A ESPETARIA FATAL
JOSÉ FELDMAN
TROVA DE JOSÉ FELDMAN
Meu amigo... Quem diria?
Terminou todo "enrolado"...
Foi comer na espetaria
e ficou todo espetado!
Era uma tarde ensolarada de sábado, e Aparecido, um sujeito
curioso e um tanto desajeitado, caminhava despreocupado pela rua principal da
cidade. Ele tinha acabado de sair do mercadinho, onde comprara pão, leite e, é
claro, sua fiel coxinha de frango. Porém, algo chamou sua atenção naquela
caminhada rotineira: uma placa vibrante e chamativa, escrita em letras
garrafais e com uma seta piscando, anunciava:
“ESPETARIA DO ZEZÃO – OS MELHORES ESPETINHOS DA REGIÃO!”
Parou imediatamente. Espetinhos? Ele adorava espetinhos! Só
de pensar na carne suculenta, no cheiro de churrasco e nos acompanhamentos, sua
barriga já roncava. Era impossível resistir. "Ora, por que não
experimentar?", pensou ele, enquanto ajeitava o chapéu que insistia em
escorregar da cabeça.
Ao entrar no estabelecimento, uma música animada tocava ao
fundo, e o ambiente tinha um clima acolhedor. Havia mesas de madeira, um balcão
cheio de molhos e um menu escrito com giz numa lousa. Mas o que mais chamou a
atenção foi a decoração... digamos... exótica. Havia espetos “por toda parte”:
espetos na parede, espetos pendurados no teto, espetos atravessando esculturas
de carne falsa. Até o mascote da casa, um porquinho de pelúcia, estava espetado
em um espeto gigante sobre o balcão.
“Bem-vindo, meu amigo!” gritou Zezão, o dono do lugar, um
homem parrudo com um bigode impressionantemente comprido. “O que vai querer?
Hoje temos promoção: espeto de carne, frango, linguiça e até vegetariano!”
Aparecido, sem pensar duas vezes, respondeu:
“Vou querer um de cada! Quero experimentar tudo!”
Zezão deu uma risada calorosa.
“Assim que eu gosto! Sente-se aí que já já saem os espetos
mais gostosos que você já provou!”
Aparecido sentou-se em uma mesa próxima à parede, onde
havia mais espetos decorativos, e começou a observar o movimento. O cheiro de
churrasco invadia o ar, e ele já salivava. Minutos depois, Zezão veio trazendo
uma bandeja cheia de espetinhos. A carne parecia perfeita, dourada, com uma
crosta suculenta. Aparecido não perdeu tempo e começou a devorar os espetos, um
atrás do outro, enquanto Zezão ria satisfeito.
“Tá gostoso, hein, meu amigo?” perguntou o dono, cruzando
os braços.
“Gostoso? Isso aqui é um espetáculo!” respondeu ele, com a
boca cheia.
Porém, ao se empolgar com o último espeto de carne,
Aparecido, desajeitado como era, fez um movimento brusco com a mão. O espeto
escapou dos seus dedos, ricocheteou no prato, bateu na mesa, e antes que ele
pudesse entender o que estava acontecendo, o espeto veio girando pelo ar… “e
acertou sua nádega.”
O restaurante inteiro parou. Aparecido estava ali, com um
espeto fincado em uma das nádegas, pulando de dor e tentando manter a pose.
“AI! ZEZÃO! TÔ ESPETADO!” gritou ele, enquanto os outros
clientes tentavam segurar o riso.
Zezão, que já tinha visto de tudo na vida, ficou
boquiaberto por uns segundos, mas logo correu para ajudar.
“Calma, meu amigo, é só um espeto pequeno! Já já a gente
resolve isso!”
Entre risos e lágrimas de vergonha, Aparecido foi ajudado
por Zezão e outro cliente, que cuidadosamente tiraram o espeto de sua nádega. O
clima, apesar da situação, era de total descontração. Quando tudo se resolveu,
Zezão olhou para Aparecido e disse:
“Olha, meu amigo, aqui na Espetaria do Zezão o lema é que
todo mundo sai satisfeito… mas você se empolgou demais, hein? Isto não vai
virar costume, né?”
Aparecido, ainda vermelho de vergonha, não conseguiu
segurar a risada. E, apesar de tudo, antes de ir embora, ele ainda levou mais
dois espetinhos para viagem.
Moral da história:
Na vida, cuidado ao brincar com espetos… às vezes, eles
brincam de volta!

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