PROGÊNIE DIVINA
Miguel J. Malty
Vim da estelar corte do infinito
onde flutuam sons de teofania.
Trago no peito o altar em que, contrito,
realizo a inaudita eucaristia.
Vim do páramo ignoto onde o conflito
original dos males ousaria,
no mistério de um réprobo maldito,
a subversão no reino da Harmonia.
Ó, quanto tempo eu sigo o tempo instável,
guiado pelo Excelso Soberano
sob uma luz mirífica, inefável.
Esperançoso vou, sem temer dano,
até que um dia, vindo o inevitável,
ao seio, voltarei, do Grande Arcano.
(LIVRO “ABKAR A CIDADE ENCANTADA”, PÁGINA 38)

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