quinta-feira, 3 de julho de 2025

DIVAGAÇÃO - FILEMON MARTINS

 



DIVAGAÇÃO

Filemon Martins



O sol se põe

e a tarde morre lentamente.

O céu está azul,

manchado de vermelho

como se fosse um espelho

a refletir minhas mágoas.



E absorto neste quadro lindo

com tanta luz e poesia,

eu me vejo assim:

- Pensando no teu silêncio...

... E como dói o teu silêncio em mim.



(LIVRO "FLORES DO MEU JARDIM", PÁGINA 36)

 

QUEM FOI GETÚLIO RIBEIRO BARRETO? - FILEMON MARTINS

           

(FOTO DO LIVRO "IPUPIARA & IBIPETUM", DE ARIDES LEITE SANTOS)




QUEM FOI GETÚLIO RIBEIRO BARRETO?

Filemon Martins


 

Getúlio Ribeiro Barreto nasceu em Gentio do Ouro, em 10.12.1921, onde estudou as primeiras letras. Depois, transferiu-se para Ipupiara, antigo Jordão de Brotas e se tornou próspero comerciante de tecidos, estabelecido com sua ¨Loja das Velhinhas¨, na praça principal da cidade, Dr. Getúlio Vargas. Casou-se com Solina Amorim, nascida em Xique-Xique em maio de 1920. Filha de Anísia Amorim Barreto e José Benício dos Santos. Residiu por muitos anos na Rua Sete de Setembro, centro de Ipupiara. Não tiveram filhos, mas adotaram como filho legítimo Hiram Amorim Barreto. Hiram casou-se primeiro com Isabel Maria da Silva Barreto, tendo os filhos Marilan da Silva Barreto e Mirian Solina da Silva Barreto. Depois, casou-se com Valéria Ribeiro dos Santos, tendo o filho Getúlio. Getúlio R. Barreto durante muito tempo fez suas compras na porta com os representantes que visitavam a região. Depois, passou a comprar em Salvador, a capital. Com o advento da fama de São Paulo, onde outros comerciantes da cidade compravam, acabou aderindo ao sistema e vinha fazer suas compras pessoalmente em São Paulo, quase sempre com outros comerciantes na região das ruas 25 de Março, Carlos de Souza Nazaré, Jorge azem, entre outras. Hospedava-se na Rua Almirante Barroso, no bairro do Brás, indo a pé até a região de compras, Mercado Municipal de São Paulo.

Era prático em farmácia, prescrevia medicamentos, aplicava injeções, a quem solicitasse e onde quer que fosse, numa época em que a figura do médico e das enfermeiras eram raras. Mesmo depois que a Junta de Missões Nacionais enviou enfermeiras para a cidade, ainda assim o Getúlio continuou ajudando a população mais carente. Conheci pessoas que até preferiam a presença do Getúlio, talvez até por conhecê-lo melhor. Foi um cidadão humanitário e iluminado. Competente no que fazia, Getúlio foi também agricultor e criador de gado, granjeando prestígio por seus méritos junto ao povo. Por instrumentalidade de Artur Ribeiro dos Santos entrou para a política local, tendo participado ativamente das lutas de emancipação do Município de Ipupiara, que estava atrelado a Brotas de Macaúbas. Na primeira eleição do município em 1958 saiu como candidato a prefeito concorrendo com José Antônio dos Santos (Dedé). O resultado foi surpreendente, houve um número de votos igual para os dois candidatos: empate. Como era mais velho, Dedé se tornou o primeiro prefeito de Ipupiara. Getúlio, no entanto, continuou na política. Eleito vereador para a legislatura de 1963 a 1966. Secretário Municipal na gestão do prefeito Oscarino José dos Santos de 1973 a 1976. Vice-prefeito de 1977 a 1982. Por fim, eleito prefeito para a gestão de 1983 a 1988.

Evangélico, pertencente a Denominação Batista, frequentou por muito tempo a Igreja Batista, na Rua Rui Barbosa. Em 1969 houve uma dissenção entre os membros que acabou dividindo a Igreja, surgindo efetivamente a Primeira Igreja Batista, com sede na Praça Santos Dumont, centro de Ipupiara, hoje dirigida pelo Pastor Clóvis de Sousa Nogueira, onde se filiou por algum tempo, afastando-se depois e reconciliando-se com a Igreja já no final de sua existência. Aquela Igreja Batista da rua Rui Barbosa tornou-se Igreja Batista Renovada, hoje sob a direção do Pastor Adelson Durães.

Getúlio transferiu sua residência para a Rua Rui Barbosa, onde construiu sua nova casa e aí morou até os últimos dias de sua vida. Sua esposa Solina Amorim Barreto faleceu a 09/01/1998, enquanto Getúlio Ribeiro Barreto encerrou sua vida a 17/10/2000.

Getúlio Ribeiro Barreto escreveu seu nome à história de Ipupiara, com inteligência, humanidade e honradez.

 

Nota do autor: agradecimentos ao primo Izidoro Pereira de Novais, nosso colaborador pelas informações prestadas.



(LIVRO "CAMINHOS DO JORDÃO DA BAHIA", 

PÁGINAS 121/123)

QUEM FOI OSCARINO JOSÉ DOS SANTOS? - FILEMON MARTINS

 

         
(FOTO DIGITALIZADA DE ISAAC MOISÉS MARTINS, IPUPIARA, BAHIA)


QUEM FOI OSCARINO JOSÉ DOS SANTOS?

Filemon Martins


 

Segundo o escritor Arides Leite Santos, em seu livro IPUPIARA & IBIPETUM, ¨Oscarino José dos Santos, mais conhecido como ¨Oscazão¨, o 5º prefeito do município de Ipupiara, nasceu em Gameleira (atual Ibipetum), em 02/01/1929, filho de José Carlos dos Santos e Zulmira Alves dos Santos. Mudou com seus pais para Ipupiara em 1936, tendo frequentado escolas da época, sem contudo, terminar os estudos primários. Muito inteligente, esse detalhe não lhe impediu de se tornar mais tarde um forte comerciante em Ipupiara".

Consta ainda do livro que foi "um dos primeiros cidadãos de Ipupiara a possuir um caminhão Chevrolet¨.

Casou-se com Avani Rodrigues dos Santos, carinhosamente conhecida como dona Nega. Juntos tiveram os filhos, Oscar Filho Rodrigues dos Santos, José Carlos Neto dos Santos, Washington Rodrigues dos Santos, Lorivaldo Rodrigues dos Santos, Djalma Rodrigues dos Santos, Evanir Rodrigues dos Santos, Osvany Rodrigues dos Santos, Deysione Rodrigues dos Santos, Dayane Rodrigues dos Santos e Diane Rodrigues dos Santos.

São seus irmãos e irmãs: João, Adão, Carlos, Maria, Alice (dona Licinha), Petronília, Zilda Alves, Jesuína, Nair, Edite e Beatriz.

Homem de extraordinária visão para negócios, comprava produtos de agricultores mesmo antes da colheita. O produtor lhe informava que naquele ano havia plantado mamona, fumo, milho, feijão, mandioca ou qualquer outro produto e ele perguntava: - você precisa de dinheiro? E já adiantava parte do pagamento da futura colheita. No caso da mandioca, o produto final era a farinha e a tapioca. Conta-se que comprava, inclusive, estrume de gado, cabra, para usar na agricultura ou mesmo revender para terceiros. Além do seu caminhão Chevrolet, que era sua atividade principal de comércio, comprava e transportava produtos de outros centros, especialmente de Feira de Santana, Vitória da Conquista e de algumas cidades de Minas Gerais, possuía roças, onde criava gado.  

Humanitário, jamais deixou de ajudar pessoas carentes de uma forma ou de outra. Com esse prestígio, iniciou desde cedo sua militância política, elegendo-se Vereador na primeira Legislatura de 1959 a 1962, na gestão do primeiro prefeito de Ipupiara, José Antônio dos Santos (mais conhecido como Dedé). É oportuno lembrar que os dois maiores polos políticos do Município são Ipupiara (antigo Jordão) e Ibipetum, (antiga Gameleira) e como Oscarino era natural de Ibipetum, agora residindo e forte comerciante em Ipupiara, não foi difícil conseguir o consenso dos políticos para a sucessão do prefeito Osvaldo Leite da Silva que terminou em 06/04/1973 e o lançou como candidato único a prefeito da cidade, elegendo-se para o período de 07/04/1973 a 31/01/1977.

Com o seu caminhão Chevrolet transportava também pessoas que precisavam se locomover para outras cidades, como Morpará, Brotas, Oliveira de Brejinhos, entre outras. Essa época as estradas eram um terror para os motoristas da região. A pobreza era severa e imperava no Sertão da Bahia. Não havia eletricidade, Sobradinho não existia, não havia a ponte em Ibotirama, sobre o rio São Francisco, não havia a BA-156 que liga o entroncamento da BR a Ipupiara passando por Brotas de Macaúbas, embora hoje (2021) esteja completamente deteriorada. Não havia a BR-242 que liga Salvador a Brasília. As condições eram adversas, mas ainda assim o Chevrolet do senhor Oscazão, como era chamado, vencia as distâncias.

Oscarino José dos Santos faleceu em 24 de agosto de 1994, conforme cópia da certidão de óbito em poder do autor.

 

·      

 

(Agradecimentos: Osvany Rodrigues dos Santos (filha) e ao primo Izidoro Pereira de Novais pelas informações prestadas, sem as quais não seria possível escrever este texto).


(LIVRO "CAMINHOS DO JORDÃO DA BAHIA", PÁGINAS 127/128)    

quarta-feira, 2 de julho de 2025

LIÇÃO DA NOITE - CARLOS RIBEIRO ROCHA

 



LIÇÃO DA NOITE

Carlos Ribeiro Rocha


A noite esconde duendes,

talvez, até, lobisomem,

e assim, vai a noite se tornando

a fonte negra dos fantasmas

que aos simples consomem...


Convém, no entanto, que saibamos

conhecer do Universo a harmonia:

do ventre da noite,

tão escuro, medonho, denegrido,

é que nasce o dia...


E descubro, enfim,

na minha meditação,

um paralelo bem marcante,

uma lição:


        O preto que alguém repele

        devido à sua aparência,

        tem a noite em sua pele

        e um luar na consciência.


                    Itamaraju, Bahia.

                

terça-feira, 1 de julho de 2025

A INVERSÃO DE VALORES NO CATOLICISMO POPULAR - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 




A INVERSÃO DE VALORES
NO CATOLICISMO POPULAR.


Mário Ribeiro Martins*


(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALÉM DA FONTE).



No catolicismo popular, apesar da boa intenção e do profundo sentimento religioso, muitos cristãos invertem os valores essenciais da religião por falta de uma sólida formação doutrinária. Assim é que a essência da religião é reduzida a um conjunto de práticas, tais como, devoções, romarias, novenas e promessas que cheiram a superstição. Acima do essencial é colocado o acessório, acima da obrigação tem-se a devoção, acima da Missa é posta a Procissão.
Desse fato, há uma diversidade de exemplos empíricos facilmente encontrados. É o caso da criança que faz a sua primeira comunhão. O ambiente familiar, na maioria dos casos se preocupa muito mais com a roupa nova da criança, com o banquete, com a festa, do que com o sentido daquele dia. Outros exemplos poderiam ser dados, como é o caso de um sacerdote que numa ocasião de santas missões perguntou ao povo simples do interior: "O que vale mais, meus irmãos, a Missa ou a Procissão"? A uma só voz todos exclamaram: "A procissão, nhô vigaro... a procissão"!
A verdade é que causas históricas e sociológicas, oriundas da cultura indígena, africana e portuguesa imprimiram traços marcantes no catolicismo popular que ainda hoje predomina no Brasil e em outras partes do mundo, principalmente na América Latina. Tal catolicismo está intimamente relacionado com as constelações devocional e protetora de que fala o Prof. Pedro de Oliveira, analisando a religiosidade popular no mundo latino-americano. O núcleo central do catolicismo é constituído por duas outras constelações, a sacramental e evangélica.
A inversão dos valores religiosos no catolicismo popular está em que as constelações ocidentais devoção e proteção são consideradas como fins em si mesmo, provocando um desfalcado dos elementos essenciais.
A constelação evangélica de que fala o Prof. Oliveira, a formação doutrinária ainda é a grande ausente no catolicismo popular latino-americano. No entanto, alguns movimentos atuais como os Cursilhos, Encontro de Irmãos, Focolarinos e outros estão imprimindo uma prudente purificação e uma sólida orientação que poderão resultar numa concepção de evangelização e de reconciliação entre os homens. (MANCHESTER. Anápolis, 15.10.1975).



MÁRIO RIBEIRO MARTINS - ERA PROCURADOR DE JUSTIÇA E ESCRITOR.

TROVAS DE O RADAR, 16/12/1979

 


                                                            (FOTO DE MOACIR, MG)


TROVAS, O RADAR, 16/12/1979.


Queres que eu volte... Entretanto,

nem mesmo me encontrarias...

Agora, passado a encontro,

já não são teus os meus dias!

    MARIA THEREZA CAVALHEIRO


“Não espere por ninguém”

é uma errada expressão:

quem não quer perder o trem

... passa a noite na estação.

    RODOLFO COELHO CAVALCANTE


É a saudade uma espécie

de moléstia diferente:

machuca, fere; não mata,

mas maltrata muita gente.

    CARLOS EDUARDO SEIXAS


Pelo vidro da janela

eu fitava o firmamento;

dentro de mim uma aquarela,

mesmo com o céu nevoento...

    BENEDITO VIEIRA DA SILVA


(COLUNA DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO)

TROVAS DE O RADAR, 16/12/79

 




TROVAS DE "O RADAR", DE 
APUCARANA-PR, 16/12/79


 

Tarde... Um chorão se curvava

para ver na água, faceira,

a flor do ipê que bailava

nas espumas da cachoeira.

     Elizabeth Martha Paschoal


Deus, que é bom, certo perdoa

defeitos que a gente tem;

o sol é rei, tem coroa,

porém tem manchas também...

     Jacy Pacheco


É bem frequente enfartar

coração de confidente,

pois não aguenta abrigar

segredos de tanta gente.

     Heloísa Siqueira Pacheco


(COLUNA TROVAS, DE MARIA THEREZA CAVALHEIRO)

TROVAS DE VANDA FAGUNDES QUEIROZ

 


                                          (FOTO DE SANDRO, CARRANCA, BAHIA)



TROVAS DE VANDA FAGUNDES QUEIROZ


 

Fama é aurora que fascina,

mas é bom não se esquecer

de que o sol também declina

e morre, ao anoitecer...


É sublime inspiração

de grandeza a que norteia

quem cala a própria emoção,

para ouvir a dor alheia.


Tão bom seria voltar

ao tempo que já passou,

e conseguir apagar

os passos que a gente errou...


Se a messe me traz, agora,

frutos bons, acreditai:

Veio a semente de outrora,

plantada pelo meu pai.


(Do livro MOTIVOS E MATIZES, página 25)

TROVAS DE EUCLIDES PEREIRA DA CUNHA

 




TROVAS DE EUCLIDES PEREIRA DA CUNHA


 

O sol no ocaso desmaia

deixando na terra as brumas;

as ondas batem na praia

tecendo rendas de espumas.


Quem dá valor à riqueza,

fazendo do ouro um troféu,

não dá valor à pureza,

que só tem valor no céu.


Não temo da vida a afronta,

nem os maus ventos dispersos,

eu colho o bem que desponta

da semente de meus versos.


Vejo a chuva na vidraça,

como lágrimas de prata,

chorando a dor que não passa,

na saudade que me mata.


(Do livro “GENTE E COISAS NA FRONTEIRA DAS LEMBRANÇAS”, página 21)

TROVAS DO FILEMON MARTINS

 




TROVAS DO FILEMON MARTINS


 


Pela terra e pelos mares

nunca me afasto dos meus,

e sinto que em meus cantares,

fico mais perto de Deus.


Teu amor é um lenço branco,

que, de longe, acena ao cais.

E eu fico naquele banco

em vão procurando a paz.


Meu pensamento flutua

ao som das águas do mar,

quando vem, bate e recua,

para, de novo, avançar.


A inspiração peregrina

que mora dentro de mim,

vem com ternura e ilumina

minha poesia sem fim.

HOMENAGEM A D. ZÊNIA - JOSÉ BRITTO BARROS

 




HOMENAGEM A D. ZÊNIA

JOSÉ BRITTO BARROS

 

RASTILHOS DE TUA LUZ AURIFULGENTES
BRILHAM DIZENDO QUE TU FOSTE EMBORA
DESSE FULGIR FICAMOS NÓS CARENTES
E PARA TI COMEÇA A NOVA AURORA!

DEIXASTE-NOS EXEMPLOS EXCELENTES
DE UM VIVER LINDO; E ESTÁS NO CÉU AGORA...
TEU MUNDO VIU AS FORMAS DIFERENTES
DO TEU AGIR E TUA PARTIDA CHORA.

TODA A ESPERANÇA QUE MANTINHAS VIVA
PERMANECEU VIBRANTE, FORTE E ATIVA
E A TUA FÉ FOI FIRME ATÉ O FINAL!

HOJE PARTISTE PARA O ETERNO ABRIGO
A VIVER JUNTO AO TEU MAIOR AMIGO,
E ASSIM TEU GALARDÃO É MAGISTRAL!

João Pessoa, 9 de novembro de 2012

O TEMPO NÃO PASSA - THEREZA FREIRE VIEIRA

 




O TEMPO NÃO PASSA

         Thereza Freire Vieira


O tempo não passa,

Não corre, não anda.

Não consigo apressá-lo

Nem tampouco pará-lo.

Nem mesmo sei

Se quero que pare,

Se quero que corra.

O tempo correndo,

Passando apressado,

Traria de volta,

O que me deixa saudade?

Não importa que corra

Ou que fique parado.

O tempo não sabe

De meus sentimentos.

E se ele parasse?

A saudade cansada

De tanto esperar,

Me deixaria sozinha

Sem saudade,

Sem dor?

Viver sem saudade

É viver sem esperança

Da felicidade voltar...


(Postal Clube, O JORNALZINHO, página 3)

TROVAS DE SARA KANTER

 




       TROVAS DE SARA KANTER 


 Tua ausência “bate o ponto”

no cartão de minha vida.

E, dentro do peito eu conto

quanto dói cada batida.


Na galera da esperança

entre barquinhos risonhos,

sou marinheiro-criança

buscando a ilha dos sonhos.


Na solidão do meu peito

- velho jardim sem amor –

a saudade tem um jeito

de renúncia que deu flor.


Na voz triste da criança

que nos implora: - “um trocado...”

o amanhã sem esperança

de um hoje desesperado.


Não há saldos no balanço

do que fui, sonhei ou quis,

mas, nos débitos eu lanço

remorsos do que não fiz...


 

(Anuário-Coletânea de Trovas Brasileiras-1979, página 55)