quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

TROVAS DO FILEMON

 



            
        TROVAS DO FILEMON                          

  
Quando o trem parte lotado
carregando as ilusões;
meu peito fica apertado
com medo dos arrastões.

Pensa bem na tua escolha,
na formação do teu lar,
e passe folha por folha
se não quiseres chorar.

Lá nos campos nasce o lírio
no meio dos espinhais,
como em nós nasce o martírio
no meio dos ideais.

“O futuro a Deus pertence”
não ao destino também;
é preciso que se pense
“o Presente é o que convém”.

TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO

 




TROVAS DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO,

A nossa vida é fugaz...
É bom partir sem revolta...
Quem vem ao mundo já traz
uma passagem de volta!

Quem perde a oportunidade
por medo de ser feliz,
não colhe nem a saudade,
que arrancou pela raiz!

Reticências... uma frase
que alguém pensa, mas não diz...
Justamente aquele “quase”
que nos faria feliz!

Bem pior do que a certeza
é a dúvida que nos mata:
uma, só traz a tristeza;
outra, os fantasmas desata!


(Transcrito do site www.falandodetrova.com.br)

TROVAS DO FILEMON

 



TROVAS DO FILEMON

Ciúme é cuidado e zelo
que temos do nosso bem,
pois não queremos perdê-lo
para os olhos de alguém.

Falando de amor, Maria,
que saudades sinto agora
daquela doce alegria
que em teus olhos vi outrora.

No livro da NATUREZA
as lições são sem iguais.
Tenho, por isto, certeza
que é onde se aprende mais.

Segue uma estrada florida
quem, na verdade, tiver
a glória de ter, na vida,
um coração de MULHER!

LÁ FORA, A NOITE - MARINA COLASANTI

 



LÁ FORA, A NOITE (Extraído da revista PROSA VERSO E ARTE)

Marina Colasanti

(In memoriam)



É quando a família dorme
– inertes as mãos nas dobras dos lençóis
pesados os corpos sob a viva mortalha –
que a mulher se exerce.
Na casa quieta
onde ninguém lhe cobra
ninguém lhe exige
ninguém lhe pede
nada
caminha enfim rainha
nos cômodos vazios
demora-se no escuro.
E descalços os pés
aberta a blusa
pode entregar-se
plácida
ao silêncio.

– Marina Colasanti, no livro “Rota de colisão”. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1993.

SONHEI-TE - GILKA MACHADO

 



SONHEI-TE
GILKA MACHADO (1893/1980)


Sonhei-te tantos anos! Tantos anos!
Eras o meu ideal de amor e de arte,
buscava-te a toda hora e em toda parte
nessa ânsia inexplicável dos insanos.

Enfim, vencida pelos desenganos,
como quem nada espera que lhe farte
a alma faminta, exausta de sonhar-te,
abandonei-me do destino aos danos.

Surges-me agora, em meio da jornada
da Vida: vens do Inferno ou vens da Altura?
- Não sei: mas de ti fujo, apavorada!

E, em lágrimas, minha alma conjetura:
uma felicidade retardada
quase sempre se torna desventura.

TUDO PASSA - AUTA DE SOUZA

 




TUDO PASSA
AUTA DE SOUZA (1876/1901-RN)


Aquela moça graciosa e bela
Que passa sempre de vestido escuro
E traz nos lábios um sorriso puro,
Triste e formoso como os olhos dela…

Diz que sua alma tímida e singela
Já não tem coração: que o mundo impuro
Para sempre o matou… e o seu futuro
Foi-se num sonho, desmaiada estrela.

Ela não sabe que o desgosto passa
Nem que do orvalho a abençoada graça
Faz reviver a planta que emurchece.

Flávia! nas almas juvenis, formosas,
Berço sagrado de jasmins e rosas,
O coração não morre: ele adormece…

(Do livro HORTO, prefaciado por OLAVO BILAC)

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

TROVAS DE J. G. DE ARAÚJO JORGE

 



TROVAS DE J. G. DE ARAÚJO JORGE

Por certo a pior solidão
é aquela que a gente sente
sem ninguém no coração...
no meio de muita gente...

Praias longe, em solidão,
fora de todas as rotas,
tal como o meu coração
só com o sonho... das gaivotas...

Enriquece quem mais tira...
Trabalhar? Lenta agonia...
Democracia? Mentira!
Simples Dinheirocracia...

Ó liberdade, o teu crime
é ser burguesa também
e servir a esse regime
em que “só vale quem tem”!

(Livro TREVOS DE QUATRO VERSOS, - TROVAS, 1964)

O MEU AMOR = NOEMISE MACHADO FRANÇA CARVALHO

 



O MEU AMOR
Noemise Machado França Carvalho

Naquele amor, não tive em minha vida
momentos, que podiam ser felizes.
Que importa no Presente, a despedida,
se amores não tomaram diretrizes?

Bem sei que nos caminhos, mais sofrida,
vi chãos - com esperança de raízes.
Vi rostos de palhaço, e surpreendida,
vi flores, num Inverno, sem matizes...

O sofrimento passa, e a gente esquece
de agruras, que são almas de uma prece,
de prantos, que são olhos de menino...

Hoje, cabelos brancos valem tanto!
Do amor que mais chorei, refiz meu pranto,
e a vida principiei no meu destino!


(DO JORNAL LITERARTE, ARLINDO
 
NÓBREGA, SP.)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

SE TU ME QUERES... GISELDA MEDEIROS

 




SE TU ME QUERES...
Giselda Medeiros

Se tu me queres, dize-me isso agora,
quando ainda em mim a primavera mora,
quando o meu riso, cheio de alegria,
espalha ainda chamas de poesia.

Se tu me queres, diminui a hora
desse momento que tanto demora.
Vem semear canteiros de alegria
neste terreno afeito à nostalgia.

Se tu me queres, faze um gesto apenas.
Palavras... não importam realmente...
Quero sentir somente que me queres.

Pois, se eu tiver as tuas mãos morenas,
serei a mais ingênua adolescente
e a mais sensual de todas as mulheres!


(Jornal LITERARTE, Arlindo Nóbrega, setembro/2014)


IPUPIARA - FILEMON MARTINS

 



IPUPIARA

(Retratada no livro “Coronelismo no Antigo Fundão de Brotas,” de Mário Ribeiro Martins)

Filemon Martins


Cravada no Sertão, jardim de flores,
nasceu uma cidade hospitaleira.
Seus campos coloridos, sedutores,
tornam a vida bela e corriqueira.


Berço de heróis, poetas, escritores,
produzem versos na cidade ordeira.
O clima é quente, bom e aviva as cores
da alegria que é sempre verdadeira.


Ipupiara é flor cheia de encanto,
cuja beleza inspira o bem, porquanto
as alegrias são puras e completas.


Há de brilhar no céu, mesmo à distância,
esta Terra de amor e de elegância,
pois tu és a cidade dos Poetas!

CLARITROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA

 



AS CLARITROVAS DE CARLOS RIBEIRO ROCHA
(Ipupiara-1923 – Salvador-2011)

Não tenho a força do bruto,
na mente é que tenho músculos,
vai-se a flor, suscita o fruto,
vai-se o sol, deixa crepúsculos!

Através da pátria inteira
trovas deixo em minhas trilhas,
irei levando a bandeira
triunfante das redondilhas!

Se tenho bom coração,
não temerei as procelas,
redondilho do apagão,
se não me faltarem velas.

Morrendo, abro um deserto?...
E meus poemas dispersos?...
O meu ocaso, por certo,
será feito só de versos.

Apesar da adversidade,
não se apagarão meus sonhos,
nada faz mais claridade
que as velas dos meus neurônios.


(Do livro PORTA ABERTA, página 17)

TROVAS DO FILEMON

 



TROVAS DO FILEMON


No passado fui petista
e houve tanta decepção,
que, agora sou realista,
voto contra a corrupção!

Acredite, companheiro, 
em tempos de mensalão, 
não haverá brasileiro 
que aguente tanto ladrão.

NOSTALGIA - JOSÉ OUVERNEY

 



NOSTALGIA
JOSÉ OUVERNEY


Desmaia a tarde e a sorrateira brisa,
varanda a dentro, lépida e frugal,
a beliscar meu peito sem camisa
vai desenhando um gesto sensual.

Em lenta despedida o sol desliza,
jorrando sangue sobre o bambual,
e a lua acende a lâmpada, indecisa,
tremeluzindo sobre o meu quintal.

Um pouco mais de espera e surge a noite:
a casa, de repente, tão vazia,
desperta a minha lúdica ansiedade;

e o beliscar da brisa vira açoite,
notadamente quando a nostalgia
bate no peito, e acorda esta saudade!...


(DO SITE FALANDO DE TROVA)