sábado, 28 de fevereiro de 2026
TROVAS PARA REFLETIR - MARIA THEREZA CAVALHEIRO
O CONTO DO BILHETE DE ÔNIBUS - FILEMON MARTINS
O CONTO DO BILHETE DE ÔNIBUS
Filemon Martins *
Voltava para casa lá pelas 19h30. Tomei o metrô e desci na estação de Artur Alvim, na zona leste de São Paulo. Rumei para o ponto de ônibus, que me levaria até próximo de casa. Eta! Que viagem longa! Me postei na fila aguardando a chegada do ônibus. Havia muitos passageiros à minha frente. Logo atrás de mim chegou um rapaz de vinte e poucos anos. Discretamente, fiquei observando o cidadão. Levou a mão ao bolso e tirou uma carteira. Abriu-a e começou a mexer, mexer, sem nada retirar. Ao que parece não havia dinheiro e nem bilhete de qualquer espécie. Naquela época, usava-se dinheiro ou bilhete para pagamento da passagem. Já falando comigo, disse: - “Puxa vida, esqueci meus passes em cima da mesa de trabalho. Acho que vou telefonar e pedir ao colega para guardá-los.” Respondi: - é interessante, sim, pelo menos você vai tranquilo para casa. “É,” disse ele. - “Mas o senhor tem um passe para me arrumar?” Tudo bem, tenho, sim. Abri a carteira, retirei um passe de ônibus e lhe entreguei. Não imaginei que estava caindo no conto do bilhete. Agradeceu e saiu para telefonar, pensei. Meu ônibus chegou, a fila andou e finalmente entrei na condução e me sentei próximo à janela, de tal forma que podia ver os passageiros que aguardavam o ônibus seguinte.
De repente, lá vem o dito cujo, saracoteando, deve ter conseguido telefonar, pensei. Entrou na fila e se postou logo atrás de uma moça. Até aí tudo normal. Desviei o olhar por um momento, mas voltei a observá-lo e (pasmem!) vi a mesma cena. Enfiou a mão no bolso, tirou a carteira, mexeu, mexeu, nada retirou e interpelou a moça. Ela abriu a carteira e deu-lhe um passe de ônibus.
O ônibus partiu e comecei a pensar com meus botões. Será que este indivíduo faz isto com frequência? Era a primeira vez que via aquele tipo de golpe. Durante alguns dias, observei-o e constatei o que já sabia. O larápio aplicava este golpe todos os dias, em pontos diferentes do terminal de ônibus e provavelmente em outros pontos de ônibus de outras estações do metrô. Conclusão: caí no golpe do bilhete de ônibus. Após algum tempo, mudei o itinerário e passei a descer em outra estação metropolitana. Não sei se o malandro ainda continua passando a lábia em outros incautos, como eu. Nunca mais o vi, nem tive notícias dele. E fiquei refletindo: somos golpeados de todas as formas e de todos os lados. Pessoas inescrupulosas e interesseiras estão a todo o momento tentando nos enganar. Agora, então, com o advento da Internet é o que mais se vê. Até um larápio, bom de lábia, consegue nos ludibriar. Também pudera, para quem caiu no embuste do PT, cair no conto do bilhete não é nada. Difícil será aguentar esse conto-do-vigário sem fim. Aliás, é bíblico: tudo tem fim, o mal e o bem. Ditadores, reis, rainhas, imperadores, imperatrizes, empresários, funcionários, presidentes, ministros, desembargadores, senadores, governadores, deputados, todos passarão. O Brasil, como nação, vai sobreviver. Quem sabe, no futuro, tenhamos um país mais justo, mais digno, mais decente, mais honesto, porque o que temos hoje ninguém merece, nem aqueles que cauterizaram a consciência, cujo cérebro parou de funcionar.
* DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS
TROVAS - DIVERSOS AUTORES
TROVAS - DIVERSOS AUTORES
Chegar à terceira idade
sem perder a juventude,
é cultivar, na verdade,
vida longa em plenitude.
JOAMIR MEDEIROS
Se a tua vida é vazia,
procura fazer o bem;
não há maior alegria,
que dar alegria a alguém!
ARLINDO TADEU HAGEN
"A vida é luta renhida",
mas resta sempre a esperança.
Depois da luta vencida,
vem a aurora da bonança.
MIGUEL J. MALTY
Do corpo de Jaçanã
vitória régia surgiu.
Na verde luz da manhã
e no Amazonas floriu.
SYLVIA HELENA TOCANTINS
(JORNAL "ESTRO", ANO X, 2006, PÁGINA 3)
TROVAS - VÁRIOS AUTORES
(FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)
TROVAS - VÁRIOS AUTORES
Das mentiras que são ditas
em noites claras de lua.
Eis uma das mais bonitas:
- Eternamente sou tua!
MIGUEL RUSSOWSKY
Oh! - quão bom que a prepotência,
dos tiranos se acabasse...
E expungida, a violência,
a Paz, no mundo reinasse!...
PEDRO GRILO NETO
Hoje, resto de um passado,
sem teu amor nada valho,
feito um ninho abandonado
na ponta seca de um galho...
RODOLPHO ABDUL
A noite em névoas desmaia...
Na brisa que vem louçã,
cai um lençol de cambraia,
divinizando a manhã.
HUMBERTO DEL MAESTRO
(JORNAL "ESTRO", PÁGINA 3)
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
DEPOIMENTO SOBRE MEUS LIVROS - FILEMON MARTINS
DEPOIMENTO SOBRE MEUS LIVROS
FILEMON MARTINS
Em meu texto ¨O POETA¨
escrevi que ele é o intérprete do povo. Amante do alvorecer, do pôr do sol, da
canção da brisa, do cantar dos pássaros e do murmúrio das cascatas. Paladino do
amor e da verdade. Ou quem sabe? – Apenas um sonhador.
Alguns livros trazem
poemas, sonetos e trovas, como “ANSEIOS DO CORAÇÃO”, “FLORES DO MEU JARDIM” e “SONETOS
& TROVAS”. Foram escritos em diferentes momentos da vida e falam de amor,
de paz e de luz. Nasci em Ipupiara, na Bahia e na terra de Castro Alves quase
todos são poetas. Foi assim que me descobri escrevendo versos e continuei pela
vida afora. Acho que todos nós precisamos de amor, paz, luz e de esperança. A
partir de 2018 tenho me dedicado mais à prosa, contando histórias, escrevendo
contos, crônicas, narrativas, artigos (desabafos políticos) e um pequeno romance.
Os livros são “FAGULHAS”, “HISTÓRIAS QUE SÓ AGORA EU CONTO”, “CAMINHOS DO JORDÃO
DA BAHIA” (2022), “O COTIDIANO DA VIDA, HISTÓRIAS E VERDADES” (Romance - 2024) e
“DE TUDO UM POUCO – contos, crônicas, ensaios, poemas, sonetos e outras coisas
mais” (2025).
Escrever é um sacerdócio.
Exige disciplina, síntese, conhecimento da língua, leitura, pesquisa e uma boa
dose de paciência. Não tenho pretensões literárias, apenas cumpro minha missão:
tenho cinco filhos, agora são quatro, porque perdemos o Allan, com 49 anos para
a Covid-19 em 10/10/2020; onze netos e seis bisnetos. Já plantei algumas
árvores, especialmente no interior da Bahia, escrevi e publiquei nove livros
solos e um em parceria com o mano Mário Ribeiro Martins, de saudosa memória: “DICIONÁRIO
GENEALÓGICO DA FAMÍLIA RIBEIRO MARTINS” (Coautoria com Mário Ribeiro Martins,
2007 – Editora Kelps – Goiânia- Goiás). Participei como coautor de inúmeras
antologias publicadas no Brasil, entre outras: ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL, RJ
– 1980, 1981; ANTOLOGIA DEL’SECCHI, VOLUMES III, IV, V e VI – VASSOURAS, RJ;
ANTOLOGIA DE A FIGUEIRA, FLORIANÓPOLIS, SC; ANTOLOGIA DO POSTAL CLUBE, VOLUMES
DE 01 A 16, ITABORAÍ, RJ; ANUÁRIO – COLETÂNEA DE TROVAS BRASILEIRAS, 1979, 1980
e 1981, RECIFE-PE; COLETÂNEA DO GLAN – GRÊMIO LITERÁRIO DE AUTORES NOVOS, VOLTA
REDONDA, RJ; COLETÂNEA O ¨TEMA É NATAL¨, CAMPOS, RJ; MIL TROVAS DE AMOR E SAUDADE,
UBT, 1984. O PRAZER DA LIBERDADE (Org. de Florice Dias dos Reis – V volume).
Apesar de tudo (vivemos no
Brasil, um país belo e exuberante, mas onde o brasileiro pouco lê), é gratificante
saber que mesmo com poucos leitores, alguém gosta do que escrevo. Estamos
vivendo tempos modernos, com transformações em todos os campos, principalmente
na área de comunicações. Em termos financeiros não sobreviveria. Mas, não há
como fugir desta missão que nos foi confiada pelo grande Pai. Se recebemos esse
dom, temos que aperfeiçoá-lo. É isso que tento fazer.
Não sou adepto de termos
chulos e pornográficos, uma questão de formação, vem de berço, com meus pais
não se ouviam palavrões, por isso meus livros trazem uma mensagem singela de
amor, fé, esperança, paz e de luz. A linguagem dos livros é verdadeira, simples
e toca a alma e tudo que toca o coração faz bem. O mundo precisa de amor,
especialmente nos dias de hoje.
Com o advento da internet,
tenho usado as redes sociais para divulgação de alguns trabalhos meus,
principalmente o Facebook e o Blog Literário do Filemon – blogliterariofilemon.blogspot.com
- onde aceito e publico colaborações de outros autores.
Aos meus possíveis
leitores, conhecidos ou não, o desejo de que encontrem o prazer da leitura, com
um preito de gratidão e afeto.
LOUCURAS SEM FIM - JOSÉ FELDMAN
LOUCURAS SEM FIM
José Feldman
TROVA DE FERNANDO VASCONCELOS
(1937 - 2010)
O Gildo se fez de louco,
pra burlar aquele "tira",
depois passou um sufoco
pra sustentar a mentira.
Era uma vez, em uma cidade pequena e tranquila, um homem
chamado Gildo. Ele era conhecido não apenas por seu jeito divertido, mas também
por suas rápidas ideias para sair de enrascadas. Porém, a fama de Gildo como
"o mestre do improviso" iria ser testada em uma situação muito mais
complicada do que ele esperava.
Certa tarde, Gildo estava em casa assistindo a um
campeonato de futebol quando ouviu um barulho do lado de fora. Curioso, decidiu
ver o que estava acontecendo. Ao abrir a porta, ele se deparou com uma cena
insólita: uma multidão ao redor do parque, gritando. Correu para se juntar à
comunidade, descobrindo que um grupo de bandidos havia decidido realizar um
"arrastão" na feira livre da cidade, que acontecia todos os sábados.
Desesperado para evitar ser confundido com os bandidos,
Gildo teve uma ideia brilhante. Ele colocou um velho chapéu de palha que estava
caído no chão e, com um pouco de terra e folhas, transformou-se rapidamente em
um “louco”, um tipo de figura engraçada que as crianças adoravam. A ideia era
enganar o polícia que estava fazendo a segurança do evento.
Com um jeito desajeitado, Gildo começou a agir de forma
excêntrica, rodando em círculos e gritando frases sem sentido sobre porcos que
dançavam e nuvens que falavam. Ele esperava que o “tira”, o guarda da cidade, o
deixasse em paz, acreditando que ele era apenas um maluco ali para fazer graça.
O plano parecia funcionar! O guarda o olhou com desdém,
balançou a cabeça e foi atrás dos verdadeiros bandidos. Gildo comemorou
internamente, pensando em como tinha sido astuto. Mas logo ele percebeu que a
mentira tinha suas consequências: a multidão agora estava mais interessada nele
do que nos verdadeiros delinquentes!
Infelizmente, a cidade tinha um costume peculiar: cada vez
que alguém fazia algo engraçado, todos os outros começavam a imitar e, para
Gildo, esse era o começo do seu “sufoco”. Em questão de minutos, ele se viu no
centro de uma roda de palhaços improvisados, todos tentando superá-lo em graça.
E, para piorar, o guarda voltou.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou o guarda,
olhando desconfiado para Gildo, que estava apavorado com a situação.
— Ah, oficial! Está tudo sob controle! — Gildo gritou,
enquanto tentava inventar uma explicação.
— Sob controle? Parece mais um circo! — disse o guarda,
segurando o riso, mas mantendo a autoridade.
Gildo, sentindo que precisava sustentar a mentira, ergueu o
braço e começou a fazer malabarismos com objetos aleatórios que encontrou no
chão: uma maçã, uma pedra e um pedaço de corda que alguém havia deixado para
trás. A plateia aplaudia e ria, mas o guarda não parecia muito convencido.
— Mandei encerrar essa “comédia”! — ele gritou.
Sem pensar, Gildo decidiu que a única forma de escapar da
situação era escalonando essa “loucura”. Ele correu até uma barraca de doces,
encheu as mãos de pirulitos e começou a distribuir para as crianças, dizendo:
— Aqui, divirtam-se, e não contem a ninguém que eu sou só
um “doutor de risadas”!
Os gritos da multidão agora eram de alegria e Gildo estava
no seu auge! Mas o guarda continuava a se aproximar, cada vez mais desconfiado.
Gildo, percebendo que sua saída estava se fechando, decidiu que precisava de um
plano infalível. O que fez foi o mais louco de tudo: começou a dançar.
Ele fez uma dança maluca, misturando passos de salsa com
movimentos de robô, enquanto gritava:
— Sou o Rei do Pavilhão! Abracem a loucura!
A multidão, empolgada, passou a imitá-lo, e Gildo percebeu
que havia conseguido desviar a atenção do policial. Em um giro inesperado,
Gildo se viu rodeado por uma verdadeira festa de improviso.
Por fim, com muito esforço e boas risadas, Gildo conseguiu
não apenas escapar da situação, mas transformar o que parecia um sufoco em um
grande evento comunitário. O guarda, com a atmosfera festiva, já havia
encerrado a perseguição e até se divertiu observando as maluquices.
E assim, Gildo, o “louco” da cidade, fez história! Desde
então, ele era chamado para animar eventos e festas, tornando-se o artista mais
querido da região. No entanto, sempre que perguntavam sobre aquele dia, ele
dizia com um sorriso:
— Lembre-se sempre: se a vida te der limões, faça uma dança
maluca e distribua pirulitos!
E, claro, nunca se esqueça de que, às vezes, a verdade é
apenas uma versão mais divertida da mentira.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
MEU PONTO DE VISTA - FILEMON MARTINS
MEU PONTO DE
VISTA
Filemon
Martins
Ando assustado
e preocupado com as coisas que estão acontecendo no Brasil nestes tempos
atuais.
Parece que
tudo que aprendemos com nossos pais, como Respeito, Honestidade, Caráter,
Dignidade já não tem mais valor. O poder econômico sufocou todas essas
virtudes. Tudo o que você imaginar o dinheiro compra, não só bens materiais,
mas também as Leis que nos regem através da Constituição Federal. Ora, as
Reformas, sejam elas trabalhistas ou previdenciárias não deram certo porque
nunca se mexeu no problema. – E qual é o problema? – O problema que causa esse
rombo nas contas públicas tem nome, chama-se CORRUPÇÃO e IMPUNIDADE. Tanto uma
quanto a outra são defendidas pelos políticos e legisladores com unhas e
dentes. O fim da Operação Lava Jato foi uma prova deste sistema corrupto. O
Governo e a Receita Federal nunca tiveram coragem de publicar uma lista oficial
dos devedores do INSS. A sociedade não conhece, oficialmente, quem são esses
caloteiros que causam rombo nas contas públicas. Depois de algum tempo,
descaradamente, eles jogam o prejuízo nas costas de quem trabalha e produz. Há
coisas estranhas e erradas pairando sobre o Brasil. A sociedade brasileira,
pessoas de bem, éticas e honestas não podem admitir que fichas sujas estejam à
frente de ministérios e repartições importantes que gerenciam os recursos
públicos. O gerenciamento maléfico e ineficiente (desvios de verbas) destes
recursos impede que investimentos sejam feitos na saúde, educação, segurança
pública, pesquisas e desenvolvimento social para o bem de todos os brasileiros.
Os conchavos de políticos que atuam nos Ministérios e no Congresso Nacional já
são bem conhecidos. Pior, não temos a quem recorrer, porque até a Suprema Corte
aliou-se ao banditismo quando um de seus membros com uma canetada “descondenou”
um condenado em todas as Instâncias e o elegeu para governar o país. Aos
poucos, os presos por corrupção estão sendo soltos, como se nada tivesse
subtraído do erário brasileiro. Um tremendo ¨tapa na cara¨ do cidadão de bem
que acredita no Brasil e no povo brasileiro. Acorda, povo!
TROVAS DO FILEMON
TROVAS DO FILEMON
Se queres ter um Amigo
que não fala, pois é mudo,
o Livro é luz que bendigo,
que calado, fala tudo.
Nenhum poema é mais belo
e inspira tanta esperança
do que um sorriso singelo
no rosto de uma criança.
No livro da NATUREZA
as lições são sem iguais.
Tenho, por isto, certeza
que é onde se aprende mais.
No meu balaio carrego
sonhos de amor e venturas,
mas muitos sonhos, não nego,
se tornaram desventuras.
No teu sorriso, criança,
vejo o mais belo perfil,
porque tu és a esperança
do futuro do Brasil.
INDAGAÇÃO - FILEMON MARTINS
TROVAS DE ASCENDINO ALMEIDA
TROVAS DE ASCENDINO ALMEIDA
Por ser justiça perfeita,
Deus julga cada pessoa.
A mãe por ser imperfeita,
não julga o filho, perdoa.
O horror ao nada nos diz
que existe além, algo mais,
- intuição bem feliz
de que somos imortais.
Eu não sei bem, se ouvi já
ou, quem sabe, se já li:
- "poder mais alto não há
que alguém ser dono de si".
Num claro mês de setembro
quando Deus te uniu a mim,
tu me sorrias, e eu me lembro!
- Teus lábios disseram SIM.
(LIVRO "ANUÁRIO COLETÂNEA DE TROVAS BRASILEIRAS" - 1981)
TROVAS DE JEREMIAS RIBEIRO SANTOS
TROVAS DE JEREMIAS RIBEIRO SANTOS
Sob a bandeira do amor,
escudado na esperança,
vai com fé, o trovador
mostrando força e pujança.
O estro, a verve e o talento
de um poeta condoreiro
são asas do pensamento
cobrindo este mundo inteiro.
Mesmo sem letras, labrusco,
amo a Natura, o Universo.
No garimpo da alma eu busco
encontrar joias em verso!
O condor - águia real
sobrevoa a imensidão.
Do vate, voa o ideal
nas asas da inspiração.
(LIVRO "ANUÁRIO COLETÂNEA DE TROVAS BRASILEIRAS" - 1981 - PÁGINA 30)
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
TROVAS DO FILEMON
TROVAS DO FILEMON
No Sertão ninguém contesta,
o povo celebra e canta.
Chuva farta faz a festa,
fartura para quem planta.
Trago, cravado, no peito
um agridoce desejo:
viver um sonho perfeito
na doçura do teu beijo.
Em meus sonhos fascinantes,
como o sol de Itapuã,
vi teus olhos - diamantes -
brilhando à luz da manhã.
Quanta beleza nas águas
tão claras de Piatã.*
Lá sepultei minhas mágoas
naquela linda manhã.
(* Uma das praias mais bonitas de Salvador, Bahia)
TROVAS DO FILEMON
TROVAS DO FILEMON
Quando aparece a saudade
causando dor em meu peito,
meu coração tem vontade
de correr para o teu leito.
A luta é sempre renhida,
grana do pobre é vintém.
Quer fazer um pé-de-vida,
um pé-de-enrola é que vem.
Que o teu futuro, criança,
seja de luz e esplendor,
vislumbre de confiança
no mundo do desamor.
De que vale o meu sofrer
neste caminho sem glória?
- Nascer, crescer e morrer,
eis o resumo da história.
TROVAS DO FILEMON
TROVAS DO FILEMON
Vem a água e tudo arrasa
e a mágoa logo se vê.
Não há barraco nem casa,
- só águas do Tietê.
Com água comemos brasa
que destrói logo se vê.
Perdemos a nossa casa
para as águas do Tietê.
Da vida não quero a glória
que tanto engana e seduz.
Prefiro não ter história,
a renunciar minha cruz.
O vento forte balança
minhas plantas no quintal,
e a chuva cai com pujança,
- prenúncio de temporal.











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