segunda-feira, 1 de julho de 2024

RENÚNCIA - VERSOS DE OUTRORA

 




RENÚNCIA  (VERSOS DE OUTRORA)

FILEMON MARTINS

¨Não penses que a mentira me consola¨
J. G. de Araújo Jorge


Eu não guardo rancor dentro do peito
Se nosso amor não pôde prosperar;
Antes, queria vê-lo assim desfeito
Do que nosso destino contrariar...
Não reclamo, também, sofro calado,
Que o sofrimento nesta vida passa.
Antes viver sozinho e desprezado
Que juntos e infelizes na desgraça.

Por que fingir assim, se no teu peito
Por mim não sentes verdadeiro amor?
Eu compreendo e sei que não tem jeito,
¨devo esquecer-te, seja como for...¨
Pensa que tudo aquilo que te disse
Já se passou, morreu, teve seu fim,
Foram palavras simples de tolice
Que tu não deves recordar, enfim.

Porém, se um dia a solidão da vida
Vier te procurar, seja aonde for,
Com teu olhar de luz, arrependida,
Hás de lembrar teu verdadeiro amor.
Então, deves pensar que o tempo passa,
E não te lembres nunca mais de mim,
E, se algum dia me vires na desgraça
Foi o DESTINO que me quis assim!

Obs.: escrito em Ipupiara, Bahia.

CANTEIRO DE TROVAS - JOSÉ FELDMAN

 

                                        (FOTO DA PRIMA LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)



CANTEIRO DE TROVAS
JOSÉ FELDMAN – MARINGÁ – PR.

- "Coração amargurado,
Por que choras sem parar?
Se tu queres ser amado,  
vai outro amor procurar!"

Coração aprisionado!…
A sua beleza e encanto
me deixou hipnotizado…
e eu não sei se choro ou canto.

Cultivemos o jardim
do amor, com perseverança,
para que seja o estopim
de um futuro de esperança.

Debruçado na janela,
eu vejo o tempo passar.
Saudade que me flagela,

por quem não irá voltar.

SERENIDADE - SUELLY CORRÊA GOMES

 



                                    (FOTO DO PASTOR CLÓVIS DE SOUSA, IPUPIARA, BAHIA)


SERENIDADE
SUELLY CORRÊA GOMES


Se um dia te bater à porta a glória
recebe-a com carinho e gentileza.
Não a ostentes aos outros, por grandeza,
nem te enfeites nas luzes da vitória.

Aceita o seu abraço e a sua história
e lhe beijes a mão de realeza,
mas não deixes pesar em tua pureza
e nem a tragas sempre na memória.

E se um dia chegar a ti o Fracasso
recebe-o com humildade e não insiste
do coração na dor e que alguém note.

Vai seguindo na vida o calmo passo:
que nenhuma conquista te conquiste
e nenhuma derrota te derrote!














A MORTE DO JANGADEIRO - PADRE ANTÔNIO TOMÁS

 



A MORTE DO JANGADEIRO
Padre Antônio Tomás (1868-1941)


Ao sopro do terral abrindo a vela,
Na esteira azul das águas arrastada, 
Segue veloz a intrépida jangada  
Entre os uivos do mar que se encapela.

Prudente, o jangadeiro se acautela  
Contra os mil acidentes da jornada;  
Fazem-lhe, entanto, guerra encarniçada  
O vento, a chuva, os raios, a procela.
 
Súbito, um raio o prostra e, furioso,  
Da jangada o despeja na água escura;  
E, em brancos véus de espuma, o desditoso
 
Envolve e traga a onda intumescida,  
Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura  
O mesmo mar que o pão lhe dera em vida.











MEU VERSO - DIVAGAÇÃO

 


                                                (FOTO DE GASPARINO, IPUPIARA, BAHIA)




MEU VERSO (Divagação) 
Filemon Martins

 
Meu verso vem do Nordeste, 
vem do roçado, vem do Sertão, 
vem das veredas lá do agreste, 
vem das cacimbas e dos grotões. 

Meu verso vem dos garimpos, 
das catras dos garimpeiros, 
da coragem dos vaqueiros 
vestidos no seu gibão, 
vem do sereno da noite 
do perfume do Sertão. 

Meu verso simples, sem medo, 
vem do sítio, do rochedo, 
vem do povo do Sertão, 
que com a luz do arrebol 
trabalha de sol a sol 
para ganhar o seu pão. 


Vem da Serra do Carranca 
onde a beleza não manca, 
e a onça faz sentinela. 
Da Serra da Mangabeira 
onde a Lua vem brejeira 
tecer a renda mais bela. 

Meu verso vem da goiaba, 
do puçá e da mangaba, 
da seriguela e do mamão. 
Da pinha e da acerola, 
da atemóia e graviola 
plantadas no roçadão. 

Nasceu na bela Umbaúba, 
Boa Vista, Bela Sombra, 
na Lagoa de Prudente, 
na Chiquita e no Vanique, 
onde há muito xique-xique 
e o sol parece mais quente. 

Brejões, Lagoa do Barro, 
Santo Antonio, Traçadal, 
Olho D´Água, Rio Verde, 
Baixa dos Marques, Coxim, 
Ibipetum, depois Pintada, 
onde passa a velha estrada, 
Zequinha e Lamarca morreram. 

Sodrelândia, Deus me Livre, 
Pé de Serra, Poço da Areia, 
Riacho das Telhas também. 
Poço do Cavalo, Matinha, 
Mata do Evaristo e Veríssimo, 
Olhodaguinha e Ipupiara. 

Meu verso nasceu no mato, 
não tem brilho, nem ornato, 
vem do Morro do Mocó, 
da Serra do Sincorá, 
vem do morro do Araçá, 
nasceu pobre e vive só... 

DESABAFO - FILEMON MARTINS

 


                                                (FOTO DO SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)


                                 DESABAFO
Filemon Martins


                           Não reclamo da vida turbulenta e triste
                           que a predestinação me faz levar, talvez,
                           nem quero levantar a voz ou o dedo em riste
                           para acusar alguém de tanta insensatez.

                           A consciência cruel por certo não resiste
                           fazer o bem, amar, viver com honradez.
                           É próprio do invejoso que na falta insiste
                           muito disfarce, engodo, mágoa e morbidez.

                           O calvário de Cristo nos mostrou o quanto
                           a Humanidade é mesmo pobre e desprezível,
                           a ponto de matar um verdadeiro santo...

                           E desde então as coisas só se complicaram,
                           o aumento dos Pilatos se tornou visível
                           e os Judas, com certeza, se multiplicaram!

TROVAS DO FILEMON

 



TROVAS DO FILEMON

O candidato promete,
o povo acredita e vota.
Faz errado, pinta o sete,
e acha que o povo é idiota.
      
A luta é sempre renhida,
grana do pobre corrói,
quer fazer um pé-de-vida,
um pé-de-enrola o destrói.
      
Saudade – palavra triste,
algum bem que nos deixou.
Palavra que só existe
onde a alegria passou.
      
É noite – a treva domina
e eu não consigo enxergar.
Se você chega – termina
a tristeza em meu olhar.
      
Não olhes para a beleza
quando tu fores votar,
“beleza não põe a mesa”,
diz o dito popular.

MUNICÍPIO DE SEABRA - PARTE I

 

(CAMARA DE VEREADORES DE SEABRA)

(PREFEITURA DE SEABRA)



 

MUNICÍPIOS DA CHAPADA DIAMANTINA

MUNICÍPIO DE SEABRA - Parte I

Saul Ribeiro dos Santos

📧saul.ribeiro1945@gmail.com

 

INTRODUÇÃO

 

       Seabra é um grande e importante Município do Estado da Bahia. Espalha seus raios de influência para toda a região. Está localizado na parte central do Estado da Bahia e encravado no alto das montanhas na parte centro-Norte da Chapada Diamantina, em altitude aproximada de 930 m. Seu território se estende por uma área de 2.402,17 km² e a população em 2016 foi estimada em 45.395 habitantes. (1)

       Conforme informativo/2017 da ALBA – Assembleia Legislativa da Bahia, a distância entre Seabra e Salvador é de 460 km. Seabra possui clima aprazível com temperatura média de 22º C. Entre os dias 15 de junho a 15 de agosto, a temperatura durante a noite desce e poderá chegar aos 9º C. Nos meses mais quentes a temperatura máxima chega a 33º C.

        No território do Município de Seabra destaca-se a serra da Cotréia com 1.120 metros de altitude. A vegetação é considerada um misto entre mata atlântica nos vales e grotões (2) com cerrado e caatinga, em outras partes. Até maio de 1889 as terras deste vasto Município pertenciam ao Município de Lençóis.

      Anteriormente a sede do Município teve outros nomes, mas Seabra, o nome atual, foi adotado em homenagem ao ex-governador J. J. Seabra - Dr. José Joaquim Seabra – o homem que governou o Estado da Bahia, eleito duas vezes. O nome Seabra é bem-aceito por todos. É nome de fácil pronúncia.

       A cidade de Seabra é considerada a capital da Chapada Diamantina. Está bem localizada às margens da BR-242, que liga Salvador a Brasília com o prolongamento da BR-324 (de Feira de Santana a Salvador). Além de ser a maior cidade da região, Seabra exerce grande influência no comércio dos Municípios das redondezas com a compra, venda e distribuição da produção de frutas, cereais e outras mercadorias. Exerce grande influência como polo educacional e de assistência médica regional. Seabra é conhecida no cenário regional e nacional pelo ecoturismo. O Município apresenta muitos pontos com atrações turísticas e muitas festas folclóricas. No centro da cidade encontra-se a Praça Luiz Henrique Xavier, onde foi erigido um monumento (simples, mas de grande significado), chamado de “Marco Zero”, que representa o centro geográfico do Estado da Bahia. A cidade abriga a sede regional de muitos órgãos estaduais, federais e de várias autarquias e fundações. 

        No final do século XIX para início do século XX estava em vigor no interior do Brasil, principalmente na parte do sertão brasileiro, que vai do Norte de Minas Gerais até o Maranhão, o sistema chamado de coronelismo. (3) Esse termo refere-se à influência dos coronéis do sertão na política brasileira. Naquele tempo o governo central não tinha condições para sustentar uma estrutura com forças militares permanentes no vasto interior do País. O coronelismo, pode-se dizer, era uma espécie de força reserva ou força auxiliar.

        Aqui na Chapada Diamantina muitos coronéis se destacaram. O Coronel Horácio de Matos foi um homem de grande influência política e social em Lençóis, Seabra  e na maior parte da Chapada Diamantina. Em 1926 teve início, nesta parte do sertão, o movimento para arregimentar forças com a finalidade de lutar contra a Coluna Prestes. A “Coluna”- foi um movimento revolucionário que agitou o Brasil de 1923 a 1927 e  com maior intensidade de 1924 a 1927,  fazendo uma marcha guerrilheira progressiva a partir do Sul do Brasil. Percorreu milhares de km. e se ramificou, tendo em vista conseguir adesões ao movimento contra o governo do presidente Arthur Bernardes.

       A coluna era composta de militares oriundos do tenentismo (4) e de civis, todos bem armados. Era comandada por Luiz Carlos Prestes, engenheiro (ex-tenente do exército). Na sua marcha a Coluna percorreu vários Estados do Brasil. Passou pelo Estado da Bahia e ao chegar à região de Morro do Chapéu muitos elementos do grupo se comportaram como vândalos, saqueando lojas, inclusive a casa comercial do Coronel Manoel Quirino Matos. Este, mesmo com poucos homens, atacou a Coluna Prestes, feriu muitos guerrilheiros e causou a baixa definitiva de outros. (5) Parte da Coluna prosseguiu na marcha e “em março de 1926 entrou em Barra do Mendes”. Matou dois homens, parentes do Coronel Horácio. Não demorou muito e o coronel tomou as providências. Apoiado pelo governador e credenciado pelas autoridades federais, organizou o Batalhão Patriótico Lavras Diamantina, composto de 560 homens bem armados, e partiu na direção de Goiás para atacar a famosa Coluna Prestes. Perseguiu-a e travou muitos combates, causando muitas baixas, forçando a Coluna deixar o Brasil e entrar na Bolívia, em busca de refúgio.

     Retornemos à história de Seabra. Por influência do coronel Horácio de Matos, a cidade de Cochó do Pega (ou São Sebastião do Cochó), teve o nome mudado para Doutor Seabra, em homenagem ao ex-governador do Estado da Bahia - Dr. José Joaquim Seabra, eleito pelo povo. Ele exerceu o mandato por dois períodos. Mas, antes de ser favorecida com o nome de Seabra, este lugar, desde quando ainda era um povoado, já teve vários outros nomes, como: Passagem Bonita de N. Sra. de Jacobina, São Sebastião do Cochó, Campestre (que era a sede do Município), Cochó do Pega, Doutor Seabra. (6) E, finalmente a partir de 1931 o nome atual - Seabra. 

   ____________

 

(1) Relatório IBGE/Cidades/Bahia/Seabra. Acesso em 30/12/2016.

(2)   Contos dos Sertões, Pág. 178 (1912), Viriato Correia, jurista, deputado e escritor maranhense. Pequena abertura em alguns trechos das margens de um córrego.

(3)    Coronelismo - termo que se refere aos coronéis do sertão. Patente criada pela Guarda Nacional no tempo do Governo Imperial, formada em 1831. Eram nomeados com a patente de coronel homens de grande influência na política regional. Geralmente a           patente era concedida a fazendeiros de grande carisma e prestígio – que possuíam o dom da iniciativa, poder econômico e notoriedade entre os habitantes da região. Ao receber a patente, o novo coronel recebia também a farda, a espada e as insígnias,           que simbolizavam poder, deveres e privilégios legais. O coronelismo foi extinto após 1930, no governo do presidente Getúlio Vargas, com leis combatendo as oligarquias regionais. Mas, por causa do prestígio, alguns coronéis seguiram ostentando poder           político até 1945/1950 - Enciclopédia Barsa, vol. 6 pág. 32 – Encycl. Britannica do Brasil Public. Ltda. 1995.

(4)   Tenentismo – Movimento político-militar de oficiais das Forças Armadas do Brasil e alguns civis, que no início da década de 1920 questionavam a estrutura administrativa e as práticas políticas do Governo Federal. Entre os principais integrantes do           movimento estavam Luiz Carlos Prestes, Juarez Távora, Siqueira Campos, Eduardo Gomes e Juraci Magalhães. Enciclopédia           Universo, parte sobre o Brasil.

(5)     Coronelismo no Antigo Fundão de Brotas, 5a. edição pág. 82. Livro escrito pelo Dr. Mário Ribeiro Martins. Editora Kelps, Goiânia- GO,  2010.

(6)    Nome em homenagem ao Dr. José Joaquim Seabra, governador do Estado da Bahia por dois períodos: 1912/1916 e 1920/1924. Foi um político influente no âmbito nacional. Enciclopédia Barsa, vol. 3 pág. 409 – Encycl. Britannica do Brasil Public. Ltda., 1995.

 

EMANCIPAÇÃO POLÍTIC0-ADMINISTRATIVA

                                                                     Os primeiros habitantes humanos das terras deste Município foram os índios. As tribos tupis constituíam grande nação de índios composta por cerca de 200 tribos espalhadas por várias regiões do litoral brasileiro e alguns países da América Central. Os tupis preferiam as terras costeiras à beira mar. Os tupiguás habitavam as terras do sertão da Bahia. Os Tapuias constituíam a nação de índios que habitavam nas terras do sertão. Tapuias ou tapuios, essa foi a designação genérica dada pelos índios da nação Tupi (tupinambás) para os índios considerados como inimigos, que viviam nas terras do interior, muito além do litoral. Pertenciam a outros troncos linguísticos. (1)

       À medida que a colonização do Brasil pelos portugueses se intensificou e avançou, os índios foram lentamente “empurradas” ou forçadas a abandonar a região litorânea, seguindo para outras partes e até para territórios que atualmente pertencem a outros países.

(1)   Tupiguás e Tapuias – tribos indígenas do sertão. Enciclopédia Universo, vol.VI pág. 2736 – Editora Delta e Editora Três, 1973 e Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa – Caldas Aulete, pág. 5138 – Edit. Delta 1958.

 

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Este texto é parte integrante do esboço do livro Chapada Diamantina, em elaboração.

 

SOBRE O AUTOR:

SAUL RIBEIRO DOS SANTOS nasceu na Lagoa do Barro, Ipupiara, Bahia. Filho de Nisan Ribeiro dos Santos e Carolina Pereira de Novais. É casado com a Drª Agripina Alves Ribeiro, com quem tem os filhos Raquel Ribeiro dos Santos, Esther Ribeiro dos Santos e Arão Wagner Ribeiro. Formado em Economia, Adm. de Empresas e em Ciências Contábeis pela Unigranrio, Rio de Janeiro. Trabalhou durante vinte anos num grande banco comercial.

Sempre gostou de escrever. Apaixonado por assuntos das  Regiões da Chapada Diamantina e do Médio Vale do São Francisco. Gosta e costuma conversar com pessoas idosas com o objetivo de aprender e conhecer melhor a história regional.

Autor do livro DECISÕES & DECISÕES, publicado em 2013 pela Gráfica e Editora Clínica dos Livros, de Feira de Santana, Bahia.