domingo, 14 de dezembro de 2025

A DECISÃO DO MARECHAL CÂNDIDO RONDON - SAUL RIBEIRO DOS SANTOS

 

A DECISÃO DO MARECHAL CÂNDIDO RONDON

 

Um garoto do Mato Grosso, filho de pais humildes. Com dois anos de idade ficou órfão. Não tinha riquezas, mas era possuidor de grande desejo de estudar, prosperar e com seus conhecimentos colaborar para o desenvolvimento da sua região.



                       Marechal Cândido Rondon

Na sexta feira, da semana passada dia 12 de dezembro estava eu entrando no Shopping aqui da cidade pela porta central. Pela porta do lado direito entrou uma moça morena portando alguns livros. Fomos andando e começamos a falar sobre temas do natal. Não demorou e em menos de dois minutos já estávamos falando patriotismo, trabalho e amor ao próximo.

     Ao voltar para casa fiquei pensando na nossa conversa e especialmente na parte referente ao amor ao próximo e me veio à mente a incomparável lembrança de um brasileiro natural do Estado do Mato Grosso.

     Antes dos homens ditos civilizados chegarem aqui no Brasil, as terras do litoral brasileiro já estavam habitadas por índios. Os índios receberam bem Pedro Álvares Cabral e sua comitiva. Os índios eram um povo simples e de paz. O problema começou quando outras comitivas foram chegando e desembarcando nas terras brasileiras, que, diga-se de passagem, tudo pertencia aos índios. Os homens “civilizados” começaram a dominar, explorar, e forçar as índias e a escravizar os homens índios, obrigando-os a trabalho escravo. Perseguições aos índios aconteceram nas Américas, de Norte a Sul. Assim muitas tribos foram abandonando o litoral, seguindo para o interior. Os índios preferiam regiões com rios, lagoas e vales, locais com muito peixe e caça. Indigenistas informam que ainda existem tribos completamente selvagens e belicosas. Por muitos anos ou centenas de anos as relações entre os homens brancos, ditos civilizados e os índios era de “olho por olho e dente por dente”.

Mais tarde os historiadores deram para os grupos e famílias de índios os nomes de Tupis (tupinambás), Aruaque, Carajás, Tapuios e outras tribos. A Enciclopédia Barsa informa que “Não há unidade cultural na América indígena”.

     Pois bem. Temos o nome de um homem brasileiro que conseguiu estabelecer (ou melhor, restaurar) a paz entre brancos e índios. Esse homem foi o mato-grossense Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, que nasceu no dia 5 de maio de 1865 numa pequena localidade perto de Cuiabá (hoje Rondonópolis). Ficou órfão aos dois anos de idade, indo morar com seus avós paternos. Seu avô ensinou o neto a ler e escrever. Mais tarde foi morar em Cuiabá com seu tio Manoel da Silva Rondon.

      Desde cedo o jovem Cândido Rondon alimentava o importante princípio que diz o seguinte: “O que merece ser feito, merece ser bem-feito”. O jovem da nossa história de hoje demostrou grande interesse pelos estudos, de forma que aos 16 anos de idade formou-se e recebeu o diploma de professor público. Ele não parou por aí. Conseguiu matricular-se na Escola Militar do Mato Grosso.

     O Jovem conseguiu terminar o curso de oficial militar e recebeu o diploma de Primeiro Tenente e bacharel em matemática. As comunicações no interior do Brasil eram classificadas como precárias. O jovem Cândido Rondon teve um forte desejo e alimentou a ideia de construir no seu Estado, a partir da capital, uma rede de comunicações telegráficas. Esse tipo de comunicação, na época, era considerado um sistema de alta tecnologia.

     Para instalar linhas telefônicas no seu Estado e em outras partes do Brasil era necessário entrar em contato com os índios, pois eles eram os donos das terras. Mas o seu sonho foi concretizado. Não fazia muito tempo que o Brasil foi proclamado como República. O presidente Deodoro da Fonseca, preocupado com a defesa do território nacional, autorizou a formação de duas comissões com o objetivo de estudarem a instalação de linhas telegráficas do Distrito Federal (RJ) às capitais dos Estados. Foi elaborado um projeto e sem muito demorar o projeto foi aprovado. O major Gomes Carneiro foi e convidou o jovem o Tenente Cândido Rondon para administrar e tocar uma grande parte, a que passaria por trechos difíceis com matas e muitas tribos de índios...

     Incentivado por sua esposa o jovem iniciou a realização do seu grande sonho. Montou a sua equipe de trabalho pegou os materiais e deu início à grande obra. Antes ele tomou uma decisão importante, quando falou: “Eu só penetro no sertão com a paz e nunca com a guerra”. (1) A execução dos trabalhos não foi fácil nem rápido. Foram necessários abrir milhares de buracos, fincar postes bem firmes e esticar os fios, atravessando vales, outeiros e rios. Inicialmente foram montadas 22 estações telegráficas. Era uma obra de vastas proporções que trouxe bons resultados para o Brasil.

     A frase do Tenente, que expressa “amor e não agressão”, está de acordo com a Bíblia Sagrada, nas palavras orientadoras de Jesus, no evangelho de S. João cap. 15 e versículo 17 quando disse: “Isto vos mando: que vós ameis uns aos outros”.

     Penetrando pelas terras de Mato Grosso, o comandante Cândido Rondon ficou triste com a sorte dos sem compatriotas e com maior sentimento vendo como viviam os índios. A primeira tribo que entrou em contato foi a dos índios. Percebeu pessoas doentes com febre, doenças intestinais e outros problemas mais graves. A primeira tribo que visitou foi a dos índios Bororôs, índios com costumes bem diferentes. O tenente demonstrou a sua amizade sincera e foi ganhando a confiança dos indígenas. Com seu trabalho digno, ele abriu um vasto campo para a ciência fazer verificações e descobertas.

     Cândido Rondon nasceu em 1865 e faleceu em 1958. Temos que o Tenente Cândido Rondon, engenheiro do Exército, foi ao longo dos anos, recebendo promoções e subindo de posto no Exército. Eis algumas frases importantes pronunciadas pelo Marechal Cândido Rondon:

     “Eu só penetro no sertão com a paz e nunca com a guerra”.
     “Se os índios nos atacarem é porque estão defendendo o que lhes   pertence e não sabem com que intenções estamos aqui”.   
     “Eu cumpri o meu dever” (ao ser interrogado por um jornalista).
     “Podemos morrer! Matar, nunca!”.

Para concluir, queremos dizer que o Marechal Cândido Rondon exerceu diplomacia com muita sabedoria. Em 1913 ele foi convidado por Lauro Mueller, então Ministro das Relações Exteriores, para chefiar a comissão formada para acompanhar o Presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt, mas ele só aceitou o convite quando foi informado de que era uma expedição com caráter científico e não meramente esportivo. (1) Também na diplomacia se destacou a ação nobre e pacificadora do Marechal, quando representou o Brasil na Comissão internacional de Letícia, (1) criada para fazer respeitar o tratado, assinado a 24 de março de 1922, firmado entre Peru e Colômbia. A Liga das Nações nada conseguiu. Então foi a vez do Brasil enviar o Marechal Cândido Rondon, que resolveu o problema.

 



Saul Ribeiro dos Santos

Contador e economista aposentado.

Natural de Ipupiara - BA.

saul.ribeiro1945@gmail.com

 

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(1) Frase pronunciada pelo Ten. Cândido Rondon. Informações do Prof. Luiz Waldvogel, em “Homens que Fizeram o Brasil. Casa Publicadora Brasileira, 1953.




    






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