A RUA QUE EU IMAGINO
Gióia Júnior
A minha rua há de ser muito bela.
Não há de ser edificada a limas
com as róseas, doiradas pantomimas
de um menestrel que deslumbrou-se ao vê-la.
Não de ter castelos e vindimas
e fulgores miríficos de estrela;
a minha há de ser simples como as rimas
que ora ocupo entretido a descrevê-la.
Há de ter uma igreja pequenina
(e neste meditar me glorifico)
não haverá badalos e nem dobres...
Ela há de ter o dístico que ensina:
Um pouquinho de paz para o mais rico,
um pedaço de pão para os mais pobres.
(FONTE: "O CÂNTICO NOVO", PÁGINA 36)

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