SOB O LUAR...
Elvira Drummond
Ao contemplar a cena do luar,
seus raios, ternamente, feito brisa,
sussurram... e o luar, mansinho, avisa
que meu passado vai rebobinar.
A lua tem o dom peculiar
de ler a mente e, astuta, profetiza...
enxerga o coração, qual pitonisa,
revolve os sentimentos de lugar.
Sendo sagaz ou serva da verdade,
a lua tira escamas da saudade
e traz você à tona pela mão.
Saudade tem a sina de um clarão,
pois passa a iluminar a ausência sua
do mesmo modo audaz que faz a lua.
(LIVRO "OS ESCOLHIDOS VERSOS DIVERSOS", PÁGINA 29)

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