sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

TROVAS DE ZELITO MAGALHÃES

 



TROVAS DE ZELITO MAGALHÃES
FORTALEZA – CEARÁ

A brisa que embala o galho,
a flor que brota do chão,
as gotas puras de orvalho,
tudo tem de Deus a mão.

Agi errado, não minto
cometi tanta faceta!
Por isso, agora me sinto
um Romeu sem Julieta.

A moral de muita gente
é como um rio profundo:
Por cima tão transparente
com tanto lodo no fundo.

A pátria dos desgraçados
não tem bandeira nem nome,
pra que tantos rebuscados
onde se morre de fome?

Bendita sejas, ó trova!
Floresces os dias meus...
Em ti eu vejo a prova
de que estou perto de Deus.


(ALMANAQUE CHUVA DE VERSOS 476, JOSÉ FELDMAN)

















































SAUDADE - DA COSTA E SILVA


 


SAUDADE

DA COSTA E SILVA (POETA PIAUIENSE, CITADO POR ENÉAS ATHANÁZIO, EM SEU LIVRO: O PERTO E O LONGE – VOL. 3)


Saudade! Olhar de minha mãe rezando,
E o pranto lento deslizando em fio...
Saudade! Amor da minha terra... O rio
Cantigas de águas claras soluçando.

Noites de junho... O caburé com frio,
Ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando...
E, ao vento, as folhas lívidas cantando
A saudade imortal de um sol estio.

Saudade! Asa de dor do Pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento...
As mortalhas de névoas sobre a serra...

Saudade! O Parnaíba – Velho Monge
As barbas brancas alongando... E, ao longe,
O mugido dos bois da minha terra...













ÁGUAS - MERCÍLIA RODRIGUES


 


ÁGUAS

Mercília Rodrigues


Águas inquietas se jogam num leito,

véu em cascata a arrastar-se

caudaloso,

pra arrebentar-se soberbo, perfeito,

transparente, límpido e majestoso!


Águas inquietas que sejam infindas,

Seguem por rumos de escolhos

e fendas,

juntam-se à frente às águas bailarinas,

tão bordadas em translúcidas rendas.


Vão inquietas buscam,

cortando caminhos,

braços abraçando em ondas imensas,

levam doçura de quem sabe amar!


Todas desfilam, vestidas de arminhos

e dançam revoltas, soltas, suspensas...

Junção e abraço nas profundezas

do mar!


 

(Fonte AVBAP)

TROVAS - CALENDÁRIO 2026

 




TROVAS - CALENDÁRIO 2026


Nas duras lutas da vida,

quando há pedras pela estrada,

não dê a luta por vencida...

Tenha fé na caminhada!

Sueli Ferreira


Pão de Açúcar, como és belo!

Debruças-te sobre o mar...

Não encontro paralelo;

adoças o meu olhar...

Ângela Guerra


Se a subida fica estranha,

não desista ou faça drama:

Quanto mais alta a montanha

maior o seu panorama.

Romilton Faria


De tanto cambalear,

por beber a noite inteira,

o pinguço foi parar

bem debaixo da cadeira!

Alfredina Pancholatti

TROVAS - CALENDÁRIO 2026

 




TROVAS - CALENDÁRIO 2026


Aprendi pelos caminhos

da vida, entre dissabores,

a não deixar que os espinhos

me impeçam de ver as flores!

Regiane Bagri


Infância é um brinquedo usado

que um dia a vida resolve

tomar um pouco emprestado

e nunca mais nos devolve!

Tadeu Hagen


Dai-me Senhor a humildade,

e a essência do que é servir,

fazendo da caridade

minha razão de existir.

Luiz Antônio Cardoso


Todos seriam felizes,

com sentenças mais corretas,

se, em tribunais, os juízes

dessem lugar aos poetas.

Olga Aguilhon

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

ILUSÃO - DOUMERVAL TAVARES FONTES

 



                                    ILUSÃO

Doumerval Tavares Fontes

 

Triste, percorro o parque abandonado;

Revolvendo as quimeras delirantes

Que encheram de alegria meu passado

Todo feito de imagens deslumbrantes...

 

Meu ser, pela saudade dominado,

Chora a graça de paz que havia dantes

Nesse parque, silente e desolado,

Repleto de lembranças palpitantes...

 

Já das aves não se ouve o doce canto,

Nem se ouve o surdinar das serenatas

Da quimera a embalar o eterno encanto...

 

Só se ouve, muito lento e dolorido,

O queixume saudoso das cascatas

Na tristeza do parque adormecido.

 

(O Jornalzinho, Set/out-2011, página 5)

GRITO DE ALERTA - FILEMON MARTINS

 



GRITO DE ALERTA


(Poema publicado no Anuário de 

Poetas do Brasil, 3º volume – 1980, Organização do saudoso Aparício Fernandes – Rio de Janeiro), mas continua atual.

Filemon Martins


Querem abafar nosso grito,
reprimir nosso direito,
porque a verdade sempre dói
quando lançada em rosto.
Trabalhamos pouco, dizem alguns.
- Que são dez, doze horas de trabalho ?
É preciso produzir mais.

Trabalhar dia e noite, noite e dia
para aumentar nossas migalhas.
Por que protestar, se tudo vai bem?
Além do mais, é ilegal dizer a verdade,
principalmente se ela contraria as regras do Poder.

Legal mesmo é ficar de camarote,
- céticos e indiferentes –
enquanto a fúria do chicote opressor
desce sobre o povo indefeso, esquecido,
explorado e oprimido,
dominado pelos prepotentes,
bajuladores e corruptos.

Estamos vivendo uma noite sem estrelas,
noite que prenuncia o alvorecer.
Mas, quando virá esta Manhã ridente
de Paz e Liberdade que todos desejamos?

Continuemos, então, a caminhada,
que há muita coisa para fazer:
Chega de hipocrisia,
promessas sem realizações.
Precisamos viver.
Nunca é tarde para gritar,
nunca é tarde para exigir,
se todos nós lutarmos,
nova Luz há de brilhar
e um novo Dia, enfim, começará!

CONFIDENTE - FILEMON MARTINS

 



CONFIDENTE
Filemon Martins


Velho mar, meu eterno confidente,
quantas vezes chorei ao confessar:
esta mágoa que fere, inconsequente,
e o tempo que não pode mais voltar.

E me dizes assim, naturalmente:
- só o amor é capaz de te curar,
enquanto tuas ondas, mansamente,
os meus pés, com carinho, vêm beijar.

Exerces sobre mim grande fascínio,
porque tens sobre todos o domínio
e és tão frio nas tuas mutações.

Ao contrário de ti, eu sofro tanto,
e fico aqui a derramar meu pranto,
onde sepulto as minhas ilusões!


(LIVRO "DE TUDO UM POUCO contos, crônicas, ensaios, poemas, sonetos e outras coisas mais", página 134)

CONVERSA NO TREM - FILEMON MARTINS


 


 

CONVERSA NO TREM

 Filemon Martins

                                  

 - “Esta vida não faz nenhum sentido,”

  dizia o passageiro do meu trem,

  - “o mundo inteiro, veja, está perdido,

  - esperança não há para ninguém.”

 

Assim falava o homem ressentido

das promessas que, feitas por alguém,

sequer foram cumpridas e incontido

ele se lamentava do desdém.

 

- “Mas a vida é assim mesmo,” outro dizia,

- “a tristeza anda ao lado da alegria

e a calma vem após a tempestade.”

 

Por que, então, meu coração sedento

tem que provar a dor e o sofrimento

para alcançar a tal felicidade?

 

EM FRENTE AO MAR DE ITANHAÉM - FILEMON MARTINS

 




EM FRENTE AO MAR DE ITANHAÉM

Filemon Martins         

 

 

Em frente ao mar eu observo as ondas

num vaivém sem fim,

e vejo que a onda ao chegar à praia

beija a areia com febril paixão,

ecoando sua voz dentro de mim...

 

Quando a praia está assim deserta

falamos a sós de amor entre nós dois,

trocamos intérminas confidências,

- de sonhos e medos -

enquanto ele ouve as minhas mágoas,

eu celebro meus versos em suas águas

e assim ninguém desvenda os meus segredos...

 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

POEMA DE NATAL - J. T. PARREIRA

 




POEMA DE NATAL

J.T. Parreira


 

No átrio do mundo

no fim do silêncio

uma casa em ruínas assomada do breu

Em corpos erguidos do sono

os pastores

tudo suspenso da clara resposta do Céu

ainda os magos no bojo

de um astro subiram

no silêncio da cor a rota dos céus

- demandavam no átrio do mundo

numa casa em ruínas

a Imagem menina de Deus.



Do livro Este Rosto do Exílio (1973)

(A POESIA DO NATAL-ANTOLOGIA-ORG. DE SAMMIS REACHERS-RJ)

NATAL - STELA CÂMARA DUBOIS

 




NATAL 

Stela Câmara Dubois


 

A manjedoura, a estrela, alguns pastores,

O coro de anjos, rubra madrugada,

Era a glória há milênios desejada

Que faria um deserto abrir-se em flores.


De celestiais alentos e favores,

Rejubilam-se as almas na jornada.

E a certeza não pode ser negada

De que são fortaleza os dissabores.


Nada faz perecer tanta alegria!

Mesmo entre névoas sua primazia

Traz o vigor de dúlcida lembrança.


É que os céus estão perto, muito mais,

Pois o Natal acorda outros natais

De paz, de fé, de amor e de esperança!


 

(In O Jornal Batista #52 – Dez 

1959)


(A POESIA DO NATAL-ANTOLOGIA-ORG. SAMMIS REACHERS-RJ)

É NATAL - FILEMON MARTINS

 



É NATAL

Filemon Martins

 

Chegou dezembro. É tempo de Natal.

Há luzes sob o céu da Palestina.

Nasceu uma criança divinal

com o brilho da estrela peregrina.

 

Naquela madrugada angelical

cumpriu-se a profecia cristalina

trazendo ao mundo a paz original

perdida pelo homem sem doutrina.

 

De então a voz sublime do Evangelho

fez renascer também o homem velho

e o trouxe arrependido para a luz.

 

Nossa esperança, enfim foi restaurada

vamos seguir com fé a caminhada:

É tempo de Natal. Nasceu Jesus!

 

(LIVRO “DE TUDO UM POUCO contos, crônicas, ensaios, poemas, sonetos e outras coisas mais”, página 139)