quarta-feira, 23 de setembro de 2026

CARAS DE PAU - FILEMON MARTINS

 



                             

                              CARAS DE PAU

 

 

          A propaganda política na tv nunca teve o condão de mudar minhas convicções. Ao contrário, me deixa mais indignado. Não porque elas sejam imutáveis. É que com 76 anos conheço a história e o passado da maioria dos candidatos a cargos eletivos. Quando, eventualmente, assisto aos programas e eles dizem que fez ou vai fazer, estão mentindo. Nunca fez e nem vai fazer e se fez foi malfeito.

          Os candidatos jovens seriam uma esperança para o Brasil, Congresso Nacional, Senado Federal e estados brasileiros. Contudo, se você se der ao trabalho de pesquisar, verá, com surpresa, que são filhos, filhas, netos e netas de políticos corruptos, com raríssimas exceções. Significa que querem entrar na política para continuar a administração desastrosa do pai, do avô, cuja ideologia já conhecemos: eles se sentem donos dos recursos públicos.

          Na tv tudo se apresenta perfeito, porque o marqueteiro é inteligente e sabe maquiar. Na prática, o dinheiro escapa pelo ralo das falsas ONGS e dos contratos fantasmas. Se tivéssemos órgãos fiscalizadores sérios, tudo seria resolvido, mas, convenhamos não temos. Não confiamos na Polícia Federal, não confiamos no Congresso Nacional, não confiamos no Senado Federal e muito menos no STF, já que todos estes poderes se transformaram num grande “balcão de negócios”.

          Entendo até que o horário político para apresentação de programas e ideias é um mal necessário. Mal, porque em geral, o candidato eleito joga o programa na lata de lixo. Pior, não há instrumento legal para forçar o governante a cumprir o que prometeu. E pouquíssimos eleitores cobram do sem palavra. É necessário, porque infelizmente a maioria dos eleitores não estão nem aí. Não têm raciocínio próprio para avaliar a atuação do chefe de governo. Sem essa orientação não haveria um mínimo de bom senso na hora do voto. Ainda assim, os resultados são discutíveis.

          Ouço, às vezes, alguns partidos afirmarem que querem fazer em São Paulo, o que estão fazendo no Brasil. Meu Deus! São uns caras de pau. Não nasci em São Paulo, mas sou apaixonado por esta terra e quisera, com sinceridade, que o Brasil estivesse no mesmo patamar de São Paulo, sem nenhum demérito para os outros Estados. Quer queira ou não, São Paulo tem as melhores estradas do país, inclusive as vicinais.

          O pedágio é caro? – Sim, especialmente no Complexo Anchieta – Imigrantes, que é exorbitante. Na área da Saúde, ainda que não seja o ideal, São Paulo possui a melhor rede de hospitais do Brasil. Pesquisem quantos brasileiros de outras regiões vêm a São Paulo em busca de tratamento de saúde, porque em seus estados de origem não há o mínimo de estrutura para a realização de exames mais acurados e cirurgias. E querem fazer em São Paulo o que fazem no Brasil, ou seja, nada vezes nada.

          Com certeza nestes estados, o governo ficou rico junto a sua família e amigos e pensam “todos eles” que tem o “rei na barriga”. Mas, e o povo? – Ah, o povo é ingênuo e acredita em lorotas e ainda aplaudem os larápios.

          Daí que a alternância de poder numa democracia (acho que ainda temos uma), é recomendável. Há vários candidatos à Presidência. Escolha um e vote com consciência. Mas deixe o Ali Babá de fora. Ele precisa descansar e desfrutar do que já levou de todos nós.

 

Filemon Martins

Escritor, cronista e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Da Academia de Letras de Ipaussu, SP.   


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