segunda-feira, 3 de agosto de 2026

SONETO DE CASTRO ALVES

 




SONETO DE CASTRO ALVES (1847/1871)


Se houvesse ainda talismã bendito

que desse ao pântano – a corrente pura,

musgo ao rochedo, festa – à sepultura,

das águias negras – harmonia ao grito...


Se alguém pudesse ao infeliz precito

dar lugar no banquete da ventura...

E tocar-lhe o velar da insônia escura

no poema dos beijos – infinito...


Certo... serias tu, donzela casta,

quem me tomasse em meio do Calvário

a cruz de angústias que o meu ser arrasta!...


Mas, se tudo recusa-me o fadário,

na hora de expirar, ó Dulce, basta
morrer beijando a cruz de teu rosário!...

Nenhum comentário:

Postar um comentário