REVISITANDO
CASTRO ALVES
Antônio Frederico de CASTRO ALVES nascido na Fazenda Cabaceiras, Curralinho,
hoje cidade de Castro Alves, Bahia, um dos mais populares poetas do Brasil,
escreveu versos admiráveis, entre outros, “O NAVIO NEGREIRO – Tragédia no mar”,
do qual extraímos parte da VI estrofe:
“E existe um povo que a bandeira empresta/pra
cobrir tanta infâmia e cobardia!... /E deixa-a transformar-se nessa festa/em
manto impuro de bacante fria!... /Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta,
/que impudente na gávea tripudia?!.../Silêncio!...Musa! chora, chora tanto/que
o pavilhão se lave no teu pranto.../Auriverde pendão de minha terra, /que a
brisa do Brasil beija e balança, /Estandarte que a luz do sol encerra/às
promessas divinas da esperança.../Tu, que da liberdade após a guerra, /foste
hasteado dos heróis na lança, /antes te houvessem roto na batalha, /que
servires a um povo de mortalha”!...
Parece que o poeta baiano escreveu estes
versos, que considero um dos mais belos e significativos da Língua Portuguesa, em
nossos dias. Hoje, não temos a escravatura a que se referia o poeta, mas continuamos
escravos do analfabetismo, da corrupção, da política de exclusão social, do
desemprego, do crescimento da miséria, da fome, da violência, do medo, dos
preconceitos, da falta de investimentos em pesquisas, educação, segurança e
saúde, da submissão ao poder econômico. Aqueles que vivem em seus gabinetes
atapetados e não têm contato com o povo, não percebem ou fingem não perceber
como tem aumentado o exército de desempregados que passam fome e da miséria, acomodados
esperando o Bolsa Família do Governo Federal.
Não malhamos o Brasil, mas sim aqueles que têm
tido a responsabilidade de dirigir os destinos do País e não enxergam o futuro.
Nasci e cresci no interior da Bahia e, em busca de dias melhores, como outros o
fizeram, me transferi para São Paulo, onde trabalhei e estudei, e sempre ouvi
falar em programas de erradicação do analfabetismo. Aos 76 anos, constato
entristecido, que pouco se fez para alcançar tal objetivo. A educação, no
Brasil, está defasada, assim como a saúde, transportes, saneamento básico e
qualidade de vida, e nunca foram prioridades de nenhum governo.
Dizer que a “saúde é universal, que temos
salário-mínimo, garantias individuais, direitos sociais e somos uma grande
democracia do mundo ocidental” é balela e não enche barriga de ninguém, nem
satisfaz a busca da sociedade brasileira por dias melhores, por um Brasil
decente, digno, com oportunidades iguais para seus filhos, e grande não somente
na dádiva da Natureza, que, a bem da verdade nunca soubemos aproveitar.
Na época, a pandemia do Coronavírus em
2020/2021 escancarou nossa deficiência na saúde pública, porque não houve
investimentos como deveria.
Enquanto isso, as imagens na televisão e os
artigos em jornais e revistas mostram a situação caótica do povo brasileiro, com
a crescente onda de violência e crimes que assolam o território do Brasil. É preciso
valorizar a indústria brasileira, que é capaz e competente. Essa reflexão me
fez lembrar de uma história escrita pela colunista Helena Silveira, da Folha de
S. Paulo, que em passeio na Argentina com uma amiga, entrou numa loja e viu uns
lenços de seda de primeira qualidade. Comprou e comentou com a amiga: -¨imagina
se no Brasil vou encontrar lenços assim?” Chegando ao hotel, abriu a embalagem
para admirar a compra e veio a surpresa: a etiqueta dizia Indústria Brasileira.
Vamos dar valor ao Brasil. O Brasil é um continente que merece ser visto, amado
e respeitado pelos brasileiros.
Nas próximas eleições ajude o Brasil a expurgar
esses políticos corruptos, enganadores, que só querem propina e enriquecer a
família e os amigos com o dinheiro público. Use a massa cinzenta que você tem
entre uma orelha e outra. Ative sua memória. Fuja deles!
No momento, não há o que comemorar, porque o
sonho de um Brasil mais justo, decente, evoluído e independente se esbarra na
incompetência e improvisação dos que dirigem o destino do País.
Mas a mensagem bíblica nos ensina: “HÁ TEMPO
PARA TUDO: TEMPO DE CHEGAR E DE PARTIR. TEMPO DE AMAR E DE ABORRECER; TEMPO DE
FICAR CALADO E TEMPO DE FALAR; TEMPO DE PLANTAR E TEMPO DE ARRANCAR O QUE SE
PLANTOU”. (ECLESIASTES 3.1-2). Aplica-se ao caso.
Filemon Martins
Escritor e poeta
Da Confraria Brasileira de Letras
Do Clube Baiano de Trovas – Salvador, Bahia.

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