QUEM FOI JOÃO ARCI NETTO?
(Justa Homenagem)
Filemon Martins
JOÃO ARCI NETTO nasceu em 12 de outubro de 1936. Filho de Maria Guaranésia Arci
e Francisco Arci. Era irmão de Nelson Arci, culto e inteligente. Casou-se com
Dª Iracy Carvalho Arci, com quem teve três filhos, João Arci Júnior, Jair
Francisco Arci e Ana Maria Arci Gaglioni. Tinha quatro netos, a saber, Caroline
(filha de Júnior), Nathália e Henrique (filhos de Jair) e Thábata (filha de Ana
Maria Arci Gaglioni).
Quando eu o conheci em 1969, ele já gerenciava o Departamento de Créditos e
Cobranças, da Empresa Folha da Manhã S/A, proprietária dos Jornais Folha de S.
Paulo, Folha da Tarde, Cidade de Santos, Última Hora e Notícias Populares.
Naquela época, oriundo da Bahia, o que sempre me chamava a atenção era o fato
de nosso gerente, ser formado em Química. Com o passar do tempo, percebi que
ele era, de fato, um administrador nato. Nesta época, o Jornal cresceu
assombrosamente. Trabalhei com ele por quase 20 (vinte) anos. Até hoje me
recordo das lições do Mestre João Arci Netto. Por fim, ele se aposentou e eu continuei
por lá. Mas as coisas já não eram como antigamente, não havia mais aquela
sensatez e fidalguia que só o nosso gerente tinha. Saturado da empresa privada,
prestei concurso público e fui trabalhar na Prefeitura do Município de São
Paulo, e, posteriormente também por concurso público, no Judiciário Federal,
onde depois me aposentei.
João Arci era um homem do qual se podia
dizer que tinha uma alma altamente iluminada. Com todas as suas atribuições
inerentes ao cargo, era comum ele se preocupar com funcionários jovens, que,
por um motivo ou outro, faltavam as aulas. Sou testemunha destes fatos: ele
mandava alguém averiguar junto à família e às vezes na própria escola conversar
com a Diretora para saber o que estava acontecendo com aquele estudante. Se
confirmados os fatos, ele chamava o funcionário para uma conversa ao pé do
ouvido... E tentava ajudá-lo. Já naquela época, ministrava cursos aos
funcionários, como DINÂMICA DO DESENVOLVIMENTO PESSOAL, a fim de que pudessem
melhorar seu desempenho pessoal. Contratava cursos através do SENAI, que eram
ministrados na sede da Empresa, ENSINO CORRETO DO TRABALHO – TWI, RELAÇÕES
HUMANAS NO TRABALHO – TWI e MÉTODOS NO TRABALHO – TWI.
Frederico Valente Coelho trabalhou na
Folha de São Paulo, no ano de 1975, o Fredy, era Office boy na época e
trabalhava com a D. Dirce, secretária de João Arci Netto e me enviou seu
depoimento, via e-mail: “Quando li o que você escreveu, percebi que você
conseguiu em poucas linhas mostrar quem realmente ele era. Me lembro que minha
vida era muito difícil, em muitas das vezes não tinha o que comer, me lembro
que não tinha como trabalhar e estudar em Guarulhos, então entrou na minha vida
o Sr. João e conseguiu uma vaga no Colégio, um dos melhores, bem próximo da
Folha. Foi difícil, pois saía às onze horas da noite e caminhava até a estação
da Luz para tomar o ônibus para Guarulhos. Pois o tempo em que trabalhei com o
Sr. João, nunca precisei comprar material escolar, pois o mesmo através de um
caixa formado pelos executivos da empresa ajudava a todos que não tinham
condições de comprar os devidos materiais. Fiquei muito triste em saber que
esse bom homem se foi. Hoje, sou alguém na vida porque tive um empurrão do Sr.
João Arci Netto. Que Deus o tenha.”
Valmir José também trabalhou na Folha de S. Paulo, no período de 1976/1979 e prestou seu depoimento via whatsApp, dizendo o seguinte: "Eu também fui aconselhado pela Dona Dirce (secretária de João Arci) e pelo Sr. João Arci a voltar aos estudos, havia um funcionário do RH, Sr. Ronaldo, que sabendo da minha dificuldade, conseguiu uma vaga em uma escola Pública, no bairro da Vila Guilherme. Também foi o Sr. João quem me ajudou a voltar a estudar, nos anos 1978/1979".
O meu amigo JOÃO ARCI NETTO silenciou no
dia 27 de abril de 2010, em São Paulo. Agora, com certeza, trilha um caminho de
luz no plano espiritual. Perdi um amigo, perdi um irmão e perdi um leitor.
Parodiando o grande Mário Barreto França, posso dizer: “ELE ERA BOM; CHORAI
COMIGO, A AUSÊNCIA INCONSOLÁVEL DESTE AMIGO, A AUSÊNCIA INCONSOLÁVEL DESTE
IRMÃO!” Que Deus dê à família o conforto necessário para suplantar a dor e
prosseguir com fé pela vida e pelo exemplo que ele nos deixou.
Obs.: Um agradecimento especial a sua filha Ana Maria Arci Gaglioni, pelas
informações que me passou via e-mail, sem as quais seria impossível escrever
este texto.

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