sábado, 7 de junho de 2025

LIVRO "HERANÇA" - FILEMON MARTINS

 



 

LIVRO HERANÇA

Filemon Martins


 

Por instrumentalidade do Dr. Luiz A. Martino (excelente médico que me acompanha há anos no tratamento de saúde), recebi o livro HERANÇA, de EUNICE BARBOSA. Um livro com 160 páginas, de boa e pura poesia. O livro foi editado pelo Grupo Editorial Scortecci, de São Paulo, em 2013 e vale a pena ser lido. Revisão do Professor Almiro Dottori Filho, prefácio do Padre Antônio Maria. Mas, quem é EUNICE BARBOSA (Eunice Barbosa da Silva)? - Uma senhora com 94 anos, nascida em 30/08/1919, no bairro de Lagoinha, Belo Horizonte, Minas Gerais. – “De origem humilde, mas rica em experiências, graças a suas andanças ligadas ao seu estilo de vida itinerante”. Eunice não teve condições de estudar, mas sua alma de poetisa inspirada é marcante. Seus poemas reunidos em seu livro HERANÇA atestam com fidelidade “uma vida de cenários diversos, de muitas buscas e cheia de desafios”. A mulher Eunice Barbosa teve 09 filhos, sendo 8 do 2º casamento. Seus filhos são: Adolfina Imaculada, Carlos José, Maria Lúcia, Maria Célia, Mário Lúcio, Marco Antonio, Maria Evangelina e Maria Ângela, e o saudoso cantor e compositor Antonio Marcos.

A poetisa e compositora Eunice Barbosa possui várias músicas gravadas nas vozes de Roberto CarlosAntonio Marcos (seu filho), Jessé, GilliardFábio JúniorRoberto LealLeonardo, entre outros. Conforme sua biografia, “hoje, aos 94 anos, muito tímida e extremamente emotiva, ela deseja levar ao mundo seu recado no silêncio das páginas de HERANÇA”.

Eis o poema Resgate, página 72:

"Hoje eu me peguei chorando. Senti saudades de mim fazendo coisas diversas, correndo daqui pra ali. Pensamento assediado por problemas desiguais, e o coração machucado por coisas tão naturais! De quando em quando, a vida me deixa com dor no peito. É tanto tempo sofrido que até me deixa sem jeito! Uma pausa pra pensar: - Devo ter dívidas em algum lugar do passado. E agora estou resgatando o que preciso acertar".

No poema Ao Nordeste, página 57, uma constatação:

"Não sobrou quase nada pro povo lá do Nordeste. A terra ficou trincada, e o gado morreu de peste. O destino escancarado nas unhas da inanição ficou todo esfarrapado nos olhos de cada irmão. Crianças de pele ao vento queimadas de solidão, mescladas de um desalento, escravas do coração. Galho seco esparramado e as folhas virando pó. Os olhos do irmão parados tão tristes que davam dó! Que pena que dá na gente o céu não chora por lá! Que pena, tanta semente sem tempo pra germinar"!

Assim é a poesia de nossa grande poetisa, Eunice Barbosa, sempre inspirada e perene como a água que desliza mansamente pelos lagos.  Parabéns! E nós somos privilegiados com leitura tão cativante, tão bela e doce, que só nos resta agradecer: - obrigado, Poetisa, por nos conceder tão inebriante prazer.


(DO LIVRO "HISTÓRIAS QUE SÓ AGORA EU CONTO")

 

 


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