QUEM FOI MIGUEL RUSSOWSKY?
(1923 – 2009)
Filemon Martins
Sábado, dia 03 de outubro de 2009 faleceu em Joaçaba, SC, o poeta
Miguel Russowsky. Essa triste notícia me foi transmitida no dia 5/10/2009, via
e-mail, por Angela Togeiro, poetisa e prosadora residente em Belo Horizonte -
MG. Mas, afinal, quem foi Miguel Kopstein Russowsky?
Nosso ilustre Dr. Miguel Russowsky nasceu a 21/06/1923 em Santa
Maria, Rio Grande do Sul, filho de Jacob Russowsky e Eva Russowsky. Casou-se
com Vitória T. Russowsky, com quem teve quatro filhos: Leila Brunoni, June
Braganholo, Miguel Igor Russowsky e Silvia Herter.
Estudou na Escola São José, em Jaguari e no Colégio Estadual Santa
Maria, entre 1933 e 1940, tendo se formado em medicina em 1946, na URGS, em
Porto Alegre.
Transferiu-se, posteriormente, para Joaçaba-SC, onde se tornou
médico-empresário. Fundador e Diretor do Hospital São Miguel, de Joaçaba-SC, um
dos maiores da região. Exerceu com denodo a medicina livre, atuando como
clínico e cirurgia geral, até 2006. Mas, Miguel não era só médico, foi enxadrista,
com passagens nos jogos abertos de Santa Catarina, Empresário e proprietário de
Hotéis, Cinemas e, sobretudo, um poeta-literato brilhante.
Um campeão em concursos nacionais e internacionais de poesias e
trovas. Foi assim que conquistou uma legião de amigos e admiradores pelo Brasil
e exterior. Sonetista por excelência e trovador dos mais fluentes, publicou
vários livros, entre outros: CÉU D’ESTRELAS, O JULGAMENTO DE TIRADENTES, O
SEGREDO DO PÂNTANO, POESIAS MELANCÓLICAS E OUTRAS POESIAS.
Nove (9) vezes Primeiro Prêmio em Sonetos, em concursos nacionais,
e várias vezes em outras colocações. Onze (11) Primeiros Prêmios em concursos
nacionais de poesias. Ocupou a Cadeira nº 28 da Academia Sul-Brasileira de
Letras. Membro da UBT, da Casa do Poeta “Lampião de Gás”, do Movimento Poético,
em São Paulo e outras Entidades Lítero-culturais, além de colaborador de
jornais, revistas, como o FANAL, ESTRO, A FIGUEIRA, entre outros alternativos.
O poeta sempre foi um mestre em tudo quanto fez. Fazia elogios e
críticas construtivas quando necessário. Em sua última correspondência a este
autor, o mestre Miguel, com sua letra de médico, me dizia: “Lendo o seu O
NASCIMENTO DE UM SONETO (Ótimo!! Nota 10!) adivinhei que você é um irmão, e por
isso, é meu amigo, tá? Tivemos inspiração semelhante, pois este tema tenho
explorado com frequência que me parece da mesma Mãe.”
E continua a fazer comentários sobre as minhas publicações em A
FIGUEIRA: “Alvorecer, tem os dois tercetos finais brilhantes. Gostei, mas
adoraria mais se você aceitasse o desafio de usar rimas mais ricas. Coisas de
Amor tem um jeito bom, mas não está tão linear, como os demais e penso que –
NÃO TEMA RIMAS DIFÍCEIS, TREINE, REFAÇA! Capacidade você tem.” E o professor
Miguel não parou por aí, “Reminiscência é uma joia. Você é bom mesmo. SE
TREINAR, VEZ POR OUTRA, OUTROS SONS VAI CHEGAR A MESTRE! SEJA MENINO.” Desde
então, venho tentando seguir as lições do mestre.
Transcrevi estas notas para mostrar o quanto me abalou a morte do
poeta, de quem eu era um admirador incondicional. Seus sonetos são exemplos de
perfeição. Gostava de exercitar seu humor sadio e inteligente, em suas
produções, como nestes sonetos e trovas do poeta: ESTOU SÓ!... (DUVIDO)
Estou só?... (Não tão só: eu tenho esta caneta
que adora conversar. É discreta, fiel
e sempre me quis bem. Depois tem o papel
que apoia o meu trabalho e veste a camiseta.)
Eu, só?... (Só se quiser. A ideia, meu corcel,
se parece um “Sputnik”, vai a qualquer planeta,
não cansa de falar, toca flauta e trombeta
e traz ao meu silêncio, amadas em tropel).
Estou só?...Um pouquinho. (Aprendi que a saudade
desfaz da solidão, ao menos a metade
e o resto que sobrar, com jeito, vira pó)
Estou triste, é verdade. Entanto (quem diria?)
uma lágrima só, pode ser companhia.
Duvido, sendo assim, que eu esteja só.
TROVAS:
Na trova, às vezes invento
emoções... e não as sinto.
Mas creia no meu talento:
sou sincero quando minto.
Estudo trovas a fundo,
mas persisto na suspeita,
que a trova melhor do mundo
até hoje não foi feita.
Muita fome e pouca grana...
Pago o bife a prestação.
Vou entrar esta semana
no consórcio do feijão.
Miguel Russowsky era um jovem poeta de 86 anos, atento a tudo e a
todos, mantendo saudável correspondência com seus amigos e admiradores de todo
o Brasil, e sempre com lições edificantes na vida e na arte de fazer versos:
Domingo sem ninguém... De sentinela,
apenas o jornal... (e o cafezinho).
(Muitas vezes é bom estar sozinho
remexendo o Silêncio tagarela).
No meu bloco, três rimas adivinho
querendo desfilar na passarela.
A Inspiração, de pé, lá da janela,
se põe a espargir versos no caminho.
O meu lápis – batuta de maestro –
decifra as partituras que eu orquestro,
com muito orgulho de reger o show.
...E a dona Solidão também se achega
com seu porte senil de estátua grega
e me avisa: o soneto começou!
É verbete da ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio
Coutinho e Graça Coutinho, edição do MEC-1990, com revisão de Graça Coutinho e
Rita M. Botelho, edição revista e atualizada em 2001.
Vítima de acidente de carro no centro de Joaçaba, onde morava,
silenciou o poeta aos 86 anos de idade. Deus o chamou para reger seu coro de
poetas no céu, deixando-nos uma saudade dorida e indizível em nossos corações.
BIBLIOGRAFIA:
BLOG DO ARTCULTURALBRASIL (Rossyr Berny Editor)
WWW.FALANDODETROVA.COM.BR
QUARTA E QUINTA ANTOLOGIA POÉTICA DE A FIGUEIRA (1996-1998)
CORRESPONDÊNCIA EM PODER DO AUTOR DESTAS NOTAS COM PAPEL TIMBRADO
DO HOSPITAL SÃO MIGUEL (HSM) –JOAÇABA – SC.

Nenhum comentário:
Postar um comentário