quarta-feira, 24 de maio de 2023

SÚPLICA

 


SÚPLICA

Filemon Martins


Sou um estranho no Planeta Terra,

onde o certo nem sempre prevalece,

onde o forte se impõe, fazendo guerra,

e o amor no coração desaparece.


Quero fugir desta Urbe para a serra,

quero elevar meu pensamento em prece,

vou refletir, quem sabe assim encerra

essa tristeza que fere e enfraquece.


Escárnio, ingratidão e desengano

contaminam a terra e o ser humano,

ninguém escapa ileso a tanta dor.


Suplico, pois, Senhor, que ponha fim

ao desconforto de sofrer assim,

melhor viver à sombra de um amor.



NA PRAIA

 

                                                    (FOTO DO MEU ARQUIVO)


NA PRAIA

Filemon Martins


                         

Caminho, sem destino, pela praia,

- por que me fere a solidão assim?

Percebo que à distância o sol desmaia

talvez para esconder o amor de mim.


O mar, aos prantos, seu furor ensaia

mostrando seu poder quase sem-fim,

mas vou partindo sem que a noite caia

enquanto as ondas fazem seu motim.


Minhas marcas se perdem pela areia,

porque depois com força a maré-cheia

vem e apaga as pegadas que deixei...


Também a minha sorte me maltrata

como a maré que passa, a vida ingrata

vai apagando tudo o que sonhei!


 


 

BRASIL MODERNO

 

                                                            (FOTO DA INTERNET)



BRASIL MODERNO

Filemon Martins


 

Quem são esses párias do destino

que passam pelas ruas

desamparados e oprimidos?

- São todos trabalhadores

com o salário da fome.

Mas muitos não têm trabalho,

muitos não têm saúde,

não há remédios nos postos,

vivem todos desnutridos,

- são todos descamisados.


E essas crianças abandonadas,

crianças que passam fome,

crianças que não têm nome,

crianças que não têm lar?

E esses idosos tristes,

cabelos brancos, cansados,

que, uma vez aposentados,

são acusados de vagabundos

e vivem nesta imensa fila?


O povo já não tem norte,

quer apenas um bom transporte,

mas o trem parte lotado,

o ônibus sempre atrasado,

o metrô abarrotado.

É o caos na cidade grande.


Ganha dinheiro o empresário

e os políticos muito mais,

mas o pobre assalariado

recebe cada vez menos.

É mensalão, mensalinho,

é sanguessuga de plantão,

tem até um petrolão.

Não há emprego, nem pão,

nem arroz, carne e feijão,

só se for a prestação,

já que o dinheiro sumiu...


Eis o retrato do Brasil Moderno:

corrupção, luxo e desperdício,

negociatas lá no Planalto,

para o povo mais sacrifício,

cada dia é um novo assalto.


Primeiro Mundo, que horror:

- é a miséria total de nossa gente,

- é a falência de um povo sofredor.


- Será esta a Justiça Social de que fala o Presidente?


 


 


 

ESCADA DE TROVA

 


ESCADA DE TROVA


Falando de amor, Maria,

que saudades sinto agora

daquela doce alegria

que em teus olhos vi outrora.

Filemon Martins

Subindo:

Que em teus olhos vi outrora

mais brilho, isto é verdade.

Mas, o brilho era por fora,

lá dentro havia maldade.


Daquela doce alegria

eu precisava bastante,

mas, (que tristeza!) Maria

foi ficando mais distante...


Que saudades sinto agora

daquela que eu tanto quis,

que já foi a minha aurora,

que me fazia feliz!


Falando de amor, Maria,

minha trova é mais luzente,

é estrela que irradia,

é, também, flor atraente.

Carlos Ribeiro Rocha

Itamaraju-Bahia

terça-feira, 23 de maio de 2023

CORAÇÃO

 

(FOTO DO FACEBOOK)

CORAÇÃO*
Karinna Ka (Simone Karina Kirschner)

Amorosos acordes colorem olhares
minuto rarefeito
enche de brisas o peito
pensamentos desconhecem amarras
e a solidão acompanhada
vigora num jardim de poemas
- és azul que me abraça -
alma encantada,
admiração pulsa, 
contemplação plena.
O céu vocifera o teu brilho
tal majestade na permanência
do que se vê, no que é dito
pousamos coração no coração
num vôo esplendoroso
entre palavras mudas de pétalas
desamarrou-se o silêncio
enfim, embrulhamo-nos de terna cor
 - como num campo celeste, de papoulas azuis em flor -


SOBRE A AUTORA: A poetisa Simone Karina Kirschner, mais conhecida como Karinna Ka nasceu e reside em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. Formada em Pedagogia, pós graduada em Psicopedagogia escreve poesias e as publica em sua página no Facebook, como Karinna Ka.


COISAS DO CORAÇÃO

 


COISAS DO CORAÇÃO

Filemon Martins


 

Hoje acordei contemplativo. O dia amanheceu escuro, chuvoso e triste. E enquanto chovia, observava as gotas de água que caíam na vidraça da janela e deslizavam mansamente. Uma saudade inexplicável bateu forte em meu coração. Lá fora, a chuva continuava fina, mas constante, ativando ainda mais este agridoce vazio que pesa no meu peito.

Nestes dias parece que a poesia adquire mais sabor e mais vida, transformando-se num lenitivo para o espírito. Munido de caneta e papel, começo a escrever. Escrevo com o coração uma palavra, uma frase sobre um episódio, um fato, um sonho, uma esperança ou quem sabe a reminiscência de um amor que se perdeu no tempo.

Aos poucos a chuva vai cessando e eu sinto uma vontade incontrolável de sair pelas ruas do bairro, andando a esmo. Talvez, eu possa ir à barbearia conversar com as pessoas. Gosto de ouvir suas histórias, sonhos, segredos e tentar entendê-los.

Por algum tempo fico absorto, imaginando, como seria bom, se pudesse ser um pássaro. Poderia voar livre, como um beija-flor numa valsa delicada e bela em redor das flores. Poderia, ainda, cantar mavioso, como faz o sabiá nas laranjeiras. Porém, não sou pássaro e também não sei cantar, mas posso pensar. Meu pensamento é uma arma. Aliás, única arma do poeta. Com ele posso vencer obstáculos, transpor montes, rios, vales e oceanos. Posso percorrer o Planeta Terra, porque meu pensamento não encontra barreiras na propagação da paz, da esperança e do amor.

Depois destas conjeturas, levanto-me. Fico impaciente e ando de um lado para o outro, vou até a porta da casa, mas vejo através da janela que a chuva volta a cair. Torna-se forte. A enxurrada se faz barulhenta. Não posso sair. Volto a sentar-me e meu coração se acalma. Emudeço. Ouço uma música e volto a escrever – são coisas do coração.



 

IDEALISMO

 

                                                            (FOTO DA INTERNET)


IDEALISMO

Augusto dos Anjos (1884 a 1914)


Falas de amor, eu ouço tudo e calo!

O amor na humanidade é uma mentira.

É. E por isto que na minha lira

De amores fúteis poucas vezes falo.


O amor! Quando virei, por fim, amá-lo?!

Quando, se o amor que a humanidade inspira

É o amor do sibarita e da hetaíra,

De Messalina e de Sardanapalo?!


Pois é mister que, para o amor sagrado,

O mundo fique imaterializado

- a alavanca desviada do seu fulcro.


E haja só amizade verdadeira

Duma caveira para outra caveira,

Do meu sepulcro para o teu sepulcro!


(REVISTA A FIGUEIRA, 1998, ORG. DE ABEL B. PEREIRA)

segunda-feira, 22 de maio de 2023

FOTOGRAFIA

 


FOTOGRAFIA

Glória Guedes Cunha


O relógio, o calendário

Indiferentes à minha dor.

O teu aniversário, as horas,

As datas pomposas, as simplórias

Restaram as fotografias

Eternizando, o que seria saudade, de belos dias.


Ficaram na parede da memória.

Hoje melancolia, perpetuando 

Uma história,  juntos, só na fotografia.

Ficaram as festas, os batizados. As bodas quase.

Como teria sido se fosse real? Não só a fotografia.

CORAGEM

 


CORAGEM

Filemon Martins


É preciso coragem para avançar,

não o farol vermelho da vida,

mas lutar obstinadamente

por um Mundo melhor,

mais justo e mais humano,

onde a mão da Justiça e do Direito

defenda o cidadão, defenda o bem comum.


É preciso coragem para avançar,

vencer obstáculos, reveses

e peripécias que a vida,

muitas vezes,

impiedosamente nos impõe.


É preciso determinação para avançar

dentro da noite

enfrentando adversidades,

e mesmo lento,

ao açoite do vento

continuar caminhando, seguindo

e vencendo as tempestades.


É preciso coragem para avançar

e viver, sem alarde, sem correr,

porque depois da curva,

depois do túnel escuro e assustador,

virá um Tempo de Bonança,

Tempo de Esperança,

Tempo de Luz,

Tempo de Vida,

Tempo de Amor.

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES

 

                                                        (FOTO DA INTERNET)


O ACENDEDOR DE LAMPIÕES é um soneto antológico e traz uma advertência bastante atual:


O ACENDEDOR DE LAMPIÕES 

JORGE DE LIMA - Alagoas (1895-1953)

 

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!

Esse mesmo que vem, invariavelmente,

parodiar o sol e associar-se à lua,

quando a sombra da noite enegrece o poente.

 

Um, dois, três lampiões acende e continua

outros mais a acender, imperturbavelmente,

à medida que a noite, aos poucos, se acentua

e a palidez da lua apenas se pressente.

 

Triste ironia atroz que o senso humano irrita!

Ele, que doura a noite e ilumina a cidade,

talvez não tenha luz na choupana em que habita.

 

Tanta gente também nos outros insinua 

crenças, religião, amor, felicidade, 

como esse acendedor de lampiões da rua!

LEGADO

 



 
                                                        (FOTO DA INTERNET)


LEGADO

Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987)


Que lembrança darei ao país que me deu

tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?

Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu

minha incerta medalha, e a meu nome se ri.


E mereço esperar mais do que os outros, eu?

Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.

Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,

a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.


Não deixarei de mim nenhum canto radioso,

uma voz matinal palpitando na bruma

e que arranque de alguém seu mais secreto espinho.


De tudo quanto foi meu passo caprichoso

na vida, restará, pois o resto se esfuma,

uma pedra que havia no meio do caminho.

ESCADA DE TROVAS


 

ESCADA DE TROVAS 
Filemon Martins

De antiga felicidade
Que o tempo tentou levar,
Meu coração tem vontade
De outra vez recomeçar.

Saudade – presença ingrata
Que no coração perdura,
Minha imagem não retrata
O meu viver de amargura.

Porque vem logo a saudade
Morar em meu peito agora?
Antes que tudo se acabe
Quero ver a luz da aurora.

A distância é que nos mata
E o castigo tem sabor:
- Quanto mais forte a chibata,
Mais aumenta o nosso amor.

NO TOPO:
A distância é que nos mata
Porque vem logo a saudade;
Saudade – presença ingrata
De antiga felicidade.

 

domingo, 21 de maio de 2023

QUEM FOI EDIZIO MENDONÇA?

 

(FOTO DA INTERNET)

QUEM FOI EDIZIO MENDONÇA?
Filemon Martins

                              
EDIZIO RODRIGUES MENDONÇA é baiano e nasceu em Barra do Mendes, a 14 de agosto de 1938, filho de Ezequiel Rodrigues Mendonça e de Esteva Maria da Anunciação.
Barra do Mendes é uma progressista cidade no alto Sertão, encravada na região Noroeste do Estado da Bahia, no circuito da Chapada Velha, fazendo fronteira com os municípios de Gentio do Ouro, Ibipeba, Seabra, Souto Soares, Barro Alto, Ipupiara e Brotas de Macaúbas, com uma população aproximada de 14.000 habitantes.
Pena que até hoje (2023) não se conseguiu sensibilizar o governo do Estado da Bahia para construir uma boa estrada ligando Barra do Mendes à Ipupiara, (apenas 60 km). As promessas foram muitas, mas, porém, contudo, senão, todavia, entretanto... As duas cidades e outras da região muito ganhariam com o intercâmbio comercial, turístico e cultural.
EDIZIO MENDONÇA, filho ilustre de Barra do Mendes, fez seus primeiros estudos em escola particular, com a professora Elvira Campos Mendonça e na escola Duque de Caxias, com o professor Lídio Armando Guedes, tendo concluído o curso Primário na Escola Pública Rio Branco, dirigida pela professora Vivaldina Lima Lessa, em sua terra natal.
Deslocando-se para outros centros, fez cursos, entre outros, de Administração Municipal, Técnicas de Alfabetização, Fiscalização de Rendas e curso de Jornalismo. Casou-se, primeiro, com Cleonice Teixeira Mendonça, com quem teve os filhos: Eduardo (também poeta), Lilia, Eliana, Edízio Júnior, Ana Amália e Gleuda Simone Teixeira Mendonça. Viúvo, casou-se depois com Maria Sodré Mendonça, com quem tem os filhos: Evandro, Edízia Maria, Edenízio, Edilma e Eniere Sodré Mendonça.
Escritor, Jornalista, Cronista, Pesquisador, Historiador, Poeta e Trovador, Edízio Mendonça é também político local, além de funcionário municipal, tendo exercido vários cargos na Administração Pública de Barra do Mendes.
Como político, foi Vereador (1971/1973) e Vice-Prefeito (1977/1983) e exerceu inúmeras vezes o cargo de Secretário de Administração, Cultura e Turismo do Município. (1965/1972), (1983/2001).
Como Escritor, já publicou vários livros, entre os quais, “POEMAS PARA CLEONICE (1969), O CORONEL MILITÃO COELHO (1980), CAPITÃO JOÃO PEDRO (2002) e BARRA DO MENDES, UMA HISTÓRIA DE LUTAS (2003)”. Os dois últimos livros, eu os ganhei do autor, quando em companhia do Procurador de Justiça e Escritor Mário Ribeiro Martins, o visitamos em Barra do Mendes em 19/07/2005.
Nesta visita, deu-nos o ensejo de conhecer alguns pontos da cidade, entre outros, o açude municipal Landulfo Alves, a casa em que morou o Cel. Militão Rodrigues Coelho, o Hospital Municipal Manoel Novaes, o Arquivo Público Municipal, a Prefeitura Municipal e o Prefeito de Barra do Mendes, Dr. Manoel Gabriel dos Santos (Dr. Néu).
Edízio Rodrigues Mendonça é um homem de muitos talentos, eis que, atua como Diretor – Gerente da Rádio Barra do Mendes (RBM) e é Diretor do Jornal “Tribuna do Sertão”. Seu projeto é ambicioso e escreve incansavelmente, são 18 livros inéditos e mais 17 livros “em preparo”, entre poemas, trovas, crônicas, contos, história e cordel.
Entre os livros inéditos, estão Cantigas do Alvorecer, Mãezinha do Coração, Mensagem de Natal, Pérolas do Amanhecer (Trovas), Pétalas de Saudades, Pétalas do Alvorecer (Poesias), O Coronel Artur Ribeiro (de Ipupiara) e Vultos do Meu Sertão, volumes 01 e 02.
Entre os livros que está preparando, encontramos Coronéis da Chapada, Governadores da Bahia (1889-2001), Governadores de São Paulo (1889-2001), Manoel Novaes, o Gigante do São Francisco, Os Últimos Dias do Cel. Horácio de Matos, Poetas do Meu Sertão e Trovadores da Bahia.
Detentor de inúmeras honrarias, tais como, nome de Rua, de Escola, de Biblioteca, de Grêmio Estudantil “Edízio Mendonça”, na cidade ou no Município de Barra do Mendes. Faz parte, como coautor, de várias Coletâneas e Antologias, entre as quais, “Coletânea de Contos, Crônicas e Poesias” – IV Festival de Inverno da Bahia – (1994), “Trovadores do Brasil” – 2º vol. Aparício Fernandes – RJ -(1967), “A Trova no Brasil” – Aparício Fernandes – RJ - (1972), “Poetas da Bahia”- Eduardo Cavalcante Silva – Salvador – (1966) e “Anuário Coletânea de Trovas Brasileiras” – Fernandes Vianna – Recife – PE – (1977/1978).
Membro de diversas entidades culturais e de classe, tais como, Academia Guanabarina de Trovas – RJ; Academia Itajubense de Letras – Itajubá – MG; Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras – Anápolis – GO; Academia Barramendense de Letras – Barra do Mendes – BA e Academia Goianense de Letras – Goiânia – GO, etc.
Colaborador de Jornais e Revistas do País, eis algumas opiniões sobre o seu trabalho: “Tive a oportunidade de ler “Tribuna do Sertão” e passei a lhe admirar mais ainda.” Apolônio Alcântara Dias Coelho – Morro do Chapéu – Ba; “Edízio, um dia a história de Barra do Mendes lhe fará justiça, pelo grande homem que você é. E pelo trabalho que você tem feito por sua terra.” Rogério Rego – Brasília – DF; “Tribuna do Sertão” é um jornal que diz bem da capacidade jornalística do poeta Edízio Mendonça”. Eduardo Cavalcanti Silva – Camaçari – Ba.
É verbete do DICIONÁRIO BIOBIBLIOGRÁFICO REGIONAL DO BRASIL, de Mário Ribeiro Martins, via INTERNET, dentro de ENSAIO, no site www.usinadeletras.com.br
Tomara que os livros do Poeta/Escritor, Edízio Mendonça, de Barra do Mendes, Bahia, venham à luz da publicidade para deleite dos seus leitores, entre os quais eu me incluo.
O poeta silenciou em 27 de agosto de 2016 aos 78 anos, em Barra do Mendes, sua terra natal.