AUSÊNCIA
Aprígio Nogueira
De tanto imaginá-la justamente
por não tê-la real, como a queria -
costumo vê-la todo santo dia,
graças à própria dor de tê-la ausente.
Dei-lhe o nome sagrado de Maria...
Maria, retribuindo-me o presente,
vai um outro me dar - que, certamente,
se fosse o céu, tão lindo não seria.
Rompeu-se a Lei! Regozijou-se o sino
de cristal, da festiva Providência,
repicando ilusões em meu destino:
Maria vai trazer-me descendência...
- Vai ser "ausente", se nascer menino,
se for menina, vai chamar-se "Ausência"!
(LETRAS ANAPOLINAS, PÁGINA 52)

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