PRIMEIRO SONETO DE BILAC PUBLICADO NA IMPRENSA:
MANHÃ DE MAIO
Lá fora, a natureza, alegre e verdejante,
Expande-se ao calor do sol da primavera...
Gorjeia a patativa um canto inebriante,
E como que sorri contente o azul da esfera.
Parece que a campina, esplêndida e brilhante,
Em vestir-se de rosa e de jasmim se esmera,
Como a noiva gentil que, trêmula e hesitante,
Com cuidado se veste e o lindo noivo espera...
E enquanto, em frente a mim, duas pombinhas mansas,
Mais brancas que a alma ingênua das crianças,
Conversam sobre o amor, beijando-se em delírio...
Eu penso em ti, compondo esta canção florida,
Que quisera enviar-te, oh! minha flor querida!
Escrita a tinta azul nas pétalas de um lírio.
(LIVRO "VIDA E POESIA DE OLAVO BILAC", PÁGINA 43, DE FERNANDO JORGE)

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