O BRASIL ESTÁ
VIRANDO UM PAÍS DE CORRUPTOS?
Mário Ribeiro Martins*
Parece que sim. E o pior é que quase não há exceção. Pode-se até
rejeitar a ideia generalizada da corrupção, mas a liberalidade excessiva é
desconcertante. Essa modernidade tolerante está presente em todos os setores da
vida brasileira. E isto é perigoso.
Quando o programa FANTÁSTICO, do domingo à noite, dia 19.06.2005,
perguntou quantas pessoas eram contrárias à presença de câmaras, nas salas de
aula, para vigiar os alunos, não é que mais de sessenta por cento(60 %) das
pessoas disseram que eram contrárias.
Lamentavelmente, isto é uma inversão de valores. Não é possível que
60% das pessoas prefiram a insegurança de seus filhos nas salas de aula. Com a
presença da câmara filmando é possível detectar a existência de armas de fogo
dentro da sala, bem como armas brancas e ainda brincadeiras indesejadas que
resultam muitas vezes em agressões.
É claro que os 60% podem não representar a opinião dos pais. O
horário da pesquisa (domingo de noite) é propício para adolescentes que estejam
em casa. Os jovens, como se observa, são sempre contrários a esse tipo de
fiscalização.
A verdade é que a fiscalização através das câmaras é salutar. O
aluno tem o tempo todo, fora da sala de aula, para sentir, pensar e agir como
bem entender. Na sala de aula, ele tem de se impor e respeitar os colegas.
Portanto, a câmara filmando enseja essa possibilidade.
Dizer que o aluno se torna subserviente porque passou a ser
fiscalizado é uma falácia. Dizer que o aluno perde a sua identidade social,
cultural e física porque está sendo observado é um argumento desprovido de
força. Dizer que o aluno aprende a fazer só o que lhe mandam porque está sendo
filmado, é menosprezar a inteligência dos adolescentes.
Por outro lado, a câmara filma não apenas um aluno, mas todos os
alunos, inclusive o próprio ambiente da sala de aula e ainda os respectivos
professores. E isso é maravilhoso. Assim, por essas pequenas coisas,
desaprovação de câmaras nas salas de aula etc, é possível chegar à conclusão de
que estamos caminhando para piores dias.
*Mário Ribeiro Martins
era Procurador de Justiça e Escritor.
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