sábado, 30 de agosto de 2025

HOMENAGEM A DONA ZÊNIA - JOSÉ BRITTO BARROS

 




HOMENAGEM A D. ZÊNIA

JOSÉ BRITTO BARROS

 

RASTILHOS DE TUA LUZ AURIFULGENTES
BRILHAM DIZENDO QUE TU FOSTE EMBORA
DESSE FULGIR FICAMOS NÓS CARENTES
E PARA TI COMEÇA A NOVA AURORA!

DEIXASTE-NOS EXEMPLOS EXCELENTES
DE UM VIVER LINDO; E ESTÁS NO CÉU AGORA...
TEU MUNDO VIU AS FORMAS DIFERENTES
DO TEU AGIR E TUA PARTIDA CHORA.

TODA A ESPERANÇA QUE MANTINHAS VIVA
PERMANECEU VIBRANTE, FORTE E ATIVA
E A TUA FÉ FOI FIRME ATÉ O FINAL!

HOJE PARTISTE PARA O ETERNO ABRIGO
A VIVER JUNTO AO TEU MAIOR AMIGO,
E ASSIM TEU GALARDÃO É MAGISTRAL!

João Pessoa, 9 de novembro de 2012

TROVAS DE SARA KANTER

 




       TROVAS DE SARA KANTER (São Paulo-SP)


 

Tua ausência “bate o ponto”

no cartão de minha vida.

E, dentro do peito eu conto

quanto dói cada batida.


Na galera da esperança

entre barquinhos risonhos,

sou marinheiro-criança

buscando a ilha dos sonhos.


Na solidão do meu peito

- velho jardim sem amor –

a saudade tem um jeito

de renúncia que deu flor.


Na voz triste da criança

que nos implora: - “um trocado...”

o amanhã sem esperança

de um hoje desesperado.


Não há saldos no balanço

do que fui, sonhei ou quis,

mas, nos débitos eu lanço

remorsos do que não fiz...


(Anuário-Coletânea de Trovas Brasileiras-1979, página 55)

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

ETERNA MÁGOA - AUGUSTO DOS ANJOS

 




ETERNA MÁGOA

 Augusto dos Anjos


 

O homem por sobre quem caiu a praga

 Da tristeza do Mundo, o homem que é triste

 Para todos os séculos existe

 E nunca mais o seu pesar se apaga!


 Não crê em nada, pois, nada há que traga

 Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.

Quer resistir, e quanto mais resiste

 Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.


 Sabe que sofre, mas o que não sabe

 É que essa mágoa infinda assim, não cabe

 Na sua vida, é que essa mágoa infinda


 Transpõe a vida do seu corpo inerme;

 E quando esse homem se transforma em verme

 É essa mágoa que o acompanha ainda!

O SOM DO CORAÇÃO - FILEMON MARTINS

 




O SOM DO CORAÇÃO (FILME DE 2007)
Filemon Martins



Gostei do filme. Não diria que 100%. Mas o desenrolar do filme é emocionante. Quem não assistiu, deve assistir preparado para derramar rios de lágrimas. Tudo começa quando uma bonita jovem violoncelista, Lyla Novacek (Kerri Russel), que se apresenta acompanhada de orquestras, se encontra, por acaso, com um guitarrista irlandês, Louis Connelly (Jonathan Rhys Meyers), integrante de uma banda. Os dois se apaixonam nesse primeiro e único encontro. Amam-se e prometem se ver novamente. Daí em diante os desencontros acontecem e os dois não se encontram mais.
Grávida, sem que o namorado saiba, ela se afasta da música temporariamente para dar à luz um menino, mas seu pai a engana e induz a pensar que o filho estava morto, enquanto entrega-o a um orfanato. Dez ou onze anos depois, no orfanato, Evan Taylor (Freddie Highmore), o filho diz ouvir músicas em todas as coisas e lugares, atraindo para si a ira dos colegas.
Intimamente, ele acredita que seus pais voltarão para buscá-lo, sem imaginar que a mãe o tinha como morto e o pai sequer sabia de sua existência. Movido pelo sonho de encontrar os pais, ele vai para Nova York, onde um espertalhão, (Robin Williams) ao mesmo tempo em que o ajuda também o explora. O talento musical do pequeno Taylor se junta a outros meninos que tocam pelas ruas da cidade em troca de alguns trocados.
Enquanto isso, em Chicago, o pai de Lyla, confessa que o menino está vivo e num orfanato. Na Califórnia, Louis consegue o endereço da garota por quem se apaixonou. Assim, Louis procura a garota, que procura o filho, que, através da música, procura os pais.
Evan Taylor, depois de ter passado por uma escola de música dos Estados Unidos e ter sido tratado como gênio, é convidado a se apresentar num festival de música como regente, com o nome de August Rush, sugerido pelo vigarista e misterioso mago.
Lyla se apresenta no mesmo festival; após sua apresentação, afasta-se lentamente e volta depois, ouvindo a música regida por August Rush, enquanto o roqueiro irlandês também atraído pela música, reconhece a moça e se aproxima do palco. Pai, mãe e filho agora estão juntos. É o final, que para nós, leigos, poderia ser melhor: a emoção, que deveria ser sentida e vivida, é apenas imaginada. Uma ponta de frustração. Só o nosso Machado de Assis saberia explorar a emoção e o psicológico das pessoas ali envolvidas. Como ocorre em muitos filmes, o final, quase sempre deixa a desejar.

QUEM FOI ENO THEODORO WANKE? - FILEMON MARTINS

 



QUEM FOI ENO THEODORO WANKE?

Filemon Martins


ENO THEODORO WANKE (1929-2001) nasceu em Ponta Grossa, Paraná, a 23 de junho de 1929. Filho de Ernesto Francisco Wanke e de Lucilla Klüppel Wanke. Aprendeu as primeiras letras na Escola Evangélica Alemã, de sua cidade natal. Quando a escola foi fechada em razão do advento do Estado Novo, o futuro escritor foi transferido para o Liceu dos Campos, cuja proprietária era a educadora Judith Silveira, hoje nome de rua na cidade.
Estudou também no Colégio Regente Feijó, de Ponta Grossa, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Castro, PR, onde completou o ginásio. Em 1948, transferiu-se para Curitiba, PR, onde terminou o científico no Colégio Iguaçu e em 1949, após vestibular, entrou para a Escola de Engenharia Civil da Universidade do Paraná, formando-se em 1953. Trabalhou na Prefeitura de Ponta Grossa (1954-1955). Atuou como fiscal de construção de uma linha de alta tensão elétrica em Curitiba, da Companhia Força e Luz do Paraná.
Em 1957 ingressou, por concurso, no curso de Refinação de Petróleo, da Petrobrás, no Rio, passando a trabalhar em 1958 na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão, SP, residindo em Santos, onde viveu onze anos. A partir de 1969 passou a residir no Rio de Janeiro, onde fez carreira dentro da Empresa.
Começou a escrever desde os doze anos. Poeta, Trovador, Contista, Cronista, Biógrafo, Ensaísta, Historiador, Fabulista e Prefaciador, entre outros. Como sonetista de primeira, obteve com o soneto APELO, 160 versões para 95 idiomas e dialetos. É o soneto em português mais traduzido para idiomas estrangeiros: “Eu venho da lição dos tempos idos/e vejo a guerra no horizonte armada. /Será que os homens bons não fazem nada? /Será que não me prestarão ouvidos? Eu vejo a Humanidade manejada/em prol dos interesses corrompidos. /É mister acabar com esta espada/suspensa sobre os lares oprimidos! É preciso ganhar maturidade/no fomento da paz e da verdade, /na supressão do mal e da loucura... Que a estrutura econômica da guerra/se faça em pó! E que reinem sobre a terra/os frutos do trabalho e da fartura!”.
Como trovador, escreveu trovas magníficas e inesquecíveis, como estas, entre outras: “Senhor! Que eu pratique o bem/ separe o joio do trigo, / e tenha força também/ de amar o irmão inimigo.” “Na praia deserta, eu penso/ que a imagem da solidão/ começa no mar imenso e finda em meu coração.” “Quem vai ao mar deitar rede/ que tome cuidado, tome!/ o mar nunca teve sede,/ mas nunca vi tanta fome!” “Seguindo a trilha infinita/ do meu destino estrelado,/ eu sou aquele que habita/ a ilusão de ser amado.” “O meu destino se encerra/ num grave e eterno conflito:/ - meu corpo é feito de terra, - meu coração, de infinito.”
A obra de Eno Theodoro Wanke é extensa e variada. Eis as principais: “NAS MINHAS HORAS” (poesia, 1953), “MICROTROVAS” (1961), “OS HOMENS DO PLANETA AZUL” (sonetos, 1965), “OS CAMPOS DO NUNCA MAIS” (poesia, 1967), “VIA DOLOROSA” (sonetos religiosos, 1972), “A TROVA” (estudo, 1973), “A TROVA POPULAR” (estudo, 1974), “A TROVA LITERÁRIA” (estudo, 1976), “REFLEXÕES MAROTINHAS” (pensamentos humorísticos, 1981), “VIDA E LUTA DO TROVADOR RODOLFO CAVALCANTE” (biografia, 1982), “A CARPINTARIA DO VERSO” (didática da metrificação, 1982, 1989, 1990 e 1994), “DE ROSAS & DE LÍRIOS” (minicontos, 1987), “O ACENDEDOR DE SONETOS” (líricos, 1991), “ALMA DO SÉCULO” (sonetos, 1991), “FÁBULAS” (1993), “ADELMAR TAVARES, UM TROVADOR AO LUAR” (biografia, 1997), “ANTOLOGIA DE SONETOS SOBRE A TROVA” (1998), “CONTOS BEM-HUMORADOS” (1998), “FARIS MICHAELE, O TAPEJARA” (biografia, 1999), “ELUCIDÁRIO MÉTRICO” (metrificação, 2000) e “APARÍCIO FERNANDES, TROVADOR E ANTOLOGISTA” (biografia, 2000).
O escritor transitou do CLÁSSICO ao MODERNISMO com elegância e competência, passando pelo lirismo, romantismo, parnasianismo, às vezes até irreverente como no caso de “NESTE LUGAR SOLITÁRIO” (a trova em grafitos de banheiro, 1988) e “ANTOLOGIA DA TROVA ESCABROSA” (1989), aderindo, de forma brilhante ao TROVISMO, desde o seu primeiro momento, em 1950, tornando-se um dos maiores propagadores e historiadores do Movimento da Trova Brasileira.
ENO THEODORO WANKE foi um escritor exuberante, multiforme e polivalente. Alguns CLECS (pensamentos humorísticos) de ENO, selecionados por ELMAR JOENCK, publicados em 1998: “Quando um adjetivo mente, ele, por castigo, vira advérbio. Folha que se desprende da árvore não volta nunca mais. Melhor perder o trem do que perder a linha. O sol nasce para todos. Mas a maioria prefere dormir um pouco mais. Um tolo inteligente não fala, que é para não revelar sua condição”. Organizou e participou ao lado do Trovador Clério José Borges de Sant’Anna, dos Seminários Nacionais da Trova, no Estado do Espírito Santo, organizados pelo CLUBE DOS TROVADORES CAPIXABAS, de 1981 a 1999. Recebeu o título de Cidadão Espírito-santense, conferido pela Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo. Faleceu a 28 de maio de 2001, deixando livros e livrotes que ultrapassam 1000 títulos.
Está presente em várias obras de Aparício Fernandes, entre outras: “NOSSAS TROVAS”, 1973; “NOSSOS POETAS”, 1974; “POETAS DO BRASIL”, 1975; “ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL”, 1976, 1977, 1978, 1979, 1980 e 1981; “NOSSA MENSAGEM”, 1977; “ESCRITORES DO BRASIL”, 1979, 1980. Participou também das “COLETÂNEAS DE TROVAS BRASILEIRAS”, organizadas pelo Trovador Fernandes Vianna, Recife, PE. Verbete de inúmeras obras literárias, entre outras: ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa, edição do MEC, 1990, edição revista e atualizada por Graça Coutinho e Rita Moutinho Botelho, em 2001.


BIBLIOGRAFIA:
À Sombra dos Versos em Flor/Poesia Completa/vol. 1 – Eno Theodoro Wanke – Edições Plaquette – RJ – 2000.
Anuário de Poetas do Brasil/vol. 1 – Aparício Fernandes – Folha Carioca Editora Ltda. RJ – 1980.
Clecs de Eno Theodoro Wanke, selecionados por Elmar Joenck – Edições Plaquette – RJ – 1998.
Enciclopédia de Literatura Brasileira – Afrânio Coutinho, Fundação de Assistência ao Estudante - MEC, RJ - 1990.

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

ÚLTIMA PÁGINA - ALCEU DE FREITAS WAMOSY

 






Alceu de Freitas Wamosy
- Uruguaiana RS - 14 de fevereiro, 1895 -
- Livramento, RS - 13 de setembro, 1923.


" ÚLTIMA PÁGINA"


Todo este grande amor que nasceu em segredo,
e cresceu e floriu na humildade mais pura,
teve o encanto pueril desses contos de enredo
quase ingênuo, onde a graça ao candor se mistura.

Entrou nos nossos corações como a brancura
de uma réstia de luar numa alcova entra a medo.
Nunca teve esse fogo intenso de loucura,
que há em todo amor que nasce tarde e morre cedo.

E quando ele aflorou tímido e pequenino,
como uma estrela azul no meu, no teu destino,
não sei que estranha voz ao coração me disse,

que este amor suave e bom, de pureza e lealdade,
sendo o primeiro amor da tua meninice,
era o último amor da minha mocidade.



(OS MAIS BELOS SONETOS, J. G. DE ARAÚJO JORGE)

SONETO DO AMOR TOTAL - VINICIUS DE MORAES

 



SONETO DO AMOR TOTAL


Amo-te tanto, meu amor... Não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

APLAUSO - MIGUEL EDUARDO GONÇALVES

 



APLAUSO
Miguel Eduardo Gonçalves

No salto do tempo
Personalíssimo
Senta-se o silêncio
Efêmero, contido
Em taça
Doce amante
Se farta
Como o som
De um soneto
Naquelas noites raras
Em que escassa a luz
E a intimidade aviva
Quando já é manhã.

(www.usinadeletras.com.br)

TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON


 
A trova é simples, pequena,
flor que vem do coração.
Brota no peito, serena,
- são gotas de inspiração.


São quatro linhas somente
para dizer o que sinto,
pois te quero loucamente,
essa é a verdade, não minto.

Gosto da vida pacata,
homens simples dos Sertões,
pois vejo usando gravata
por aqui muitos ladrões.


Corre, entre o povo, um ditado,
lição para ser lembrada:
“boi manso” – tome cuidado,
“nunca perde uma chifrada”.


 
(ANTOLOGIA 15, PÁGINA 47, POSTAL CLUBE)

PARADOXO - FILEMON MARTINS

 



PARADOXO 
FILEMON MARTINS



Quase sempre erramos
porque queremos ser fortes e poderosos
na jornada da vida.
Esquecemos que é a brisa leve e suave
que produz música ao balançar as folhas das árvores
e não a tempestade que fere, mata e destrói.

SÁBIO CONSELHO - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 



SÁBIO CONSELHO

MÁRIO RIBEIRO MARTINS


SE TE PROCURAM NESTA VIDA HUMANA
PARA AS ORGIAS QUE PRAZERES TEM,
OBSERVA À TUA FRENTE A DURINDANA
QUE PRODUZIR-TE MUITAS DORES VEM!

SE DE FLORES O MUNDO SE ENGALANA
E TE PROMETE TÃO INCERTO BEM
- É A MIRAGEM QUE DA VIDA EMANA
E NUNCA TRAZ VENTURAS A NINGUÉM.

SE QUERES DESCOBRIR TODA A VERDADE
QUE SE CONTÉM NOS SIMPLES VERSOS MEUS,
ATENTA PARA TAL REALIDADE:

NÃO IMITES JAMAIS OS SADUCEUS,
HIPÓCRITAS E CHEIOS DE MALDADE,
MAS SÊ BRILHANTE EXEMPLO PARA OS TEUS!


(FRAGMENTOS DE “ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL”, RIO DE JANEIRO: FOLHA CARIOCA EDITORA, 1980)

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

SÓ PALAVRAS - FILEMON MARTINS

 



SÓ PALAVRAS...

Filemon Martins



É bom relembrar o discurso de Lula, no ano 2000: “O empresário tem que ter medo do PT, pessoas que degradam o meio ambiente têm que ter medo do PT, pessoas que praticam corrupção têm que ter medo do PT, aqueles que querem manter relações com o Estado entrando pela porta dos fundos têm que ter medo do PT.”

Com este e outros discursos do mesmo teor, Lula chegou à Presidência da República. O povo, embalado pelo sonho de viver num País melhor, mais justo e mais humano, votou para mudar o Brasil.
O povo cumpriu a sua parte votando e elegendo aquele que parecia estar, pelo menos naquele momento, ao lado dos trabalhadores, dos desesperançados, dos pobres e desvalidos, mas infelizmente assim que o PT assumiu, não demorou muito, as promessas de moralidade, ética e decência feitas ao longo de muitos anos de luta, foram substituídas para satisfazer a sede de poder e a elite, sempre atrelada às benesses do poder, incapaz de um gesto nobre que pudesse beneficiar o povo brasileiro.

Lula já cumpre o terceiro mandato como presidente, mas
a miséria está estampada em todas as cidades brasileiras: pequenas, médias e grandes. O exército de miseráveis só tem aumentado. Ainda assim nada tem sido feito para melhorar a vida destas pessoas. Ao contrário, assim que o novo governo se instalou, foi possível constatar o descontentamento do povo através dos servidores públicos federais, dos aposentados e dos que produzem em geral, bombardeados com reformas e medidas prejudiciais aos trabalhadores.
Confisco que começou com descontos de 11% em 2002, com o indigitado “Mensalão” do Lula. Mas agora, dos servidores federais aposentados e pensionistas continuam descontando 16% dos salários.

Já estamos em 2025, mas o governo e seus aliados ainda se debatem num mar de lama e de escândalos que vêm à tona aos borbotões em toda a administração sob a batuta do governo petista. Só não vê quem não quer. Não há dúvidas de que as propinas (mensalão) pagas pelo PT a alguns deputados da base governista e aliados, conforme o ex-deputado Roberto Jefferson (cassado), naquela época, serviram para aprovar tudo o que era prejudicial aos servidores públicos federais e pensionistas, além de outros projetos nocivos ao Brasil trabalhador.
Evidentemente, tudo o que foi aprovado até agora está sob suspeita. Mas este seria um assunto para os Ministros do Supremo Tribunal Federal, se não fossem eles, em parte, os causadores do caos estabelecido no Brasil de hoje. Pela propaganda oficial e pelas entrevistas de nosso mandatário, parece que o sonho principal do governo é que todos os brasileiros estejam cadastrados no Programa Fome Zero ou inscritos no exército de miseráveis que andam pelas ruas de pires na mão.

Pior é imaginar que estes representantes do povo, no Congresso Nacional e aqueles que foram indicados para o Supremo Tribunal Federal fazem deboche e piadas das reações do povo que não tem para quem recorrer.  

Os maus deputados e seus comparsas continuarão suas ações ilegais causando prejuízos aos cofres públicos, cujos reflexos são o aumento da desigualdade social, violência, o caos na saúde pública, na educação, na Previdência, segurança e o abandono das estradas brasileiras, entre outros.
Este cenário é desanimador, porque o Brasil é um País imenso e rico, com um povo ordeiro, trabalhador e bom, mas a insensibilidade e a ganância dos políticos e administradores é de estarrecer.

Observe-se que 2026 é ano eleitoral. Até lá haverá muitas promessas para o eleitor desprovido de mínima cultura. Só palavras. Acorda, Brasil!


UM CAMINHO PARA A CIDADANIA - MÁRIO RIBEIRO MARTINS

 





UM CAMINHO PARA A CIDADANIA
Mário Ribeiro Martins*


Não se pode falar em cidadania, sem relembrar a necessidade da existência do individuo no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos, dentro da família, do grupo, da comunidade e da sociedade em que, eventualmente, possa viver.
Esta qualidade ou estado de cidadão que se traduz por cidadania é tão importante no mundo moderno e, especialmente, no contexto brasileiro, que a própria CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, de 1988, ao elencar os princípios fundamentais da República Brasileira e seu Estado Democrático de Direito, coloca a CIDADANIA em segundo lugar, entre os cinco elementos fundamentais, tão forte quanto a própria SOBERANIA NACIONAL.
Tal a significação do conceito de cidadania que a expressão aparece logo no primeiro artigo da Constituição Brasileira, em seu inciso segundo e em apenas três outras oportunidades, no elenco dos trezentos e quinze artigos que formam a Constituição Nacional.
Visualiza-se, assim, a importância do tema: UM CAMINHO PARA A CIDADANIA. Não se poderia falar sobre o assunto, sem atentar para a existência de uma diversidade de caminhos para se chegar à verdadeira cidadania, daí a razão pela qual o tema poderia ser estudado do ponto de vista filosófico, teológico, sociológico, político etc.
Mas, se há de convir que o grande caminho para a cidadania é o da inteligência. Mas inteligência aqui, como capacidade da mente para resolver problemas e que não pode ser confundida com a razão que é a faculdade da mente de julgar e discernir o bem e o mal, o verdadeiro e o falso.
A crise do mundo atual é uma crise da inteligência, porque a inteligência não é encontrada ao mesmo nível em todos os indivíduos, daí a particularidade de cada QI (Quociente de Inteligência).
É essa crise da inteligência que provoca o extraordinário drama em que os problemas colocados pelos homens de ação não encontram resposta por parte dos homens de fé e vice-versa.
Ora, se há uma crise da inteligência, ela está umbilicalmente vinculada ao processo educacional que, muitas vezes, não possibilita ao cidadão, o alcance do saber, da verdade e da certeza.
A inteligência é uma iluminação que se faz acompanhar da solução. Aqui entra de novo o conceito de cidadania, eis que a inteligência, como INSIGHT que é, além de ser criadora, aplica-se muito mais ao trabalho.
É instrumento de operações, de funcionamento, relaciona-se mais com a ação e com o viver diário, propondo-se a resolver problemas colocados diante do cidadão que nem sempre corresponde ao que se chama, usualmente, de "homem".
Portanto, não se pode falar em cidadania, no sentido mais perfeccionista do termo, sem que neste caminho haja a inteligência, que se revela sempre através de um ato criador da mente e que é capaz de realizar, desempenhar, concretizar, enfim, a inteligência é um valor de sobrevivência e, como tal, é capaz de conduzir o homem ao verdadeiro momento da cidadania. (IMAGEM ATUAL. Anápolis, abril de 1988).


MÁRIO RIBEIRO MARTINS - ERA PROCURADOR DE JUSTIÇA E ESCRITOR.