sexta-feira, 24 de abril de 2026

A ESPETARIA FATAL - JOSÉ FELDMAN

 




A ESPETARIA FATAL

JOSÉ FELDMAN


TROVA DE JOSÉ FELDMAN


Meu amigo... Quem diria?

Terminou todo "enrolado"...

Foi comer na espetaria

e ficou todo espetado!


Era uma tarde ensolarada de sábado, e Aparecido, um sujeito curioso e um tanto desajeitado, caminhava despreocupado pela rua principal da cidade. Ele tinha acabado de sair do mercadinho, onde comprara pão, leite e, é claro, sua fiel coxinha de frango. Porém, algo chamou sua atenção naquela caminhada rotineira: uma placa vibrante e chamativa, escrita em letras garrafais e com uma seta piscando, anunciava:

“ESPETARIA DO ZEZÃO – OS MELHORES ESPETINHOS DA REGIÃO!”

Parou imediatamente. Espetinhos? Ele adorava espetinhos! Só de pensar na carne suculenta, no cheiro de churrasco e nos acompanhamentos, sua barriga já roncava. Era impossível resistir. "Ora, por que não experimentar?", pensou ele, enquanto ajeitava o chapéu que insistia em escorregar da cabeça.

Ao entrar no estabelecimento, uma música animada tocava ao fundo, e o ambiente tinha um clima acolhedor. Havia mesas de madeira, um balcão cheio de molhos e um menu escrito com giz numa lousa. Mas o que mais chamou a atenção foi a decoração... digamos... exótica. Havia espetos “por toda parte”: espetos na parede, espetos pendurados no teto, espetos atravessando esculturas de carne falsa. Até o mascote da casa, um porquinho de pelúcia, estava espetado em um espeto gigante sobre o balcão.

“Bem-vindo, meu amigo!” gritou Zezão, o dono do lugar, um homem parrudo com um bigode impressionantemente comprido. “O que vai querer? Hoje temos promoção: espeto de carne, frango, linguiça e até vegetariano!”

Aparecido, sem pensar duas vezes, respondeu:  

“Vou querer um de cada! Quero experimentar tudo!”

Zezão deu uma risada calorosa. 

“Assim que eu gosto! Sente-se aí que já já saem os espetos mais gostosos que você já provou!”

Aparecido sentou-se em uma mesa próxima à parede, onde havia mais espetos decorativos, e começou a observar o movimento. O cheiro de churrasco invadia o ar, e ele já salivava. Minutos depois, Zezão veio trazendo uma bandeja cheia de espetinhos. A carne parecia perfeita, dourada, com uma crosta suculenta. Aparecido não perdeu tempo e começou a devorar os espetos, um atrás do outro, enquanto Zezão ria satisfeito.

“Tá gostoso, hein, meu amigo?” perguntou o dono, cruzando os braços.

“Gostoso? Isso aqui é um espetáculo!” respondeu ele, com a boca cheia.

Porém, ao se empolgar com o último espeto de carne, Aparecido, desajeitado como era, fez um movimento brusco com a mão. O espeto escapou dos seus dedos, ricocheteou no prato, bateu na mesa, e antes que ele pudesse entender o que estava acontecendo, o espeto veio girando pelo ar… “e acertou sua nádega.”

O restaurante inteiro parou. Aparecido estava ali, com um espeto fincado em uma das nádegas, pulando de dor e tentando manter a pose.

“AI! ZEZÃO! TÔ ESPETADO!” gritou ele, enquanto os outros clientes tentavam segurar o riso.

Zezão, que já tinha visto de tudo na vida, ficou boquiaberto por uns segundos, mas logo correu para ajudar. 

“Calma, meu amigo, é só um espeto pequeno! Já já a gente resolve isso!”

Entre risos e lágrimas de vergonha, Aparecido foi ajudado por Zezão e outro cliente, que cuidadosamente tiraram o espeto de sua nádega. O clima, apesar da situação, era de total descontração. Quando tudo se resolveu, Zezão olhou para Aparecido e disse:

“Olha, meu amigo, aqui na Espetaria do Zezão o lema é que todo mundo sai satisfeito… mas você se empolgou demais, hein? Isto não vai virar costume, né?”

Aparecido, ainda vermelho de vergonha, não conseguiu segurar a risada. E, apesar de tudo, antes de ir embora, ele ainda levou mais dois espetinhos para viagem.

Moral da história: 

Na vida, cuidado ao brincar com espetos… às vezes, eles brincam de volta!

Nenhum comentário:

Postar um comentário