NOITE
Matusalém Dias de Moura
Debruçado à janela, distraído,
ponho-me a contemplar a imensidão:
vejo a estrela descer na escuridão,
como se houvesse, próximo, caído.
O mundo me parece adormecido
no colo da terrível solidão
que vaga por aí, em maldição,
a causar sofrimento descabido.
Silencioso e sozinho, fico a olhar
a noite, que caminha devagar,
tendo a insônia por minha companhia.
Em breve o sol de novo há de nascer,
entregando-nos outro alvorecer,
num momento elevado de alegria.
(LIVRO "SONETOS DO PÔR DO SOL", PÁGINA 65)

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