segunda-feira, 27 de abril de 2026

SONETO DE CASTRO ALVES

 




SONETO DE CASTRO ALVES (1847/1871)


Se houvesse ainda talismã bendito
que desse ao pântano – a corrente pura,
musgo ao rochedo, festa – à sepultura,
das águias negras – harmonia ao grito...


Se alguém pudesse ao infeliz precito
dar lugar no banquete da ventura...
E tocar-lhe o velar da insônia escura
no poema dos beijos – infinito...


Certo... serias tu, donzela casta,
quem me tomasse em meio do Calvário
a cruz de angústias que o meu ser arrasta!...


Mas, se tudo recusa-me o fadário,
na hora de expirar, ó Dulce, basta

morrer beijando a cruz de teu rosário!...

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