DIA DE ELEIÇÃO, crônica de Sammis Reachers
Dia de eleição é dia de catarse. De expor amigamentos e odianças
por esses que o jogo político arregimenta, esses que, por pudor nos negamos a
dizer, mas no fundo – sejamos nós letrados ou humildeletras, enricados e
pés-de-pano – sabemos que são os piores de nós...
Dia de eleição é dia de desnudamentos, de sangria dos ânimos, de
expor os radicais e seus monóculos, sua tobas de ver o mundo por um só viés.
Esses de direita e esquerda, em seus extremos tão perigosos – mas não haveria
jogo sem eles, afinal, os fominhas da bola.
Dia de eleição é dia de melancolia, e isso nenhum poeta, dos seis
mil que conheço ou ao menos tolero, já aventou: Dia máximo de melancolia, ao
revisitar velhos caminhos e seções, ao rever rostos de anos, infância até,
estudos juntos, trampos, sopapos e beijos trocados.
Dia de eleição é dia de cidadania, essa obviedade central & inescapável,
frenética em seus entra-e-sais quase copulosos, pois desse seu coito na urna,
hoje botãonizada, nasce o rebento que nos resguarda, a democracia – mais que
este ou aqueloutro ator canastrão que ocupar o cargo que lhe confiarmos.
Dia de eleição é dia de suspense, riso e lágrima, apuração de samba
e final de copa, suspiros ou expiros de sonhos, projetos, construtos de luz ou
maquiavélicas maquinações. E acerto de conta$, que o correligionário também
come, afinal.
Dia de eleição é dia de socializar – e orar, debater, biritar,
conforme a cultura da aldeia: Preocupações ou despreocupações se carnavalizam,
entrechocam e abraçam – o outro feito nós na sujeição ao sistema que nos
comporta, renovação de ciclo, refundação tumultuosa de nosso pequeno grande
mundo citadino.
Sammis Reachers
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