QUEM FOI MYRTES MATHIAS?
Filemon Martins
Mirtes Matias Antonio,
uma das mais notáveis poetisas evangélicas do Brasil, nasceu em Valença, Rio de
Janeiro, a 12/01/1933. Filha do Sr. Antonio e Dona Eglantina Mathias.
Fez seus primeiros
estudos em sua terra natal, na Escola Rural, dirigida por sua mãe e aprendeu a
ler com cinco anos de idade, deslocando-se para outros centros culturais, onde
também estudou. Professora, Escritora, Pesquisadora, Intelectual, Educadora, Oradora,
Missionária Batista e autora de literatura infantil. Em 1966, com 33 anos de
idade, formou-se em teologia.
Chegou a atuar, como
missionária, em Tocantínia (TO), mas por problemas de saúde não pode permanecer
no campo, embora continuasse empolgada com missões através de seus poemas.
Assim, em 1966, atendendo ao convite do Pastor David Gomes, foi trabalhar na sede
de Missões Nacionais, como redatora da revista A PÁTRIA PARA CRISTO, onde
publicava seus poemas e textos conclamando a todos para atuar na obra
missionária.
Em 1988 tornou-se
imortal – a primeira mulher na Academia Evangélica de Letras, tendo escrito
aproximadamente 19 livros entre poemas, crônicas, romances e histórias
infantis. Foi 2º ocupante da Cadeira nº 01 da Academia Evangélica de Letras do
Brasil.
Escreveu, entre outros,
“POEMAS PARA MEU SENHOR” (1967), “HÁ UM DEUS EM TUA VIDA”, “COMPRA-ME UMA
FLOR”, “BOM DIA, AMOR”, “VIM FICAR CONTIGO”, “CAMINHOS DE DEUS”, “MAIS QUE UM
DESAFIO”, “CANTA, MESMO QUANDO...”, “MENINA SEM NOME” (1972) e “ANTES QUE CAIAM
AS ESTRELAS” (ROMANCE-1972).
Colaborou em jornais e
revistas, tais como O JORNAL BATISTA e as revistas A PÁTRIA PARA CRISTO e VISÃO
MISSIONÁRIA, entre outras.
Já aposentada, continuou
indo à sede de Missões Nacionais e numa máquina de escrever antiga, registrava
seus novos poemas, deixando sua marca de grande poetisa evangélica do Brasil,
emocionando a todos com seus versos inspirados. “Peso de nossa terra, grito de nosso povo, que suplica um mundo
novo, onde haja paz e amor. Como cantar nossa crença deixando na treva imensa o
povo que é nosso povo, a terra que é nossa terra, Senhor?”
O seu poema AGORA é de
uma suavidade singular. Espelho da Alma foi escrito com emoção: “Se queres dar-me uma flor/faze-o antes que eu morra./Se podes,
hoje, fazer o milagre de um sorriso num rosto que chora, /não coloques flores
sobre tumbas. Se queres dar-me uma flor, faze-o agora! / Se podes dar um lar ao
órfãozinho, abrigo ao pobre que geme lá fora, não encolhas a mão – Deus está
vendo. /Se conheces o eterno caminho que leva ao templo onde a alegria mora,
não guardes, egoísta, o teu segredo: Se podes dizer, uma frase linda algo que
faça a tristeza ir embora, dize-o enquanto posso agradecer sorrindo:/se podes
dar-me uma flor, faze-o agora. /Não esperes o instante da partida: se queres me
fazer feliz, faze-o agora! Para que chorar de remorso e de saudade? /Custa tão
pouco a felicidade...”
No poema TUA MARCA SOBRE
MIM, a poetisa escreveu: “...Obrigado, Senhor, por minhas fraquezas, por tudo que me
permites sofrer. Transforma meus problemas em bênçãos, ajuda-me a fazer das
tragédias um poema: Dá-me a graça para reconhecer que eu sou somente uma parte
do teu plano ao qual somente tenho que me submeter.”
Em MEU IRMÃO MAIS VELHO,
ela diz: “Tiraram-lhes a
liberdade de culto, o direito de abrir as portas do templo, para cantar
louvores ao Criador, para buscarem junto o consolo da prece em comum, da
meditação nas santas promessas, remédio para um coração em pedaços, da Pátria
escravizada. Não mais a alegria de contar, à futura geração, a história daquele
outro menino, que nasceu numa manjedoura, conversou com doutores, e brincou nas
ruas de Nazaré. Que bom lembrar-te Jesus, como meu irmão mais velho.
Distribuindo entre nós tão menores a herança tua por direito. (...) Meu irmão,
eternamente jovem, infinitamente forte, todo Amor: Obrigado, pela parte na
herança, pelo lugar na família, e pelo doce nome de CRISTÃO”.
Na dedicatória do seu
primeiro livro, escreveu: “Pai do Céu: Aí estão meus poemas. É um presente.
Melhor. É uma devolução. Vieram de Ti.” Vinte e cinco anos depois, acrescentou:
“Tempo de Deus não é nosso
tempo, hora dos homens não é sua hora; a gente fica parada até aprender que é
parte do plano cada demora...”
É verbete do DICIONÁRIO
BIOBIBLIOGRAFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, dentro de
ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br (extinto)
Infelizmente, como
ocorre com outros grandes poetas evangélicos, não é fácil encontrar os seus
livros. Uma pena que as editoras evangélicas, especialmente a JUERP, não
estejam reeditando seus livros. Myrtes Mathias faleceu em 05.07.1996, e sua
última poesia TODOS PRECISAM SABER inspirou a letra do hino oficial da Campanha
Missionária daquele ano.
BIBLIOGRAFIA:
Texto Missões em Verso e
Imagem, de Sandra Regina Bellonce do Carmo, via Internet.
Texto Dicionário de
Membros da Academia Evangélica de Letras, de Mário Ribeiro Martins, Ensaios, no
site www.usinadeletras.com.br
Informações adicionais:
Sammis Reachers, via e-mail, Rio de Janeiro-RJ.
(FOCALIZADA EM MEU LIVRO
¨FAGULHAS¨, PÁGINAS 172/174)

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