sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

LOUCURAS SEM FIM - JOSÉ FELDMAN

 



LOUCURAS SEM FIM

José Feldman


TROVA DE FERNANDO VASCONCELOS

(1937 - 2010)


O Gildo se fez de louco,

pra burlar aquele "tira",

depois passou um sufoco

pra sustentar a mentira.



           

Era uma vez, em uma cidade pequena e tranquila, um homem chamado Gildo. Ele era conhecido não apenas por seu jeito divertido, mas também por suas rápidas ideias para sair de enrascadas. Porém, a fama de Gildo como "o mestre do improviso" iria ser testada em uma situação muito mais complicada do que ele esperava.

Certa tarde, Gildo estava em casa assistindo a um campeonato de futebol quando ouviu um barulho do lado de fora. Curioso, decidiu ver o que estava acontecendo. Ao abrir a porta, ele se deparou com uma cena insólita: uma multidão ao redor do parque, gritando. Correu para se juntar à comunidade, descobrindo que um grupo de bandidos havia decidido realizar um "arrastão" na feira livre da cidade, que acontecia todos os sábados.

Desesperado para evitar ser confundido com os bandidos, Gildo teve uma ideia brilhante. Ele colocou um velho chapéu de palha que estava caído no chão e, com um pouco de terra e folhas, transformou-se rapidamente em um “louco”, um tipo de figura engraçada que as crianças adoravam. A ideia era enganar o polícia que estava fazendo a segurança do evento.

Com um jeito desajeitado, Gildo começou a agir de forma excêntrica, rodando em círculos e gritando frases sem sentido sobre porcos que dançavam e nuvens que falavam. Ele esperava que o “tira”, o guarda da cidade, o deixasse em paz, acreditando que ele era apenas um maluco ali para fazer graça.

O plano parecia funcionar! O guarda o olhou com desdém, balançou a cabeça e foi atrás dos verdadeiros bandidos. Gildo comemorou internamente, pensando em como tinha sido astuto. Mas logo ele percebeu que a mentira tinha suas consequências: a multidão agora estava mais interessada nele do que nos verdadeiros delinquentes!

Infelizmente, a cidade tinha um costume peculiar: cada vez que alguém fazia algo engraçado, todos os outros começavam a imitar e, para Gildo, esse era o começo do seu “sufoco”. Em questão de minutos, ele se viu no centro de uma roda de palhaços improvisados, todos tentando superá-lo em graça. E, para piorar, o guarda voltou.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou o guarda, olhando desconfiado para Gildo, que estava apavorado com a situação.

— Ah, oficial! Está tudo sob controle! — Gildo gritou, enquanto tentava inventar uma explicação.

— Sob controle? Parece mais um circo! — disse o guarda, segurando o riso, mas mantendo a autoridade.

Gildo, sentindo que precisava sustentar a mentira, ergueu o braço e começou a fazer malabarismos com objetos aleatórios que encontrou no chão: uma maçã, uma pedra e um pedaço de corda que alguém havia deixado para trás. A plateia aplaudia e ria, mas o guarda não parecia muito convencido.

— Mandei encerrar essa “comédia”! — ele gritou.

Sem pensar, Gildo decidiu que a única forma de escapar da situação era escalonando essa “loucura”. Ele correu até uma barraca de doces, encheu as mãos de pirulitos e começou a distribuir para as crianças, dizendo:

— Aqui, divirtam-se, e não contem a ninguém que eu sou só um “doutor de risadas”!

Os gritos da multidão agora eram de alegria e Gildo estava no seu auge! Mas o guarda continuava a se aproximar, cada vez mais desconfiado. Gildo, percebendo que sua saída estava se fechando, decidiu que precisava de um plano infalível. O que fez foi o mais louco de tudo: começou a dançar.

Ele fez uma dança maluca, misturando passos de salsa com movimentos de robô, enquanto gritava:

— Sou o Rei do Pavilhão! Abracem a loucura!

A multidão, empolgada, passou a imitá-lo, e Gildo percebeu que havia conseguido desviar a atenção do policial. Em um giro inesperado, Gildo se viu rodeado por uma verdadeira festa de improviso.

Por fim, com muito esforço e boas risadas, Gildo conseguiu não apenas escapar da situação, mas transformar o que parecia um sufoco em um grande evento comunitário. O guarda, com a atmosfera festiva, já havia encerrado a perseguição e até se divertiu observando as maluquices.

E assim, Gildo, o “louco” da cidade, fez história! Desde então, ele era chamado para animar eventos e festas, tornando-se o artista mais querido da região. No entanto, sempre que perguntavam sobre aquele dia, ele dizia com um sorriso:

— Lembre-se sempre: se a vida te der limões, faça uma dança maluca e distribua pirulitos! 

E, claro, nunca se esqueça de que, às vezes, a verdade é apenas uma versão mais divertida da mentira.

           

 


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