segunda-feira, 7 de setembro de 2026

TROVAS DE LILINHA FERNANDES

 




TROVAS DE Lilinha Fernandes 
Rio de Janeiro (1891 – 1981)


Abelha que o favo, prova
é o trovador - velho ou novo
fabricando o mel da trova
que adoça a boca do povo.

A cordilheira hoje à tarde,
de um verde claro e bonito,
era um colar de esmeraldas
no pescoço do infinito.

A definição exata
do remorso, está patente:
fino punhal que não mata
mas tira a vida da gente.

Amanhece... Vibra a terra!
O sol que em ouro reluz,
sai da garganta da serra
como uma trova de luz.

A trova é a alma da gente
desventurada ou feliz.
Em quatro versos somente,
quanta coisa a gente diz!

(ENCANTO DAS TROVAS, TOMO VI, VOL. 3, RIO DE JANEIRO, JOSÉ FELDMAN)

O FEITIÇO DO MÁGICO DE COBRE - JOSÉ FELDMAN

 




 

O Feitiço do Mágico de Cobre


  

Saiba que a inveja é um fogo que consome o próprio dono, e foi esse fogo que marcou a viagem de outro marinheiro que vim a conhecer, Khaled Al-Rahir.

 

Navegando pela costa de Magrebe, Khaled aportou em uma cidade de mercados sombrios onde conheceu um Mágico chamado Zardak. O feiticeiro, invejoso da fama do marinheiro e do seu dom de entender as aves, convidou-o para um banquete. Ao final da ceia, Zardak aspergiu sobre Khaled um pó feito de ossos de hiena e recitou palavras proibidas.

 

— "Pelo nome que não se diz, que tua forma mude para que condiga com teu apelido!" gritou o Mágico.

 

Em um instante, os ossos de Khaled estalaram e sua pele foi coberta por pelos alvos como a neve. Suas mãos tornaram-se garras e sua voz um uivo profundo. Khaled era agora, em corpo, um verdadeiro lobo. Zardak pretendia vendê-lo como uma fera exótica, mas o lobo saltou pela janela e correu até as docas, onde o Falcão do Índico estava ancorado.

 

Ao verem a fera saltar para o convés, os marinheiros sacaram suas cimitarras. No entanto, o mergulhador cego, que ainda acompanhava Khaled, estendeu a mão e disse:

 

— "Parem! O cheiro é de fera, mas o bater do coração é do nosso capitão. Ele está preso em uma prisão de pelos."

 

Para quebrar o feitiço, o mergulhador lembrou-se de uma antiga lenda: um homem transformado em animal por magia negra só recupera a forma humana se for banhado por água de sete fontes sagradas colhida em uma única noite, enquanto seus companheiros provam sua lealdade enfrentando seus maiores medos.

 

Com Khaled (em forma de lobo) guiando-os pelo olfato, os marinheiros enfrentaram uma noite de provações. O mestre de velas teve que cruzar uma ponte de corda sobre um abismo de escorpiões para chegar à primeira fonte; o cozinheiro teve que oferecer seu tesouro mais precioso a um mendigo para acessar a segunda. Khaled, mesmo como fera, usou sua astúcia para proteger seus homens de leões de pedra que ganharam vida, lutando com garras para defender aqueles que o amavam.

 

Ao amanhecer, com a água das sete fontes reunida em um caldeirão de bronze, os marinheiros derramaram o líquido sobre o lobo. A pele branca desprendeu-se como uma túnica velha e Khaled Al-Rahir surgiu, mais forte e sábio do que antes. Ele não buscou vingança contra Zardak, pois disse: "O lobo me ensinou que a lealdade dos meus homens é o escudo mais firme contra qualquer feitiço.”



(FONTE "ECOS DO DESERTO", JOSÉ FELDMAN)


VITÓRIA - FILEMON - MARTINS

 






VITÓRIA 
Filemon Martins



Não há vitórias sem batalhas, creio 
que a própria vida terá mais valor, 
se a luta for renhida, mais anseio 
para lutar na guerra contra a dor. 

A competência e a fé já são um meio 
de vencer com sucesso e sem favor. 
A honestidade traz respeito alheio 
e recompensa quando houver amor. 

Têm mais sabor vitórias alcançadas 
quando são justamente conquistadas, 
sem artifícios ou qualquer trapaça. 

Feliz de quem, na vida, assim peleja 
porque a felicidade vem e beija 
os que venceram com amor e graça. 

TROVAS DE PEDRO ORNELLAS

 





TROVAS DE PEDRO ORNELLAS



Tive a noção do fracasso
quando o tempo em desvario
encheu de ausências o espaço
que o sonho deixou vazio!

Bendito quem no caminho
plantando amor entre irmãos
tem mãos que se fazem ninho
para aquecer outras mãos.

Se o erro ficou distante
seja pleno o teu perdão...
Não se cobra ao diamante
seu passado de carvão!

Sinto, em meu quarto, sozinho,
a Deus pedindo conselhos,
que a gente cresce um pouquinho

sempre que dobra os joelhos!

TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

 




TROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA, QUANDO MORAVA AINDA NA RUA MONSENHOR COSTA, 455 – XIQUE-XIQUE – BAHIA. (IN MEMORIAM)



Sertão do carro de boi
vai no passado ficando,
e de tudo o que já foi,
vai a saudade rodando...

Vejo a imagem refletida
de Deus, com fidelidade,
na manhã – dizendo vida,
no Ocaso – que diz saudade.

Ao pé do morro cravado,
qual o antigo Prometeu,
está o pequeno povoado
onde o poeta nasceu.

No velho sítio Olho d’Água*,
onde as serras altas são,
chorei, e não foi de mágoa,
- foi nascendo no Sertão.








* (POVOADO DE OLHO D'AGUA, IPUPIARA, ONDE O POETA NASCEU)

AMOR E SAUDADE - FILEMON MARTINS


 



AMOR E SAUDADE 

Filemon Martins

 

Vou prosseguindo pelo meu caminho 
em busca do meu sonho mais dileto: 
- cantar feliz e amar qual passarinho, 
que no seu ninho sente-se completo.
 

Correr ao vento, roupa em desalinho, 
plantando amor e paz no meu trajeto, 
para encontrar um pouco de carinho 
que me dê paz no mundo sem afeto.
 

Vejo, porém, que continuo o mesmo, 
descrente e sem valor, vagando a esmo, 
sem encontrar a tal felicidade.
 

E os sonhos que sonhei em minha vida 
vão acenando em triste despedida 
cravando, no meu peito, esta saudade.














MORTE DA ÁRVORE - FILEMON MARTINS

 




MORTE DA ÁRVORE

(Lendo o soneto ÁRVORE MORTA, 

do Padre Saturnino de Freitas)

Filemon Martins


      Árvore triste, que ontem foi bonita,
             não tens mais ramos, frutos e nem flores,  
      dos pássaros não és mais favorita
      e não abrigas mais tantos amores.


      Neste teu tronco já ninguém habita,
      sequer amantes loucos, sonhadores,
      que outrora segredavam na Mesquita
      de suas folhas vivas, multicores...


      Quantas vezes ouviste namorados
      em carinhos e beijos, descuidados,
      como se o tempo não fosse passar.


      Hoje, teus galhos secos, ressequidos,
      são lembranças de sonhos esquecidos,
      que nunca mais, na vida, vão voltar!

7 DE SETEMBRO - ONDE ESTÁ O NOSSO PATRIOTISMO? - JAMILTON ANTONIO DOS SANTOS

 



 

7 DE SETEMBRO — ONDE ESTÁ O NOSSO PATRIOTISMO?

       Saudades da minha geração! Hoje sem bandeiras hasteadas, sem uma manifestação que lembrasse ao cidadão que hoje celebramos a Independência do Brasil.
Talvez alguns digam: “É apenas uma bandeira”. Não. Não é apenas uma bandeira.
       A bandeira representa uma história, uma nação, um povo, homens e mulheres que construíram este país e um sentimento de pertencimento que deveria ser ensinado às nossas crianças.
       O que aconteceu com o nosso patriotismo?
Durante os últimos anos, fomos pouco a pouco aprendendo a ter vergonha de demonstrar amor pela nossa pátria. O patriotismo foi sendo tratado como algo ultrapassado, inconveniente ou até vergonhoso. E, quando deixamos de valorizar os símbolos da nossa história, também começamos a perder a consciência de quem somos.
Mas talvez exista algo ainda mais profundo por trás de tudo isso.

       Uma nação que se distancia de Deus perde também seus referenciais.
Não estou dizendo que o Brasil será transformado simplesmente porque hasteamos uma bandeira. Estou dizendo que uma sociedade precisa de valores. Precisa de verdade, justiça, responsabilidade, respeito, família e temor a Deus.

       A Bíblia nos lembra:
“Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor.”
Salmo 33:12

O problema do Brasil não é apenas político. É moral e espiritual.

Precisamos voltar a ensinar nossas crianças a honrar pai e mãe, respeitar as autoridades, valorizar a família, amar a verdade, trabalhar honestamente e, acima de tudo, reconhecer que Deus é o Senhor da nossa vida e da nossa nação.
       Neste 7 de Setembro, não quero apenas reclamar da ausência das bandeiras.
Quero fazer uma pergunta:
- Que país estamos deixando para os nossos filhos e netos?

Que Deus tenha misericórdia do Brasil.
E que possamos recuperar não apenas o amor pela nossa pátria, mas também aquilo que é muito mais importante: o temor do Senhor.

       Feliz 7 de Setembro! Deus abençoe o Brasil e abençoe Ipupiara. 🙏 JAS.

 

JAMILTON ANTONIO DOS SANTOS nasceu em Ipupiara, Bahia, região da Chapada Diamantina. É empresário, autônomo e reside em Ipupiara.

 

NOTA: O BLOG LITERÁRIO DO FILEMON SENTE-SE HONRADO PELO ENVIO DO TEXTO, REGISTRANDO AQUI NOSSA GRATIDÃO. 


BRASIL SONHADO - MÁRIO BARRETO FRANÇA

 




 

BRASIL SONHADO

Mário Barreto França

 

 

Brasil do meu amor!

Brasil sentimental de minha inspiração,

Eu quisera te ver sob a mesma bandeira

Que Cristo desfraldou por nossa salvação!

 

Mas, entre tanta glória que te exalta,

Entre tantas riquezas e esplendor,

Infelizmente, meu Brasil, te falta

Melhor conhecimento do Senhor.

 

Repara o interior das tuas matas!

Teus sertões!...Tuas vilas afastadas!

Ali onde tu és ingênuo e lindo,

Onde cantas nas vozes das cascatas,

Onde gemes nas cordas dedilhadas,

E onde vives - tão nosso - sempre rindo.

É justamente ali, Brasil querido,

Que tu não tens o Livro que te ilustre

Nem meios que to façam conhecido!

 

E eu te quisera ver na vanguarda do mundo,

Ovante, desfraldando o rubro pavilhão

Que Cristo desfraldou por seu amor profundo,

No Calvário imortal do seu Grande Perdão!

 

Assim eu te quisera, e assim é que te sonho,

Contemplando o teu mar, e este teu céu azul,

Em que vives suspenso, em que vives risonho,

No símbolo de fé do Cruzeiro do Sul.

 

Mas eu creio, Brasil, no milagre eloquente

Do eterno sacrifício do Senhor,

Para seres no mundo, brevemente,

Uma luz, uma bênção refulgente,

Brasil do meu amor! ...

 

URCA, 1933

 

(LIVRO “SOB OS CÉUS DA PALESTINA”, PÁGINAS 67/68)