sábado, 12 de setembro de 2026

OS DONOS DO PODER - FILEMON MARTINS

 




         OS DONOS DO PODER

 
                                                     

     Com a ascensão do Partido dos Trabalhadores ao Palácio do Planalto, nestes últimos 23 anos, o fascínio da equipe do governo petista pelo poder ficou evidente. Como é possível, mudar tanto? A Filosofia do partido mudou de uma hora para outra. Pelo menos aos olhos do eleitor. Tudo que parecia errado, agora está certo. Tudo que parecia injusto, agora é justíssimo.

      Sabe-se que a herança deixada pelo próprio governo do PT ao longo destes mandatos, foi extremamente pesada. Contudo, o aumento de impostos e taxas adotado pelo governo, também foi alarmante. Se todo este dinheiro fosse gasto com responsabilidade, hoje teríamos melhor educação, mais segurança, melhores estradas e uma infraestrutura modelo.

     Em 1988, Luiza Erundina foi eleita Prefeita da cidade de São Paulo, pelo PT e não obstante as dificuldades que teve de enfrentar, entre outras, peitar os empresários machistas, o preconceito de ser nordestina, o preconceito de ser a primeira mulher a administrar a maior cidade da América do Sul, no campo social, fez um trabalho admirável.

      E era nessa esteira que se esperava que o PT administrasse o país, já que o governo anterior do sociólogo FHC pouco fez pelo social. Quem leu o livro “LULA – BIOGRAFIA POLÍTICA DE UM OPERÁRIO”, de Frei Betto, não reconhece mais o biografado pelo Frei Betto e nem o Partido dos Trabalhadores. Falando sobre a criação do partido, afirma Frei Betto: “Assim, o PT emergia da vontade de independência política desses setores populares, historicamente cansados de servirem de massa de manobra em mãos de políticos e partidos comprometidos com a manutenção de uma ordem política e econômica ATRELADA AOS DONOS DO GRANDE CAPITAL.” (grifo meu)

      Mais adiante, Frei Betto informa um dos pontos do Programa do PT: “Centrado nas questões essenciais ao desenvolvimento social do País, como a suspensão do pagamento da dívida externa, a reforma agrária, o aumento real do salário-mínimo, o combate à inflação, a distribuição de renda, o controle da evasão de divisas, a estatização dos setores estratégicos da economia e a priorização de áreas como saúde, educação, transporte e moradia.”

      No retorno de sua viagem à Europa, num dos seus mandatos, Lula afirmou que “é cedo, pede paciência e não quer ser julgado com pouco tempo de governo”. Está correto, mas como brasileiro nada me impede de registrar aqui minhas opiniões.

      Não era cedo, não era prematuro, já se podia antever o projeto de poder do partido. A prioridade do governo, por exemplo, nunca foi combater a corrupção, à sonegação fiscal e tentar receber as dívidas do INSS. De acordo com a coluna CONEXÃO, do jornal PÁGINA3TRÊS, de Balneário de Camboriú, Santa Catarina, “O Presidente da República, Lula, voltou a defender nesta semana mudanças no Judiciário. Curioso que sua excelência invista, mais uma vez, contra um poder autônomo, justo no momento em que começam a pipocar denúncias de corrupção no poder que ele preside e comanda, o Executivo.” Aliás, diz o dito popular que é mais fácil apontar erros do vizinho, que corrigir seus próprios erros. Dentro deste contexto começou as nomeações de “escolhidos” para o STF.

      O PT nasceu da classe trabalhadora e foi fundado por um trabalhador, mas os fatos mostram que o trabalhador não tem mais lugar no partido. Não há como negar que o PT se amoldou às exigências da elite brasileira. Desta forma, a imprensa, sempre a favor de quem manda, pode noticiar, com estardalhaço, as reformas que trarão benefícios enganosos, como se fossem a salvação da pátria.

      Algumas figuras de prestígio deixaram o PT, como Jacó Bittar, que fora eleito Prefeito de Campinas pelo PT, em 1991. Luiza Erundina, que foi prefeita de São Paulo, anos mais tarde também deixou o PT. Traição? Ingratidão? Radicalização? Será que naquela época, dentro do partido, já havia a intenção de dar calote no eleitor? Sim, porque houve um calote eleitoral. A equipe do governo petista, especialmente os eleitos pelo povo, deputados e senadores, todos estão de uma forma ou de outra, enrolados em corrupção ou são coniventes.

      Tomara que após as eleições de outubro a gente não assista o Inferno de Dante com o Ali Babá e seus inúmeros ladrões dançando e comemorando a continuação da corrupção, dos trambiques, do roubo e da desmoralização dos costumes brasileiros. Oxalá! E você, de que lado vai estar?

 

 

FILEMON MARTINS

ESCRITOR, CRONISTA E POETA

DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

DA ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU, SP


Nenhum comentário:

Postar um comentário