LOUCURAS SEM FIM
José Feldman
TROVA DE FERNANDO VASCONCELOS
(1937 - 2010)
O Gildo se fez de louco,
pra burlar aquele "tira",
depois passou um sufoco
pra sustentar a mentira.
Era uma vez, em uma cidade pequena e tranquila, um homem
chamado Gildo. Ele era conhecido não apenas por seu jeito divertido, mas também
por suas rápidas ideias para sair de enrascadas. Porém, a fama de Gildo como
"o mestre do improviso" iria ser testada em uma situação muito mais
complicada do que ele esperava.
Certa tarde, Gildo estava em casa assistindo a um
campeonato de futebol quando ouviu um barulho do lado de fora. Curioso, decidiu
ver o que estava acontecendo. Ao abrir a porta, ele se deparou com uma cena
insólita: uma multidão ao redor do parque, gritando. Correu para se juntar à
comunidade, descobrindo que um grupo de bandidos havia decidido realizar um
"arrastão" na feira livre da cidade, que acontecia todos os sábados.
Desesperado para evitar ser confundido com os bandidos,
Gildo teve uma ideia brilhante. Ele colocou um velho chapéu de palha que estava
caído no chão e, com um pouco de terra e folhas, transformou-se rapidamente em
um “louco”, um tipo de figura engraçada que as crianças adoravam. A ideia era
enganar o polícia que estava fazendo a segurança do evento.
Com um jeito desajeitado, Gildo começou a agir de forma
excêntrica, rodando em círculos e gritando frases sem sentido sobre porcos que
dançavam e nuvens que falavam. Ele esperava que o “tira”, o guarda da cidade, o
deixasse em paz, acreditando que ele era apenas um maluco ali para fazer graça.
O plano parecia funcionar! O guarda o olhou com desdém,
balançou a cabeça e foi atrás dos verdadeiros bandidos. Gildo comemorou
internamente, pensando em como tinha sido astuto. Mas logo ele percebeu que a
mentira tinha suas consequências: a multidão agora estava mais interessada nele
do que nos verdadeiros delinquentes!
Infelizmente, a cidade tinha um costume peculiar: cada vez
que alguém fazia algo engraçado, todos os outros começavam a imitar e, para
Gildo, esse era o começo do seu “sufoco”. Em questão de minutos, ele se viu no
centro de uma roda de palhaços improvisados, todos tentando superá-lo em graça.
E, para piorar, o guarda voltou.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou o guarda,
olhando desconfiado para Gildo, que estava apavorado com a situação.
— Ah, oficial! Está tudo sob controle! — Gildo gritou,
enquanto tentava inventar uma explicação.
— Sob controle? Parece mais um circo! — disse o guarda,
segurando o riso, mas mantendo a autoridade.
Gildo, sentindo que precisava sustentar a mentira, ergueu o
braço e começou a fazer malabarismos com objetos aleatórios que encontrou no
chão: uma maçã, uma pedra e um pedaço de corda que alguém havia deixado para
trás. A plateia aplaudia e ria, mas o guarda não parecia muito convencido.
— Mandei encerrar essa “comédia”! — ele gritou.
Sem pensar, Gildo decidiu que a única forma de escapar da
situação era escalonando essa “loucura”. Ele correu até uma barraca de doces,
encheu as mãos de pirulitos e começou a distribuir para as crianças, dizendo:
— Aqui, divirtam-se, e não contem a ninguém que eu sou só
um “doutor de risadas”!
Os gritos da multidão agora eram de alegria e Gildo estava
no seu auge! Mas o guarda continuava a se aproximar, cada vez mais desconfiado.
Gildo, percebendo que sua saída estava se fechando, decidiu que precisava de um
plano infalível. O que fez foi o mais louco de tudo: começou a dançar.
Ele fez uma dança maluca, misturando passos de salsa com
movimentos de robô, enquanto gritava:
— Sou o Rei do Pavilhão! Abracem a loucura!
A multidão, empolgada, passou a imitá-lo, e Gildo percebeu
que havia conseguido desviar a atenção do policial. Em um giro inesperado,
Gildo se viu rodeado por uma verdadeira festa de improviso.
Por fim, com muito esforço e boas risadas, Gildo conseguiu
não apenas escapar da situação, mas transformar o que parecia um sufoco em um
grande evento comunitário. O guarda, com a atmosfera festiva, já havia
encerrado a perseguição e até se divertiu observando as maluquices.
E assim, Gildo, o “louco” da cidade, fez história! Desde
então, ele era chamado para animar eventos e festas, tornando-se o artista mais
querido da região. No entanto, sempre que perguntavam sobre aquele dia, ele
dizia com um sorriso:
— Lembre-se sempre: se a vida te der limões, faça uma dança
maluca e distribua pirulitos!
E, claro, nunca se esqueça de que, às vezes, a verdade é
apenas uma versão mais divertida da mentira.

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