sexta-feira, 10 de abril de 2026

A ALMA SENTIDA - JOSÉ FELDMAN

 



A ALMA SENTIDA

José Feldman


TROVA DE ADOLFO MACEDO


Tenho minha alma sentida,

vivo sempre amargurado.

- Minha vida não tem vida,

sem tua vida ao meu lado!



Na cidade de Luz do Sol, onde os dias costumavam ser banhados por uma luz dourada, havia um jovem chamado Lucas. Ele era conhecido por sua sensibilidade e pela profundidade de seus sentimentos. No entanto, por trás de seu sorriso tímido, escondia-se uma alma sentida, marcada pela ausência de um amor que havia se tornado sua razão de viver.

Lucas se apaixonou por Ana na adolescência. Seus olhos brilhavam como estrelas em uma noite clara, e seu riso era como música para os ouvidos dele. Juntos, eles compartilhavam sonhos, segredos e promessas de um futuro repleto de felicidade. Mas a vida, com suas reviravoltas inesperadas, trouxe uma separação que deixou Lucas em um estado de amargura. Ana decidiu seguir seus próprios caminhos em busca de novos horizontes, enquanto Lucas ficou preso em um ciclo de saudade e solidão.

Os meses se passaram, mas a dor da ausência de Ana não diminuía. Lucas caminhava pelas ruas de Luz do Sol, observando os casais felizes e os sorrisos que o cercavam, sentindo-se cada vez mais isolado. 

“Minha vida não tem vida”, pensava, enquanto sua alma clamava por um pouco da alegria que havia perdido. O vazio que ele sentia era tão palpável que parecia acompanhar cada passo que dava.

Certa tarde, enquanto se sentava em um café à beira da praça, avistou um grupo de amigos rindo e conversando. Ele tentou se envolver, mas a conversa parecia distante, como se ele estivesse assistindo a um filme que não fazia parte. 

O garçom, percebendo sua tristeza, se aproximou e disse: “Às vezes, é preciso abrir o coração para que as coisas mudem. A vida é cheia de surpresas.” 

Mas Lucas apenas sorriu fraco, sem saber como lidar com suas emoções.

Naquele dia, ao voltar para casa, ele decidiu que precisava expressar o que sentia. Pegou seu caderno e começou a escrever. As palavras fluíam como um rio desaguando suas mágoas e esperanças. “Tenho minha alma sentida, vivo sempre amargurado”, anotou, cada frase revelando a profundidade de sua dor. Era como se, ao colocar as emoções no papel, ele pudesse torná-las mais leves, mais fáceis de carregar.

Nos dias que se seguiram, continuou a escrever. Seus poemas tornaram-se um refúgio, uma forma de lidar com a ausência de Ana. Ele escrevia sobre os momentos que viveram juntos, sobre o amor que ainda pulsava dentro dele e sobre a vida que parecia estar em pausa. “Sem tua vida ao meu lado”, lamentava, enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. A escrita proporcionava um alívio temporário, mas a solidão ainda o envolvia como um manto pesado.

Um dia, enquanto participava de um sarau local, decidiu compartilhar um de seus poemas. Nervoso, subiu ao palco e leu em voz alta as palavras que tão sinceramente havia escrito. Ao terminar, um silêncio pairou sobre a sala, seguido por um aplauso tímido. No entanto, algo mágico aconteceu: entre a multidão, uma jovem chamada Beatriz se destacou. Ela estava tão tocada por suas palavras que se aproximou após a apresentação e o parabenizou. “Você tem um dom incrível”, disse, com um sorriso que iluminou seu rosto.

Nos dias seguintes, Lucas e Beatriz começaram a se encontrar. Ela se tornou uma amiga especial, alguém que compreendia a dor dele e o incentivava a olhar para o futuro. Conversas longas, risadas e momentos de cumplicidade começaram a preencher o vazio que Ana deixara. Ele percebeu que, embora ainda amasse Ana, havia espaço em seu coração para novas experiências. Beatriz não era uma substituta; ela era uma nova possibilidade, uma luz que começava a brilhar em sua vida.

Com o tempo, começou a se abrir para a ideia de amar novamente. 

Ele ainda escrevia, mas agora suas poesias refletiam uma nova perspectiva. A dor não desapareceu, mas transformou-se em um combustível para criar algo belo. Ele começou a escrever sobre a esperança, sobre a possibilidade de recomeços e sobre a beleza de se permitir sentir novamente. 

“Minha vida começa a ter vida, com tua vida ao meu lado”, ele escreveu em um verso, sentindo a alegria de novas conexões.

Certa noite, enquanto caminhavam juntos sob as estrelas, Lucas olhou para Beatriz e sentiu uma onda de gratidão. Ele percebeu que a vida é feita de ciclos e que o amor, mesmo quando perdido, pode renascer de maneiras inesperadas. A presença de Beatriz era um lembrete de que, mesmo em meio à dor, a vida continua e que novas histórias podem ser escritas.

E assim, Lucas aprendeu que o amor verdadeiro não se apaga, mas se transforma. Ele compreendeu que a alma sentida não é um sinal de fraqueza, mas uma prova de que é capaz de amar profundamente. Pois, mesmo quando a vida parece amarga, a esperança pode nos guiar, mostrando que, com o tempo, podemos encontrar novos caminhos e redescobrir a alegria de viver.

 

 

 

           

 


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