quinta-feira, 16 de abril de 2026

QUEM FOI MIGUEL RUSSOWSKY - FILEMON MARTINS

 



 

QUEM FOI MIGUEL RUSSOWSKY?

(1923 – 2009)

Filemon Martins

 

 

Sábado, dia 03 de outubro de 2009 faleceu em Joaçaba, SC, o poeta Miguel Russowsky. Essa triste notícia me foi transmitida no dia 5/10/2009, via e-mail, por Angela Togeiro, poetisa e prosadora residente em Belo Horizonte - MG. Mas, afinal, quem foi Miguel Kopstein Russowsky?

Nosso ilustre Dr. Miguel Russowsky nasceu a 21/06/1923 em Santa Maria, Rio Grande do Sul, filho de Jacob Russowsky e Eva Russowsky. Casou-se com Vitória T. Russowsky, com quem teve quatro filhos: Leila Brunoni, June Braganholo, Miguel Igor Russowsky e Silvia Herter.

Estudou na Escola São José, em Jaguari e no Colégio Estadual Santa Maria, entre 1933 e 1940, tendo se formado em medicina em 1946, na URGS, em Porto Alegre.

Transferiu-se, posteriormente, para Joaçaba-SC, onde se tornou médico-empresário. Fundador e Diretor do Hospital São Miguel, de Joaçaba-SC, um dos maiores da região. Exerceu com denodo a medicina livre, atuando como clínico e cirurgia geral, até 2006. Mas, Miguel não era só médico, foi enxadrista, com passagens nos jogos abertos de Santa Catarina, Empresário e proprietário de Hotéis, Cinemas e, sobretudo, um poeta-literato brilhante.

Um campeão em concursos nacionais e internacionais de poesias e trovas. Foi assim que conquistou uma legião de amigos e admiradores pelo Brasil e exterior. Sonetista por excelência e trovador dos mais fluentes, publicou vários livros, entre outros: CÉU D’ESTRELAS, O JULGAMENTO DE TIRADENTES, O SEGREDO DO PÂNTANO, POESIAS MELANCÓLICAS E OUTRAS POESIAS.

Nove (9) vezes Primeiro Prêmio em Sonetos, em concursos nacionais, e várias vezes em outras colocações. Onze (11) Primeiros Prêmios em concursos nacionais de poesias. Ocupou a Cadeira nº 28 da Academia Sul-Brasileira de Letras. Membro da UBT, da Casa do Poeta “Lampião de Gás”, do Movimento Poético, em São Paulo e outras Entidades Lítero-culturais, além de colaborador de jornais, revistas, como o FANAL, ESTRO, A FIGUEIRA, entre outros alternativos.

O poeta sempre foi um mestre em tudo quanto fez. Fazia elogios e críticas construtivas quando necessário. Em sua última correspondência a este autor, o mestre Miguel, com sua letra de médico, me dizia: “Lendo o seu O NASCIMENTO DE UM SONETO (Ótimo!! Nota 10!) adivinhei que você é um irmão, e por isso, é meu amigo, tá? Tivemos inspiração semelhante, pois este tema tenho explorado com frequência que me parece da mesma Mãe.”

E continua a fazer comentários sobre as minhas publicações em A FIGUEIRA: “Alvorecer, tem os dois tercetos finais brilhantes. Gostei, mas adoraria mais se você aceitasse o desafio de usar rimas mais ricas. Coisas de Amor tem um jeito bom, mas não está tão linear, como os demais e penso que – NÃO TEMA RIMAS DIFÍCEIS, TREINE, REFAÇA! Capacidade você tem.” E o professor Miguel não parou por aí, “Reminiscência é uma joia. Você é bom mesmo. SE TREINAR, VEZ POR OUTRA, OUTROS SONS VAI CHEGAR A MESTRE! SEJA MENINO.” Desde então, venho tentando seguir as lições do mestre.

Transcrevi estas notas para mostrar o quanto me abalou a morte do poeta, de quem eu era um admirador incondicional. Seus sonetos são exemplos de perfeição. Gostava de exercitar seu humor sadio e inteligente, em suas produções, como nestes sonetos e trovas do poeta: ESTOU SÓ!... (DUVIDO)

Estou só?... (Não tão só: eu tenho esta caneta

que adora conversar. É discreta, fiel

e sempre me quis bem. Depois tem o papel

que apoia o meu trabalho e veste a camiseta.)

Eu, só?... (Só se quiser. A ideia, meu corcel,

se parece um “Sputnik”, vai a qualquer planeta,

não cansa de falar, toca flauta e trombeta

e traz ao meu silêncio, amadas em tropel).

Estou só?...Um pouquinho. (Aprendi que a saudade

desfaz da solidão, ao menos a metade

e o resto que sobrar, com jeito, vira pó)

Estou triste, é verdade. Entanto (quem diria?)

uma lágrima só, pode ser companhia.

Duvido, sendo assim, que eu esteja só.

TROVAS:

Na trova, às vezes invento

emoções... e não as sinto.

Mas creia no meu talento:

sou sincero quando minto.

 

Estudo trovas a fundo,

mas persisto na suspeita,

que a trova melhor do mundo

até hoje não foi feita.

 

Muita fome e pouca grana...

Pago o bife a prestação.

Vou entrar esta semana

no consórcio do feijão.

 

Miguel Russowsky era um jovem poeta de 86 anos, atento a tudo e a todos, mantendo saudável correspondência com seus amigos e admiradores de todo o Brasil, e sempre com lições edificantes na vida e na arte de fazer versos:

 

Domingo sem ninguém... De sentinela,

apenas o jornal... (e o cafezinho).

(Muitas vezes é bom estar sozinho

remexendo o Silêncio tagarela).

 

No meu bloco, três rimas adivinho

querendo desfilar na passarela.

A Inspiração, de pé, lá da janela,

se põe a espargir versos no caminho.

 

O meu lápis – batuta de maestro –

decifra as partituras que eu orquestro,

com muito orgulho de reger o show.

 

...E a dona Solidão também se achega

com seu porte senil de estátua grega

e me avisa: o soneto começou!

 

É verbete da ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho e Graça Coutinho, edição do MEC-1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita M. Botelho, edição revista e atualizada em 2001.

Vítima de acidente de carro no centro de Joaçaba, onde morava, silenciou o poeta aos 86 anos de idade. Deus o chamou para reger seu coro de poetas no céu, deixando-nos uma saudade dorida e indizível em nossos corações.


BIBLIOGRAFIA:
BLOG DO ARTCULTURALBRASIL (Rossyr Berny Editor)
WWW.FALANDODETROVA.COM.BR
QUARTA E QUINTA ANTOLOGIA POÉTICA DE A FIGUEIRA (1996-1998)

CORRESPONDÊNCIA EM PODER DO AUTOR DESTAS NOTAS COM PAPEL TIMBRADO DO HOSPITAL SÃO MIGUEL (HSM) –JOAÇABA – SC.

 


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