domingo, 23 de agosto de 2026

REVISITANDO CASTRO ALVES - FILEMON MARTINS

 





REVISITANDO CASTRO ALVES  

 


Antônio Frederico de CASTRO ALVES nascido na Fazenda Cabaceiras, Curralinho, hoje cidade de Castro Alves, Bahia, um dos mais populares poetas do Brasil, escreveu versos admiráveis, entre outros, “O NAVIO NEGREIRO – Tragédia no mar”, do qual extraímos parte da VI estrofe:

“E existe um povo que a bandeira empresta/pra cobrir tanta infâmia e cobardia!... /E deixa-a transformar-se nessa festa/em manto impuro de bacante fria!... /Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta, /que impudente na gávea tripudia?!.../Silêncio!...Musa! chora, chora tanto/que o pavilhão se lave no teu pranto.../Auriverde pendão de minha terra, /que a brisa do Brasil beija e balança, /Estandarte que a luz do sol encerra/às promessas divinas da esperança.../Tu, que da liberdade após a guerra, /foste hasteado dos heróis na lança, /antes te houvessem roto na batalha, /que servires a um povo de mortalha”!...

Parece que o poeta baiano escreveu estes versos, que considero um dos mais belos e significativos da Língua Portuguesa, em nossos dias. Hoje, não temos a escravatura a que se referia o poeta, mas continuamos escravos do analfabetismo, da corrupção, da política de exclusão social, do desemprego, do crescimento da miséria, da fome, da violência, do medo, dos preconceitos, da falta de investimentos em pesquisas, educação, segurança e saúde, da submissão ao poder econômico. Aqueles que vivem em seus gabinetes atapetados e não têm contato com o povo, não percebem ou fingem não perceber como tem aumentado o exército de desempregados que passam fome e da miséria, acomodados esperando o Bolsa Família do Governo Federal.

Não malhamos o Brasil, mas sim aqueles que têm tido a responsabilidade de dirigir os destinos do País e não enxergam o futuro. Nasci e cresci no interior da Bahia e, em busca de dias melhores, como outros o fizeram, me transferi para São Paulo, onde trabalhei e estudei, e sempre ouvi falar em programas de erradicação do analfabetismo. Aos 76 anos, constato entristecido, que pouco se fez para alcançar tal objetivo. A educação, no Brasil, está defasada, assim como a saúde, transportes, saneamento básico e qualidade de vida, e nunca foram prioridades de nenhum governo.

Dizer que a “saúde é universal, que temos salário-mínimo, garantias individuais, direitos sociais e somos uma grande democracia do mundo ocidental” é balela e não enche barriga de ninguém, nem satisfaz a busca da sociedade brasileira por dias melhores, por um Brasil decente, digno, com oportunidades iguais para seus filhos, e grande não somente na dádiva da Natureza, que, a bem da verdade nunca soubemos aproveitar.

Na época, a pandemia do Coronavírus em 2020/2021 escancarou nossa deficiência na saúde pública, porque não houve investimentos como deveria.

Enquanto isso, as imagens na televisão e os artigos em jornais e revistas mostram a situação caótica do povo brasileiro, com a crescente onda de violência e crimes que assolam o território do Brasil. É preciso valorizar a indústria brasileira, que é capaz e competente. Essa reflexão me fez lembrar de uma história escrita pela colunista Helena Silveira, da Folha de S. Paulo, que em passeio na Argentina com uma amiga, entrou numa loja e viu uns lenços de seda de primeira qualidade. Comprou e comentou com a amiga: -¨imagina se no Brasil vou encontrar lenços assim?” Chegando ao hotel, abriu a embalagem para admirar a compra e veio a surpresa: a etiqueta dizia Indústria Brasileira. Vamos dar valor ao Brasil. O Brasil é um continente que merece ser visto, amado e respeitado pelos brasileiros.

Nas próximas eleições ajude o Brasil a expurgar esses políticos corruptos, enganadores, que só querem propina e enriquecer a família e os amigos com o dinheiro público. Use a massa cinzenta que você tem entre uma orelha e outra. Ative sua memória. Fuja deles!

No momento, não há o que comemorar, porque o sonho de um Brasil mais justo, decente, evoluído e independente se esbarra na incompetência e improvisação dos que dirigem o destino do País.

Mas a mensagem bíblica nos ensina: “HÁ TEMPO PARA TUDO: TEMPO DE CHEGAR E DE PARTIR. TEMPO DE AMAR E DE ABORRECER; TEMPO DE FICAR CALADO E TEMPO DE FALAR; TEMPO DE PLANTAR E TEMPO DE ARRANCAR O QUE SE PLANTOU”. (ECLESIASTES 3.1-2). Aplica-se ao caso.

 

Filemon Martins

Escritor e poeta

Da Confraria Brasileira de Letras

Do Clube Baiano de Trovas – Salvador, Bahia.

 


Nenhum comentário:

Postar um comentário