O FIM DO MUNDO
"Salaam’aleikum" (Que a
paz esteja convosco), buscadores do horizonte. Preparem o coração, pois esta
história atravessa dunas que nenhum mapa ousa registrar. Eu sou Mustafá, o
peregrino, e hoje lhes conto sobre a busca de um homem que não se contentava
com o que os olhos podiam ver.
"Bismillah" (Em nome de
Deus), partamos para além das fronteiras.
Havia um homem chamado Ziad, um
"musafir" (viajante) incansável. Ele já havia visto as pirâmides do
Egito e os jardins suspensos, mas uma pergunta o consumia: "Onde termina o
mundo?".
Ele acreditava que, no fim de
tudo, encontraria uma muralha de cristal ou o próprio jardim do éden.
Ziad despediu-se de sua família
com um "fi amanillah" (Fique com a proteção de Deus) e caminhou para
o leste. Ele cruzou rios impetuosos e montanhas que tocavam o céu.
Em cada aldeia, perguntava: —
"Falta muito para o fim?".
Os anciãos sorriam e diziam: —
"Maktub" (Está escrito), "o fim está onde o coração
descansa".
Ziad não entendia. Ele caminhou
por quarenta anos. Seus cabelos tornaram-se brancos como a neve do Líbano e
suas sandálias foram trocadas cem vezes. Um dia, exausto, ele chegou à beira de
um oceano infinito, onde o sol mergulhava em águas douradas.
— "Ya Allah" (Ó Deus),
gritou ele, "finalmente cheguei ao fim do mundo!"
Ali, ele encontrou um eremita que
vivia em uma caverna.
— "Shukran" por me
receber, disse Ziad, "concluí minha jornada".
O eremita, rindo suavemente,
apontou para o mar.
— "Vês aquele horizonte? Se
navegares até lá, encontrarás outra terra. E se caminhares por essa terra,
voltarás exatamente ao lugar de onde partiste. O mundo é um círculo, meu filho.
Ele não tem fim, pois a criação de Deus é infinita em sua perfeição."
Ziad caiu de joelhos.
"Alhamdulillah"
(louvado seja Deus), murmurou.
Ele percebeu que passara a vida
fugindo do aqui para buscar o "Lá", sem notar que a beleza estava em
cada grão de areia que pisara. O "fim do mundo" era, na verdade, o
momento em que ele parasse de procurar fora o que já possuía dentro: a paz.
Ziad voltou para sua casa, não
mais como um buscador, mas como um sábio. Ele ensinou que a vida não é uma
linha reta até um abismo, mas uma dança em torno do que é sagrado.
"Shukran" por
caminharem comigo nesta narrativa. “As-salaam'aleikum” (Que a paz de Deus
esteja com vocês).

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