A LUPA
Elvira Drummond
Nos olhos, o poeta guarda o mar...
e enfeixa em pleno azul - cor do infinito -
o abraço da grandeza, em seu olhar
que junta o mar ao céu... matiz bendito!
Nos olhos, o poeta aprende a amar...
antídoto do caos, de todo atrito,
enxerga luz no cais, ao navegar,
e ancora as emoções, num doce rito.
Nos olhos, o poeta imprime o traço,
vibrando sempre em tom de verde-abraço;
conserta o que há de hostil, na ação mundana
(que aos olhos de um poeta, nunca engana).
E os gestos pequeninos ele agrupa,
agigantando o amor com sua lupa!
(LIVRO "OS ESCOLHIDOS versos diversos", PÁGINA 30)

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