sexta-feira, 28 de agosto de 2026

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Sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Filemon F. Martins (Poemas Escolhidos) 1


CURVA DO CAMINHO

Eis-me chegando à curva do caminho,
onde vejo os escombros do passado:
a casa em que nasci, cresci, malgrado
o quarto de dormir em desalinho.

Não me faltou, porém, muito carinho
vivendo no Sertão injustiçado,
onde o “mandante” sempre desalmado
faz o povo sofrer, no Pelourinho...

No entanto, a vida é bela e deslumbrante,
mesmo que a estrada se apresente escura
sempre brilha uma luz ao viajante...

... E quando eu me tornar uma saudade,
minha alma esquecerá a desventura
para cantar, em verso, a Eternidade!
* * * * * * * * * * * * * * * *  

ELOGIO AO AMOR

Neste caminho eu sigo contemplando
a Natureza exuberante e bela,
passarinhos nos ramos saltitando
entoando canções em aquarela.

Aonde quer que eu vá, eu vou cantando
a pureza do amor, pintado em tela,
que Deus o produziu, por certo amando,
para mostrar ao mundo, em passarela...

O amor? Triste de quem não tem amor,
nem sentiu nesta vida alguma dor,
nem teve uma saudade a recordar?

Pois o amor é um sublime sentimento
que ferve, vibra e invade o pensamento,
e  nos leva ao delírio para amar!
* * * * * * * * * * * * * * * *  

IPUPIARA

Feliz é quem trilhou estes caminhos
que levam à vibrante Ipupiara,
ouvindo o som de belos passarinhos
numa paisagem deslumbrante e rara.

Ibipetum, Pintada e outros vizinhos
Sodrelândia, Vanique e Caiçara,
Chiquita, Bela Sombra com seus ninhos,
Brejões, Coxim que muito me ensinara.

Jamais vou esquecer... O Olho d´Aguinha,
Veríssimo, Barreiro e até Matinha,
Deus me Livre, Umbaúba e Boa Vista.

Felicidade, então, é ter nascido
e neste berço um dia ter vivido
com gente hospitaleira e idealista!
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RESSURREIÇÃO

Já não lamento o fim daquele sonho
que o tempo, impiedoso, me levou.
- Venturas e alegrias – pressuponho
tombaram pelo chão, nada sobrou.

Por que sofrer, chorar, viver tristonho?
Se o vendaval que assusta já passou?
Reconstruir é tudo o que me imponho
e gritar para o mundo: aqui estou.

Tal como a fênix ressurgir da morte
e as cinzas sacudir buscando a sorte,
embora os olhos marejados d´água.

Meus versos jorrarão como uma fonte
fervilhando de amor vencendo a ponte,
mesmo cobertos de saudade e mágoa!
* * * * * * * * * * * * * * * *  

REVISITANDO A INFÂNCIA

Refaço, de memória, a longa estrada,
caminhos que trilhei desde menino.
De manhã cedo, ainda na alvorada,
eu preparava a terra, meu destino.

Tempos depois, aposentei a enxada,
para estudar, no chão diamantino.
A vida era feliz lá na Chapada,
quando brilhava a luz do sol, a pino...

Tudo passou, bem sei, tão de repente,
meu coração, parece, anda descrente
e o sentimento, quantas vezes, trunca...

Hoje, guardo no peito, com cuidado,
lembranças que marcaram meu passado
e uma saudade que não passa nunca...
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *  
FILEMON FRANCISCO MARTINS é um renomado escritor, poeta e trovador brasileiro, reconhecido como um dos nomes expressivos da poesia lírica e do trovadorismo nacional. Nasceu EM 1950, na cidade de Ipupiara/BA (região da Chapada Diamantina). Passou a infância e juventude na Bahia (em Ipupiara e Morpará). Posteriormente, mudou-se para São Paulo (SP), onde fixou residência por longos anos para estudar e trabalhar. Cursou Administração de Empresas na Faculdade de Administração e Ciências Econômicas "Santana", em São Paulo. Prestou serviços para grandes corporações e órgãos públicos, incluindo a Empresa Folha da Manhã S.A. e a Prefeitura Municipal de São Paulo. Desenvolveu sólida carreira no Judiciário Federal, atuando e aposentando-se na Subsecretaria de Feitos da Presidência (UFEP). É também filiado ao Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD).
Filemon possui uma produção diversificada em artigos, crônicas, sonetos e trovas, sendo membro de várias entidades literárias e culturais de destaque. Sua trajetória é marcada por reconhecimentos em trovas e antologias poéticas pelo país. Membro da Academia Anapolina de Filosofia, Ciências e Letras, Anápolis/GO; The International Academy of Letters of England, (London, England); Academia de Letras de Ipaussu/SP; Clube Baiano de Trova, Salvador/BA; Instituto Cultural do Vale Caririense, em Juazeiro do Norte/CE; Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (SINTRAJUD), Confraria Brasileira de Letras (PR).
Sua bibliografia abrange obras poéticas e pesquisas genealógicas: “Flores do meu jardim” (Poemas, 1997), “Anseios do coração” (Poemas, sonetos e trovas, 2011); “Dicionário genealógico da família Ribeiro Martins” em coautoria com Mário Ribeiro Martins (2007); “Fagulhas” (Miscelânea, 2013); “Sonetos & Trovas” (2014); “Histórias que só agora eu conto” (2018) e – “Caminhos do Jordão da Bahia” (2022).
A relevância do autor reside na preservação das formas clássicas da poesia e na contribuição para o resgate histórico e cultural brasileiro.

Fontes:
Biografia = Scortecci, Unicamp, Página 3, Anseios do Coração, Confraria Brasileira de Letras, etc.

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