segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O ENGENHO DE MADEIRA - ANTÔNIO DA COSTA E SILVA

 




O ENGENHO DE MADEIRA

Antônio da Costa e Silva


Na remansosa paz da rústica fazenda,

À luz quente do sol e à fria luz do luar,

Vive, como a expiar uma culpa tremenda,

O engenho de madeira a gemer e a chorar.


Ringe e range, rouquenha a rígida moenda,

E ringindo e rangendo, a cana a triturar,

Parece que tem alma, advinha e desvenda

A ruína, a dor, o mal que vai, talvez, causar.


Movida pelos bois tardos e sonolentos,

Geme, como a exprimir, em doridos lamentos,

Que as desgraças por vir sabe todas de cor.


Ai! dos teus tristes ais! moenda arrependida!

- Álcool! para esquecer os tormentos da vida

E cavar, sabe Deus! um tormento maior!


(FONTE: "COMPOSIÇÕES ESCOLARES", PÁGINA 18) 

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