MERO CONTO DA CAROCHINHA?
PARTE I
Escrevi, certa vez, um poema com o título ALERTA, inserido na página 143
do ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL, 3º volume, 1980, Rio de Janeiro, organizado
pelo saudoso APARICIO FERNANDES, e publicado em meu livro FLORES DO MEU JARDIM,
1997, 1ª edição e em 2016, 2ª edição, que dizia: - “Querem abafar nosso
grito, reprimir nosso direito, porque a Verdade sempre dói quando lançada em
rosto. Por que protestar, se tudo vai bem? Além do mais, é ilegal dizer a
Verdade, principalmente se ela contraria as regras do poder”.
Pois é, a cúpula do PT com suas
promessas, fez nascer nos corações brasileiros uma esperança que há tempos estava
morta. Lula vinha se firmando no cenário político nacional muito antes do ano
2000, quando já havia disputado, sem sucesso, outras eleições. Seu discurso
empolgava as massas, ávidas para ter um Brasil justo, mais feliz e mais humano.
Até este escriba embalado pelo sonho de ver o Brasil no rumo certo, escreveu: “Ao som das ondas do
mar com trabalho e competência, o Brasil quer prosperar com Lula na Presidência”!
Finalmente em 2002 o homem foi eleito Presidente da República, para o período
de 2003 até 2006. É bom registrar que
em seu discurso de posse no Congresso Nacional, com as presenças de Fidel
Castro e Hugo Chaves, entre outros, Lula afirmou: “Ser
honesto é mais do que não roubar; é também aplicar com eficiência e
transparência, sem desperdícios, os recursos públicos”. O “homem do povo” foi aplaudido de pé. Foi
nesse discurso demagógico que muitos brasileiros de boa-fé acreditaram: “salário
de trabalhador não é renda” - ele dizia. Outra pérola:- “não é correto o
empresário pagar ao trabalhador o vale refeição, porque só ele se alimenta bem,
enquanto sua família sofre privações. O certo é que ele receba um salário digno
que possa sustentar-se e também à sua família”.
Mas ao contrário do que pregava, os projetos das Reformas Previdenciária e
Tributária, foram alinhavados para beneficiar empresas, banqueiros, empresários
e subtrair direitos dos trabalhadores.
O jeito petista de governar, no entanto,
ficou bem claro desde o primeiro mandato, quando explodiu o escândalo dos
Correios, e em seguida o caso do mensalão (compra de votos para aprovação da
Reforma da Previdência) que culminou na taxação de inativos e pensionistas do
serviço público federal, dando origem a Apelação 470, julgada pelo STF, quando
o STF ainda era sério, cujo relator, na época, era o Ministro Joaquim Barbosa.
Ainda no primeiro mandato do petista, li nos jornais que o presidente Lula
havia escolhido e nomeado 12 conselheiros para estudar a Reforma da Previdência
e entre esses estavam os maiores devedores do INSS. Pensei comigo: deve ser
intriga da imprensa ou brincadeira de mau gosto. Que nada! Era a generosidade
do chefe do PT agraciando as raposas com o galinheiro. Lembrei-me também que
alguns jornais publicaram a relação dos devedores “históricos” do INSS e o
Ministro, na época, Ricardo Berzoini, da Previdência, afirmou que os milhões de
reais devidos ao INSS era “muito difícil de ser recuperado”. Como
explicar aos servidores federais que estão sem reajuste há muito tempo por
conta da Lei de Responsabilidade Fiscal? Mais fácil mesmo e mais vantajoso é
atacar os trabalhadores de modo geral: taxar inativos, reduzir aposentadorias,
aumentar a idade mínima para que “a classe trabalhadora
morra antes de se aposentar”. Palavras de Lula, em 1987, quando
Lula ainda era candidato. O povo brasileiro, pelo menos os que elegeram Luiz
Inácio Lula da Silva, queriam dignidade, coerência, ética, decência e não o que
se viu nestes anos de governo. Reuniões, reuniões e nada. Ainda assim com o
carisma que lhe é peculiar, reelegeu-se para o segundo mandato que foi até
2011. A verdade é que o povo ficou decepcionado com os políticos, com raras
exceções, se é que elas existem. Qual é a
perspectiva do povo até
agora? - Nenhuma. O que se viu foi muita falação e pouco trabalho.
Por outro lado, graças a sua persuasão e o
poderio econômico do PT e seus aliados, Lula conseguiu eleger sua sucessora
Dilma Rousseff, que havia substituído José Dirceu, na Casa Civil, depois do
rumoroso escândalo do mensalão. Reeleita
para o segundo mandato, a petista foi afastada em 2016 por um processo de
“impeachment”, dando lugar a seu vice, do MDB, Michel Temer.
O PT (Dilma Rousseff) e o MDB (Michel
Temer) foram respaldados com quase 55 milhões de votos para cumprir seu
programa de governo e honrar suas promessas de campanha, mas nunca as cumpriu.
Imagine a decepção do povo ao constatar que o PT e MDB, que prometeu mudanças,
novos empregos, manutenção dos já existentes, saúde, educação e crescimento
econômico foi-se tornando um pesadelo para o Brasil.
FILEMON MARTINS
ESCRITOR, CRONISTA E
POETA
DA CONFRARIA BRASILEIRA
DE LETRAS
DO CLUBE BAIANO DE
TROVA, SALVADOR, BAHIA
DA ACADEMIA DE LETRAS DE IPAUSSU - SP

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