sábado, 1 de agosto de 2026

SONETO LXIV - CLÁUDIO MANOEL DA COSTA

 


                 (FOTO DE MAISE J. MARTINS, EM ITANHAÉM)



SONETO LXIV


Cláudio Manoel da Costa


Que tarde nasce o Sol, que vagaroso!

Parece que se cansa de que a um triste

Haja de aparecer: quanto resiste

A seu raio este sítio tenebroso!


Não pode ser que o giro luminoso

Tanto tempo detenha: se persiste

Acaso o meu delírio! se me assiste

Ainda aquele humor tão venenoso!


Aquela porta ali se está cerrando;

Dela sai o Pastor: outro assobia,

E o gado para o monte vai chamando.


Ora não há mais louca fantasia!

Mas quem anda, como eu, assim penando,

Não sabe quando é noite, ou quando é dia.



(LIVRO "GRANDES SONETOS DA NOSSA LÍNGUA", PÁGINA 71) 

 

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