história regional.
Autor do livro DECISÕES & DECISÕES, publicado em 2013 pela Gráfica e Editora Clínica dos Livros, de Feira de Santana, Bahia.