sábado, 10 de fevereiro de 2024

A VELHICE

 



A VELHICE

Filemon Martins


A velhice chegou? Tudo termina?

Assim imaginei logo em seguida,

mas vejo que à distância descortina

uma esperança nova não vivida.



A idade traz canseira que domina,

o corpo fica lento e sem guarida,

não há força capaz, tudo se inclina

e se encaminha para o fim da vida.


Meu cérebro, porém, nunca se abate

e busca a primavera neste embate

que a vida experiente me legou.


E ao constatar que a vida continua

vibrante na paixão que se cultua,

parece que a velhice não chegou! 


TROVA


TROVA 


Que tristeza ouvir um santo,

um sábio, um poeta, um rei,

ao peso do desencanto,

dizer ao mundo: – Cansei!

A.A. de Assis - Maringá/PR

DIZEM QUE O AMOR...

 



DIZEM QUE O AMOR...

Mário Barreto França

 

Dizem que o amor é a fonte ideal da vida,

que nele vive a vida Universal,

que toda causa nele é resumida,

pois nele canta o Bem e ruge o Mal.

 

Dizem que o amor é ãnsia incompreendida,

que sem ele a existência nada val...

Dizem que vive o amor na comovida

tarde que arqueja e morre no arraial...

 

O amor, dizem que é tudo neste mundo;

que é o arcano da vida mais profundo,

mais cheio de mistério e de esplendor.

 

Dizem que o amor é a fonte ideal da vida;

mas esta pobre vítima caída,

esta pobre mulher morreu de amor!...

 

 


LUZ DO MUNDO

 



LUZ DO MUNDO

Gióia Júnior


A nossa vida era uma treva densa, 

indevassável, trágica, abissal, 

treva de crimes de indiferença, 

céu sem estrela, rocha sem fanal. 


A nossa vida era uma nau suspensa 

como um turibulo de Catedral, 

a baloiçar de crença para crença, 

sem direção, sem pauta, sem ideal! 


Mas Tu chegaste, ó Cristo Desejado, 

e dissipaste a treva do pecado 

no sacrificio trágico da cruz! 


Vencida a treva, a nau chegou ao porto —

brilhou de novo o coração já morto 

e floresceu numa eclosão de luz! 


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

CONFIANÇA - FILEMON MARTINS

 



CONFIANÇA

(Lendo o poema ETERNA FORTALEZA, de Geraldo Peres Generoso, de Ipaussu - SP.)

Filemon Martins


Eu me lembro, Senhor, que prometeste:

“Não temerás porque estarei contigo

onde quer que fores”.

Mas ainda assim há um temor

e um vazio que pesam sobre mim.


Eu sei, Senhor, que és Onisciente,

que és Onipresente, que és Onipotente

e tenho ciência de que Tua Onisciência,

Tua Onipresença e Tua Onipotência

podem minha vida defender

dos inimigos que a ela

venham, um dia, malquerer.


Lembrando que o grande Paulo, afirmou:

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e tivesse toda a sabedoria do mundo, se não tivesse amor, nada seria.

Ainda que eu tivesse o dom da profecia

e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência,

 se não tivesse amor, de nada me adiantaria”.

Que eu possa, então, amar,

sem nada pedir em troca.

Que eu possa confiar

sem saber o que virá pela frente.


E prosseguir pela vida,

sem esquecer que Tu és o meu Refúgio

e minha Fortaleza, na certeza de que estás comigo.

Que eu possa:

Ajudar e compreender sempre sem rancor,

ensinar sempre, sem humilhar,

espalhar sempre, o amor

por onde eu for e perdoar sempre,

mas, sobretudo, AMANDO

ETERNAMENTE!

LEMBRANÇAS - FILEMON MARTINS

 



LEMBRANÇAS

Filemon Martins


Às vezes eu me sinto entristecido

provando a amarga dor da solidão

que a própria vida tem me oferecido

no suplício da tua ingratidão.


O meu olhar procura, comovido,

a luz do teu olhar na imensidão,

e nada vejo além, ando perdido,

nesta busca sem fim, sem solução.


Só vejo aquele sonho meu frustrado,

cabelos brancos, restos do passado,

e à frente a noite cai enegrecida...


Enfim, não há mais luz, nem esperanças,

somente dores, mágoas e lembranças

para a consolação da minha vida!


 

PERDOA=NOS...

 



PERDOA-NOS...

Filemon Martins                   

                                                              

Perdoa-nos, Senhor,

porque entramos no Século Vinte e Um,

mas nada sabemos do Amor e da Bondade.

Perdoa-nos, Senhor,

pela prepotência dos homens,

pela frieza da informática, com seus números e códigos de barras.

Perdoa-nos, Senhor,

porque entramos no Século Vinte e Um

e continuamos a destruir a natureza.

Perdoa-nos, Senhor,

porque somos fracos e egoístas,

agressivos e intolerantes

para com o nosso próximo.

Perdoa-nos, Senhor,

porque entramos no Século Vinte e Um,

mas continuamos insensíveis

aos problemas  humanos.

Perdoa-nos, Senhor,

porque entramos no Século Vinte e Um,

mas a desigualdade continua,

a miséria cresce, o medo aumenta,

a corrupção se agiganta,

a guerra e a violência

se espalham pelo mundo.

Perdoa-nos, Senhor,

porque fomos à lua, hasteamos bandeiras,

mas não conseguimos saciar a fome

dos que habitam na Terra.

Perdoa-nos, Senhor,

porque temos um  País rico,

um povo humilde e bom,

trabalhador e honesto,

mas continuamos pobres.


Contudo, ensina-nos, Senhor,

no sofrimento, a buscar a fé,

a buscar o Amor, mesmo na guerra,

semeando a Paz e a Esperança

nos caminhos do Planeta Terra.

JULGAMENTO

 



JULGAMENTO

Filemon Martins


 

Não me passou jamais pela cabeça

julgar e condenar qualquer pessoa.

Quem não tiver pecado, que apareça,

- jogue a pedra que fere e que magoa.


“Não julgueis”. Que este não esqueça

da mensagem do Mestre, que ressoa

para que a Luz divina resplandeça

sobre os homens que têm vontade boa.


Minha vida pautei pela Esperança,

pela decência do viver honesto,

- quantas vezes paguei um alto preço?


Não me fascina a glória da abastança,

prefiro o meu viver sempre modesto,

e tenho, nesta vida, o que mereço!

VERSOS DA NOITE - FILEMON MARTINS

 


VERSOS DA NOITE
                        Filemon Martins

É noite. O céu azul, todo estrelado,
a brisa perfumada vem do mar,
lembrando aquele sonho do passado,
a teu lado viver, sorrir e amar...

Por que será, destino malfadado,
que a ventura se foi sem começar?
Hoje vejo em ruínas meu reinado
nesta noite tão bela a me saudar.

Breve os clarões da loura madrugada
vão surgir, como prece, em clarinada,
e em borbotões meus versos vão jorrar.

Para que ao lê-los, saibas da verdade:
aqui tens um poeta sem vaidade
que, os teus pés, inspirado vem beijar!


CAMINHOS - FILEMON MARTINS

 



CAMINHOS

Filemon Martins


 Eu conheço de perto estes caminhos

onde as águas deslizam pelas grotas,

onde as aves, alegres, fazem ninhos

para depois buscarem novas rotas.


Bons amigos, parceiros e vizinhos,

não há vitórias nem também derrotas...

As árvores acolhem passarinhos

que chegam de paragens tão remotas.


A lembrança me vem ao pensamento,

como era bom viver aquele tempo

em que o sonho embalou o coração.


Eu quisera de novo, estar desperto

e andar, mais uma vez, de peito aberto

pelos caminhos ínvios do Sertão!

OLAVO BILAC - Filemon Martins

 



OLAVO BILAC (1865-1918)

                           Filemon Martins


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac,

estrela de primeira, um verso alexandrino.

Perfeito no soneto, o vate foi destaque

e primou pela forma, ourives diamantino.


Como parnasiano revelou-se um craque

com seu verbo fluente e forte foi divino.

Palestrou, escreveu, amou e sem sotaque

“ora (direis) ouvir estrelas,” seu destino.


Orador, literato e um grande sonetista,

foi também pensador,  ardente jornalista,

gigante na palavra, um poeta de escol.


“Última Flor do Lácio” o vate da Esperança,

amante do Saber, da Pátria e da Criança,

por isso és fulgurante como a luz do Sol!

TROVAS DO FILEMON

 


                                     (FOTO DO PRIMO SANDRO, IPUPIARA, BAHIA)


TROVAS DO FILEMON


Não me queixo desta vida,

apesar da minha idade.

Queixo, sim, da despedida

que me trouxe esta saudade.


Quando a amargura me assalta

e a tristeza o peito invade,

eu sinto que a tua falta

vai me matar de saudade.


Nesta manhã reluzente

de sol aquecendo a terra,

vejo a beleza presente

no teu olhar cor de serra.


Entre flores, no meu sonho

estavas nos braços meus.

Mas de repente, tristonho,

acordei ouvindo “adeus”.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

CORDEIRO DE DEUS - GIÓIA JÚNIOR

 


CORDEIRO DE DEUS

Gióia Júnior

 

Eu deveria estar, pelo meu vício,

pelo meu crime, pela minha falha,

no tribunal, na arena ou na fornalha,

a padecer o mais atroz suplício.

 

Mas a Palavra Tua, que agasalha,

nos prometeu a vida, desde o início;

e, sob um céu escuro de mortalha,

sofreste ali.no Altar do Sacrificio.

 

Tu padeceste em meu lugar, subiste

à cruz pesada, desolado e triste

como a ovelhinha silenciosa e mansa...

 

E, comovendo a própria natureza,

Tu nos levaste ao reino da Certeza

pelo caminho estreito da Esperança!

 

(LIVRO "ORAÇÕES DO COTIDIANO",VERSÃO DIGITAL ENVIADA POR SAMMIS REACHERS)