sábado, 28 de fevereiro de 2026

TROVAS PARA REFLETIR - MARIA THEREZA CAVALHEIRO

 




TROVAS PARA REFLETIR
MARIA THEREZA CAVALHEIRO


Quem não faz, risco não corre.
Erro... engano...quem não falha?
Só pode errar quem socorre,
age, executa, trabalha!

A cada dia que passa,
a vida é prêmio em disputa.
A roupa é simples couraça
com que se parte pra luta.

Trabalho não intimida
quem enfrenta os seus rigores.
E é bom que sejas na vida
o melhor no que tu fores!

Quem labuta e não receia
viver por seu ideal,
se da sela não apeia,
um dia chega, afinal.


(Do livro "TROVAS PARA REFLETIR", PÁGINA 13)

O CONTO DO BILHETE DE ÔNIBUS - FILEMON MARTINS

 




O CONTO DO BILHETE DE ÔNIBUS

Filemon Martins *

                                                     

Voltava para casa lá pelas 19h30. Tomei o metrô e desci na estação de Artur Alvim, na zona leste de São Paulo. Rumei para o ponto de ônibus, que me levaria até próximo de casa. Eta! Que viagem longa! Me postei na fila aguardando a chegada do ônibus. Havia muitos passageiros à minha frente. Logo atrás de mim chegou um rapaz de vinte e poucos anos. Discretamente, fiquei observando o cidadão. Levou a mão ao bolso e tirou uma carteira. Abriu-a e começou a mexer, mexer, sem nada retirar. Ao que parece não havia dinheiro e nem bilhete de qualquer espécie. Naquela época, usava-se dinheiro ou bilhete para pagamento da passagem. Já falando comigo, disse: - “Puxa vida, esqueci meus passes em cima da mesa de trabalho. Acho que vou telefonar e pedir ao colega para guardá-los.” Respondi: - é interessante, sim, pelo menos você vai tranquilo para casa. “É,” disse ele. - “Mas o senhor tem um passe para me arrumar?” Tudo bem, tenho, sim. Abri a carteira, retirei um passe de ônibus e lhe entreguei. Não imaginei que estava caindo no conto do bilhete. Agradeceu e saiu para telefonar, pensei. Meu ônibus chegou, a fila andou e finalmente entrei na condução e me sentei próximo à janela, de tal forma que podia ver os passageiros que aguardavam o ônibus seguinte.

De repente, lá vem o dito cujo, saracoteando, deve ter conseguido telefonar, pensei. Entrou na fila e se postou logo atrás de uma moça. Até aí tudo normal. Desviei o olhar por um momento, mas voltei a observá-lo e (pasmem!) vi a mesma cena. Enfiou a mão no bolso, tirou a carteira, mexeu, mexeu, nada retirou e interpelou a moça. Ela abriu a carteira e deu-lhe um passe de ônibus.

O ônibus partiu e comecei a pensar com meus botões. Será que este indivíduo faz isto com frequência? Era a primeira vez que via aquele tipo de golpe. Durante alguns dias, observei-o e constatei o que já sabia. O larápio aplicava este golpe todos os dias, em pontos diferentes do terminal de ônibus e provavelmente em outros pontos de ônibus de outras estações do metrô. Conclusão: caí no golpe do bilhete de ônibus. Após algum tempo, mudei o itinerário e passei a descer em outra estação metropolitana. Não sei se o malandro ainda continua passando a lábia em outros incautos, como eu. Nunca mais o vi, nem tive notícias dele. E fiquei refletindo: somos golpeados de todas as formas e de todos os lados. Pessoas inescrupulosas e interesseiras estão a todo o momento tentando nos enganar. Agora, então, com o advento da Internet é o que mais se vê. Até um larápio, bom de lábia, consegue nos ludibriar. Também pudera, para quem caiu no embuste do PT, cair no conto do bilhete não é nada. Difícil será aguentar esse conto-do-vigário sem fim. Aliás, é bíblico: tudo tem fim, o mal e o bem. Ditadores, reis, rainhas, imperadores, imperatrizes, empresários, funcionários, presidentes, ministros, desembargadores, senadores, governadores, deputados, todos passarão. O Brasil, como nação, vai sobreviver. Quem sabe, no futuro, tenhamos um país mais justo, mais digno, mais decente, mais honesto, porque o que temos hoje ninguém merece, nem aqueles que cauterizaram a consciência, cujo cérebro parou de funcionar.


* DA CONFRARIA BRASILEIRA DE LETRAS

TROVAS - DIVERSOS AUTORES

 



TROVAS - DIVERSOS AUTORES


Chegar à terceira idade

sem perder a juventude,

é cultivar, na verdade,

vida longa em plenitude.

JOAMIR MEDEIROS


Se a tua vida é vazia,

procura fazer o bem;

não há maior alegria,

que dar alegria a alguém!

ARLINDO TADEU HAGEN


"A vida é luta renhida",

mas resta sempre a esperança.

Depois da luta vencida,

vem a aurora da bonança.

MIGUEL J. MALTY


Do corpo de Jaçanã

vitória régia surgiu.

Na verde luz da manhã

e no Amazonas floriu.

SYLVIA HELENA TOCANTINS


(JORNAL "ESTRO", ANO X, 2006, PÁGINA 3)

TROVAS - VÁRIOS AUTORES

 


                                        (FOTO DE LALINHA, IPUPIARA, BAHIA)



TROVAS - VÁRIOS AUTORES


Das mentiras que são ditas

em noites claras de lua.

Eis uma das mais bonitas:

- Eternamente sou tua!

MIGUEL RUSSOWSKY


Oh! - quão bom que a prepotência,

dos tiranos se acabasse...

E expungida, a violência,

a Paz, no mundo reinasse!...

PEDRO GRILO NETO


Hoje, resto de um passado,

sem teu amor nada valho,

feito um ninho abandonado

na ponta seca de um galho...

RODOLPHO ABDUL


A noite em névoas desmaia...

Na brisa que vem louçã,

cai um lençol de cambraia,

divinizando a manhã.

HUMBERTO DEL MAESTRO


(JORNAL "ESTRO", PÁGINA 3)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

DEPOIMENTO SOBRE MEUS LIVROS - FILEMON MARTINS

 





DEPOIMENTO SOBRE MEUS LIVROS

FILEMON MARTINS

 

Em meu texto ¨O POETA¨ escrevi que ele é o intérprete do povo. Amante do alvorecer, do pôr do sol, da canção da brisa, do cantar dos pássaros e do murmúrio das cascatas. Paladino do amor e da verdade. Ou quem sabe? – Apenas um sonhador.

Alguns livros trazem poemas, sonetos e trovas, como “ANSEIOS DO CORAÇÃO”, “FLORES DO MEU JARDIM” e “SONETOS & TROVAS”. Foram escritos em diferentes momentos da vida e falam de amor, de paz e de luz. Nasci em Ipupiara, na Bahia e na terra de Castro Alves quase todos são poetas. Foi assim que me descobri escrevendo versos e continuei pela vida afora. Acho que todos nós precisamos de amor, paz, luz e de esperança. A partir de 2018 tenho me dedicado mais à prosa, contando histórias, escrevendo contos, crônicas, narrativas, artigos (desabafos políticos) e um pequeno romance. Os livros são “FAGULHAS”, “HISTÓRIAS QUE SÓ AGORA EU CONTO”, “CAMINHOS DO JORDÃO DA BAHIA” (2022), “O COTIDIANO DA VIDA, HISTÓRIAS E VERDADES” (Romance - 2024) e “DE TUDO UM POUCO – contos, crônicas, ensaios, poemas, sonetos e outras coisas mais” (2025).

Escrever é um sacerdócio. Exige disciplina, síntese, conhecimento da língua, leitura, pesquisa e uma boa dose de paciência. Não tenho pretensões literárias, apenas cumpro minha missão: tenho cinco filhos, agora são quatro, porque perdemos o Allan, com 49 anos para a Covid-19 em 10/10/2020; onze netos e seis bisnetos. Já plantei algumas árvores, especialmente no interior da Bahia, escrevi e publiquei nove livros solos e um em parceria com o mano Mário Ribeiro Martins, de saudosa memória: “DICIONÁRIO GENEALÓGICO DA FAMÍLIA RIBEIRO MARTINS” (Coautoria com Mário Ribeiro Martins, 2007 – Editora Kelps – Goiânia- Goiás). Participei como coautor de inúmeras antologias publicadas no Brasil, entre outras: ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL, RJ – 1980, 1981; ANTOLOGIA DEL’SECCHI, VOLUMES III, IV, V e VI – VASSOURAS, RJ; ANTOLOGIA DE A FIGUEIRA, FLORIANÓPOLIS, SC; ANTOLOGIA DO POSTAL CLUBE, VOLUMES DE 01 A 16, ITABORAÍ, RJ; ANUÁRIO – COLETÂNEA DE TROVAS BRASILEIRAS, 1979, 1980 e 1981, RECIFE-PE; COLETÂNEA DO GLAN – GRÊMIO LITERÁRIO DE AUTORES NOVOS, VOLTA REDONDA, RJ; COLETÂNEA O ¨TEMA É NATAL¨, CAMPOS, RJ; MIL TROVAS DE AMOR E SAUDADE, UBT, 1984. O PRAZER DA LIBERDADE (Org. de Florice Dias dos Reis – V volume).   

Apesar de tudo (vivemos no Brasil, um país belo e exuberante, mas onde o brasileiro pouco lê), é gratificante saber que mesmo com poucos leitores, alguém gosta do que escrevo. Estamos vivendo tempos modernos, com transformações em todos os campos, principalmente na área de comunicações. Em termos financeiros não sobreviveria. Mas, não há como fugir desta missão que nos foi confiada pelo grande Pai. Se recebemos esse dom, temos que aperfeiçoá-lo. É isso que tento fazer.

Não sou adepto de termos chulos e pornográficos, uma questão de formação, vem de berço, com meus pais não se ouviam palavrões, por isso meus livros trazem uma mensagem singela de amor, fé, esperança, paz e de luz. A linguagem dos livros é verdadeira, simples e toca a alma e tudo que toca o coração faz bem. O mundo precisa de amor, especialmente nos dias de hoje.

Com o advento da internet, tenho usado as redes sociais para divulgação de alguns trabalhos meus, principalmente o Facebook e o Blog Literário do Filemon – blogliterariofilemon.blogspot.com - onde aceito e publico colaborações de outros autores.

Aos meus possíveis leitores, conhecidos ou não, o desejo de que encontrem o prazer da leitura, com um preito de gratidão e afeto.

 


LOUCURAS SEM FIM - JOSÉ FELDMAN

 



LOUCURAS SEM FIM

José Feldman


TROVA DE FERNANDO VASCONCELOS

(1937 - 2010)


O Gildo se fez de louco,

pra burlar aquele "tira",

depois passou um sufoco

pra sustentar a mentira.



           

Era uma vez, em uma cidade pequena e tranquila, um homem chamado Gildo. Ele era conhecido não apenas por seu jeito divertido, mas também por suas rápidas ideias para sair de enrascadas. Porém, a fama de Gildo como "o mestre do improviso" iria ser testada em uma situação muito mais complicada do que ele esperava.

Certa tarde, Gildo estava em casa assistindo a um campeonato de futebol quando ouviu um barulho do lado de fora. Curioso, decidiu ver o que estava acontecendo. Ao abrir a porta, ele se deparou com uma cena insólita: uma multidão ao redor do parque, gritando. Correu para se juntar à comunidade, descobrindo que um grupo de bandidos havia decidido realizar um "arrastão" na feira livre da cidade, que acontecia todos os sábados.

Desesperado para evitar ser confundido com os bandidos, Gildo teve uma ideia brilhante. Ele colocou um velho chapéu de palha que estava caído no chão e, com um pouco de terra e folhas, transformou-se rapidamente em um “louco”, um tipo de figura engraçada que as crianças adoravam. A ideia era enganar o polícia que estava fazendo a segurança do evento.

Com um jeito desajeitado, Gildo começou a agir de forma excêntrica, rodando em círculos e gritando frases sem sentido sobre porcos que dançavam e nuvens que falavam. Ele esperava que o “tira”, o guarda da cidade, o deixasse em paz, acreditando que ele era apenas um maluco ali para fazer graça.

O plano parecia funcionar! O guarda o olhou com desdém, balançou a cabeça e foi atrás dos verdadeiros bandidos. Gildo comemorou internamente, pensando em como tinha sido astuto. Mas logo ele percebeu que a mentira tinha suas consequências: a multidão agora estava mais interessada nele do que nos verdadeiros delinquentes!

Infelizmente, a cidade tinha um costume peculiar: cada vez que alguém fazia algo engraçado, todos os outros começavam a imitar e, para Gildo, esse era o começo do seu “sufoco”. Em questão de minutos, ele se viu no centro de uma roda de palhaços improvisados, todos tentando superá-lo em graça. E, para piorar, o guarda voltou.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou o guarda, olhando desconfiado para Gildo, que estava apavorado com a situação.

— Ah, oficial! Está tudo sob controle! — Gildo gritou, enquanto tentava inventar uma explicação.

— Sob controle? Parece mais um circo! — disse o guarda, segurando o riso, mas mantendo a autoridade.

Gildo, sentindo que precisava sustentar a mentira, ergueu o braço e começou a fazer malabarismos com objetos aleatórios que encontrou no chão: uma maçã, uma pedra e um pedaço de corda que alguém havia deixado para trás. A plateia aplaudia e ria, mas o guarda não parecia muito convencido.

— Mandei encerrar essa “comédia”! — ele gritou.

Sem pensar, Gildo decidiu que a única forma de escapar da situação era escalonando essa “loucura”. Ele correu até uma barraca de doces, encheu as mãos de pirulitos e começou a distribuir para as crianças, dizendo:

— Aqui, divirtam-se, e não contem a ninguém que eu sou só um “doutor de risadas”!

Os gritos da multidão agora eram de alegria e Gildo estava no seu auge! Mas o guarda continuava a se aproximar, cada vez mais desconfiado. Gildo, percebendo que sua saída estava se fechando, decidiu que precisava de um plano infalível. O que fez foi o mais louco de tudo: começou a dançar.

Ele fez uma dança maluca, misturando passos de salsa com movimentos de robô, enquanto gritava:

— Sou o Rei do Pavilhão! Abracem a loucura!

A multidão, empolgada, passou a imitá-lo, e Gildo percebeu que havia conseguido desviar a atenção do policial. Em um giro inesperado, Gildo se viu rodeado por uma verdadeira festa de improviso.

Por fim, com muito esforço e boas risadas, Gildo conseguiu não apenas escapar da situação, mas transformar o que parecia um sufoco em um grande evento comunitário. O guarda, com a atmosfera festiva, já havia encerrado a perseguição e até se divertiu observando as maluquices.

E assim, Gildo, o “louco” da cidade, fez história! Desde então, ele era chamado para animar eventos e festas, tornando-se o artista mais querido da região. No entanto, sempre que perguntavam sobre aquele dia, ele dizia com um sorriso:

— Lembre-se sempre: se a vida te der limões, faça uma dança maluca e distribua pirulitos! 

E, claro, nunca se esqueça de que, às vezes, a verdade é apenas uma versão mais divertida da mentira.

           

 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

MEU PONTO DE VISTA - FILEMON MARTINS

 



 

MEU PONTO DE VISTA

Filemon Martins

 

 

Ando assustado e preocupado com as coisas que estão acontecendo no Brasil nestes tempos atuais.

Parece que tudo que aprendemos com nossos pais, como Respeito, Honestidade, Caráter, Dignidade já não tem mais valor. O poder econômico sufocou todas essas virtudes. Tudo o que você imaginar o dinheiro compra, não só bens materiais, mas também as Leis que nos regem através da Constituição Federal. Ora, as Reformas, sejam elas trabalhistas ou previdenciárias não deram certo porque nunca se mexeu no problema. – E qual é o problema? – O problema que causa esse rombo nas contas públicas tem nome, chama-se CORRUPÇÃO e IMPUNIDADE. Tanto uma quanto a outra são defendidas pelos políticos e legisladores com unhas e dentes. O fim da Operação Lava Jato foi uma prova deste sistema corrupto. O Governo e a Receita Federal nunca tiveram coragem de publicar uma lista oficial dos devedores do INSS. A sociedade não conhece, oficialmente, quem são esses caloteiros que causam rombo nas contas públicas. Depois de algum tempo, descaradamente, eles jogam o prejuízo nas costas de quem trabalha e produz. Há coisas estranhas e erradas pairando sobre o Brasil. A sociedade brasileira, pessoas de bem, éticas e honestas não podem admitir que fichas sujas estejam à frente de ministérios e repartições importantes que gerenciam os recursos públicos. O gerenciamento maléfico e ineficiente (desvios de verbas) destes recursos impede que investimentos sejam feitos na saúde, educação, segurança pública, pesquisas e desenvolvimento social para o bem de todos os brasileiros. Os conchavos de políticos que atuam nos Ministérios e no Congresso Nacional já são bem conhecidos. Pior, não temos a quem recorrer, porque até a Suprema Corte aliou-se ao banditismo quando um de seus membros com uma canetada “descondenou” um condenado em todas as Instâncias e o elegeu para governar o país. Aos poucos, os presos por corrupção estão sendo soltos, como se nada tivesse subtraído do erário brasileiro. Um tremendo ¨tapa na cara¨ do cidadão de bem que acredita no Brasil e no povo brasileiro. Acorda, povo!    


TROVAS DO FILEMON

 



 

TROVAS DO FILEMON

 

Se queres ter um Amigo

que não fala, pois é mudo,

o Livro é luz que bendigo,

que calado, fala tudo.

 

Nenhum poema é mais belo

e inspira tanta esperança

do que um sorriso singelo

no rosto de uma criança.

 

No livro da NATUREZA

as lições são sem iguais.

Tenho, por isto, certeza

que é onde se aprende mais.

 

No meu balaio carrego

sonhos de amor e venturas,

mas muitos sonhos, não nego,

se tornaram desventuras.

 

No teu sorriso, criança,

vejo o mais belo perfil,

porque tu és a esperança

do futuro do Brasil.

 


INDAGAÇÃO - FILEMON MARTINS

 



 

INDAGAÇÃO
Filemon Martins




Entre muitos brasileiros
não sou o mais otimista
também não sou pessimista,
mas o quadro é desanimador:
- Onde estão a Ética, a Honestidade,
o Caráter e a Dignidade
de muitos brasileiros???

TROVAS DE ASCENDINO ALMEIDA

 



TROVAS DE ASCENDINO ALMEIDA


Por ser justiça perfeita,

Deus julga cada pessoa.

A mãe por ser imperfeita,

não julga o filho, perdoa.


O horror ao nada nos diz

que existe além, algo mais,

- intuição bem feliz

de que somos imortais.


Eu não sei bem, se ouvi já

ou, quem sabe, se já li:

- "poder mais alto não há

que alguém ser dono de si".


Num claro mês de setembro

quando Deus te uniu a mim,

tu me sorrias, e eu me lembro!

- Teus lábios disseram SIM.


(LIVRO "ANUÁRIO COLETÂNEA DE TROVAS BRASILEIRAS" - 1981)

TROVAS DE JEREMIAS RIBEIRO SANTOS

 



TROVAS DE JEREMIAS RIBEIRO SANTOS


Sob a bandeira do amor,

escudado na esperança,

vai com fé, o trovador

mostrando força e pujança.


O estro, a verve e o talento

de um poeta condoreiro

são asas do pensamento

cobrindo este mundo inteiro.


Mesmo sem letras, labrusco,

amo a Natura, o Universo.

No garimpo da alma eu busco

encontrar joias em verso!


O condor - águia real

sobrevoa a imensidão.

Do vate, voa o ideal

nas asas da inspiração.


(LIVRO "ANUÁRIO COLETÂNEA DE TROVAS BRASILEIRAS" - 1981 - PÁGINA 30)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

TROVAS DO FILEMON

 




TROVAS DO FILEMON

 

No Sertão ninguém contesta,

o povo celebra e canta.

Chuva farta faz a festa,

fartura para quem planta.

    

Trago, cravado, no peito

um agridoce desejo:

viver um sonho perfeito

na doçura do teu beijo.


Em meus sonhos fascinantes,

como o sol de Itapuã,

vi teus olhos - diamantes -

brilhando à luz da manhã.

    

Quanta beleza nas águas

tão claras de Piatã.*

Lá sepultei minhas mágoas

naquela linda manhã.


 

(* Uma das praias mais bonitas de Salvador, Bahia)

TROVAS DO FILEMON

 





TROVAS DO FILEMON

 

Quando aparece a saudade

causando dor em meu peito,

meu coração tem vontade

de correr para o teu leito.

 

A luta é sempre renhida,

grana do pobre é vintém.

Quer fazer um pé-de-vida,

um pé-de-enrola é que vem.

 

Que o teu futuro, criança,

seja de luz e esplendor,

vislumbre de confiança

no mundo do desamor.


De que vale o meu sofrer

neste caminho sem glória?

- Nascer, crescer e morrer,

eis o resumo da história.

 

TROVAS DO FILEMON

 





TROVAS DO FILEMON 

 

Vem a água e tudo arrasa

e a mágoa logo se vê.

Não há barraco nem casa,

- só águas do Tietê.

                    

Com água comemos brasa

que destrói logo se vê.

Perdemos a nossa casa

para as águas do Tietê.


Da vida não quero a glória

que tanto engana e seduz.

Prefiro não ter história,

a renunciar minha cruz.


O vento forte balança

minhas plantas no quintal,

e a chuva cai com pujança,

- prenúncio de temporal.