TROVAS DE MATUSALÉM DIAS DE MOURA
Com seus galhos sobre o rio,
a generosa ingazeira
- faça sol, calor ou frio -
dá-se, em sombra, à lavadeira.
A mão que encontro estendida
de meu irmão, na calçada,
além de pão e guarida,
mendiga afeto e mais nada.
Derramo o suor do rosto
para ganhar o meu pão,
às vezes a contragosto,
mas sem explorar o irmão.
Passo noites indormidas
tentando encontrar um jeito
de amenizar as feridas
que trago dentro do peito.
(LIVRO "SELETA DE TROVAS", 2017)

Nenhum comentário:
Postar um comentário