UM OLHAR
POLÍTICO E SOMBRIO SOBRE O BRASIL
Não se tem a
pretensão de monopolizar a verdade, mesmo porque a verdade é relativa, depende
de circunstâncias, depende de ponto de vista, depende do momento e do ângulo em
que observamos os fatos. No episódio bíblico do julgamento de Cristo, conforme
os evangelhos, Pilatos perguntou a Jesus: - Que é a verdade? Hoje, minha
verdade pode não ser a mesma de amanhã. Além do mais, a minha verdade pode não
ser a dos outros, especialmente quando penso que “sou o tal”, e estou
convencido de que somente minha opinião é a verdade.
Há fatos que
acontecem no dia a dia que não podem ser contestados. É o caso, por exemplo, do
que está ocorrendo com o Brasil. Após aquela enxurrada de imundícies que vieram
à tona, na investigação da Operação Lava Jato, o ex-presidente Lula foi
acusado, julgado e condenado pela Justiça Federal a nove anos e seis meses de
prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, não obstante um bando de
advogados para defendê-lo. Por unanimidade, os três desembargadores da 8ª Turma
do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) mantiveram a condenação da
Justiça Federal e aumentaram a pena de prisão para doze anos e um mês.
Um pouco depois
desse ponto entrou em ação um ministro do STF alegando que a Justiça Federal de
Curitiba não era competente para julgar processos contra o ex-presidente, que
poderiam estar tramitando em São Paulo. Um leigo como eu imagina que crime é
crime e os crimes cometidos, não importa se são no NORTE, NORDESTE,
CENTRO-OESTE, SUL OU SUDESTE. Se foram
em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre
ou em quaisquer cidades brasileiras, continuam sendo crimes. Para um cidadão leigo e pacato, o ministro,
embora sozinho, tomou a decisão imitando a Pôncio Pilatos que atuou no
julgamento de Cristo. Entrelinhas chamou de incompetentes (incompetente no
Direito tem outro significado), não só a Justiça Federal de Curitiba, como, os
desembargadores da 8ª turma do TRF4, de Porto Alegre - RS.
É possível que
a decisão do ministro tenha respaldo na Lei, mas provavelmente esteja ancorada
em seus postulados que todos conhecemos e que deu origem à sua indicação pela
presidenta Dilma Rousseff em 14 de abril de 2015.
Depois dessa
desastrosa decisão pessoal do ministro, ninguém se manifestou. Sérgio Moro é
ex-juiz federal, agora é senador da República pelo Paraná, o TRF4 de Porto
Alegre, quedou-se mudo e os pares do ministro do STF, concordando ou não com a
decisão monocrática e oportunista, nada disseram.
Agora, o Brasil
está às voltas com um governo, cujo sonho e objetivo único é inscrever todo
brasileiro na miséria. Para quem conhece as intenções do grupo político que
assumiu o poder, nada será surpresa. Já estava registrado no roteiro de terror,
caso a volta ao poder se concretizasse, como acabou ocorrendo.
O povo
brasileiro em geral tem memória curta, curtíssima, porque há muito tempo já
pipocavam várias denúncias de corrupção em prefeituras de algumas cidades
administradas pelo partido, como Santo André, Campinas, Ribeirão Preto, São
Paulo, principalmente nas áreas de lixo e transportes públicos, além de
projetos prejudiciais ao trabalhador.
Nossa esperança
seria o povo, que através do voto poderia expurgar esses maus políticos da vida
pública do Brasil. Sem nomear culpados, é possível apontar falhas dos partidos
políticos na apresentação de candidatos aos cargos eletivos. Mas é justamente
essas agremiações políticas que apresentam candidatos fichas sujas, sem moral,
ética e honestidade zero.
Assim, o
eleitor ingenuamente escapa de um e cai na armadilha do outro. É fundamental
que os partidos políticos sejam responsáveis ao indicar seus candidatos,
expurgando de seus quadros os farsantes que infestam a política e ficam
espreitando o momento propício para roubar o povo, sob os olhos, até agora
complacentes e coniventes da Justiça Brasileira.
Filemon Martins
Escritor e
poeta
Da confraria
Brasileira de Letras
Do Clube Baiano de Trova, Salvador, Bahia

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